Palavras-chave
Saúde bucal
Gestação
Atenção Primária à Saúde
Cirurgião-dentista
Percepção dos cirurgiões-dentistas da rede pública sobre o pré-natal odontológico no município de Marabá-PA.
Perception of public dental surgeons about dental prenatal care in the city of Marabá-PA.
Alice Vitória Araújo Lima
Pâmela Cristyan Gomes da Silva Sá
Orientador: Prof. Thiago Cardoso Vianna
RESUMO
O pré-natal odontológico constitui uma importante estratégia de promoção, prevenção e recuperação da saúde da gestante, sendo fundamental para a garantia de uma assistência integral no contexto da Atenção Primária à Saúde. Durante a gestação, as alterações hormonais e fisiológicas aumentam a suscetibilidade ao desenvolvimento de doenças bucais, especialmente gengivite e doença periodontal, condições que podem impactar negativamente a saúde materna e fetal. Apesar da relevância do acompanhamento odontológico nesse período, observa-se que sua implementação na rede pública de saúde ainda enfrenta desafios relacionados à capacitação profissional, à organização dos serviços e à integração multiprofissional. Nesse contexto, a percepção dos cirurgiões-dentistas torna-se determinante para a efetividade do pré-natal odontológico. Diante disso, o presente estudo tem como questão central compreender a percepção dos cirurgiões-dentistas da rede pública do município de Marabá-PA acerca do pré-natal odontológico. A pesquisa tem como objetivo analisar o conhecimento, as práticas clínicas, as dificuldades e as percepções desses profissionais sobre a assistência odontológica à gestante. A fundamentação teórica aborda aspectos relacionados à importância do pré-natal odontológico, às alterações bucais durante a gestação, à relação entre doença periodontal e desfechos gestacionais adversos, ao papel do cirurgião-dentista na Atenção Primária à Saúde e às principais barreiras enfrentadas na assistência às gestantes. Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa e qualitativa, de caráter descritivo e transversal, realizada com cirurgiões-dentistas que atuam na rede pública de saúde do município de Marabá-PA. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário estruturado, aplicado por meio da plataforma Google Forms, contendo questões sobre perfil profissional, conhecimento técnico, práticas clínicas e dificuldades no pré-natal odontológico. Os dados serão submetidos à análise estatística descritiva e à análise qualitativa das respostas discursivas. A relevância do estudo justifica-se pela necessidade de compreender a realidade da assistência odontológica às gestantes no município investigado, contribuindo para o fortalecimento das ações em saúde bucal, a qualificação profissional e o aprimoramento das políticas públicas voltadas à saúde materno-infantil. Espera-se que os resultados permitam identificar fragilidades e potencialidades relacionadas ao pré-natal odontológico, subsidiando estratégias para melhoria da assistência prestada às gestantes na rede pública de saúde.
Palavras-chave: Pré-natal odontológico. Saúde bucal. Gestação. Atenção Primária à Saúde. Cirurgião-dentista.
ABSTRACT
Dental prenatal care constitutes an important strategy for the promotion, prevention, and recovery of pregnant women’s health, being essential to ensure comprehensive care within the context of Primary Health Care. During pregnancy, hormonal and physiological changes increase susceptibility to the development of oral diseases, especially gingivitis and periodontal disease, conditions that may negatively impact maternal and fetal health. Despite the relevance of dental follow-up during this period, its implementation in the public health system still faces challenges related to professional training, service organization, and multiprofessional integration. In this context, the perception of dental surgeons becomes a determining factor for the effectiveness of dental prenatal care. Therefore, the present study aims to understand the perception of dental surgeons working in the public health network of the municipality of Marabá, Pará, regarding dental prenatal care. The research seeks to analyze the knowledge, clinical practices, difficulties, and perceptions of these professionals concerning dental care provided to pregnant women. The theoretical framework addresses aspects related to the importance of dental prenatal care, oral changes during pregnancy, the relationship between periodontal disease and adverse pregnancy outcomes, the role of dental surgeons in Primary Health Care, and the main barriers faced in providing care to pregnant women. This is a quantitative and qualitative, descriptive, and cross-sectional study conducted with dental surgeons working in the public health network of Marabá, Pará. Data collection was carried out through a structured questionnaire administered via the Google Forms platform, containing questions regarding professional profile, technical knowledge, clinical practices, and difficulties related to dental prenatal care. The data will be subjected to descriptive statistical analysis and qualitative analysis of discursive responses. The relevance of this study is justified by the need to understand the reality of dental care provided to pregnant women in the investigated municipality, contributing to the strengthening of oral health actions, professional qualification, and the improvement of public policies aimed at maternal and child health. It is expected that the results will identify weaknesses and potentialities related to dental prenatal care, supporting strategies to improve the assistance provided to pregnant women in the public health system.
