O papel do vocabulário técnico na formação profissional em massoterapia: do letramento ao mercado de trabalho
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.

Palavras-chave

Vocabulário Técnico
Letramento Profissional
Massoterapia
Comunicação Profissional
Formação Técnica
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O papel do vocabulário técnico na formação profissional em massoterapia: do letramento ao mercado de trabalho

The Role of Technical Vocabulary in Professional Training in Massage Therapy: From Literacy to the Job Market

Rogério Pires da SIlva

André Luis Tato

Jorge Luiz Lima da Silva

Resumo

Este artigo discute a importância do vocabulário técnico na formação profissional em massoterapia, destacando sua função estratégica como elo entre o letramento profissional e as exigências do mercado de trabalho. A análise realizada evidenciou que o domínio da terminologia específica é essencial para a construção da identidade profissional, a padronização de condutas e a comunicação qualificada entre os diversos atores do campo da saúde integrativa. Argumenta-se que a presença intencional do vocabulário temático nos currículos técnicos fortalece o aprendizado, reduz erros e eleva a qualidade do atendimento. Apesar dos avanços, ainda persistem desafios como a falta de padronização terminológica e lacunas pedagógicas, exigindo soluções articuladas entre instituições de ensino e o setor profissional. Conclui-se que a valorização da linguagem técnica, integrada a práticas reflexivas e colaborativas, promove uma formação mais sólida e coerente com as exigências contemporâneas da massoterapia.

Palavras-chave: Vocabulário Técnico; Letramento Profissional; Massoterapia; Comunicação Profissional; Formação Técnica.

Abstract

This article discusses the importance of technical vocabulary in the professional training of massage therapists, highlighting its strategic role as a bridge between professional literacy and the demands of the job market. The analysis showed that mastering specific terminology is essential for building professional identity, standardizing procedures, and ensuring effective communication among different actors in the field of integrative health. It is argued that the intentional inclusion of thematic vocabulary in technical curricula enhances learning, reduces errors, and improves the quality of care. Despite the progress made, challenges remain, such as the lack of standardized terminology and pedagogical gaps, requiring coordinated efforts between educational institutions and the professional sector. The study concludes that valuing technical language, when integrated with reflective and collaborative practices, fosters more robust and consistent training aligned with the contemporary demands of massage therapy.

Keywords: Technical vocabulary; Professional literacy; Massage therapy; Professional communication; Vocational education.

  1. Introdução

A massoterapia consiste na utilização de diferentes métodos manuais com o objetivo de reduzir o estresse e favorecer o bem-estar geral. Por meio da manipulação de tecidos e estruturas corporais, essa prática estimula o organismo, contribuindo para o alívio da dor, a redução de inchaços e a melhora das funções fisiológicas de maneira global (Cassar, 2001; Skillgate et al., 2010).

A formação profissional em massoterapia exige não apenas o domínio das técnicas manuais, mas também a apropriação de um vocabulário técnico específico, essencial para a comunicação eficaz e para a prática segura e qualificada da profissão. O conhecimento e o uso adequado da terminologia da área são fundamentais para garantir a precisão na descrição dos procedimentos, na troca de informações entre profissionais e no atendimento adequado aos clientes. No entanto, observa-se que, na formação técnica, a sistematização e o ensino estruturado desse vocabulário muitas vezes são negligenciados, dificultando a inserção do profissional no mercado de trabalho e limitando sua capacidade de atuar com autonomia e excelência.

Ao elaborar a pesquisa que gerou o vocabulário, foi identificado uma lacuna na padronização dessa terminologia especializada ao longo da evolução histórica da massoterapia. Até então, não havia um vocabulário unificado e claramente desenvolvido para a massoterapia nos últimos séculos, o que motivou a elaboração de uma proposta para unir e formatar essa terminologia​.

Nesse sentido, hipotetizamos em nosso estudo que a inclusão estruturada do vocabulário técnico no processo formativo contribui diretamente para a qualificação profissional, a empregabilidade e a segurança dos atendimentos. Ao compreender e aplicar corretamente os termos técnicos, o massoterapeuta consegue estabelecer uma comunicação padronizada, evitando equívocos, aprimorando sua atuação e fortalecendo sua identidade profissional dentro da área da saúde e bem-estar.

Pesquisas recentes demonstram um crescimento significativo na demanda por práticas de medicina alternativa, com ênfase especial em abordagens como a massoterapia, a acupuntura e a terapia holística. Esse aumento de interesse também se estende a profissionais da área da saúde, como médicos e enfermeiros, que não apenas reconhecem os benefícios dessas terapias, mas também passaram a encaminhar pacientes para especialistas dessas áreas (Salomonsen et al., 2001; Thiago, 2010). A falta de familiaridade com o vocabulário técnico pode dificultar a integração do profissional em equipes multidisciplinares e comprometer sua atuação em diferentes contextos de trabalho. Além disso, a padronização da linguagem contribui para o reconhecimento da massoterapia como uma profissão consolidada, facilitando sua regulamentação e inserção no campo das práticas integrativas e complementares. Dessa forma, discutir a importância do vocabulário técnico na formação profissional não apenas fortalece o ensino na área, mas também auxilia no aprimoramento das diretrizes curriculares e na qualificação dos egressos.

Portanto, o presente artigo tem como objetivo geral analisar a relevância do vocabulário técnico na formação profissional em massoterapia e seu impacto no mercado de trabalho. Para alcançar essa finalidade, mostraremos o conceito de letramento profissional e sua aplicação na massoterapia, identificaremos os principais desafios na aquisição do vocabulário técnico durante a formação técnica, além de discutir o impacto do domínio da terminologia específica na atuação profissional e na empregabilidade.

Dessa maneira, este estudo busca contribuir para a compreensão do papel do vocabulário técnico como elemento estruturante na formação do massoterapeuta e na sua inserção no mercado de trabalho. Ao articular teoria e prática, pretende-se demonstrar que o domínio da linguagem especializada não é apenas um complemento na formação, mas sim um componente essencial para a profissionalização, qualificação e valorização da área de massoterapia.


