Registros analisados por título e resumo
(n = 758)
Registros excluídos
(n = 612)
ELEGIBILIDADE
Artigos avaliados na íntegra
(n = 146)
Artigos excluídos (n = 126):
- Não abordavam motivações/sinais
- Fora do recorte temporal
- Inadequação metodológica
INCLUSÃO
Estudos incluídos na revisão integrativa
(n = 20)
Foram estabelecidos critérios de inclusão e exclusão para a seleção dos estudos. Incluíram-se artigos originais, revisões e estudos observacionais publicados nos últimos anos, que apresentassem dados relevantes para a temática proposta. Foram excluídos estudos duplicados, artigos que não abordavam diretamente o tema, publicações incompletas, dissertações, teses e documentos que não passaram por revisão por pares. O processo de seleção ocorreu em etapas, envolvendo a leitura dos títulos, resumos e, posteriormente, dos textos completos, garantindo maior rigor metodológico.
A extração dos dados foi realizada por meio de um instrumento previamente elaborado (APÊNDICE), contendo informações como autores, ano de publicação, objetivo do estudo, método, principais resultados e conclusões. Essa etapa permitiu a organização sistemática das informações, facilitando a comparação entre os estudos e a identificação de convergências e divergências nos achados.
Os dados obtidos foram analisados de forma descritiva e interpretativa. Inicialmente, realizou-se a organização das informações em quadros e tabelas, possibilitando a visualização dos principais aspectos dos estudos incluídos. Posteriormente, procedeu-se à análise qualitativa, com a construção de categorias temáticas relacionadas às motivações e aos sinais de tentativa de suicídio. Essa estratégia permitiu integrar os resultados encontrados com a literatura científica, evidenciando padrões e lacunas no conhecimento sobre o tema.
No que se refere aos aspectos éticos, por se tratar de uma revisão integrativa da literatura, o estudo não envolveu diretamente seres humanos, não sendo necessária a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. No entanto, foram respeitados os princípios éticos relacionados à integridade científica, garantindo a adequada citação das fontes utilizadas, a fidedignidade das informações apresentadas e o respeito aos direitos autorais, conforme as normas vigentes.
3 RESULTADOS
A busca nas bases de dados resultou na identificação inicial de 1.026 estudos potencialmente relevantes, sendo 432 provenientes da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), 276 da SciELO e 318 da PubMed. Esses resultados refletem a ampla produção científica sobre o tema, especialmente no campo da saúde mental, evidenciando o crescente interesse acadêmico acerca das motivações e sinais relacionados às tentativas de suicídio no contexto brasileiro.
Na etapa seguinte, realizou-se a identificação e remoção de registros duplicados, totalizando 268 estudos excluídos por repetição entre as bases de dados. Após esse processo, permaneceram 758 artigos únicos, os quais foram submetidos à fase de triagem inicial. Essa etapa foi fundamental para garantir a organização e a confiabilidade dos dados analisados, evitando a superestimação dos achados.
A triagem dos estudos ocorreu por meio da leitura criteriosa dos títulos e resumos, com base nos critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. Nessa fase, 612 estudos foram excluídos, principalmente por não abordarem diretamente as motivações ou os sinais de tentativa de suicídio, por tratarem de contextos internacionais sem foco no Brasil ou por apresentarem delineamentos que não contribuíam para os objetivos da pesquisa. Assim, 146 artigos foram considerados potencialmente elegíveis e selecionados para leitura na íntegra.
Durante a leitura completa dos artigos, foi possível realizar uma avaliação mais aprofundada da qualidade metodológica e da relevância dos estudos. Nessa etapa, 126 artigos foram excluídos por diferentes motivos, como ausência de dados específicos sobre motivações e sinais, inconsistência nos resultados apresentados, inadequação ao recorte temporal definido (2020–2026) ou por não atenderem aos critérios de rigor científico estabelecidos para esta revisão integrativa.
Ao final do processo de seleção, 20 estudos foram incluídos na revisão integrativa, compondo a amostra final analisada. Esses estudos apresentaram diversidade metodológica e abrangência temática, permitindo uma análise consistente das principais motivações e sinais associados às tentativas de suicídio no Brasil, conforme descrito na literatura científica recente.
