Palavras-chave
Direito Fundamental
Cannabis sativa medicinal
Política de drogas
Resumo
A presente pesquisa examina a tensão existente entre a proibição da utilização medicinal da Cannabis sativa e a garantia do direito fundamental à saúde no ordenamento jurídico brasileiro. O estudo parte da análise do conflito entre a necessidade de acesso a tratamentos terapêuticos eficazes e as limitações impostas pela legislação vigente, que restringe o uso, o cultivo e a produção da substância para fins medicinais. Observa-se que a política proibicionista, historicamente fundamentada em concepções tradicionais acerca dos efeitos nocivos das drogas, mostra-se em descompasso com os princípios constitucionais que asseguram a proteção da saúde, da dignidade da pessoa humana e do acesso a tratamentos indispensáveis à preservação da vida e do bem-estar. Diante desse cenário, verifica-se o crescente recurso ao Poder Judiciário por pacientes que buscam autorização para utilização ou cultivo da Cannabis medicinal, fenômeno que evidencia a intensificação da judicialização da saúde. Embora tais decisões garantam o tratamento em situações concretas, também demonstram a insuficiência de políticas públicas eficientes e acessíveis voltadas à regulamentação do tema. A pesquisa adota metodologia qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e análise documental, abrangendo doutrina, jurisprudência e normas constitucionais e infraconstitucionais pertinentes. Ao final, conclui-se que a regulamentação do uso medicinal da Cannabis se revela necessária para assegurar a efetividade do direito à saúde, promover maior segurança jurídica e reduzir a excessiva judicialização, aproximando o sistema jurídico brasileiro dos modelos internacionais de proteção e garantia social.
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