Práticas humanizadas de enfermeiros no atendimento hospitalar: uma Revisão Sistemática de Literatura - RSL
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Práticas humanizadas de enfermeiros no atendimento hospitalar: uma Revisão Sistemática de Literatura - RSL


A systematic literature review of nurses’ humanized practices in hospital care

Larissa Monteiro Gil[1]
Davi Santana da Silva[2]

Ana Cássia Batista de Souza[3]

José Victor Negreiros Nascimento[4]

Raylane Katicia da Silva Gomes[5]

Resumo

Este artigo de Revisão Sistemática de Literatura tem como objetivo analisar as práticas de humanização do cuidado na enfermagem em contexto hospitalar, identificando contribuições e desafios apresentados por enfermeiros em atuação profissional. Seus aportes teóricos são assegurados nas contribuições de Potter e Perry (2010), Sousa et al. (2019), Petroni e Cinelli (2025) referentes a humanização do atendimento realizado por enfermeiros através de uma prática humanizada e social para cidadãos. Sua trilha metodológica está estruturada nas concepções de Creswell (2014) para pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e bibliográfica conforme Gil (2002) seguindo as etapas definidas por Marinho (2025) para revisões sistemáticas, com a análise dos dados na estrutura da Análise de Conteúdo de Bardin (1996). Nos resultados evidenciamos as categorias e subcategorias de atendimentos inovadores e diferenciais que significam o atendimento humanizado realizado por enfermeiros nas unidades hospitalares.

Palavras-chave: Enfermeiros; Cuidados humanizados; Hospitais.

Abstract

This Systematic Literature Review article aims to analyze the practices of humanization of care in nursing in a hospital context, identifying contributions and challenges faced by nurses in professional practice. Its theoretical foundations are supported by the contributions of Potter and Perry (2010), Sousa et al. (2019), Petroni and Cinelli (2025) regarding the humanization of care provided by nurses through a humanized and social practice for citizens. Its methodological path is structured in the conceptions of Creswell (2014) for qualitative research, of an exploratory and bibliographic nature according to Gil (2002), following the steps defined by Marinho (2025) for systematic reviews, with data analysis based on Bardin's (1996) Content Analysis framework. In the results, we intend to highlight categories and subcategories of innovative and differentiated care that represent the humanized care carried out by nurses in hospital units.

Keywords: Nurses; Humanized care; Hospitals.

1 Introdução

A humanização do cuidado é um princípio fundamental na prática de enfermagem, pois reconhece a integralidade do paciente e a importância de um atendimento que vá além das necessidades biológicas. Nessa perspectiva, observa-se nas últimas décadas uma crescente valorização das práticas humanizadas como estratégia para melhorar a qualidade da assistência e promover maior vínculo entre profissional e paciente, buscando conciliar a técnica com a sensibilidade, garantindo um cuidado mais ético e centrado no ser humano (Silva e Santos, 2021).

Em contribuição a essas argumentações as pesquisas de Silva e Santos (2021) e Braga e Silva (2021) corroboram ao descrever que as pesquisas referentes a humanização do cuidado são discutidas como um elemento fundamental para qualificar a experiência do paciente durante a hospitalização. Assim podemos destacar que as pesquisas científicas qualitativas apontam lacunas que a percepção de cuidado humanizado está diretamente relacionada ao acolhimento, ao respeito e à construção de relações terapêuticas mais próximas, que considerem as necessidades emocionais e subjetivas de cada indivíduo (Braga e Silva, 2021).

Em ambientes hospitalares relacionados a humanização do atendimento, Braga e Silva (2021) contribuem para a comunidade acadêmica que as emoções como medo, dor e insegurança estão frequentemente presentes, a presença atenta e empática da equipe de enfermagem contribui para minimizar impactos negativos e promover maior sensação de segurança para o paciente.

A pesquisas de Barbosa, Torres e Lima (2002) destaca que a humanização do cuidado é influenciada por fatores institucionais, como clima organizacional, políticas internas e práticas de gestão, ressaltando que instituições que investem em processos de educação permanente, suporte emocional aos profissionais e modelos de gestão colaborativos apresentam maior probabilidade de implementar práticas humanizadas de forma consistente, onde a atuação do enfermeiro não se limita à esfera individual, mas está inserida em um contexto organizacional que pode potencializar ou limitar a qualidade do cuidado ofertado.

