A atuação da fisioterapia esportiva na prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas amadores: uma revisão bibliográfica.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

Introdução: A prática esportiva entre atletas amadores apresentou crescimento significativo nos últimos anos, estando esse aumento associado a maior incidência de lesões musculoesqueléticas, especialmente em membros inferiores, frequentemente relacionadas à ausência de preparo físico adequado, orientação profissional e estratégias preventivas sistematizadas. Justificativa: Diante da elevada ocorrência de lesões nesse público e dos impactos negativos na saúde e no desempenho esportivo, tornou-se relevante investigar estratégias eficazes de prevenção, destacando o papel da fisioterapia esportiva nesse contexto. Objetivo: Analisar as evidências científicas acerca da efetividade das intervenções da fisioterapia esportiva na prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas amadores. Métodos: Tratou-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, realizada por meio de busca em bases de dados eletrônicas, com aplicação de critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, resultando na seleção de 24 estudos. Resultados: Observou-se maior prevalência de lesões nos membros inferiores, associadas principalmente à sobrecarga, déficits neuromusculares e histórico prévio de lesões. Verificou-se ainda que intervenções fisioterapêuticas baseadas em fortalecimento muscular, exercícios excêntricos, treinamento proprioceptivo e controle da carga de treinamento demonstraram efetividade na redução da incidência de lesões. Discussão: Os achados evidenciaram a importância da atuação preventiva da fisioterapia esportiva, indicando que programas estruturados e individualizados contribuíram para a melhora da estabilidade articular, do controle neuromuscular e do desempenho funcional. Conclusão: Concluiu-se que a fisioterapia esportiva desempenhou papel fundamental na prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas amadores, sendo eficaz na redução da incidência de lesões e na promoção da saúde e do desempenho esportivo.

Descritores: Fisioterapia; Prevenção de Lesões; Atletas Amadores; Lesões Musculoesqueléticas.

ABSTRACT

Introduction: Sports practice among amateur athletes has shown significant growth in recent years, with this increase associated with a higher incidence of musculoskeletal injuries, especially in the lower limbs, often related to the lack of adequate physical preparation, professional guidance and systematized preventive strategies. Justification: Given the high occurrence of injuries in this population and the negative impacts on health and sports performance, it has become relevant to investigate effective prevention strategies, highlighting the role of sports physiotherapy in this context. Objective: To analyze the scientific evidence about the effectiveness of sports physiotherapy interventions in preventing musculoskeletal injuries in amateur athletes. Methods: This was an integrative literature review, with a qualitative and descriptive approach, carried out through a search in electronic databases, applying previously defined inclusion and exclusion criteria, resulting in the selection of 24 studies. Results: A higher prevalence of injuries to the lower limbs was observed, mainly associated with overload, neuromuscular deficits and previous history of injuries. It was also found that physiotherapeutic interventions based on muscle strengthening, eccentric exercises, proprioceptive training and training load control demonstrated effectiveness in reducing the incidence of injuries. Discussion: The findings highlighted the importance of preventive action in sports physiotherapy, indicating that structured and individualized programs contributed to improving joint stability, neuromuscular control and functional performance. Conclusion: It was concluded that sports physiotherapy played a fundamental role in preventing musculoskeletal injuries in amateur athletes, being effective in reducing the incidence of injuries and promoting health and sports performance.

Descriptors: Physiotherapy; Injury Prevention; Amateur Athletes; Musculoskeletal Injuries.

  1. INTRODUÇÃO

A prática esportiva entre atletas amadores tem apresentado crescimento significativo em diferentes contextos brasileiros, impulsionada por iniciativas comunitárias, escolares e ligas independentes voltadas à promoção da saúde e integração social (SILVA et al., 2022).

Entretanto, a participação em atividades esportivas sem preparo físico adequado, orientação técnica qualificada e acompanhamento profissional sistemático aumenta o risco de lesões musculoesqueléticas, especialmente em Membros Inferiores (MIMII), com maior acometimento de joelhos, tornozelos e musculatura isquiotibial (ZHANG et al., 2024; YILMAZ et al., 2024).

No esporte amador, fatores como sobrecarga de treinamento, déficits de força excêntrica, limitação de mobilidade articular, alterações no controle neuromuscular, histórico prévio de lesão e falhas na execução técnica estão diretamente associados ao surgimento e recorrência de lesões (ARUNDALE et al., 2023; CASTILLO et al., 2025).

