Memória e identidade: as escolas municipais de candeias do Jamari-RO
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Memória e identidade: as escolas municipais de candeias do Jamari-RO


Memory and identity: the municipal schools of Candeias do Jamari-RO

Jander Santos Manso[1]

Resumo

O presente artigo tem como objetivo analisar a relação entre memória, identidade e história nas escolas municipais de Candeias do Jamari, Rondônia, destacando o papel dessas instituições na construção do pertencimento e da identidade coletiva local. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter histórico descritivo e documental, fundamentada na análise de Projetos Político Pedagógicos (PPP) de diferentes escolas do município, bem como no diálogo com autores como Nora (1993), Le Goff (1990), Pollak (1989), Bosi (1994) e Tuan (1983). Os resultados evidenciam que as escolas não se limitam à função de transmissão de conhecimentos, mas constituem-se como espaços simbólicos e lugares de memória, onde se acumulam experiências, práticas culturais, relações afetivas e trajetórias coletivas. Observa-se que, no contexto amazônico, essas instituições refletem processos históricos como migrações, expansão urbana e transformações socioeconômicas, ao mesmo tempo em que enfrentam desafios relacionados à infraestrutura, qualidade do ensino e permanência dos alunos. Conclui-se que a valorização da memória escolar contribui significativamente para o fortalecimento da identidade local, o resgate das histórias comunitárias e a formulação de políticas educacionais mais inclusivas, reafirmando a escola pública como um patrimônio histórico, social e cultural essencial para o desenvolvimento de Candeias do Jamari.

Palavras-chave: Memória escolar; identidade coletiva; história da educação; lugar de memória; escolas municipais; Amazônia.

Abstract

This article aims to analyze the relationship between memory, identity, and history in municipal schools in Candeias do Jamari, Rondônia, highlighting the role of these institutions in the construction of belonging and local collective identity. The research adopts a qualitative, historical-descriptive, and documentary approach, based on the analysis of Pedagogical Political Projects (PPP) from different schools in the municipality, as well as dialogue with authors such as Nora (1993), Le Goff (1990), Pollak (1989), Bosi (1994), and Tuan (1983). The results show that schools are not limited to the transmission of knowledge, but constitute symbolic spaces and sites of memory, where experiences, cultural practices, affective relationships, and collective trajectories are accumulated. In the Amazonian context, these institutions reflect historical processes such as migration, urban expansion, and socioeconomic transformations, while also facing challenges related to infrastructure, quality of education, and student retention. It is concluded that valuing school memory significantly contributes to strengthening local identity, recovering community histories, and supporting more inclusive educational policies, reaffirming the role of public schools as essential historical, social, and cultural heritage for the development of Candeias do Jamari.

Keywords: School memory; collective identity; history of education; site of memory; municipal schools; Amazon.

Introdução

A escola, enquanto instituição social, ultrapassa sua função tradicional de transmissão de conhecimentos, constituindo-se também como um espaço de construção de memórias, identidades e pertencimentos. No contexto das escolas municipais de Candeias do Jamari, Rondônia, essa dimensão ganha relevância ao se considerar que tais instituições refletem, em sua trajetória, os processos históricos, sociais e culturais vivenciados pela comunidade local. Assim, compreender a escola como lugar de memória implica reconhecer sua importância não apenas no campo educacional, mas também como elemento fundamental na constituição da identidade coletiva.

Diante desse cenário, emerge o seguinte problema de pesquisa: de que maneira as escolas municipais de Candeias do Jamari contribuem para a construção da memória coletiva e da identidade local? Essa questão orienta a

análise ao buscar compreender como as experiências, práticas pedagógicas, trajetórias institucionais e vivências comunitárias se articulam no espaço escolar, transformando-o em um lugar simbólico e significativo.

O objetivo deste estudo é analisar a relação entre memória, identidade e história nas escolas municipais de Candeias do Jamari, destacando o papel dessas instituições na construção do pertencimento e da identidade coletiva. Especificamente, busca-se compreender como a memória escolar é construída e preservada, bem como identificar os elementos simbólicos e sociais que contribuem para a consolidação da escola como patrimônio histórico e cultural da comunidade.

A relevância deste estudo justifica-se pela necessidade de valorizar a memória das instituições escolares como instrumento de fortalecimento da identidade local e de reconhecimento das trajetórias coletivas. Em um contexto amazônico marcado por transformações sociais, migrações e desigualdades, a escola assume papel estratégico na preservação de saberes, práticas culturais e experiências que constituem a história da comunidade. Além disso, a pesquisa contribui para o campo da História da Educação ao evidenciar a importância das escolas públicas como espaços de produção de memória e cidadania.

Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter histórico-descritivo e documental, fundamentada na análise de Projetos Político Pedagógicos (PPP) de escolas municipais de Candeias do Jamari, bem como no diálogo com referenciais teóricos que discutem memória, identidade e espaço, como Nora (1993), Le Goff (1990), Pollak (1989), Bosi (1994) e Tuan (1983). A partir dessa abordagem, busca-se interpretar a escola como um espaço simbólico, no qual se entrelaçam história, cultura e relações sociais.

Dessa forma, a presente pesquisa propõe uma reflexão sobre o papel da escola para além de sua função pedagógica, compreendendo-a como um lugar de memória e de construção de identidades, essencial para o fortalecimento da comunidade e para a consolidação de uma educação comprometida com a realidade social local.

Fundamentação Teórica

MEMÓRIA DA ESCOLA: ENTRE HISTÓRIA, IDENTIDADE E COMUNIDADE

A escola, para além de seu papel fundamental como espaço de ensino e

aprendizagem, consolida-se como um verdadeiro lugar de memória. Nesse ambiente, acumulamos experiências cotidianas, práticas pedagógicas, trajetórias de alunos e professores, além de marcas materiais e simbólicas que revelam como uma sociedade constrói e ressignifica sua identidade ao longo do tempo. Conforme destaca Nora (1993), “a memória é a vida, sempre compartilhada por grupos vivos e, nesse sentido, em permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento” (Nora, 1993, p. 9). Assim, refletir sobre a memória da escola implica ir além de sua função educacional formal, abrangendo também suas dimensões sociais, culturais e históricas.

De acordo com o autor, os chamados “lugares de memória” são espaços simbólicos que conservam significados, experiências e tradições únicas de um determinado grupo social. Por sua própria natureza, a escola se inscreve nessa lógica, pois abriga narrativas que extrapolam o currículo disciplinar. Eventos comemorativos, práticas pedagógicas, rituais cívicos e as estruturas físicas — como salas, pátios e bibliotecas — assumem o papel de elementos constituintes da memória coletiva da comunidade, perpetuando valores e identidades.

Importante ressaltar que a memória escolar não se limita a arquivos ou atas institucionais; ela permanece viva nas lembranças dos sujeitos que dela fazem parte. Professores, gestores, funcionários, alunos e famílias constroem narrativas que revelam não apenas desafios e conquistas, mas também marcas singulares de cada geração. Como expressa Le Goff (1990), “a memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir ao presente e ao futuro” (Le Goff, 1990, p. 471). Nessa perspectiva, a memória escolar se configura como um patrimônio imaterial capaz de fortalecer a identidade local.

A valorização da memória da escola, além disso, pode ser incorporada como recurso pedagógico potente. O trabalho com histórias orais de ex-alunos e ex-professores, a organização de murais e exposições de fotografias, ou a elaboração de projetos de pesquisa sobre a trajetória institucional, criam oportunidades para que estudantes se conectem com a história da própria comunidade. Tais práticas propostas para a formação cidadã, ao promover o reconhecimento da escola como espaço de pertencimento, de continuidade e de transformação.

No contexto amazônico, especialmente no município de Candeias do Jamari, as escolas municipais também resguardam memórias que se entrelaçam ao processo de colonização regional, à construção da Usina Hidrelétrica de Samuel, às migrações internacionais e à rotina das populações ribeirinhas. Desse modo, a memória escolar reflete e dialoga com a memória coletiva local: revela o movimento histórico de uma comunidade, suas lutas, conquistas, transformações e resistências, reafirmando a importância da escola enquanto depositária e construtora da identidade social.

ESCOLA COMO PERTENCIMENTO

A escola ultrapassa sua função formal de transmitir conhecimentos, tornando-se também um espaço fundamental de pertencimento comunitário. É no cotidiano escolar que alunos, professores, funcionários e famílias constroem vínculos afetivos e identitários, os quais deixam marcas profundas em suas trajetórias de vida. O sentimento de pertencimento emerge da percepção da escola como um ambiente de acolhimento, de memória e de continuidade das tradições locais.

Segundo Michael Pollak (1989), “a memória é um elemento constituinte do sentimento de identidade, tanto individual quanto coletivo” (p. 3). Sob essa perspectiva, a escola assume o papel de referência central para a comunidade: nela se realizam festas, reuniões, práticas culturais e projetos que reforçam e renovam os laços sociais em cada geração.

Em contextos amazônicos, muitas escolas rurais e ribeirinhas extrapolam o papel do espaço educativo para tornarem-se verdadeiros centros comunitários. São locais de celebrações religiosas, assembleias, encontros de moradores e, por vezes, de mobilizações em defesa de direitos. Dessa forma, a escola se transforma em pertencimento, identidade e resistência para a população local.

Ecléa Bosi (1994) destaca que “o passado relembrado é sempre filtrado pelas necessidades do presente” (p. 56). Assim, quando a comunidade revisita a memória da escola, ela reafirma não só sua história, mas também seus projetos e aspirações coletivas. Preservar e valorizar a trajetória escolar é, portanto, preservar a própria história e identidade comunitária.