Keywords: Dental prenatal care. Oral health. Pregnancy. Primary Health Care. Dental surgeon.
1 INTRODUÇÃO
A gestação é um período marcado por intensas transformações fisiológicas, hormonais e emocionais que podem repercutir diretamente na saúde bucal da mulher. Alterações, como o aumento dos níveis de estrogênio e de progesterona, influenciam a resposta inflamatória dos tecidos gengivais, favorecendo o surgimento de condições como a gengivite gravídica e a doença periodontal (SANTOS et al., 2024; SILVA et al., 2024). A persistência dessas condições e a ausência de tratamento podem comprometer não apenas a saúde bucal da gestante, mas também impactar sua saúde geral e o desenvolvimento do feto (CARVALHO et al., 2019).
Segundo Saraiva et al. (2022), o pré-natal odontológico destaca-se como estratégia essencial para a promoção da saúde e a prevenção de agravos, devendo estar integrado às demais ações do pré-natal no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS). A atuação do odontólogo permite a realização de orientações educativas, diagnóstico precoce e intervenções oportunas, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da gestante e para melhores desfechos gestacionais.
Apesar dos benefícios amplamente reconhecidos, a assistência odontológica no pré-natal ainda enfrenta desafios significativos no Sistema Único de Saúde (SUS). Estudos evidenciam que poucas mulheres recebem cuidados do cirurgião-dentista associados à sua rotina de pré-natal na APS, seja pela ausência de protocolos de cuidado eficazes, seja pela fragilidade na integração entre os profissionais da equipe de saúde (SARAIVA et al., 2022; SANTOS et al., 2024). Além disso, fatores como o medo, a desinformação e crenças equivocadas sobre a segurança do atendimento odontológico durante a gestação contribuem para a baixa adesão ao cuidado (SANTOS et al., 2021; SILVA et al., 2024).
Outro aspecto importante a destacar é a relação entre as condições bucais maternas e os desfechos gestacionais adversos. Evidências científicas apontam uma associação entre doença periodontal e eventos como parto prematuro e baixo peso ao nascer, reforçando a importância do acompanhamento odontológico durante a gestação como medida de precaução e de promoção da saúde materno-infantil (OLIVEIRA et al., 2006; CRUZ et al., 2005; MANRIQUE-CORREDOR et al., 2019).
Diante desse cenário, torna-se evidente que a efetividade do pré-natal odontológico não depende apenas da disponibilidade do serviço, mas também da atuação e da percepção dos profissionais responsáveis por sua execução. O conhecimento técnico, a segurança clínica e a integração multiprofissional influenciam diretamente a oferta e a qualidade do atendimento às gestantes (SILVA et al., 2024; SARAIVA et al., 2022).
Nesse sentido, investigar a percepção dos cirurgiões-dentistas da rede pública de saúde torna-se fundamental para compreender como esse cuidado vem sendo implementado na prática. A análise das experiências, dos conhecimentos e das dificuldades enfrentadas por esses profissionais permite identificar fragilidades no sistema e subsidiar estratégias de aprimoramento da assistência.
Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar a percepção dos cirurgiões-dentistas da rede pública do município de Marabá-PA acerca do pré-natal odontológico, contribuindo para o fortalecimento das ações de saúde bucal e para a promoção de uma assistência mais integral, qualificada e humanizada às gestantes.
2 DEFINIÇÃO DA QUESTÃO CENTRAL
A escolha do tema desta pesquisa se deu pela relevância do pré-natal odontológico como estratégia de promoção da saúde materno-infantil no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS). Embora existam evidências científicas que reforçam a importância da assistência odontológica durante a gestação, observa-se que sua oferta na rede pública de saúde ainda é desigual e está marcada por entraves relacionados à capacitação profissional, à integração multiprofissional, à organização dos serviços e à adesão das gestantes ao atendimento odontológico.
