Resumo
Embora o ordenamento jurídico brasileiro não admita contratos que envolvam herança de pessoa viva, é possível ao titular do patrimônio uma postura ativa na organização de sua sucessão, com o objetivo de prevenir conflitos familiares, reduzir entraves burocráticos e mitigar impactos tributários futuros. Nesse contexto, o presente estudo parte da análise dos fundamentos jurídicos, constitucionais e patrimoniais do direito sucessório brasileiro, examinando tanto a sucessão legítima quanto a testamentária, com destaque para a proteção dos herdeiros necessários e os limites legais à autonomia privada. Na sequência, são abordados os instrumentos tradicionais de planejamento sucessório, incluindo mecanismos financeiros e securitários, o regime de bens no casamento e na união estável, bem como a partilha em vida e as doações como formas de antecipação sucessória, evidenciando suas funções na organização patrimonial. Por fim, o trabalho se concentra na holding familiar como instrumento de planejamento sucessório, analisando sua estrutura societária, natureza jurídica, modalidades e adequação prática. A pesquisa também examina os benefícios, limites e riscos jurídicos dessa estratégia, especialmente à luz das diretrizes introduzidas pela Reforma Tributária, com ênfase nos impactos sobre a tributação patrimonial e a reorganização hereditária. A partir de uma abordagem qualitativa, com método dedutivo e técnica de revisão bibliográfica e documental, conclui-se que, embora haja tendência de redução de vantagens fiscais e aumento do escrutínio jurídico, a holding familiar permanece como instrumento válido e eficiente, desde que utilizada com cautela, planejamento estratégico e observância rigorosa dos limites legais.
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