Palavras-chave
Justiça Restaurativa
Resolução de Conflitos
Mediação
Resumo
A justiça restaurativa representou uma abordagem inovadora na resolução de conflitos, ao priorizar o diálogo, a reparação dos danos e a restauração das relações sociais rompidas. Nesse sentido, a justiça restaurativa fortaleceu os vínculos comunitários, valorizou a escuta e o respeito mútuo, e favoreceu a reconciliação como instrumento de transformação e pacificação social. Ao promover um ambiente de empatia e corresponsabilidade, mostrou-se um recurso valioso para comunidades que desejaram superar a violência e construir uma convivência mais justa e harmoniosa. Sendo assim, este estudo teve como objetivo geral investigar o Direito Restaurativo como uma alternativa viável e eficaz para promover a justiça e resolver conflitos em sociedades contemporâneas. Os objetivos específicos incluíram: compreender os fundamentos do direito restaurativo; discutir as diferenças entre justiça restaurativa e mediação de conflitos; investigar a mediação no Brasil como forma de resolução de conflitos; e descrever o uso da mediação como instrumento de justiça. A metodologia do estudo consistiu em uma revisão de literatura qualitativa e descritiva, realizada por meio de pesquisas em bases de dados acadêmicas e bibliotecas virtuais, como Google Acadêmico e livros, utilizando trabalhos publicados entre 2002 e 2020. Os resultados demonstraram que o Direito Restaurativo contribuiu significativamente para a humanização da justiça, promovendo maior participação das partes envolvidas, fortalecimento das relações sociais e redução dos impactos negativos provocados pelos conflitos. Além disso, verificou-se que a mediação e outras práticas restaurativas favoreceram soluções mais consensuais, satisfatórias e duradouras, auxiliando na diminuição da reincidência e no fortalecimento da cultura de paz. Concluiu-se que o Direito Restaurativo se apresentou como uma importante alternativa complementar ao sistema tradicional de justiça, destacando-se pela promoção do diálogo, da responsabilização consciente e da reparação dos danos, embora sua efetiva implementação ainda dependa de investimentos em capacitação, conscientização social e fortalecimento das políticas públicas voltadas à justiça restaurativa.
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