Além disso, durante a gestação, as alterações hormonais e fisiológicas aumentam a suscetibilidade ao desenvolvimento de problemas de saúde bucal, especialmente gengivite gravídica e doença periodontal, condições que podem impactar negativamente a saúde da mãe e do bebê. Nesse contexto, o cirurgião-dentista desempenha papel fundamental na prevenção, orientação e tratamento dessas alterações, sendo indispensável sua integração efetiva no acompanhamento pré-natal.
Entretanto, apesar da importância do cuidado odontológico no período gestacional, ainda são identificadas fragilidades na assistência às gestantes na rede pública, especialmente relacionadas à insegurança profissional, à ausência de protocolos institucionais, à baixa participação em ações educativas e às dificuldades de união entre os profissionais da equipe multiprofissional. Tais aspectos evidenciam a necessidade de compreender como os próprios cirurgiões-dentistas percebem o pré-natal odontológico e quais fatores influenciam sua atuação nesse contexto.
Dessa forma, a delimitação do problema desta pesquisa concentra-se na análise da percepção dos cirurgiões-dentistas atuantes na rede pública de saúde do município de Marabá-PA acerca do pré-natal odontológico, considerando seus conhecimentos, práticas clínicas, dificuldades enfrentadas e sugestões para evolução da assistência às gestantes.
A partir dessa problemática, emergem algumas questões norteadoras: os profissionais se sentem capacitados para realizar o atendimento odontológico durante a gestação? Quais barreiras dificultam a efetivação do pré-natal odontológico na rede pública? Existe uma integração satisfatória entre os membros da equipe multiprofissional? Os protocolos institucionais disponíveis são suficientes para orientar a prática clínica? Como os cirurgiões-dentistas percebem a adesão das gestantes ao acompanhamento odontológico?
Nesse sentido, a presente pesquisa tem como questão central a seguinte indagação: qual é a percepção dos cirurgiões-dentistas da rede pública do município de Marabá-PA sobre o pré-natal odontológico e quais fatores influenciam sua realização na Atenção Primária à Saúde?
A construção dessa questão central relaciona-se diretamente aos objetivos do estudo, uma vez que busca compreender não apenas o conhecimento dos profissionais sobre o pré-natal odontológico, mas também as práticas desenvolvidas, as dificuldades encontradas e os elementos que podem contribuir para o fortalecimento da assistência odontológica às gestantes no contexto da saúde pública.
3 OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
Avaliar a percepção dos cirurgiões-dentistas da rede pública de Marabá sobre o pré-natal odontológico.
3.2 Objetivos Específicos
a) Caracterizar o perfil sociodemográfico e profissional dos cirurgiões-dentistas atuantes na rede pública de Marabá-PA;
b) Analisar o nível de conhecimento dos profissionais sobre a importância, segurança e atribuições do pré-natal odontológico;
c) Identificar as principais barreiras e dificuldades percebidas pelos dentistas na realização do atendimento odontológico às gestantes;
d) Verificar a percepção dos profissionais quanto à existência e necessidade de protocolos, capacitações e integração multiprofissional para aprimorar o pré-natal odontológico.
4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
4.1 Pré-natal odontológico na Atenção Primária à Saúde
O pré-natal odontológico é indispensável na assistência integral à saúde da gestante, especialmente no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), que se configura como a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). A integralidade do cuidado pressupõe a articulação entre diferentes áreas da saúde, incluindo a odontologia, visando à promoção do bem-estar materno-infantil.
De acordo com Saraiva et al. (2022), a inserção do cirurgião-dentista no acompanhamento pré-natal permite a realização de ações preventivas, educativas e terapêuticas, contribuindo para a redução de agravos bucais e sistêmicos. Além disso, a atuação na APS favorece o estabelecimento de vínculo entre profissional e paciente, o que impacta positivamente na adesão ao tratamento.
Apesar das recomendações das políticas públicas de saúde, a assistência odontológica durante o pré-natal ainda apresenta baixa cobertura. Estudos apontam que a ausência de protocolos bem definidos, a sobrecarga dos serviços e a fragilidade na integração entre os profissionais da equipe multiprofissional dificultam a efetivação dessa prática (SILVA et al., 2020; SANTOS et al., 2024).
