A importância da inteligência emocional e da psicologia positiva no âmbito profissional
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Resumo

LEITE,

Fernando

Denis

A Psicologia

Positiva e o

Trabalho

2022

A Psicologia Positiva é uma vertente teórica que estuda fundamentos psicológicos do bem-estar e da felicidade, assim como virtudes humanas, caracterizando-se como um campo de pesquisas em expansão no Brasil. Realizou-se

Assunção. et al.

uma pesquisa bibliográfica, a fim de explorar as articulações entre a Psicologia Positiva e o trabalho. Considera-se que a perspectiva trazida pela Psicologia Positiva propõe alcançar uma melhora na qualidade de vida do ser humano por meio da experimentação da positividade no ambiente de trabalho, nas relações do dia a dia e na vida em geral. Sugere-se que traços e instituições positivas podem aumentar a sensação de segurança e incentivar o cuidado com a saúde mental e com o bem-estar de seus trabalhadores.

HOLANDA, Izabela Rocha

Estudo sobre o bem-estar no trabalho à luz da

psicologia positiva

2019

A Psicologia positiva estuda os fundamentos psicológicos do bem-estar, da felicidade, da gratidão, da esperança, do otimismo, relacionando-os às potencialidades do ser humano. Os resultados apontaram que o bem-estar no trabalho é compreendido, considerando tanto aspectos que envolvem as emoções positivas, quanto aspectos cognitivos, relacionados à realização; além disso, percebe-se que práticas simples podem revolucionar positivamente o contexto do trabalho, alcançando a vida das pessoas, com destaque especial ao investimento na educação dos colaboradores. Salienta-se a importância de gerar um clima positivo, por meio do incentivo de relações positivas, reforçando a ideia de time, a partir da definição clara do sentido do trabalho. Este estudo destaca-se por ser a primeira dissertação na área organizacional, tendo como base científica a Psicologia Positiva, a ser levada a cabo no Ceará.

VAZQUEZ,

Ana Claudia

Souza;

FERREIRA,

Maria Cristina;

MENDONÇA,

Helenides

Avanços na

Psicologia Positiva:

Bem-Estar,

Engajamento e Redesenho no Trabalho

2019

Baseados na perspectiva da complexidade do comportamento humano, avanços científicos têm sido obtidos por pesquisadores da Psicologia Positiva ao identificar fatores de saúde e de proteção das pessoas em concomitância com os de risco de dano ou agravo à saúde. Esse artigo teórico visa demonstrar o impacto desses achados para a Psicologia Organizacional e do Trabalho, com base em três conceitos centrais. São apresentados no artigo os modelos teóricos que fundamentam as evidências e os principais achados nos estudos sobre bem-estar, engajamento e redesenho do trabalho. A principal contribuição é que as pesquisas estão sendo impulsionadas com modelos integrativos sobre esses fenômenos e suas associações com variáveis de felicidade, proatividade e realização profissional, dentre outras. Somada ao conhecimento dos estudos tradicionais, a Psicologia Positiva possibilita a visão sistêmica sobre trabalho e organizações, tratando a saúde e o bem-estar como premissas do contexto laboral e o desempenho saudável como desfecho positivo das atividades profissionais.

ANASTÁCIO,

Ana Beatriz

Pereira;

FERNANDES,

Salomé Jesus

Inteligência Emocional

no Local de

Trabalho

2019

O presente trabalho, desenvolvido no âmbito da unidade curricular Gestão de Recursos Humanos, pauta-se pela temática da inteligência emocional no local de trabalho. Ao longo do trabalho, iremos abordar pontos como a definição do termo “inteligência emocional”, as diferenças existentes entre o cérebro masculino e o feminino, como desenvolver a inteligência emocional, as suas vantagens, a sua aplicação prática no local de trabalho, a importância das emoções no ambiente laboral, a aplicação da inteligência emocional no ambiente de trabalho, a exaustão emocional e, por fim, a liderança organizacional na base da inteligência emocional. Deste modo, optámos por uma

abordagem metodológica qualitativa, sendo utilizadas técnicas de análise de diversos textos, documentos e livros sobre como desenvolver a inteligência emocional no local de trabalho

LAMAZON,

Ingred Moura

Lorenna;

