Resumo
Este trabalho investiga a prática docente na educação integral do Ensino Fundamental II, sob o olhar de uma professora, considerando a formação da identidade profissional e a criação de laços e relações afetivas no ambiente escolar. Como o aumento do tempo de fala da professora com os alunos contribui para a reconfiguração do seu papel, especialmente em contextos de vulnerabilidades sociais e emocionais?
A opção é por uma pesquisa qualitativa, tendo como base um estudo de caso fundamentado na observação participante e nas anotações reflexivas da professora. A pesquisa indica que quanto mais tempo os alunos permanecem na escola, mais os professores conseguem estabelecer laços com eles, fundamentando essas relações em confiança, escuta e acolhimento. Isso, porém, também representa um desafio ao trabalhar em áreas formativas que não estão, necessariamente, no centro do currículo tradicional, como o desenvolvimento socioemocional e a liderança juvenil. Os dados mostram que ser professor em tempo integral não é apenas ensinar; é também educar, acompanhar. Assim, o estabelecimento de vínculos e a compreensão das particularidades dos alunos são indispensáveis ao processo de ensino-aprendizagem, pois favorecem a motivação, a permanência e o pertencimento à escola.
Palavras-chave: Docência. Educação em tempo integral. Identidade docente. Vínculos afetivos. Ensino Fundamental II.
INTRODUÇÃO
A educação em tempo integral tem se consolidado como uma política pública para ampliar as oportunidades de aprendizado e o desenvolvimento integral dos alunos, especialmente no Ensino Fundamental II. Para além do aumento da carga horária escolar, essa proposta indica uma reformulação nas práticas pedagógicas, unindo elementos cognitivos, sociais e emocionais ao processo de ensino. Assim, o educador assume um papel diferente, requerendo do professor uma presença mais ativa e relacional, que ultrapassa a mera transmissão de conteúdos, focando em oferecer uma formação mais completa e humanizada aos alunos.
O estudo educativo aponta que, ao ampliar a carga horária escolar, estreita-se a relação professor-aluno, favorecendo a confiança, a escuta e o acolhimento (LIMA, 1995). Além disso, a escola em tempo integral é considerada um espaço ideal para fomentar o protagonismo juvenil e o desenvolvimento de competências socioemocionais, que são essenciais para que os jovens se destaquem e tenham sucesso em suas trajetórias escolares (CARVALHO et al., 2010). Contudo, há desafios na prática educativa, especialmente em situações que envolvem vulnerabilidades sociais e emocionais, exigindo do professor novas estratégias e uma reflexão sobre sua identidade profissional.
Nesse contexto, ser professor em tempo integral é uma vivência intricada, onde o professor se depara com questões que, historicamente, não foram o centro do currículo escolar, como o cuidado, a escuta e a mediação de conflitos. A interação constante com os estudantes ao longo do dia também vai fortalecendo laços e criando vínculos mais profundos, o que demanda do professor uma articulação entre suas funções de ensinar e de formar. Isso suscita questionamentos sobre como os professores constroem suas identidades nesse tipo de ensino e de que forma os laços e as relações afetivas influenciam o processo educativo.
Nesse sentido, surge a seguinte questão de pesquisa: como a experiência de uma professora em tempo integral colabora para a formação da sua identidade profissional e para o estabelecimento de laços e relações afetivas com os alunos do Ensino Fundamental II? A urgência de se compreender as especificidades do trabalho docente em regimes de educação integral, especialmente em contextos de vulnerabilidade social e emocional, onde a escola assume um papel central na formação integral do ser humano, torna esta investigação de extrema relevância. O estudo, para além de provocar uma reflexão sobre práticas pedagógicas que escutam e respondem às necessidades dos alunos, avança teoricamente na identidade docente e nas interações pedagógicas.
