A representação das medidas protetivas da lei Maria da Penha na mídia: análise de um caso de violência doméstica em Palmas, Tocantins
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Palavras-chave

violência doméstica
Lei Maria da Penha
medidas protetivas de urgência
mídia
processo penal

Como Citar

Azevedo, A. D. C., Guedes, A. V. C., Ramos, G. M. S., Nunes, J. T., & Wanderley, S. F. G. (2026). A representação das medidas protetivas da lei Maria da Penha na mídia: análise de um caso de violência doméstica em Palmas, Tocantins. Revista Ft, 30(158), 01-19. https://doi.org/10.69849/hds60c17

Resumo

O presente trabalho analisa a representação das medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha na mídia, a partir da investigação de um caso de violência doméstica ocorrido no estado do Tocantins. A pesquisa tem como objetivo compreender de que forma a cobertura midiática contribui para a construção da percepção social acerca da violência contra a mulher, bem como verificar a conformidade das informações divulgadas com a legislação e a doutrina jurídica. O estudo parte da premissa de que a violência doméstica constitui grave violação de direitos humanos, sendo a Lei nº 11.340/2006 um marco fundamental no enfrentamento desse fenômeno, ao instituir mecanismos de proteção à mulher, especialmente por meio das medidas protetivas de urgência. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo e analítico, utilizando-se o método de estudo de caso, com base em revisão bibliográfica, documental e análise de conteúdo de matéria jornalística. A pesquisa também se fundamenta em referenciais da criminologia e da vitimologia, permitindo compreender as dinâmicas de vulnerabilidade da vítima e os fatores estruturais que influenciam a violência doméstica. Os resultados evidenciam que, embora haja avanços institucionais na aplicação das medidas protetivas, como a redução do tempo de resposta do Poder Judiciário no Tocantins, ainda persistem falhas na efetividade dessas medidas, especialmente em casos de reiteração da violência. Verificou-se, ainda, que a mídia pode contribuir tanto para o esclarecimento quanto para a distorção dos fatos, influenciando a percepção social sobre a eficácia da Lei Maria da Penha e a atuação estatal. Conclui-se que a efetividade das medidas protetivas depende não apenas de sua previsão legal, mas também de sua adequada aplicação e da forma como são divulgadas socialmente. Nesse sentido, o fortalecimento das políticas públicas, aliado à correta atuação dos órgãos de justiça e à responsabilidade da mídia na veiculação de informações, mostra-se essencial para garantir a proteção das vítimas e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

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