4.2 Alterações bucais durante a gestação
A gestação promove diversas alterações hormonais, principalmente relacionadas ao aumento dos níveis de estrogênio e progesterona, que influenciam diretamente a resposta inflamatória dos tecidos periodontais. Essas mudanças favorecem o desenvolvimento de condições como a gengivite gravídica, caracterizada por inflamação gengival exacerbada.
Segundo Santos et al. (2024), as gestantes apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de doenças periodontais, além de maior risco de cárie dentária, decorrente de fatores comportamentais e fisiológicos, como mudanças na dieta, maior frequência alimentar e episódios de náuseas e vômitos. Esses fatores podem comprometer o equilíbrio do biofilme oral e favorecer o surgimento de lesões cariosas.
Carvalho et al. (2019) ressaltam que a negligência dos cuidados odontológicos durante a gestação pode resultar em complicações que extrapolam o âmbito bucal, reforçando a importância do acompanhamento odontológico contínuo no pré-natal.
4.3 Relação entre doença periodontal e desfechos gestacionais
A associação entre a doença periodontal materna e desfechos adversos na gestação tem sido amplamente investigada na literatura científica e é considerada um importante problema de saúde pública. Evidências sugerem que processos inflamatórios crônicos podem desencadear respostas sistêmicas capazes de interferir no curso da gestação.
Oliveira et al. (2002) demonstraram que gestantes com doença periodontal apresentam maior risco de parto prematuro e de nascimento de bebês com baixo peso. Da mesma forma, Cruz et al. (2005) reforçam que a presença de infecção periodontal pode contribuir para o aumento de mediadores inflamatórios sistêmicos, o que influencia negativamente o desenvolvimento fetal.
Corroborando esses achados, a revisão sistemática e meta-análise de Manrique-Corredor et al. (2019) evidenciou uma associação significativa entre periodontite materna e parto prematuro, destacando a importância do diagnóstico e do tratamento precoces dessas condições.
Dessa forma, o acompanhamento odontológico durante o pré-natal torna-se uma estratégia relevante não apenas para a saúde bucal, mas também para a prevenção de complicações obstétricas.
4.4 Papel do cirurgião-dentista no pré-natal odontológico
O cirurgião-dentista desempenha papel fundamental na promoção da saúde bucal da gestante, atuando de forma integrada à equipe multiprofissional. Sua atuação envolve não apenas a realização de procedimentos clínicos, mas também ações de educação em saúde, orientação preventiva e acompanhamento contínuo.
Segundo Silva et al. (2020), a capacitação dos profissionais de saúde é essencial para garantir segurança na realização de procedimentos odontológicos durante a gestação, contribuindo para a redução de mitos e inseguranças tanto por parte dos profissionais quanto das gestantes. A falta de preparo técnico-científico pode restringir as condutas clínicas, comprometendo a qualidade da assistência.
Além disso, a integração entre os profissionais de saúde, especialmente médicos, enfermeiros e cirurgiões-dentistas, é fundamental para a construção de um cuidado integral. Saraiva et al. (2022) destacam que a atuação multiprofissional fortalece o encaminhamento das gestantes e amplia o acesso ao pré-natal odontológico.
4.5 Percepção dos profissionais sobre o pré-natal odontológico
A percepção dos cirurgiões-dentistas sobre o pré-natal odontológico é um fator determinante para a implementação e qualidade dessa assistência na rede pública de saúde. O conhecimento técnico, a segurança clínica e as atitudes profissionais influenciam diretamente a conduta adotada no atendimento às gestantes.
Silva et al. (2020) evidenciam que muitos profissionais ainda apresentam insegurança quanto ao atendimento odontológico durante a gestação, o que pode estar associado à falta de capacitação específica e à ausência de atualização profissional contínua. Essa insegurança pode resultar na restrição de procedimentos ou na não realização do atendimento.
Além disso, a forma como o profissional percebe a importância do pré-natal odontológico influencia diretamente sua prática clínica. Profissionais que reconhecem a relevância desse cuidado tendem a adotar uma postura mais ativa, promovendo orientações, realizando atendimentos e participando de ações educativas.