Soma-se a esse cenário a irregularidade na periodização dos treinos e a limitação de infraestrutura e suporte educacional, o que amplia a vulnerabilidade dessa população. Embora a prática esportiva represente importante estratégia de promoção da saúde, a ausência de estrutura preventiva adequada pode transformar esse ambiente em fator de risco para afastamentos e prejuízos funcionais (VIIALA et al., 2025).

Nesse contexto, a fisioterapia esportiva assume papel central na prevenção primária e secundária de lesões. Evidências recentes demonstram que intervenções multicomponentes (incluindo aquecimento neuromuscular estruturado, exercícios excêntricos, fortalecimento muscular, treinamento proprioceptivo e orientações relacionadas à gestão de carga e retorno ao esporte) reduzem significativamente a incidência de lesões em atletas amadores e jovens (HILSKA et al., 2021; DING et al., 2022; LI et al., 2023).

Programas sistematizados, como o FIFA 11/11+, apresentam resultados consistentes na diminuição de lesões em extremidades inferiores, além de contribuírem para melhora do desempenho e maior longevidade esportiva (ASGARI et al., 2022; YANG et al., 2022).

A literatura reforça a importância da integração entre demandas específicas da modalidade esportiva e estratégias preventivas baseadas em evidências. A incorporação planejada de treinamento de sprint de alta intensidade associada ao fortalecimento excêntrico dos isquiotibiais tem demonstrado potencial para promover adaptações músculo-tendinosas relevantes e reduzir a incidência de lesões musculares posteriores da coxa (Tedeschi et al., 2025).

De modo complementar, programas fundamentados em componentes neuromusculares, equilíbrio dinâmico e estabilidade articular apresentam efeitos protetivos importantes na prevenção de lesões e na melhora de desfechos funcionais (Estratégias fisioterapêuticas na promoção da saúde articular, 2025).

Ademais, o treinamento proprioceptivo estruturado tem sido associado à redução da incidência e recorrência de entorses de tornozelo, promovendo melhora da estabilidade funcional quando comparado à ausência dessa intervenção (Medeiros et al., 2025).

    1. PROBLEMÁTICA

A crescente incidência de lesões musculoesqueléticas em atletas amadores tem sido observada de forma recorrente em diferentes contextos esportivos, especialmente em ambientes com recursos limitados e ausência de acompanhamento profissional sistemático. Tais lesões impactam diretamente o desempenho esportivo, a continuidade da prática física e a qualidade de vida desses indivíduos, podendo gerar afastamentos prolongados e repercussões físicas e psicossociais quando não manejadas adequadamente.

Observa-se, entretanto, que no contexto amador ainda há fragilidade na implementação de estratégias preventivas estruturadas e baseadas em evidências científicas. A ausência de sistematização de protocolos, a baixa adesão a programas de prevenção e a limitação de conhecimento técnico por parte de treinadores e dirigentes contribuem para a recorrência de lesões e para a subvalorização da atuação preventiva da fisioterapia esportiva.

Diante desse cenário, emergem questionamentos acerca da efetividade das intervenções fisioterapêuticas na prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas amadores, bem como sobre os componentes mais eficazes dos programas preventivos e as condições necessárias para sua implementação bem-sucedida nesse contexto. Assim, estabelece-se como questão norteadora do presente estudo:

  • Quais são as evidências científicas acerca da efetividade das intervenções da fisioterapia esportiva na prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas amadores?
    1. JUSTIFICATIVA

Lesões musculoesqueléticas recorrentes ou inadequadamente tratadas configuram-se entre as principais causas de afastamento da prática esportiva em atletas amadores (ZHANG et al., 2024; ARUNDALE et al., 2023).

Tais condições estão associadas à dor persistente, redução do desempenho funcional, prejuízos psicológicos e aumento dos custos relacionados ao tratamento e à reabilitação. No contexto do esporte amador, a limitação de infraestrutura adequada, a ausência de acompanhamento multiprofissional e o déficit de conhecimento acerca de estratégias preventivas contribuem para a maior incidência e recorrência desses agravos.

Nesse cenário, a fisioterapia esportiva desempenha papel essencial, atuando de forma preventiva e educativa por meio da implementação de estratégias direcionadas à otimização do desempenho e à redução do risco de lesões. Entre essas estratégias destacam-se o fortalecimento muscular, o treinamento excêntrico, o treino proprioceptivo e os programas estruturados de aquecimento neuromuscular, os quais têm demonstrado resultados positivos na melhora da estabilidade articular, do controle motor e na redução da incidência de lesões em MMII.

