Uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens: uma revisão sistemática sobre fatores associados e efeitos à saúde
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens: uma revisão sistemática sobre fatores associados e efeitos à saúde

Non-prescribed use of psychostimulants among young people: a systematic review of associated factors and health effects

Bianka da Silva Bezerra Carlos

Gleyce Rocha Domingues

João Gabriel Silva Nakamura

Nicolle Beatryce Morais Ribeiro

Ruan Cardoso Silva

Luciano de Oliveira Souza Tourinho

RESUMO

Introdução: O uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens tem se tornado uma preocupação crescente em saúde pública, especialmente no contexto acadêmico, onde substâncias como metilfenidato e lisdexanfetamina são frequentemente utilizadas com a finalidade de melhorar o desempenho cognitivo, aumentar a concentração e reduzir a fadiga. Embora indicados para o tratamento de transtornos como o TDAH, o uso indiscriminado dessas medicações por indivíduos sem diagnóstico clínico pode acarretar riscos significativos à saúde física e mental, além de implicações éticas e sociais. Nesse cenário, torna-se fundamental compreender os fatores associados a essa prática e seus possíveis efeitos adversos. Objetivos: Analisar os principais fatores associados ao uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens, bem como discutir os efeitos dessa prática sobre a saúde. Como objetivos específicos, busca-se identificar os determinantes sociais, acadêmicos e comportamentais relacionados ao consumo dessas substâncias, avaliar os principais efeitos adversos relatados e discutir os impactos desse uso no contexto da saúde pública. Metodologia: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, com o objetivo de reunir e analisar evidências científicas acerca do uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens. A busca foi realizada nas bases de dados Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Foram utilizados descritores controlados dos vocabulários MeSH e DeCS, como “Psychostimulants”, “Students”, “Substance-Related Disorders” e “Cognitive Enhancement”, combinados por operadores booleanos (AND, OR). Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a temática proposta. Resultados e discussão: Os estudos analisados indicam que o uso não prescrito de psicoestimulantes está associado principalmente à pressão por desempenho acadêmico, competitividade, privação de sono, estresse e facilidade de acesso às medicações. Observa-se maior prevalência entre estudantes universitários, especialmente nas áreas da saúde. Entre os efeitos adversos mais relatados estão insônia, ansiedade, taquicardia, irritabilidade, dependência psicológica e risco de eventos cardiovasculares. Além disso, o uso indiscriminado pode mascarar dificuldades cognitivas ou emocionais subjacentes, retardando o diagnóstico e o tratamento adequados. A literatura também aponta para questões éticas relacionadas ao uso dessas substâncias como forma de “vantagem competitiva”, além de evidenciar lacunas na orientação e fiscalização quanto à prescrição e uso desses medicamentos. Conclusão: Conclui-se que o uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens é uma prática crescente e multifatorial, associada a riscos significativos à saúde e a questões éticas relevantes. A identificação dos fatores associados e a conscientização sobre os efeitos adversos são essenciais para o desenvolvimento de estratégias preventivas. Destaca-se a importância de ações educativas, políticas de controle mais rigorosas e acompanhamento multiprofissional, visando à promoção do uso racional de medicamentos e à proteção da saúde dos jovens.

Palavras-chave: Uso indevido de medicamentos. Saúde mental. Desempenho cognitivo.

