Abstract
This study aims to analyze the role of teaching ethics in addressing digital illiteracy in Brazil, as well as to discuss the contribution of active methodologies and outreach strategies to teacher education and the reduction of school dropout rates. The research is qualitative in nature and applied in scope, based on bibliographic review and document analysis, as well as the proposal of a pedagogical intervention structured through an activity schedule developed in the school context. The results indicate that the gap between schools and digital culture is a relevant factor contributing to school dropout, highlighting the need for pedagogical practices that integrate digital technologies in a critical and intentional manner. The proposed intervention demonstrated potential to promote student protagonism, critical thinking development, and greater connection between students, teachers, and the school environment. It is concluded that the articulation between active methodologies, the use of digital technologies, and outreach strategies contributes to digital inclusion and student retention, provided that it is supported by adequate teacher training and favorable institutional conditions.
Keywords: Active methodologies; digital technology; teacher education; school dropout; digital inclusion.
1 Introdução
A educação constitui-se como um fenômeno histórico e social, diretamente vinculado às transformações políticas, econômicas e culturais de cada período. Nessa perspectiva, Saviani (2024) afirma que a educação se organiza a partir das condições históricas concretas, sendo influenciada pelas relações sociais e pelas demandas formativas de cada contexto. Tal dinâmica pode ser observada em diferentes momentos históricos, como no período pós-Revolução Francesa, que impulsionou a consolidação da educação pública, ou ainda no contexto da colonização brasileira, no qual o ensino esteve fortemente associado à catequese e à atuação de ordens religiosas. Posteriormente, durante o regime da Ditadura Militar no Brasil, a educação assumiu também uma função política, evidenciando sua utilização como instrumento de organização social e ideológica.
No contexto contemporâneo brasileiro, a promulgação da Constituição Federal de 1988 representa um marco na consolidação da educação como direito social, ao estabelecer, em seu artigo 205, que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família. Tal dispositivo reforça a centralidade do papel docente no processo educativo, atribuindo ao professor a função de mediador na formação de sujeitos críticos e socialmente participativos. Nesse sentido, Freire (1996) destaca que ensinar não se reduz à transmissão de conteúdos, mas implica a criação de possibilidades para a produção do conhecimento, em uma perspectiva dialógica e emancipadora.
Diante das transformações contemporâneas, marcadas pela intensificação do uso das tecnologias digitais, a educação passa a enfrentar novos desafios relacionados à incorporação dessas ferramentas no processo de ensino e aprendizagem. Conforme argumenta Moran (2008), a integração das tecnologias exige mudanças nas práticas pedagógicas, superando modelos tradicionais centrados na transmissão de conteúdos e favorecendo abordagens mais interativas e participativas.
Entretanto, apesar dos avanços tecnológicos, observa-se a persistência de desigualdades no acesso e no uso dessas ferramentas, o que contribui para o distanciamento entre escola, estudantes e cultura digital. Tal cenário evidencia a existência de um processo de exclusão digital que impacta diretamente a permanência dos estudantes no ambiente escolar, configurando-se como um dos fatores associados à evasão. De acordo com Silveira (2004), a exclusão digital não se restringe à ausência de acesso, mas envolve também a limitação de competências para o uso crítico e produtivo das tecnologias.
Nessa perspectiva, Soares (2024) evidencia que a evasão escolar deve ser compreendida como um fenômeno complexo e multifatorial, influenciado por dimensões sociais, institucionais e individuais, sendo necessário considerar as transformações contemporâneas, inclusive aquelas relacionadas às tecnologias e às práticas educacionais, para a promoção da permanência dos estudantes no ambiente escolar.
Nesse contexto, torna-se necessário repensar as práticas pedagógicas, incorporando abordagens que promovam maior engajamento dos estudantes e ampliem suas possibilidades de participação no processo educativo. As metodologias ativas emergem, portanto, como estratégias capazes de favorecer a autonomia, o pensamento crítico e a construção do conhecimento, ao mesmo tempo em que possibilitam a aproximação entre escola e cultura digital. Paralelamente, a busca ativa apresenta-se como uma estratégia relevante no enfrentamento da evasão escolar, ao permitir a identificação e o acompanhamento de estudantes em situação de vulnerabilidade.