A proposta desta investigação é examinar a prática pedagógica na educação em tempo integral sob a perspectiva de uma educadora, levando em conta a formação da identidade do docente e a criação de laços e relações afetivas no Ensino Fundamental II. Dentre os objetivos específicos, busca-se compreender de que forma o tempo adicional de convivência influencia as interações entre a professora e os alunos, identificar os desafios enfrentados na atuação em componentes formativos não convencionais e investigar como os laços estabelecidos favorecem o envolvimento e a permanência dos estudantes na escola. Portanto, este estudo pretende refletir sobre a atuação do professor em tempo integral como uma ação que articula ensino, cuidado e formação humana, sublinhando a relevância das relações no contexto educativo.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
A educação em tempo integral tem sido objeto de intensos debates no âmbito educacional, sendo uma proposta que busca promover a formação integral dos alunos, interligando as dimensões cognitivas, sociais, culturais e emocionais. De acordo com Cavaliere (2002), a extensão da jornada escolar precisa estar vinculada à reestruturação do currículo e das abordagens pedagógicas, visando oferecer experiências educativas que superem a lógica convencional focada apenas na transmissão de conteúdos. Nesse contexto, a educação integral se apresenta como uma oportunidade de ressignificação da escola, expandindo sua função social e educativa.
No Brasil, as iniciativas de educação em tempo integral têm procurado atender às necessidades de alunos em situação de vulnerabilidade social, oferecendo não apenas um maior tempo de permanência na escola, mas também chances de desenvolvimento integral. Conforme aponta Moll (2012), a escola de tempo integral deve ser entendida como um ambiente de formação expandida, onde diversos conhecimentos e vivências se conectam para favorecer o desenvolvimento completo dos indivíduos. Entretanto, essa proposta traz desafios consideráveis para a prática de ensino, demandando novas habilidades e uma abordagem mais relacional.
A docência, nesse cenário, passa por um processo de reinterpretação, principalmente no que diz respeito à formação da identidade profissional. De acordo com Nóvoa (1995), a identidade do professor é um processo em constante evolução, que se forma ao longo da carreira profissional, com base nas experiências vivenciadas, nas interações estabelecidas e nas reflexões acerca da prática. Essa visão é corroborada por Tardif (2014), que diz que os conhecimentos dos professores se formam na prática diária, em interação com os alunos e com o ambiente escolar, o que transforma a experiência em um aspecto fundamental na formação do educador.
Nesse contexto, as contribuições de Paulo Freire são essenciais para entender a importância das relações humanas na educação. Segundo Freire (1996), o ato de ensinar demanda diálogo, uma escuta atenta, respeito pelo conhecimento dos alunos e um comprometimento com a formação crítica das pessoas. A prática pedagógica, sob essa ótica, se desenvolve na interação entre professor e aluno, mediada pela afetividade, pela ética e pela valorização das experiências vividas. Portanto, o ato de ensinar vai além da simples transmissão de conteúdos e se apresenta como um processo de construção colaborativa do conhecimento, onde a relação entre educador e aluno desempenha um papel fundamental.
No âmbito da educação em tempo integral, o aumento do tempo que professores e alunos passam juntos fortalece as relações pessoais e contribui para a criação de laços afetivos. Freire (1996) ressalta que a educação é impossível sem uma conexão humana, e que o afeto, a confiança e o respeito são fatores essenciais na prática educativa. Nesse contexto, o laço afetivo não é visto como um aspecto secundário, mas sim como uma parte essencial do processo de ensino e aprendizagem, principalmente em situações caracterizadas por vulnerabilidades sociais e emocionais.
A literatura também indica que a escola pode ter uma importância crucial na vida de alunos que enfrentam situações de vulnerabilidade, servindo como um ambiente de acolhimento e proteção. Conforme Arroyo (2012), é fundamental que a escola reconheça as condições reais de vida dos alunos e crie práticas pedagógicas que se conectem com suas realidades. Neste contexto, o professor desempenha um papel que transcende o mero ensino de conteúdos, atuando como mediador, orientador e referência emocional para os alunos.
Além disso, pesquisas recentes têm ressaltado a relevância do protagonismo juvenil como aspecto fundamental na educação integral. Segundo Costa (2000), o protagonismo juvenil diz respeito à participação ativa dos alunos na elaboração de seus processos de aprendizagem e nas decisões a serem tomadas, o que favorece o crescimento da autonomia e da responsabilidade. Essa visão se relaciona diretamente com a abordagem freireana de uma educação emancipadora, na qual o aluno é reconhecido como um agente ativo no processo de aprendizagem.