4.6 Barreiras na assistência odontológica no pré-natal
A implementação efetiva do pré-natal odontológico enfrenta diversas barreiras que podem comprometer a qualidade e a abrangência do atendimento na rede pública de saúde. Entre os principais desafios destacam-se fatores estruturais, organizacionais e relacionados à formação profissional.
Mendes et al. (2025) apontam que as desigualdades sociais e geográficas influenciam diretamente o acesso aos serviços odontológicos, evidenciando disparidades na oferta de assistência. Além disso, a sobrecarga de trabalho, a falta de recursos materiais e humanos e a ausência de protocolos padronizados dificultam a atuação dos profissionais.
Outro aspecto relevante refere-se à baixa integração entre os membros da equipe multiprofissional, o que compromete o encaminhamento das gestantes e a continuidade do cuidado. A falta de capacitação contínua também constitui um entrave importante, limitando o desenvolvimento de práticas baseadas em evidências científicas.
4.7 Percepção das gestantes e sua relação com a atuação profissional
Embora o foco deste estudo esteja na percepção dos cirurgiões-dentistas, é importante considerar a influência da percepção das gestantes sobre a adesão ao pré-natal odontológico. Estudos indicam que muitas gestantes apresentam medo, insegurança e desinformação quanto ao atendimento odontológico durante a gravidez.
Santos et al. (2021) destacam que a falta de orientação adequada contribui para a baixa procura por serviços odontológicos, reforçando a necessidade de ações educativas. Nesse contexto, o cirurgião-dentista desempenha um papel essencial na desmistificação de crenças e na promoção da saúde.
Dessa forma, a atuação profissional influencia diretamente o comportamento das gestantes, evidenciando a importância de uma abordagem acolhedora, humanizada e baseada em evidências.
5 METODOLOGIA
5.1 Tipo de Estudo
O presente estudo caracterizou-se por uma abordagem quantitativa e qualitativa, de natureza descritiva e de corte transversal. Teve como objetivo analisar a percepção dos cirurgiões-dentistas da rede pública de saúde sobre o pré-natal odontológico no município de Marabá (PA), identificando o nível de conhecimento, as práticas clínicas e as principais dificuldades enfrentadas pelos profissionais no atendimento às gestantes.
5.2 Local de Estudo
A pesquisa foi desenvolvida com cirurgiões-dentistas atuantes na rede pública de saúde do município de Marabá, no estado do Pará, vinculados às Unidades Básicas de Saúde (UBS) e às Estratégias de Saúde da Família (ESF), sob a gestão da Secretaria Municipal de Saúde.
5.3 Amostra e Coleta de Dados
A população do estudo foi composta por cirurgiões-dentistas vinculados à rede pública de saúde do município de Marabá-PA. A amostra foi composta por profissionais que aceitaram participar voluntariamente da pesquisa, mediante concordância expressa no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Adotou-se uma amostragem por conveniência, considerando a disponibilidade e acessibilidade dos profissionais no período de coleta de dados. O estudo teve caráter censitário, envolvendo os 33 cirurgiões-dentistas que atuavam na rede pública no momento da coleta.
A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário estruturado, desenvolvido pelas autoras da pesquisa com base na literatura científica. O instrumento foi disponibilizado na plataforma Google Forms, permitindo o acesso remoto, garantindo praticidade, anonimato e segurança das informações.
5.4 Instrumento de Coleta de Dados
O instrumento de coleta consistiu em um questionário estruturado composto por questões fechadas e semiestruturadas, organizadas em cinco eixos temáticos:
a) Perfil sociodemográfico e profissional (idade, sexo, tempo de formação, tempo de atuação e local de trabalho);
b) Conhecimento sobre o pré-natal odontológico (importância, segurança dos procedimentos e atuação profissional);
c) Práticas clínicas (atendimento a gestantes, realização de orientações e participação em ações educativas);
d) Barreiras e dificuldades percebidas (capacitação, insegurança, encaminhamento e estrutura de trabalho);
e) Percepções e sugestões de melhoria (educação em saúde, capacitação e organização dos serviços).
Parte das questões foi estruturada em escala do tipo Likert, permitindo avaliar o grau de concordância dos participantes com as afirmações apresentadas, sendo amplamente utilizada em pesquisas que analisam percepções e atitudes.