Partindo dessas considerações, este estudo tem como objetivo analisar o papel da ética docente no enfrentamento do analfabetismo digital no Brasil, bem como discutir a contribuição das metodologias ativas e das estratégias de busca ativa na formação de professores e na redução da evasão escolar. Busca-se, assim, ampliar o debate sobre a necessidade de construção de práticas pedagógicas alinhadas às demandas contemporâneas, capazes de promover uma educação mais inclusiva, crítica e socialmente referenciada.
Diante desse cenário, emerge a seguinte questão de pesquisa: de que maneira a articulação entre metodologias ativas, estratégias de busca ativa e o uso de tecnologias digitais pode contribuir para a formação docente e para a redução da evasão escolar no contexto educacional brasileiro?
Nesse sentido, este estudo tem como objetivo analisar a relação entre ética docente, metodologias ativas e busca ativa, considerando seus impactos na inclusão digital e na permanência dos estudantes na escola.
2 Revisão da Literatura
2.1 Formação docente, ética e inclusão no contexto educacional
A discussão sobre a formação docente no contexto contemporâneo exige a compreensão das mudanças paradigmáticas no campo educacional, especialmente no que se refere à construção de práticas pedagógicas inclusivas e socialmente referenciadas. Conforme, Mantoan (2003) destaca que a inclusão escolar não se limita à inserção de estudantes nos espaços educativos, mas implica a reestruturação do sistema educacional como um todo, exigindo a revisão de concepções, práticas e políticas institucionais. Tal perspectiva evidencia que a efetivação de uma educação inclusiva, conforme previsto em documentos como os Projetos Políticos Pedagógicos (PPP), a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as Diretrizes Curriculares Nacionais, ainda se configura como um desafio no cenário educacional brasileiro.
A reflexão sobre a prática docente, nesse contexto, está intrinsecamente relacionada à dimensão ética que orienta o fazer pedagógico. O conceito de ética, historicamente discutido desde a antiguidade, refere-se aos valores, princípios e normas que orientam a ação humana em sociedade. Conforme aponta Heidegger (2012), a ética relaciona-se ao modo de ser do indivíduo, envolvendo hábitos, costumes e formas de agir que orientam as decisões humanas (Pedro, 2014). No âmbito educacional, essa dimensão assume papel central, uma vez que as práticas docentes influenciam diretamente a formação dos sujeitos.
Nessa direção, Freire (1996) defende que a prática educativa deve ser pautada na ética, no respeito à autonomia dos educandos e na construção de uma relação dialógica entre professor e aluno. Para o autor, ensinar não consiste na mera transmissão de conteúdos, mas na criação de condições para a produção do conhecimento, o que exige compromisso político e responsabilidade social por parte do docente. Tal compreensão reforça a ideia de que a ética docente não é apenas normativa, mas constitutiva das relações pedagógicas.
Corroborando essa perspectiva, Vygotsky (2003) destaca o papel ativo do professor no processo educativo, ao afirmar que cabe a ele organizar o ambiente de aprendizagem de modo a favorecer o desenvolvimento cognitivo dos estudantes. Para o autor, o professor atua como mediador, sendo responsável por estruturar as condições que possibilitam a construção do conhecimento. Dessa forma, a atuação docente exige intencionalidade pedagógica e compromisso ético com o desenvolvimento dos alunos.
Diante dessas considerações, compreende-se que a formação docente deve contemplar não apenas o domínio de conteúdos, mas também o desenvolvimento de competências éticas e reflexivas, capazes de orientar a prática pedagógica em contextos complexos e em constante transformação.
2.2 Tecnologias digitais e metodologias ativas no ensino
As transformações tecnológicas das últimas décadas têm impactado o campo educacional, exigindo a reconfiguração das práticas pedagógicas e das formas de mediação do conhecimento. Diante dessas transformações, observa-se que a linguagem digital passa a ocupar papel central no processo de ensino e aprendizagem, demandando dos docentes novas competências relacionadas ao uso crítico e pedagógico das tecnologias.