A escola, nesse sentido, não é apenas um local de ensino, mas um ambiente em que se tecem relações de afeto e identidade. Desde os primeiros contatos dos alunos com colegas e professores, desenvolveu-se uma rede de vínculos que vai além da dimensão pedagógica, conferindo ao espaço escolar significado duradouro na vida dos sujeitos. A memória afetiva está presente em experiências cotidianas — seja nos primeiros amigos, nos mestres que inspiram, nas comemorações, jogos, ou mesmo nos desafios enfrentados no processo de aprendizagem , elementos que consolidam o pertencimento à escola.

Esse sentimento de pertencimento exerce papel decisivo na permanência escolar e no desenvolvimento de um vínculo positivo com a aprendizagem. Escolas que cultivam relações respeitosas, ambientes acolhedores e oportunidades de participação favorecendo o reconhecimento do estudante como parte de uma coletividade. Este vínculo, por sua vez, gera senso de responsabilidade compartilhada e fortalece a integração entre escola, família e comunidade.

Dessa forma, a escola, enquanto espaço de pertencimento afetivo e social, ultrapassa os limites físicos da sala de aula, tornando-se um lugar de memória viva, capaz de marcar gerações e reafirmar identidades locais e coletivas.

ESCOLA COMO LUGAR SIMBÓLICO

A escola pode ser compreendida como um lugar simbólico, ultrapassando as funções administrativas e pedagógicas para adquirir significados que dialogam diretamente com a memória, a identidade e os sentimentos coletivos da comunidade que a envolve. Para Pierre Nora (1993), “os lugares de memória nascem e vivem do sentimento de que não há memória espontânea” (Nora, 1993, p. 13). Sob essa perspectiva, a escola torna-se um verdadeiro repositório de experiências e narrativas, conservando símbolos visíveis e invisíveis: a bandeira apressada no pátio, os hinos entoados em dados comemorativos, fotografias de turmas passadas e até as paredes silenciosas, testemunhas de gerações.

O caráter simbólico da escola, entretanto, vai além de seus elementos materiais e se expressa fortemente nas práticas sociais e culturais que todas se realizam. Para muitos, a escola representa a porta de entrada para o universo letrado, o primeiro contato com a coletividade fora do núcleo familiar e o espaço privilegiado de construção dos projetos de vida. Por isso, ocupa lugar destacado na memória tanto dos indivíduos quanto da coletividade, perpetuando valores que formam a identidade local.

Maurice Halbwachs (2004) enfatiza que “a memória coletiva se apoia em marcos materiais e sociais que a sustentam” (Halbwachs, 2004, p. 72). Nesse sentido, a escola converte-se em marco simbólico da comunidade: locais de rituais de passagem, festas populares, reuniões políticas e religiosas, e outros eventos que intensificam o elo entre a educação formal e a vida comunitária. Assim, a escola deixa de ser apenas um edifício para tornar-se símbolo da identidade coletiva, expressando sonhos de progresso, valores culturais, tradições e lutas sociais.

Yi-Fu Tuan (1983), por sua vez, diferencia os conceitos de “espaço” e “lugar”: enquanto o espaço é amplo e indefinido, o lugar é algo vívido, impregnado de sentido. Segundo o autor, “o que começa como espaço indiferenciado transforma-se em lugar à medida que o conhecemos melhor e os dotamos de valor” (Tuan, 1983, p. 6). Deste modo, a escola não se restringe a prédios ou salas: ela é um lugar simbólico porque as experiências vividas por alunos, professores e a própria comunidade atribuem a ela significados que transcendem sua materialidade. O pátio, por exemplo, deixa de ser apenas cimento, tornando-se palco de convivência e brincadeiras; a sala de aula não é apenas espaço físico, mas cenário de desenvolvimento de relações afetivas, conflitos e aprendizagens.

Tuan reafirma que “o lugar é segurança, o espaço é liberdade” (Tuan, 1983,

p. 54). Encarada como lugar, a escola oferece à comunidade a segurança da continuidade cultural, do compartilhamento de conhecimentos e da conservação da memória coletiva. Ao mesmo tempo, ela simboliza o espaço de liberdade criativa, permitindo o florescimento da imaginação e do sonho de futuros possíveis.

Compreender, portanto, a escola como lugar simbólico, à luz de autores como Nora, Halbwachs e Tuan, é considerar que ela se constitui enquanto construção social e cultural, capaz de transformar o espaço físico em um marco de identidade, memória e pertencimento para as gerações que a frequentam.

CONTEXTO DA EDUCAÇÃO EM CANDEIAS DO JAMARI - 2020-2024

A educação básica constitui um dos pilares fundamentais para a formação cidadã e o desenvolvimento social de qualquer município. Em Candeias do Jamari, Rondônia, os indicadores mais recentes (2022–2024) revelam avanços significativos na taxa de escolarização, mas também apontam desafios relacionados à qualidade do ensino e à estrutura da rede municipal e estadual

(IBGE, 2022; SEDUC, 2023). Este artigo analisa os dados de escolarização, matrículas, docentes, estabelecimentos e índices de desempenho educacional

(IDEB), buscando as potencialidades e limitações da educação no município (IBGE, 2022; INEP, 2023).

Os dados do IBGE de 2022 apontam que a taxa de escolarização da população de 6 a 14 anos em Candeias do Jamari atingiu 97,1%, o que indica quase universalização do acesso ao ensino fundamental (IBGE, 2022). Este dado é relevante, pois demonstra que as políticas de inclusão escolar têm resultados bem-sucedidos, principalmente em um município que convive com os desafios socioeconômicos próprios da Amazônia rondoniense (GOBIRA, 2023).

Entretanto, ao observar os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), percebe-se um hiato entre o acesso e a qualidade do ensino. Em 2023, os anos iniciais da rede pública obtiveram 4,7 pontos, enquanto os anos finais alcançaram apenas 4,1 pontos (SEDUC, 2023; INEP, 2023). Essa diferença revela que, apesar do bom desempenho nos primeiros anos, ainda há dificuldades na consolidação das aprendizagens ao longo da trajetória escolar, especialmente no segundo ciclo do ensino fundamental (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2022).

Em relação à estrutura da rede, em 2024 o município contabilizou 3.552 matrículas no ensino fundamental e 886 no ensino médio, distribuídas em 12 escolas de ensino fundamental e 3 escolas de ensino médio. Esses números indicam que a demanda é significativamente maior nas etapas iniciais, evidenciando a necessidade de fortalecer a transição e a permanência dos estudantes no ensino médio (IBGE, 2022; TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2022).

No que se refere ao corpo docente, Candeias do Jamari conta em 2024 com 137 professores no ensino fundamental e 49 no ensino médio. A razão entre docentes e matrículas evidencia desafios: em média, um docente do ensino fundamental atende a aproximadamente 25 alunos, enquanto no ensino médio a médio é de 18 alunos por professor. Esse quadro pode sugerir condições mais planejadas no ensino médio, mas também indica que a baixa quantidade de matrículas pode estar relacionada à evasão escolar ou à migração de jovens para escolas em Porto Velho (FERREIRA et al., 2021; SOUZA; SOUSA, 2022).

Uma análise conjunta dos dados demonstra que, embora Candeias do Jamari possuísse altas taxas de escolarização, ainda enfrenta limitações estruturais e pedagógicas. A carência de políticas externas para a qualidade da aprendizagem, especialmente nos anos finais do ensino fundamental, e o desafio da permanência no ensino médio pontos críticos que desabilitam ações específicas (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2022; GOBIRA, 2023).

Os indicadores recentes da educação em Candeias do Jamari evidenciam avanços expressivos em termos de acesso, mas também revelam fragilidades quanto à qualidade e continuidade da formação escolar (INEP, 2023). A quase universalização da taxa de escolarização (97,1%) representa uma conquista, mas os índices baixos do IDEB, sobretudo nos anos finais, demonstram a necessidade de políticas públicas que valorizem a formação docente, a infraestrutura escolar e o acompanhamento pedagógico (SEDUC, 2023; FERREIRA et al., 2021).

Nesse sentido, torna-se fundamental que os gestores municipais e estaduais, em conjunto com a comunidade escolar, construam estratégias externas para a redução da evasão, a melhoria da qualidade do ensino e a valorização dos professores (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2022; UNIR, 2022). Só assim será possível transformar os avanços quantitativos em conquistas qualitativas, garantindo uma educação que contribua eficazmente para a cidadania e o desenvolvimento sustentável de Candeias do Jamari (UNIR, 2022; SOUZA; SOUSA, 2022).

A cidade de Candeias do Jamari desde sua criação mais remota já se mantinha como propulsora da preocupação de criar e manter escolas em sua localidade. Em meados de 1998, já existia um elevado número de escolas distribuídas pelo município, num total de aproximadamente 28 escolas de zona urbana e rural. Destas, destacam-se a escola Dom João Batista Costa, que frequenta o ensino Fundamental I e II e a EJA no período noturno, e a escola Jônatas Coelho Neivas, localizada no distrito Triunfo (GOBIRA, 2023).

As escolas das zonas rurais se organizaram em modelo de turmas multisseriadas, normalmente contando apenas com monitores de ensino sem formação superior em magistério ou Pedagogia. Tal realidade motivou, em parceria com a Universidade Federal de Rondônia, a oferta do curso de Pedagogia (PROHACAP) na Escola Municipal Dom João Batista Costa (FERREIRA et al., 2021; UNIR, 2022). Segundo relatos dos professores, a iniciativa representou experiência enriquecedora, favorecendo o aprendizado, a integração e o início da valorização formativa docente, sendo o curso realizado nos intervalos das férias escolares (FERREIRA et al., 2021).

