Resumo
O presente artigo analisa a adultização e a sexualização infantil nas redes sociais, com enfoque nos impactos jurídicos decorrentes da exposição digital excessiva de crianças e adolescentes. O estudo examina a influência das plataformas digitais na construção de padrões comportamentais incompatíveis com o desenvolvimento infantil, bem como o papel dos pais ou responsáveis na exposição da imagem dos filhos em busca de visibilidade, engajamento e monetização. A pesquisa aborda questões relacionadas ao sharenting, ao trabalho infantil digital e à responsabilidade das plataformas digitais na proteção dos direitos da personalidade da criança. Utilizou-se metodologia bibliográfica e documental, com abordagem qualitativa, fundamentada em doutrina, legislação, artigos científicos e estudos sobre infância e ambiente digital. Os resultados demonstram que o ordenamento jurídico brasileiro possui mecanismos relevantes de proteção à criança, especialmente por meio da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente, mas ainda apresenta lacunas diante das transformações tecnológicas contemporâneas. O estudo parte da compreensão histórica e sociológica da infância, abordando a influência das redes sociais na construção de padrões sociais incompatíveis com essa fase da vida. Também discute os limites do exercício do poder familiar diante da proteção integral da criança e analisa a monetização da imagem infantil nas plataformas digitais. Conclui-se pela necessidade de construção de parâmetros jurídicos específicos e de políticas públicas voltadas à proteção integral da infância no ambiente digital.
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