2. Letramento profissional

No campo educacional, letramento profissional refere-se à capacidade de um indivíduo de utilizar a linguagem, leitura e escrita de forma eficaz dentro de um contexto ocupacional específico. Trata-se de desenvolver competências comunicativas e cognitivas alinhadas às práticas sociais de uma profissão (Soares, 2009). No caso da massoterapia – um ofício que combina conhecimento anatômico, habilidades manuais e interação terapêutica – o letramento profissional engloba a familiaridade com termos técnicos, jargões e gêneros textuais próprios da área (por exemplo, fichas de avaliação, prontuários, manuais de procedimentos). Essa proficiência linguística específica permite que o estudante compreenda textos da área, dialogue com pares e oriente pacientes adequadamente, configurando-se como parte indispensável de sua formação (Bagno et al., 2002).

De acordo com Soares et al., (2004), letramento profissional refere-se ao conjunto de habilidades, conhecimentos e práticas relacionadas à leitura, escrita e comunicação necessárias para desempenhar de forma eficaz as atividades específicas de uma profissão ou ocupação, esse conceito vai além do simples domínio técnico da linguagem, envolvendo a capacidade de interpretar, produzir e utilizar textos e outras formas de comunicação no contexto profissional, de maneira que atendam às demandas específicas de um determinado campo de trabalho.

Em relação às características do letramento profissional está a contextualização que envolve a compreensão dos tipos de texto e práticas comunicativas específicos de uma área profissional, como relatórios, manuais técnicos, e-mails corporativos, contratos ou normas regulamentadoras, para a adequação linguística se exige o uso apropriado da linguagem, considerando o público, o propósito e o meio de comunicação no trabalho (Soares., 2004).

Ao discutir letramento profissional, é importante situar o conceito no âmbito mais amplo das finalidades educacionais. Do aprender a ser ao mercado de trabalho, remete aos Quatro Pilares da Educação propostos pela UNESCO, especialmente ao pilar “aprender a ser”. Segundo Delors (1998), aprender a ser é uma via essencial que integra os demais pilares (aprender a conhecer, a fazer e a conviver) visando o pleno desenvolvimento da personalidade, capacitando o indivíduo a agir com crescente autonomia, discernimento e responsabilidade pessoal.

Na formação do massoterapeuta, aprender a ser significa moldar a identidade profissional – adotar valores éticos, atitude cuidadora, postura empática – e, não menos importante, adquirir a linguagem característica da profissão, pois é por meio dela que o futuro profissional expressará seu saber e seu ethos (Delors 1998)​.

No desenvolvimento contínuo observam-se como as profissões evoluem, novas práticas e formas de comunicação surgem, demandando que o profissional atualize constantemente suas competências de letramento, na interdisciplinaridade, muitas vezes combina elementos de várias áreas do saber, como a escrita técnica, interpretação de dados, leitura crítica de textos legais ou uso de ferramentas digitais para comunicação (Nascimento et al., 2023).

O letramento profissional é essencial porque permite que o indivíduo não apenas realize suas tarefas, mas também se comunique de forma eficaz, contribua para tomadas de decisão e se adapte às mudanças e inovações em seu campo de atuação (Magalhães et al., 2022). Além disso, o letramento profissional e a linguagem técnica no ambiente de trabalho estão profundamente interligados, pois ambos envolvem o uso da comunicação para desempenhar atividades específicas de uma profissão de maneira eficiente e adequada (Magalhães et al., 2022).

A linguagem técnica é o conjunto de termos, jargões e expressões específicas de uma área de atuação ou profissão, ela é usada para transmitir informações de forma precisa e clara, minimizando ambiguidades, com objetivo de garantir que a comunicação entre especialistas e entre diferentes setores mantenha a precisão técnica necessária (Kleiman et al., 2024).

Assis et al., (2022) afirmam que o letramento profissional engloba a habilidade de interpretar e usar a linguagem técnica no contexto de trabalho, sem um bom letramento, o uso da linguagem técnica pode ser superficial ou incorreto, prejudicando a comunicação, cada profissão exige o domínio de sua linguagem técnica específica, no entanto, o letramento profissional também requer que o trabalhador adapte essa linguagem para diferentes públicos, como por exemplo, traduzindo termos técnicos para clientes leigos. Com a evolução das profissões, novas terminologias e práticas surgem, demandando que os trabalhadores atualizem tanto seu letramento quanto sua fluência na linguagem técnica (Magalhães et al., 2022).

Segundo Magalhães et al., (2022), a importância no ambiente de trabalho está na redução de erros, pois, o uso correto da linguagem técnica e a habilidade de interpretá-la no contexto adequado evitam mal-entendidos e problemas operacionais, na produtividade, em que uma comunicação clara entre setores técnicos e não técnicos aumenta a eficiência no trabalho e no profissionalismo, já que, com o domínio do letramento profissional e da linguagem técnica fortalece a imagem do profissional, demonstrando competência e preparo, o letramento profissional é a base para usar a linguagem técnica de forma eficaz e adaptada às diferentes situações do ambiente de trabalho, ambos são essenciais para a construção de uma comunicação clara, precisa e funcional.

Interpretar o letramento profissional significa compreender como essa habilidade se manifesta no contexto do trabalho e como ela pode ser aplicada para desempenhar tarefas específicas e se comunicar de maneira eficaz em um ambiente profissional, esse processo envolve entender os conhecimentos e práticas necessários para interpretar e produzir textos e discursos adequados às demandas de uma ocupação ou área de atuação (Nascimento et al., 2023).

A importância de uma boa interpretação do letramento profissional permite resultados satisfatórios, pois, facilita a integração no ambiente de trabalho, permitindo que os trabalhadores entendam e usem os padrões comunicativos e técnicos da sua área, a interpretação correta de textos e práticas evita falhas e retrabalhos, quem domina o letramento profissional é mais capaz de aprender, se adaptar e progredir em sua carreira (Nascimento et al., 2023).

