Agentes de I.A. e a substituição do trabalho cognitivo
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Palavras-chave

automação cognitiva
agentes de IA
mercado de trabalho
LLMs
substituição tecnológica

Como Citar

Cunha, F. A. (2026). Agentes de I.A. e a substituição do trabalho cognitivo. Revista Ft, 30(158), 01-08. https://doi.org/10.69849/t4jj9284

Resumo

Softwares automatizam o trabalho cognitivo desde os anos 1980, e isso quase nunca foi tratado como evento civilizacional. Contabilidade, controle de estoque, conciliação bancária, indexação documental: tudo isso migrou para sistemas computacionais nas últimas quatro décadas, sem que ninguém falasse em fim do trabalho intelectual. O que mudou a partir de 2022, com a popularização dos modelos de linguagem de grande escala e dos agentes construídos sobre eles, é menos a chegada da automação ao trabalho cognitivo e mais o teto dela. Tarefas que pareciam fora do alcance de software — redação técnica, análise jurídica preliminar, programação, diagnóstico médico auxiliar — passaram a ser executadas por sistemas computacionais com qualidade prática suficiente para deslocar trabalho humano em volume relevante. Este artigo discute o que define essa nova fase, usando o modelo de tarefas de Autor, Levy e Murnane (2003), a evidência empírica acumulada entre 2022 e 2025, e dados sobre o caso brasileiro.

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Copyright (c) 2026 Fabricio Alves Cunha (Autor)

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