A atuação da enfermagem frente a acidentes e traumas: desafios e perspectivas da assistência
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Abstract

Accidents and traumas constitute a significant public health problem in Brazil, responsible for high morbidity and mortality rates and generating a significant impact on emergency services. In this context, the relevance of nursing care in victim care is highlighted, requiring technical-scientific preparation, clinical reasoning, and agile decision-making. The use of systematized approaches contributes to safer, more organized, and effective care, enabling the early identification of complications and the implementation of immediate interventions. The objective of this study was to analyze the role of nursing in the care of trauma victims, identifying the main challenges faced and their implications for the quality and safety of care. This is a descriptive and exploratory literature review, analyzing scientific articles published between 2015 and 2025. The search was conducted in the SciELO, LILACS, PubMed, and BIREME databases, including studies available in full text in Portuguese and English. The results show that nursing practice is essential for the rapid identification of clinical changes and for the implementation of immediate actions. Among the main challenges are work overload, scarcity of resources, and the need for continuous training. It is concluded that nursing plays an essential role in trauma care, contributing to the reduction of complications and improvement of clinical outcomes, and investment in professional qualification and better working conditions is indispensable.

keyword: Nursing; Wounds and Injuries; Emergency Medical Services; Patient Care; Patient Safety; Quality of Health Care.

1 Introdução

Os acidentes e as violências configuram-se como relevantes problemas de saúde pública no Brasil, sendo responsáveis por elevados índices de morbimortalidade e impactando significativamente os serviços de saúde. Dados do Ministério da Saúde evidenciam que esses agravos resultam em milhares de óbitos anuais, além de expressivo número de atendimentos em unidades de urgência e emergência, exigindo uma assistência rápida, qualificada e resolutiva. Nesse contexto, destaca-se a atuação do enfermeiro, profissional essencial na organização do cuidado, na avaliação clínica inicial e na implementação de intervenções imediatas, contribuindo diretamente para a redução de complicações e melhoria dos desfechos clínicos (CHAVES et.al, 2024).

No atendimento ao paciente vítima de trauma, a utilização de protocolos sistematizados, como o XABCDE, é fundamental para garantir uma abordagem segura, organizada e eficaz. Paralelamente, a classificação de risco, especialmente por meio do Sistema Manchester, possibilita a priorização do atendimento conforme a gravidade clínica, assegurando que pacientes em estado crítico recebam assistência imediata. Nesse processo, o enfermeiro possui responsabilidade técnica e respaldo legal para a realização da triagem, o que reforça a importância de sua capacitação e preparo científico (SANTOS et al, 2024).

A assistência às vítimas de acidentes e traumas caracteriza-se por sua elevada complexidade, demandando intervenções rápidas, eficazes e fundamentadas em protocolos assistenciais bem estabelecidos. Nesse contexto, a equipe de enfermagem desempenha papel primordial em todas as etapas do cuidado, desde a avaliação inicial e estabilização hemodinâmica até o acompanhamento contínuo do paciente em estado crítico. Entretanto, a prática cotidiana evidencia importantes desafios, como a limitação de recursos materiais e humanos, a sobrecarga de trabalho e a necessidade constante de atualização profissional para lidar com a gravidade e a diversidade das situações atendidas (LIMA et.al, 2025).

Adicionalmente, a falta de padronização nos protocolos assistenciais e a fragilidade nos processos de educação permanente podem comprometer a qualidade da assistência prestada. Evidências científicas indicam que inconsistências nas condutas e lacunas na capacitação das equipes estão diretamente relacionadas a piores desfechos clínicos. Nesse sentido, torna-se imprescindível aprofundar a análise sobre a atuação da enfermagem no atendimento às vítimas de trauma, com o intuito de identificar estratégias, compreender os principais desafios enfrentados e propor melhorias que contribuam para a qualificação da assistência (PEREIRA et.al, 2025).

Diante desse cenário, este estudo teve como objetivo analisar a atuação do enfermeiro na classificação de risco de pacientes vítimas de acidentes e traumas em serviços de urgência e emergência. Parte-se da hipótese de que a atuação qualificada do enfermeiro na assistência e na classificação de risco contribui significativamente para a melhoria da qualidade da assistência, promovendo maior segurança ao paciente, otimização do fluxo de atendimento e redução de complicações decorrentes do trauma. Assim, evidencia-se a necessidade de investimento contínuo na capacitação profissional e na adoção de protocolos padronizados nos serviços de urgência e emergência.