De acordo com Diesel et al. (2017), o uso das tecnologias na educação deve ultrapassar a lógica da simples transmissão de conteúdos, favorecendo a construção ativa do conhecimento pelos estudantes. Para as autoras, a incorporação de recursos tecnológicos, quando articulada a metodologias ativas, contribui para o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais interativas, participativas e centradas no aluno. Nessa perspectiva, o estudante deixa de ocupar uma posição passiva, assumindo papel protagonista no processo de aprendizagem, enquanto o professor atua como mediador na construção do conhecimento.
Complementando essa discussão, Faria (2004) ressalta que, embora a tecnologia facilite o acesso à informação, o papel do professor permanece fundamental na mediação do processo educativo, na seleção e utilização adequada dos recursos tecnológicos. Dessa forma, a presença das tecnologias não substitui o docente, mas redefine sua atuação, exigindo maior planejamento, intencionalidade e reflexão sobre as práticas pedagógicas.
Nesse sentido, Moran (2008) argumenta que a integração das tecnologias à educação requer a superação de modelos tradicionais de ensino, baseados na transmissão de conteúdos, e a adoção de metodologias que promovam maior participação dos estudantes. Para o autor, o uso inadequado das tecnologias pode resultar em práticas superficiais, funcionando apenas como um “verniz” de modernidade, sem promover mudanças no processo de aprendizagem.
Diante desse cenário, as metodologias ativas emergem como estratégias capazes de promover o protagonismo dos estudantes, favorecendo o desenvolvimento de competências cognitivas, sociais e digitais. Conforme Bacich e Moran (2018), tais metodologias permitem a articulação entre teoria e prática, estimulando a autonomia e o pensamento crítico dos alunos. Assim, a integração entre tecnologias digitais e metodologias ativas apresenta-se como uma possibilidade concreta de inovação pedagógica, desde que orientada por princípios éticos e pedagógicos consistentes.
2.3 Exclusão digital, evasão escolar e busca ativa
Apesar dos avanços tecnológicos, observa-se que o acesso às tecnologias digitais ainda ocorre de forma desigual, refletindo as disparidades sociais, econômicas e educacionais presentes na sociedade brasileira. Tal realidade contribui para a consolidação da exclusão digital, fenômeno que não se limita à ausência de acesso à internet, mas envolve também a falta de habilidades para o uso crítico das tecnologias.
De acordo com Silveira (2004), a exclusão digital está relacionada às desigualdades estruturais da sociedade, sendo um fator que limita a participação dos indivíduos na cultura digital e no acesso ao conhecimento. Portanto, o analfabetismo digital emerge como um dos principais desafios educacionais contemporâneos.
Essa problemática apresenta impactos diretos na permanência dos estudantes na escola, contribuindo para o aumento dos índices de evasão escolar. Conforme evidenciado pela pesquisa TIC Domicílios 2022, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, ainda há um contingente significativo de brasileiros sem acesso adequado à internet, o que compromete sua participação em práticas pedagógicas mediadas por tecnologias (CGI.br, 2023).
Diante desse cenário, torna-se necessário desenvolver estratégias que promovam tanto a inclusão digital quanto a permanência dos estudantes no ambiente escolar. A busca ativa configura-se como uma dessas estratégias, ao possibilitar a identificação de estudantes em situação de risco e a implementação de ações voltadas ao seu retorno e permanência na escola.
Além disso, a articulação entre busca ativa, metodologias ativas e uso de tecnologias digitais pode potencializar os resultados educacionais, ao tornar o processo de ensino mais atrativo, significativo e alinhado às realidades dos estudantes. Desse modo, a escola assume papel fundamental na mediação entre os sujeitos e a cultura digital, contribuindo para a redução das desigualdades e para a construção de uma educação mais inclusiva e equitativa.
3 Metodologia
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza aplicada, uma vez que busca compreender fenômenos educacionais contemporâneos e, simultaneamente, propor intervenções que contribuam para a melhoria das práticas pedagógicas no contexto escolar. De acordo com Gil (2019), a pesquisa qualitativa permite a análise de fenômenos sociais complexos, considerando seus significados, contextos e relações.
