A influência da microbiota intestinal e o papel da dieta e dos probióticos na fisiopatologia da dermatite atópica.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Palavras-chave

Dermatite atópica
Microbiota intestinal
Probióticos

Como Citar

Souza, C. B. N. de ., Sousa, G. G. M. de ., Lago, L. S. ., & Freire, A. S. A. . (2026). A influência da microbiota intestinal e o papel da dieta e dos probióticos na fisiopatologia da dermatite atópica. Revista Ft, 30(157), 01-11. https://doi.org/10.69849/gqwd9650

Resumo

Introdução. A fisiopatologia da dermatite atópica envolve fatores intrínsecos e extrínsecos, sendo estes últimos fortemente influenciados pelo estilo de vida, como os hábitos alimentares. Apesar de ainda não estar completamente elucidado como o desequilíbrio do epitélio intestinal contribui para manifestações cutâneas, há evidências de que dietas ricas em produtos ultraprocessados podem desencadear ou agravar a dermatite atópica. Isso ocorreria por meio da produção de leucotrienos e outras substâncias tóxicas durante o metabolismo, favorecendo reações de hipersensibilidade. Nesse contexto, o uso de probióticos mostra-se promissor, pois auxilia na regulação da microbiota intestinal e da resposta imune, contribuindo para a melhora dos sintomas da doença. Objetivos. O objetivo geral deste estudo é investigar a relação entre o desequilíbrio intestinal, o uso de probióticos e a fisiopatologia da dermatite atópica, analisando seus fatores ambientais e imunológicos, com a finalidade de compreender melhor a doença e seu tratamento. Especificamente, busca-se analisar evidências de estudos que correlacionam a disbiose intestinal com o agravamento ou surgimento da dermatite atópica, bem como identificar os possíveis benefícios terapêuticos do uso de probióticos em pacientes acometidos por essa condição. Metodologia: Esta pesquisa, de abordagem descritiva e qualitativa, foi realizada por meio de uma revisão integrativa da literatura. Foram consultadas publicações em português e inglês nas bases Google Acadêmico e SciELO, utilizando os descritores: dermatite atópica, disbiose intestinal, probióticos e microbiota intestinal. A seleção dos artigos seguiu critérios pré-estabelecidos, incluindo apenas estudos originais, de acesso gratuito e integral, relacionados diretamente ao tema.  Resultados e discussão. A análise dos fatores envolvidos na fisiopatologia da dermatite atópica revela um panorama multifacetado, no qual a interação entre predisposição genética e fatores ambientais desempenha um papel central. A associação entre mutações no gene FLG e a deficiência na função de barreira cutânea oferece uma explicação plausível para a suscetibilidade aumentada a irritantes e alérgenos. No entanto, tal predisposição não é isolada: a crescente prevalência da DA aponta para a influência significativa do ambiente moderno, especialmente no que tange à alimentação, ao estilo de vida e à exposição a agentes poluentes. Conclusão. Ao longo do presente trabalho, foi possível observar que, embora fatores genéticos — como as mutações no gene FLG — tenham função significativa na fisiopatologia da DA, os elementos ambientais e dietéticos também desempenham um papel fundamental na manifestação e agravamento da doença. A crescente prevalência da dermatite atópica nas últimas décadas reforça a importância de investigar os determinantes extrínsecos, como o estilo de vida moderno, a alimentação inadequada, o estresse e a exposição a agentes irritantes. Nesse contexto, destaca-se a microbiota intestinal como um componente-chave na manutenção da integridade imunológica e da barreira cutânea, sendo a disbiose intestinal, então, um fator relevante para o aparecimento da DA. A adoção de hábitos alimentares saudáveis, com ênfase em alimentos de origem vegetal e ricos em compostos anti-inflamatórios, além da utilização de probióticos, surgem como uma estratégia promissora na modulação da resposta imune e prevenção de crises.

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