Palavras-chave
Saúde mental
Desempenho cognitivo
Resumo
Introdução: O uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens tem se tornado uma preocupação crescente em saúde pública, especialmente no contexto acadêmico, onde substâncias como metilfenidato e lisdexanfetamina são frequentemente utilizadas com a finalidade de melhorar o desempenho cognitivo, aumentar a concentração e reduzir a fadiga. Embora indicados para o tratamento de transtornos como o TDAH, o uso indiscriminado dessas medicações por indivíduos sem diagnóstico clínico pode acarretar riscos significativos à saúde física e mental, além de implicações éticas e sociais. Nesse cenário, torna-se fundamental compreender os fatores associados a essa prática e seus possíveis efeitos adversos. Objetivos: Analisar os principais fatores associados ao uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens, bem como discutir os efeitos dessa prática sobre a saúde. Como objetivos específicos, busca-se identificar os determinantes sociais, acadêmicos e comportamentais relacionados ao consumo dessas substâncias, avaliar os principais efeitos adversos relatados e discutir os impactos desse uso no contexto da saúde pública. Metodologia: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, com o objetivo de reunir e analisar evidências científicas acerca do uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens. A busca foi realizada nas bases de dados Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Foram utilizados descritores controlados dos vocabulários MeSH e DeCS, como “Psychostimulants”, “Students”, “Substance-Related Disorders” e “Cognitive Enhancement”, combinados por operadores booleanos (AND, OR). Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem a temática proposta. Resultados e discussão: Os estudos analisados indicam que o uso não prescrito de psicoestimulantes está associado principalmente à pressão por desempenho acadêmico, competitividade, privação de sono, estresse e facilidade de acesso às medicações. Observa-se maior prevalência entre estudantes universitários, especialmente nas áreas da saúde. Entre os efeitos adversos mais relatados estão insônia, ansiedade, taquicardia, irritabilidade, dependência psicológica e risco de eventos cardiovasculares. Além disso, o uso indiscriminado pode mascarar dificuldades cognitivas ou emocionais subjacentes, retardando o diagnóstico e o tratamento adequados. A literatura também aponta para questões éticas relacionadas ao uso dessas substâncias como forma de “vantagem competitiva”, além de evidenciar lacunas na orientação e fiscalização quanto à prescrição e uso desses medicamentos. Conclusão: Conclui-se que o uso não prescrito de psicoestimulantes entre jovens é uma prática crescente e multifatorial, associada a riscos significativos à saúde e a questões éticas relevantes. A identificação dos fatores associados e a conscientização sobre os efeitos adversos são essenciais para o desenvolvimento de estratégias preventivas. Destaca-se a importância de ações educativas, políticas de controle mais rigorosas e acompanhamento multiprofissional, visando à promoção do uso racional de medicamentos e à proteção da saúde dos jovens.
Referências
ALCANTARA, M.A et al. O uso de substâncias psicoestimulantes entre acadêmicos: uma revisão integrativa. Scire Salutis, v. 12, n. 1, 2021. DOI: https://doi.org/10.6008/CBPC22369600.2022.001.0008
ASSIS, S.M.A et al. O uso indiscriminado do metilfenidato para aperfeiçoamento cognitivo por jovens. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 12, p. 2857-2870, 2024. DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v10i12.17541
ASSIS, S.M et al. O uso indiscriminado do metilfenidato para aperfeiçoamento cognitivo por jovens. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 12, p. 2857-2870, 2024.
CARMIGNAN, F.A et al. Avaliação do uso indiscriminado de psicoestimulantes entre acadêmicos de medicina de Campo Grande–MS. Aracê, v. 7, n. 4, p. 18579-18598, 2025.
DIETZ, P. et al. The prevalence of pharmacological neuroenhancement among university students before and during the COVID-19 pandemic: results of three consecutive crosssectional survey studies in Germany. Frontiers in Public Health, v. 10, p. 813328, 2022. DOI: https://doi.org/10.3389/fpubh.2022.813328
FARAONE, S.V et al. The pharmacology of amphetamine and methylphenidate.
Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 87, p. 255-269, 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2018.02.001
LOPES, J et al. Metilfenidato e Venvanse: o impacto na qualidade de vida dos estudantes de Medicina. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 8, p. 1891-1906, 2024.