No que se refere aos procedimentos técnicos, o estudo fundamenta-se em pesquisa bibliográfica e documental. A pesquisa bibliográfica foi realizada a partir da análise de obras e produções científicas relacionadas à formação docente, metodologias ativas, tecnologias educacionais, exclusão digital e evasão escolar, contemplando autores como Freire, Saviani e Moran. Segundo Marconi e Lakatos (2025), a pesquisa bibliográfica possibilita ao pesquisador o contato direto com o conhecimento já produzido, contribuindo para a fundamentação teórica do estudo.
Complementarmente, realizou-se análise documental com base em dados oficiais e relatórios institucionais, com destaque para a pesquisa TIC Domicílios, elaborada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, com o objetivo de compreender o cenário da exclusão digital no Brasil e suas implicações no campo educacional. A utilização de documentos oficiais amplia a compreensão do fenômeno investigado, conferindo maior consistência à análise (Gil, 2019).
No que se refere aos instrumentos de pesquisa, foram utilizados documentos oficiais, relatórios institucionais e produções científicas relacionadas à temática, os quais foram analisados por meio de procedimentos de leitura crítica, organização e sistematização das informações.
Para a análise dos dados, adotou-se uma abordagem qualitativa de caráter interpretativo, buscando estabelecer relações entre os referenciais teóricos e a realidade educacional brasileira, especialmente no que se refere à formação docente, ao uso de tecnologias digitais e aos fatores associados à evasão escolar. Tal procedimento possibilita a construção de uma leitura crítica do fenômeno investigado, articulando teoria e prática.
Além da análise teórica, o estudo propõe uma intervenção pedagógica estruturada com base nos princípios das metodologias ativas e no uso de tecnologias digitais, com o objetivo de contribuir para a inclusão digital e a redução da evasão escolar. Essa proposta consiste na elaboração de um cronograma de atividades a ser desenvolvido no ambiente escolar, envolvendo professores, estudantes e comunidade.
A construção da proposta de intervenção parte do pressuposto de que a transformação das práticas pedagógicas requer planejamento coletivo e análise das especificidades do contexto escolar. Para isso, propõe-se a realização de um conselho escolar, envolvendo a equipe gestora e docente, com a finalidade de identificar necessidades, potencialidades e desafios locais, bem como planejar ações voltadas à integração das tecnologias no processo de ensino e aprendizagem.
O cronograma proposto organiza-se em etapas sequenciais, contemplando momentos de sensibilização, formação, prática e avaliação. Inicialmente, prevê-se a realização de palestras e discussões sobre temas como cidadania digital, analfabetismo digital e uso ético das tecnologias. Em seguida, são propostas atividades introdutórias voltadas à compreensão do funcionamento de ferramentas digitais, incluindo plataformas baseadas em inteligência artificial, como o ChatGPT.
Posteriormente, o cronograma contempla práticas colaborativas em sala de aula, nas quais professores e estudantes utilizam conjuntamente as tecnologias como suporte para a construção do conhecimento, favorecendo o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia. Nessa etapa, busca-se promover a reflexão sobre o uso das tecnologias, estimulando os estudantes a analisarem, validarem e questionarem as informações produzidas por tais ferramentas.
Por fim, propõem-se momentos de avaliação e feedback, envolvendo a análise dos resultados obtidos, a identificação de potencialidades e limitações da proposta e o planejamento de ações futuras. Essa etapa é fundamental para garantir a continuidade das práticas e sua adequação às necessidades do contexto escolar.
Dessa forma, a metodologia adotada articula análise teórica e proposição prática, visando não apenas compreender o fenômeno da exclusão digital e da evasão escolar, mas também contribuir para a construção de alternativas pedagógicas que promovam uma educação mais inclusiva, crítica e alinhada às demandas contemporâneas.