5.5 Análise de Dados
Os dados coletados foram organizados em planilhas eletrônicas e submetidos à análise estatística descritiva, sendo apresentados por meio de frequências absolutas e relativas, tabelas e/ou gráficos, conforme a natureza das variáveis analisadas.
As respostas às questões abertas foram analisadas por meio de uma abordagem qualitativa, com categorização temática, o que permitiu identificar padrões, percepções e sugestões relevantes apresentados pelos participantes.
5.6 Aspectos Éticos
O estudo foi conduzido em conformidade com os princípios éticos estabelecidos pela Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade do Estado do Pará (UEPA), o que garante o respeito aos direitos dos participantes.
Todos os participantes foram informados sobre os objetivos da pesquisa e convidados a participar voluntariamente, mediante aceite do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foi assegurado o anonimato dos participantes, bem como a confidencialidade das informações coletadas, e os dados foram utilizados exclusivamente para fins acadêmicos.
5.7 Critérios de Inclusão e Exclusão
5.7.1 Critérios de Inclusão
Foram incluídos no estudo cirurgiões-dentistas vinculados à rede pública de saúde do município de Marabá-PA que aceitaram participar voluntariamente da pesquisa.
5.7.2 Critérios de Exclusão
Foram excluídos profissionais afastados por licença ou férias durante o período de coleta de dados, bem como aqueles que não aceitaram participar da pesquisa ou que não possuíam vínculo com a rede pública de saúde.
5.8 Riscos e Benefícios
A pesquisa apresentou riscos mínimos, relacionados principalmente ao possível desconforto ou constrangimento ao responder questões sobre a prática profissional. Para minimizar esses riscos, foi garantido o anonimato dos participantes, não sendo coletadas informações que permitissem sua identificação.
Os dados foram armazenados em ambiente digital seguro, com acesso restrito às pesquisadoras, e utilizados exclusivamente para fins acadêmicos.
Como benefícios, o estudo contribui para a compreensão da percepção dos cirurgiões-dentistas sobre o pré-natal odontológico, podendo subsidiar estratégias de capacitação profissional, a melhoria na organização dos serviços e o fortalecimento da assistência odontológica às gestantes.
6 JUSTIFICATIVA
A realização desta pesquisa justifica-se pela relevância do pré-natal odontológico como componente fundamental da assistência integral à saúde materno-infantil no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS). Durante a gestação, a mulher passa por diversas alterações fisiológicas e hormonais que podem favorecer o desenvolvimento de agravos bucais, como gengivite e doença periodontal, condições que podem repercutir negativamente tanto na saúde materna quanto no desenvolvimento fetal. Nesse sentido, o acompanhamento odontológico durante o pré-natal torna-se indispensável para a promoção da saúde, a prevenção de doenças e a melhoria da qualidade de vida das gestantes.
Apesar da importância desse cuidado ser amplamente reconhecida na literatura científica e nas políticas públicas de saúde, observa-se que a assistência odontológica às gestantes ainda enfrenta desafios significativos na rede pública. Entre os principais entraves destacam-se a insuficiente capacitação profissional, a ausência de protocolos institucionais padronizados, a fragilidade da integração multiprofissional e a baixa adesão das gestantes ao acompanhamento odontológico. Dessa forma, compreender a percepção dos cirurgiões-dentistas sobre o pré-natal odontológico torna-se essencial para identificar fatores que influenciam diretamente a qualidade da assistência prestada.
A escolha do tema também se relaciona à necessidade de fortalecer as ações de saúde bucal no município de Marabá-PA, considerando a importância social e educacional da temática. Ao investigar os conhecimentos, as práticas clínicas, as dificuldades e as percepções dos profissionais da rede pública, a pesquisa poderá contribuir para a construção de estratégias voltadas à qualificação profissional, à melhoria da organização dos serviços e ao fortalecimento da atuação multiprofissional no acompanhamento das gestantes.
No contexto científico, o estudo apresenta pertinência ao ampliar as discussões sobre a efetividade do pré-natal odontológico na Atenção Primária à Saúde, especialmente em municípios da região Norte do Brasil, onde ainda persistem limitações no acesso e na organização dos serviços de saúde. Além disso, a pesquisa contribui para o debate acadêmico acerca da atuação do cirurgião-dentista no cuidado integral à gestante, possibilitando a produção de dados que poderão subsidiar futuras investigações e ações voltadas à saúde pública.