Sob a perspectiva científica e social, a sistematização da atuação preventiva do fisioterapeuta esportivo mostra-se fundamental. Tal organização contribui para orientar treinadores, gestores e dirigentes na adoção de protocolos baseados em evidências, acessíveis e de baixo custo, além de favorecer a capacitação de agentes locais e a consolidação de diretrizes práticas aplicáveis a clubes, escolas e projetos sociais. Ademais, fortalece a integração com a rede de atenção à saúde, promovendo uma cultura esportiva mais segura, sustentável e alinhada aos princípios da promoção da saúde.

Dessa forma, a realização de uma revisão bibliográfica integrativa sobre o tema possibilita reunir, analisar criticamente e sintetizar as evidências científicas mais recentes, identificando lacunas no conhecimento e propondo diretrizes aplicáveis à realidade dos atletas amadores. O presente estudo justifica-se, portanto, por seu potencial de contribuir tanto para o avanço acadêmico da fisioterapia esportiva quanto para a implementação de estratégias preventivas mais efetivas e acessíveis na prática cotidiana.

    1. OBJETIVOS
      1. OBJETIVO GERAL

Analisar as evidências científicas disponíveis na literatura quanto à efetividade das intervenções da fisioterapia esportiva na prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas amadores.

      1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
  • Identificar os tipos mais prevalentes de lesões musculoesqueléticas no público amador;
  • Descrever componentes-chave de programas preventivos (aquecimento neuromuscular, fortalecimento, exercícios excêntricos, propriocepção e educação);
  • Avaliar a efetividade de protocolos e condicionantes de sucesso (adesão, frequência, supervisão, periodização e retorno ao esporte).
  1. MÉTODOS

O presente estudo consiste em uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL), de abordagem qualitativa e caráter descritivo, composta por produções científicas provenientes de estudos teóricos e empíricos disponíveis em bases de dados eletrônicas. A pesquisa fundamenta-se em leituras exploratórias e seletivas, orientadas por uma abordagem qualitativa de síntese de evidências, com foco na análise de artigos científicos acerca da atuação da fisioterapia esportiva na prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas amadores.

A Revisão Integrativa da Literatura consiste em um método de pesquisa que tem como finalidade sintetizar e analisar os resultados obtidos em estudos sobre um determinado tema ou questão norteadora, de forma sistemática, organizada e abrangente. O termo “integrativa” refere-se à possibilidade de reunir e analisar diferentes tipos de evidências científicas, contribuindo para a ampliação do conhecimento e para a compreensão mais abrangente do fenômeno investigado (Dantas et al., 2022).

O estudo foi conduzido com base nas seis etapas metodológicas que estruturam a Revisão Integrativa da Literatura: definição da questão norteadora da pesquisa; realização da busca e seleção da amostra de estudos; extração dos dados; avaliação crítica das produções científicas incluídas; análise e discussão dos resultados; e, por fim, a síntese do conhecimento produzido a partir das evidências identificadas.

    1. COLETA DE DADOS

A busca pelos artigos científicos foi realizada nas seguintes bases de dados: SciELO (Scientific Electronic Library Online), MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), Google Acadêmico, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PEDro (Physiotherapy Evidence Database). O levantamento bibliográfico foi conduzido no período compreendido entre agosto de 2025 e março de 2026.

A etapa de busca foi conduzida por meio da utilização de descritores registrados nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e no Medical Subject Headings (MeSH), combinados entre si com o auxílio dos operadores booleanos AND e OR. A estratégia de busca em língua portuguesa foi estruturada da seguinte forma: (“Traumatismos em Atletas” OR “Lesões Esportivas”) AND (“Fisioterapia” OR “Reabilitação Esportiva”) AND (“Prevenção de Lesões”) AND (“Atletas”). Para as bases de dados internacionais, foram utilizados os correspondentes em língua inglesa: (“Athletic Injuries”) AND (“Physical Therapy” OR “Sports Rehabilitation”) AND (“Injury Prevention”) AND (“Athletes”).

    1. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

Incluídos artigos científicos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra, publicados em periódicos revisados por pares e indexados nas bases de dados selecionadas, que investiguem atletas amadores, recreativos ou não profissionais, ou apresentem intervenções preventivas aplicáveis a esse contexto esportivo. Foram considerados estudos com metanálises e diretrizes clínicas baseadas em evidências, que tenham como desfechos principais a incidência ou redução de lesões musculoesqueléticas, bem como indicadores de desempenho funcional, como força muscular, equilíbrio, agilidade, propriocepção e controle neuromuscular.

    1. CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO

Excluídos estudos que envolvam exclusivamente atletas profissionais de alto rendimento ou populações clínicas que não correspondam ao contexto esportivo amador, bem como editoriais, cartas ao editor, resumos de eventos científicos, textos opinativos, relatos de caso, dissertações, teses e documentos institucionais sem rigor metodológico. Também excluídas publicações não revisadas por pares, artigos não disponíveis na íntegra e estudos que não abordem intervenções relacionadas à fisioterapia esportiva ou à prevenção de lesões musculoesqueléticas.