Interpretar letramento profissional significa entender como ele se aplica a contextos específicos, ajudando a transformar a comunicação e a leitura/escrita técnicas em ferramentas práticas para resolver problemas e desempenhar funções no ambiente de trabalho, é, essencialmente, uma ponte entre o conhecimento teórico e a aplicação prática (Costa et al., 2017). No caso da massoterapia, a importância desse vocabulário manifesta-se em diversos aspectos. Em primeiro lugar, a terminologia da área organiza e expressa o conhecimento específico: cada termo carrega conceitos e protocolos que o estudante precisa dominar para realizar procedimentos com segurança. Em segundo lugar, o uso adequado da linguagem profissional facilita a comunicação interdisciplinar e com clientes.

Muitos massoterapeutas atuam em conjunto com outros profissionais de saúde (fisioterapeutas, enfermeiros, médicos), sobretudo no contexto das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no SUS. Nesses cenários, ter letramento profissional significa conseguir dialogar de forma clara e precisa, utilizando termos que toda a equipe entende, evitando mal-entendidos. O letramento profissional impacta a aprendizagem contínua: um egresso capaz de ler artigos científicos da área, acompanhar manuais ou participar de eventos técnicos estará melhor preparado para atualizar-se ao longo da carreira.

2.1 Vocabulário Temático na Formação em Massoterapia

Vocabulário temático pode ser definido como o conjunto de termos e expressões próprias de um determinado campo temático ou profissão, que conferem precisão e compartilhamento de significados entre seus membros (Cadime, 2021; Oliveira et al., 2023). No contexto da massoterapia, o vocabulário temático abrange desde terminologias médicas gerais (relativas ao corpo humano, patologias, direções anatômicas) até terminologias específicas das técnicas de massagem e recursos terapêuticos utilizados. A função de um vocabulário temático bem delineado é servir de ferramental linguístico para o estudante e o profissional: com ele, descrevem-se corretamente avaliações musculares, procedimentos realizados, efeitos terapêuticos e orientações ao paciente.

A formação técnica em massoterapia, idealmente, deve contemplar o ensino gradativo desse léxico especializado. Isso pode ocorrer tanto de forma contextual, quando o professor explica um conceito novo durante a prática e apresenta o termo correspondente, quanto de forma estruturada, por meio de glossários em materiais didáticos, aulas de terminologia ou estudos dirigidos sobre nomenclaturas.

A área geral em saúde contempla orientações e descrições voltadas à condução de procedimentos e ao cuidado básico, ou seja, termos e expressões compartilhados com outras profissões de saúde, como por exemplo higienização das mãos, posição supina, anamnese, biossegurança. Já a área específica da massoterapia abrange os termos técnicos restritos ao campo profissional, ligados às técnicas e saberes próprios dos massoterapeutas, como shiatsu, drenagem linfática, trigger points, mobilização, entre outros​

Essa categorização ilustra como diferentes camadas de vocabulário são necessárias na formação: o aluno precisa tanto do repertório geral de saúde (para comunicar-se no ambiente clínico amplo) quanto do repertório específico da massoterapia (para dominar as técnicas da sua área). A existência de um glossário sistematizado auxilia o processo de ensino-aprendizagem, fornecendo referências claras para compreensão de termos e conceitos​ (Silva; Santos, 2024).

Cabe destacar que a elaboração do Glossário Temático Unificado pela dissertação não foi apenas um apêndice ilustrativo, mas sim parte fundamental dos resultados do estudo. Esse glossário, fruto de uma “confluência de saberes, opiniões, manuais e outros canais de informação” ligados à massoterapia​, demonstra de forma prática como integrar os conhecimentos dispersos em uma única fonte de consulta. A iniciativa dialoga com esforços semelhantes em outras áreas da saúde: o Ministério da Saúde, por exemplo, lançou glossários temáticos para as Práticas Integrativas e Complementares visando padronizar a linguagem institucional e difundir termos e definições entre os profissionais​.

Segundo a descrição desse glossário nacional de PICS, a padronização linguística se dá “pela identificação e descrição de variantes terminológicas”, reunindo os principais vocábulos e expressões usados no âmbito dessas práticas​. Ou seja, há um reconhecimento institucional de que unificar a terminologia é benéfico para a formação e atuação coerente dos profissionais (Brasil, 2018). No caso da massoterapia, por se tratar de uma profissão relativamente nova no cenário da saúde integrativa e ainda em busca de regulamentação plena, a construção de um vocabulário temático sólido contribui para legitimar o campo de conhecimento. Quando há clareza e consenso sobre os termos, por exemplo, sobre o que define massoterapia clínica, terapia ayurvédica, moxabustão entre outros, ganha-se em qualidade na comunicação e em identidade profissional.

Portanto, o vocabulário temático na formação técnica em massoterapia desempenha uma dupla função: pedagógica, ao apoiar o processo de aprendizagem dos conteúdos específicos, e socioprofissional, ao estabelecer um código comum de comunicação entre os praticantes da massoterapia e destes com outros profissionais de saúde. A análise da dissertação indica que a consolidação desse vocabulário em material didático (como o glossário elaborado) é uma estratégia viável e necessária para aprimorar a formação técnica, preparando melhor os alunos para os desafios linguísticos e comunicativos que encontrarão no exercício da profissão.

2.2 Impacto do Vocabulário Técnico no Mercado de Trabalho

Ao concluir a formação e ingressar no mercado de trabalho, o massoterapeuta técnico depara-se com situações em que o domínio do vocabulário técnico pode influenciar diretamente sua empregabilidade e desempenho profissional. As exigências do mercado em relação à comunicação competente são elevadas: empregadores buscam profissionais que, além de executar bem as técnicas, consigam interagir com clientes, colegas e superiores de forma profissional e precisa (Campos, 2008).

Nesse sentido, o domínio da terminologia da área funciona como um indicativo de profissionalismo e preparo. Um candidato à vaga de massoterapeuta que, em entrevista, demonstra familiaridade com termos técnicos ou mencionando cuidados com “contraturas musculares crônicas”, transmite maior confiança sobre suas competências do que aquele que fala de forma genérica ou imprecisa. Assim, o vocabulário se torna parte da imagem profissional do massoterapeuta.

