Resumo
O presente estudo analisa a relação entre a organização do trabalho e a sobrecarga operacional no setor atacadista brasileiro, com base em revisão bibliográfica sistemática. O setor ocupa posição estratégica na cadeia produtiva nacional, movimentando mais de R$ 500 bilhões em 2022 e empregando diretamente milhões de trabalhadores, conforme dados da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD, 2023). A investigação parte da constatação de que esse protagonismo econômico não é acompanhado por condições igualmente favoráveis de trabalho, e busca compreender de que modo as escolhas organizacionais contribuem para a geração de sobrecarga operacional e quais são seus impactos sobre a saúde dos trabalhadores e o desempenho das organizações. A revisão da literatura mobiliza referenciais da psicodinâmica do trabalho, do modelo demanda-controle-suporte e de estudos empíricos sobre gestão no atacado, evidenciando que deficiências estruturais na organização do trabalho — fragmentação de processos, adoção tecnológica mal gerenciada, relações de trabalho heterogêneas e baixo reconhecimento — constituem os principais determinantes da sobrecarga operacional no setor. Os resultados apontam para a necessidade de intervenções organizacionais sistêmicas que contemplem, simultaneamente, as dimensões técnica, relacional e simbólica do trabalho.
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