BISPO,

Grasielle Silva

Inteligência

emocional no serviço público

2022

Pretende-se neste trabalho tratar da temática em torno da inteligência emocional, fenômeno pouco abordado por profissionais distantes da área da saúde, mas muito presente nas relações de trabalho como um todo, e, principalmente, no serviço público, o grupo alvo principal desta pesquisa. Nas últimas décadas observou-se o papel importante das competências e habilidades sentimentais no trabalho. Cada vez mais o ambiente laboral tem exigido mais de seus cooperadores além do melhoramento no gerenciamento das demandas organizacionais, demandando assim, mais que habilidades técnicas, mas também o controle emocional do servidor público, sobretudo do gestor público ao lidar efetivamente com seus liderados e com as dificuldades do cotidiano. Será observado que a inteligência emocional está relacionada à liderança no controle das emoções e na utilização da inteligência emocional, como modo de auxiliar na adaptação das eventualidades diárias. Também será abordado o impacto do descontrole emocional frente ao afastamento de servidores públicos por transtornos mentais relacionados ao trabalho, o que é muito comum no serviço público. Por fim, será analisada a necessidade de investimento na saúde dos colaboradores públicos, com a finalidade de melhorar-lhes a qualidade de vida no trabalho. Este trabalho foi construído através da análise de livros e periódicos e em bases conceituais sobre inteligência emocional e absenteísmo no Poder Público.

GOMES,

Maria

Aparecida de

Paulo;

MARANHÃO,

Thércia

Lucena

Grangeiro

A

Inteligência

Emocional e Relações

Interpessoais no Ambiente de Trabalho: Uma Revisão

Sistemática

2020

O artigo tem como objeto principal investigar os efeitos da inteligência emocional no desenvolvimento das relações interpessoais no ambiente de trabalho e sua contribuição para a saúde psíquica do trabalhador. Tendo como objetivos específicos: estudar os principais conceitos sobre inteligência emocional; investigar a influência da relação entre inteligência emocional e relações interpessoais; analisar as críticas existentes sobre a eficácia do conceito da inteligência emocional no âmbito das organizações e identificar os aspectos relacionados à inteligência emocional com a saúde do trabalhador. Foram encontrados 31 artigos que abordaram a temática e realizaram a análise dos dados obtidos. Os resultados enfatizaram a aplicação de testes avaliativos da inteligência emocional e sua interface com as variáveis: ambiente e relações interpessoais.

VIECILI, Carine

Inteligência

emocional e desempenho no trabalho: uma análise em tempos de home office e

pandemia

2021

Os estudos relacionados à inteligência emocional (IE) e de suas respectivas competências, associadas ao desempenho no trabalho, têm aumentado. O momento caracterizado pela pandemia de coronavírus (Covid19) aflorou essa necessidade, uma vez que novos cenários laborais foram compostos, como o do home office, a fim de tornar possível a manutenção dos trabalhos e do funcionamento das organizações, em meio a um período repleto de adequações em função da pandemia. A presente pesquisa teve como objetivo analisar a possível relação de favorecimento da inteligência emocional para o desempenho no trabalho, em tempos de pandemia e home office, por meio do exame dos impactos causados na vida

dos indivíduos, por passar a trabalhar remotamente, bem como das variações emocionais ocorridas nessa circunstância, correlacionando isso a características e competências alusivas à IE. Para tal, este estudo qualitativo, de caráter aplicado, por meio de uma entrevista semiestruturada, apresentou relatos de dez empregados de uma empresa de serviço público industrial, que vivenciaram a experiência do home office, desde março de 2020. Aflições e desassossegos estiveram presentes no cotidiano dos participantes da pesquisa, mas através de comportamentos e atitudes inteligentes emocionalmente, foi possível para estes, a superação de desafios e a preservação do desempenho no trabalho. Os resultados permitiram a constatação da relação das competências da inteligência emocional com o desempenho do trabalho em home office, no período intenso e tumultuado da pandemia.

Tabela 01: Seleção dos artigos

Fonte: Dados produzidos pelo autor (2023)

A partir do referencial teórico apresentado e com a pergunta central do texto como norte, os artigos selecionados são utilizados como base para discussão a seguir.

Discussão

A realidade atualmente vivida no âmbito laboral passa por várias mudanças, assim como o entendimento das necessidades humanas. Assim, a pressão para maior produtividade e ambientes de trabalho insalubres vem sendo menos tolerados e mais questionados, por isso, há um movimento por parte dos colaboradores que busca o cumprimento, por parte das empresas, dos direitos trabalhistas e da apresentação de uma cartela de benefícios.