Estudos sobre empregabilidade em saúde apontam que habilidades de comunicação estão entre os principais critérios de contratação e promoção (Guttman, 2021). Embora a competência técnica seja fundamental, é na comunicação que muitos profissionais se destacam em ambientes de trabalho reais. No caso específico da massoterapia, que envolve contato direto com pacientes/clientes e frequentemente integração em equipes multidisciplinares, comunicar-se adequadamente usando a terminologia correta é crucial para um atendimento de qualidade. Analogamente, na área de enfermagem – que também lida com procedimentos de saúde e interação constante – reconhece-se que o uso correto de termos técnicos é essencial para garantir clareza, precisão e padronização das informações, promovendo um atendimento seguro e de alta qualidade​

A terminologia atua como uma “linguagem universal” entre os profissionais de saúde, reduzindo ambiguidades e otimizando a rotina de trabalho​. Embora a massoterapia tenha escopo distinto da enfermagem, compartilha o princípio de que um vocabulário técnico bem dominado facilita a comunicação eficiente e a padronização de práticas, além de contribuir para evitar erros (Silva, 2019).

Outra relação importante entre vocabulário técnico e mercado de trabalho diz respeito à padronização de protocolos e qualidade do serviço. Profissionais que seguem terminologias padronizadas tendem a aderir mais rigorosamente a protocolos de atendimento, porque os termos técnicos muitas vezes estão vinculados a diretrizes específicas. Por exemplo, compreender o significado de “CI (contraindicação) absoluta” para determinada condição de saúde faz parte de saber quando não aplicar uma técnica, assegurando a segurança do paciente. Se todos os massoterapeutas de uma equipe empregam o mesmo entendimento de contraindicações e precauções, o serviço ganha coerência e confiabilidade. De fato, em áreas como a enfermagem enfatiza-se que a terminologia técnica padronizada ajuda a prevenir mal-entendidos que comprometam a segurança do paciente​.

Transferindo esse racional para a massoterapia, vê-se que um profissional com domínio lexical evita interpretações equivocadas de orientações e comunica eventuais problemas com clareza. Dessa forma, o vocabulário técnico impacta na qualidade do atendimento e na satisfação dos clientes – fatores que o mercado valoriza e que podem determinar o sucesso de um profissional autônomo ou de uma clínica.

Do ponto de vista da empregabilidade, o domínio do vocabulário técnico pode ser entendido como parte das competências de comunicação efetiva. Muitos empregadores o veem como sinal de que o profissional está atualizado e integrado à cultura da área (Silva, 2019). Conforme destacado em uma publicação profissional, o domínio da linguagem técnica demonstra conhecimento, profissionalismo e comprometimento com a excelência no cuidado​. Essa observação, ainda que feita sobre a enfermagem, aplica-se perfeitamente à massoterapia: um massoterapeuta que se expressa com propriedade tende a inspirar mais confiança em seus clientes e colegas, demonstrando comprometimento com padrões de excelência. Por outro lado, a ausência de familiaridade com termos comuns pode gerar dúvidas quanto à formação do profissional, prejudicando sua imagem e até levando à perda de oportunidades de trabalho.

Ademais, no contexto atual, a massoterapia está sendo incorporada em espaços diversificados como clínicas de reabilitação, spas, equipes de saúde preventiva, academias, programas públicos de saúde integrativa, e cada um desses espaços tem dinâmicas comunicativas específicas. A capacidade de adequar a linguagem ao contexto, sem perder a precisão técnica, é parte da inteligência comunicativa esperada de um profissional completo. Isso inclui explicar procedimentos em linguagem acessível ao paciente leigo, mas sem abandonar os termos corretos quando necessário; e, inversamente, discorrer tecnicamente quando em diálogo com pares ou supervisores. Esse trânsito entre registros demonstra a flexibilidade linguística do profissional, atributo muito apreciado no mercado de trabalho contemporâneo.

Sendo assim, o vocabulário técnico influencia o mercado de trabalho da massoterapia em diferentes níveis: ele melhora a comunicação e a colaboração profissional, reforça a profissionalização e a credibilidade do massoterapeuta, e atua como um diferencial de empregabilidade ao sinalizar conhecimento consolidado (Silva, 2019). A dissertação analisada reforça esse ponto ao associar explicitamente o domínio do vocabulário temático às competências requeridas no mundo do trabalho para o massoterapeuta formado. Dessa forma, investir na aprendizagem e padronização da terminologia na etapa formativa traduz-se em benefícios concretos na inserção e progressão profissional dos egressos no mercado.

2.3 Desafios e Perspectivas na Formação Profissional

Apesar do consenso sobre a importância do vocabulário técnico, desafios significativos se impõem na sua aquisição e ensino durante a formação profissional em massoterapia. Um dos obstáculos apontados é a falta de uniformidade na abordagem da terminologia entre diferentes instituições de ensino técnico. Até iniciativas como a de Silva e Santos (2024), não havia um repertório unificado de termos para a massoterapia, de modo que cada curso ou instrutor podia adotar referências distintas (manuais próprios, terminologia emprestada da fisioterapia ou da medicina tradicional chinesa, etc.). Essa disparidade pode confundir os alunos, que eventualmente encontram denominações diferentes para a mesma técnica ou conceito. A própria dissertação destaca que a evolução histórica da massoterapia não produziu um vocabulário claro e coeso, o que tornou necessário unir e estruturar essa terminologia para fins educacionais​. Assim, um desafio inicial é estabelecer um consenso terminológico no meio acadêmico e profissional da massoterapia, para que docentes e materiais didáticos trabalhem em sintonia (Silva, 2023).

Existe também o desafio no perfil dos estudantes de cursos técnicos, que muitas vezes ingressam com deficiências na base de língua portuguesa ou com pouco contato prévio com textos científicos. A aprendizagem de termos novos pode ser intimidadora para alunos que não desenvolveram plenamente habilidades de leitura e vocabulário geral. Sem estratégias pedagógicas adequadas, a terminologia pode se tornar um conteúdo “árido” ou memorizado mecanicamente, sem compreensão profunda. Além disso, a carga horária apertada dos cursos técnicos pode levar professores a priorizarem a demonstração prática em detrimento da discussão conceitual e linguística, reforçando a ideia equivocada de que na prática se aprende o termo. Na realidade, como vimos, é preciso aprender o termo para melhor executar a prática, num ciclo virtuoso. Então, um desafio pedagógico é integrar a dimensão linguística ao ensino prático, de forma equilibrada e atraente.