Do ponto de vista prático, espera-se que os resultados obtidos permitam identificar fragilidades e potencialidades relacionadas à assistência odontológica durante a gestação, fornecendo subsídios para o desenvolvimento de políticas públicas, programas de capacitação e protocolos de atendimento mais eficazes. A pesquisa também poderá contribuir para o fortalecimento da educação em saúde, da integração entre os profissionais da equipe multiprofissional e da adesão das gestantes ao pré-natal odontológico.
Portanto, a relevância deste estudo está associada não apenas à ampliação do conhecimento científico sobre a temática, mas também à possibilidade de promover melhorias concretas na assistência prestada às gestantes na rede pública de saúde, favorecendo uma atenção mais integral, humanizada e baseada em evidências científicas.
7 RESULTADOS E DISCUSSÃO
O município de Marabá (PA) contava, em 2024, com uma população estimada de 288.615 habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES/DATASUS), o município dispunha de 151 cirurgiões-dentistas registrados e em atividade em dezembro de 2024, o que corresponde a uma razão de aproximadamente 1 profissional para cada 1.911 habitantes. Ainda que esse índice seja inferior ao critério adotado pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), que preconiza 1 cirurgião para cada 2.000 habitantes como referência adequada para o planejamento da força de trabalho em saúde bucal, esses valores servem como referência; no entanto, não refletem as condições de acesso da população, uma vez que a distribuição dos profissionais entre os setores público e privado permanece desigual. Do total de cirurgiões-dentistas atuantes no município, apenas trinta e três estão no setor público, representando 22% do contingente total, revelando que a maioria dos profissionais está concentrada no setor privado. Desse universo de 33 profissionais da rede pública, 22 aceitaram participar voluntariamente desta pesquisa. Os resultados e a discussão a seguir são fundamentados nas respostas desses participantes, cujas identidades foram preservadas em conformidade com os preceitos éticos que regem a pesquisa com seres humanos.
7.1 Perfil sociodemográfico e profissional
A seção à seguir apresenta os principais resultados sobre a percepção dos cirurgiões-dentistas da rede pública de Marabá-PA quanto a importância do pré-natal odontológico para as gestantes do município. Como apontado anteriormente na seção metodológica, os participantes da pesquisa terão suas identidades preservadas, sendo apresentadas apenas suas respostas ao questionário proposto. De um total de trinta e três profissionais listados na rede pública do município, vinte e dois aceitaram responder à pesquisa, o que corresponde a 66,7% dos profissionais vinculados à rede pública. Na Tabela 1, a seguir, descreve-se o perfil sociodemográfico e profissional dos indivíduos participantes.
Tabela 1 – Perfil sociodemográfico e profissional dos participantes
Variável | Profissionais | Total acumulado |
|---|---|---|
Sexo | ||
Feminino | 10 | — |
Masculino | 12 | — |
Faixa etária | ||
36–45 anos | 7 | — |
46–55 anos | 9 | — |
Acima de 55 anos | 6 | — |
Tempo de formação | ||
11–20 anos | 5 | — |
Mais de 20 anos | 17 | 17 (maioria) |
Tempo de atuação na rede pública | ||
Até 2 anos | 1 | — |
3–5 anos | 2 | — |
6–10 anos | 3 | — |
Mais de 10 anos | 16 | 16 (maioria) |
Local de trabalho principal | ||
Unidade Básica de Saúde (UBS) | 17 | — |
Estratégia de Saúde da Família (ESF) | 4 | — |
Outro (APAE Marabá) | 1 | — |
Capacitação prévia em pré-natal odontológico | ||
Sim | 10 | — |
Não | 12 | 12 (maioria) |
Fonte: Elaborado pelas autoras, 2026. (n=22; questionário aplicado entre abril-maio/2026; escala Likert de 1–5; valores apresentados em unidades absolutas.)
Como exposto na Tabela 1, houve leve predominância de profissionais do sexo masculino (n=12) em relação ao feminino (n=10). Quando se analisa a faixa etária desses profissionais, eles estão divididos em três grupos: 36–45 anos (n=7), 46–55 anos (n=9) e acima de 55 anos (n=6). Em relação ao tempo de formação, todos apresentam período superior a dez anos, sendo a maioria (n=17) com tempo de formação superior a vinte anos.
