Palavras-chave
valor nutricional
Brachiaria
in situ
nutrição
In situ ruminal degradability parameters of Urochloa (Brachiaria) spp. grass under two graze strategies
Antônio Gabriel Neves de Moura Richard1*
Breno Mourão de Sousa2
Helton Mattana Saturnino3
Ana Luiza Costa Cruz Borges3
Maria Clara de Morais Pessoa1
RESUMO
Com o objetivo de avaliar o valor nutritivo de gramíneas do gênero Urochloa (Brachiaria) spp. pastejadas em sistema de líder-seguidoras, três vacas mestiças em lactação, canulada no rúmen e suplementadas com 6,0 Kg/dia de matéria natural de concentrado, foram utilizadas em ensaios de degradabilidade ruminal in situ. Amostras de gramíneas foram obtidas por pastejo simulado, perfazendo os tratamentos desponta e repasse. As amostras foram pré-secas, moídas a 5mm e incubadas em bolsas de náilon nos tempos 0, 3, 6, 16, 24, 48 e 96 h. O delineamento utilizado foi o bloco ao acaso, em esquema de parcela subdividida. A degradabilidade potencial das amostras de desponta e repasse foi de 85,0 e 83,1% para matéria seca (MS), 92,3 e 90,3% para proteína bruta (PB) e 80,7 e 76,4% para fibra em detergente neutro (FDN), respectivamente, enquanto a taxa fracional de degradação foi de 4,43 e 4,15%/h para MS, 4,91 e 2,40%/h para PB e 4,09 e 4,03%/h para FDN. O experimento permitiu concluir que tanto as gramíneas pastejadas na estratégia de desponta quanto de repasse foram consideradas como de boa qualidade.
Palavras-chave: bovinos, valor nutricional, Brachiaria, in situ, nutrição.
_____________________
1 Graduando em Medicina Veterinária pelo Centro Universitário de Belo Horizonte – UNIBH.
2 Médico Veterinário, Professor Nível III. Doutor. Núcleo de Ciências Agrárias e Meio Ambiente, Centro Universitário de Belo Horizonte – UNIBH. Parte integrante da tese de doutorado do referido autor. E-mail: sousa.brenomourao@yahoo.com.br.
3 Médico Veterinário, Professor. Doutor. Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.
*Autor para correspondência: E-mail: antoniogabrielrichard6@gmail.com.
ABSTRACT
This experiment was carried out to evaluate nutritive value of Urochloa (Brachiaria) spp. grass grazed under two feeding strategies: those cows were always the first to graze followed by cows that graze at second. Samples of grass, in both feeding strategies, were obtained by grazing simulation technique. The samples were dried and grounded (5mm) and incubated into nylon bag in three rumen canulated milking cows, grazing Urochloa (Brachiaria) grass and were fed with 6 Kg of concentrate daily, as fed, divided equally to the am and pm milking time. The incubation times were: 0, 3, 6, 16, 24, 48 and 96 hours. The experiment was random block design, with a split plot scheme. The potential degradability was 85,0 and 83,1% to dry matter (DM), 92,3 and 90,3% to crude protein (CP) and 80,7 and 76,4% to neutral detergent fiber (NDF) and the fractional degradation rate was 4,43 and 4,15/h to DM, 4,91 and 2,40%/h to CP and 4,09 and 4,03%/h to NDF, to first and second graze, respectively. It was concluded that both grass under two feeding strategies, first and second graze, can be classified as high nutritive value.
Keywords: Brachiaria, cattle, in situ, nutrition, forage quality.
INTRODUÇÃO
No Brasil, tem-se buscado intensificar cada vez mais os sistemas de produção de leite, como forma de melhorar a produtividade animal, aumentar a competitividade e a lucratividade do setor. Grande parte dessa produção é oriunda de sistemas baseados em pastagens, sendo que aproximadamente 80% do território nacional se encontra na faixa tropical, favorecendo a utilização de gramíneas tropicais como principal fonte de volumoso (Euclides et al., 1999). O conhecimento do valor nutricional dessas pastagens é fundamental para estimar o potencial de resposta de vacas em lactação à suplementação concentrada, assim como para a formulação de dietas mais eficientes e sustentáveis (Detmann et al., 2014).