4 Resultados e Discussão
Os resultados deste estudo estão ancorados na proposição de uma intervenção pedagógica estruturada a partir de metodologias ativas e do uso de tecnologias digitais, organizada em um cronograma de atividades a ser desenvolvido no contexto escolar. Considerando a natureza qualitativa da pesquisa, a análise dos resultados fundamenta-se na articulação entre os referenciais teóricos adotados e as potencialidades pedagógicas da proposta elaborada.
Inicialmente, destaca-se que a implementação de um planejamento estruturado, pautado na realidade sociocultural da escola, constitui elemento essencial para a integração entre tecnologia, ensino e aprendizagem, aspecto que dialoga com Saviani (2008), ao enfatizar a necessidade de considerar as condições concretas na organização das práticas educativas. Nesse sentido, o cronograma proposto organiza-se em etapas sequenciais que contemplam momentos de diagnóstico, sensibilização, formação, prática e avaliação, conforme apresentado no quadro 1 a seguir.
Quadro 1 – Cronograma de metodologias ativas de ensino envolvendo tecnologia
Semana 1: Conselho escolar | Semana 2: Palestra | Semana 3: Aulas introdutórias |
|---|---|---|
Abordar características locais da unidade escolar. | Explorar conceitos importantes tais como ciberbullying, cibercidadania, analfabetismo digital e a importância das habilidades tecnológicas na jornada acadêmica e mercado de trabalho. | Ensinar sobre a história da tecnologia. |
Identificar necessidades gerais e específicas de alunos e professores. | Promover um momento de perguntas e respostas. | Reforçar conceitos explorados na palestra. |
Levantamento das oportunidades locais para o fortalecimento do projeto. | Estender o convite para pais e responsáveis. | Permitir um debate entre os alunos sobre como alunos e professores podem usar essas ferramentas de forma ética e inteligente. |
Debate sobre possíveis riscos envolvidos nas ações. | Ensinar definições e comandos básicos do ChatGPT. | |
Planejamento de formas de envolver a comunidade. | ||
Planejamento de uma palestra aos alunos sobre o tema. | ||
Semana 4: Práticas colaborativas em sala | Semana 5: Atividade de análise crítica | Semana 6: Feedback tecnológico |
Juntos com o professor, alunos submeterão conceitos aprendidos na aula à ferramenta. | Submeter à ferramenta, em conjunto com grupos de alunos, questões de matérias desenvolvidas em aula. | Em contraste com a semana anterior, os alunos deverão propor ao Chat GPT trabalhos escolares definidos por professores de matérias designadas. |
De forma colaborativa, analisarão os resultados e definirão um padrão de aprendizado. | Os alunos corrigirão, de forma independente, baseando-se nos seus conhecimentos adquiridos, as respostas do Chat GPT. | Após a análise pela plataforma, os mesmos poderão identificar oportunidades de melhorias e verificar pontos fortes das suas produções. |
Alunos poderão tirar dúvidas e ambos terão a oportunidade de estabelecer regras para o uso da inteligência artificial. | Em seguida, o propósito é desenvolver o senso crítico dos estudantes frente ao desempenho das tecnologias ao identificar erros e acertos, bem como espaço para melhorias digitais. | Os profissionais do ensino, por sua vez, poderão validar as conclusões feitas por meio dessa atividade. |
O objetivo é promover o contato inicial com este aparato tecnológico sob o olhar responsável do professor e, além disso, despertar o interesse de pais e estudantes neste cronograma escolar. | ||
Semana 7: Conselho final | ||
Avaliar desempenho das metodologias ativas de ensino realizadas. | ||
Debate sobre os pontos positivos e negativos. | ||
Estabelecer novos passos para a continuação de projetos semelhantes de acordo com a realidade local escolar. | ||
Fonte: Elaboração própria com base na proposta do estudo (2026).
Retomando a análise, observa-se que a etapa inicial, correspondente ao conselho escolar, apresenta-se como um dos principais resultados da proposta, ao possibilitar o diagnóstico das condições locais e a construção coletiva das ações pedagógicas. Esse movimento reforça a importância da gestão participativa no ambiente escolar, especialmente em contextos marcados por desigualdades no acesso às tecnologias.