Embora haja progressos teóricos e experiências implementadas, ainda persistem brechas na compreensão de como a prática docente se manifesta no dia a dia das escolas de tempo integral, principalmente no que diz respeito à formação da identidade dos professores e ao estabelecimento de vínculos e relações emocionais sob a perspectiva do próprio educador. Diversas pesquisas discutem a educação integral a partir de uma visão institucional ou de políticas públicas, porém há uma necessidade de investigações que levem em conta as experiências vividas pelos professores, suas percepções e os desafios enfrentados no dia a dia da escola.
Assim, a presente pesquisa se insere nesse domínio de investigação, com a intenção de enriquecer a compreensão acerca da docência em tempo integral, por meio da análise da vivência de uma professora no Ensino Fundamental II. Ao conectar os conceitos de educação integral, identidade do professor e relações afetivas, com base nas ideias de Freire, a pesquisa busca destacar a complexidade da atuação do professor nesse cenário e a importância das relações na criação de uma educação mais significativa, crítica e humanizada.
METODOLOGIA
Esta pesquisa é do tipo qualitativa. Ela tenta entender o que acontece na vida dos professores. O estudo olha como os professores formam suas identidades profissionais. Também observa as relações emocionais que acontecem na educação em tempo integral. Vamos falar sobre um estudo que mostra a experiência de uma professora que ensina no Ensino Fundamental II em uma escola pública onde os alunos ficam o dia todo. Isso ajuda a entender melhor o que está acontecendo.
A pesquisa acontece na escola de tempo integral. A amostra é feita com a experiência da pesquisadora. Ela é professora e atua com as turmas do Ensino Fundamental II. A escolha por esse método se explica pela habilidade de entender os lados pessoais da educação. Isso inclui as relações, sentimentos e o jeito como as identidades se formam. Esses aspectos dificilmente seriam percebidos em métodos que usam números.
A professora usou a observação participante e os registros que fez sobre suas experiências para coletar informações durante seu trabalho. A observação participativa ajudou a ver de perto como a professora interagia com os alunos. Isso tornou mais fácil notar momentos importantes. Esses momentos foram bons para criar amizades, ouvir os alunos, acolhê-los e entender os desafios da educação completa. Os registros reflexivos agora ajudam a organizar as experiências que as pessoas tiveram. Eles permitem que os professores analisem suas práticas de forma crítica. Assim, os professores podem perceber padrões e coisas que se repetem.
Os métodos usados foram para organizar e analisar as informações. O objetivo foi entender o que as pessoas pensam e sentem sobre suas experiências na escola no dia a dia. A análise dos dados aconteceu usando a análise de conteúdo, como indica Bardin (2011). Ela passou por três etapas: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados. Esse processo ajudou a organizar os dados em temas. Os temas são identidade dos professores, laços de amizade, relações entre as pessoas e os desafios de ser professor em tempo integral.
A pesquisa aconteceu seguindo as regras éticas. O anonimato dos alunos e da escola foi mantido. Também foi garantido que os dados seriam usados somente para estudos. Com isso, assegurou-se a proteção dos participantes e a certeza das informações dadas.
Assim, o método usado ajudou a investigar bem a prática de ensinar em tempo integral. Ele destacou os detalhes pessoais e as relações que fazem parte do trabalho dos professores. Também falou sobre os desafios e as chances que esse tipo de educação oferece.
RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A informação que surgiu da observação dos sujeitos e dos diários reflexivos foi organizada e analisada segundo a técnica de análise de conteúdo. Isso possibilitou a formação de grupos que destacam questões relevantes na implementação da escola de tempo integral no Ensino Fundamental II. A prática pedagógica nos ensina, nesse contexto, que existem relações que estabelecem vínculos e outras que transcendem a mera provocação educativa. Além da gestão, é importante ressaltar a importância de programas como o APOIE (Apoio à Organização, Permanência e Interação Escolar), que se revela um recurso essencial para a consolidação da escola pública. A ideia é acompanhar os alunos e incentivar a criação de um ambiente escolar mais acolhedor e inclusivo. Seu trabalho envolve a mediação de conflitos, a promoção da permanência dos estudantes na escola e o fortalecimento dos vínculos entre alunos, suas famílias e a equipe escolar. O APOIE também se compromete a implementar medidas preventivas que incentivem uma cultura de paz, o respeito às diferenças e o fortalecimento da juventude, resultando em uma elevação da qualidade do ensino e da aprendizagem, com a ajuda de profissionais como assistentes sociais e psicólogos.