Quadro 1 – Síntese dos estudos sobre motivações e sinais de tentativa de suicídio no Brasil (2020–2026).
Autor/Ano | Objetivo | Motivações identificadas | Principais sinais |
|---|---|---|---|
Alves (2020) | Analisar fatores de risco em adolescentes | Conflitos familiares, bullying, baixa autoestima | Isolamento, tristeza persistente, irritabilidade |
Andrade et al. (2020) | Investigar comportamento suicida na população | Transtornos mentais, uso de álcool/drogas | Ideação suicida, desesperança |
Botega (2020) | Discutir epidemiologia do suicídio | Depressão, perdas afetivas, crises existenciais | Fala sobre morte, retraimento social |
Brasil (2021) | Apresentar dados epidemiológicos | Vulnerabilidade social, desigualdade econômica | Aumento de tentativas, hospitalizações |
Brasil (2022) | Analisar saúde mental e prevenção | Falta de acesso à saúde mental, estigma | Procura tardia por ajuda, sofrimento psíquico |
Damiano et al. (2024) | Identificar comportamentos suicidas ocultos | Impulsividade, transtornos psiquiátricos | Comportamentos de risco, autolesão |
Dantas et al. (2022) | Revisar fatores de risco | Depressão, ansiedade, histórico familiar | Alterações de humor, ideação |
Ferreira et al. (2021) | Analisar tentativas de suicídio | Problemas conjugais, desemprego | Intoxicação, automutilação |
Freitas et al. (2021) | Avaliar ideação em adolescentes | Pressão social, redes sociais, bullying | Ansiedade, isolamento |
Jardim; Aldrighi (2026) | Avaliar risco em profissionais de saúde | Estresse ocupacional, burnout | Exaustão emocional, desesperança |
Machado; Santos (2020) | Discutir determinantes sociais | Desigualdade, exclusão social | Baixa procura por apoio |
Mendes et al. (2020) | Discutir revisão integrativa | (Não aplicável diretamente) | (Não aplicável) |
OMS (2021) | Apresentar panorama global | Transtornos mentais, crises socioeconômicas | Ideação suicida, comportamentos autolesivos |
Paes-Sousa; Santos (2020) | Analisar determinantes sociais | Pobreza, desigualdade, violência | Sofrimento psíquico, vulnerabilidade |
Penso; Sena (2020) | Compreender suicídio em jovens | Desesperança, falta de perspectiva | Desânimo, pensamentos de morte |
Santos et al. (2021) | Identificar fatores em adultos | Depressão, uso de substâncias | Tentativas prévias, isolamento |
Silva et al. (2021) | Revisar sinais de alerta | Sofrimento emocional intenso | Mudança de comportamento, verbalização |
Souza et al. (2020) | Analisar violência autoprovocada | Violência, abuso, trauma | Automutilação, comportamento agressivo |
Teixeira et al. (2021) | Relacionar transtornos mentais | Depressão, transtorno bipolar | Oscilação de humor, ideação |
Brasil (2026) | Propor políticas de prevenção | Vulnerabilidade juvenil, exposição digital | Automutilação, comportamento de risco |
Além disso, observou-se que os estudos incluídos abordaram diferentes populações, como adolescentes, adultos e grupos específicos, incluindo profissionais de saúde, o que contribuiu para uma compreensão mais ampla e multifacetada do fenômeno. Essa diversidade permitiu identificar padrões recorrentes, bem como particularidades relacionadas a diferentes contextos sociais e demográficos.
De modo geral, o processo de seleção dos estudos seguiu rigorosamente as etapas recomendadas pelo checklist PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), assegurando transparência, rastreabilidade e rigor metodológico. A adoção desse protocolo fortalece a confiabilidade dos achados e contribui para a reprodutibilidade da pesquisa.
A análise dos 20 estudos incluídos nesta revisão integrativa permitiu identificar que as motivações associadas às tentativas de suicídio no Brasil são multifatoriais, envolvendo dimensões psicológicas, sociais e econômicas. Entre os fatores mais recorrentes, destacam-se os transtornos mentais, especialmente a depressão e a ansiedade, apontados como elementos centrais em grande parte dos estudos analisados (Andrade et al., 2020; Teixeira et al., 2021). Esses achados corroboram a literatura que reconhece o sofrimento psíquico como um dos principais determinantes do comportamento suicida.
