Tabela 1 - Resumo da análise de variância (ANOVA) e comparação de médias da variável incidência em função da localização da inoculação de Macrophomina phaseolina no colmo do milho.
Fonte de variação | GL | SQ | QM | Fc | Pr > Fc |
|---|---|---|---|---|---|
Tratamentos | 6 | 39,5992 | 7,9198 | 7,075 | 0,0008 |
Erro | 18 | 20,1485 | 1,1194 | ||
Total corrigido | 23 | 59,7476 | |||
CV (%) | 22,53 |
Fonte: Dados da pesquisa (2025).
A comparação de médias revelou diferença significativa entre os tratamentos para a severidade da doença em função do local de inoculação no colmo, sendo formado três grupos distintos (Tabela 2). O menor valor foi observado na testemunha inoculada no 3º entrenó (2,41), formando grupo isolado. Valores intermediários foram registrados para os tratamentos relacionados ao 3º, 5º e 7º entrenós na condição testemunha, que não diferiram entre si. As maiores médias foram observadas nos tratamentos com inoculação no 5º e 7º entrenós (6,33 e 6,00, respectivamente), observando-se maior severidade associado à inoculação nesses pontos do colmo, indicando que essas regiões do colmo são mais suscetíveis à colonização do patógeno.
Tabela 2 Valores médios da severidade em função do local de inoculação do colmo.
Tratamento | Local de inoculação no colmo | Média da nota de incidência | Grupo |
|---|---|---|---|
T2 | Testemunha 3º entrenó | 2,41 | a1 |
T4 | Testemunha 5º entrenó | 4,17 | a2 |
T1 | 3° entrenó com fungo | 4,50 | a2 |
T6 | Testemunha 7° entrenó | 4,75 | a2 |
T5 | 7º entrenó com fungo | 6,00 | a3 |
T3 | 5º entrenó com fungo | 6,33 | a3 |
Fonte: Dados da pesquisa (2025).
A maior intensidade de sintomas em regiões do colmo próximas à espiga, como no quinto e sétimos entrenós, pode estar relacionada à dinâmica fisiológica da planta durante o período reprodutivo. Durante o enchimento de grãos ocorre intensa mobilização de fotoassimilados para a espiga, que funciona como principal dreno metabólico da planta. Essa redistribuição de recursos pode favorecer a colonização por patógenos necrotróficos que exploram tecidos enfraquecidos ou metabolicamente ativos (REN et al., 2022).
Além disso, regiões intermediárias tendem a apresentar maior acúmulo de reservas e tecidos parenquimáticos, como também menor lignificação relativa, o que favorece a instalação, colonização e progressão de fungos necrotróficos como M. phaseolina (MÁRQUEZ et al., 2021). Esse efeito é potencializado por condições ambientais de estresse hídrico e altas temperaturas, comuns no período de safrinha no estado do Tocantins, que contribuem para o enfraquecimento das plantas e aumentam sua suscetibilidade à infecção (MADHU et al.,2021).
Assim, fatores relacionados à fisiologia e nutrição da planta podem influenciar a resistência estrutural do colmo. Deficiências nutricionais, especialmente de nutrientes relacionados à formação da parede celular, podem reduzir a lignificação dos tecidos e aumentar a suscetibilidade a patógenos que causam podridões do colmo (COELHO et al., 2022). Nesse contexto, a interação entre nutrição vegetal, condições ambientais e presença do patógeno desempenha papel determinante na expressão da doença.
O método de inoculação utilizado neste trabalho, baseado na introdução de palitos de madeira colonizados pelo patógeno, mostrou-se eficiente para promover a infecção e permitir a avaliação da severidade da doença em diferentes posições do colmo. Estudos recentes indicam que métodos padronizados de inoculação são fundamentais para garantir maior reprodutibilidade experimental e permitir comparações confiáveis entre diferentes genótipos ou tratamentos (BIZARI et al., 2024).
A presença de microescleródios nas amostras analisadas constitui uma evidência importante da colonização por M. phaseolina. Essas estruturas são características do patógeno e garantem sua sobrevivência no solo por longos períodos, mesmo na ausência de hospedeiros suscetíveis. Elas funcionam como estruturas de resistência que permitem ao fungo tolerar condições ambientais adversas e reiniciar o processo de infecção quando as condições se tornam favoráveis. Dessa forma, sua ocorrência indica o potencial do patógeno para permanecer ativo no ambiente e causar novas infecções em ciclos subsequentes da cultura (MADHU et al., 2021).