4.1 Criação de vínculos e confiança
Os dados indicam que, quanto mais tempo os alunos ficam na escola, mais fortes se tornam os laços entre eles e a professora. A rotina do dia a dia favorece a formação de laços pautados na confiança, na escuta e no acolhimento, que são fundamentais para a educação. Então, com o tempo, eles começam a vê-la não só como a pessoa que ensina, mas também como uma adulta que é importante para eles.
A confiança mútua aparece em diferentes aspectos, como a proatividade em buscar conversas, a partilha de experiências pessoais e a abertura para receber conselhos. É em muitos momentos que esses alunos encontram na professora um espaço seguro para se abrir e serem recebidos, especialmente quando vêm de lares familiares vulneráveis. Nesse sentido, o APOIE atua para potencializar esse movimento, oferecendo apoio especializado de profissionais como psicólogos e assistentes sociais, o que amplia as chances de escuta qualificada e intervenção.
Esses achados estão alinhados com a perspectiva de Paulo Freire (1996), ao destacar a importância do diálogo e das relações humanas como elementos essenciais na prática educativa.
4.2 Vulnerabilidade social e o papel ampliado do professor
A pesquisa demonstrou que diversos alunos vivem em situações de vulnerabilidade social e emocional, ou seja, não têm vínculos familiares, falta de afeto, vivenciam violência psicológica e, em alguns casos, física. Nesse sentido, a escola de tempo integral se torna um ambiente de proteção e acolhimento, e seu papel se torna ainda mais importante.
Nessa perspectiva, a professora assume vários papéis, não apenas como docente, mas também como conselheira, mentora, e muitas vezes, como um suporte emocional para os estudantes. A atuação do APOIE, por sua vez, contribui para compartilhar essa responsabilidade, oferecendo serviços de atendimento, orientação e encaminhamento que ajudam a lidar com as vulnerabilidades identificadas.
É evidente que, na escola, os alunos depositam confiança na professora, buscando dela os limites, a orientação e o direcionamento que necessitam para suas trajetórias. Ao mesmo tempo, o APOIE funciona como suporte institucional, fortalecendo a rede de proteção e ampliando o atendimento integral aos estudantes.
Esse resultado realça as contribuições de Miguel Arroyo (2012), quando enfatiza que a escola precisa levar em conta as condições de vida dos alunos e ser proativa na promoção de práticas pedagógicas que considerem suas realidades.
4.3 Os desafios da docência em tempo integral
A docência em tempo integral enfrenta muitos desafios que precisam ser superados. Entre esses desafios, podemos citar a administração do tempo, a adaptação a diferentes contextos educacionais e a carga emocional e física que a profissão exige. Os educadores precisam equilibrar suas funções, estar por dentro das metodologias de ensino e das necessidades dos alunos, o que pode ser um processo intenso e desafiador.
Apesar das potencialidades detectadas serem impressionantes, a pesquisa também revela desafios significativos. A intensificação das ligações e das necessidades afetivas muitas vezes leva a professora a perceber um certo confinamento em relação às solicitações que os alunos fazem. A convivência prolongada expõe questões complexas que, muitas vezes, vão além da formação e da atuação do professor.
Nesse contexto, o papel do APOIE se torna fundamental enquanto uma estratégia de apoio institucional. Entretanto, é possível perceber que, frente às expectativas que os alunos depositam, a professora pode se sentir impotente ou incapaz, principalmente quando não consegue atender de maneira satisfatória às demandas emocionais e sociais que aparecem.
Embora o APOIE seja um recurso valioso para o acolhimento e o encaminhamento desses casos, ainda há desafios relacionados à colaboração entre os diferentes profissionais da escola, à disponibilidade de atendimento e às limitações estruturais do sistema educacional.
A dicotomia entre o desejo de receber e as limitações práticas da prática docente ilustra a intricada realidade do ensino em tempo integral, que demanda uma reflexão constante sobre a ação pedagógica e o trabalho colaborativo em rede.
4.4 O Ensino como uma Prática de Relação e Formação
A docência em tempo integral, conforme os dados analisados, é uma prática essencialmente relacional, pois é nas interações que se constroem as aprendizagens no cotidiano da escola. A construção de vínculos, a escuta ativa e a valorização das individualidades dos estudantes são elementos centrais nessa perspectiva.