A aquisição do vocabulário técnico também enfrenta obstáculos fora da sala de aula. Muitos estudantes de massoterapia conciliam os estudos com trabalho e família, tendo pouco tempo para leituras complementares ou para frequentar ambientes onde a linguagem profissional é empregada (como congressos, estágios, grupos de estudo). Essa limitação reduz as oportunidades de imersão no discurso da área. Diferente de um estudante de medicina, que durante a graduação é exposto diariamente a jargões médicos em hospitais, o estudante de massoterapia pode ter contato restrito à linguagem técnica apenas nas aulas. Isso exige que a escola técnica crie situações didáticas intencionais de exposição e uso ativo do vocabulário, seja através de laboratórios de prática supervisionada, simulações de atendimento, ou mesmo projetos integradores com outras turmas da área da saúde.

Em termos de perspectivas futuras, a consolidação do vocabulário técnico da massoterapia aponta para a profissionalização crescente da área. A padronização terminológica pode facilitar a elaboração de diretrizes nacionais para formação (currículos mínimos, referencial de competências) e eventualmente a regulamentação profissional, ao fornecer uma base comum de conhecimento. Também permite que a massoterapia dialogue de igual para igual com outras profissões de saúde nos fóruns interdisciplinares, pois possuir um jargão técnico bem definido é parte da construção de identidade profissional reconhecível.

Entretanto, é preciso reconhecer que o trabalho de padronização e ensino de vocabulário é contínuo. Novos termos podem surgir conforme a área evolui e outros caem em desuso. Portanto, uma perspectiva importante é manter o glossário vivo e atualizado, quem sabe por meio de colaborações em rede entre instituições de ensino e profissionais atuantes. Pesquisas futuras poderiam avaliar o impacto específico de intervenções educativas focadas em vocabulário nos desempenhos dos alunos como por exemplo, se a utilização do glossário unificado melhora significativamente a compreensão de textos técnicos ou a comunicação durante estágios.

3 Metodologia

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica. A adoção dessa estratégia metodológica justifica-se pela natureza do objeto investigado, uma vez que a pesquisa busca compreender e discutir a importância do vocabulário técnico na formação profissional em massoterapia, considerando sua relação com o letramento profissional e com as demandas do mercado de trabalho. Nesse sentido, optou-se por um percurso investigativo fundamentado na análise de produções científicas e documentos teóricos que tratam da linguagem técnica, da formação profissional e das práticas educativas no campo da saúde.

A abordagem qualitativa mostrou-se adequada por permitir a interpretação e a problematização de fenômenos sociais e educacionais a partir de seus significados e contextos, possibilitando compreender como determinados conceitos e práticas se estruturam no interior de um campo profissional específico. Segundo Minayo (2014), a pesquisa qualitativa dedica-se à análise de processos, relações e significados construídos socialmente, permitindo interpretar fenômenos que não podem ser reduzidos a dados quantitativos ou a procedimentos experimentais.

No que se refere aos objetivos, a pesquisa possui caráter exploratório e descritivo. É exploratória porque busca ampliar a compreensão acerca de um tema ainda pouco sistematizado na literatura científica, especialmente no que diz respeito à relação entre vocabulário técnico e formação profissional em massoterapia. De acordo com Gil (2019), pesquisas exploratórias são utilizadas quando o objetivo consiste em proporcionar maior familiaridade com determinado problema, contribuindo para sua delimitação conceitual e para o aprofundamento de discussões teóricas. Ao mesmo tempo, o estudo assume caráter descritivo por analisar e apresentar elementos que caracterizam o papel do vocabulário técnico na formação e na atuação profissional do massoterapeuta.

A revisão bibliográfica foi escolhida como procedimento metodológico central por possibilitar a análise sistemática de conhecimentos previamente produzidos sobre o tema investigado. Conforme destacam Lakatos e Marconi (2017), a pesquisa bibliográfica consiste no levantamento, na seleção e na análise de produções científicas já publicadas, permitindo ao pesquisador estabelecer um diálogo crítico com diferentes autores e perspectivas teóricas. Nesse sentido, a revisão bibliográfica não se limita à simples compilação de informações, mas constitui um processo analítico que possibilita interpretar, comparar e relacionar contribuições presentes na literatura.

O levantamento das fontes foi realizado entre os meses de janeiro e março de 2025, a partir da consulta a bases de dados acadêmicas e repositórios científicos amplamente utilizados nas áreas de educação, linguística e saúde. Google Scholar, SciELO, manuais e normas técnicas e repositórios institucionais de universidades e institutos federais. A escolha dessas bases deve-se à sua relevância na difusão da produção científica nacional e internacional, bem como à possibilidade de acesso a artigos revisados por pares, dissertações, teses e documentos institucionais.

Para a realização das buscas foram utilizados descritores relacionados ao tema da pesquisa, em língua portuguesa. Os termos empregados foram: “letramento profissional”, “vocabulário técnico”, “terminologia profissional”, “formação técnica em saúde” e “massoterapia” Os descritores foram utilizados de forma isolada e também combinados com operadores booleanos, ampliando o alcance das buscas e permitindo uma seleção mais criteriosa dos materiais relevantes.

O levantamento bibliográfico resultou inicialmente em um conjunto ampliado de publicações relacionadas aos temas letramento profissional, terminologia técnica e formação em saúde.

A seleção dos textos seguiu critérios previamente definidos. Foram incluídas publicações que abordassem: (a) discussões teóricas sobre letramento e letramento profissional; (b) estudos relacionados ao uso da linguagem técnica em contextos profissionais; (c) pesquisas sobre formação técnica ou profissional na área da saúde; e (d) produções que tratassem especificamente da massoterapia ou das práticas integrativas e complementares em saúde. Foram excluídos materiais que apresentavam apenas descrições técnicas de procedimentos terapêuticos, sem discussão sobre formação profissional, linguagem ou comunicação no contexto de trabalho. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão definidos para a pesquisa, procedeu-se à seleção das obras consideradas mais pertinentes ao problema investigado.