Em somatória as discussões da relação entre humanização e segurança do paciente, estudos demonstram que práticas centradas na comunicação clara, no respeito à autonomia e na escuta qualificada contribuem não apenas para o bem-estar emocional, mas também para a redução de erros, aumento da adesão ao tratamento e melhora nos resultados clínicos (Santos et al., 2023).

Dessa maneira, a humanização deixa de ser vista apenas como um aspecto subjetivo e passa a ser reconhecida como parte estratégica da assistência, com impacto direto na qualidade e na efetividade das intervenções de enfermagem. Mas em contraste, o contexto hospitalar apresenta inúmeros desafios para a efetivação da humanização, como a sobrecarga de trabalho, a escassez de recursos, a pressão por resultados imediatos e a alta demanda por procedimentos técnicos.

Nesses contextos como a sobrecarga, as problemáticas administrativas e altas demandas no atendimento, são fatores contribuintes para o aumento das dificuldades que permita que o enfermeiro exerça plenamente sua função de cuidado integral, resultando em práticas mecanizadas e pouco acolhedoras, evidenciando a necessidade de refletir sobre as estratégias que possibilitam a inserção efetiva da humanização no cotidiano da enfermagem (Oliveira e Andrade, 2020).

As reflexões direcionadas à implementação de políticas e programas institucionais, como a Política Nacional de Humanização (PNH), contribuem para o avanço importante na promoção de práticas de cuidado humanizadas, mesmo com tais modificações nesses lócus, os resultados na prática assistencial nem sempre correspondem às diretrizes propostas, o que indica lacunas entre teoria e realidade.

Nesse caminho, as pesquisas de Silva e Cardoso (2023) destacam que, embora a PNH tenha contribuído para consolidar a humanização como diretriz das políticas públicas de saúde, sua efetivação depende de condições estruturais adequadas, formação continuada e engajamento das equipes multiprofissionais, evidenciando lacunas para pesquisas bibliográficas sobre a humanização no cuidado de enfermagem possibilita resgatar contribuições já consolidadas na literatura e refletir sobre estratégias aplicáveis ao contexto hospitalar, permitindo reforçar a relevância desse tema para a formação profissional, incentivando a construção de uma prática de enfermagem mais ética, acolhedora e comprometida com a integralidade do paciente (Mendes e Rocha, 2022).

Considerando as problemáticas apresentadas através de pesquisas bibliográficas apresentadas, evidenciamos como problemática dessa pesquisa: Quais são as práticas e abordagens relacionadas à humanização do cuidado no contexto hospitalar destacadas pela literatura como estratégias eficazes para promover um atendimento mais integral e acolhedor? Permitindo alcançar publicações que auxiliem no entendimento de avanços e reflexões que podem contribuir para tal contexto não somente para a formação inicial e meio acadêmico como também para profissionais que atuam na área.

Neste trabalho, propomos como objetivo geral: Analisar as práticas de humanização do cuidado na enfermagem em contexto hospitalar, identificando contribuições e desafios apresentados por enfermeiros. Como objetivos específicos: Identificar os principais conceitos de humanização do cuidado descritos em estudos sobre enfermagem; Analisar as estratégias de humanização aplicadas ao atendimento hospitalar; Discutir os desafios enfrentados pelos enfermeiros na implementação de práticas humanizadas; Refletir sobre a contribuição da humanização para a qualidade da assistência e a relação enfermeiro-paciente.

Buscamos apresentar uma pesquisa bibliográfica para conhecer e contribuir para os caminhos formativos de alunos de enfermagem ou de pesquisadores interessados nas pesquisas qualitativas relacionadas ao atendimento humanizado desses profissionais dentro dos ambientes hospitalares perpassando para outros ambientes de saúde pública internacional, nacional e regional, mobilizando discussões nesse ambiente formativo e profissional que asseguram a aquisição dos direitos da constituição brasileira e referidos nos direitos humanos.