MAIA, E.A et al. Consumo de psicofármacos para aumento de produtividade entre jovens: possíveis consequências do uso indevido. Revista Mythos, v. 16, n. 2, p. 142-152, 2024.
MAIA, E.A et al. Consumo de psicofármacos para aumento de produtividade entre jovens: possíveis consequências do uso indevido. Revista Mythos, v. 21, n. 2, p. 142-152, 2024. DOI: https://doi.org/10.36674/mythos.v21i2.918
MENDES, T.C et al. Uso de substâncias para melhorar o desempenho acadêmico entre estudantes de curso preparatório: estudo transversal. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 49, n. 3, 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-5271v49.3-2024-0093 MENDES, T.C et al. Uso de substâncias para melhorar o desempenho acadêmico entre estudantes de curso preparatório: estudo transversal. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 49, n. 3, 2025.
MOREIRA, S.C et al. O uso do cloridrato de metilfenidato e seus fatores influenciadores na vida de jovens estudantes do curso de Medicina. Research, Society and Development, v. 11, n. 7, p. e9911729715, 2022.
NASCIMENTO, M.C.A et al. Análise dos impactos do uso indiscriminado de drogas psicoestimulantes no ambiente universitário. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 25, n. 6, p. e20497, 2025. DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e20497.2025
NASÁRIO, B.R. Uso não prescrito de metilfenidato e desempenho acadêmico de estudantes de medicina. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 42, p. e235853, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1982-3703003235853
NORTE, V.F et al. A medicalização do rendimento: consumo indiscriminado de medicamentos para TDAH no meio universitário. Revista Multidisciplinar IntegradaREMI, v. 6, n. 2, p. 1-12, 2025.
REGO, R.A et al. O uso indiscriminado de psicoestimulantes para melhora do desempenho acadêmico por estudantes saudáveis. Research, Society and Development, v. 12, n. 2, p. e10512239958, 2023. DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v12i2.39958
REGO, R.A. O uso indiscriminado de psicoestimulantes para melhora do desempenho acadêmico por estudantes saudáveis. Research, Society and Development, v. 12, n. 2, p. e10512239958, 2023.
ROBITAILLE, C.; COLLIN, J. Prescription psychostimulant use among young adults: a narrative review of qualitative studies. Substance Use & Misuse, v. 51, n. 3, p. 357-369, 2016. DOI: https://doi.org/10.3109/10826084.2015.1110170
ROCHA, N.D et al. Riscos associados à utilização irracional e inadequada de fármacos psicoestimulantes como Venvanse, Juneve e Ritalina. Caderno Pedagógico, v. 22, n. 11, p. e19894, 2025. DOI: https://doi.org/10.54033/cadpedv22n11-169
ROUSSO, I.R et al. O uso sem prescrição médica de metilfenidato e lisdexanfetamina por estudantes de Medicina. Revista Eletrônica Acervo Médico, v. 24, p. e15977, 2024. DOI: https://doi.org/10.25248/reamed.e15977.2024
SANTOS, M.I et al. Uso não prescrito de metilfenidato por universitários do curso de farmácia: uma barreira para o uso racional de medicamentos. Archives of Health
Investigation, v. 11, n. 3, p. 492-497, 2022. DOI: https://doi.org/10.21270/archi.v11i3.5570
SILVA, Y.T et al. As consequências no uso indiscriminado da Ritalina por estudantes universitários na área da saúde no Brasil. Research, Society and Development, v. 11, n. 11, p. e351111133684, 2022.
SMITH, D.G et al. The neurobiological underpinnings of obesity and binge eating: a rationale for adopting the food addiction model. Biological Psychiatry, v. 73, n. 9, p. 804-810, 2021. DOI: https://doi.org/10.1016/j.biopsych.2012.08.026
SOUZA, A.C et al. Consumo não prescrito de metilfenidato e lisdexanfetamina pelos estudantes dos cursos de medicina e direito de um Centro Universitário. Revista MasterEnsino, Pesquisa e Extensão, v. 9, n. 17, 2024.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Bianka Da Silva Bezerra Carlos, Gleyce Rocha Domingues, João Gabriel Silva Nakamura, Nicolle Beatryce Morais, Ribeiro Ruan Cardoso Silva, Luciano de Oliveira Souza Tourinho (Autor)