    1. ANÁLISE DA BASE DE DADOS

A busca inicial identificou 1.284 estudos, distribuídos entre as bases de dados. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram removidos 1.082 estudos por duplicidade, indisponibilidade de texto completo, inadequação temática ou por não atenderem à população de interesse. Assim, 202 estudos permaneceram para triagem inicial.

Na etapa de leitura de títulos e resumos, 157 estudos foram excluídos por não abordarem intervenções relacionadas à fisioterapia esportiva ou à prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas amadores. Dessa forma, 45 artigos foram selecionados para leitura na íntegra.

Após a análise completa dos estudos elegíveis, 24 artigos atenderam plenamente aos critérios metodológicos estabelecidos e foram incluídos na Revisão Integrativa de Literatura, compondo a amostra final do estudo.

3 RESULTADOS

A análise dos estudos incluídos nesta revisão evidencia que as lesões esportivas apresentam distribuição variável entre as diferentes modalidades esportivas, sendo influenciadas por fatores como intensidade da prática, características biomecânicas do esporte e nível de contato físico entre os atletas (López-Valenciano et al., 2020).

Entre as modalidades analisadas, o futebol foi o esporte mais frequentemente investigado na literatura recente, fato que pode ser atribuído ao grande número de praticantes e à elevada exigência física da modalidade. Estudos epidemiológicos recentes apontam que a incidência de lesões no futebol está associada principalmente a movimentos repetitivos de aceleração e desaceleração, mudanças rápidas de direção e situações de contato entre jogadores (Ekstrand et al., 2020 e Rahlf et al., 2022).

De forma semelhante, investigações realizadas em competições profissionais e amadoras demonstram que o futebol apresenta uma elevada taxa de lesões quando comparado a outras modalidades esportivas coletivas. Pesquisas que analisaram temporadas completas de equipes profissionais observaram que MMII concentram a maior parte das lesões registradas, representando a região anatômica mais frequentemente acometida durante treinos e partidas. Esses achados reforçam que a natureza dinâmica do esporte, caracterizada por deslocamentos rápidos, saltos e disputas pela bola, contribui significativamente para o aumento do risco de lesões entre os atletas. (Raya-González, J. et al. 2020; Waldén et al., 2021 e Hägglund et al., 2023).

No que se refere aos segmentos corporais mais acometidos, os estudos analisados indicam que os MMII concentram a maior parte das lesões esportivas relatadas na literatura recente. Dentro dessa região, o tornozelo e o joelho são apontados como os segmentos mais frequentemente afetados em diferentes modalidades esportivas. Os resultados apontam que as exigências biomecânicas impostas aos membros durante a prática esportiva aumentam a vulnerabilidade dessas estruturas, principalmente em situações de instabilidade articular e sobrecarga mecânica. (Whittaker et al., 2022; Yilmaz et al., 2024 e Almeida et al., 2025).

Diversos estudos destacam a entorse de tornozelo como uma das lesões mais prevalentes no contexto esportivo atual. A literatura aponta que esse tipo de lesão ocorre com frequência em esportes coletivos e apresenta elevada incidência de lesões tanto em atletas recreacionais quanto em atletas de alto rendimento. (Cross et al., 2021; Fong et al., 2022 e Silva et al., 2024).

Além disso, estudos epidemiológicos que investigaram diferentes populações de atletas identificaram que a ocorrência de lesões pode variar de acordo com fatores como idade, nível competitivo e histórico prévio de lesões. Pesquisas indicam que atletas que já sofreram lesões anteriormente apresentam maior probabilidade de desenvolver novos episódios lesivos, especialmente quando retornam à prática esportiva sem um período adequado de reabilitação, esse fator reforça a importância de estratégias de prevenção e acompanhamento profissional durante o processo de retorno ao esporte. (Owoeye et al., 2021; Bittencourt et al., 2023 e Opar et al., 2023).

Em relação aos mecanismos de ocorrência das lesões, os estudos apontam que muitos episódios estão associados a movimentos específicos do esporte, como aterrissagens inadequadas, desaceleração brusca e contato físico direto entre atletas. Nesse sentido, artigos que analisaram os mecanismos de lesão destacam que compreender esses fatores é essencial para o desenvolvimento de estratégias preventivas eficazes no contexto esportivo (Bahr et al., 2023; DiFiori et al., 2022 e Montalvo et al., 2022).

