Teoria do desenvolvimento humano na perspectiva de Vygotsky e sua influência na aprendizagem
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Resumo

Este artigo explora de forma breve e clara sobre a teoria de desenvolvimento humano sob a perspectiva de Lev Vygotsky, destacando a sua influência na aprendizagem, especialmente no contexto da educação primária. Inicialmente são discutidas as concepções inatistas e racionalistas, que enfatizam a hereditariedade e a razão como motores do desenvolvimento cognitivo. Em contrapartida, a concepção interacionista, defendida por Vygotsky, propõe que o aprendizado é um processo social e cultural, mediado pela interação com outros indivíduos e pelo ambiente. O artigo analisa com base na literatura como Vygotsky vê a linguagem e as interações sociais como fundamentais para o desenvolvimento cognitivo das crianças, destacando conceitos como a Zona de desenvolvimento proximal (ZDP) e a mediação. A partir das experiências no primeiro ano do mestrado em Metodologia de Ensino em Educação Infantil, são apresentadas reflexões sobre como esses princípios se manifestam na prática pedagógica em nossos dias. A pesquisa busca evidenciar a importância de considerar as interações sociais na formação da criança, promovendo um ambiente de aprendizado colaborativo que respeite as especificidades individuais e culturais. Por fim, conclui-se que a abordagem vygotskiana não apenas enriquece a compreensão do desenvolvimento humano, mas também oferece diretrizes valiosas para práticas educativas mais inclusivas e eficazes na educação primária.

Palavras-chave: desenvolvimento humano; Vygotsky; aprendizagem.

Abstract

This article briefly and clearly explores the theory of human development from the perspective of Lev Vygotsky, highlighting its influence on learning, especially in the context of primary education. Initially, the innatist and rationalist conceptions are discussed, which emphasize heredity and reason as engines of cognitive development. On the other hand, the interactionist conception, defended by Vygotsky, proposes that learning is a social and cultural process, mediated by interaction with other individuals and the environment. The article analyzes based on the literature how Vygotsky sees language and social interactions as fundamental for children's cognitive development, highlighting concepts such as the Zone of Proximal Development (ZPD) and mediation. From the experiences in the first year of the master's degree in Teaching Methodology in Early Childhood Education, reflections are presented on how these principles are manifested in pedagogical practice in our days. The research seeks to highlight the importance of considering social interactions in the formation of the child, promoting a collaborative learning environment that respects individual and cultural specificities. Finally, it is concluded that the Vygotskian approach not only enriches the understanding of human development, but also offers valuable guidelines for more inclusive and effective educational practices in Primary education.

Keywords: human development; Vygotsky; learning.

Resumen

Este artículo explora breve y claramente la teoría del desarrollo humano desde la perspectiva de Lev Vygotsky, destacando su influencia en el aprendizaje, especialmente en el contexto de la educación primaria. Inicialmente, se discuten las concepciones innatista y racionalista, que enfatizan la herencia y la razón como motores del desarrollo cognitivo. Por otro lado, la concepción interaccionista, defendida por Vygotsky, propone que el aprendizaje es un proceso social y cultural, mediado por la interacción con otros individuos y el entorno. El artículo analiza, basándose en la literatura, cómo Vygotsky considera el lenguaje y las interacciones sociales como fundamentales para el desarrollo cognitivo de los niños, destacando conceptos como la Zona de Desarrollo Proximal (ZDP) y la meditación. A partir de las experiencias del primer año del máster en Metodología de la Enseñanza en la Educación Infantil, se presentan reflexiones sobre cómo estos principios se manifiestan en la práctica pedagógica de hoy en día. La investigación busca destacar la importancia de considerar las interacciones sociales en la formación del niño, promoviendo un entorno de aprendizaje colaborativo que respete las especificidades individuales y culturales. Finalmente, se concluye que el enfoque vygotskiano no solo enriquece la comprensión del desarrollo humano, sino que también ofrece valiosas directrices para prácticas educativas más inclusivas y efectivas en la educación primaria.