O sistema de alimentação de ruminantes baseado unicamente na quantidade de alimentos fornecidos tem sido considerado inadequado há décadas. Nesse sentido, a cinética de degradação ruminal dos alimentos passou a ser um parâmetro essencial para se avaliar tanto a quantidade de nutrientes efetivamente disponível aos micro-organismos do retículo-rúmen quanto a fração que escapa à fermentação e chega ao intestino para ser utilizada pelo animal (Mehrez e Ørskov, 1977; Van Soest, 1994). Essa abordagem permite compreender melhor a utilização dos nutrientes, reduzindo perdas e aumentando a eficiência de conversão alimentar.
A técnica de degradabilidade ruminal in situ consolidou-se como uma das principais ferramentas para a caracterização de volumosos, especialmente em gramíneas tropicais, pela sua aplicabilidade prática e pela possibilidade de estimar parâmetros como a fração solúvel, a fração potencialmente degradável e a taxa de degradação (Nocek, 1988). Estudos recentes reforçam que, em sistemas intensivos, compreender a dinâmica de degradação da fibra é determinante não apenas para a performance animal, mas também para reduzir problemas metabólicos, otimizar o uso de suplementos e melhorar a sustentabilidade dos sistemas de produção (Detmann et al., 2014; Oliveira et al., 2021).
Diante desse contexto, o objetivo do presente trabalho foi estimar os parâmetros de degradabilidade ruminal in situ da matéria seca, proteína bruta e da fibra em detergente neutro de gramíneas do gênero Urochloa (Brachiaria) spp., submetidas a estratégias de pastejo do tipo líderes-seguidores, ou seja, desponta e repasse.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido utilizando-se três vacas mestiças Holandês x Zebu, canuladas no rúmen, para fins de estimativas dos parâmetros de degradabilidade ruminal in situ de gramíneas do gênero Urochloa (Brachiaria) spp., obtidas por meio de pastejo simulado (Euclides et al., 1999). Foram avaliadas duas estratégias distintas de utilização da pastagem em sistema de pastejo rotacionado, caracterizando dois ensaios simultâneos: o primeiro referente à desponta, representado por vacas em lactação no primeiro acesso ao piquete (Dia 1 do pastejo), e o segundo referente ao repasse, representado por vacas em lactação em pastejo subsequente (Dia 2 do pastejo). Para cada estratégia de pastejo, foram realizadas coletas independentes de pastejo simulado, sendo o material proveniente da desponta e do repasse preparado separadamente, por meio de pré-secagem em estufa de ventilação forçada e moagem em peneira de 5 mm, constituindo assim os dois tratamentos experimentais. A composição bromatológica das amostras de desponta e repasse encontra-se apresentada na Tabela 1, servindo como referência para a interpretação dos parâmetros de degradabilidade.
Tabela 1: Composição bromatológica de material do pastejo simulado dos grupos experimentais do ensaio 1 e do experimento 2 (Desponta) e do ensaio 2 (Repasse) e do alimento concentrado utilizado como suplemento, e dados da dinâmica de degradação da matéria seca (MS) e da fibra detergente neutro (FDN) pela técnica da degradabilidade ruminal in situ
Nutrientes* | Desponta | Repasse |
|---|---|---|
MS total, % | 22,66 | 23,89 |
MO, % | 93,42 | 93,77 |
PB, % | 12,27 | 10,80 |
N, % | 1,96 | 1,73 |
FDN, % | 58,56 | 61,02 |
FDNn, % | 57,77 | 60,42 |
NIDN, % | 0,79 | 0,60 |
NDIN/Ntotal | 0,40 | 0,35 |
NIDN/FDN | 1,35 | 0,98 |
FDA, % | 26,49 | 31,49 |
Celulose, % | 29,00 | 29,28 |
Hemicelulose, % | 31,28 | 28,93 |
Lignina, % | 2,41 | 2,18 |
LIG/FDA | 0,09 | 0,07 |
CNF, % | 18,30 | 17,87 |
EE, % | 5,08 | 4,68 |
CZ, % | 6,58 | 6,23 |
* - MS: matéria seca; MO: matéria orgânica; PB: proteína bruta; N: nitrogênio; FDN: fibra detergente neutro; FDNn: fibra detergente neutro corrigida para nitrogênio insolúvel em detergente neutro; NIDN: nitrogênio insolúvel em detergente neutro; FDA: fibra detergente ácido; CNF: carboidrato não fibroso; EE: estrato etéreo; CZ: cinzas; DIVMS: digestibilidade “in vitro” da matéria seca; DP: degradabilidade potencial “in situ”; Kd: taxa fracional de degradação.
