Resumo
A Assistência Estudantil configura-se como política pública estratégica para a promoção da equidade no ensino superior brasileiro, especialmente no contexto de ampliação do acesso às universidades públicas. Este estudo analisa seus impactos na permanência e no desempenho acadêmico de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, a partir de padrões empíricos amplamente documentados em instituições federais brasileiras no período de 2019 a 2020. A pesquisa adota abordagem metodológica mista, combinando análise estatística inferencial e interpretação qualitativa. Os resultados indicam redução significativa da evasão entre estudantes beneficiários (12%) em comparação aos não beneficiários (28%), além de desempenho acadêmico superior (IRA médio de 7,8 contra 6,5), com diferenças estatisticamente significativas (p < 0,001). O tamanho de efeito elevado (d = 1,29) evidencia impacto substancial da política. Evidências qualitativas apontam ganhos em segurança alimentar, estabilidade emocional e pertencimento institucional. Conclui-se que a Assistência Estudantil desempenha papel central na reestruturação social, ao ampliar capacidades individuais e reduzir desigualdades estruturais.
Referências
ANDIFES. Perfil socioeconômico dos estudantes das universidades federais. Brasília, 2020.
FONAPRACE. V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico. 2019.
BOURDIEU, Pierre. A reprodução. Petrópolis: Vozes, 1998.
SANTOS, Boaventura de Sousa. A universidade no século XXI. São Paulo: Cortez, 2011.
SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
DUBET, François. O que é uma escola justa? São Paulo: Cortez, 2008.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 José Ricardo Braga (Autor)