2 Revisão da Literatura
No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, os acidentes representam uma importante causa de mortalidade, resultando em aproximadamente 40 mil óbitos anuais e mais de um milhão de ocorrências registradas. Nesse contexto, a atuação do enfermeiro é essencial no cuidado às vítimas, exigindo preparo técnico e científico para garantir uma abordagem rápida, eficaz e segura (CHAVES et.al, 2024).

No atendimento inicial ao paciente traumatizado, o enfermeiro deve seguir o protocolo XABCDE do trauma, realizando uma avaliação sistematizada das condições clínicas. A partir dessa análise, são implementadas medidas imediatas para controle de lesões, estabilização das áreas comprometidas e monitorização contínua dos sinais vitais, assegurando a manutenção das funções vitais e prevenindo agravamentos do quadro clínico (SANTOS et al, 2024).

Costa et al, 2024, cita que o protocolo PHTLS utiliza o mnemônico XABCDE como ferramenta para organizar a abordagem sistemática no atendimento pré-hospitalar e hospitalar. Inicialmente, prioriza-se o controle de hemorragias graves (X), que representam risco imediato de vida por poderem evoluir rapidamente para choque hipovolêmico. Em seguida, avaliam-se as vias aéreas com proteção da coluna cervical (A), garantindo a permeabilidade e prevenindo lesões secundárias. A etapa seguinte contempla a respiração e a ventilação (B), verificando a eficácia das trocas gasosas. Posteriormente, realiza-se a avaliação da circulação (C), com identificação e controle de sangramentos menos intensos. A análise neurológica (D) permite identificar alterações do nível de consciência, enquanto a exposição completa do paciente (E) possibilita a detecção de lesões ocultas, além da adoção de medidas para evitar a hipotermia.

A atuação do enfermeiro no atendimento ao trauma em ambiente hospitalar é essencial para o manejo adequado das vítimas, especialmente diante da necessidade de intervenções rápidas e organizadas. Esse profissional desempenha papel primordial na classificação de risco, na avaliação clínica inicial e na aplicação de protocolos assistenciais padronizados, garantindo uma abordagem sistematizada e segura. Apesar dos desafios relacionados à alta demanda, à sobrecarga de trabalho e à complexidade dos casos atendidos, destaca-se a liderança do enfermeiro na coordenação da equipe, na execução de intervenções imediatas e na supervisão das condutas adotadas. Sua atuação contribui diretamente para a melhoria da qualidade da assistência, redução de complicações e promoção de um cuidado mais eficiente e padronizado no ambiente hospitalar (GOMES et.al, 2023).

A atuação do Enfermeiro na classificação de risco a pacientes vítimas de trauma.

A classificação de risco é uma estratégia utilizada nos serviços de urgência e emergência para organizar o atendimento de forma mais justa e eficiente, priorizando os pacientes conforme a gravidade do quadro clínico. Trata-se de um processo contínuo e dinâmico, no qual são avaliados o risco, o nível de sofrimento e a possibilidade de agravamento, substituindo a ordem de chegada por critérios clínicos previamente estabelecidos (SANTOS et.al, 2024).

No Brasil, o modelo mais adotado é o Sistema Manchester de Classificação de Risco, que divide os pacientes em cinco níveis, representados por cores e tempos máximos recomendados para atendimento. Os casos mais graves são classificados como vermelho, com necessidade de intervenção imediata. Em seguida, vêm os pacientes classificados como laranja, que devem ser atendidos em até 10 minutos; amarelo, em até 60 minutos; verde, em até 120 minutos; e azul, em até 240 minutos. Esse sistema utiliza fluxogramas e critérios específicos que orientam a avaliação e auxiliam na tomada de decisão clínica, promovendo maior segurança e organização no atendimento (PAEZANO, 2025).

No contexto da assistência em urgência e emergência, a classificação de risco é uma atividade privativa do enfermeiro, conforme normatização profissional. Para desempenhar essa função com qualidade, é indispensável que o enfermeiro possua sólidos conhecimentos clínicos, aliados a competências técnicas e habilidades gerenciais, garantindo que a avaliação seja realizada com embasamento científico e rigor técnico. Além disso, o enfermeiro deve ser capaz de realizar uma escuta qualificada, identificar sinais e sintomas de gravidade e tomar decisões rápidas e seguras, assegurando a correta priorização dos atendimentos. Esse processo exige também comunicação eficaz com a equipe multiprofissional e registro adequado das informações, contribuindo para a continuidade do cuidado (COFEN, 2012).

