ABSTRACT
The aim of this study is to understand the perspectives and challenges associated with the bilingual method of teaching and learning English in the public school system, based on practical experiences with first-grade elementary school students. This research emphasizes the introduction of basic vocabulary through engaging and interactive activities. Using a qualitative research design with a descriptive focus, the study is grounded in a literature review and a case study approach. The theoretical framework was developed through the analysis of scientific articles, official documents, and academic works related to bilingual education, early childhood learning, and public policies governing language teaching. The findings indicate that bilingual education can be viable and effective, even in contexts with limited resources, when implemented with careful planning, sensitivity, and age-appropriate pedagogical practices. Students demonstrated enthusiasm, engagement, and rapid comprehension of the basic vocabulary presented. It is essential to emphasize the need for investment in teacher development and institutional support to ensure that foreign language teaching can be democratized and strengthened from the earliest stages of education.
Keywords: Bilingual Education; English Language Teaching; Public Schools; Qualitative Research; Case Study; Early Years.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O ensino de inglês nas escolas públicas brasileiras ocupou uma posição subordinada dentro do currículo, frequentemente restrito a vocabulário básico e traduções (ANDRADE, 2015). No entanto, com o avanço das políticas de internacionalização e a instituição da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), novas diretrizes para a educação bilíngue foram introduzidas no nível fundamental da educação (BRASIL, 2018).
Segundo García (2009), a educação bilíngue abrange muito mais do que a mera instrução em duas línguas; representa uma estrutura pedagógica que exige um planejamento curricular cuidadoso, metodologias adequadas, formação especializada de professores e consciência das nuances culturais. O autor introduz ainda o conceito de translinguagem, enfatizando a importância de permitir que os alunos utilizem toda a sua gama de habilidades linguísticas para construir conhecimento, valorizando, assim, tanto sua língua nativa quanto a segunda língua que estão adquirindo.
Na implementação prática, a educação bilíngue nas escolas públicas continua a enfrentar obstáculos significativos. Um número considerável de educadores carece de formação especializada para abordar eficazmente o bilinguismo, e há uma oferta insuficiente de materiais adequados, o que obstrui uma aprendizagem substancial (Moita; Lopes, 2006). As limitações inerentes ao sistema escolar público devem ser levadas em consideração na formulação de políticas educacionais que visem promover o inglês como língua adicional de forma justa e crítica.
Nas últimas décadas, a adoção da educação bilíngue nas escolas públicas brasileiras aumentou significativamente, em um esforço para democratizar o acesso ao inglês desde a infância. No entanto, essa iniciativa esbarra em diversos obstáculos práticos, incluindo a formação inadequada de professores, a falta de recursos e a desigualdade sistêmica (Moita; Lopes, 2006). Para ser eficaz, a educação bilíngue deve transcender a mera tradução literal do currículo para uma língua alternativa, necessitando de metodologias integradas e atentas às realidades enfrentadas pelos alunos.
Consonante a essa perspectiva, o presente estudo foi realizado na Escola de Ensino Fundamental da rede pública, localizada em Arapiraca-AL, envolvendo uma turma de 21 alunos do primeiro ano, com idades entre 6 e 7 anos, no período vespertino. Essa turma em particular foi selecionada por representar a fase inicial da educação, na qual a aquisição de uma segunda língua é facilitada pela plasticidade cerebral e pela capacidade de assimilar informações por meio de contextos envolventes e visuais, conforme observado por Lightbown e Spada (2013). A escolha de conduzir a pesquisa em uma escola pública está ligada à trajetória pessoal da pesquisadora e ressalta a importância de compreender os desafios associados à educação bilíngue nesse contexto, conforme previsto na LDB (Lei nº 9.394/1996), que garante o acesso equitativo à educação de qualidade.
