Análise da eficiência energética de turbinas eólicas de pequeno porte em edificações no litoral de Ilhéus-BA.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Palavras-chave

Energia Eólica
Microgeração Distribuída
Aeroporto Jorge Amado
Turbinas de Eixo Vertical
Engenharia Civil
Sustentabilidade
Ilhéus – BA

Como Citar

Sobral, M. A. S. ., Krause, M. O. ., Marinho, F. J. E. ., & Lins, I. de O. . (2026). Análise da eficiência energética de turbinas eólicas de pequeno porte em edificações no litoral de Ilhéus-BA. Revista Ft, 30(157). https://doi.org/10.69849/thgpdh23

Resumo

O presente trabalho analisa a viabilidade técnica e o potencial de geração de energia eólica por meio de turbinas de pequeno porte instaladas em edificações no litoral de Ilhéus, Bahia. A pesquisa fundamenta-se na crescente necessidade de diversificação da matriz energética brasileira e no aproveitamento de recursos renováveis em ambientes urbanos, contexto intensificado pela Resolução Normativa ANEEL nº 482/2012 e suas atualizações, que regulamentam a microgeração distribuída no país. Para fundamentar o estudo, foram utilizados dados meteorológicos históricos coletados na estação sinótica do Aeroporto Jorge Amado (SBIL – ICAO), série histórica de 2010 a 2024, que serve como referência conservadora para o perfil de ventos da região litorânea do município. A metodologia combinou pesquisa bibliográfica exploratória com análise quantitativa da velocidade e direção do vento, processamento estatístico mediante Distribuição de Weibull e simulação do rendimento energético a partir de curvas de potência de turbinas comerciais de eixo vertical (VAWT). Os resultados indicam que a velocidade média anual em Ilhéus (≈ 3,1 m/s a 10 m de altura) está próxima ao limite inferior de operação da maioria dos equipamentos comerciais; entretanto, a correção logarítmica de perfil vertical demonstra que, em edificações de 10 a 15 pavimentos (30–45 m), a velocidade estimada atinge 4,0–4,6 m/s, viabilizando geração complementar expressiva. A constância dos ventos de quadrante Nordeste e Leste, oriundos dos Alísios do Atlântico Sul, favorece a aplicação de turbinas omnidirecionais. Conclui-se que a viabilidade técnica existe, condicionada à altura de instalação ≥ 20 m, à escolha de turbinas com velocidade de partida ≤ 2,5 m/s e a projetos estruturais que contemplem amortecimento de vibrações e proteção anticorrosiva marinha. Recomenda-se como estudo sequencial a avaliação da viabilidade econômica e a integração híbrida eólica-fotovoltaica para otimização das coberturas das edificações costeiras.

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