Resumo
INTRODUÇÃO. A Doença Renal Crônica (DRC) é caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função renal, comprometendo a capacidade dos rins de filtrar substâncias metabólicas e manter o equilíbrio do organismo. Trata-se de uma condição de evolução lenta e frequentemente assintomática em seus estágios iniciais, o que contribui para o diagnóstico tardio e para o aumento das complicações clínicas associadas à doença. Nas últimas décadas, a DRC tem se destacado como um importante problema de saúde pública mundial, apresentando crescimento significativo em sua prevalência. Entre os principais fatores de risco para o surgimento da doença renal crônica destacam-se o diabetes mellitus (DM) e a hipertensão arterial sistêmica (HAS). Ambas as doenças provocam alterações estruturais e funcionais nos rins, levando ao comprometimento progressivo dos glomérulos e à redução da taxa de filtração glomerular. Além disso, a presença concomitante de diabetes e hipertensão potencializa significativamente o risco de desenvolvimento da doença renal crônica. Estudos indicam que essas duas condições estão presentes em cerca de 63% dos casos de DRC, evidenciando a forte relação entre essas patologias e o comprometimento renal. OBJETIVOS. Objetivo geral desta pesquisa é analisar, por meio de revisão da literatura científica, a relação entre diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica no desenvolvimento e progressão da doença renal crônica, destacando aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos, diagnósticos e estratégias de prevenção e manejo clínico. Os objetivos específicos são: descrever a fisiopatologia da doença renal crônica associada ao diabetes mellitus e à hipertensão arterial sistêmica; analisar a prevalência e os fatores de risco relacionados ao desenvolvimento de doença renal crônica em pacientes diabéticos e hipertensos; identificar os principais métodos diagnósticos utilizados para a detecção precoce da doença renal crônica nesses pacientes, incluindo avaliação da taxa de filtração glomerular e marcadores laboratoriais; discutir as complicações clínicas e a progressão da doença renal crônica associadas às duas patologias e apresentar estratégias de prevenção e manejo clínico voltadas ao controle do diabetes e da hipertensão como forma de reduzir a progressão da doença renal crônica. JUSTIFICATIVA. A Doença Renal Crônica (DRC) representa atualmente um dos principais desafios para a saúde pública mundial, devido ao seu caráter progressivo, ao elevado impacto na qualidade de vida dos indivíduos e aos altos custos associados ao tratamento em estágios avançados, como diálise e transplante renal. Estima-se que a DRC acometa aproximadamente 10% da população mundial, sendo considerada uma doença silenciosa, pois muitos pacientes permanecem assintomáticos nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce e favorece a progressão da doença. Diante desse cenário, torna-se fundamental ampliar o conhecimento científico acerca da relação entre diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica e o desenvolvimento da doença renal crônica. Nesse sentido, a realização de uma revisão de literatura possibilita reunir e analisar evidências disponíveis na literatura científica, contribuindo para uma melhor compreensão dos mecanismos envolvidos na progressão da doença, bem como para a identificação de estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico e manejo clínico. Dessa forma, este estudo justifica-se pela relevância epidemiológica da doença renal crônica e pela necessidade de fortalecer o conhecimento científico que subsidia ações de prevenção e controle dessas importantes condições de saúde. MATERIAIS E MÉTODOS. O presente estudo será desenvolvido por meio de uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa e caráter descritivo-exploratório, visando reunir e analisar evidências científicas sobre a relação entre diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica e o desenvolvimento da doença renal crônica. A revisão integrativa permite a síntese de resultados de diferentes estudos, contribuindo para uma compreensão mais ampla do fenômeno investigado. A pesquisa bibliográfica será realizada em bases de dados científicas amplamente reconhecidas na área da saúde, como utilizou-se Literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrievel System Online (MEDLINE), Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), U.S National Library os Medicine (PubMed), Google Acadêmico e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), por concentrarem grande volume de publicações relevantes na área médica e biomédica. RESULTADOS/DISCUSSÃO. A análise dos estudos selecionados evidenciou que a doença renal crônica (DRC) apresenta forte associação com doenças crônicas não transmissíveis, principalmente diabetes mellitus (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS). Os resultados encontrados na literatura demonstram que essas duas condições representam os principais fatores etiológicos relacionados ao comprometimento progressivo da função renal, reforçando as hipóteses levantadas nesta pesquisa. Estudos epidemiológicos indicam que a prevalência global da doença renal crônica situa-se em torno de 9% a 11% da população adulta, o que evidencia a magnitude desse problema de saúde pública. Além disso, pesquisas mostram que fatores cardiometabólicos, especialmente hipertensão e diabetes, estão significativamente associados ao desenvolvimento da doença renal crônica e ao aumento do risco cardiovascular nesses pacientes. Entre os indivíduos com diabetes mellitus, diversos estudos demonstram uma prevalência expressiva de comprometimento renal. Em uma investigação envolvendo pacientes diabéticos, aproximadamente 26,5% apresentaram doença renal crônica, sendo identificados como fatores associados a presença de hipertensão, tempo prolongado de diabetes e histórico familiar de doença renal. Da mesma forma, pesquisas realizadas com pacientes portadores de hipertensão arterial sistêmica mostram que essa condição também exerce influência significativa na deterioração da função renal. Estudos apontam que a prevalência de doença renal crônica entre indivíduos hipertensos pode variar entre 15% e 29%, valores superiores aos observados na população geral. CONSIDERAÇÕES FINAIS. A doença renal crônica (DRC) associada ao diabetes mellitus e à hipertensão arterial sistêmica representa um importante problema de saúde pública devido à sua elevada prevalência, progressão silenciosa e impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. Ao longo desta revisão de literatura, foi possível evidenciar que essas duas condições crônicas constituem os principais fatores etiológicos para o desenvolvimento e agravamento da disfunção renal, sendo responsáveis por grande parte dos casos que evoluem para insuficiência renal avançada e necessidade de terapias renais substitutivas.
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