Impacto no atraso do diagnóstico e risco de incapacidades permanentes na hanseníase: uma revisão narrativa da literatura
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Palavras-chave

Hanseníase
Diagnóstico tardio
Incapacidade física
Neuropatia periférica
Saúde pública

Como Citar

Block, A. J. L., Matos, D. S., Oliveira Neto, E. F. de, Fernandes, . G. R., Costa, R. M. da, & Sousa, F. M. O. (2026). Impacto no atraso do diagnóstico e risco de incapacidades permanentes na hanseníase: uma revisão narrativa da literatura. Revista Ft, 30(158), 01-15. https://doi.org/10.69849/8t4d1408

Resumo

A hanseníase permanece como relevante problema de saúde pública, especialmente em países endêmicos como o Brasil, apesar da disponibilidade de tratamento eficaz e gratuito. Este estudo teve como objetivo analisar o impacto do diagnóstico tardio da hanseníase no desenvolvimento de incapacidades físicas permanentes, bem como identificar os principais fatores associados a esse atraso e suas repercussões clínicas, sociais e epidemiológicas. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, realizada a partir da busca em bases de dados como LILACS, MEDLINE, SciELO, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde. Foram incluídos estudos que abordaram a relação entre diagnóstico tardio e incapacidades físicas na hanseníase, sendo os achados analisados de forma temática e descritiva. Os resultados evidenciaram que o atraso diagnóstico está diretamente associado ao aumento do risco de dano neural irreversível e incapacidades permanentes, sendo influenciado por fatores clínicos, falhas nos serviços de saúde, baixa capacitação profissional, vulnerabilidade socioeconômica, dificuldades de acesso e estigma social. Observou-se ainda que muitos pacientes já apresentam algum grau de incapacidade no momento do diagnóstico, o que reforça a persistência de fragilidades na detecção precoce da doença. Conclui-se que o diagnóstico tardio constitui o principal determinante das incapacidades na hanseníase, exigindo o fortalecimento da atenção primária à saúde, a capacitação contínua dos profissionais, a ampliação das ações de vigilância ativa e o desenvolvimento de estratégias educativas voltadas à população, como medidas essenciais para a redução de sequelas e interrupção da transmissão da doença.

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