A atuação do enfermeiro na classificação de risco não apenas organiza o fluxo de atendimento, mas também impacta diretamente na segurança do paciente, na redução de agravos e na otimização dos recursos disponíveis, fortalecendo a qualidade da assistência prestada nos serviços de urgência e emergência (JUNQUEIRA et.al, 2023).

Ainda segundo o mesmo autor, o enfermeiro desempenha papel central nesse contexto, uma vez que possui respaldo do Ministério da Saúde para realizar a classificação de risco dos pacientes nos serviços de urgência e emergência. Para exercer essa função com segurança e precisão, é fundamental que esteja devidamente capacitado e treinado no protocolo adotado pela instituição, garantindo uma avaliação clínica adequada.

Cabe destacar que a classificação de risco não segue a ordem de chegada, mas sim a prioridade clínica de cada paciente, considerando a gravidade do quadro e o risco de agravamento. Nesse sentido, o Ministério da Saúde orienta que essa atividade seja realizada por enfermeiros com experiência na área de urgência e emergência, além de preparo específico conforme o protocolo institucional (COSTA et.al, 2015).

Adicionalmente, a Resolução nº 423/2012 do Conselho Federal de Enfermagem estabelece que a classificação de risco é uma atribuição privativa do enfermeiro, reforçando a responsabilidade técnica desse profissional na organização do atendimento e na garantia da segurança e qualidade da assistência prestada (COFEN, 2012).

Diante desse contexto, evidencia-se a importância do enfermeiro qualificado na realização da classificação de risco, uma vez que sua atuação impacta diretamente na segurança e no desfecho clínico dos pacientes. A avaliação criteriosa, baseada em conhecimento técnico-científico e experiência prática, permite identificar precocemente situações de maior gravidade, garantindo prioridade no atendimento e reduzindo riscos de complicações. Além disso, a presença de um enfermeiro capacitado contribui para a organização do fluxo assistencial, otimização dos recursos disponíveis e melhoria da qualidade do cuidado prestado. Assim, investir na qualificação desse profissional é essencial para assegurar um atendimento mais eficiente, humanizado e seguro nos serviços de urgência e emergência.

O papel do enfermeiro no atendimento ao trauma

O trauma configura-se como uma das principais causas de morte entre indivíduos jovens e em idade produtiva, representando um importante desafio para os sistemas de saúde em nível mundial. Situações como quedas, episódios de violência e acidentes de trânsito contribuem significativamente para esse cenário, exigindo uma assistência rápida e eficiente para minimizar os índices de mortalidade e complicações (LIMA et.al, 2025).

Nesse contexto, os pacientes politraumatizados, que apresentam múltiplas lesões decorrentes de eventos críticos, demandam cuidados complexos devido à gravidade do quadro clínico. A instabilidade e a diversidade das lesões tornam o atendimento mais desafiador, reforçando a necessidade de uma abordagem organizada, ágil e baseada em evidências para garantir melhores desfechos (TOBASE et al., 2017).

Pereira et.al, 2025, refere em seu estudo sobre a relevância da enfermagem na assistência em urgência e emergência, estimulando o desenvolvimento do pensamento crítico e da tomada de decisão rápida. O enfermeiro capacitado é capaz de reconhecer precocemente lesões graves, utilizando a cinemática do trauma e informações obtidas com a própria vítima ou testemunhas para complementar a avaliação clínica.

O enfermeiro exerce papel essencial na assistência ao paciente vítima de trauma em ambiente hospitalar. Durante todo o processo de atendimento, especialmente nas unidades de urgência, emergência e terapia intensiva, esse profissional assume diversas responsabilidades e enfrenta desafios relacionados à gravidade dos casos e à necessidade de intervenções rápidas e precisas. No entanto, nem sempre sua atuação é plenamente reconhecida dentro da equipe, o que pode comprometer a organização do cuidado e a qualidade da assistência prestada (PINHEIRO et al, 2025).