Esta pesquisa bibliográfica apresenta sua relevância para os campos científicos e tecnológicos brasileiros, assegurando que as discussões das pesquisas científicas nacionais e permeada através do critério e rigor científico gera um novo produto científico que contribui que permeiam novas concepções e arguições sobre os âmbitos relacionados ao atendimento humanizado por enfermeiros. No campo tecnológico, esta pesquisa visa apresentar mobilizações e inovações nesses ambientes de certo a aquisição de perspectivas tecnológicas e atualização através de políticas públicas que auxiliam no desenvolvimento profissional.

2 Revisão da Literatura

Os aportes teóricos que asseguram a problematização e aos objetivos desta pesquisa partem das discussões de Potter e Perry (2010, p. 12, tradução nossa) quando destacam que “cuidado de enfermagem humanizado envolve respeito, empatia e comunicação eficaz com o paciente”. Ao discutir a ideia de Potter e Perry (2010), entende-se que o atendimento humanizado não é um elemento complementar, mas sim central na prática profissional do enfermeiro.

Nesse sentido, a humanização proposta pelos autores também se articula com princípios éticos da profissão, pois cuidar envolve preservar a dignidade e a autonomia do paciente em todas as etapas da assistência. Além disso, a comunicação eficaz destacada por Potter e Perry (2010) e Santos et al. (2019) é fundamental para estabelecer confiança, reduzir a ansiedade e favorecer a adesão ao tratamento, assim, o enfermeiro deixa de ser apenas executor de procedimentos e passa a atuar como um mediador do cuidado, promovendo um ambiente mais acolhedor e seguro.

Em somatório, elencamos a importância das pesquisas de Sousa et al. (2019, p. 7) ao discorrer que ““mesmo em ambientes de alta pressão, como os serviços de urgência e emergência, a assistência de enfermagem deve preservar a dignidade e o respeito ao paciente”. Nesse contexto, é fundamental que o cuidado prestado não se restrinja apenas à execução de procedimentos técnicos, mas que também incorpore atitudes que valorizem a dignidade, o respeito e as necessidades individuais do paciente.

Diante da pressão e da sobrecarga de trabalho, o enfermeiro deve buscar estabelecer uma relação empática e acolhedora, garantindo um atendimento integral e de qualidade. Dessa forma, a humanização torna-se um elemento essencial para a promoção de um cuidado mais ético e eficaz, contribuindo significativamente para a recuperação e o bem-estar do paciente (Sousa et al., 2019).

Asseguramos as contribuições de Petroni e Cinelli (2025) ao corroborar que a utilização de estratégias como acolhimento, escuta qualificada e educação permanente evidência que a humanização na enfermagem não ocorre de forma espontânea, mas depende de práticas estruturadas e intencionais no cotidiano dos serviços de saúde.

Para Petroni e Cinelli (2025) o acolhimento configura-se como a porta de entrada para um cuidado mais sensível, pois permite reconhecer o paciente em sua singularidade, promovendo vínculo e confiança. Assim, tais estratégias se articulam “como acolhimento, escuta qualificada e educação permanente são fundamentais para fortalecer a humanização na assistência de enfermagem” (Petroni e Cinelli, 2025, p. 8).

Assim, destacamos a contribuição da pesquisadora Rios (2009) ao escrever que emergência da humanização na saúde brasileira está diretamente relacionada à crítica ao modelo historicamente centrado na doença, na fragmentação do cuidado e na valorização exclusiva dos aspectos técnicos, onde esse modelo, embora fundamental para os avanços científicos, mostrou-se insuficiente para atender às necessidades integrais dos pacientes, desconsiderando suas dimensões emocionais, sociais e culturais.

Nesse contexto, a humanização surge como uma proposta de transformação das práticas assistenciais, promovendo uma abordagem mais integral e centrada no sujeito, ao valorizar o acolhimento, a escuta e o vínculo, essa perspectiva amplia o entendimento do cuidado em saúde, integrando competência técnica com sensibilidade ética e relacional. Dessa forma, a humanização não apenas redefine o papel dos profissionais de saúde, mas também contribui para a construção de um sistema mais equitativo, participativo e orientado para a dignidade humana (Rios, 2009, p. 15).