A partir dessa compreensão da escola como lugar simbólico, espaço de memória e construção identitária, torna-se possível avançar da dimensão teórica para a análise empírica, buscando identificar como tais categorias se materializam no contexto concreto das instituições escolares. Nesse sentido, os Projetos Político-Pedagógicos (PPP) das escolas municipais de Candeias do Jamari constituem-se como fontes privilegiadas de investigação, uma vez que registram não apenas diretrizes pedagógicas, mas também trajetórias históricas, valores institucionais e vínculos com a comunidade.

Ao serem analisados à luz das contribuições de Nora (1993), Le Goff (1990), Pollak (1989) e Tuan (1983), esses documentos permitem evidenciar de que maneira a escola se configura como um lugar de memória, no qual se articulam experiências coletivas, práticas culturais e processos de construção identitária. Assim, a análise dos PPP possibilita compreender como as narrativas institucionais, os contextos de criação das escolas e as relações estabelecidas com a comunidade refletem e, ao mesmo tempo, produzem sentidos sobre o pertencimento, a identidade local e a história social do município.

O CONTEXTO HISTÓRICO DAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE CANDEIAS DO JAMARI-RO

E.M.E.F DOM JOÃO BATISTA COSTA

A história da educação em Candeias do Jamari está diretamente ligada ao processo de formação da própria cidade e ao esforço de lideranças comunitárias e políticas em garantir às crianças o direito à escolarização. Nesse cenário, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Dom João Batista Costa, inaugurada em 1988, destaca-se como uma das primeiras instituições escolares da região, consolidando-se ao longo dos anos como espaço de conhecimento, formação cidadã e preservação da memória local.

A escola foi criada por meio do Decreto Municipal nº 3.565, assinado pelo então prefeito de Porto Velho, Francisco Chiquilito Coimbra Erse, recebendo inicialmente o nome de Escola Municipal de 1º Grau Dom João Batista Costa. Localizada à Rua Tomás Correia, no Bairro União, em Vila Candeias, sua estrutura inicial contava com sete salas de aula, destinadas a atender alunos da pré-escola até a 4ª série do ensino fundamental.

A denominação da escola foi uma homenagem a Dom João Batista Costa, arcebispo da Diocese de Porto Velho, falecido em 1996. Religioso dedicado, Dom João desempenhou intensa missão catequética e sacramental, especialmente às margens dos rios Madeira, Machado e Jamari, sendo lembrado por sua luta em defesa dos mais pobres e por sua visão de uma educação igualitária e acessível.

A trajetória da escola também se entrelaça com a história da própria Vila

Candeias, inicialmente povoada a partir do cruzamento da antiga BR-29 (atual BR-364) com o rio Candeias. Sua formação remonta ao Ato nº 2.213 de 14 de novembro de 1939, quando foi instalado o Distrito Policial, então pertencente ao município de Alto Madeira. Posteriormente, Vila Candeias passou a integrar Porto Velho até ser elevada à categoria de município em 13 de fevereiro de 1992, momento em que a administração da escola também foi transferida para a Prefeitura de Candeias do Jamari.

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Dom João Batista Costa representa mais do que um prédio escolar: simboliza a luta de uma comunidade por educação, cidadania e justiça social. Sua criação ainda nos anos 1980 e sua integração ao município de Candeias do Jamari em 1992 reforçam sua relevância histórica.

Ao homenagear Dom João Batista Costa, a escola não apenas perpetua a memória de um líder religioso comprometido com os mais humildes, mas também reafirma seu compromisso com os valores de solidariedade, fé e igualdade. Hoje, após sucessivas gestões e transformações, a instituição permanece como referência educacional no município, preparando gerações de estudantes para os desafios da vida e consolidando-se como um verdadeiro patrimônio histórico, cultural e educacional de Candeias do Jamari.

Um pouco sobre Dom João Batista Costa

Dom João Batista Costa nasceu em 22 de dezembro de 1902, em Luiz Alves (SC), filho de imigrantes italianos profundamente religiosos. Desde cedo foi educado na fé e no trabalho simples do campo, cultivando devoção à Virgem Maria e às Santas Almas do Purgatório. Ainda criança, percorreu longas distâncias a pé para frequentar a escola da aldeia e as aulas de catecismo, onde conheceu os Padres Salesianos. Essa convivência despertou o desejo de ser como eles, o que o levou ao seminário em Ascurra e depois em Lavrinhas (SP).

Em 1924 ingressou no noviciado salesiano e no ano seguinte professou seus votos. Estudou filosofia e teologia, sendo enviado para Turim (Itália), berço da Congregação Salesiana, onde foi ordenado sacerdote em 1932, na Basílica de Maria Auxiliadora. No ano seguinte retornou ao Brasil, dedicando-se ao ensino, à formação de seminaristas e à direção de colégios salesianos em São Paulo, Campinas e Rio Grande do Sul.

Sua vida pastoral era marcada pela simplicidade e proximidade com o povo. Não hesitava em realizar trabalhos humildes, como cozinhar, lavar pratos e arrumar a mesa. Preparava remédios caseiros para os necessitados e por isso era chamado de “médico dos pobres”. Generoso, repassava toda ajuda financeira que recebia a seminaristas, casas de formação e comunidades religiosas. Ao falecer, foi lembrado pelos jornais como o “pai dos pobres”.

Em 6 de outubro de 1946, recebeu a bula papal que o nomeava primeiro bispo prelado de Porto Velho (RO). Foi ordenado no mesmo ano, em São Paulo, e assumiu a missão de organizar a Igreja na Amazônia rondoniense. Enfrentou enormes dificuldades estruturais, mas manteve-se firme como “timoneiro seguro e fiel à Igreja”.

Além de sua firmeza, Dom João possuía traços humanos cativantes. Tocava gaita de boca, instrumento que levava sempre consigo e com o qual conquistava crianças, jovens e até aldeias indígenas. Tinha atenção especial às vocações sacerdotais e religiosas, incentivando jovens e apoiando as Irmãzinhas da Imaculada. Demonstrava zelo pela pobreza, cuidava dos bens comunitários e prezava pela simplicidade. Guardava carinho pela memória dos salesianos falecidos e zelava para que suas sepulturas fossem dignas.

Era pontual e disciplinado, sobretudo nas celebrações litúrgicas, mas sem perder a ternura. Tratava com respeito os marginalizados, como bêbados e mendigos, acolhendo-os com compaixão. Com as crianças, tinha uma relação de espontaneidade e doçura: bastava sorrir para que corressem aos seus braços.

Dom João Batista Costa marcou a história da Igreja em Rondônia não apenas pela sua função episcopal, mas sobretudo pelo testemunho humano. Foi pastor, catequista, educador, amigo e cuidador dos pobres. Sua vida sintetiza o espírito salesiano de proximidade com os jovens, simplicidade, disciplina e confiança absoluta na Providência.

Hoje, sua memória permanece viva em escolas, instituições e na devoção popular, que ainda o recorda como o bispo humilde que soube ser grande na fé e pequeno entre os pequenos.

Ao longo de sua história, a escola foi dirigida por diferentes gestores, cada qual contribuindo com sua visão administrativa e pedagógica. Entre eles destacam-se: Mariete Maciel de Brito e Tadeu Miranda de Lima (primeiros gestores), seguidos por diretores como José Nonato da Costa, Liriano Schumbach, Ozanir Rodrigues da Silva, Cláudia Rodrigues Portela, Marcos Antônio Barros de Souza, Ilda Souza dos Santos, Rosinéia Alves Cirino, Gilmar Ferreira Leite, Jairo Ferreira Benevides, Olavo Bernardo, Adão Sena de

Mesquita, Rosa Goreth, Loreci Carnoski Teixeira Lara, Manoel Bernardo de

Souza, Jander Santos Manso e novamente Loreci Carnoski Teixeira Lara em 2025, acompanhados de vices-diretores como Maria do Socorro Silva de Carvalho, Renata Ferreira Sena, Edilson Almeida Tavares, Cleuda Arino do Nascimento, Sebastiana Pereira Lopes, Doryedson Cavalcante do Nascimento, Eliscármem Paz, Rosimery Costa de Oliveira, Ana de Fátima e Natália Severiano de Oliveira.

Essa alternância de lideranças mostra o dinamismo da escola e o compromisso contínuo de sua comunidade em garantir o bom funcionamento da instituição. Além disso, reflete a evolução da gestão escolar em Candeias do Jamari, marcada pela profissionalização, pela participação social e pela busca por uma educação pública de qualidade.

E.M.E.F. FLOR DO PALHEIRAL

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Flor do Palheiral insere-se em um contexto histórico marcado por transformações socioeconômicas decorrentes da implantação de grandes empreendimentos na região amazônica.

Sua construção ocorreu como medida compensatória pela instalação das Usinas

Hidrelétricas no rio Madeira, por meio de convênio firmado com a empresa Santo Antônio Energia, sendo oficialmente inaugurada em fevereiro de 2012. Tal origem evidencia a relação direta entre políticas de desenvolvimento econômico e a necessidade de ampliação da infraestrutura educacional nas áreas impactadas.

A escolha do nome “Flor do Palheiral” resulta de decisão da própria comunidade local, constituindo uma homenagem ao grupo folclórico e recreativo homônimo, que desenvolvia atividades culturais com crianças e jovens do bairro, com foco na inclusão social e na prevenção ao uso de drogas. Nesse sentido, a denominação da escola expressa a valorização das práticas culturais locais e reforça sua função social como espaço de formação cidadã e de fortalecimento da identidade comunitária.