Além disso, observou-se que fatores sociais como desigualdade econômica, desemprego e vulnerabilidade social exercem papel significativo no desencadeamento de tentativas de suicídio (Machado; Santos, 2020; Paes-Sousa; Santos, 2020). Em contextos de maior fragilidade socioeconômica, o acesso limitado a serviços de saúde mental e o acúmulo de estressores cotidianos contribuem para o agravamento do sofrimento emocional, aumentando o risco de comportamento suicida.
Outro aspecto relevante refere-se às relações interpessoais, especialmente conflitos familiares, violência doméstica e isolamento social, frequentemente descritos como gatilhos importantes (Alves, 2020; Souza et al., 2020). Entre adolescentes, por exemplo, fatores como bullying, pressão social e influência das redes sociais mostraram-se fortemente associados à ideação e tentativa de suicídio (Freitas et al., 2021; Penso; Sena, 2020). Esses elementos evidenciam a importância do contexto relacional na construção do sofrimento psíquico.
No que se refere aos sinais de alerta, os estudos analisados apontam padrões consistentes, como mudanças abruptas de comportamento, isolamento social, verbalizações relacionadas à morte, desesperança e histórico prévio de tentativas (Silva et al., 2021; Santos et al., 2021). A presença desses sinais, especialmente quando combinados, indica maior risco e reforça a necessidade de identificação precoce por familiares, profissionais de saúde e redes de apoio.
Destaca-se ainda a influência de fatores ocupacionais, especialmente entre profissionais da saúde, nos quais o estresse crônico, a sobrecarga de trabalho e o burnout aparecem como importantes motivadores (Jardim; Aldrighi, 2026). Esse dado evidencia que o risco de tentativa de suicídio não se restringe a populações vulneráveis tradicionais, mas também atinge grupos inseridos em contextos de alta exigência emocional e profissional.
Adicionalmente, alguns estudos ressaltam o impacto do uso de substâncias psicoativas, como álcool e drogas, como fator associado tanto às motivações quanto ao agravamento dos comportamentos de risco (Andrade et al., 2020; Dantas et al., 2022). O consumo dessas substâncias pode intensificar quadros de impulsividade e reduzir a capacidade de enfrentamento diante de situações adversas.
De forma geral, os achados evidenciam que as motivações e os sinais de tentativa de suicídio estão profundamente interligados, sendo influenciados por um conjunto complexo de fatores individuais e contextuais. A recorrência de determinados padrões entre os estudos analisados reforça a necessidade de abordagens integradas e intersetoriais no enfrentamento do problema, considerando não apenas os aspectos clínicos, mas também sociais e culturais.
5 CONCLUSÃO
A presente revisão integrativa permitiu compreender que as tentativas de suicídio no Brasil são resultado de uma interação complexa entre fatores psicológicos, sociais e comportamentais. As principais motivações identificadas incluem transtornos mentais, vulnerabilidade socioeconômica, conflitos interpessoais e uso de substâncias psicoativas, enquanto os sinais de alerta mais frequentes envolvem alterações comportamentais, isolamento, desesperança e verbalizações relacionadas à morte.
Os resultados evidenciam a importância da identificação precoce dos sinais de risco, bem como da implementação de estratégias de prevenção que considerem as especificidades dos diferentes grupos populacionais. Nesse sentido, destaca-se a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde mental, ampliação do acesso aos serviços de cuidado e capacitação de profissionais para o reconhecimento e manejo adequado dessas situações.
Além disso, ressalta-se a relevância da atuação de redes de apoio, incluindo família, comunidade e instituições de saúde, na promoção do acolhimento e suporte aos indivíduos em sofrimento psíquico. A integração entre diferentes setores e saberes mostra-se fundamental para o desenvolvimento de intervenções mais eficazes e humanizadas.
Por fim, a revisão também evidenciou lacunas na produção científica, especialmente no que se refere a estudos que explorem contextos regionais e culturais específicos. Dessa forma, recomenda-se a realização de novas pesquisas que aprofundem a compreensão do fenômeno, contribuindo para o aprimoramento das estratégias de prevenção e cuidado no cenário brasileiro.
REFERÊNCIAS
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