Resumo
A pandemia de COVID-19 impôs uma sobrecarga sem precedentes aos profissionais de enfermagem, que atuaram na linha de frente do combate à doença em condições adversas, incluindo longas jornadas de trabalho, exposição constante ao risco de contaminação, escassez de equipamentos de proteção individual, contato frequente com a morte e afastamento de familiares. Essas condições desgastantes potencializaram o desenvolvimento da Síndrome de Burnout (SB), também denominada Síndrome do Esgotamento Profissional, caracterizada por exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização pessoal. O problema central desta pesquisa consiste em compreender de que forma a pandemia da COVID-19 impactou a saúde mental dos enfermeiros e qual a relação desse impacto com o desenvolvimento da SB, uma vez que o adoecimento desses profissionais compromete não apenas sua qualidade de vida, mas também a segurança e a eficácia da assistência prestada aos pacientes. Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo analisar os impactos da pandemia de COVID-19 na saúde mental dos profissionais de enfermagem e sua relação com o desenvolvimento da Síndrome de Burnout, com base nas evidências científicas disponíveis na literatura. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida seguindo as seis etapas do método proposto por Mendes, Silveira e Galvão (2008). A busca foi realizada nas bases de dados LILACS, SciELO, MEDLINE/PubMed e BVS, utilizando os descritores "Síndrome de Burnout", "Esgotamento Profissional", "Enfermeiros", "COVID-19" e "Saúde Mental", combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos originais, revisões e estudos transversais publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, disponíveis na íntegra de forma gratuita. A amostra final foi composta por 16 artigos científicos e o documento oficial do Ministério da Saúde. Os resultados demonstraram que a prevalência de burnout grave entre profissionais de saúde dobrou durante o pico da pandemia, passando de 30,4% para 63,2%, retornando a 34,5% após o término dos cuidados a pacientes com COVID-19. Enfermeiros apresentaram maiores níveis de exaustão emocional e despersonalização quando comparados a médicos. Os principais fatores de risco identificados foram: sobrecarga laboral, medo de contágio, falta de equipamentos de proteção individual, escassez de recursos humanos, desvalorização profissional, insônia, exposição a mortes em larga escala e frustração pela perda de pacientes. Mulheres, profissionais do turno noturno e enfermeiros da linha de frente foram os grupos mais vulneráveis. Fatores protetivos incluíram apoio da chefia, boas relações com a equipe de trabalho e presença de parceiro afetivo. Além disso, altas prevalências de ansiedade (47,9%), depressão (41,8%) e estresse (66,7%) foram registradas entre os profissionais de enfermagem durante o período pandêmico. Conclui-se que a pandemia de COVID-19 intensificou significativamente o adoecimento mental dos enfermeiros, tornando urgente a implementação de políticas institucionais de apoio psicológico, melhoria das condições de trabalho, redução da sobrecarga laboral, fornecimento adequado de equipamentos de proteção individual e valorização profissional como estratégias essenciais de prevenção e enfrentamento da Síndrome de Burnout.
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