Resumo
Objetivo: Analisar o panorama das notificações de pancreatite aguda associadas ao uso de agonistas do receptor de GLP-1 no Brasil, correlacionando-as com o perfil de consumo nacional no período de 2021 a 2026. Método: Estudo de revisão integrativa com abordagem quanti-qualitativa. Foram utilizados dados bibliográficos das bases SciELO e LILACS, cruzados com dados secundários de farmacovigilância do sistema VigiMed/Anvisa e relatórios de mercado farmacêutico (IQVIA). Resultados: Observou-se um crescimento superior a 300% no consumo varejista de análogos de GLP-1 em território brasileiro. Em paralelo, as notificações de suspeita de pancreatite aguda apresentaram uma curva ascendente, atingindo picos significativos a partir de 2024. A análise sugere que o uso off-label e a automedicação são fatores que exacerbam o risco de eventos adversos graves, especialmente em pacientes sem triagem clínica adequada. Conclusão: O panorama atual revela que o benefício clínico dessas terapias deve ser equilibrado com um monitoramento rigoroso e políticas de educação em saúde para mitigar riscos pancreáticos evitáveis.
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