Devido à sua simplicidade e capacidade de conexão visual, o tema "cores" foi escolhido na introdução do vocabulário inglês. Tal escolha visou auxiliar os alunos sem experiência prévia de estudo com o idioma na assimilação desse vocabulário. Esta pesquisa foi conduzida ao longo de três sessões, incorporando atividades envolventes e interativas, incluindo o uso de flashcards, jogos, massinha de modelar e a "caixa misteriosa", com ênfase na repetição e na relação entre palavras e cores. A metodologia empregada foi qualitativa e reflexiva, destacando a importância do envolvimento ativo do pesquisador tanto no ambiente quanto nos resultados.
A justificativa para este estudo surge da necessidade de compreender a implementação efetiva do método bilíngue no contexto escolar público, levando em consideração as realidades sociais predominantes e os recursos disponíveis. Conforme observado por García (2009), o bilinguismo na educação pública em toda a América Latina requer um exame cuidadoso, particularmente em ambientes que historicamente enfrentaram problemas relacionados à infraestrutura, inclusão e reconhecimento cultural. Portanto, esta pesquisa aspira a aprimorar o desenvolvimento de estratégias mais coerentes e sustentáveis para práticas bilíngues na educação pública.
Apesar dos avanços nas políticas públicas voltadas à educação bilíngue no Brasil, ainda persistem desafios relacionados à aquisição efetiva da língua inglesa nas escolas públicas, especialmente nos anos iniciais da educação básica. Diante desse cenário, o presente estudo busca compreender de que maneira o ensino e a aprendizagem de inglês têm se desenvolvido em escolas públicas que adotam a abordagem bilíngue, particularmente na educação infantil, bem como identificar os desafios enfrentados e os caminhos pedagógicos construídos ao longo desse processo.
O objetivo geral deste artigo é compreender os obstáculos e os caminhos relacionados ao ensino e à aprendizagem da língua inglesa no contexto da abordagem bilíngue em uma escola pública, com ênfase nas práticas pedagógicas, nas interações em sala de aula e nos fatores contextuais que influenciam o processo educacional.
Após a definição do objetivo geral, o estudo propõe objetivos específicos que orientam a análise desenvolvida ao longo da pesquisa. Inicialmente, busca-se analisar as estratégias pedagógicas empregadas no ensino da língua inglesa sob a abordagem bilíngue no primeiro ano do Ensino Fundamental, com especial atenção às metodologias utilizadas em sala de aula e à adequação dessas práticas à faixa etária dos alunos.
Em continuidade, pretende-se identificar o nível de engajamento e participação dos alunos durante a realização de atividades lúdicas voltadas ao ensino do vocabulário relacionado às cores em língua inglesa, considerando aspectos como interesse, envolvimento, interação e resposta às propostas pedagógicas apresentadas.
Outro objetivo específico consiste em observar as interações estabelecidas no ambiente da sala de aula, tanto entre alunos quanto entre alunos e professora, analisando de que forma essas interações contribuem para o processo de ensino- aprendizagem da língua inglesa no contexto da educação bilíngue.
Por fim, o estudo busca refletir sobre as principais dificuldades enfrentadas na implementação da educação bilíngue na rede pública de ensino, levando em conta fatores estruturais, pedagógicos e relacionados à formação docente, a fim de compreender os limites e as possibilidades dessa abordagem no contexto investigado.
- METODOLOGIA
A pesquisa insere-se no campo da Linguística Aplicada, por tratar da investigação do ensino-aprendizagem da língua inglesa em contexto escolar, considerando práticas pedagógicas reais desenvolvidas nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Parte-se da compreensão da linguagem como prática social e elemento central na construção do conhecimento, especialmente no processo de introdução de uma segunda língua na infância.
Quanto à abordagem, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza descritiva, uma vez que busca compreender e interpretar fenômenos educacionais a partir da observação e análise do contexto investigado, sem a pretensão de mensuração estatística ou generalização dos resultados. Os procedimentos metodológicos adotados consistiram em revisão bibliográfica e estudo de caso, articulando fundamentação teórica e observação empírica.
A revisão bibliográfica foi realizada a partir de livros, artigos científicos e documentos oficiais que abordam a educação bilíngue, o ensino de língua inglesa na infância, a ludicidade no processo de ensino-aprendizagem e os pressupostos da Linguística Aplicada. Foram consultadas bases como SciELO e Google Acadêmico, priorizando produções reconhecidas na área, com o objetivo de sustentar teoricamente a análise desenvolvida.