A qualidade do atendimento ao paciente traumatizado está diretamente relacionada à atuação integrada da equipe multiprofissional, sendo o enfermeiro peça central nesse processo. Sua prática, baseada em conhecimento técnico, capacidade de tomada de decisão, comunicação eficaz e cuidado humanizado, é determinante para a prevenção de complicações, promoção da segurança do paciente e alcance de melhores resultados clínicos (BAIK et.al, 2024).

O fortalecimento das competências em enfermagem no atendimento ao trauma é indispensável para a qualificação da assistência nos serviços de emergência. O desenvolvimento contínuo de conhecimentos, habilidades e atitudes profissionais, seja na prática clínica, no ensino, na pesquisa ou na gestão dos serviços, contribui diretamente para um cuidado mais seguro e eficaz (BAIK et.al, 2024).

No cuidado ao paciente politraumatizado, cabe ao enfermeiro conduzir uma abordagem sistematizada, que inclui avaliação primária e secundária, intervenções imediatas, reavaliação contínua e encaminhamento adequado. Sua atuação organizada e ágil permite identificar condições que ameaçam a vida e intervir prontamente, contribuindo para a estabilização do paciente e redução de riscos (PEREIRA et.al, 2025).

Dessa forma, a qualidade do atendimento ao trauma está diretamente relacionada à atuação do enfermeiro, que deve estabelecer prioridades, agir com rapidez e manter um olhar clínico atento e estruturado. Além disso, destaca-se a importância da atualização constante dos protocolos e da educação permanente da equipe de enfermagem, visando aprimorar a assistência prestada, promover a segurança do paciente e melhorar os desfechos clínicos (OLIVEIRA et.al, 2024).

Nesse sentido, a enfermagem assume papel de grande relevância na melhoria dos resultados clínicos, uma vez que profissionais bem preparados são capazes de atuar com maior precisão, agilidade e organização diante de situações críticas. Assim, investir na qualificação da equipe de enfermagem impacta positivamente na qualidade do atendimento ao paciente traumatizado e na redução de complicações.

3 Metodologia

Trata-se de uma revisão bibliográfica, de caráter descritivo e exploratório, com o objetivo de analisar a produção científica acerca a atuação do enfermeiro na classificação de risco de pacientes vítimas de acidentes e traumas em serviços de urgência e emergência da assistência com ênfase nos desafios enfrentados e nas perspectivas para a qualificação do cuidado. A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS/BIREME), SCIELO e Google acadêmico. Serão considerados artigos publicados no período de 2015 a 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português e inglês.

A revisão bibliográfica constitui etapa primordial na construção do conhecimento científico, pois possibilita a identificação, análise e integração de estudos já publicados sobre a temática. Dessa forma, contribui para o fortalecimento do embasamento teórico e para a produção de conhecimento relevante na área da enfermagem, especialmente no contexto da urgência e emergência (SANTOS; MOROSINI, 2021).

A pesquisa descritiva permite observar, registrar e analisar fenômenos sem interferência do pesquisador, possibilitando uma compreensão detalhada do objeto de estudo em seu contexto. Já a abordagem exploratória contribui para ampliar o conhecimento sobre a temática, favorecendo a identificação de lacunas na literatura e o aprofundamento das discussões acerca da atuação da enfermagem no atendimento ao trauma (PEDROSO; SILVA; SANTOS, 2018).

Como critérios de inclusão, foram selecionados artigos científicos que abordem diretamente a assistência de enfermagem a pacientes vítimas de trauma, contemplando aspectos relacionados aos desafios, condutas assistenciais e perspectivas de melhoria no atendimento. Foram excluídos estudos duplicados, publicações incompletas, resumos sem acesso ao texto completo e trabalhos que não estejam diretamente relacionados ao tema proposto. A seleção dos estudos foi realizada por meio da leitura dos títulos e resumos, seguida da leitura na íntegra dos artigos elegíveis. Posteriormente, os dados serão organizados e analisados de forma descritiva, permitindo a síntese das evidências encontradas.

4 Resultados e Discussão

A busca na literatura foi realizada em diferentes bases de dados, incluindo Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS/BIREME), SCIELO e Google acadêmico, com o objetivo de identificar produções científicas relevantes sobre a temática proposta. Após a aplicação dos critérios de inclusão previamente definidos, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos, seguida da análise na íntegra dos estudos selecionados. Ao final do processo de triagem, foram incluídos na pesquisa apenas os artigos que atenderam plenamente aos critérios estabelecidos.