Outras modalidades esportivas também foram investigadas na literatura recente, como basquetebol, rugby, atletismo e esportes praticados em ambientes escolares ou universitários. Pesquisas realizadas com atletas dessas modalidades demonstram que, embora os padrões de lesão apresentem algumas particularidades, os MMII continuam sendo a região corporal mais acometida e esses resultados sugerem que as exigências físicas semelhantes entre diferentes esportes contribuem para padrões epidemiológicos comparáveis de lesões. (Jones et al., 2021; Emery et al., 2024; Cross et al., 2021).

Além da distribuição anatômica das lesões, alguns estudos também investigaram o impacto dessas ocorrências na carreira esportiva e na qualidade de vida dos atletas. Pesquisas envolvendo atletas profissionais apontam que lesões recorrentes podem levar a períodos prolongados de afastamento das atividades esportivas, além de aumentar o risco de complicações musculoesqueléticas a longo prazo, os achados reforçam a importância de intervenções preventivas e programas de reabilitação adequados. (López-Valenciano et al., 2020; Rahlf et al., 2022; Saeed et al., 2023).

De maneira geral, os resultados apresentados pelos estudos analisados convergem para a necessidade de estratégias voltadas à prevenção das lesões esportivas. Programas de treinamento que incluem fortalecimento muscular, exercícios proprioceptivos e controle da carga de treinamento têm sido apontados como medidas eficazes para reduzir a incidência dessas lesões. Tais intervenções contribuem para melhorar a estabilidade articular e a capacidade funcional dos atletas, reduzindo o risco de novos episódios lesivos. (Whittaker et al., 2022; Bahr et al., 2023; Yilmaz et al., 2024).

Portanto, a análise da literatura recente demonstra que o futebol se destaca como uma das modalidades esportivas com maior número de registros de lesões, principalmente devido à sua ampla popularidade e às características físicas do esporte. Além disso, os MMII, especialmente o tornozelo, representam os segmentos corporais mais frequentemente acometidos. Esses achados reforçam a relevância de estudos epidemiológicos na área da medicina esportiva, bem como a importância do desenvolvimento de estratégias preventivas que contribuam para a redução da incidência de lesões entre atletas.

QUADRO 2 – Artigos selecionados para compor a revisão.

AUTOR / ANO

ESPORTE PRATICADO

LESÕES

CITADAS

ATUAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA

RESULTADOS

CONCLUSÃO

López-Valenciano et al., 2020

Futebol

Lesões musculares (principalmente isquiotibiais), entorses de tornozelo, lesões de joelho (LCA).

Programas preventivos, controle de carga de treinamento, fortalecimento muscular e monitoramento fisioterapêutico.

As lesões musculares dos MMII foram as mais frequentes, especialmente nos isquiotibiais, seguidas por entorses de tornozelo e lesões de joelho.

Lesões musculares são as mais frequentes no futebol e estratégias preventivas são essenciais.

Raya-González et al, 2020

Futebol

Lesões musculares de MMII, entorse de tornozelo, lesões ligamentares de joelho

Monitoramento de carga externa e interna, reabilitação fisioterapêutica e estratégias de prevenção

A maioria das lesões ocorreu durante partidas e não nos treinamentos, sendo predominantes lesões musculares nos MMII.

Controle da carga competitiva reduz o risco de lesões

Read et al., 2020

Futebol

Lesões de joelho, tornozelo, lesões musculares

Programas neuromusculares e fortalecimento

Cerca de 60% das lesões ocorreram nos MMII, com maior frequência de lesões de joelho e tornozelo. O estudo também identificou maior risco de lesão durante períodos de crescimento e maturação biológica.

Programas preventivos são eficazes para jovens atletas

Ekstrand et al., 2020

Futebol

Lesões musculares, ligamentares e articulares

Programas estruturados de prevenção, trabalho interdisciplinar com fisioterapia

Observou-se redução progressiva nas taxas de lesão, cerca de 3% ao ano. Mesmo assim, lesões musculares continuam sendo as mais frequentes, principalmente na região posterior da coxa.

Programas preventivos e melhor acompanhamento médico diminuíram lesões no futebol

Jones et al., 2021

Rugby

Concussões, lesões ligamentares, lesões musculares

Protocolos de retorno ao jogo, reabilitação fisioterapêutica e prevenção

As lesões mais comuns foram concussões, lesões ligamentares e lesões musculares.

