Resumo
Os sistemas de airbag constituem um dos principais pilares da segurança veicular contemporânea. Entretanto, a crise global associada a infladores de airbag contendo propelentes à base de nitrato de amônio revelou vulnerabilidades críticas na interface entre engenharia de materiais, segurança de sistemas complexos e governança regulatória. Este artigo apresenta uma análise histórica, técnica e normativa dos airbags automotivos, com ênfase nos infladores defeituosos amplamente associados à Takata Corporation, responsáveis por acidentes fatais em diversos países e pelo maior recall da história da indústria automotiva. A partir de uma revisão técnico-científica, análise documental regulatória e estudo de caso ampliado, são discutidos os mecanismos físico-químicos da falha, a caracterização dos airbags como artigos perigosos ao longo de seu ciclo de vida e os impactos decorrentes para o transporte internacional de mercadorias perigosas. Argumenta-se que a ausência de avaliação longitudinal de risco e a fragmentação entre engenharia de produto e compliance regulatório contribuíram para a transformação de um dispositivo de segurança em um risco sistêmico global.
Referências
PERROW, Charles. Normal accidents: living with high-risk technologies. Princeton: Princeton University Press, 1999.
REASON, James. Managing the risks of organizational accidents. Aldershot: Ashgate Publishing, 1997.
VAUGHAN, Diane. The Challenger launch decision: risky technology, culture, and deviance at NASA. Chicago: University of Chicago Press, 1996.
MEYER, Rudolf; KÖHLER, Josef; HOMBURG, Axel. Explosives. 6. ed. Weinheim: Wiley‑VCH, 2007.
URBAŃSKI, Tadeusz. Chemistry and technology of explosives. Oxford: Pergamon Press, 1984.
ULLMANN, Fritz. Ullmann’s encyclopedia of industrial chemistry. Weinheim: Wiley‑VCH, 2011.
NATIONAL HIGHWAY TRAFFIC SAFETY ADMINISTRATION (NHTSA). Takata airbag inflator recalls. Washington, DC: U.S. Department of Transportation, diversos relatórios técnicos.
NHTSA. Air bag performance and safety reports. Washington, DC: U.S. Department of Transportation, vários anos.
KAHANE, Charles J. Fatality reduction by air bags. Washington, DC: National Highway Traffic Safety Administration, 2015.
HOLLNAGEL, Erik; WOODS, David D.; LEVESON, Nancy. Resilience engineering: concepts and precepts. Aldershot: Ashgate Publishing, 2006.
LEES, Frank P. Lees’ loss prevention in the process industries. 3. ed. Oxford: Butterworth-Heinemann, 2005.
INTERNATIONAL CIVIL AVIATION ORGANIZATION (ICAO). Technical instructions for the safe transport of dangerous goods by air. Montreal: ICAO, edições vigentes.
INTERNATIONAL AIR TRANSPORT ASSOCIATION (IATA). Dangerous goods regulations. Montreal: IATA, edições vigentes.
INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION (IMO). International maritime dangerous goods code (IMDG Code). London: IMO, edições vigentes.
UNITED NATIONS ECONOMIC COMMISSION FOR EUROPE (UNECE). ADR – European agreement concerning the international carriage of dangerous goods by road. Geneva: UNECE, edições vigentes.
UNITED STATES. Department of Transportation. Code of Federal Regulations – Title 49 (49 CFR). Washington, DC, edições vigentes.
BRASIL. Agência Nacional de Transportes Terrestres. Resolução nº 5.998, de 3 de novembro de 2022. Aprova as Instruções Complementares ao Regulamento Terrestre do Transporte de Produtos Perigosos. Diário Oficial da União, Brasília, 2022.
BRASIL. Agência Nacional de Aviação Civil. RBAC nº 175 – Transporte de artigos perigosos por via aérea. Brasília: ANAC, edições vigentes.
RODRIGUEZ, Carlos; HAZEN, Benjamin T. Reverse logistics and sustainability. International Journal of Physical Distribution & Logistics Management, v. 46, n. 2, p. 1-23, 2016.
OECD. Chemical accident prevention, preparedness and response. Paris: Organisation for Economic Co-operation and Development, 2015.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Leonardo Lopes Bezerra (Autor)