Permeamos as argumentações de Almeida (2023), a qual descreve que “a humanização da assistência de enfermagem envolve uma abordagem holística e integral do cuidado, que considere não apenas os aspectos físicos, mas também emocionais, sociais e espirituais do paciente” (Almeida, 2023, p. 1).

No ambiente das unidades de terapia intensiva (UTI), onde prevalece alta tecnologia, gravidade clínica e elevado risco de mortalidade, desafia-se ainda mais a prática de cuidado humanizado, em consonância aos estudos de Souza, Salomão e Oliveira (2025) onde apresentam que os principais desafios para a atuação da enfermagem são a sobrecarga de trabalho, o predomínio de práticas tecnicistas e déficit de capacitação para lidar com a dimensão humana do enfermar.

A presença da família no processo terapêutico torna-se um elemento essencial da humanização, conforme evidenciado em estudos recentes, onde os autores, Pinto et al. (2022, p.325) enfatizam que “o protagonismo da família, em articulação com a equipe de enfermagem, favorece o vínculo, a confiança e a continuidade do cuidado”. Essa articulação exige redefinição dos papéis profissionais, ampliação da escuta e flexibilização de protocolos rígidos, de modo a considerar a singularidade do paciente e de seu contexto.

A pandemia da Covid-19 trouxe ao debate da enfermagem hospitalar aspectos que antes eram menos visíveis, como vulnerabilidade emocional dos pacientes e dos profissionais, necessidade de comunicação humanizada mesmo sob barreiras físicas e de biossegurança, e urgência de políticas institucionais voltadas à valorização do cuidado. Silva et al. (2024, p. 48) apontam que “o isolamento social, o uso prolongado de EPIs e a limitação do contato humano reforçaram a importância de práticas que promovam acolhimento e presença emocional do enfermeiro”. Nesse sentido, o ambiente hospitalar requer adaptações que garantam o cuidado enquanto experiência humanizadora.

A gestão e a dimensão organizacional do cuidado aparecem como condicionantes fundamentais para que a humanização se efetive, elencando o que Oliveira, Pinto e Santos (2022) argumentam para a implementação da política de humanização exige mais do que vontade individual: envolve cultura institucional, recursos humanos adequados, formação continuada e sistemas que estimulem o cuidado centrado no paciente. Assim, o enfermeiro profissional vê-se inserido em uma rede de fatores que podem tanto favorecer quanto bloquear a humanização do cuidado.

A dimensão emocional e do bem-estar dos profissionais de enfermagem também merece atenção no contexto do cuidado humanizado. Conforme Alves, Pereira e Araújo (2024), o cuidado do outro só se efetiva plenamente quando cuidado e auto­cuidado caminham juntos; prevenções de burnout e suporte psicológico à equipe são estratégias que fortalecem a assistência humanizada. Tornam-se, portanto, imprescindíveis ações de gestão que promovam a saúde do trabalhador para que este possa responder com humanidade à demanda assistencial.

A comunicação é um elemento-chave da humanização no cuidado de enfermagem conforme propõe Pinto, Rigaud e Souza (2023. P. 11) ao identificar que “a comunicação empática entre enfermeiro e paciente favorece a construção de vínculo, reduz a sensação de invisibilidade do usuário e melhora a percepção de cuidado”. Esse aspecto se torna ainda mais relevante em contextos críticos, como UTIs ou unidades de urgência, onde o paciente se encontra em estado de vulnerabilidade.

Estudos recentes também revelam que o design do ambiente hospitalar e as práticas organizacionais interferem diretamente na humanização do cuidado. De acordo com Serejo e Gama (2025), no artigo “Estratégias e desafios na humanização do cuidado de enfermagem a crianças autistas em ambiente hospitalar”, a adaptação ambiental (iluminação, ruído, espaço para família) foi apontada como fator importante para reduzir o estresse e promover acolhimento. Essa evidência reafirma que a humanização não se resume ao comportamento individual, mas ao conjunto de ações sistemáticas no ambiente.

