Resumo
O corpo ocupa, na contemporaneidade, papel central nas relações sociais e nos processos de reconhecimento e aceitação social, especialmente em uma sociedade marcada pela valorização da juventude, da beleza e dos padrões estéticos. Nesse contexto, torna-se relevante refletir sobre o envelhecimento feminino e as representações sociais atribuídas ao corpo da mulher envelhescente, considerando os impactos culturais, simbólicos e subjetivos desse processo. Objetivo: Discutir o papel do corpo feminino durante o processo de envelhecimento, analisando as representações sociais, culturais e simbólicas relacionadas à velhice feminina. Metodologia: Trata-se de um estudo qualitativo, de natureza teórico-reflexiva, desenvolvido por meio de revisão bibliográfica narrativa, a partir da análise de artigos científicos, livros e documentos nacionais e internacionais disponíveis nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Scholar e PubMed. Resultados e Discussão: Observou-se que o envelhecimento feminino ainda é frequentemente associado à perda da beleza, da feminilidade e da valorização social, reforçando processos de invisibilidade, estigmatização e insatisfação corporal. A mídia, os padrões estéticos e as construções socioculturais contribuem para a valorização do corpo jovem e para a rejeição das marcas do envelhecimento, impactando diretamente a autoimagem e a subjetividade das mulheres idosas. Considerações finais: Conclui-se que o envelhecimento constitui um processo natural, heterogêneo e multifacetado, atravessado por dimensões biológicas, psicológicas, sociais e culturais. Dessa forma, torna-se fundamental ampliar as discussões acerca da corporeidade feminina na velhice, promovendo uma compreensão mais humanizada, plural e menos estigmatizada do envelhecimento feminino.
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