Resumo
A sífilis congênita representa relevante problema de saúde pública no estado do Piauí e no Brasil. Objetivo: Identificar e analisar os casos de sífilis congênita no Piauí entre 2022 e 2024, verificando os fatores associados à sua ocorrência. Métodos: Estudo descritivo quantitativo, retrospectivo, realizado com dados secundários obtidos no DATASUS/SINAN. Foram analisadas as variáveis: faixa etária materna, raça/cor, escolaridade e tratamento do parceiro. Resultados: Foram confirmados 792 casos no período. Houve maior incidência em mulheres pardas (534 casos) e na faixa etária de 20 a 24 anos (31,1%). Apenas 23,59% dos parceiros realizaram tratamento. Baixa escolaridade materna esteve associada à maior ocorrência. Conclusão: A sífilis congênita persiste no Piauí associada à vulnerabilidade social, à baixa adesão do parceiro ao tratamento e a falhas na qualidade do pré-natal. Medidas integradas de educação em saúde, diagnóstico precoce e tratamento imediato com penicilina benzatina são estratégicas para o controle da transmissão vertical.
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