O estudo de caso foi realizado em uma escola pública municipal localizada no município de Arapiraca, no estado de Alagoas, envolvendo uma turma do 1º ano do Ensino Fundamental, composta por 21 alunos, com idades entre 6 e 7 anos, no turno vespertino. A escolha dessa turma justificou-se por representar o início do processo formal de escolarização, fase considerada propícia à introdução de uma segunda língua, em razão da plasticidade cognitiva e da maior abertura das crianças para novas experiências linguísticas.
As atividades pedagógicas desenvolvidas em sala de aula tiveram como foco o ensino do vocabulário relacionado às cores em língua inglesa, sendo planejadas de forma lúdica e contextualizada, respeitando a faixa etária dos alunos e as condições do ambiente escolar. As propostas incluíram atividades de pintura, associação entre imagens e palavras, jogos de reconhecimento das cores, uso de cartazes ilustrativos e interação oral mediada pela professora, promovendo a participação ativa dos estudantes durante o processo pedagógico.
Como procedimentos de coleta de dados, foram utilizados a observação participante e os registros em diário de campo, nos quais foram anotadas as reações dos alunos, o nível de engajamento, a participação nas atividades e as dificuldades observadas ao longo das aulas. Registros fotográficos das atividades também foram realizados exclusivamente para fins de documentação pedagógica, respeitando os princípios éticos da pesquisa e sem identificação dos participantes.
A análise dos dados ocorreu de forma qualitativa e interpretativa, buscando relacionar as observações realizadas em sala de aula com o referencial teórico adotado. O foco da análise concentrou-se na compreensão das práticas pedagógicas utilizadas, no envolvimento dos alunos com a língua inglesa e nos desafios enfrentados na implementação da abordagem bilíngue no contexto da escola pública.
Essa metodologia possibilitou uma compreensão aprofundada da realidade investigada, permitindo refletir sobre os limites e as possibilidades do ensino de inglês pelo método bilíngue nos anos iniciais da educação básica, a partir de uma experiência concreta e situada.
Essa metodologia, ao articular teoria e prática, permite uma compreensão aprofundada da realidade observada, contribuindo para o debate sobre os desafios e possibilidades do ensino bilíngue no contexto da educação pública infantil, como se pode observar na tabela a seguir.
Tabela – Síntese do percurso metodológico e referencial teórico
Elemento metodológico | Descrição sintética | Autores de referência |
Abordagem da pesquisa | Pesquisa qualitativa de natureza descritiva, voltada à compreensão do ensino de inglês no contexto escolar público | Creswell (2007) |
Procedimento de pesquisa | Estudo de caso articulado à revisão bibliográfica | Yin (2014) |
Área de fundamentação | Linguística Aplicada e educação bilíngue | Brumfit (1995); Moita Lopes (1996) |
Coleta de dados | Observação participante e registros em diário de campo | Creswell (2007) |
Análise dos dados | Análise qualitativa interpretativa dos registros e observações | Creswell; Poth (2018) |
Fonte: Elaborado pela autora (2025).
Diante dos procedimentos adotados, a metodologia delineada possibilitou uma compreensão aprofundada do processo de ensino-aprendizagem da língua inglesa no contexto da educação bilíngue em escola pública, respeitando as especificidades da faixa etária dos alunos e as condições reais do ambiente escolar.
A articulação entre revisão bibliográfica e estudo de caso, aliada à observação participante e aos registros em diário de campo, permitiu analisar as práticas pedagógicas desenvolvidas de forma contextualizada, evidenciando tanto os desafios quanto as potencialidades da abordagem bilíngue nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Assim, o percurso metodológico adotado mostrou-se coerente com os objetivos da pesquisa e adequado à natureza qualitativa e descritiva do estudo, oferecendo subsídios consistentes para a análise dos resultados apresentados a seguir.