A etapa de sensibilização evidencia a necessidade de formação crítica acerca do uso das tecnologias digitais, aspecto que, conforme aponta Silveira (2004), ultrapassa o acesso e envolve a capacidade de uso consciente e socialmente situado dessas ferramentas.
No que se refere às atividades introdutórias, observa-se a redução do distanciamento entre estudantes, professores e cultura digital, favorecendo o desenvolvimento de habilidades técnicas e cognitivas, superando a lógica de uso superficial das tecnologias, como alerta Moran (2008).
As práticas colaborativas, por sua vez, configuram-se como um dos elementos centrais da proposta, ao promoverem o protagonismo discente e a construção compartilhada do conhecimento. Nesse contexto, o professor assume o papel de mediador, orientando o uso das tecnologias de forma ética e intencional, em consonância com Freire (1996) e Vygotsky (2003).
A etapa de análise crítica das respostas produzidas pelas tecnologias revela avanços no desenvolvimento da autonomia intelectual dos estudantes, ao estimular a reflexão sobre as informações obtidas, contribuindo para a formação de sujeitos críticos.
De forma complementar, o feedback tecnológico fortalece processos de autoavaliação e aprimoramento contínuo, consolidando práticas pedagógicas mais dinâmicas e participativas.
Por fim, a realização do conselho final evidencia a importância da avaliação contínua das práticas educativas, permitindo ajustes e o planejamento de ações futuras alinhadas ao contexto escolar.
De modo geral, os resultados indicam que a articulação entre metodologias ativas, uso de tecnologias digitais e estratégias de busca ativa apresenta potencial significativo para a redução do distanciamento entre escola e realidade dos estudantes, contribuindo para o enfrentamento da evasão escolar. Assim, a proposta analisada demonstra que a incorporação planejada das tecnologias pode favorecer a construção de uma educação mais inclusiva, crítica e alinhada às demandas contemporâneas.
5 Considerações Finais
O presente estudo teve como objetivo analisar o papel da ética docente no enfrentamento do analfabetismo digital no Brasil, bem como discutir a contribuição das metodologias ativas e das estratégias de busca ativa na formação de professores e na redução da evasão escolar. A partir da análise realizada, foi possível compreender que a articulação entre esses elementos constitui uma alternativa relevante para o enfrentamento dos desafios educacionais contemporâneos.
Os resultados evidenciaram que o distanciamento entre escola e cultura digital configura-se como um dos fatores que contribuem para a evasão escolar, marcados por desigualdades no acesso e no uso das tecnologias. Nesse sentido, a exclusão digital não se limita à ausência de recursos tecnológicos, mas envolve também a falta de competências para o uso crítico e pedagógico dessas ferramentas.
A proposta de intervenção pedagógica apresentada demonstrou que a integração entre metodologias ativas e tecnologias digitais, aliada a estratégias de busca ativa, pode favorecer a aproximação entre estudantes, professores e o ambiente escolar. Ao promover o protagonismo discente, o desenvolvimento do pensamento crítico e a participação ativa no processo de aprendizagem, tais práticas contribuem para a construção de uma educação alinhada às demandas da sociedade contemporânea.
Além disso, destacou-se o papel central do professor como mediador do conhecimento, evidenciando que a incorporação das tecnologias no ensino não substitui a atuação docente, mas exige uma postura ética, reflexiva e intencional. Dessa forma, a formação docente apresenta-se como elemento para a efetivação de práticas pedagógicas inovadoras e inclusivas.
Em resposta à questão de pesquisa proposta, conclui-se que a articulação entre metodologias ativas, uso de tecnologias digitais e estratégias de busca ativa contribui para a formação docente e para a redução da evasão escolar, na medida em que promove maior engajamento dos estudantes, amplia as possibilidades de aprendizagem e fortalece a relação entre escola e realidade social.
Por fim, ressalta-se que, embora a proposta apresentada evidencie potencialidades relevantes, sua efetivação depende de condições estruturais, formativas e institucionais que viabilizem a integração das tecnologias ao processo educativo. Assim, sugere-se a ampliação de estudos empíricos que investiguem a aplicação dessas estratégias em diferentes contextos escolares, bem como o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à formação docente e à inclusão digital.
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