ABSTRACT

Introduction: The non-prescribed use of psychostimulants among young people has become a growing public health concern, especially in academic settings, where substances such as methylphenidate and lisdexamfetamine are frequently used to enhance cognitive performance, increase concentration, and reduce fatigue. Although these medications are indicated for the treatment of disorders such as ADHD, their indiscriminate use by individuals without a clinical diagnosis may pose significant risks to physical and mental health, in addition to ethical and social implications. In this context, it is essential to understand the factors associated with this practice and its potential adverse effects. Objectives: To analyze the main factors associated with the non-prescribed use of psychostimulants among young people, as well as to discuss the effects of this practice on health. Specifically, this study aims to identify the social, academic, and behavioral determinants related to the consumption of these substances, evaluate the main reported adverse effects, and discuss the impacts of this use within the public health context. Methodology: This is a systematic literature review aimed at gathering and analyzing scientific evidence regarding the non-prescribed use of psychostimulants among young people. The search was conducted in the Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline), Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS), and Scientific Electronic Library Online (SciELO) databases. Controlled descriptors from MeSH and DeCS vocabularies were used, such as “Psychostimulants,” “Students,” “Substance-Related Disorders,” and “Cognitive Enhancement,” combined using Boolean operators (AND, OR). Articles published between 2020 and 2025, available in full text, in Portuguese, English, and Spanish, and addressing the proposed topic were included. Results and discussion: The analyzed studies indicate that the non-prescribed use of psychostimulants is mainly associated with academic performance pressure, competitiveness, sleep deprivation, stress, and easy access to these medications. A higher prevalence is observed among university students, especially in health-related fields. The most commonly reported adverse effects include insomnia, anxiety, tachycardia, irritability, psychological dependence, and increased risk of cardiovascular events. Additionally, indiscriminate use may mask underlying cognitive or emotional difficulties, delaying proper diagnosis and treatment. The literature also highlights ethical concerns related to the use of these substances as a form of “competitive advantage,” as well as gaps in guidance and regulation regarding prescription and use. Conclusion: It is concluded that the non-prescribed use of psychostimulants among young people is a growing and multifactorial practice, associated with significant health risks and relevant ethical issues. Identifying associated factors and raising awareness about adverse effects are essential for developing preventive strategies. The importance of educational actions, stricter control policies, and multiprofessional follow-up is emphasized, aiming to promote the rational use of medications and protect the health of young people.

Keywords: Misuse of medications. Mental health. Cognitive performance.

1 INTRODUÇÃO

O uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens configura-se como uma problemática emergente no campo da saúde pública, estando associado ao aumento do consumo de substâncias como metilfenidato e lisdexanfetamina sem indicação clínica adequada. Essa prática tem sido especialmente observada no contexto acadêmico, onde estudantes buscam melhorar o desempenho cognitivo, aumentar a concentração e reduzir a fadiga, o que levanta preocupações quanto à segurança, eficácia e possíveis impactos à saúde (Alcantara et al., 2021).

Além disso, o uso indiscriminado desses medicamentos representa um importante desafio para os sistemas de saúde, uma vez que está relacionado a riscos individuais e também a questões éticas e sociais, como a busca por vantagem competitiva em ambientes educacionais. Nesse contexto, o fenômeno pode ser compreendido como multifatorial, envolvendo determinantes sociais, psicológicos e comportamentais (Assis et al., 2024).

Entre os fatores associados ao uso não prescrito de psicoestimulantes, destacam-se a pressão por alto desempenho acadêmico, a competitividade entre estudantes, a privação de sono, o estresse e a facilidade de acesso às medicações, muitas vezes obtidas por meio de prescrições compartilhadas ou uso indevido de receitas médicas. Ademais, a influência de pares e a percepção equivocada de baixo risco contribuem significativamente para a disseminação dessa prática (Faraone et al., 2020).

No que se refere aos efeitos à saúde, o uso inadequado dessas substâncias pode acarretar diversas consequências, incluindo insônia, ansiedade, irritabilidade, taquicardia e aumento do risco de eventos cardiovasculares. Além disso, há evidências de desenvolvimento de dependência psicológica, bem como de prejuízos à saúde mental, especialmente quando associado ao uso prolongado e sem acompanhamento profissional (Maia et al., 2024).

No Brasil, o controle do uso de medicamentos psicoestimulantes está vinculado a regulamentações específicas que visam restringir sua dispensação e garantir o uso racional. No entanto, ainda existem lacunas na fiscalização e na orientação quanto ao uso adequado dessas substâncias, o que favorece sua utilização indevida, sobretudo entre a população jovem (Mendes et al., 2025).

A adoção de estratégias preventivas, como ações educativas, campanhas de conscientização e fortalecimento das políticas de controle de medicamentos, é fundamental para reduzir a prevalência deste comportamento. Além disso, a atuação de profissionais de saúde, instituições de ensino e familiares é essencial para promover o uso seguro e consciente, bem como para identificar precocemente possíveis sinais de uso abusivo (Mendes et al., 2025).

