Resumo
Introdução: A violência obstétrica configura-se como um importante problema de saúde pública e de direitos humanos, caracterizada por práticas, condutas e intervenções realizadas durante o parto e o pré-natal que desrespeitam a autonomia, a integridade física e emocional da mulher. Esse fenômeno pode incluir desde a realização de procedimentos sem consentimento até a negligência no cuidado e o tratamento desumanizado. Tais práticas estão associadas a impactos negativos significativos na saúde materna, incluindo complicações físicas, sofrimento psicológico, medo de novas gestações e perda da confiança nos serviços de saúde. Objetivos: Analisar o conceito de violência obstétrica, suas principais tipologias e seus impactos na saúde materna. Como objetivos específicos, busca-se descrever as formas mais comuns de violência obstétrica, identificar seus fatores associados e discutir suas consequências físicas e psicológicas para as mulheres, além de refletir sobre estratégias de prevenção e humanização da assistência ao parto. Metodologia:
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com o objetivo de reunir e analisar evidências científicas recentes sobre violência obstétrica, suas manifestações e impactos na saúde materna. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO e Google Scholar, utilizando descritores dos vocabulários MeSH e DeCS, combinados com operadores booleanos, como “obstetric violence AND maternal health AND childbirth”. Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2026, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a temática proposta. Resultados e discussão:
Os estudos analisados evidenciam que a violência obstétrica ocorre de forma multifacetada, envolvendo abuso físico, psicológico, verbal, negligência e intervenções médicas realizadas sem consentimento informado. Entre as práticas mais relatadas estão episiotomias rotineiras, cesarianas desnecessárias, restrição de acompanhante e uso excessivo de intervenções durante o parto. Essas condutas estão associadas a impactos negativos na saúde materna, como dor prolongada, infecções, transtornos de ansiedade, depressão pós-parto e trauma obstétrico. Além disso, observa-se que fatores institucionais, como sobrecarga profissional, falta de protocolos humanizados e desigualdades sociais, contribuem para a perpetuação desse tipo de violência. As evidências apontam que a adoção de práticas de humanização do parto e educação em saúde pode reduzir significativamente tais ocorrências. Conclusão:
Conclui-se que a violência obstétrica representa uma grave violação dos direitos das mulheres, com repercussões importantes na saúde física e mental materna. Suas diferentes tipologias evidenciam a necessidade de mudanças estruturais no modelo de assistência ao parto. A implementação de práticas humanizadas e a capacitação dos profissionais de saúde são fundamentais para a redução desse problema e para a promoção de um cuidado mais seguro, ético e respeitoso.
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