Também se observa o papel do enfermeiro como agente de mudança para a promoção de práticas de cuidado humanizado, atuando como facilitador do empoderamento do paciente e agente de vínculo. Ademais, Pinto, Rigaud e Souza (2022), o enfermeiro que assume o protagonismo do cuidado humanizado promove a autonomia do paciente e reconhece a singularidade de sua história. Assim, a humanização requer não apenas técnica, mas atitude ética, reflexiva e centrada na pessoa.

Por fim, apesar dos avanços identificados na literatura, persiste uma lacuna importante: a mensuração dos impactos da humanização na qualidade de vida, no tempo de internação e no bem-estar dos pacientes e familiares ainda é incipiente. Conforme Souza, Salomão e Oliveira (2025, p.9), “são necessários estudos longitudinais que articulem indicadores quantitativos e qualitativos para avaliar os desdobramentos do cuidado humanizado no cuidado intensivo”. Essa constatação aponta para a necessidade de pesquisas futuras mais robustas, capazes de guiar políticas e práticas assistenciais.

3 Metodologia

Buscando alcançar responder a questão problema levantada através dos aportes teóricos apresentados nesta pesquisa e para galgar a centralidade do objetivo geral e específicos apresentados, partimos das trilhas metodológicas da pesquisa de abordagem qualitativa. Dessa forma, o presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa assegurada através das concepções de Creswell (2014) ao destacar e definir a natureza e métodos para pesquisas nessa vertente.

A abordagem qualitativa foi adotada por possibilitar a interpretação crítica dos significados e das práticas relacionadas à humanização, privilegiando a compreensão dos fenômenos sociais e humanos que envolvem o cuidado, decerto que “a pesquisa qualitativa busca captar a subjetividade das experiências e os sentidos atribuídos pelos sujeitos às suas ações, favorecendo análises aprofundadas sobre comportamentos, percepções e práticas profissionais” Ferreira e Santos (2023).

Esta pesquisa é classificada como exploratória de caráter bibliográfica conforme as argumentações de Gil (2002) para construção de trabalhos acadêmicos, pois as pesquisas exploratórias “têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vista a torná-lo mais explícito ou construir hipótese” (Gil, 2002, p. 41) e as pesquisas bibliográficas são “desenvolvidas com base em material já elaborado, construído principalmente de livros e artigos científicos” (Gil, 2002, p. 44).

Dessa forma a coleta de dados será através da Revisão Sistemática de Literatura baseadas na base de dados Google Acadêmico, seguindo a estrutura de desenvolvimento de Marinho (2025) ao apresentar uma sistematização apresenta que:

[...] o foco desse método de investigação é analisar as produções científicas, conforme os eixos temáticos da pesquisa de forma abrangente do estudo desenvolvido, sistematizando para o entendimento das contribuições apresentadas nesses trabalhos para produção e divulgando os resultados desenvolvidos pelo pesquisador (Marinho, 2025, p. 21).

O pesquisador Marinho (2025) descreve que uma Revisão Sistemática de Literatura ocorre em 5 etapas, os quais serão utilizados nesta pesquisa:

  1. Formulação da questão de pesquisa (Problemática e objetivos);
  2. Definição do critério de inclusão e exclusão;
  3. Seleção e acesso à literatura;
  4. Avaliação da qualidade da literatura incluída na revisão;
  5. Analisar, sintetizar e divulgar os resultados.

Com a definição da questão-problema apresentada na introdução e na seção dos objetivos, geral e específico, contemplando a primeira etapa da pesquisa, buscamos definir os critérios de inclusão e exclusão.

Os critérios de inclusão contemplam artigos publicados entre 2021 e 2025, em língua portuguesa, revisados por pares e que abordem diretamente a humanização do cuidado em enfermagem, considerando apenas artigos de revisão. Serão excluídos resumos de eventos, artigos que não aparecem referência conforme a NBR 6023, trabalhos duplicados e produções que não apresentem relação com o tema central. As informações coletadas serão organizadas em planilha, incluindo autor, ano, objetivo, metodologia, principais resultados e conclusões. Utilizamos a seguinte configuração para a coleta mais refinada dos dados:

Tabela 1 – Descritores

Base de dados

Configuração utilizada

Google Acadêmico

((Enfermagem) AND (Práticas humanizadas) AND (Atendimento hospitalar)) OUR ((Atendimento humanizado) AND (Enfermeiros))

Fonte: elaborada pelos autores.