O corpus final de análise foi composto por 17 publicações, incluindo livros, artigos científicos, documentos institucionais e produções acadêmicas relacionadas à área da saúde e da educação profissional. Essas obras foram selecionadas por apresentarem contribuições teóricas relevantes para a compreensão do letramento profissional, da construção do vocabulário técnico e de sua relação com a formação profissional e a prática no campo da massoterapia.

Após o levantamento inicial das obras, procedeu-se à organização e análise do material selecionado. O processo analítico foi desenvolvido em três etapas de leitura, conforme orientações metodológicas propostas por Gil (2019). Inicialmente realizou-se uma leitura exploratória, destinada à identificação da pertinência dos textos em relação ao problema de pesquisa. Em seguida, foi realizada a leitura seletiva, na qual foram destacados os conceitos, argumentos e resultados mais relevantes para o desenvolvimento da discussão teórica. Por fim, realizou-se a leitura analítica, etapa em que os conteúdos foram sistematizados e organizados de acordo com os eixos temáticos do estudo.

A análise dos dados ocorreu de forma interpretativa, buscando identificar convergências, contribuições e lacunas presentes na literatura. Para favorecer a organização das discussões, os conteúdos analisados foram agrupados em três eixos temáticos principais: (1) o conceito de letramento profissional e suas implicações para a formação técnica; (2) o papel do vocabulário temático na formação em massoterapia; e (3) os impactos do domínio da terminologia técnica na atuação profissional e na inserção no mercado de trabalho. Esses eixos foram definidos a partir da recorrência temática observada nas obras analisadas e da sua relação direta com os objetivos da pesquisa.

Cabe destacar que, por se tratar de uma pesquisa baseada exclusivamente em fontes bibliográficas e documentos de acesso público, o estudo não envolveu coleta de dados com participantes humanos. Dessa forma, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme as diretrizes estabelecidas para pesquisas que utilizam apenas material documental e bibliográfico.

A adoção desse percurso metodológico permitiu construir uma análise teórica consistente acerca da importância do vocabulário técnico na formação profissional em massoterapia, evidenciando como o domínio da linguagem especializada contribui para a consolidação do letramento profissional, para a comunicação entre profissionais da área da saúde e para a qualificação da atuação no mercado de trabalho.

4 Resultados e Discussão
4.1 Panorama das produções analisadas sobre vocabulário técnico e formação profissional

A análise do conjunto de publicações selecionadas permitiu identificar diferentes perspectivas teóricas relacionadas à linguagem profissional e à formação técnica no campo da saúde. O corpus bibliográfico composto por dezessete obras revelou que, embora existam estudos consolidados sobre letramento e comunicação profissional, ainda são escassas as produções que abordam diretamente a relação entre vocabulário técnico e formação em massoterapia. Essa constatação evidencia uma lacuna relevante na literatura, reforçando a necessidade de estudos que discutam de forma mais sistemática o papel da linguagem especializada na formação desses profissionais.

De modo geral, os trabalhos analisados podem ser organizados em três grandes grupos temáticos. O primeiro reúne estudos voltados ao conceito de letramento profissional e à importância da linguagem nos contextos de trabalho. Nesse grupo destacam-se as contribuições de Soares (2004; 2009) e Bagno, Stubbs e Gagné (2002), que discutem o letramento como prática social vinculada aos usos da linguagem em diferentes esferas da vida social. Esses autores enfatizam que a apropriação da linguagem especializada constitui elemento fundamental para a participação plena em comunidades profissionais, uma vez que o domínio do vocabulário específico permite compreender textos técnicos, interpretar procedimentos e interagir adequadamente com outros profissionais.

O segundo conjunto de estudos analisados concentra-se na relação entre linguagem técnica e comunicação no campo da saúde. Nessa perspectiva, pesquisas como as de Campos et al. (2008) e Silva et al. (2019) evidenciam que a terminologia profissional exerce papel estratégico na padronização das práticas de cuidado e na garantia da segurança dos atendimentos. A utilização de termos técnicos compartilhados entre profissionais contribui para reduzir ambiguidades na comunicação e favorece a organização de protocolos de atendimento, aspectos considerados fundamentais em áreas que lidam diretamente com o cuidado humano.

O terceiro grupo de publicações está relacionado especificamente às práticas integrativas e à formação em massoterapia. Nesse conjunto destacam-se os trabalhos de Silva (2023) e Silva e Santos (2024), que discutem a construção e a sistematização de um glossário temático voltado à área. Esses estudos indicam que a ausência histórica de padronização terminológica na massoterapia tem dificultado a consolidação de um repertório linguístico comum entre os profissionais, o que pode impactar tanto o processo formativo quanto a comunicação no ambiente de trabalho.

Ao observar conjuntamente essas três vertentes da literatura, torna-se evidente que o vocabulário técnico ocupa posição central na articulação entre formação profissional e prática laboral. No entanto, enquanto áreas como medicina, enfermagem e fisioterapia apresentam tradição consolidada na sistematização de terminologias específicas, a massoterapia ainda se encontra em processo de estruturação conceitual e terminológica. Esse cenário reforça a importância de iniciativas voltadas à organização e difusão de glossários técnicos, capazes de apoiar tanto o processo de ensino quanto a prática profissional.

Além disso, diversos autores apontam que o domínio do vocabulário específico não se restringe a um aspecto meramente instrumental da formação, mas constitui parte integrante do processo de construção da identidade do trabalhador em determinado campo profissional. Ao apropriar-se da terminologia da área, o estudante passa a integrar um universo simbólico próprio da profissão, compreendendo não apenas os procedimentos técnicos, mas também os valores e práticas que caracterizam aquela comunidade de saber.