As vacas canuladas, mantidas em pastagem mista de Urochloa (Brachiaria) decumbens e Urochloa (Brachiaria) ruziziensis, receberam suplementação diária de 6,0 kg de matéria natural (MN) de concentrado, formulado com 75,5% de fubá de milho, 22,5% de farelo de soja, 1% de ureia agrícola e 1% de calcário calcítico, fornecido em duas porções diárias, no momento da ordenha. Os animais tiveram livre acesso à água, em bebedouros de alvenaria.
As amostras de desponta e repasse foram acondicionadas em sacos de náilon, previamente lacrados, e incubadas diretamente no rúmen nos tempos de 3, 6, 16, 24, 48 e 96 horas, tendo cada tempo, duas repetições de cada tipo de pastejo. Ao final de cada tempo de incubação, as bolsas foram retiradas, imersas em água fria e congeladas, interrompendo a fermentação. Ao final do experimento de campo, elas foram descongeladas à temperatura ambiente e homogeneizadas, para produzir uma única amostra, e pré-secas em estufa 60-65 ºC por 72 h. Logo após, elas foram moídas em moinho estacionário Thomas-Willey modelo 4, usando peneira de abertura de malha de 5 mm, sendo posteriormente acondicionadas em recipientes plásticos, fechados e identificados. O material remanescente em cada tempo de incubação, bem como as amostras não incubadas (tempo zero), foi analisado quanto aos teores de matéria seca (MS), proteína bruta (PB), ambos pela metodologia descrita pelo AOAC (1980) e fibra em detergente neutro (FDN), segundo Van Soest (1994).
Foi empregado o modelo matemático proposto por Sampaio (1988), em que P = A – B*e-Ct, no qual P representa a degradação potencial do material incubado no tempo t; A corresponde à degradação potencial do material que permanece retido após o tempo zero (somatório das frações A e B do modelo de Ørskov); B não possui significado biológico no ajuste; e C representa a taxa fracional de degradação (Kd). Para o cálculo da degradabilidade efetiva (DE), utilizaram-se as taxas de passagem da fase sólida previamente obtidas, aplicando-se a equação DE = A + (B × C) / (C + k), em que k corresponde às taxas de passagem assumidas (2, 5 ou 8%/h), onde A = fração solúvel da amostra no tempo zero; B = fração solúvel potencialmente degradável no rúmen, C = taxa de degradação de B.
A partir dos dados de degradabilidade ruminal potencial produzidos pela equação de Sampaio (1988), foram estimados os parâmetros de degradabilidade potencial e efetiva (para taxas de passagem de 2, 5 e 8%/h), além da taxa fracional de degradação (Kd). O ajuste dos parâmetros foi realizado segundo o modelo proposto por Ørskov e McDonald (1979) e Ørskov et al. (1980), considerando A como a fração solúvel ao tempo zero, B como a fração não solúvel, mas potencialmente degradável, e C como a fração indigestível. A taxa fracional de degradação (Kd) expressa a velocidade de degradação da fração B ao longo do tempo.
O delineamento experimental adotado foi em blocos ao acaso, considerando as três vacas como blocos, os dois tratamentos (desponta e repasse) como parcelas e os tempos de incubação como subparcelas. Contudo, segundo Sampaio (1988), os parâmetros oriundos da técnica in situ apresentam caráter descritivo e não requerem análise estatística de significância (P<0,05), sendo interpretados com base nos valores estimados e comparações descritivas entre tratamentos. Todos os cálculos, ajustes e estimativas dos parâmetros de degradabilidade foram realizados utilizando o software Excel®, Microsoft Office 2025.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os principais parâmetros da degradabilidade ruminal in situ estão nas Tab. 2, 3 e 4. Os valores estimados para a degradabilidade potencial (P, %) e para a taxa fracional de degradação (Kd, %/h) da MS, PB e FDN foram de 84,0; 91,3 e 78,6% e de 4,3; 3,7 e 4,1%/h, respectivamente, para a média das amostras de pastejo simulado: desponta e repasse, havendo discreta superioridade nos parâmetros para as amostras de desponta sobre as de repasse, exceto para a taxa fracional de degradação da PB, quando a primeira (4,91%/h) foi 105% superior à segunda (2,40%/h).