Palabras clave: desarrollo humano; Vygotsky; Aprendiendo.

Introdução

Ao longo das práticas pedagógicas profissionais, muitas questões se têm levantado a respeito da melhor maneira de conduzir a criança para a construção do conhecimento e o seu consequente desenvolvimento. Facto que, mesmo pensando numa visão construtivista de um ensino “mais humanizador, inclusivo, atraente, relevante, contextualizado, dialógico, e significativo para que se forme sujeitos aptos para as necessidades da vida em todas as esferas, quer pessoal, familiar, comunitária bem como do país” (INIDE, 2019, p. 6), ainda temos adoptado práticas tradicionalista e o senso de espírito crítico e criativo tem entrado em colapso, uma vez que, nem sempre entendemos que por de trás de toda a acção pedagógica existe uma concepção de ensino e aprendizagem que a sustenta. A visão de Vigotsky é contrária aos ideais praticados no seu tempo e que ainda constituem uma realidade nos vários cantos do nosso país e do mundo no geral. Vygotsky entende que a aprendizagem não era uma mera aquisição de informações, não acontecia a partir de uma simples associação de idéias armazenadas na memória, mas era um processo interno, ativo e interpessoal (Duarte, 1999). É nesta perspectiva que no presente trabalho se pretende estudar a Teoria de Desenvolvimento humano na Perspectiva de Vigotsky e a Influência que este exerce no Processo educativo da criança, relacionando-o com as práticas pedagógicas profissionais em sala de aulas.

Neste contexto, Darsie (1999, p. 9 as cited Neves e Damiani, 2026) afirma que “por de trás de toda prática educativa traz em si uma teoria do conhecimento. Esta é uma afirmação incontestável e mais incontestável ainda quando referida à prática educativa escolar”. Para compreender a relevância do texto de Vygotsky para a área da Educação, é imprescindível examinar as teorias sobre o conhecimento humano, ou correntes epistemológicas. As diferentes formas de aprender que explicam a forma pela qual o sujeito aprende e se desenvolve. Assim, urge a necessidade de se conhecer as diferentes concepções de ensino que dão “corpus” às práticas pedagógicas de todo aquele que preza o acto de ensinar e educar.

Concepção inatista/racionalista

Outra ideia que deve ser do domínio dos professores e a concepção inatista e que outros a chamam de racionalista. A mesma se consubstancia numa visão que defende que a escola e o professor não têm responsabilidade nenhuma no processo de aprendizagem do aluno. Isto é, o sucesso ou fracasso do aluno se deve a obtenção ou não obtenção dos dons dos pais. O professor nessa teoria de maneira implícita aceita que ele e a escola nada mais podem fazer em favor de quem aprende, dando a ideia de que alguns nasceram para ter sucesso e outros para fracassarem (há alunos que aprendem, ao passo que, outros não aprendem e não adianta o professor ou a escola se preocupar com isto) (Manuel, 2016; Amaral et al, 2019). Infelizmente, este modo de pensar e de agir ainda prevalece nas práticas de muitos professores em nossos dias.

Concepção ambientalista (empirista, comportamentalista ou behaviorista)  

Essa concepção valoriza o “empirismo”, a experiência vivida pela criança no ambiente em que está inserida. Valoriza o conhecimento que emerge do exterior do aluno ou da criança (isto é, de professores ou de livros). A mesma considera que a fonte fundamental do conhecimento aprendido vem dos estímulos que o meio oferece ao aluno ou a criança (Manuel, 2016). Esta concepção vê o sujeito que aprende como uma “folha em branco”, em que, o professor tem a responsabilidade de enxertar ou transmitir os conhecimentos e a criança recebê-los de maneira passiva. O objectivo da educação nesta concepção conciste em educar de formas a moldar o comportamento do aluno, o seu carácter (Giusta, 1985). Esta concepção ainda prevalece em nosso sistema educativo Angolano.

