A infocracia na era digital: a influência da digitalização na democracia brasileira sob a perspectiva de Byung-Chul Han.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Palavras-chave

Infocracia
Democracia
Algoritmos
Esfera pública
Poder informacional

Como Citar

Gonçalves, E. dos S. ., Viana, S. M. ., Diniz, W. de S. ., Rocha, E. R. ., & Oliveira, F. de C. M. . (2026). A infocracia na era digital: a influência da digitalização na democracia brasileira sob a perspectiva de Byung-Chul Han. Revista Ft, 30(158), 01-22. https://doi.org/10.69849/567jj604

Resumo

O presente artigo tem como objetivo geral analisar criticamente os impactos do poder informacional sobre a democracia no Brasil, utilizando a noção de infocracia como chave interpretativa. A fundamentação teórica mobiliza conceitos acerca da transformação do poder na era digital, psicopolítica, manipulação algorítmica e crise da ação comunicativa, baseando-se precipuamente no pensamento de Byung-Chul Han, em articulação com as perspectivas de Michel Foucault sobre o regime disciplinar, Niklas Luhmann acerca dos sistemas comunicacionais e Jürgen Habermas quanto à dimensão deliberativa do espaço público. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão de literatura interdisciplinar, procedendo à leitura exploratória, analítica e comparativa de obras clássicas, contemporâneas e discussões institucionais recentes. Os principais resultados indicam que a transição de um regime disciplinar para um regime informacional, mediado por plataformas tecnológicas e algoritmos orientados ao engajamento, corrompe o mundo comum de fatos e fragmenta a esfera pública em bolhas digitais. Essa arquitetura fomenta uma massificação pautada por estímulos emocionais e microtargeting político, o que compromete a influência equitativa e esvazia as bases da deliberação racional. Conclui-se que a crise democrática contemporânea não é meramente conjuntural, mas estrutural, originada na degradação das condições comunicativas essenciais à formação da vontade política. A preservação do Estado Democrático de Direito exige, portanto, respostas institucionais complexas, que englobem a regulação transparente das plataformas digitais, a alfabetização midiática e o resgate de uma cidadania crítica, capaz de opor-se ao controle invisível e privatizado das dinâmicas informacionais.

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