No momento de sua inauguração, a instituição contava com quatro salas de aula, atendendo estudantes do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental. A primeira equipe gestora foi composta pelas professoras Crisliane Nascimento, na função de diretora, e Maria Aparecida Dias Pereira, como vice-diretora. Já no ano de 2013, houve mudança na gestão, assumindo a direção o professor Jairo Ferreira Benevides, permanecendo Maria Aparecida Dias Pereira como vice-diretora, equipe que conduziu a escola até o final do ano de 2020. Ainda no ano de 2014, a ampliação da estrutura física da escola, com a construção de mais duas salas de aula, possibilitou a expansão do atendimento para turmas do 1º ao 5º ano, alcançando um quantitativo aproximado de 260 alunos.

A trajetória da instituição foi profundamente impactada pela pandemia da COVID-19, a partir de março de 2020, quando houve a suspensão das atividades presenciais no sistema municipal de ensino de Candeias do Jamari. Nesse contexto, as escolas passaram a adotar o regime especial de ensino não presencial, inicialmente previsto como medida temporária, mas que se estendeu por um período mais longo do que o esperado. Amparadas pela Resolução nº

009/2020 do Conselho Municipal de Educação, as instituições tiveram que reorganizar suas práticas pedagógicas e administrativas, garantindo o cumprimento da carga horária mínima anual.

Diante desse cenário, a Escola Flor do Palheiral desenvolveu estratégias diversificadas para assegurar a continuidade do processo de ensino aprendizagem. Foram elaborados materiais didáticos específicos, com utilização de videoaulas, plataformas digitais, redes sociais e aplicativos de comunicação, como o WhatsApp, além da distribuição de atividades impressas para alunos com acesso limitado à internet. Também foram implementados mecanismos de acompanhamento da frequência e do desempenho escolar, por meio de relatórios e avaliações adaptadas ao ensino remoto. Essas ações evidenciam a capacidade de adaptação da instituição frente a um contexto de crise, bem como o esforço coletivo da comunidade escolar na manutenção do vínculo pedagógico.

No ano de 2021, ainda sob os efeitos da pandemia, a escola adotou o modelo híbrido de ensino, combinando atividades presenciais e não presenciais. O retorno gradual às aulas presenciais ocorreu a partir de 09 de agosto de 2021, sendo precedido pela elaboração de um Plano de Ação que contemplou adequações estruturais e pedagógicas necessárias para garantir a segurança e a qualidade do atendimento educacional. Nesse período, também foi implantada a Sala de Recursos (SR), destinada ao atendimento de estudantes com necessidades educacionais especiais, consolidando a escola como unidade polo, responsável por atender alunos de outras instituições do município, como a Pré-Escola Vovó Ginóca, a Pré-Escola Francisco Alves e a Escola Municipal Integral Luiz Perseghini.

Em meados de 2024, ocorreu nova transição na gestão escolar, com a direção sendo assumida pela professora Maria Maura Maia Cavalcante, licenciada em gestão escolar, tendo como apoio a psicopedagoga Sheila Cristiana Santo. Atualmente, a escola atende mais de 290 estudantes, dentre os quais 28 apresentam necessidades educacionais especiais, sendo acompanhados em turno inverso na Sala de Recursos.

Dessa forma, a trajetória da Escola Municipal Flor do Palheiral revela um percurso marcado pela articulação entre políticas públicas, participação comunitária e desafios contemporâneos da educação. Sua história evidencia não apenas o crescimento estrutural da instituição, mas também sua capacidade de adaptação frente às mudanças sociais, reafirmando seu papel como espaço fundamental de inclusão, formação cidadã e desenvolvimento educacional no município de Candeias do Jamari.

E.M.E.F. MARIA GORETE

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Gorete Alves de Sousa foi criada pelo Decreto-Lei nº 732/2014 e inaugurada em 13 de fevereiro de 2015. Sua origem esteve diretamente relacionada ao grande crescimento populacional em Candeias do Jamari, impulsionado pela chegada de trabalhadores de diversas regiões do país para atuar nas obras das usinas hidrelétricas em Porto Velho. Esse fenômeno gerou aumento significativo da demanda escolar, exigindo a ampliação da rede educacional do município.

Ainda em 2014, antes de sua inauguração, o prédio da escola funcionou como extensão da E.M.E.F. Dom João Batista Costa, absorvendo 12 turmas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, o que evidenciava a carência por novos espaços de ensino. Em reconhecimento ao protagonismo comunitário, a escola recebeu o nome de Maria Gorete Alves de Sousa, moradora antiga de Candeias e atuante em diversas lutas em prol da comunidade local.

No início de seu funcionamento, em 2015, a instituição atendia turmas do 1º ao 3º ano, organizadas em Bloco Pedagógico. Em 2019, diante da resistência de pais em matricular crianças de seis anos na E.M.E.F. Dom João Batista Costa, a escola concentrou-se em turmas do 1º e 2º ano. Posteriormente, em 2020, consolidou sua atuação com os anos iniciais do 1º ao 4º, completando o ciclo fundamental dessa etapa de ensino.

Ao longo de sua trajetória, a escola tem buscado pautar-se pelo princípio da equidade, compreendido como a garantia de acesso, permanência e sucesso escolar a todos os alunos, independentemente de suas condições sociais. Essa busca, realizada em meio a desafios estruturais e pedagógicos, reflete o empenho de gestores, professores, técnicos e comunidade, que compartilham o ideal de uma educação pautada pela cooperação, justiça social, disciplina, esperança e comprometimento.

No aspecto administrativo, destacam-se os gestores que marcaram a história da instituição: Genilce Pessoa Megias, em diferentes períodos, acompanhada do vice Eurionildo Nunes; Elenice Oliveira, também com o vice Eurionildo Nunes; e Maria de Sousa Freitas Sotte como vice-diretora no período de 2020. Desde janeiro de 2021, a escola é dirigida pela professora Rosa Goreth Elias Alves Oliveira, com Sebastiana Pereira Lopes como vice-diretora, consolidando a continuidade da gestão democrática e participativa.

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Gorete Alves de Sousa simboliza mais que um espaço de aprendizagem: representa a resposta coletiva de uma comunidade diante das transformações sociais e demográficas do município de Candeias do Jamari. Sua história revela a importância da educação como instrumento de inclusão e cidadania, além de destacar a relevância da mobilização comunitária e da atuação comprometida de educadores e gestores. Ao longo de sua trajetória, a instituição consolidou-se como patrimônio educacional, capaz de transformar realidades e oferecer às novas gerações não apenas acesso ao conhecimento, mas também valores fundamentais para a vida em sociedade.

E.M.E.F. MÁRIO COVAS

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Mário Covas, localizada na Linha 45 do município de Candeias do Jamari-RO, constitui um exemplo notável dessa realidade. Sua origem, marcada por dificuldades estruturais e por forte mobilização popular, revela o esforço conjunto entre comunidade, poder público e educadores para garantir o direito à educação em um contexto de precariedade e de expansão demográfica.

A trajetória da Escola Mário Covas inicia-se em janeiro de 2001, quando a professora Valcifran de Paula Cunha, moradora da Linha 45 e conhecedora da realidade local, solicitou à Prefeitura de Candeias do Jamari a criação de um espaço educativo. Na gestão do prefeito Lindomar Barbosa Alves, conhecido como “Garçom”, a proposta foi acolhida e a professora foi incumbida de organizar a matrícula dos alunos. Assim, dezoito crianças, com idades entre 7 e 14 anos, foram vinculadas à Escola Dom João Batista Costa, mas, devido às dificuldades de transporte, fez-se necessária a abertura de uma extensão na própria Linha

45.

As aulas iniciaram em uma barraca de palha cedida pela comunidade, em regime multisseriado, com turmas atendidas das 9h às 15h. Nesse período, os próprios pais colaboravam enviando marmitas, já que não havia refeitório, e as condições sanitárias eram precárias. Em 2002, com o aumento da demanda, a professora Valcifran passou a lecionar em sua própria casa, enquanto se discutia a formalização da extensão.

No ano seguinte, a extensão escolar foi oficialmente registrada, recebendo o nome de Mário Covas em homenagem ao político falecido em 2001, que marcou a história do país no cenário eleitoral. Pelo Ato da Lei Municipal nº 274/2002 e pela Resolução nº 033/CEE-RO/2006, a extensão foi reconhecida como Escola Municipal de Ensino Fundamental Mário Covas, consolidando um avanço significativo para a educação da Linha 45.

Em 2003, a escola passou a funcionar em um barracão, construído para atender 52 alunos, e recebeu novos profissionais, como a auxiliar administrativa Ludmila Pinto Bezerra, que também assumiu turmas, além da merendeira Epifania Rocha. Com a ampliação da matrícula, em 2004 e 2005, as turmas foram reorganizadas em dois turnos, alcançando mais de 100 alunos. Nesse mesmo período, devido à superlotação, a Prefeitura alugou um espaço para comportar a demanda crescente.

A comunidade teve papel central nesse processo. Em 2008, o morador Antônio Mercês doou quatro lotes para a construção definitiva da escola, o que resultou em um prédio de alvenaria com salas amplas, banheiros, cozinha e secretaria. Paralelamente, surgiram extensões vinculadas à escola em outras localidades, como a do “Porterão” (2008) e a da Linha 21 (2009), ampliando a presença da instituição.

Nos anos seguintes, a Escola Mário Covas continuou se expandindo e recebendo melhorias estruturais. Em 2014, diante do crescimento populacional causado pela chegada de empresas madeireiras, a comunidade, junto à Prefeitura, construiu cinco salas adicionais com materiais e mão de obra próprios. Em 2015, essas salas passaram por reformas estruturais, incluindo forro, ventilação e pintura, além da construção de um muro de proteção. Em 2018, foram instaladas novas centrais de ar e, em 2019, a escola recebeu novas salas de alvenaria em parceria com a Seduc-RO. Em 2020, passou por novas reformas, destacando-se a substituição das antigas salas de madeira por salas no modelo “Russell” (madeira/alvenaria).