Os resultados de degradabilidade ruminal in situ da matéria seca (MS) evidenciaram diferenças sutis entre os tratamentos de Desponta e Repasse (Tab. 2). As frações solúveis (A) foram semelhantes, porém a fração insolúvel potencialmente degradável (B) foi maior no Desponta (55,09%) em relação ao Repasse (53,26%), indicando melhor qualidade da forragem inicialmente ofertada. Em contrapartida, a fração indigestível (C) foi superior no Repasse (16,93%), refletindo maior proporção de tecidos estruturais de lenta degradação (ou não degradável). A taxa fracional de degradação (Kd) também foi ligeiramente mais elevada no Desponta (0,0443/h), confirmando maior velocidade de utilização ruminal do material ingerido na primeira oferta de pastejo. As equações ajustadas pelo modelo de Sampaio (1988) mostraram potenciais de degradação de 85,03% e 83,07% para Desponta e Repasse, respectivamente, reforçando que o pastejo inicial proporciona material de melhor valor nutritivo e mais rapidamente degradável, em concordância com Euclides et al. (1992) e Van Soest (1994).
Tabela 2: Degradabilidade ruminal in situ da matéria seca (MS) dos simulados de pastejo dos grupos experimentais de Desponta e Repasse para os parâmetros fração solúvel (A), fração insolúvel potencialmente degradável (B) e fração insolúvel e não degradável (C), taxa fracional de degradação (Kd), degradabilidade efetiva (DE) para taxas de 0,02, 0,05 e 0,08/h e coeficiente de determinação (R2).
Tratamento | A, % | B, % | C, % | Kd, /h | R2 | DE, % | ||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
0,02 | 0,05 | 0,08 | ||||||
Simulado Desponta | 29,94 | 55,09 | 14,97 | 0,0443 | 0,9968 | 67,89 | 55,82 | 49,57 |
Simulado Repasse | 29,81 | 53,26 | 16,93 | 0,0415 | 0,9999 | 65,75 | 53,96 | 48,00 |
Equação de Sampaio (1988):
- Simulado Desponta 🡺 P = 85,03 + 54,93*e-0,0443t;
- Simulado Repasse 🡺 P = 83,07 + 56,94*e-0,0415t;
Na avaliação da degradabilidade ruminal in situ da proteína bruta (PB), observaram-se diferenças mais marcantes entre os tratamentos (Tab. 3). A fração solúvel (A) foi semelhante entre Desponta (50,98%) e Repasse (52,27%), indicando disponibilidade imediata próxima de compostos nitrogenados solúveis. No entanto, a fração potencialmente degradável (B) foi superior no Desponta (41,32%) em relação ao Repasse (37,99%), enquanto a fração indigestível (C) foi menor (7,71% contra 9,74%), evidenciando melhor aproveitamento ruminal da proteína no pastejo inicial. A taxa fracional de degradação (Kd) destacou maior velocidade no Desponta (0,0491/h) frente ao Repasse (0,0240/h), diferença que impacta diretamente a sincronização entre energia e proteína no rúmen. As equações de Sampaio (1988) confirmaram potenciais de degradação elevados para ambos os tratamentos (92,29% e 90,26%, respectivamente), porém com clara vantagem para o Desponta, que apresentou maior fração potencialmente degradável e maior taxa de degradação, corroborando observações da literatura de que forragem em estádio mais jovem oferece melhor aproveitamento proteico (Detmann et al., 2014; Van Soest, 1994).