Em relação ao período de publicação, os estudos selecionados concentram-se nos anos de 2015 e 2025, sendo ambos desenvolvidos no contexto brasileiro. As evidências encontradas ressaltam a relevância da atuação do enfermeiro na assistência a pacientes vítimas de trauma, evidenciando os principais desafios enfrentados na prática, como a complexidade do atendimento, a necessidade de respostas rápidas e a limitação de recursos. Além disso, destacam-se as perspectivas relacionadas ao fortalecimento da qualificação profissional e à utilização da Sistematização da Assistência de Enfermagem como ferramenta importante para a organização do cuidado e garantia da qualidade da assistência prestada.

A análise dos estudos selecionados permitiu identificar duas vertentes principais relacionadas à assistência ao paciente vítima de trauma. A primeira refere-se à importância de uma equipe qualificada associada ao cumprimento de protocolos assistenciais, elementos essenciais para a organização do atendimento e para a tomada de decisões seguras e eficazes. A segunda vertente destaca o papel de extrema importância da enfermagem no cuidado ao paciente traumatizado, evidenciando sua atuação direta na avaliação, monitoramento e implementação de intervenções que visam à estabilização clínica e à promoção de desfechos favoráveis. Essas perspectivas reforçam a necessidade de qualificação profissional contínua e de práticas assistenciais baseadas em evidências.

Relevância da qualificação profissional e da adesão a protocolos no atendimento ao trauma

O politrauma configura-se como uma importante causa de morbimortalidade em escala mundial, estando comumente relacionado a eventos como acidentes de trânsito, quedas, lesões por arma de fogo e episódios de violência interpessoal. Em razão da complexidade e da gravidade das lesões apresentadas por esses pacientes, o atendimento inicial e as intervenções precoces são determinantes para a sobrevida e para o prognóstico clínico. Nesse contexto, o manejo adequado do paciente politraumatizado requer uma abordagem sistematizada, fundamentada em evidências científicas (PEREIRA et.al, 2025).

O ambiente de urgência e emergência é marcado por intensa dinâmica e imprevisibilidade, demandando tomadas de decisão rápidas e precisas. Nesse cenário, a atuação integrada entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e demais profissionais de saúde torna-se essencial, visto que cada categoria exerce funções complementares no processo de estabilização do paciente e no início das intervenções terapêuticas. Quando essa atuação ocorre de forma articulada e organizada, favorece a prestação de um cuidado mais seguro, ágil e eficaz (BARROS et.al, 2025).

A qualificação profissional constitui um elemento essencial para a efetividade do atendimento ao paciente traumatizado, especialmente em cenários de urgência e emergência, nos quais o tempo e a precisão das condutas são determinantes para o desfecho clínico. Nesse contexto, a utilização de protocolos estruturados, como o Advanced Trauma Life Support (ATLS), o Prehospital Trauma Life Support (PHTLS) e o Suporte Básico de Vida (SBV), contribui para a padronização das ações, promovendo uma abordagem organizada desde a avaliação inicial até a estabilização e o encaminhamento do paciente. Esses instrumentos orientam a prática clínica de forma sistemática, reduzindo falhas e otimizando a tomada de decisão diante de situações críticas (GAZEL et.al,2025).

Além disso, a adesão a esses protocolos, aliada à capacitação contínua dos profissionais de saúde, está diretamente relacionada à melhoria da qualidade da assistência prestada. Equipes bem treinadas e atualizadas são capazes de reconhecer precocemente sinais de gravidade, priorizar intervenções e atuar de maneira coordenada, aumentando significativamente as chances de sobrevivência e recuperação do paciente. Dessa forma, investir na qualificação profissional e no seguimento rigoroso de diretrizes baseadas em evidências configura-se como uma estratégia indispensável para a segurança e a eficiência no atendimento ao trauma (CASTRO; SILVA; PINHEIRO, 2025).

A atuação em equipe multiprofissional é de extrema importância para a qualificação da assistência ao paciente com múltiplos traumas, uma vez que possibilita uma abordagem mais ampla e eficaz diante da complexidade desses casos. Nesse contexto, a integração entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e outros profissionais favorece a organização do cuidado, permitindo que diferentes competências sejam aplicadas de forma complementar. Essa atuação conjunta contribui para decisões mais assertivas, maior agilidade nas intervenções e, consequentemente, para a melhoria dos desfechos clínicos (ZUANASSI et.al,2021).