Rugby apresenta uma das maiores taxas de lesão entre esportes coletivos

Waldén et al., 2021

Futebol

Lesões musculares (isquiotibiais), LCA, entorse de tornozelo

Prevenção, monitoramento de carga, reabilitação funcional

O estudo mostrou que lesões musculares representam cerca de 37% das lesões no futebol, sendo os isquiotibiais o grupo muscular mais afetado. Entorses de tornozelo e lesões do LCA também foram frequentes.

Prevenção muscular deve ser prioridade em esportes como o futebol.

Owoeye et al., 2021

Futebol

Lesões por sobrecarga, lesões musculares e articulares

Controle de carga de treinamento e recuperação

Jogadores jovens com maior carga de treinamento apresentaram até duas vezes mais risco de desenvolver lesões. O estudo reforça que a gestão inadequada de carga é um importante fator de risco.

Gestão de carga é fator crítico na prevenção

Bittencourt et al., 2021

Diversos Esportes

Lesões musculoesqueléticas variadas

Abordagem sistêmica da prevenção de lesões

Os resultados demonstraram que as lesões esportivas são multifatoriais, resultantes da interação entre fatores biomecânicos, carga de treinamento, fadiga, histórico de lesão e características individuais do atleta.

Lesões esportivas são multifatoriais e requerem abordagem integrada

Cross et al., 2021

Basquete

Entorse de tornozelo, lesões de joelho, tendinopatias

Treino proprioceptivo, fortalecimento e prevenção

No basquete, entorses de tornozelo representaram aproximadamente 40% das lesões, seguidas por lesões de joelho e tendinopatias. Lesões ocorreram com maior frequência durante movimentos de salto e aterrissagem.

Tornozelo é a articulação mais lesionada no basquete

Montalvo et al., 2022

Futebol

Lesões musculares, ligamentares e articulares

Programas preventivos e reabilitação fisioterapêutica

Incidência média de 2 a 7 lesões por 1000 horas de exposição no futebol, sendo predominantes lesões musculares e ligamentares nos MMII.

Programas preventivos reduzem significativamente lesões

Whittaker et al., 2022

Diversos Esportes

Lesões musculoesqueléticas

Estratégias de prevenção e controle de fatores de risco

O estudo identificou diversos fatores de risco para lesões esportivas, incluindo histórico prévio de lesão, carga elevada de treinamento, déficits neuromusculares e fatores biomecânicos.

Fatores biomecânicos e carga de treino influenciam lesões

DiFiori et al., 2022

Atletismo

Lesões por overuse (tendinites, fraturas por estresse)

Manejo de carga, reabilitação progressiva

Lesões por sobrecarga representam até 50% das lesões em atletas, incluindo tendinites, fraturas por estresse e síndromes de sobrecarga.

Controle de carga é essencial para saúde do atleta

Fong et al., 2022

Diversos Esportes

Entorse de tornozelo

Treino proprioceptivo, estabilização e fortalecimento

Entorses de tornozelo correspondem a 15–20% de todas as lesões esportivas, sendo uma das lesões mais comuns em diversas modalidades esportivas.

Programas proprioceptivos reduzem recidiva

Rahlf et al., 2022

Futebol

Lesões musculares, ligamentares e articulares

Programas preventivos e treinamento neuromuscular

Predominância de lesões musculares e ligamentares em MMII, especialmente em atletas de futebol, com alta incidência durante períodos de competição intensa.

Prevenção neuromuscular reduz lesões

Hägglund et al., 2023

Futebol

Lesões musculares, entorses, LCA

Monitoramento de carga e prevenção

Incidência média de aproximadamente 8 lesões por 1000 horas de exposição, com maior ocorrência durante jogos competitivos.

Estratégias preventivas são fundamentais

Bittencourt et al., 2023

Diversos Esportes

Lesões musculares, ligamentares e articulares

Programas preventivos e reabilitação fisioterapêutica

Lesões esportivas são resultado de interação complexa entre fatores físicos, biomecânicos e contextuais, e não de um único fator isolado.

Programas preventivos são eficazes

Opar et al., 2023

Futebol

Lesões de isquiotibiais

Exercícios excêntricos (ex: Nordic Hamstring)

Lesões de isquiotibiais continuam entre as mais comuns no futebol, com elevada taxa de recorrência. Programas de fortalecimento excêntrico demonstraram redução significativa na incidência dessas lesões.

Exercícios excêntricos são altamente eficazes

Saeed et al., 2023

Diversos Esportes

Lesões musculoesqueléticas variadas

Estratégias de prevenção e controle de fatores de risco

O estudo demonstrou que programas estruturados de prevenção e reabilitação podem reduzir a incidência de lesões e melhorar o retorno seguro ao esporte.