- RESULTADOS E DISCUSSÃO
Esta seção tem como finalidade apresentar e analisar os resultados obtidos a partir da pesquisa de campo desenvolvida, articulando as observações realizadas em sala de aula com o referencial teórico que fundamenta o estudo.
A partir da abordagem qualitativa adotada, busca-se compreender como o ensino da língua inglesa, sob a perspectiva do método bilíngue, foi vivenciado por alunos do primeiro ano do Ensino Fundamental em uma escola pública, considerando as práticas pedagógicas implementadas, o envolvimento dos estudantes e os desafios observados ao longo do processo.
A análise apresentada aqui parte dos dados coletados por meio da observação participante e dos registros em diário de campo, os quais permitiram identificar padrões de interação, níveis de engajamento e respostas dos alunos às atividades propostas.
As práticas lúdicas desenvolvidas, centradas no ensino do vocabulário relacionado às cores em língua inglesa, possibilitaram observar de que maneira a mediação docente, o uso de recursos visuais e a organização das atividades contribuíram para a construção do conhecimento linguístico em um contexto marcado por limitações estruturais.
Além da descrição dos resultados empíricos, propõe-se uma discussão interpretativa à luz da literatura sobre educação bilíngue e ensino de línguas na infância, buscando estabelecer relações entre os achados do estudo e pesquisas anteriores na área.
Dessa forma, pretende-se evidenciar não apenas os efeitos das práticas pedagógicas observadas, mas também refletir sobre suas implicações para o ensino de inglês na rede pública, considerando os limites e as possibilidades da abordagem bilíngue nos anos iniciais da educação básica.
3.1 Resultados da revisão bibliográfica sobre educação bilíngue na rede pública
A análise da literatura especializada permitiu compreender que a educação bilíngue na rede pública brasileira tem avançado de forma gradual, impulsionada por políticas educacionais voltadas à ampliação do ensino de línguas desde os anos iniciais da educação básica. Estudos no campo da Linguística Aplicada apontam que a introdução do inglês na infância favorece o desenvolvimento linguístico, cognitivo e sociocultural dos alunos, desde que ocorra de maneira contextualizada, lúdica e alinhada à realidade escolar. Autores como García (2009) e Moita Lopes (1996) destacam que o bilinguismo escolar não se limita ao ensino formal de duas línguas, mas envolve práticas pedagógicas que valorizam a interação, a cultura local e o uso funcional da linguagem.
Entretanto, a revisão bibliográfica também evidencia desafios recorrentes enfrentados pelas escolas públicas, como a insuficiência de formação específica para professores, a escassez de materiais didáticos adequados e as limitações estruturais das instituições. Esses fatores impactam diretamente a efetividade da abordagem bilíngue, especialmente quando não há suporte institucional contínuo. Ainda assim, os estudos analisados indicam que práticas pedagógicas bem planejadas, mesmo em contextos de restrição de recursos, podem contribuir significativamente para o ensino-aprendizagem da língua inglesa, sobretudo quando priorizam metodologias ativas e o envolvimento dos alunos.
3.2 Resultados da pesquisa de campo: práticas pedagógicas e aprendizagem do inglês
A partir do foco da pesquisa, já mencionado, buscou-se entender e estudar como o ensino-aprendizagem da língua inglesa é vivenciado em uma turma do 1º ano do Ensino Fundamental, sob a abordagem bilíngue, na rede pública municipal em Arapiraca-AL. A escolha dessa turma se deu por ser a primeira série dos anos iniciais e por fazer parte de uma proposta pedagógica que adota a metodologia bilíngue com apoio da Secretaria Municipal de Educação.
Durante as observações e intervenções pedagógicas, foi possível perceber que a introdução do inglês por meio de atividades lúdicas como músicas, jogos de memória com cores, cartazes interativos e histórias ilustradas favoreceu significativamente a assimilação do vocabulário básico relacionado ao tema “cores”. As crianças demonstraram curiosidade, entusiasmo e envolvimento ativo com a segunda língua, mesmo aquelas que ainda apresentavam dificuldades com a língua materna.