No aspecto pedagógico e administrativo, a escola consolidou três esferas de atuação: a gestão, responsável pela administração escolar e infraestrutura; a supervisão, que articula os setores pedagógicos e a relação com a comunidade; e a orientação, voltada para o desenvolvimento integral dos alunos.

A história da Escola Municipal de Ensino Fundamental Mário Covas reflete a luta de uma comunidade que, mesmo diante de adversidades, reconheceu a importância da educação como instrumento de transformação. De um espaço improvisado em uma barraca de palha, a instituição evoluiu para um prédio consolidado, com infraestrutura adequada e reconhecida oficialmente. Mais do que um espaço de ensino, a escola representa resistência, solidariedade e o

esforço conjunto de educadores, pais, moradores e gestores públicos.

Assim, a Escola Mário Covas não apenas garante o direito constitucional à educação, mas também simboliza a capacidade da comunidade da Linha 45 de transformar suas próprias condições de vida por meio da união, da participação popular e da valorização da escola como patrimônio coletivo.

E.M.E.F JONATAS COELHO NEIVA

A história da Escola Municipal de Ensino Fundamental Jonatas Coelho Neiva, localizada no Distrito de Triunfo, município de Candeias do Jamari – RO, revela não apenas a luta de uma comunidade pelo direito à educação, mas também o papel central que a instituição passou a desempenhar na vida de centenas de crianças e famílias.

Criada por meio do Decreto nº 021, de 17 de junho de 1995, a escola nasceu da necessidade urgente provocada pelo crescimento populacional expressivo do distrito de Triunfo, distante 117 quilômetros da sede do município. A ausência de instituições de ensino resultava em um grande número de crianças fora da escola. Diante dessa realidade, os moradores, organizados com o apoio da Associação de Moradores do Distrito de Candeias, mobilizaram-se e reivindicaram junto ao poder público municipal a construção de um espaço escolar. Atendendo ao clamor popular, a unidade foi inaugurada em 1998 com o nome de Escola Municipal de 1º Grau Jonatas Coelho Neiva, funcionando inicialmente na Avenida Ivo Millan, em uma estrutura bastante modesta, com apenas uma sala de aula para turmas multisseriadas.

O rápido crescimento da comunidade exigiu, ainda no mesmo ano, a construção de uma sede própria, localizada na Rua dos Estudantes, nº 1044, onde permanece até hoje. A estrutura inicial contava com cinco salas de aula, uma cozinha, secretaria, despensa e dois banheiros. Posteriormente, mais três salas foram construídas, e ao longo dos anos o prédio foi sendo ampliado para responder às demandas da comunidade escolar. A escola recebeu o nome de Jonatas Coelho Neiva em homenagem ao primeiro Secretário de Obras de Candeias do Jamari, falecido precocemente em 1994, aos 35 anos de idade, figura lembrada pela contribuição ao desenvolvimento local.

Atualmente, a unidade atende cerca de 361 alunos distribuídos em 15 turmas do 1º ao 5º ano, dispondo de recursos pedagógicos modernos e de uma sala de recursos multifuncional voltada ao Atendimento Educacional Especializado (AEE). Assim, a escola cumpre a missão de garantir a inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais, em consonância com os princípios da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), do Plano Nacional de Educação (PNE) e do Plano Estadual de Educação (PEE).

A trajetória administrativa da escola também reflete a consolidação de sua identidade institucional. Antes da regulamentação, entre 1998 e 2001, nomes como Maria do Carmo, Luiz Rendeiro, Ataíde Moreira Peixoto, João Bento e Antônio Marcos Barros assumiram a responsabilidade pelas turmas. Após a regulamentação, em 2001, a instituição contou com a liderança de diversos diretores, entre os quais se destacam José Ramos de Mello (2001–2004), Salete dos Santos Soares Pinto (2005–2008), Gerson Costa Guaribano (2009–2011), Ataíde Moreira Peixoto em diferentes mandatos, Josiane Costa Guaribano (2015–2019), Cristiane Ribeiro da Silva Cozzer (2021–2023) e, atualmente, Lindinalva Pereira do Sacramento Silva, que assume a direção em 2023 após processo seletivo da rede municipal.

Essa sucessão de gestões ilustra a continuidade e a renovação das práticas pedagógicas, assegurando que a escola mantenha seu compromisso com a comunidade. A cada novo gestor, novos desafios surgiram: expansão do prédio, inclusão de alunos com deficiência, fortalecimento da qualidade do ensino e integração com as famílias.

A Escola Municipal Jonatas Coelho Neiva representa, assim, muito mais do que um espaço físico de aprendizagem. Ela simboliza a luta coletiva de um povo por melhores condições de vida e o desejo de construir um futuro mais justo e igualitário para suas crianças. Ao longo de mais de duas décadas de existência, consolidou-se como um espaço de inclusão, de construção da cidadania e de preservação da memória local.

Portanto, sua história evidencia que a educação, quando construída em diálogo com a comunidade, torna-se uma poderosa ferramenta de transformação social. O legado da escola Jonatas Coelho Neiva transcende os muros institucionais, alcançando cada família do distrito de Triunfo e fortalecendo a identidade do município de Candeias do Jamari.

E.M.E.F LEONORA ATANÁZIO DE ALMEIDA

A E.M.E.I. Leonora Atanázio de Almeida é a primeira pré-escola do Distrito de Triunfo. Iniciou suas atividades em agosto de 2008, atendendo crianças de 4 e 5 anos, com o objetivo de melhorar o processo de aprendizagem das crianças da região. Antes, o ingresso escolar ocorria apenas aos sete anos de idade, o que dificultava a alfabetização, pois os alunos não possuíam noções básicas de leitura e escrita. A criação da E.M.E.I. foi cuidadosamente planejada para atender a essa faixa etária, contribuindo não apenas para o aprendizado, mas também para o desenvolvimento integral da criança, por meio do brincar, da socialização, da alimentação adequada e do afeto recebido nos primeiros anos de escolarização.

Em 2010, sob a gestão da diretora Lindinalva Pereira do Sacramento, verificou-se que a estrutura física da escola não oferecia conforto adequado, pois as salas eram muito quentes devido à incidência solar. A diretora, em parceria com a comunidade escolar, organizou a construção de um pátio em toda a parte frontal da escola. Atualmente, esse espaço serve em parte como refeitório improvisado e, em parte, como área de recreação. Para a construção, alguns pais colaboraram com recursos financeiros e mão de obra, enquanto a Prefeitura, reconhecendo os esforços da comunidade, financiou parte do projeto, incluindo a cobertura com telhas. Essa iniciativa resultou em melhores condições de acomodação para as crianças, tanto nos momentos de lanche quanto nas atividades recreativas.

No ano de 2024, já sob a direção de Rosângela Ferreira dos Santos, foi realizada a reforma das instalações do bebedouro. Para isso, contou-se novamente com a contribuição do comércio local e da comunidade escolar. Alguns pais doaram cimento, tijolos e cerâmica, possibilitando a construção de um pequeno muro, além da instalação hidráulica e elétrica completa. Assim, o bebedouro passou a estar localizado em um espaço mais limpo e adequado, favorecendo a higiene e a saúde das crianças.

A Escola Municipal de Ensino Infantil Leonora Atanázio de Almeida, localizada no Distrito de Triunfo – Candeias do Jamari – RO, foi criada pelo Decreto nº 462/2009. O estabelecimento foi construído para atender a comunidade local e adjacências, recebendo crianças na modalidade de Educação Infantil, especificamente aquelas com idades entre 4 anos e 11 meses e 5 anos e 11 meses.

Quando a escola foi inaugurada, sua clientela era composta majoritariamente por famílias em situação de vulnerabilidade social. Atualmente, observa-se uma melhoria significativa nas condições de vida da comunidade, reflexo do desenvolvimento econômico, social e cultural do município.

O entusiasmo da comunidade com a criação da escola resultou em grande procura por vagas, o que gerou a necessidade de contratar mais profissionais para o atendimento às crianças. Como a instituição não dispunha de recursos próprios, a Prefeitura convocou concursados para assumir cargos e colaborar com a tarefa de educar. Muitos desses profissionais não possuíam habilitação para o magistério, mas, ao longo dos anos, buscaram qualificação e formação específica. Aqueles que não se adequaram ao magistério foram realocados em funções de apoio, como assistente de serviços gerais, merendeiras e vigias.

Nos anos seguintes, vários servidores passaram a acompanhar processos de formação continuada, ofertados pela Secretaria Municipal de Educação e também por instituições privadas. Hoje, a escola conta com um quadro de servidores diversificado, composto por efetivos, voluntários e profissionais contratados por processo seletivo, todos comprometidos com a melhoria da educação. Entre os docentes, cinco professoras possuem pós graduação. Os técnicos educacionais – incluindo equipe de secretaria, merendeiras, agentes de limpeza e cuidadoras – também participam ativamente de cursos e formações, buscando constantemente o aperfeiçoamento profissional.

E.M.E.I FERNANDO MANOEL FERNANDES DA FONSECA

A expansão da rede de ensino infantil no município de Candeias do Jamari – RO está diretamente ligada à mobilização comunitária e às necessidades crescentes de acesso à educação. O Bairro Santo Letícia I e II, carente de creches e pré-escolas no início dos anos 2000, tornou-se palco da criação da Escola Municipal de Ensino Infantil Fernando Manoel Fernandes da Fonseca, inaugurada em 20 de abril de 2009, por meio do Decreto nº 460/2009. A instituição surgiu como resposta a uma demanda urgente da população local e hoje é reconhecida por seu compromisso com a educação de crianças pequenas, assegurando o direito constitucional ao ensino desde os primeiros anos de vida.