Gestão de carga é fator crítico na prevenção

Bahr et al., 2023

Diversos Esportes

Lesões musculares e ligamentares

Programas preventivos estruturados (ex: FIFA 11+)

Programas preventivos estruturados, como protocolos neuromusculares, podem reduzir entre 30% e 50% das lesões esportivas em diferentes modalidades.

Programas preventivos reduzem significativamente lesões

Emery et al., 2024

Diversos Esportes

Lesões musculoesqueléticas

Treinamento neuromuscular preventivo

Programas de prevenção aplicados em atletas jovens demonstraram redução significativa da incidência de lesões musculoesqueléticas.

Programas preventivos são eficazes em jovens

Yilmaz et al., 2024

Diversos Esportes

Lesões musculares, articulares e ligamentares

Estratégias preventivas e reabilitação

Os resultados indicaram que a maioria das lesões esportivas ocorrem nos MMII, com maior frequência em esportes de alta intensidade e contato.

Prevenção deve ser adaptada ao esporte

Silva et al., 2024

Futebol

Lesões de MMII

Programas preventivos e controle de carga

Mais de 60% das lesões em jogadores de futebol ocorreram nos MMII, com predominância de lesões musculares.

Futebol apresenta alto risco de lesões musculares

Costa et al., 2025

Futebol

Lesões musculares e ligamentares

Reabilitação fisioterapêutica e prevenção

A incidência de lesões em atletas de futebol foi considerada elevada durante a temporada competitiva, principalmente associada a carga intensa de jogos.

Controle de carga é fundamental para manter a qualidade e rendimento do atleta.

Almeida et al., 2025

Diversos Esportes

Lesões de MMII.

Fortalecimento, prevenção e reabilitação

O estudo identificou predominância de lesões em MMII, especialmente joelho, tornozelo e musculatura da coxa, sendo comuns em atletas de diferentes modalidades.

Intervenções fisioterapêuticas reduzem recorrência.

Legenda: MMII – Membros Inferiores; LCA – Ligamento Cruzado Anterior.

FONTE: Autores (2026)

Figura 1 – Distribuição das lesões musculoesqueléticas em atletas amadores por região corporal.

Fonte: Autores (2026)

Observa-se maior prevalência de lesões na região do joelho, seguida por tornozelo e musculatura isquiotibial, corroborando os achados descritos na literatura quanto à predominância de lesões em membros inferiores.

Ressalta-se que um mesmo estudo pode ter sido contabilizado em mais de uma categoria, uma vez que algumas pesquisas abordaram múltiplas regiões corporais acometidas.

4. DISCUSSÃO

A presente revisão integrativa permitiu analisar, de forma abrangente, as evidências científicas acerca da atuação da fisioterapia esportiva na prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas amadores. De modo geral, os achados demonstram consistência entre os estudos analisados, evidenciando que as lesões esportivas apresentam caráter multifatorial e estão predominantemente associadas às demandas biomecânicas impostas pelas diferentes modalidades esportivas.

Os resultados desta revisão indicam que os MMII constituem a região anatômica mais acometida, com destaque para tornozelo, joelho e musculatura isquiotibial. Esses achados corroboram estudos prévios (Whittaker et al., 2022; Yilmaz et al., 2024; Almeida et al., 2025), que apontam a elevada sobrecarga mecânica e a exigência funcional dessas estruturas como fatores determinantes para o aumento da incidência de lesões. Além disso, a predominância de lesões no futebol, observada nesta revisão, pode ser explicada pela alta intensidade da modalidade, associada a movimentos repetitivos de aceleração, desaceleração e mudanças de direção, conforme descrito por Ekstrand et al. (2020) e Hägglund et al. (2023).

Outro aspecto relevante evidenciado nos estudos analisados refere-se à elevada incidência de entorses de tornozelo e lesões musculares, especialmente dos isquiotibiais. Tais achados reforçam a importância de intervenções preventivas direcionadas ao controle neuromuscular, fortalecimento muscular e melhora da estabilidade articular. Nesse sentido, programas que incluem exercícios proprioceptivos e treinamento excêntrico demonstraram elevada efetividade na redução tanto da incidência quanto da recorrência de lesões, conforme evidenciado por Fong et al. (2022) e Opar et al. (2023).

Adicionalmente, a literatura analisada destaca o papel central da gestão da carga de treinamento como fator determinante na prevenção de lesões. Estudos como os de Owoeye et al. (2021) e Raya-González et al. (2020) demonstram que cargas excessivas ou mal periodizadas aumentam significativamente o risco de lesões, especialmente em atletas amadores que, frequentemente, não dispõem de acompanhamento profissional sistemático. Dessa forma, a atuação do fisioterapeuta esportivo na organização, monitoramento e adequação da carga de treinamento torna-se fundamental para a promoção de um ambiente esportivo mais seguro.

