Resumo
Introdução: A Doença de Graves é uma enfermidade autoimune caracterizada pela produção de autoanticorpos estimuladores do receptor de TSH, conhecidos como Anticorpo anti-receptor de TSH (TRAb), que levam ao hipertireoidismo. O tratamento medicamentoso com antitireoidianos é amplamente utilizado como primeira linha terapêutica; no entanto, a recidiva da doença após a suspensão do tratamento é frequente, representando um desafio clínico importante. Nesse contexto, a identificação de marcadores preditores de recidiva, como os níveis de TRAb, torna-se fundamental para orientar decisões terapêuticas e melhorar o prognóstico dos pacientes. Objetivos: Analisar o papel do anticorpo anti-receptor de TSH (TRAb) como preditor de recidiva após a suspensão do tratamento medicamentoso na Doença de Graves. Como objetivos específicos, busca-se avaliar a associação entre os níveis de TRAb e o risco de recidiva, identificar fatores clínicos relacionados à recorrência da doença e discutir a aplicabilidade do TRAb na prática clínica. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com o objetivo de reunir e analisar evidências científicas sobre o papel do TRAb como marcador preditivo de recidiva na Doença de Graves. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO e CENTRAL (Cochrane Library), utilizando descritores dos vocabulários MeSH e DeCS, combinados com operadores booleanos, como “Graves disease AND TRAb AND recurrence AND antithyroid drug withdrawal”. Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a temática proposta. Resultados e discussão: Os estudos analisados demonstram que níveis elevados de TRAb ao final do tratamento medicamentoso estão significativamente associados a maior risco de recidiva da Doença de Graves. Pacientes com títulos persistentes ou elevados desses anticorpos apresentam maior probabilidade de retorno do hipertireoidismo após a suspensão dos antitireoidianos. Além disso, fatores como duração do tratamento, idade, tamanho da glândula tireoide e adesão terapêutica também influenciam o risco de recorrência. Observa-se que a dosagem do TRAb pode ser uma ferramenta útil na estratificação de risco, auxiliando na decisão de prolongar o tratamento ou considerar terapias definitivas, como iodo radioativo ou cirurgia. Entretanto, ainda existem variações nos pontos de corte e na padronização dos métodos laboratoriais, o que pode impactar a interpretação dos resultados. Conclusão: Conclui-se que o TRAb desempenha um papel relevante como preditor de recidiva na Doença de Graves após a suspensão do tratamento medicamentoso. A utilização desse marcador pode contribuir para uma abordagem mais individualizada e eficaz, reduzindo o risco de recorrência e melhorando o manejo clínico dos pacientes. Contudo, são necessários mais estudos para padronizar sua aplicação e definir protocolos clínicos mais precisos.
Referências
ANDERSON, R. F. et al. Doença de Graves: manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 11, p. 113–127, 2024.
ARAÚJO, L. S. et al. Doença de Graves e sua recidiva: relato de caso. Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, v. 20, n. 1, p. 40–43, 2022.
CHEN, Z. et al. High TRAb titer at diagnosis predicts persistent positivity and relapse in Graves' disease after prolonged antithyroid therapy. Endocrinology and Metabolism, Seoul, v. 40, n. 6, p. 950–960, dez. 2025.
MASCARENHAS, A. C. et al. Doença de Graves. Brazilian Journal of Health and Biological Science, v. 1, n. 1, p. e33–e33, 2024.
MORAES, S. S. et al. Comparação entre doença de Plummer e doença de Graves: diferenças clínicas, diagnósticas e terapêuticas. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 7, p. 921–930, 2024.
OLIVEIRA, N. M. et al. Manifestações clínicas e diagnóstico da doença de Graves em crianças e adolescentes. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 10, p. 1615–1637, 2024.
RIBEIRO, G. G. et al. Doença de Graves: avaliação endocrinológica e manifestações oftalmológicas. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 9, n. 9, p. 887–900, 2023.
ROQUE, C. V. et al. Avaliação da correlação de anticorpos antitireoideanos com a evolução da doença de Graves. 2025. 44 f. Monografia (Bacharelado em Medicina) – Universidade Estadual do Piauí, Teresina, 2025.
SILVA, M. I. et al. Doença de Graves e sua relação com o hipertireoidismo. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 11, p. 6217–6231, 2024.
TUN, N. N. et al. Ten-year outcome of antithyroid drug treatment for first episode Graves' thyrotoxicosis: the predictive importance of TRAb. Clinical Endocrinology, Oxford, v. 103, n. 4, p. 612–618, out. 2025.
UCHÔA, J. P. et al. Doença de Graves: aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos e manejo terapêutico. Brazilian Journal of Development, [S. l.], v. 8, n. 5, p. 34257–34268, 2022.
VELASQUE, R. A. et al. Atualizações sobre a doença de Graves neonatal: principais avaliações diagnósticas e tratamentos. Research, Society and Development, v. 12, n. 10, p. e69121043468, 2023.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 André Murilo de Freitas Gonçalves, Lucas Carneiro da Silva, Mateus de Almeida Ferreira, Monique Evelin de Souza, Tarcísio Gontijo Nery, Amanda Santos Alves Freire (Autor)