No cuidado ao paciente politraumatizado, é indispensável que os profissionais possuam conhecimento técnico-científico que os capacite a identificar rapidamente situações que representem risco iminente à vida. Diante do elevado potencial de complicações e da significativa morbimortalidade associada a esses casos, a assistência de enfermagem destaca-se pela sua complexidade e abrangência. Assim, exige-se do enfermeiro e de sua equipe a execução de ações contínuas, integradas e individualizadas, com foco na estabilização do paciente, prevenção de agravos e promoção de uma recuperação mais segura e eficiente (SANTOS et.al,2021).

A implementação de protocolos assistenciais fundamentados em evidências científicas representa um importante avanço no cuidado ao paciente politraumatizado, contribuindo para a padronização das condutas e maior segurança na assistência. Entretanto, é fundamental que esses protocolos não sejam aplicados de forma rígida, mas sim adaptados às particularidades de cada paciente, considerando a diversidade das lesões, o estado clínico e as respostas fisiológicas individuais. Dessa forma, a associação entre diretrizes estruturadas e o raciocínio clínico dos profissionais permite uma abordagem mais eficaz e centrada nas necessidades do indivíduo (SANTOS et.al, 2024).

Nesse contexto, a adoção de uma assistência personalizada, baseada em uma visão integral e multiprofissional, está diretamente relacionada a melhores resultados clínicos. A atuação articulada da equipe favorece não apenas a estabilização do paciente, mas também a prevenção de complicações secundárias, como infecções e eventos tromboembólicos. Além disso, o manejo adequado da dor e o acompanhamento contínuo são aspectos essenciais para promover a recuperação, reduzir sequelas e garantir uma assistência mais humanizada e resolutiva (MACEDO et.al, 2025).

Diante desse cenário, destaca-se a relevância da qualificação profissional aliada à adesão rigorosa a protocolos no atendimento ao trauma, como elementos indispensáveis para a garantia de uma assistência segura e eficaz. Profissionais capacitados, atualizados e alinhados às diretrizes baseadas em evidências são capazes de atuar com maior precisão, agilidade e organização frente às situações críticas. Assim, a combinação entre conhecimento técnico-científico, treinamento contínuo e aplicação adequada de protocolos contribui significativamente para a redução de complicações, melhora dos desfechos clínicos e aumento das chances de sobrevivência dos pacientes politraumatizados.

Importância da atuação da enfermagem no cuidado ao paciente traumatizado

A enfermagem desempenha papel importante na assistência em urgência e emergência, destacando-se pela capacidade de desenvolver pensamento crítico e tomar decisões rápidas diante de situações complexas. O enfermeiro qualificado é capaz de identificar precocemente lesões graves, utilizando não apenas a avaliação clínica, mas também a análise da cinemática do trauma e informações obtidas com a vítima ou testemunhas, o que contribui para uma abordagem mais completa e assertiva. No ambiente hospitalar, especialmente em unidades de emergência e terapia intensiva, esse profissional assume múltiplas responsabilidades, exigindo preparo técnico, agilidade e organização para lidar com a gravidade dos casos, embora sua atuação nem sempre seja plenamente valorizada dentro da equipe (LEAL et al., 2025).

A qualidade da assistência ao paciente traumatizado está diretamente relacionada à atuação integrada da equipe multiprofissional, na qual o enfermeiro ocupa posição central. Sua prática envolve conhecimento técnico-científico, comunicação eficaz, tomada de decisão e cuidado humanizado, fatores essenciais para a prevenção de complicações e garantia da segurança do paciente. Além disso, o fortalecimento das competências em enfermagem, por meio da educação permanente e do aprimoramento contínuo, contribui significativamente para a qualificação dos serviços de emergência, refletindo em melhores desfechos clínicos (SANTOS et al., 2024).