Concepção Interacionista

Terceira concepção epistemológica, que pelas suas características podemos considerar que supera as anteriores, chamada de interacionismo, construtivismo ou de dialéctica. Nesta concepção é possível aproximar autores como Piaget, Paulo Freire, Freud, Vygotsky, Wallon, Lúria, e Freinet, porque todos eles têm um ponto em comum: a acção do sujeito, tratada frequentemente como prática ou práxis, colocada no centro do processo de aprendizagem (Becker, 2003). Dentro desta concepção, tem a se realçar a concepção sócio-interacionista, socio histórica ou sociocultural, da qual tem como principal representante Lev Semenovich Vygotsky que nasceu em 1896 na cidade de Orsha, na Rússia, e morreu em Moscou em 1934, com apenas 38 anos. O mesmo formou-se em Direito, História e Filosofia.

Vygotsky valoriza a interação social (factores externos); a construção do conhecimento depende da interação social entre o indivíduo e o contexto sócio-histórico; desenvolvimento ocorre do social para o indivíduo (internalização); a construção do conhecimento ocorre pela interação da criança com o outro; o desenvolvimento e aprendizagem influenciam-se mutuamente; o desenvolvimento varia de acordo com as experiências no ambiente social; a linguagem depende do pensamento e vice-versa; o biológico actua inicialmente, mas é substituído pelas influências histórico-sociais; Zona de desenvolvimento proximal; para a efectivação da aprendizagem na visão do autor , a interacção social deve acontecer não fora da zona de desenvolvimento proximal (ZDP) mas sim dentro, que seria a distância existente entre aquilo que o sujeito já sabe, seu conhecimento real, e aquilo que o sujeito possui potencialidade para aprender, seu conhecimento potencial. Dessa forma, a aprendizagem ocorre no intervalo da ZDP, onde o conhecimento real é aquele que o sujeito é capaz de aplicar sozinho, e o potencial é aquele que ele necessita do auxílio de outros para aplicar.

Para Vygotsky (1982), o sujeito é activo, ele age sobre o meio (Manuel, 2016).

Está concepção defende que, nós somos primeiro sociais e depois nos individualizamos, uma vez que existe uma mediação por instrumentos marcada pela relação homem-natureza, em que o ser humano consegue utilizar instrumentos (faca, machado) para transformar a natureza a seu favor e uma mediação por signos que é a linguagem simbólica desenvolvida pela espécie humana. É nesta perspectiva que “o conhecimento envolve sempre um fazer, um actuar do homem” (Rego, 2002 as cited in Neves, 2006, p. 3). Do ponto de vista do plano do discurso os ideários políticos, económicos e sociais da educação nos direcionam para este caminho (Lei 32/20 de 12 de Agosto, 2020), isto, é as bases teóricas estão criadas, mas no plano da prática relativo aos professores, educadores e gestores escolares, ainda muito tem de se fazer.

Enquadramento na Experiência Profissional

Dada às práticas em sala de aula, foi possível perceber que, em muitas escolas e até instituições do Ensino Superior tem-se tido uma visão cada vez mais empirista mesmo sabendo que os alunos, estudantes já vão a escola com experiências e potencialidades, estas têm sido ignoradas pelos próprios professores (que por sinal, muitos deles têm um discurso construtivista). Tal práctica tem se verificado nos trabalhos individuais, nos trabalhos em grupo, nos trabalhos independentes, nas conversas e debates. Os currículos, em parte, têm contribuído naquilo que é o desenvolvimento da criança/alunos, todavia, certos currículos e programas, dão pouca ou quase nenhuma abertura para que se permita a construção do conhecimento e o consequente desenvolvimento da criança/aluno nas esferas biológicas, psicológicas e sociais. Não obstante a estes entraves, com a pouca abertura que os currículos apresentam deve-se aproveitar ao máximo a mediação das aprendizagens, utilizando estratégias que levem a criança/aluno a tornar-se cada vez mais autónoma, crítica, desafiante e que estimulem o seu potencial, de modo a criar uma nova ZDP a cada desafio que lhe é imposta (Moreira, 1985).

Tal postura só será possível se a concepção sociocultural de Vygotsky for uma realidade, promovendo informação contextualizada e uma construção de conhecimentos mediada por parceiros mais experientes e que não fuja do modo de vida de que aprende e se desenvolve.

