Política de saúde indígena: a percepção de acadêmicos de medicina de uma universidade pública da região norte
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Palavras-chave

Educação Médica
Saúde Indígena
Povos Indígenas
Currículo Médico
Amazônia

Como Citar

Silva, M. L. B. da, Silva, A. S. C. M. da, Neves, F. R., Batista, M. S. L., Marques, R. B., Jesus, L. C. V. G. de, Santos, J. L. dos, Tavares, T. S. S., Lima, S. S., & Vallinoto, I. M. V. C. (2026). Política de saúde indígena: a percepção de acadêmicos de medicina de uma universidade pública da região norte. Revista Ft, 30(157), 01-19. https://doi.org/10.69849/pz4ege19

Resumo

A população indígena brasileira apresenta grande diversidade sociocultural e histórica e vulnerabilidade decorrente de processos de colonização, expropriação territorial e exclusão social, os quais impactam suas condições de saúde. Embora a criação do SASI-SUS e da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas tenha apresentado avanços na garantia de atenção diferenciada, persistem desafios estruturais e interculturais. Nesse contexto, torna-se fundamental avaliar se a formação médica prepara adequadamente os estudantes para uma prática intercultural no cuidado à saúde indígena. Avaliar o conhecimento dos estudantes de medicina da Universidade Federal do Pará sobre a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI). O presente trabalho trata de um estudo observacional, do tipo transversal, com abordagens descritivas, qualitativas e quantitativas. A coleta foi realizada por meio de questionário eletrônico disponibilizado pela plataforma Google Forms, durante o período de abril a julho de 2025, envolvendo 260 estudantes de Medicina da Universidade Federal do Pará, campus Belém.  A pesquisa evidenciou a carência em relação ao conhecimento de acadêmicos de medicina acerca da PNASPI. Em geral, obtiveram-se dados de pouco ou nenhum conhecimento sobre essa política. A análise de dados demonstrou que, independentemente da fase do curso, a compreensão da população-alvo é deficitária, portanto, o trabalho ratifica a urgência de uma maior presença da temática durante a graduação de medicina.

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