Nesse cenário, a atuação multiprofissional desempenha papel fundamental na prevenção e no manejo do uso inadequado de psicoestimulantes, envolvendo médicos, psicólogos, farmacêuticos e educadores. A educação em saúde, o acompanhamento contínuo e o suporte psicológico contribuem para a redução dos riscos associados e para a promoção do bem-estar dos jovens. A comunicação eficaz entre os diferentes atores envolvidos favorece a construção de estratégias integradas e mais eficazes (Rocha et al., 2025).

Entretanto, o enfrentamento dessa problemática ainda encontra desafios, como a normalização do uso dessas substâncias no meio acadêmico, a falta de informação qualificada e a dificuldade de acesso a serviços de saúde mental. Os fatores como sobrecarga acadêmica, pressão social e fragilidades nas políticas de prevenção podem comprometer a efetividade das intervenções, tornando necessária a implementação de ações contínuas e intersetoriais (Nascimento et al., 2025).

Além disso, o monitoramento do uso de psicoestimulantes por meio de estudos epidemiológicos é essencial para compreender a magnitude do problema, identificar grupos de maior vulnerabilidade e subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficazes. Esse acompanhamento contribui para a tomada de decisões baseadas em evidências e para o fortalecimento das estratégias de prevenção (Maia et al., 2024).

Dessa forma, compreender os fatores associados ao uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens e seus efeitos à saúde torna-se fundamental para o desenvolvimento de intervenções eficazes. Assim, este estudo tem como objetivo analisar os principais determinantes dessa prática, bem como discutir seus impactos na saúde e as estratégias voltadas à sua prevenção no contexto da saúde pública.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

A presente pesquisa caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, abordagem metodológica que permite a identificação, análise e síntese de evidências científicas previamente publicadas sobre o uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens. A questão norteadora do estudo foi: “Quais são as evidências científicas acerca dos fatores associados e dos efeitos à saúde relacionados ao uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens?”. A formulação da pergunta de pesquisa foi baseada na estratégia PICO, amplamente utilizada na condução de revisões científicas.

Na aplicação da estratégia PICO, a população foi composta por jovens, especialmente estudantes, expostos ao uso de psicoestimulantes sem prescrição médica. A intervenção correspondeu ao uso dessas substâncias com a finalidade de melhora cognitiva, aumento do desempenho acadêmico e redução da fadiga. Não foi utilizado comparador, por se tratar de uma revisão integrativa. Os desfechos investigados incluíram os principais fatores associados ao uso não prescrito, bem como os efeitos adversos à saúde física e mental decorrentes dessa prática.

Foram incluídos artigos científicos publicados entre os anos de 2020 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem o uso não prescrito de psicoestimulantes, seus determinantes e impactos à saúde. Foram excluídos estudos duplicados, revisões narrativas, editoriais, cartas ao editor, resumos simples de eventos científicos e pesquisas que não apresentassem relação direta com a temática proposta.

A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Na base Medline, foram utilizados os termos “Psychostimulants” OR “Stimulant Drugs” AND “Students” OR “Young Adults” AND “Non-prescribed Use” OR “Misuse” AND “Adverse Effects” OR “Health Impact”. Na base LILACS e SciELO, foram utilizados os descritores em português “Psicoestimulantes” AND “Estudantes” OR “Jovens” AND “Uso não prescrito” OR “Uso indevido” AND “Efeitos adversos” OR “Saúde”.

O processo de seleção dos estudos ocorreu em duas etapas. Inicialmente, realizou-se a leitura dos títulos e resumos dos artigos identificados nas bases de dados, com o intuito de selecionar aqueles potencialmente relevantes. Em seguida, os textos completos dos estudos selecionados foram analisados de forma criteriosa, verificando-se o atendimento aos critérios de inclusão estabelecidos, bem como a qualidade metodológica das pesquisas.

Após a seleção final, os dados dos estudos incluídos foram organizados em uma planilha no Microsoft Excel, contendo as principais informações de cada artigo, como autor, ano de publicação, objetivo, metodologia, tipo de psicoestimulante investigado e principais considerações sobre os fatores associados e os efeitos à saúde. Essa sistematização permitiu melhor visualização, comparação e síntese dos achados, facilitando a identificação de padrões e divergências entre os estudos analisados.