Os dados coletados mostraram que a repetição, a associação visual e auditiva e o uso do corpo em atividades (TPR – Total Physical Response) facilitaram a fixação de palavras como “red”, “blue”, “yellow” e “green”. No entanto, foram observados desafios como a limitação de recursos didáticos em sala, ausência de formação específica em bilinguismo por parte de alguns professores e falta de apoio sistemático à prática contínua da segunda língua fora das aulas formais.
Outro aspecto relevante foi a receptividade dos alunos à proposta bilíngue, apesar das barreiras contextuais. Muitos alunos relataram entusiasmo ao ouvir músicas em inglês em casa ou ao reconhecer palavras em ambientes externos à escola. Isso reforça a importância da exposição contínua ao idioma para o fortalecimento da aprendizagem.
A compreensão dos resultados indica que, embora a implementação do ensino bilíngue na escola pública ainda enfrente obstáculos estruturais, pedagógicos e de formação docente, os primeiros anos do ensino fundamental são extremamente propícios à introdução da segunda língua. Isso se deve à plasticidade cognitiva das crianças e à sua abertura natural para novas experiências linguísticas e culturais.
Creswell (2007) enfatiza a importância da pesquisa qualitativa para uma compreensão abrangente dos fenômenos educacionais, particularmente quando o objetivo é apreender as percepções e práticas de indivíduos situados em contextos específicos. No contexto do ensino-aprendizagem de inglês pelo método bilíngue em escolas públicas, o emprego de uma abordagem qualitativa facilita a exploração de como a língua é integrada ao cotidiano escolar e dos desafios encontrados por professores e alunos durante esse processo. Conforme sugerido por Creswell, a observação participante e os diários de campo servem como instrumentos eficazes para capturar o ambiente autêntico da sala de aula, iluminando, assim, as maneiras pelas quais as crianças se envolvem com o inglês, seja espontaneamente ou por meio de mediação.
Creswell e Poth (2018) enfatizam que a obtenção de confiabilidade em pesquisas qualitativas é facilitada pelos processos de triangulação de dados e pela reflexividade do pesquisador. No âmbito da educação bilíngue, isso envolve a comparação de dados observados com relatos de professores, documentação visual e literatura acadêmica, fomentando assim uma perspectiva crítica sobre a implementação da abordagem bilíngue em escolas públicas. Essa estrutura metodológica auxilia na compreensão abrangente das práticas empregadas e dos desafios enfrentados pelas instituições, incluindo questões relacionadas à formação de professores, aos recursos educacionais e à adaptação do ensino às capacidades linguísticas das crianças.
Yin (2014) defende o estudo de caso como uma abordagem metodológica que facilita uma investigação aprofundada de fenômenos, particularmente quando estes estão intimamente associados ao seu ambiente contextual. Neste artigo, o uso do estudo de caso é adequado para analisar as experiências de uma escola pública que implementa a educação bilíngue, pois permite a observação da aplicação prática do método, levando em consideração as condições reais relacionadas à infraestrutura, à formação de professores e à demografia dos alunos. O foco em uma turma específica permite examinar o impacto do método bilíngue na aprendizagem de inglês das crianças durante o processo de aquisição da leitura e da escrita.
Entretanto, Yin (2014) destaca a importância da análise contextual e da coleta de diversas fontes de evidências para afirmar a validade dos dados. Isso é pertinente na análise do bilinguismo em escolas públicas, visto que os desafios encontrados – como disparidades no acesso, recursos didáticos insuficientes e apoio institucional inadequado – não podem ser compreendidos isoladamente. Ao documentar discursos, comportamentos e estratégias de ensino, o pesquisador não apenas registra o material ensinado, mas também elucida como ele é mediado e apropriado pelos alunos, revelando, assim, tanto os caminhos quanto as barreiras para alcançar uma educação bilíngue de qualidade.