A implementação da concepção sociocultural deve ser diferenciada nos quatro níveis (Educação Pré-escolar, Primário, Secundário e Superior) do nosso Sistema de Educação e Ensino promovendo assim um processo de ensino-aprendizagem mais “humanizador, inclusivo, atraente, relevante, contextualizado, dialógico e significativo” (INIDE, 2019, p.6; Lei 32/20 de 12 de Agosto, 2020).

Considerações Finais

Feita a análise da Teoria de desenvolvimento humano na perspectiva de Vygotsky e a sua influência na aprendizagem percebe-se que, é necessário que se englobe uma visão holística do processo educativo a todos os níveis, naquilo que são as relações que os sujeitos do acto de aprender e ensinar exerçam com o meio em que estão inseridos, os contextos culturais, bem como as suas histórias de vida dada na Zona de Desenvolvimento Proximal, sendo em todo o momento, promotores do seu próprio conhecimento e que estejam associado ao seu próprio desenvolvimento.

Considera-se ainda, que o presente trabalho não esgota o assunto, uma vez que, esta concepção transcende as práticas educativas do contexto educativo angolano. Não obstante a isto, entende-se que a orientação da criança, dos alunos e estudantes por parte de quem educa. Ensina, facilita e medeia o processo de ensino aprendizagem, esteja munido desta concepção, possibilitando assim, a criação de ambientes educativos cada vez mais estimulador, participativo, colaborativo e de constantes desafios nas actividades colaborativas e troca de ideias e experiências.

Referências Bibliográficas

Amaral, A., Candanda, A., & Muamununga, E. (2019). Propostas de estratégias para o ensino de Estudo do Meio nos alunos da 2.ª classe. Universidade Manume ya Ndemufayo - Escola Superior Pedagógica do Namibe.

Becker, F. (2003). Vigotsky versus Piaget ou Sociointeracionismo e Educação. UNESP.

Darsie, M. (1999). Perspectivas Epistemológicas e Suas Implicações no Processo de Ensino Aprendizagem. Uniciências.

Duarte, N. (1999). Educação Escolar a Teoria do Cotidiano e a Escola de Vigotsky. São Paulo.

Giusta, A. (1985). Concepções de Aprendizagem e Práticas Pedagógicas. Belo Horizonte.

INIDE. (2019). Plano Curricular: Pré Escolar e Ensino Primário. Editora Moderna.

Lei 32/20 de 12 de Agosto. (2020). Lei que altera a Lei 17/16 de 7 de Outubro - Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino. Diário da República, 4424-4453. Obtido de https://mescti.gov.ao./ao/documentos/lei-de-bases-do-sistema-d-educacao-e-ensino-alteracao-a-lei-17-16/

Manuel, V. (2016). Habilidadades e Competencias Para Ensinar. ESPdN.

Moreira, M. A. (1985). Teorias da Aprendizagem. EPU.

Neves, R. d. (2006). Vigotsky e as Teorias de Aprendizagem. Unirevista.

  1. E-mail: candanda1992@gmail.com, Orcid: https://orcid.org/0009-0001-6811-7796;

  2. E-mail: alfredobapolo@gmail.com, Orcid: https://orcid.org/0009-0000-7909-5871;

  3. E-mail: miraldinodomingos@gmail.com, Orcid: https://orcid.org/0009-0008-9362-3544;

  4. E-mail: viegamuan34@gmail.com, Orcid: https://orcid.org/0009-0008-1675-0718;

  5. E-mail: antoniomatosepf@gmail.com, Orcid: https://orcid.org/0009-0009-7582-6855;

  6. E-mail: joaquina.mango30@yahoo.com, Orcid:  https://orcid.org/0009-0007-0339-2037;

  7. E-mail: albinof525@gmail.com, Orcid: https://orcid.org/0009-0000-9744-9944;

  8. E-mail: antoniopessela1@gmail.com, Orcid: https://orcid.org/0009-0008-2139-7226;

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