Além disso, os estudos selecionados foram submetidos a critérios de avaliação de qualidade metodológica, considerando aspectos como clareza dos objetivos, adequação do delineamento do estudo, descrição da amostra, rigor na coleta e análise dos dados, bem como coerência entre os resultados e as conclusões apresentadas. Foram priorizados estudos com metodologia bem definida, amostras representativas e instrumentos validados, a fim de garantir maior confiabilidade às evidências incluídas na revisão.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A estratégia de busca nas bases de dados selecionadas possibilitou a identificação inicial de 756 artigos relacionados ao uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens, com enfoque nos fatores associados e nos efeitos à saúde. Após a remoção de 152 estudos duplicados, os artigos restantes foram submetidos à leitura dos títulos e resumos, etapa na qual 372 foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade previamente estabelecidos.

Na etapa seguinte, 138 artigos foram excluídos por não estarem disponíveis na íntegra ou por se tratarem de editoriais, revisões narrativas, cartas ao editor ou publicações sem relevância científica para a análise proposta.

Fluxograma 1. Busca de artigos selecionados para o estudo.

Fonte: (Elaboração realizada pelos autores, 2026).

Ao final do processo de seleção, 10 artigos atenderam a todos os critérios de inclusão estabelecidos e compuseram a amostra final desta revisão. Os artigos estão na tabela 1 abaixo.

Tabela 1. Artigos escolhidos para escrita.

Fonte: (Elaboração realizada pelos autores, 2026).

Os achados sintetizados na Tabela 1 evidenciam que o uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens está fortemente associado a um conjunto de determinantes acadêmicos, sociais e comportamentais, confirmando o objetivo central deste estudo. Observa-se que a pressão por desempenho acadêmico emerge como um dos principais fatores motivadores, estando presente, de forma direta ou indireta, na maioria dos estudos analisados.

Em investigações com universitários, como as de Assis (2024) e Carmignan (2025), aproximadamente 60% a 75% dos participantes relataram utilizar substâncias estimulantes principalmente em períodos de provas, evidenciando um padrão de uso episódico, porém recorrente, vinculado ao calendário acadêmico.

Além disso, fatores sociais como competitividade e influência de pares também se destacam. Estudos como os de Silva (2022) e Souza (2024) demonstram que cerca de 40% a 55% dos estudantes iniciam o uso por indicação de colegas, o que sugere um processo de normalização dessa prática no ambiente universitário. Esse fenômeno é reforçado por Norte (2025), ao descrever a chamada “medicalização do desempenho”, na qual o uso de medicamentos originalmente indicados para transtornos como o TDAH passa a ser incorporado como estratégia legítima para aumento de produtividade, mesmo entre indivíduos saudáveis.

No que se refere aos determinantes comportamentais, fatores como ansiedade, estresse e busca por melhor rendimento cognitivo foram amplamente relatados. Maia (2024) identificou que mais de 65% dos usuários apresentavam níveis elevados de estresse acadêmico, enquanto Rego (2023) destacou que a principal motivação declarada por cerca de 70% dos participantes era a melhora da concentração e do foco. Esses dados indicam que o uso dessas substâncias está menos relacionado a necessidades clínicas e mais vinculado à tentativa de adaptação a demandas externas excessivas.

A análise da Tabela 2 permite aprofundar a compreensão dos efeitos adversos associados às principais substâncias utilizadas. O metilfenidato e a lisdexanfetamina figuram como os fármacos mais frequentemente consumidos, sendo associados a efeitos como insônia, ansiedade e taquicardia. Os estudos incluídos nesta revisão apontam que entre 50% e 70% dos usuários relatam alterações no padrão de sono, enquanto sintomas ansiosos estão presentes em cerca de 45% a 60% dos casos. Tais achados reforçam que, embora haja percepção de melhora cognitiva a curto prazo, os prejuízos à saúde são significativos e frequentemente subestimados.

Tabela 2. Principais substâncias utilizadas para ampliação do desempenho e seus desdobramentos associados.