Denzin e Giardina (2021) afirmam a função essencial da pesquisa qualitativa como ferramenta para a mudança social, particularmente em situações marcadas pela vulnerabilidade. No contexto da educação bilíngue em escolas públicas, os autores afirmam que a pesquisa não deve apenas documentar práticas, mas também expor desigualdades e sugerir alternativas. Uma análise do ensino de inglês sob uma perspectiva bilíngue em escolas públicas revela as dificuldades enfrentadas por instituições que, apesar de suas limitações, se esforçam para adotar uma política linguística mais inclusiva. Consequentemente, é imperativo que os pesquisadores permaneçam atentos aos fatores sociais e culturais que influenciam o processo educacional.
Um aspecto significativo adicional destacado pelos autores diz respeito ao valor da cultura local e do ambiente educacional no desenvolvimento de práticas pedagógicas eficazes. No âmbito da educação bilíngue, isso exige o reconhecimento de que a introdução do inglês deve ocorrer de forma lúdica e contextualizada, ao mesmo tempo em que honra as realidades enfrentadas pelas crianças. Denzin e Giardina (op. cit.) argumentam que a incorporação de elementos lúdicos e de envolvimento cultural pode servir como instrumentos potentes na dinâmica de ensino-aprendizagem, particularmente em contextos onde os recursos são limitados. Consequentemente, esta pesquisa também auxilia na contemplação de estratégias viáveis para a implementação do bilinguismo, mesmo em circunstâncias caracterizadas por restrições estruturais.
Brinkerhoff e Kvale (2015) caracterizam a entrevista como uma interação dialógica que facilita o acesso às experiências e perspectivas dos sujeitos em análise. Nesse contexto, a entrevista semiestruturada conduzida com o professor serve como um meio significativo para compreender a implementação do ensino de inglês no modelo bilíngue, identificar estratégias eficazes e reconhecer os desafios encontrados na prática cotidiana. O conceito de escuta qualificada, proposto pelos autores, empodera o professor como participante ativo no processo educacional, possibilitando uma visão do ensino de inglês não apenas como uma disciplina isolada, mas como uma prática dinâmica adaptada às realidades do ambiente escolar.
Os autores enfatizam a importância de decifrar os significados embutidos nas declarações, levando em consideração as emoções, as hesitações e as implicações subjacentes. Quando essa perspectiva é aplicada à educação bilíngue no sistema escolar público, é possível discernir as diversas tensões que influenciam as práticas pedagógicas, incluindo a pressão por resultados mensuráveis, as oportunidades insuficientes de desenvolvimento profissional e a necessidade de integrar duas línguas em salas de aula diversas.
Nesse contexto, a entrevista serve para iluminar não apenas os obstáculos enfrentados, mas também os caminhos que os próprios professores identificam como viáveis para aprimorar o processo de ensino-aprendizagem de inglês desde os primeiros anos de escolaridade.
3.3. Discussão
O principal achado do estudo foi o alto engajamento dos alunos diante de práticas lúdicas e multimodais voltadas ao ensino das cores em língua inglesa, com participação ativa na repetição oral, na associação visual e na resolução de jogos. A sequência didática contemplou conversa inicial com perguntas simples, músicas de abertura, apresentação de flashcards e dinâmicas com objetos, o que favoreceu a adesão do grupo e sustentou a continuidade do trabalho em três encontros consecutivos. A observação de que parte da turma já reconhecia cores como red, blue, pink e yellow, ao mesmo tempo em que novas cores foram incorporadas, reforça a importância de diagnósticos pedagógicos situados no cotidiano da sala.
A interpretação desse achado dialoga com a compreensão de que a educação bilíngue envolve práticas que atribuem sentido ao uso da língua em situações reais de interação, e não apenas a transmissão de listas de vocabulário. Ao integrar linguagem oral, imagens, objetos e movimento, o trabalho aproximou a língua inglesa de usos funcionais no ambiente escolar, sustentando uma aprendizagem mais significativa em um contexto público marcado por desafios estruturais. A organização das aulas evidencia que o ensino bilíngue pode ser fortalecido quando a escola promove experiências linguísticas contextualizadas, capazes de ampliar a participação e reduzir barreiras iniciais de compreensão, (García, 2009).