Além das alterações estruturais observadas, identificou-se coloração acinzentada nos tecidos infectados, característica associada à produção de melanina por fungos fitopatogênicos. A melanização desempenha papel relevante na sobrevivência e na virulência do patógeno, pois confere maior proteção contra condições ambientais adversas, como altas temperaturas, radiação solar intensa e períodos de baixa umidade. Esse processo está diretamente ligado à persistência ambiental e à capacidade infectiva do patógeno (JIA et al., 2025; SUTHAR; DUFOSSÉ; SINGH, 2023).
A Figura 1 ilustra a distribuição das médias de severidade da doença entre os tratamentos, evidenciando visualmente a superioridade dos tratamentos pertencentes ao grupo a3 em relação aos demais, reforçando os resultados estatísticos da Tabela 1 e demonstra a influência da localização da inoculação sobre a doença.
Figura 1 Severidade média da podridão do carvão (M_DIA) em plantas de milho submetidas à inoculação de Macrophomina phaseolina em diferentes posições do colmo
Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Nesse contexto, o padrão de distribuição da doença observado neste estudo evidencia a importância da padronização dos métodos de inoculação em experimentos de patogenicidade. A escolha adequada do local de inoculação permite identificar os pontos mais favoráveis ao desenvolvimento do patógeno e melhora a precisão das avaliações de severidade, especialmente em estudos que envolvem a caracterização da resistência genética de diferentes genótipos, uma vez que a identificação de materiais resistentes constitui uma estratégia fundamental para o manejo da podridão de colmo em milho (ODER et al., 2025).
De modo geral, os resultados obtidos indicam que M. phaseolina apresenta elevado potencial de dano em condições ambientais semelhantes às observadas na safrinha do Tocantins. A manifestação da doença foi influenciada tanto pelas condições ambientais quanto pelo método de inoculação utilizado, o que evidencia a importância da padronização metodológica em estudos fitopatológicos. Somado a isso, estudos recentes relatam que condições de estresse ambiental, como altas temperaturas e déficit hídrico, favorecem o desenvolvimento da doença e intensificam os danos causados pelo patógeno (REDDY et al., 2025).
Portanto, os resultados obtidos permitem identificar os entrenós que proporcionam maior severidade da doença, fornecendo subsídios importantes para a padronização de metodologias de inoculação em estudos de patogenicidade e resistência genética em milho. Dessa forma, o presente trabalho contribui para o avanço do conhecimento sobre a podridão de carvão do colmo causada por M. phaseolina, auxiliando no desenvolvimento de estratégias mais eficientes de avaliação de resistência e manejo da doença, incluindo abordagens baseadas em controle biológico e manejo integrado (WAHEED et al., 2024).
5 CONCLUSÃO
Esta pesquisa permitiu demonstrar que a localização da inoculação de M. phaseolina no colmo de plantas de milho influencia a severidade da podridão do carvão. Assim, a hipótese de que diferentes entrenós apresentam comportamentos distintos quanto ao desenvolvimento da doença foi confirmada, evidenciando a importância da escolha adequada do ponto de inoculação em experimentos fitopatológicos.
Com os resultados, a inoculação realizada em entrenós intermediários do colmo foi mais eficiente para a reprodução de sintomas severos da doença, enquanto outras posições apresentaram menor intensidade de infecção. Esses achados sugerem que características anatômicas e fisiológicas do colmo do milho interferem na colonização e progressão da doença.
O método de inoculação por palito mostrou-se eficiente, reforçando sua aplicabilidade em estudos experimentais com M. phaseolina. A padronização da localização de inoculação, contribui para reduzir variações experimentais e evitar a subestimação da severidade da doença, fator essencial para avaliações confiáveis de resistência genética em milho.
Os resultados obtidos são relevantes para condições típicas do período de safrinha, caracterizadas por altas temperaturas e estresse hídrico, que favorecem a ocorrência da podridão do carvão. Nesse contexto, a adoção de metodologias experimentais adequadas torna-se fundamental para o avanço de pesquisas voltadas ao manejo da doença e ao desenvolvimento de cultivares mais resistentes.
Conclui-se que a definição da localização ideal para a inoculação de Macrophomina phaseolina no colmo do milho representa uma contribuição relevante para a área da Fitopatologia, favorecendo a padronização de ensaios experimentais e para o desenvolvimento de estratégias futuras de manejo e controle da podridão do carvão na cultura do milho.
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