A escola foi inaugurada na gestão do então prefeito Osvaldo Souza (Dinho) e recebeu o nome de Fernando Manoel Fernandes da Fonseca, em homenagem ao engenheiro paraense que adotou Rondônia como seu lar. Superintendente da Eletronorte por mais de duas décadas, Fernando Fonseca deixou importante legado como gestor e cidadão comprometido com o desenvolvimento regional. Casado com a rondoniense Júlia Arcanjo e pai de Margareth Fonseca, o engenheiro é lembrado por sua simplicidade, dedicação profissional e amor por Rondônia. Seu falecimento em 18 de outubro de 2007 motivou a escolha de seu nome para a pré-escola, perpetuando sua memória como amigo e colaborador do município.

No campo educacional, a escola iniciou suas atividades em 2009, tendo como primeiro diretor o professor Dorivângelo Cavalcante do Nascimento, que permaneceu na gestão até 2010. Em seguida, a professora Roneide Aparecida de Oliveira Azevedo assumiu a direção por dois anos. A gestão subsequente ficou a cargo da professora Nilza Catarina (2012–2015), seguida pela professora Mireily França de Oliveira, que permaneceu seis anos à frente da instituição, até

2020. Após esse período, a escola foi dirigida pela professora Kátia Regina Lima (2021–2022). No início de 2022, a professora Sheila exerceu a direção de forma interina, nomeada pela Secretaria Municipal de Educação, atuando por trinta dias. Desde 2022, a gestão está sob a responsabilidade da professora Cleuda Arino Nascimento, que exerce suas funções com organização e compromisso junto à comunidade escolar.

Ao longo de sua trajetória, a escola tem desempenhado papel essencial no acolhimento e na formação das crianças do Bairro Santo Letícia e adjacências. Mais do que um espaço de ensino, tornou-se um ambiente de cuidado, socialização e fortalecimento da identidade comunitária. A alternância de gestores reflete a diversidade de estilos de liderança, mas a continuidade da missão pedagógica demonstra o compromisso da instituição com o desenvolvimento da infância.

A história da Escola Municipal de Ensino Infantil Fernando Manoel Fernandes da Fonseca é marcada por conquistas coletivas e homenagens significativas. Criada para suprir a ausência de pré-escolas no Bairro Santo Letícia, a instituição consolidou-se como referência no atendimento à educação infantil em Candeias do Jamari. Ao homenagear Fernando Fonseca, a escola não apenas preserva a memória de um líder regional, mas também reafirma os laços entre educação, comunidade e identidade local.

Sob diferentes gestões, a escola se fortaleceu como espaço de aprendizado e acolhimento, comprometida em oferecer às crianças um início escolar digno, inclusivo e de qualidade. Atualmente, sob a liderança da gestora Cleuda Arino Nascimento, a instituição reafirma seu papel de agente transformador, unindo comunidade, famílias e poder público em prol da formação cidadã das novas gerações.

E. M. E. F. T. I. LUIZ PERSEGHUINI

A educação básica constitui-se como alicerce da formação cidadã e do desenvolvimento social. No município de Candeias do Jamari – RO, a trajetória da Escola Municipal de Ensino Fundamental em Tempo Integral Luiz Perseghini reflete o esforço contínuo da comunidade e do poder público em assegurar às crianças não apenas o acesso ao conhecimento, mas também oportunidades de inclusão, cidadania e valorização da história local. Criada pelo Decreto nº 088, de 17 de janeiro de 1997, assinado pelo então prefeito Francisco Vicente de Souza, a instituição foi inaugurada no mesmo ano com a denominação de Escola de Primeiro Grau Luiz Perseghini, em homenagem ao idealizador da escola rural. No ato de sua criação, a escola funcionava no prolongamento da Avenida Ayrton Senna, no setor conhecido como “Chacareiro”, área de expansão rural do município. Nesse primeiro momento, ofertava turmas multisseriadas da 1ª à 5ª série do ensino fundamental, buscando atender às necessidades educacionais da população rural.

Em 2014, a instituição ampliou seu alcance com a inauguração do Anexo II, situado na antiga Fábrica de Manilha, na Rua Carlos Drummond de Andrade, sob a coordenação da professora Maria Maura Maia Cavalcante, durante a gestão do secretário municipal de educação Euzébio Lopes Novais e do prefeito Francisco Sobreira de Soares.

Dois anos depois, em 2016, a escola foi transferida para a área urbana, permanecendo sob a direção da professora Maria Maura Maia Cavalcante e da vice-diretora Cleuda Arino do Nascimento, com o apoio da secretária escolar Erineide Nascimento Rosenha. Nesse mesmo ano, a comunidade escolar participou da primeira eleição direta para direção, elegendo Maria Maura Maia Cavalcante como gestora, com mandato de 2016 a 2019. Nesse período, o Anexo II foi consolidado como parte da Escola Municipal de Ensino Fundamental Luiz Perseghini, passando a funcionar na Rua Carlos Drummond de Andrade, nº 1491, Bairro das Flores, nos turnos matutino e vespertino, ofertando o 1º ao 5º ano.

Mais recentemente, em junho de 2024, foi aprovada a Lei nº 1.594, que instituiu a Política de Educação Integral na rede municipal. Nesse contexto, a Escola Luiz Perseghini foi escolhida para implementar o ensino em tempo integral, em caráter experimental, para estudantes do 1º ao 5º ano. O projeto terá início em janeiro de 2025, marcando um novo capítulo na história da instituição, que passa a se alinhar às demandas contemporâneas de formação mais ampla e integral.

Quanto à gestão escolar, a instituição contou com a liderança de diferentes diretores. Entre eles destacam-se: Prof.ª Maria Maura Maia Cavalcante – 2014/2015; Prof.ª Maria Maura Maia Cavalcante – 2016/2019; Prof.ª Maria Maura Maia Cavalcante – 2020/2021; Prof.ª Maria Maura Maia Cavalcante – 2021/2023; Prof.ª Mariza Alves Mendonça e Silva – 2024; Gilmar Leite - 2025.

Essa continuidade da gestão, em grande parte sob a responsabilidade da professora Maria Maura, demonstra o vínculo da escola com sua comunidade e a consistência de seu trabalho pedagógico ao longo dos anos.

A Escola Municipal de Ensino Fundamental em Tempo Integral Luiz Perseghini é mais que um espaço físico de ensino: é um símbolo de perseverança, memória e compromisso com a formação cidadã em Candeias do Jamari. Desde sua fundação em 1997, a instituição tem evoluído junto à comunidade, passando da realidade rural às demandas urbanas, e agora assumindo a missão de consolidar a educação integral.

Ao homenagear Luiz Perseghini, a escola não apenas preserva a memória de um idealizador da educação rural, mas também reafirma os valores de solidariedade e desenvolvimento humano que orientam sua prática. Hoje, ao se preparar para o desafio da educação integral, a instituição reforça sua relevância como espaço de conhecimento, cidadania e transformação social.

E. M. E. I. VOVÓ GINOCA

A história da educação em Candeias do Jamari é marcada pela luta da comunidade em prol do direito ao ensino, especialmente na fase da infância. Nesse processo, o surgimento do Lar Nossa Senhora da Conceição, em fevereiro de 1992, representa um marco fundamental para a construção da rede de educação infantil do município. O que começou como uma iniciativa assistencial e educacional sem fins lucrativos, voltada a crianças pequenas, transformou-se ao longo dos anos em uma instituição consolidada, hoje conhecida como Escola Municipal de Educação Infantil Vovó Ginoca, símbolo de acolhimento, cidadania e desenvolvimento.

O Lar Nossa Senhora da Conceição foi criado em 02 de fevereiro de 1992, funcionando inicialmente como sociedade civil de caráter assistencial, registrada sob o CNPJ nº 84.745.199/0001-77. Sua estrutura inicial era simples: apenas uma sala de aula, dois banheiros e uma sala de direção. Atendia crianças de 1 a 6 anos em turmas mistas, refletindo as condições precárias, mas também a dedicação da comunidade em assegurar às crianças o acesso à educação.

O nome original da escola foi escolhido em homenagem à santa de devoção da fundadora. Porém, em 1997, a instituição passou a atender apenas crianças de 4 a 6 anos. Em 1999, diante do aumento da demanda, foram construídas mais duas salas de aula. Já em 2002, a oferta passou a concentrar-se no Pré II (5 anos) e Pré III, em consonância com a reorganização do ensino infantil.

Em 2004, ocorreu uma mudança significativa: a gestão da escola passou a ser da Prefeitura de Candeias do Jamari, e a instituição foi oficialmente denominada Pré-Escola Municipal Vovó Ginoca, em homenagem à sua fundadora. Nesse mesmo ano, a escola foi ampliada, recebendo mais duas salas de aula e um banheiro adicional. Em 2008, com a lei que ampliou o Ensino Fundamental para nove anos, incluindo as crianças de seis anos, a instituição deixou de ofertar esse nível e voltou-se exclusivamente para a educação infantil (Pré I e Pré II).

Durante anos, a escola funcionou em prédios improvisados e em condições pouco adequadas. Somente em 13 de fevereiro de 2015 foi inaugurada a nova sede, localizada na Rua Zacarias dos Santos, setor comercial. O prédio moderno, com infraestrutura adequada, foi entregue pelo prefeito Francisco Sobreira de Soares (Careca), o secretário de educação Euzébio Lopes e a diretora Loreci Teixeira, em evento que contou com a participação da comunidade. Nessa época, a escola atendia cerca de 231 crianças, nos turnos matutino e vespertino.