Fonte: (Elaboração realizada pelos autores, 2026).

Outro ponto relevante refere-se ao uso concomitante de substâncias, como cafeína em altas doses associadas a psicoestimulantes, prática observada em parte dos estudantes. Essa combinação potencializa efeitos adversos, aumentando o risco de eventos cardiovasculares, como arritmias e elevação da pressão arterial. Ademais, o uso de poliestimulantes, embora menos prevalente, está associado a quadros mais graves, incluindo crises de ansiedade intensa e sinais de dependência.

No contexto da saúde pública, os resultados apontam para um cenário preocupante. A elevada prevalência de uso não prescrito, associada à facilidade de acesso e à baixa percepção de risco, contribui para a ampliação de problemas relacionados à saúde mental, como ansiedade, insônia e dependência. Estima-se que cerca de 30% a 50% dos estudantes usuários apresentem algum grau de uso problemático, o que pode demandar intervenções clínicas e psicológicas. Além disso, o impacto coletivo inclui aumento da demanda por serviços de saúde e reforço de práticas inadequadas no ambiente educacional.

Por fim, destaca-se que as limitações metodológicas dos estudos, como o uso de dados autorreferidos e delineamentos transversais, podem influenciar na sub ou superestimação dos resultados. No entanto, a consistência dos achados entre diferentes populações e contextos reforça a relevância do problema. Assim, torna-se fundamental a implementação de estratégias educativas, políticas institucionais e ações de promoção da saúde que visem reduzir o uso indiscriminado de psicoestimulantes, bem como fomentar alternativas saudáveis para o enfrentamento das demandas acadêmicas.

Dessa forma, os resultados deste estudo respondem aos objetivos propostos ao evidenciar que o uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens é um fenômeno multifatorial, com determinantes claros e impactos significativos na saúde individual e coletiva.

4 CONCLUSÃO

Os achados deste estudo evidenciam que o uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens constitui um fenômeno multifatorial, fortemente influenciado por determinantes acadêmicos, sociais e comportamentais. A pressão por desempenho, a competitividade no ambiente educacional, a elevada carga horária de estudos e a influência de pares destacam-se como os principais fatores associados ao consumo dessas substâncias. Além disso, a busca por maior produtividade, melhora da concentração e prolongamento do estado de vigília tem contribuído para a banalização do uso desses medicamentos, muitas vezes sem acompanhamento profissional adequado.

Observou-se ainda que, embora exista entre os estudantes a percepção de benefícios cognitivos e acadêmicos a curto prazo, os efeitos adversos associados ao uso indiscriminado são frequentes e relevantes, incluindo alterações do sono, ansiedade, irritabilidade, dependência, taquicardia, hipertensão e outros impactos cardiovasculares e psicológicos. Dessa forma, os resultados reforçam que o consumo inadequado de psicoestimulantes representa um importante problema emergente de saúde pública, especialmente no contexto universitário, afetando diretamente a qualidade de vida, o desempenho acadêmico e a saúde mental dos estudantes.

Tal cenário evidencia a necessidade de maior fiscalização quanto à prescrição e comercialização desses medicamentos, bem como da implementação de ações educativas voltadas para o uso racional de fármacos. Nesse contexto, as instituições de ensino superior possuem papel fundamental no desenvolvimento de estratégias de acolhimento psicológico, acompanhamento emocional e promoção da saúde mental, visando reduzir fatores como estresse, ansiedade e exaustão acadêmica, frequentemente associados ao início e manutenção do uso de psicoestimulantes.

Diante desse cenário, torna-se fundamental o desenvolvimento de estratégias de prevenção e promoção da saúde voltadas à conscientização sobre os riscos do uso indevido de psicoestimulantes, bem como o fortalecimento de políticas institucionais que abordem de forma efetiva a saúde mental dos estudantes.

Como sugestão para pesquisas futuras, recomenda-se a realização de estudos longitudinais que permitam avaliar os efeitos a longo prazo dessas substâncias sobre a saúde física, cognitiva e emocional dos indivíduos, bem como investigações que explorem intervenções educativas e psicológicas eficazes na redução do uso indiscriminado.

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