Outro ponto relevante diz respeito à efetividade dos programas preventivos estruturados, como os protocolos de treinamento neuromuscular. Evidências apontam que tais programas podem reduzir entre 30% e 50% das lesões esportivas (Bahr et al., 2023), além de promover melhora do desempenho funcional, equilíbrio e controle motor. Esses achados reforçam a importância da implementação sistematizada dessas intervenções no contexto do esporte amador, onde ainda se observa baixa adesão e ausência de protocolos padronizados.

Além disso, os estudos analisados evidenciam que o histórico prévio de lesões constitui um dos principais fatores de risco para novos episódios lesivos, o que destaca a necessidade de um processo de reabilitação adequado e de critérios bem definidos para o retorno ao esporte. A ausência desses cuidados pode favorecer a recorrência de lesões e comprometer a funcionalidade e a qualidade de vida dos atletas (Bittencourt et al., 2023; Opar et al., 2023).

No que se refere às implicações clínicas, os achados desta revisão reforçam que a fisioterapia esportiva deve atuar de forma integrada, não apenas na reabilitação, mas principalmente na prevenção de lesões, por meio de estratégias educativas, programas de treinamento específicos e acompanhamento contínuo dos atletas. A adoção dessas medidas pode contribuir significativamente para a redução de afastamentos esportivos, melhora do desempenho e promoção da saúde.

Apesar da consistência dos resultados, algumas limitações devem ser consideradas. Observa-se heterogeneidade metodológica entre os estudos incluídos, especialmente quanto aos tipos de intervenção, duração dos programas e características das populações analisadas. Além disso, grande parte das evidências deriva de estudos realizados com atletas profissionais ou jovens em contextos estruturados, o que pode limitar a generalização dos achados para o cenário do esporte amador, frequentemente marcado por menor acesso a recursos e suporte profissional.

Por fim, destaca-se a necessidade de novas pesquisas voltadas especificamente para o contexto de atletas amadores, com foco na aplicabilidade prática, adesão aos programas preventivos e análise de custo-efetividade das intervenções fisioterapêuticas. Investigações futuras também devem buscar padronizar protocolos de prevenção e avaliar sua implementação em ambientes reais, como clubes amadores, escolas e projetos sociais.

  1. CONCLUSÃO

O presente estudo possibilitou a análise das evidências científicas acerca da atuação da fisioterapia esportiva na prevenção de lesões musculoesqueléticas em atletas amadores, evidenciando maior incidência dessas lesões nos membros inferiores, especialmente em tornozelo, joelho e musculatura isquiotibial, em associação às demandas biomecânicas e funcionais das diferentes modalidades esportivas. Os achados demonstram que intervenções fisioterapêuticas baseadas em programas estruturados, incluindo fortalecimento muscular, exercícios excêntricos, treinamento proprioceptivo e controle da carga de treinamento, apresentam eficácia na redução da incidência de lesões, melhora do desempenho funcional e promoção da longevidade esportiva.

No que se refere às implicações clínicas, os resultados reforçam que a fisioterapia esportiva deve atuar de forma integrada, não apenas na reabilitação, mas principalmente na prevenção de lesões, por meio de estratégias educativas, programas de treinamento específicos e acompanhamento contínuo dos atletas. Nesse contexto, destaca-se o papel fundamental do fisioterapeuta na implementação de estratégias preventivas sistematizadas no esporte amador, contribuindo significativamente para a redução de afastamentos esportivos, promoção da saúde e melhora do desempenho.

Apesar da consistência dos resultados, algumas limitações devem ser consideradas. Observa-se heterogeneidade metodológica entre os estudos incluídos, especialmente quanto aos tipos de intervenção, duração dos programas, protocolos utilizados e características das populações analisadas. Além disso, grande parte das evidências deriva de estudos realizados com atletas profissionais ou jovens em contextos estruturados, o que pode limitar a generalização dos achados para o cenário do esporte amador, frequentemente marcado por menor acesso a recursos e suporte profissional.

Dessa forma, destaca-se a necessidade de novas pesquisas voltadas especificamente para atletas amadores, com foco na padronização dos protocolos preventivos, aplicabilidade prática, adesão às intervenções e análise de custo-efetividade das estratégias fisioterapêuticas. Investigações futuras também devem buscar avaliar a implementação desses programas em ambientes reais, como clubes amadores, escolas e projetos sociais, ampliando a produção de evidências robustas para a prática clínica e esportiva.

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