Em 27 de julho de 2022, a instituição passou a ser administrada pelas gestoras Rosimery Costa de Oliveira Lima e Eliscarmem Paz Ribeiro Junior, atendendo aproximadamente 205 alunos, também distribuídos em dois turnos. Atualmente, a escola continua a desempenhar papel essencial no atendimento a crianças de 4 e 5 anos, consolidando-se como um espaço de aprendizado, cuidado e socialização.

A trajetória da Escola Municipal de Educação Infantil Vovó Ginoca revela a importância da união entre comunidade e poder público na construção de políticas educacionais. Desde sua criação em 1992 como um pequeno lar assistencial até sua consolidação como escola municipal moderna, a instituição passou por inúmeros desafios, sempre com o objetivo de oferecer às crianças um espaço digno de aprendizado e acolhimento.

Mais do que uma escola, a Vovó Ginoca é símbolo de resistência, memória e transformação social em Candeias do Jamari. Seu percurso demonstra que a educação infantil não apenas prepara para o futuro, mas garante, no presente, condições de dignidade, cidadania e igualdade às crianças da comunidade.

E. M.E. I. PEDRO TORRES DE CASTRO

O Centro Municipal de Educação Infantil Pedro Torres Tavares está localizado na Avenida Tancredo Neves, s/n, no bairro Satélite, no município de Candeias do Jamari, estado de Rondônia, CEP 76860-000. Trata-se de uma instituição pública de ensino mantida pela Prefeitura Municipal de Candeias do Jamari, inserida em um contexto urbano marcado por transformações sociais e expansão populacional.

Embora o estabelecimento ainda não possua autorização formal de funcionamento, suas atividades educacionais vêm sendo desenvolvidas em prédio próprio, com estrutura adaptada para atender às demandas da educação infantil. A instituição dispõe de salas climatizadas, espaço administrativo que integra direção, supervisão e secretaria, além de ambientes organizados de forma a proporcionar acolhimento, conforto e bem-estar tanto aos alunos quanto aos profissionais que nela atuam. Destaca-se, ainda, a presença de um espaço externo ventilado e agradável, favorecendo práticas pedagógicas diversificadas.

A origem da instituição remonta à criação da Creche Municipal Pedro Torres de Castro, fundada em 22 de outubro de 2001, conforme estabelecido pelo Decreto nº 039/2005. Inicialmente, a unidade atendia cerca de 98 crianças, com idades entre 2 e 4 anos, distribuídas nos turnos matutino e vespertino. Ao longo do tempo, a creche passou por transformações estruturais e pedagógicas, acompanhando o crescimento da demanda educacional no município.

O público atendido é majoritariamente composto por crianças oriundas de famílias de baixa renda, vinculadas a atividades laborais como o trabalho operário e a pesca. Essas famílias, em geral, apresentam baixo nível de escolaridade, o que impacta diretamente nas condições de acesso ao letramento e à cultura formal. Nesse contexto, o acesso à leitura e à escrita ocorre predominantemente no ambiente escolar, evidenciando a centralidade da instituição no processo de formação educacional dessas crianças.

No que se refere às práticas culturais, observa-se que o repertório sociocultural das famílias atendidas está fortemente associado a manifestações populares, como festas juninas (quadrilhas), carnaval e celebrações religiosas de santos e padroeiros. Tais elementos culturais, embora significativos, revelam uma limitação no acesso a outras formas de capital cultural, reforçando o papel da escola como espaço de ampliação de horizontes sociais e educativos.

Atualmente, a instituição atende aproximadamente 135 crianças, com idades entre 2 e 3 anos, distribuídas em dois turnos. Esse aumento no número de matrículas evidencia a crescente demanda por educação infantil no município, bem como a relevância da creche no atendimento às necessidades da comunidade local.

Por fim, destaca-se que o nome da instituição constitui uma homenagem a Pedro Torres Tavares, importante pioneiro do município de Candeias do Jamari, que participou ativamente do processo de emancipação política da cidade e exerceu, posteriormente, o cargo de vereador. Tal denominação reforça a dimensão histórica e simbólica da instituição, vinculando-a à memória coletiva e à identidade local.

E. M. E. I SERAFINA AZEVEDO SOARES

A Creche Municipal Serafina Azevedo Soares constitui-se como uma instituição educacional marcada por uma trajetória de compromisso social, solidariedade e contribuição para o desenvolvimento da comunidade local. Sua criação foi oficializada por meio da Lei nº 463/2009, sancionada pelo então prefeito municipal Osvaldo de Souza, no exercício de suas atribuições legais, conforme previsto no artigo 62 da Lei Orgânica do Município. A partir desse ato normativo, a instituição passou a denominar-se Creche Serafina Azevedo Soares, localizada na Rua Venezuela, s/n, no bairro Santa Letícia, no município de Candeias do Jamari, Rondônia.

A denominação da creche configura-se como uma homenagem à senhora Serafina Azevedo Soares, cuja trajetória de vida está profundamente vinculada à história social do município. Dona Serafina destacou-se como uma figura representativa da comunidade local, sendo reconhecida por sua atuação pautada no trabalho, na solidariedade e no compromisso com o bem-estar coletivo.

Natural de Miracema do Norte, no estado do Tocantins, Serafina Azevedo Soares migrou para o município de Candeias do Jamari no ano de 1971, acompanhada de sua família, com o objetivo de construir uma nova trajetória de vida. Estabeleceu-se em uma propriedade rural, contribuindo ativamente, ao lado de seu esposo, Elektro Azevedo Soares, para a formação e consolidação de uma fazenda que, na contemporaneidade, se configura como um importante polo turístico do município.

No âmbito familiar, a homenageada desempenhou papel central na organização e administração do lar, conciliando as atividades domésticas com práticas de solidariedade comunitária. Dessa união conjugal nasceram dois filhos, Maria Aurelina Azevedo Soares (in memoriam) e Francisco Dorli Azevedo Soares, compondo um núcleo familiar marcado por valores de cooperação e responsabilidade social.

Além de suas atribuições familiares, Dona Serafina destacou-se pela atuação em ações sociais voltadas à comunidade local. Mesmo diante das demandas cotidianas, dedicava parte de seu tempo à realização de atividades solidárias, participando de iniciativas promovidas pelo Lions Clube, especialmente na organização de eventos beneficentes destinados à população em situação de vulnerabilidade social. Sua atuação evidenciava um compromisso contínuo com a promoção do bem coletivo, sem a expectativa de retorno financeiro.

Em reconhecimento à sua trajetória de dedicação e altruísmo, Serafina Azevedo Soares recebeu diversas homenagens e comendas ao longo de sua vida, consolidando-se como uma liderança comunitária respeitada e admirada. Sua personalidade, descrita como dinâmica, solidária, serena e comprometida com o próximo, deixou marcas significativas na memória social da comunidade.

A escolha de seu nome para designar a creche municipal não apenas reconhece sua contribuição histórica, mas também reforça a função simbólica da instituição como espaço de formação cidadã e de valorização dos referenciais locais. Nesse sentido, a Creche Serafina Azevedo Soares ultrapassa sua dimensão educacional, constituindo-se como um lugar de memória, no qual se preservam e se ressignificam os valores sociais que orientaram a vida da homenageada.

E.M.E. I FRANCISCO ALVES DA SILVA

A Escola Municipal de Educação Infantil Francisco Alves da Silva está localizada na Rua Airton Sena, nº 1135, no bairro Palheiral, no município de Candeias do Jamari, estado de Rondônia. Trata-se de uma instituição pública de ensino vinculada ao sistema municipal de educação, cuja trajetória histórica revela um processo gradual de consolidação institucional, articulado às demandas sociais da comunidade local.

A origem da instituição remonta ao ano de 1998, quando iniciou suas atividades como anexo da Escola Dom João Batista Costa, configurando-se como uma estratégia de ampliação do atendimento à educação infantil no município. Esse modelo inicial evidencia uma característica comum às políticas educacionais locais, nas quais a expansão da oferta escolar ocorre, muitas vezes, de forma progressiva e adaptativa, em resposta ao crescimento populacional e à necessidade de universalização do acesso à educação básica.

Posteriormente, no ano de 2005, a escola foi oficialmente criada durante a gestão do prefeito Francisco Vicente de Sousa, tendo como secretário municipal de educação Paulo de Sousa Sena. A institucionalização da unidade escolar nesse período insere-se em um contexto mais amplo de fortalecimento das políticas públicas educacionais voltadas à infância, especialmente no que se refere à ampliação da rede municipal de ensino e à valorização da educação infantil como etapa fundamental do desenvolvimento humano.

Ao longo de sua trajetória, a escola contou com a atuação de diversos gestores que contribuíram significativamente para sua organização administrativa e pedagógica. Entre eles, destacam-se Antônio Marcos Barros, Gilmar Ferreira Leite, Jairo Benevides, Jorgirna Schirley Nogueira Batista, Maria Edna do Nascimento Passu, Maria do Socorro da Silva de Carvalho e Dalvina

Pereira. Atualmente, desde o ano de 2021, a instituição é dirigida por Nilza Catarina de Brito Vieira, cuja gestão tem dado continuidade ao processo de fortalecimento da identidade institucional.

A sucessão de gestores evidencia não apenas a dinâmica administrativa da escola, mas também a construção coletiva de sua trajetória histórica, marcada pelo envolvimento de educadores, funcionários e da própria comunidade. Nesse sentido, a instituição se consolida como um espaço socialmente construído, no qual diferentes sujeitos contribuíram para a elevação do padrão educacional oferecido, resultando no reconhecimento da escola como referência no âmbito do sistema municipal de ensino.

