Uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens: uma revisão sistemática sobre fatores associados e efeitos à saúde
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.

Palavras-chave

Uso indevido de medicamentos
Saúde mental
Desempenho cognitivo

Resumo

Introdução: O uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens tem se tornado uma preocupação crescente em saúde pública, especialmente no contexto acadêmico, onde substâncias como metilfenidato e lisdexanfetamina são frequentemente utilizadas com a finalidade de melhorar o desempenho cognitivo, aumentar a concentração e reduzir a fadiga. Embora indicados para o tratamento de transtornos como o TDAH, o uso indiscriminado dessas medicações por indivíduos sem diagnóstico clínico pode acarretar riscos significativos à saúde física e mental, além de implicações éticas e sociais. Nesse cenário, torna-se fundamental compreender os fatores associados a essa prática e seus possíveis efeitos adversos. Objetivos: Analisar os principais fatores associados ao uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens, bem como discutir os efeitos dessa prática sobre a saúde. Como objetivos específicos, busca-se identificar os determinantes sociais, acadêmicos e comportamentais relacionados ao consumo dessas substâncias, avaliar os principais efeitos adversos relatados e discutir os impactos desse uso no contexto da saúde pública. Metodologia: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, com o objetivo de reunir e analisar evidências científicas acerca do uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens. A busca foi realizada nas bases de dados Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Foram utilizados descritores controlados dos vocabulários MeSH e DeCS, como “Psychostimulants”, “Students”, “Substance-Related Disorders” e “Cognitive Enhancement”, combinados por operadores booleanos (AND, OR). Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a temática proposta. Resultados e discussão: Os estudos analisados indicam que o uso não prescrito de psicoestimulantes está associado principalmente à pressão por desempenho acadêmico, competitividade, privação de sono, estresse e facilidade de acesso às medicações. Observa-se maior prevalência entre estudantes universitários, especialmente nas áreas da saúde. Entre os efeitos adversos mais relatados estão insônia, ansiedade, taquicardia, irritabilidade, dependência psicológica e risco de eventos cardiovasculares. Além disso, o uso indiscriminado pode mascarar dificuldades cognitivas ou emocionais subjacentes, retardando o diagnóstico e o tratamento adequados. A literatura também aponta para questões éticas relacionadas ao uso dessas substâncias como forma de “vantagem competitiva”, além de evidenciar lacunas na orientação e fiscalização quanto à prescrição e uso desses medicamentos. Conclusão: Conclui-se que o uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens é uma prática crescente e multifatorial, associada a riscos significativos à saúde e a questões éticas relevantes. A identificação dos fatores associados e a conscientização sobre os efeitos adversos são essenciais para o desenvolvimento de estratégias preventivas. Destaca-se a importância de ações educativas, políticas de controle mais rigorosas e acompanhamento multiprofissional, visando à promoção do uso racional de medicamentos e à proteção da saúde dos jovens.

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