Nesse sentido, os resultados obtidos na revisão bibliográfica sugerem que o ensino do vocabulário técnico deve ser compreendido como dimensão estruturante da formação profissional em massoterapia. A ausência de estratégias pedagógicas voltadas ao desenvolvimento desse repertório linguístico pode gerar dificuldades na compreensão de conteúdos técnicos, limitar a comunicação entre profissionais e comprometer a qualidade da prática terapêutica. Por outro lado, quando integrado de forma intencional ao processo formativo, o vocabulário especializado contribui para o fortalecimento do letramento profissional e para a consolidação da massoterapia como campo de atuação qualificado no contexto das práticas integrativas em saúde.

4.2 O papel do vocabulário técnico no desenvolvimento do letramento profissional do massoterapeuta

O corpus da pesquisa evidencia que o vocabulário técnico ocupa posição central no desenvolvimento do letramento profissional. Nos estudos analisados, a linguagem especializada aparece não apenas como instrumento de comunicação, mas como elemento estruturante do processo de formação e inserção no mundo do trabalho. Em profissões da área da saúde, nas quais a precisão da informação é fundamental para a segurança dos atendimentos e para a eficácia dos procedimentos, o domínio terminológico assume papel ainda mais relevante.

Os trabalhos de Soares (2004; 2009) indicam que o letramento deve ser compreendido como uma prática social que envolve o uso da linguagem em contextos específicos. Aplicado ao campo profissional, esse conceito implica reconhecer que cada área do conhecimento possui formas próprias de comunicação, textos característicos e terminologias específicas que precisam ser aprendidas e utilizadas adequadamente pelos sujeitos que nela atuam. Nesse sentido, o letramento profissional ultrapassa a ideia de domínio básico da leitura e da escrita, envolvendo a capacidade de compreender e produzir discursos próprios de uma determinada atividade laboral.

No caso da massoterapia, o vocabulário técnico constitui parte fundamental desse repertório discursivo. Termos relacionados à anatomia, às técnicas de manipulação corporal e às condições fisiológicas do organismo humano compõem o universo linguístico que orienta a prática do massoterapeuta. Grande parte das publicações revela que o domínio desses termos possibilita ao profissional compreender melhor os fundamentos teóricos das técnicas aplicadas, interpretar orientações clínicas e registrar informações de forma adequada nos diferentes contextos de atuação.

Conforme apontam Bagno, Stubbs e Gagné (2002), o vocabulário especializado desempenha papel importante na sistematização dos saberes de uma área, pois permite nomear procedimentos, identificar fenômenos e estabelecer classificações que orientam a prática profissional. No campo da massoterapia, essa organização terminológica contribui para que os estudantes compreendam com maior clareza os princípios que fundamentam as diferentes técnicas terapêuticas.

A análise das publicações também evidencia que o processo de aprendizagem do vocabulário técnico não ocorre de forma isolada, mas está diretamente associado às práticas formativas desenvolvidas nos cursos técnicos. Em diversos contextos educacionais, a terminologia profissional é apresentada aos estudantes durante a realização de atividades práticas, aulas demonstrativas ou estudos dirigidos. No entanto, alguns estudos indicam que essa abordagem nem sempre ocorre de forma sistemática, o que pode dificultar a consolidação do repertório linguístico necessário para o exercício da profissão.

Nesse sentido, iniciativas voltadas à organização e sistematização do vocabulário da área, como a elaboração de glossários temáticos, podem contribuir significativamente para o fortalecimento do letramento profissional. Trabalhos como os de Silva (2023) e Silva e Santos (2024) demonstram que a construção de materiais de referência voltados à terminologia da massoterapia favorece a compreensão dos conceitos técnicos e facilita o processo de aprendizagem dos estudantes. Além disso, esses instrumentos auxiliam na padronização da linguagem utilizada pelos profissionais, reduzindo ambiguidades e contribuindo para maior clareza na comunicação.

A relação entre vocabulário técnico e desenvolvimento da autonomia profissional foi outro ponto abordado. Quando o estudante domina a terminologia da área, torna-se mais capaz de compreender textos especializados, interpretar manuais técnicos e acompanhar discussões acadêmicas relacionadas à profissão. Essa competência amplia as possibilidades de atualização profissional e favorece a construção de uma prática baseada em conhecimento sistematizado.

A literatura analisada também sugere que o letramento profissional, sustentado pelo domínio do vocabulário técnico, contribui para o fortalecimento da identidade profissional do massoterapeuta. Ao apropriar-se da linguagem própria da área, o estudante passa a reconhecer-se como parte de uma comunidade profissional que compartilha saberes, práticas e valores específicos. Esse processo de identificação é fundamental para a consolidação da profissão e para o reconhecimento social da atividade.

Dessa forma, os resultados indicam que o vocabulário técnico desempenha papel decisivo no desenvolvimento do letramento profissional na massoterapia. Mais do que um conjunto de termos específicos, ele representa um instrumento de organização do conhecimento, de comunicação entre profissionais e de construção da identidade profissional. A incorporação consciente e sistemática dessa dimensão linguística no processo formativo mostra-se, portanto, fundamental para a qualificação da formação técnica e para a preparação dos futuros massoterapeutas para os desafios do exercício profissional.

4.3 Implicações do domínio do vocabulário técnico para a prática profissional e para o mercado de trabalho

A análise das publicações selecionadas também evidenciou que o domínio do vocabulário técnico exerce influência direta na prática profissional e nas possibilidades de inserção no mercado de trabalho. Em diferentes estudos analisados, a linguagem especializada aparece associada à qualidade da comunicação profissional, à organização das práticas terapêuticas e à credibilidade do profissional perante colegas e usuários dos serviços de saúde.

No campo das profissões da saúde, a comunicação clara e precisa constitui elemento fundamental para a segurança dos atendimentos e para a integração entre diferentes profissionais. Nesse contexto, o uso adequado da terminologia técnica contribui para evitar ambiguidades na transmissão de informações e para garantir que procedimentos e orientações sejam compreendidos de maneira uniforme. Pesquisas realizadas em áreas como enfermagem e fisioterapia indicam que a padronização terminológica favorece a organização do trabalho e contribui para a construção de práticas mais seguras e eficientes (Silva et al., 2019). Embora a massoterapia possua especificidades próprias, a lógica comunicativa presente nesses campos também se aplica ao seu exercício profissional.