No que se refere à natureza institucional, a Escola Municipal de Educação Infantil Francisco Alves da Silva caracteriza-se como uma unidade pública de ensino voltada à educação infantil, desempenhando papel fundamental no processo de socialização e formação inicial das crianças atendidas. Sua atuação vai além da dimensão pedagógica, incorporando também funções sociais e formativas, especialmente em contextos marcados por desigualdades socioeconômicas.

Em um período relativamente curto de existência enquanto unidade autônoma, a instituição tem demonstrado capacidade de responder às expectativas da comunidade local, evidenciando avanços em termos de organização pedagógica, compromisso ético e promoção da cidadania. Esse processo de amadurecimento institucional reflete a articulação entre políticas públicas, gestão escolar e participação comunitária, elementos fundamentais para a consolidação de uma educação de qualidade.

Observa-se que não foi encontrada uma sólida história sobre a pessoa de Franscisco Alves da Silva. Os documentos oficiais analisados também não fornecem essas informações importantes para a integração do pertencimento e identidade local da escola.

Dessa forma, a Escola Municipal de Educação Infantil Francisco Alves da Silva configura-se como um importante espaço de formação educacional e social no município de Candeias do Jamari, contribuindo para o desenvolvimento integral das crianças e para o fortalecimento dos vínculos entre escola e comunidade.

E.M.E.F CÂNDIDO GIACOMET

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Cândido Giacomet foi criada por meio do Decreto nº 5.420, de 20 de dezembro de 1991, tendo sua localização inicial na BR-364, Km 27, ramal 11, na Fazenda Candeias, no município de Candeias do Jamari, Rondônia. Sua criação esteve diretamente vinculada às necessidades educacionais de uma população específica, composta majoritariamente por filhos de trabalhadores vinculados à atividade madeireira existente na localidade. Nesse contexto, a escola foi estruturada para atender estudantes da 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental, desempenhando papel fundamental no acesso à escolarização básica em uma área de ocupação produtiva.

A dinâmica socioeconômica local sofreu significativa alteração no ano de 1999, com a extinção das atividades da madeireira. Esse processo provocou o deslocamento de inúmeras famílias, que migraram em busca de novas oportunidades de trabalho e melhores condições de vida. Como consequência direta desse esvaziamento populacional, as atividades escolares foram suspensas, e a instituição permaneceu inativa por aproximadamente cinco anos. Esse momento evidencia a forte relação entre a existência da escola e as dinâmicas econômicas do território, demonstrando como a oferta educacional em áreas rurais está condicionada aos fluxos produtivos e migratórios.

A reativação da escola ocorreu no ano de 2005, em um novo contexto social, marcado pela presença de famílias vinculadas ao Movimento Camponês Corumbiara (MCC), que se instalaram em acampamentos com o objetivo de reivindicar terras por meio de políticas de reforma agrária. Nesse cenário, a escola foi transferida para o Acampamento do Projeto de Assentamento Flor do Amazonas III, sendo reconstruída de forma artesanal pelos próprios acampados, com estrutura simples em madeira e cobertura de palha. Inicialmente, atendeu 17 alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, em regime multisseriado, evidenciando práticas pedagógicas adaptadas às condições materiais e à realidade do campo.

Com o avanço do processo de assentamento, no início de 2007, as famílias passaram a ocupar definitivamente suas parcelas de terra, o que implicou nova reorganização espacial da escola. A instituição foi transferida para o Projeto de Assentamento Flor do Amazonas II, mantendo também uma extensão no Assentamento Flor do Amazonas I. As estruturas continuaram sendo construídas de forma simples pelos próprios moradores, geralmente compostas por uma única sala de aula, evidenciando o caráter comunitário e coletivo da construção do espaço escolar.

As condições de acesso à escola, nesse período, revelam os desafios enfrentados pelos estudantes da zona rural. Os deslocamentos eram realizados a pé ou de bicicleta, em trajetos marcados pela ausência de infraestrutura viária adequada, com estradas sem cascalhamento, presença de lama e, em alguns trechos, passagem por áreas de mata. Tais condições demonstram as dificuldades estruturais que permeiam a garantia do direito à educação em contextos rurais, ao mesmo tempo em que evidenciam o esforço das famílias e dos alunos em manter a frequência escolar.

Entre os anos de 2011 e 2013, a escola passou a funcionar em uma construção cedida pela Associação de Produtores Rurais, localizada na Linha 2, no Assentamento Flor do Amazonas III. Nesse período, ocorreu um avanço significativo com a implementação do transporte escolar oferecido pela Prefeitura Municipal de Candeias do Jamari, contribuindo para a melhoria do acesso dos alunos à instituição.

No biênio 2013-2014, a escola foi novamente realocada, passando a funcionar em uma estrutura de madeira, com duas salas de aula, situada na Linha 02, no Assentamento Flor do Amazonas I, em imóvel alugado pela prefeitura. Nesse mesmo período, houve ampliação da oferta educacional, com a inclusão da Educação Infantil, atendendo turmas de Pré I e Pré II, destinadas a crianças de 4 e 5 anos de idade, o que representou um importante avanço na cobertura educacional da comunidade.

Atualmente, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Cândido Giacomet está localizada na Linha 01, no Assentamento Flor do Amazonas II, funcionando em imóvel alugado que dispõe de quatro salas de aula, cozinha, área de convivência, sala de direção/secretaria e dois banheiros. A estrutura, embora ainda construída em madeira, apresenta melhorias, sendo forrada e com salas climatizadas, proporcionando maior conforto aos alunos e servidores. O transporte escolar continua sendo ofertado pela Prefeitura Municipal, garantindo melhores condições de acesso à educação.

Dessa forma, a trajetória da EMEF Cândido Giacomet revela uma história profundamente marcada pelas transformações socioeconômicas e territoriais da região, evidenciando a estreita relação entre educação, trabalho e ocupação do espaço rural. A escola, mais do que um espaço de ensino, constitui-se como expressão da luta pela permanência no campo e pela garantia do direito à educação, sendo construída e reconstruída coletivamente ao longo do tempo.

Resultados e Discussão

A análise dos Projetos Político-Pedagógicos (PPP) das escolas municipais de Candeias do Jamari evidencia que essas instituições desempenham um papel que ultrapassa a função pedagógica formal, configurando-se como espaços de construção de memória, identidade e pertencimento social. Observa-se que, nos documentos analisados, há recorrência de narrativas que destacam a origem das escolas vinculada a processos históricos locais, como migrações, formação de bairros, movimentos sociais e transformações econômicas da região.

Nesse sentido, escolas como a EMEF Cândido Giacometi, por exemplo, apresentam em seus registros históricos a relação direta com a dinâmica do campo e da reforma agrária, evidenciando trajetórias marcadas por deslocamentos, reconstruções e adaptações estruturais. Da mesma forma, instituições como a Flor do Palheiral revelam vínculos com processos de urbanização e políticas públicas associadas à implantação de grandes empreendimentos, como as usinas hidrelétricas do rio Madeira, refletindo transformações no espaço urbano e social.

A presença dessas narrativas nos PPP reforça a concepção de escola como lugar de memória, conforme discutido por Nora (1993), uma vez que os documentos institucionais preservam e organizam elementos do passado que continuam a influenciar o presente. Além disso, observa-se que tais registros contribuem para a construção da identidade coletiva, ao evidenciarem as experiências compartilhadas pela comunidade escolar, corroborando as reflexões de Pollak (1989) sobre a relação entre memória e identidade.

Outro aspecto relevante identificado diz respeito às condições estruturais e aos desafios enfrentados pelas escolas, especialmente em contextos rurais e periféricos. Os documentos revelam dificuldades relacionadas à infraestrutura, acesso, transporte escolar e permanência dos alunos, elementos que refletem desigualdades socioespaciais presentes no contexto amazônico. Ainda assim, as escolas demonstram capacidade de adaptação e resiliência, buscando estratégias para garantir o acesso e a continuidade do processo educativo.

No que se refere às práticas pedagógicas, observa-se que as instituições incorporam elementos da cultura local, valorizando saberes comunitários, festividades, tradições e experiências dos alunos. Essa integração entre escola e comunidade reforça o caráter simbólico da instituição, conforme proposto por Tuan (1983), ao transformar o espaço escolar em um lugar carregado de significados e vivências.

Dessa forma, os resultados indicam que as escolas municipais de Candeias do Jamari não apenas refletem a história local, mas também atuam ativamente na sua construção, funcionando como espaços de memória e identidade. Ao mesmo tempo, evidenciam-se desafios que demandam atenção das políticas públicas, especialmente no que se refere à qualidade do ensino, equidade e permanência dos estudantes.

Assim, a análise dos PPP permite compreender a escola como uma instituição dinâmica, que articula passado e presente, memória e identidade, espaço e experiência, reafirmando seu papel central na formação social e cultural da comunidade.

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CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Cândido Giacometi. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Dom João Batista Costa. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Fernando Fonseca. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Flor do Palheiral. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Francisco Alves. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Jonatas Coelho Neiva. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Leonora Atanázio. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Luiz Perseghini. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Maria Gorete. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Mário Covas. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Pedro Torres. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

CANDEIAS DO JAMARI. Prefeitura Municipal. Projeto Político Pedagógico – PPP da Escola Serafina de Azevedo. Candeias do Jamari: SEMED, 2025.

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  1. Mestrando em História da Amazônia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em História da Amazônia (PPGHAm). Possui graduação em Pedagogia e Geografia pela Universidade Federal de Rondônia (2007). É pós graduado em Supervisão, Orientação e Gestão Escolar com Ênfase em Psicologia Educacional (2014), em Alfabetização e Letramento (2022), em Africanidades e Cultura Afro-Brasileira (2023) e em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Direção Escolar (2024). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7556997336884561. E-mail: jan75manso@gmail.com

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