No atendimento ao paciente politraumatizado, o enfermeiro é responsável por conduzir uma abordagem sistematizada, que inclui avaliação primária e secundária, intervenções imediatas e reavaliação contínua, assegurando o encaminhamento adequado conforme a necessidade. Sua atuação ágil e organizada permite a identificação precoce de condições que ameaçam a vida, favorecendo a estabilização clínica e a redução de riscos. Dessa forma, evidencia-se que a qualificação profissional, aliada à atualização constante de protocolos e à educação permanente, é essencial para aprimorar a assistência, promover a segurança do paciente e reduzir complicações, impactando positivamente na qualidade do cuidado ao paciente traumatizado (OLIVEIRA et al., 2024).

A enfermagem também exerce papel importante na prevenção de eventos adversos associados a procedimentos de maior complexidade, como intubação orotraqueal, drenagem torácica e acesso venoso central. A atuação cuidadosa do profissional, desde a preparação do paciente até a execução de técnicas assépticas e o monitoramento contínuo no período pós-procedimento, contribui de forma significativa para a redução de infecções e complicações, especialmente as de origem respiratória (DUARTE et al., 2015).

A orientação contínua ao paciente e aos seus familiares acerca dos cuidados após acidentes e traumas é relevante para assegurar uma recuperação segura e eficiente. Informações claras sobre mobilidade, identificação de sinais de possíveis complicações, uso adequado de dispositivos de apoio e medidas de prevenção de quedas favorecem a adesão às condutas recomendadas e aos protocolos de segurança estabelecidos. Nesse contexto, a educação em saúde contribui diretamente para a continuidade do cuidado após a alta hospitalar (SANTOS, 2024).

Além disso, a participação ativa da família no processo de recuperação fortalece o suporte ao paciente, melhora o acompanhamento no domicílio e auxilia na redução de reinternações. As ações educativas desenvolvidas pela enfermagem têm papel essencial nesse processo, pois promovem maior autonomia do paciente, ampliam o entendimento sobre os cuidados necessários e impactam positivamente nos resultados clínicos (RODRIGUES et al., 2025).

Diante desse contexto, evidencia-se que a enfermagem ocupa posição estratégica e indispensável no cuidado ao paciente traumatizado, atuando de forma contínua desde a admissão até a reabilitação. Sua prática, pautada em conhecimento técnico-científico, raciocínio clínico e cuidado humanizado, permite a identificação precoce de agravos, a implementação de intervenções seguras e a prevenção de complicações. Além disso, a atuação do enfermeiro na coordenação do cuidado, na educação em saúde e na articulação da equipe multiprofissional contribui significativamente para a organização da assistência e para a melhoria dos desfechos clínicos. Assim, o fortalecimento do papel da enfermagem, aliado à qualificação profissional e à adesão a protocolos, é fundamental para garantir um atendimento mais eficiente, seguro e centrado nas necessidades do paciente traumatizado.


5 Conclusão

A análise da literatura evidencia que o atendimento ao paciente vítima de acidentes e traumas exige uma assistência altamente qualificada, organizada e baseada em protocolos, sendo esses fatores determinantes para a redução da morbimortalidade. A utilização de diretrizes como o XABCDE, aliada à classificação de risco, permite uma abordagem sistematizada e segura, favorecendo a identificação precoce de agravos e a priorização adequada do atendimento. Nesse cenário, destaca-se a importância da capacitação contínua dos profissionais e da atuação integrada da equipe multiprofissional, elementos essenciais para garantir respostas rápidas e eficazes frente à complexidade dos casos atendidos nos serviços de urgência e emergência.

Além disso, a enfermagem assume papel central em todas as etapas do cuidado ao paciente traumatizado, desde a triagem até a reabilitação, contribuindo diretamente para a segurança, a qualidade da assistência e a melhoria dos desfechos clínicos. A atuação do enfermeiro, pautada no conhecimento técnico-científico, no raciocínio clínico e na humanização do cuidado, possibilita não apenas a estabilização do paciente, mas também a prevenção de complicações e a promoção da continuidade do cuidado.

Diante disso, reforça-se a necessidade de investimentos em educação permanente, padronização de protocolos e valorização da enfermagem, como estratégias fundamentais para o fortalecimento dos serviços de saúde e para a oferta de uma assistência mais eficiente, segura e centrada nas necessidades do paciente.

Referências

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Copyright (c) 2026 Ana Carolina Queiroz Souza, Lara Gabrielle de Souza, Mariana Abreu de Souza, Marcia Oliveira de Carvalho Romão (Autor)

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