Quando comparado a pesquisas que discutem o ensino de inglês na escola pública, o estudo converge com a ideia de que dificuldades materiais e limitações institucionais não impedem avanços quando a prática pedagógica é planejada e adequada à realidade local. A utilização de recursos simples, como flashcards e jogos presenciais, combinada a atividades impressas e a ferramentas digitais disponíveis, indicou possibilidades concretas de mediação docente mesmo em cenários de restrição. A elevação do engajamento, descrita durante a aula introdutória e retomada nos encontros seguintes, reforça que a regularidade das interações e a intencionalidade das atividades podem compensar lacunas de infraestrutura. (Andrade, 2015)
Do ponto de vista do desenvolvimento linguístico, a resposta positiva das crianças à repetição guiada, à associação palavra cor e às rotinas de sala sugere que a aprendizagem inicial se beneficia de input compreensível e de oportunidades frequentes de produção oral em ambiente acolhedor. A alternância entre revisão e expansão do vocabulário, com introdução gradual de novas cores, favoreceu a consolidação e evitou sobrecarga, ainda que tenha havido dificuldade pontual associada à mistura de idiomas. A presença de jogos como Memory Game (jogo da memória) e atividades de identificação em tela ampliou a exposição ao vocabulário e diversificou as formas de interação com a língua (Lightbown, 2013).
As implicações práticas do estudo indicam que propostas bilíngues na rede pública ganham consistência quando articulam objetivos de linguagem, ludicidade e avaliação formativa, contemplando rotinas de oralidade e tarefas que envolvem exploração do espaço e manipulação de materiais. A atividade Find Something, aliada à massinha de modelar e à mistura de cores primárias e secundárias, mostrou potencial para integrar vocabulário, ação e percepção visual, favorecendo a participação e a motivação. Esse tipo de encaminhamento pedagógico também dialoga com orientações curriculares que valorizam o desenvolvimento integral e experiências significativas nos anos iniciais, (Brasil, 2018).
No plano teórico, o estudo reforça a pertinência de analisar o ensino de línguas a partir de problemas reais vividos na escola, observando como as condições sociais e pedagógicas moldam o que se aprende e como se aprende. A ênfase na sala de aula como espaço de interação e negociação de sentidos permitiu compreender que o engajamento não decorre apenas do tema, mas do modo como a linguagem é trabalhada em práticas de colaboração e apoio entre pares, aspecto observado quando alunos buscaram tradução com colegas durante as interações iniciais. A leitura do campo, portanto, evidencia a centralidade do contexto para interpretar a aprendizagem bilíngue em escolas públicas, (Moita, 2006).
Entre as limitações, destaca-se o recorte temporal curto, com três aulas, o que restringe a observação de efeitos mais duradouros sobre retenção lexical e autonomia oral, além de limitar a comparação entre diferentes turmas e docentes. O estudo também se concentra em um único contexto escolar, o que impede generalizações amplas, ainda que permita aprofundamento descritivo do caso analisado.
Recomenda-se, como direção para pesquisas futuras, a ampliação do período de acompanhamento, a observação de outras unidades escolares e a análise de progressões didáticas que integrem cores a outras categorias temáticas, como objetos e rotinas, articulando atividades físicas e digitais, (Yin, 2014).
- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa analisou a implementação do método bilíngue no ensino- aprendizagem da língua inglesa em uma escola pública, especificamente para alunos do primeiro ano do ensino fundamental. Por meio de uma revisão bibliográfica e de um estudo de caso realizado na referida Escola Municipal, o estudo elucidou os desafios e as vantagens associados a essa abordagem no contexto da educação pública.
O estudo indicou que a implementação da educação bilíngue em escolas públicas, embora seja uma abordagem potencialmente benéfica para promover a aquisição de uma segunda língua desde a mais tenra idade, enfrenta desafios estruturais e pedagógicos consideráveis. Barreiras significativas à aplicação abrangente do método bilíngue incluem a ausência de recursos didáticos personalizados, a necessidade de desenvolvimento profissional contínuo e especializado para os educadores e as limitações de infraestrutura. Além disso, as características dos alunos, à medida que prosseguem seu desenvolvimento cognitivo e linguístico, exigem estratégias de ensino meticulosamente elaboradas e adaptadas ao contexto específico do ambiente escolar.