A análise dos dados será realizada com base na técnica da Análise de Conteúdo de Bardin (1996), constituída por uma abordagem metodológica amplamente empregada na investigação qualitativa de trabalhos de pesquisa, voltada à interpretação rigorosa de comunicações. Essa técnica desenvolvida mediante um conjunto de estratégias que busca examinar dados textuais, sendo entrevistas, documentos ou registros discursivos, por meio de procedimentos sistemáticos de categorização e codificação, com o objetivo de produzir inferências válidas e replicáveis.

Estruturamos a análise dos dados coletados mediante as três etapas fundamentais da Análise de Conteúdo de Bardin (1996): a pré-análise, onde realizamos a organização do corpus e a definição de objetivos analíticos desta pesquisa; conseguintes mobilizamos a exploração do material, caracterizada pela codificação e construção de categorias; e, por fim, configuramos o tratamento dos resultados, etapa em que se realizam a interpretação e a articulação dos achados com o referencial teórico.



4 Resultados e Discussão

Este estudo, após a aplicação dos processos da coleta de dados, descritos na seção metodologia, apresenta como resultados para análise e discussão, 20 artigos encontrados na base de dados ‘Google Acadêmico”, com aproveitamento de 7 trabalhos, explorados com foco em responder a questão-problema e alcançar os objetivos geral e específicos propostos. Os dados coletados serão apresentados na tabela X, abaixo.

Tabela 2 – Coleta de dados

ANO

REFERÊNCIA

2024

RIBEIRO, Mayra das Graças Machado Alves et al. HUMANIZAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM NO ÂMBITO PRÉ-HOSPITALAR: UMA REVISÃO INTEGRATIVA. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 9, p. 1305-1318, 2024.

2021

FERREIRA, Julyenne Dayse de Oliveira et al. Estratégias de humanização da assistência no ambiente hospitalar: revisão integrativa. Revista Ciência Plural, v. 7, n. 1, p. 147-163, 2021.

2022

NASCIMENTO, Rhawell Albuquerque do et al. Atuação da enfermagem na assistência a pacientes com traumatismo cranioencefálico: uma revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 11, n. 8, p. e56111831443-e56111831443, 2022.

2022

ROCHA, Danielly. A Atuação Do Enfermeiro Obstetra No Parto Humanizado e O Uso Do Banquinho Meia Lua: Uma Revisão De Literatura. Saúde coletiva: Mudanças, necessidades e embates entre sociedade e estado, 2022.

2025

PIKHARDT, Tamila Cunha et al. Ferramentas de educação em saúde aplicada na adesão e permanência do aleitamento materno (AM): Uma revisão da literatura. Studies in Health Sciences, v. 6, n. 1, p. e13144-e13144, 2025.

2024

FORTES, Amanda Karoliny Meneses Resende et al. Tecnologias para a promoção do contato pele a pele na primeira hora de vida: revisão integrativa. REME-Revista Mineira de Enfermagem, v. 28, 2024.

2023

MOLINA FILHO, Enio Teixeira et al. Cuidados paliativos em terapia intensiva: revisão integrativa. Revista Bioética, v. 31, p. e3418PT, 2023.

Fonte: Elaborada pelos autores.

Com a análise da tabela, fundamentada nas concepções de Bardin (1996), a organização temática das produções científicas ao longo dos anos. Na fase de pró-análise, observamos que os estudos estão concentrados no campo da enfermagem, com ênfase na qualidade da assistência e no cuidado ao paciente e com a exploração do material, três categorias principais:

(1) humanização da assistência, presente nos estudos de 2021, 2022 e 2024, abordando desde o contexto hospitalar até o pré-hospitalar e o parto humanizado;

(2) práticas assistenciais específicas, incluindo o cuidado a pacientes com traumatismo cranioencefálico e a atuação em cuidados paliativos em terapia intensiva; e

(3) estratégias de promoção da saúde, que englobam o uso de tecnologias e ações educativas voltadas ao aleitamento materno e ao contato pele a pele.