Tabela 3: Degradabilidade ruminal in situ da proteína bruta (PB) dos simulados de pastejo dos grupos experimentais de Desponta e Repasse para os parâmetros fração solúvel (A), fração insolúvel potencialmente degradável (B) e fração insolúvel e não degradável (C), taxa fracional de degradação (Kd), degradabilidade efetiva (DE) para taxas de 0,02, 0,05 e 0,08/h e coeficiente de determinação (R2).
Tratamento | A, % | B, % | C, % | Kd, /h | R2 | DE, % | ||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
0,02 | 0,05 | 0,08 | ||||||
Simulado Desponta | 50,98 | 41,32 | 7,71 | 0,0491 | 0,9366 | 80,33 | 71,45 | 66,69 |
Simulado Repasse | 52,27 | 37,99 | 9,74 | 0,0240 | 0,7339 | 72,99 | 64,59 | 61,04 |
Equação de Sampaio (1988):
- Simulado Desponta 🡺 P = 92,29 + 38,13*e-0,0491t;
- Simulado Repasse 🡺 P = 90,26 + 27,74*e-0,0240t;
Na fração fibrosa, observou-se clara diferença entre os grupos (Tab.4). O Desponta apresentou maior fração solúvel (A = 16,01%) em comparação ao Repasse (5,21%), refletindo maior proporção de constituintes de rápida fermentação no material mais jovem. Por outro lado, o Repasse apresentou maior fração potencialmente degradável (B = 71,22%) em relação ao Desponta (64,73%), porém acompanhado de maior fração indigestível (C = 23,57% contra 19,26%). A taxa fracional de degradação (Kd) foi semelhante entre os tratamentos (0,0409/h e 0,0403/h), indicando que a diferença de qualidade está mais associada às frações estruturais do que à velocidade de degradação. A degradabilidade potencial (P), calculada pela equação de Sampaio (1988), foi superior no Desponta (80,74%) frente ao Repasse (76,43%), confirmando maior aproveitamento da fração fibrosa em estádio menos avançado de maturação. Esses resultados reforçam que o avanço do ciclo vegetativo aumenta a proporção de componentes lignificados, reduzindo a digestibilidade da fibra (Van Soest, 1994; Detmann et al., 2014).
Tabela 4: Degradabilidade ruminal in situ da fibra detergente neutro (FDN) dos simulados de pastejo dos grupos experimentais de Desponta e Repasse para os parâmetros fração solúvel (A), fração insolúvel potencialmente degradável (B) e fração insolúvel e não degradável (C), taxa fracional de degradação (Kd), degradabilidade efetiva (DE) para taxas de 0,02, 0,05 e 0,08/h e coeficiente de determinação (R2).
Tratamento | A, % | B, % | C, % | Kd, /h | R2 | DE, % | ||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
0,02 | 0,05 | 0,08 | ||||||
Simulado Desponta | 16,01 | 64,73 | 19,26 | 0,0409 | 0,9994 | 59,48 | 45,13 | 37,91 |
Simulado Repasse | 5,21 | 71,22 | 23,57 | 0,0403 | 0,9997 | 52,81 | 37,00 | 29,07 |
Equação de Sampaio (1988):
- Simulado Desponta 🡺 P = 80,74 + 68,47*e-0,0409t;
- Simulado Repasse 🡺 P = 76,43 + 77,34*e-0,0403t;
Benedetti (1994) observou para B. decumbens, degradabilidade potencial para MS de 75,8%, para PB de 77,5% e para FDN de 81,2%. Desses, somente o valor da FDN foi maior que o obtido neste experimento. Para a taxa fracional de degradação, os valores também foram maiores para o autor nos parâmetros MS e FDN (5,0 vs 4,3%/h para MS; 4,9 vs 4,1%/h para FDN), mas para PB, os dados destes experimentos foram maiores (3,7 vs. 3,0%/h). Leopoldino (2000) estudou a degradabilidade ruminal desta mesma espécie de gramínea (B. decumbens), obtendo degradabilidade potencial e taxa de degradação para a MS e FDN de 65,33 e 69,58%; 4,4 e 4,3%/h, respectivamente. São potenciais de degradação menores que o observado neste experimento, mas as taxas de degradação apresentaram valores semelhantes.