Nessa perspectiva a psicologia positiva é importante para alcançar o equilíbrio entre as obrigações das organizações e dos colaboradores, no qual se vislumbra alcançar uma compatibilidade entre as necessidades da empresa e dos trabalhadores, sendo necessário enfrentar o desafio de conseguir perceber sentido e significado na função exercida, coerentes com os valores dos colaboradores e, ao mesmo tempo, com o êxito nas exigências postas pela empresa (LEITE et al., 2022).

Nesse sentido, Ferreira (2012) destaca que nas últimas décadas, o trabalho tem passado por transformações, afetando a maneira de produzir e a forma de cobrar os resultados exigidos dos colaboradores, acarretando alterações nos processos trabalhistas, porém, junto com essas mudanças, tem havido diminuição da produtividade, erros, aumento do absenteísmo, da rotatividade, baixa qualidade, doenças no trabalho e reclamações de clientes.

Esses fatores podem ser acentuados com a competitividade exagerada e, em consequência, nas relações fragilizadas e diminuição da cooperação, características presentes nesse novo momento do trabalho, o que alguns autores denominam de reestruturação produtiva (HOLANDA, 2019).

Essas mudanças impactam na qualidade de vida no trabalho, empresários têm despertado para a importância de um ambiente propício para a produtividade com qualidade, reconhecendo que uma das soluções é oportunizar ações que favoreçam o bem-estar, pressupondo um novo olhar para o trabalhador e para o contexto laboral (VAZQUEZ; FERREIRA; MENDONÇA, 2019).

Nesse cenário, o trabalho é considerado intermediador da construção da identidade, do reconhecimento, do sustento financeiro, favorecendo a formação de propósito de vida. A frase “o trabalho dignifica o homem” aponta como uma necessidade de trabalhar, mas também de sentir satisfação nesse trabalho, promovendo felicidade e impacto nas suas relações familiares e sociais (HOLANDA, 2019).

A perspectiva da psicologia positiva propõe alcançar uma melhora na qualidade de vida do ser humano por meio da experimentação da positividade no ambiente de trabalho, nas relações do dia a dia e na vida em geral, indicando que traços e instituições positivas podem aumentar a sensação de segurança e incentivar o cuidado com a saúde mental e com o bem-estar (BOEHS, 2017).

O trabalho é uma atividade essencial para o avanço individual e coletivo, assim como um dos principais meios para a construção de identidade, obtenção de status e satisfação das necessidades humanas. No entanto, quando não cumpre sua função de dignificar o homem, pode ser fonte de estresse e de adoecimento físico e psíquico (BOEHS, 2017).

Assim, sob a perspectiva da psicologia positiva é preciso que o trabalhador consiga perceber os aspectos positivos do trabalho, buscando satisfação naquilo que faz e não apenas focar no lado negativo. Todavia, é necessário também que o ambiente laboral proporcione ao trabalhador condições de sentir-se bem em seu ambiente de trabalho, visando dirimir a pressão sofrida pelos trabalhadores.

Nesse sentido, aliar a psicologia positiva com a inteligência emocional é fundamental. As competências emocionais e sociais são cada vez são mais valorizadas pelas empresas e os estudos demonstram que pessoas que demonstram atitudes positivas tendem a ter um melhor desempenho no local de trabalho se comparadas às que demonstram atitudes mais negativas:

As pessoas positivas processam cognitivamente de modo mais eficiente e apropriado; se estiverem num clima negativo, uma boa parte do processamento irá ser influenciado negativamente; por sua vez, quando estão num clima positivo, estão mais abertas a assimilar informações e tratá-las com eficiência. (ANASTÁCIO; FERNANDES, 2019: 9).

Na gestão das emoções é essencial observar que o comportamento de uma pessoa determina a qualidade de vida no seu ambiente de trabalho. Nesse sentido, Goleman (1996) defende que a paixão e a razão constituem elementos do todo, de uma pessoa emocionalmente competente. Assim sendo, a parte racional e a parte emocional trabalham lado a lado de modo a proporcionar um melhor desempenho profissional.

Assim sendo, para obter um desempenho mais efetivo nas mais diversas funções dentro das organizações, a competência emocional é de grande valia. Os gestores revelam determinadas características de grandes competências emocionais, como a influência, a liderança de equipas ou até mesmo a percepção política (ANASTÁCIO; FERNANDES, 2019).