Na etapa de tratamento e interpretação dos dados, identifica-se uma tendência de ampliação das abordagens humanizadas associadas a práticas baseadas em evidências e ao uso de tecnologias, reforçando a centralidade do cuidado integral e a valorização do protagonismo do paciente nos diferentes contextos assistenciais.

Na etapa de exploração do material, observa-se que a humanização emerge como eixo central, sendo destacada tanto no ambiente hospitalar quanto no pré-hospitalar, conforme apresenta a pesquisa de Ribeiro et al. (2024) e Ferreira et al. (2021), que ressaltam a importância de estratégias que promovam acolhimento, empatia e cuidado centrado no paciente. Foram percebidas, também, que é reforçada no contexto obstétrico, conforme Rocha (2022) evidência, as práticas que favorecem o protagonismo da mulher no parto humanizado.

Outra categoria que conseguimos identificar, refere-se às práticas assistenciais específicas, nas quais se destacam a atuação da enfermagem em situações críticas, como no cuidado a pacientes com traumatismo cranioencefálico e em unidades de terapia intensiva, conforme apresentado por Nascimento et al. (2022) e Molina Filho et al. (2023), onde evidenciam a necessidade de conhecimentos técnicos aliados a uma abordagem humanizada, sobretudo em contextos de maior complexidade clínica.

Nesse contexto, configura-se a categoria relacionada às estratégias de promoção da saúde e uso de tecnologias, evidenciada nos estudos de Pikhardt et al. (2025) e Fortes et al. (2024), que abordam o uso de ferramentas educativas para incentivo ao aleitamento materno e a aplicação de tecnologias no fortalecimento do contato pele a pele na primeira hora de vida.

Na etapa de interpretação, podemos inferir que os dados revelam uma tendência de integração entre humanização, conhecimento técnico-científico e uso de tecnologias, apontando para um modelo de assistência mais integral, centrado nas necessidades do paciente e baseado em evidências. Dessa forma, os estudos analisados demonstram que a enfermagem vem se consolidando como uma área que articula cuidado humanizado e inovação, contribuindo significativamente para a qualidade da atenção em saúde.



5 Considerações Finais

Nos aspectos conclusivos deste estudo, podemos inferir que os estudos analisados indicam que a humanização está fundamentada em princípios como acolhimento, empatia, escuta qualificada e respeito à individualidade do paciente, configurando-se como um elemento essencial para a construção de um cuidado integral e centrado nas necessidades humanas, mediante aos avanços e necessidades pessoais apresentadas e desenvolvidas por cada enfermeiro em exercício.

Os trabalhos analisados, evidenciam que as principais estratégias envolvem o fortalecimento do vínculo entre profissional e paciente, a promoção do cuidado centrado na pessoa, a valorização do protagonismo do indivíduo no processo de saúde-doença e a incorporação de práticas que favoreçam um ambiente mais acolhedor e resolutivo no contexto hospitalar para práticas tradicionais que funcionam e configuração de novas.

Inferimos mediante a análise de dados analisados que a efetivação da humanização ainda enfrenta entraves importantes, como a sobrecarga de trabalho para cada enfermeiros e técnicos de enfermagens, limitações estruturais dos serviços de saúde pública ou privada, alta demanda de atendimento para cada profissional, escassez de recursos e a necessidade de capacitação contínua dos profissionais, fatores que impactam diretamente na qualidade da assistência prestada no decorrer do atendimento..

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  1. Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – Itacoatiara – Amazonas – Brasil.
    ORCID: https://orcid.org/0009-0002-8165-7911

  2. Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – Itacoatiara – Amazonas – Brasil.
    ORCID: https://orcid.org/0009-0003-0093-433X

  3. Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – Itacoatiara – Amazonas – Brasil.
    ORCID: https://orcid.org/0009-0009-5994-8879

  4. Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – Itacoatiara – Amazonas – Brasil.
    ORCID: https://orcid.org/0009-0008-9115-0632

  5. Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – Itacoatiara – Amazonas – Brasil.
    ORCID: https://orcid.org/0009-0001-5059-7031

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Copyright (c) 2026 Larissa Monteiro Gil, Davi Santana da Silva, Ana Cássia Batista de Souza, José Victor Negreiros Nascimento, Raylane Katicia da Silva Gomes (Autor)

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