Lopes (2002), para o Pennisetum purpureum (Capim-elefante) coletados a partir de extrusas (fístula esofágica), encontrou degradabilidade potencial (na época de chuvas) de 83,7% para MS, 90,1 para PB e de 79,3% para FDN, muito próximas às relatadas neste experimento para gramíneas do gênero Brachiaria. Mas, para a taxa fracional de degradação, os valores foram de 3,6; 3,3 e 3,8%/h, resultados menores que os relatados neste experimento.
Patrizi (2004) trabalhou com silagem de B. brizantha cv. Marandu, em ensaios de degradabilidade ruminal in situ. Observou valores de degradabilidade potencial para a MS de 74,4%, PB de 84,9% e para a FDN de 75,9%, valores menores aos deste experimento. A taxa fracional de degradação para MS foi de 3,1%/h, para PB de 3,1% e para a FDN de 2,8%/h, valores menores que a média observados neste experimento.
Os resultados obtidos neste estudo para a degradabilidade ruminal in situ da matéria seca (fração solúvel A em torno de 29%, fração potencialmente degradável B entre 53 e 55% e taxa de degradação Kd próxima de 0,04/h) encontram-se dentro da faixa descrita pela literatura nacional em trabalhos com gramíneas do gênero Urochloa (Brachiaria). Euclides et al. (2009), avaliando Urochloa (Brachiaria) brizantha, relataram valores de A entre 20 e 30% e de B variando de 50 a 70%, enquanto Paciullo et al. (2011) encontraram taxas de degradação semelhantes (0,03 a 0,05 h⁻¹) para Urochloa (Brachiaria) decumbens. De forma semelhante, Cabral et al. (2016) observaram parâmetros próximos em cultivares de Brachiaria manejadas sob pastejo, reforçando que os valores aqui obtidos são compatíveis com a realidade de sistemas tropicais brasileiros.
No caso da proteína bruta (PB), verificou-se maior fração solúvel nos tratamentos de desponta (A ≈ 51%) em relação ao repasse (A ≈ 52%), resultado que está de acordo com os achados de Oliveira et al. (2010) e Ribeiro et al. (2014), os quais apontam maior disponibilidade de proteína degradável em gramíneas jovens, com redução progressiva da fração B e aumento da fração C conforme avança a maturação da forragem. Em relação à fibra em detergente neutro (FDN), os valores observados (fração solúvel entre 5 e 16% e fração potencialmente degradável de 65 a 71%) estão próximos aos relatados por Vieira et al. (2012) e Paulino et al. (2011), que destacam aumento da fração indigestível em condições de maior maturidade, como observado nos simulados de repasse do presente estudo.
De acordo com Sampaio (1988), uma taxa fracional de degradação da MS inferior a 2%/h seria indicativo de alimentos de baixa qualidade, já que necessitariam de maior tempo para saírem do rúmen. Neste experimento, as taxas de degradação da MS foram de 4,43 e 4,15%/h para as amostras da Desponta e do Repasse, respectivamente. Logo, a análise de todos estes dados de dinâmica de degradação (potencial e taxa fracional de degradação) permite inferir a boa qualidade da forragem pastejada pelas vacas em lactação deste experimento.
A degradabilidade efetiva (DE) média das amostras de simulado de pastejo para desponta e repasse foi, ao nível de 5%/h, de 54,9% para MS, 68,0% para PB e 41,1% para FDN. Trabalhando com B. decumbens, Benedetti (1994) encontrou DE de 51,6% para MS, 47,3% para PB e 52,5% para FDN, enquanto Leopoldino (2002) observou 53,7% para MS e 42,6% para FDN. Para Pennisetum purpureum (cv. Napier), Lopes (2002) observou valores variando entre 48 a 55% para MS, 50 a 60% para PB e 39 a 46% para FDN, utilizando valores de taxas de passagem entre 2 a 4%/h. Portanto, são valores próximos aos encontrados neste experimento para a variável medida.
CONCLUSÃO
Os parâmetros de degradabilidade potencial, taxa fracional de degradação e degradabilidade efetiva permitem analisar de forma positiva as gramíneas pastejadas sob duas estratégias de pastejo: desponta e repasse. Isto permite concluir que, tanto as gramíneas pastejadas na estratégia de desponta quanto de repasse foram consideradas como sendo de boa qualidade.
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