A revisão feita indica que o vocabulário técnico funciona, nesse sentido, como um elemento de articulação entre conhecimento teórico e prática profissional. Ao dominar os termos que descrevem estruturas anatômicas, condições fisiológicas e técnicas terapêuticas, o massoterapeuta consegue interpretar com maior precisão as demandas apresentadas pelos clientes e orientar suas intervenções de forma mais consciente. Esse domínio linguístico contribui para a organização do raciocínio clínico e para a sistematização dos procedimentos realizados durante o atendimento.

No mercado de trabalho, o domínio da linguagem específica da área tende a ser percebido como indicador de formação qualificada e de familiaridade com os conhecimentos que sustentam a prática profissional. Profissionais capazes de explicar procedimentos utilizando termos adequados e de registrar informações técnicas de forma correta demonstram maior domínio conceitual e tendem a transmitir maior segurança aos clientes e às equipes com as quais trabalham.

Além disso, a utilização adequada do vocabulário técnico contribui para fortalecer a comunicação interdisciplinar. Em muitos contextos de atuação, o massoterapeuta pode integrar equipes compostas por profissionais de diferentes áreas da saúde, como fisioterapeutas, enfermeiros e médicos. Nessas situações, a existência de um repertório terminológico compartilhado facilita o diálogo entre os diferentes profissionais e favorece a compreensão das intervenções realizadas por cada área. Esse aspecto torna-se particularmente relevante no âmbito das práticas integrativas e complementares em saúde, nas quais diferentes abordagens terapêuticas coexistem e demandam formas de comunicação capazes de articular saberes distintos.

A literatura também aponta que o domínio do vocabulário técnico pode influenciar positivamente a empregabilidade do profissional. Em um cenário marcado pela ampliação das práticas integrativas e pelo crescimento da demanda por terapias complementares, a qualificação profissional passa a constituir um diferencial importante no processo de inserção no mercado. Nesse contexto, profissionais que demonstram domínio conceitual e capacidade de comunicação técnica tendem a apresentar maior competitividade, seja em clínicas especializadas, em espaços voltados ao bem-estar ou em programas de saúde integrativa.

Entretanto, os estudos analisados também indicam que ainda existem desafios relacionados à consolidação do vocabulário técnico na formação em massoterapia. A ausência histórica de uma terminologia amplamente padronizada, bem como a diversidade de influências teóricas presentes na área, tem contribuído para a coexistência de diferentes denominações para técnicas e procedimentos semelhantes. Essa situação pode gerar dificuldades na comunicação profissional e evidenciar a necessidade de iniciativas voltadas à sistematização do repertório terminológico da área.

Nesse sentido, propostas como a elaboração de glossários temáticos e materiais didáticos específicos voltados à terminologia da massoterapia representam estratégias importantes para o fortalecimento da formação profissional. Ao organizar e sistematizar os termos utilizados na área, esses instrumentos contribuem para reduzir ambiguidades linguísticas, favorecer a aprendizagem dos estudantes e promover maior coerência na comunicação entre profissionais.

Portanto, os resultados indicam que o vocabulário técnico exerce impacto significativo tanto na formação quanto na prática profissional do massoterapeuta. Ao possibilitar comunicação mais clara, organização conceitual do conhecimento e integração com outros profissionais da saúde, a terminologia especializada consolida-se como elemento fundamental para o desenvolvimento do letramento profissional e para o fortalecimento da massoterapia no contexto contemporâneo das práticas de cuidado e bem-estar.

5 Conclusão

A análise realizada permite reafirmar que o vocabulário técnico exerce um papel central na formação e na prática profissional em massoterapia, funcionando como ponte entre o aprendizado escolar e as exigências do mercado de trabalho. A iniciativa de um vocabulário evidencia, na prática, a passagem do “aprender a ser” internalizando a cultura profissional e seu léxico, para a atuação qualificada no mundo do trabalho.

Também foi possível constatar que o letramento profissional em massoterapia inclui o domínio da linguagem específica, essencial para construção da identidade e competência do futuro massoterapeuta e o vocabulário temático deve ser integrado à formação técnica de forma intencional e didática, pois facilita a compreensão de conteúdos e a comunicação profissional. Além disso no mercado de trabalho, o uso apropriado da terminologia traduz-se em melhor comunicação, padronização de condutas, redução de erros e valorização profissional, impactando positivamente a empregabilidade e a qualidade dos serviços

Ainda existem desafios a serem superados na efetivação desse vocabulário na formação, desde a heterogeneidade de referências até lacunas pedagógicas, os quais podem ser enfrentados com estratégias educacionais inovadoras, recursos didáticos e colaboração entre academia e setor profissional.

Em termos práticos, as melhorias na formação técnica em massoterapia passam pelo reconhecimento de que comunicar-se bem é tão importante quanto manipular bem. Assim, gestores educacionais devem garantir que os currículos contemplem a dimensão comunicativa, provendo recursos e tempo para o ensino do vocabulário e de habilidades correlatas. Da parte dos estudantes e profissionais, fica a recomendação de buscar ativamente enriquecer seu repertório técnico, ou seja, consultando glossários, lendo literatura da área ou trocando conhecimentos com colegas. Esse esforço de aprimoramento contínuo converge para a profissionalização sólida da massoterapia, elevando o patamar da prática e seu reconhecimento social.

Concluindo, a importância do vocabulário temático na formação do massoterapeuta técnico é inegável e multidimensional. Iniciativas como a padronização terminológica e a ênfase no letramento profissional representam o caminho do “aprender a ser” para “aprender a fazer” e “conviver” no trabalho, formando profissionais mais completos. Ao articular teoria e prática, identidade e mercado, linguagem e técnica, formaremos massoterapeutas aptos a navegar com desenvoltura pelos diversos contextos profissionais, comunicando-se com propriedade e segurança, prontos para atender às demandas da saúde e bem-estar com excelência e humanidade.

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