A análise do estudo de caso revelou que, apesar dos diversos desafios, ainda é possível cultivar estratégias pedagógicas eficazes que aprimorem a aprendizagem da língua inglesa. A incorporação de temas visuais e tangíveis, como vocabulário relacionado a cores, juntamente com elementos lúdicos e interativos, auxiliou significativamente na construção do conhecimento, promovendo a participação ativa e o engajamento dos alunos. Além disso, a associação do novo vocabulário em inglês a objetos ou atividades familiares mostrou-se benéfica para a compreensão e a retenção, ressaltando o papel fundamental da contextualização no ensino de línguas.
O estudo enfatizou a função essencial do professor como facilitador no processo educacional, observando que uma disposição positiva e o uso inovador de recursos pedagógicos são cruciais para o sucesso da educação bilíngue. A interação entre os alunos, juntamente com oportunidades para práticas comunicativas durante as aulas, aumenta a autonomia e o engajamento com a língua estrangeira, componentes vitais para uma aprendizagem eficaz.
A análise dos dados observados ao longo das aulas evidenciou que os alunos responderam de forma positiva às propostas pedagógicas desenvolvidas, demonstrando envolvimento ativo nas atividades de identificação das cores em língua inglesa, participação espontânea na repetição oral do vocabulário e interesse contínuo ao longo dos encontros.
As práticas lúdicas, como o uso de jogos, cartazes ilustrativos, músicas e atividades de pintura, favoreceram a associação entre palavra e significado, permitindo que as crianças reconhecessem e nomeassem cores em inglês com maior segurança. Também foi possível observar que a mediação docente desempenhou papel central na organização das interações, estimulando a participação coletiva e respeitando os diferentes ritmos de aprendizagem presentes na turma.
A pesquisa sugere que a utilização do método bilíngue para o ensino e a aprendizagem de inglês em escolas públicas representa uma abordagem viável e enriquecedora, com potencial para expandir os horizontes culturais e cognitivos dos alunos desde a mais tenra idade. No entanto, para que esse processo seja eficaz e duradouro, é crucial o compromisso coletivo da escola, dos profissionais da educação e das políticas educacionais, garantindo, assim, o desenvolvimento de práticas bilíngues com qualidade e equidade, ampliando assim o conhecimento e fomentando o avanço das práticas educacionais no Brasil.
REFERÊNCIAS
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BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 134, n. 248, p. 27833, 23 dez. 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 17 jun. 2024.
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CRESWELL, J. W. Qualitative inquiry & research design: choosing among five approaches. 2. ed. Thousand Oaks: SAGE, 2007.
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DENZIN, N. K.; GIARDINA, M. D. (Ed.). Qualitative inquiry through a critical lens. New York: Routledge, 2021.
GARCÍA, O. Bilingual education in the 21st century: a global perspective. Malden: Wiley-Blackwell, 2009.
LIGHTBOWN, P. M.; SPADA, N. How languages are learned. 4. ed. Oxford: Oxford University Press, 2013.
MOITA LOPES, L. P. Linguística Aplicada e vida social: uma outra história. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.
YIN, R. K. Case study research: design and methods. 5. ed. Thousand Oaks: SAGE, 2014.
APÊNDICE A- Registros fotográficos das atividades pedagógicas
O questionário foi aplicado de forma oral pela professora, sendo realizado em dois momentos distintos: uma parte antes do início da primeira aula e outra ao final da última aula, com o objetivo de comparar as percepções e a compreensão dos alunos ao longo da intervenção pedagógica.
Atividade proposta antes da primeira aula.
Atividade proposta na última aula.
ALUNO 2
Atividade proposta antes da primeira aula.
Atividade proposta na última aula:
APÊNDICE B INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
Doutor em Letras – Professor - Uneal
Licencianda em Letras Inglês - Uneal
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