Os dados indicam que, apesar dos desafios, a relação estabelecida entre a professora e os estudantes, aliada ao suporte do APOIE, é um fator significativo para o engajamento, a permanência e o avanço dos alunos. A escola é percebida como um ambiente que acolhe os estudantes, oferecendo suporte, orientação e a chance de elaborar novos projetos de vida.
Assim, os achados deste trabalho dialogam com a literatura ao evidenciar que a educação em tempo integral amplia a função do professor, exigindo um papel que integra ensino, cuidado e desenvolvimento humano. Ao mesmo tempo, ressaltam a necessidade de que se fortaleçam as políticas públicas e que programas como o APOIE sejam ampliados, de modo a garantir um suporte institucional que seja eficiente para professores e estudantes, promovendo uma educação mais inclusiva, integral e humanizada.
CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A prática docente na educação em tempo integral configura-se como uma teia complexa que entrelaça o pedagógico, o relacional e o formativo, intensamente forjada na permanente construção da identidade do professor, que se dá nas interações vividas cotidianamente na escola, como ressaltam António Nóvoa (1995) e Maurice Tardif (2014). Os achados desta pesquisa indicam que quanto mais tempo um aluno permanece na escola, mais laços e relações de confiança são construídos entre professores e alunos, o que impacta de maneira significativa o engajamento, a permanência e o desenvolvimento dos estudantes no Ensino Fundamental II. Isso também ecoa o pensamento de Paulo Freire (1996), que destaca o valor do diálogo e das relações humanas no contexto do ensino e da aprendizagem.
Os resultados indicam que, nesse contexto, a função dos professores ultrapassa a mera transmissão de conhecimentos, assumindo um papel mais abrangente na vida dos alunos, especialmente em casos de vulnerabilidade social e emocional. Nesses momentos, a professora assume uma função de referência adulta significativa, com funções de escuta, orientação e mediação de conflitos, conforme discutido por Miguel Arroyo (2012). Contudo, é evidente que essa ampliação do papel do professor também revela tensões e desafios, evidenciando limites que se relacionam tanto às condições da instituição quanto às possibilidades de atuação de cada professor diante das diversas demandas que surgem.
Nesse sentido, é importante destacar o APOIE como uma estratégia de apoio institucional que auxilia no atendimento das demandas socioemocionais e no fortalecimento da rede de proteção no contexto escolar. O seu trabalho possibilita, além do acolhimento especializado dos alunos, o apoio à prática dos professores, embora ainda haja desafios na ampliação e na articulação desse atendimento no cotidiano escolar.
Atingiram-se os objetivos propostos ao possibilitar entender de que forma a docência em tempo integral, a partir da experiência de uma professora, contribui para a constituição da identidade do professor e para o estabelecimento de laços afetivos significativos. É evidente que esses laços constituem elementos essenciais na educação, sublinhando a necessidade de práticas pedagógicas que levem em conta a realidade dos alunos e se comprometam com sua formação integral.
Como contribuição, este estudo amplia a compreensão do ensino em tempo integral ao destacar sua complexidade e a relevância das interações humanas na prática pedagógica, alinhando-se a perspectivas contemporâneas sobre a educação integral. Por fim, uma limitação que se destaca é o uso de um único estudo de caso, sugerindo a necessidade de investigações futuras que levem em conta diferentes contextos, realidades e indivíduos no ambiente escolar. Por fim, é crucial ressaltar a importância de aprimorar as políticas públicas e as ações institucionais — como o APOIE — que garantam um suporte sólido e eficaz aos educadores, permitindo que eles ajam de forma mais sustentável, integrada e humanizada diante das exigências da educação em tempo integral.
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Discente de Doutorado pela Cristian Business School. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6422-3030. Mestra em Ciências das Religiões pela Faculdade Unida de Vitória (FUV/ES). E-mail: roselene.souza@educador.edu.es.gov.br.
Titulação: Ph.D.Doutora em Ciências da Educação, professora orientadora da Christian Business School-CBS, Orcid:https://orcid.org/0009-0000-6863-7874 E-mail: rozineide.pereira1975@gmail.com ↑

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