Goleman (2012) distingue cinco áreas que compõem a inteligência emocional, sendo eles: o autoconhecimento, o controle emocional, a automotivação, a empatia e os relacionamentos. O autoconhecimento se liga à capacidade que cada pessoa tem de reconhecer um sentimento quando ele está a ocorrer, tomando consciência das suas próprias emoções. O controle emocional está ligado à capacidade de lidar com as próprias emoções, de modo a canalizá-las para uma manifestação apropriada a cada situação. A automotivação está relacionada com o saber direcionar as emoções para alcançar os objetivos estabelecidos. Já a empatia relaciona-se com o saber reconhecer e compreender as emoções nas outras pessoas e, por fim, os relacionamentos referem-se à aptidão e facilidade que cada pessoa tem de se relacionar com os outros e lidar com as suas emoções.

Tais características são de grande valia no ambiente laboral, devendo ser desenvolvidas para melhorar a relação entre os trabalhadores e, em consequência, aumentar a produtividade. Goleman (2012) afirma que realizou um levantamento de critérios de avaliação praticados pelas principais corporações e observou que quatro em cada cinco companhias tentam, ao longo do tempo, promover a inteligência emocional nos seus colaboradores, através de formações, avaliações de desempenho e contratações.

Para Viecili (2021) a inteligência emocional engloba a capacidade de perceber, avaliar e expressar emoções, sentimentos, quando eles facilitam o pensamento, além de compreender a emoção e o conhecimento emocional, aliados ao controle dessas emoções, com intuito de promover o crescimento tanto emocional quanto intelectual.

Nesse sentido, Goleman (2012, p. 15) defende que:

Ao passo que a inteligência emocional determina nosso potencial para aprender os fundamentos do autodomínio e afins, nossa competência emocional mostra o quanto desse potencial dominamos de maneira em que ele se traduza em capacidades profissionais.

Assim sendo, o aumento da produtividade e do sucesso organizacional é obtido por meio da capacidade de cada pessoa reconhecer e aplicar as suas emoções. Numa empresa, o gestor é responsável por criar um ambiente que seja possível reconhecer e aproveitar as capacidades emocionais dos trabalhadores de maneira que beneficie a empresa (LAMAZON; BISPO, 2022).

Assim sendo, desenvolver a inteligência emocional no trabalho significa gerir conscientemente as emoções e, em consequência, os comportamentos decorrentes dela. Isso ajuda a evitar problemas de saúde mental relacionados ao trabalho e a cobrança excessiva, como o estresse (GOMES; MARANHÃO, 2020).

Além disso, a inteligência emocional consegue facilitar a comunicação dentro das organizações, o que ajuda a desenvolver pontos positivos e a identificar os negativos. Além disso, faz com que o profissional consiga controlar ações, melhorar a intuição e ter mais equilíbrio, auxiliando nas tomadas de decisões assertivas e para o cumprimento de tarefas.

Ao reconhecer que as emoções e sentimentos, as pessoas são capazes de adequá-los a diferentes situações vividas. Dessa maneira, é possível promover interações e relacionamentos interpessoais positivos, o que também interfere positivamente no clima organizacional.

Conclusão

Para concluir, o presente trabalho tem como finalidade chamar a atenção para esse objetivo tão importante. No momento histórico de crescente índices de apresentação de problemas psicológicos relacionados à depressão e a ansiedade, em especial, no ambiente laboral.

A psicologia positiva apresenta uma nova proposta de abordagem, que foca nos aspectos positivos, na felicidade, na satisfação, na alegria e no bem-estar e não no aspecto negativo ou nas patologias, visando fazer com que o indivíduo enxergue os aspectos positivos da vida.

Já a inteligência emocional se refere à capacidade do indivíduo de lidar com os próprios sentimentos. Ou seja, ele se refere à maneira como as pessoas administram seus medos, felicidade, raiva, estresse, ansiedade, euforia e outras sensações.

Na esfera prática, esses dois conceitos podem se completar, como é o caso no ambiente laboral. Com as cobranças e pressões no ambiente laboral, o aspecto mental é essencial para o trabalhador. É preciso não apenas buscar meios de evitar doenças relacionadas à saúde mental, mas também buscar sentir prazer nas atividades desenvolvidas.

Ademais, as pessoas capazes de observar os aspectos positivos e lidas com as emoções têm, em geral, maior capacidade de produção e menos abalos frente às dificuldades que se apresentam. Assim, é também um caminho positivo para as empresas estimular esse tipo de comportamento em seus colaboradores. Assim sendo, a inteligência emocional e da psicologia positiva se mostram como aliados importantes no âmbito profissional, pois essas pessoas conseguem ter uma vida mais saudável, com mais satisfação e bem-estar com o que fazem e, em geral, conseguem ser também mais produtivas.

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