Outro importante indicador, demonstrado pelo perfil sociodemográfico e profissional dos participantes, é o tempo de atuação na rede pública: os profissionais apresentam pelo menos dois anos de experiência, e a maior parte atua há mais de dez anos. A combinação entre tempo de formação e período de atuação evidencia um quadro profissional bastante experiente, tendo como campo de atuação principalmente as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e a Estratégia Saúde da Família (ESF).
Para além de traçar o perfil sociodemográfico e profissional dos participantes, outra questão relevante a ser compreendida neste primeiro momento trata da capacitação prévia para a realização de pré-natal odontológico. Nesse sentido, os dados apontados pelas respostas ao questionário revelam que, apesar de os profissionais possuírem bastante tempo de formação e de atuação profissional, apenas 45% dos respondentes relatam ter alguma capacitação prévia em relação ao pré-natal odontológico. Este dado possui ampla aderência aos principais estudos da literatura, que apontam como principais entraves na disseminação do pré-natal odontológico as dificuldades associadas principalmente à baixa capacitação dos profissionais. Considerando que a maior parte dos profissionais já acumula uma década de atuação na rede pública, esse dado é particularmente relevante, pois a ausência de capacitação não é uma realidade recente, mas uma lacuna persistente no contexto do município.
7.2 Conhecimentos, práticas clínicas, barreiras e percepções
Na seção 2 das perguntas listadas no questionário, o objetivo foi compreender a percepção dos cirurgiões-dentistas a respeito dos conhecimentos sobre o pré-natal odontológico, práticas clínicas e atuação profissional, barreiras e desafios percebidos e principais percepções e sugestões de melhoria tanto na sua atuação quanto no ambiente de trabalho na rede pública municipal.
Os dados referentes às afirmativas organizadas em escala Likert estão expostos na Tabela 2. Para facilitar a compreensão, as categorias “discordo totalmente” (DT) e “Discordo parcialmente” (DP) são agrupadas em uma única coluna denominada Disc. (Discordância), seguindo a mesma lógica as categorias “Concordo totalmente” (CT) e “Concordo parcialmente” (CP) foram organizados na coluna Conc. (Concordância), enquanto a categoria Neutralidade é representada por “N”.
Tabela 2 — Conhecimentos sobre o pré-natal odontológico
Afirmativa | DT | DP | N | CP | CT | Disc. | Conc. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
O pré-natal odontológico é importante para a saúde materno-infantil | — | — | — | — | 22 | — | 22 |
Os procedimentos odontológicos são seguros durante a gestação quando realizados corretamente | — | — | — | 2 | 20 | — | 22 |
Tenho conhecimento suficiente sobre a atuação odontológica no pré-natal | — | — | — | 9 | 13 | — | 22 |
O cirurgião-dentista deve atuar ativamente no acompanhamento das gestantes | — | — | — | 2 | 20 | — | 22 |
Fonte: Elaborado pelas autoras, 2026. (n=22; questionário aplicado entre abril-maio/2026; escala Likert 1–5; valores apresentados em unidades absolutas.)
No eixo de conhecimentos sobre pré-natal odontológicos os participantes demonstraram unanimidade quanto a importância deste procedimento para a saúde materno-infantil. Outro aspecto relevante mostra que quando realizados corretamente, os procedimentos odontológicos realizados durante o período gestacional são seguros, com apenas dois participantes concordando parcialmente com esse aspecto. Ainda nessa linha, ficou evidenciada a percepção dos profissionais de que eles devem atuar ativamente no acompanhamento das gestantes, demonstrando a importância desses procedimentos para um desenvolvimento gestacional com menores riscos. Por fim, é necessário olhar com atenção para um elemento, na afirmativa “tenho conhecimento suficiente sobre a atuação odontológica no pré-natal”, treze participantes concordaram totalmente com essa afirmação, enquanto nove participantes concordaram parcialmente, o número de participantes que concordam parcialmente com a afirmativa reforça um ponto demonstrado anteriormente tanto pela literatura, quanto pelos dados sociodemográficos e profissionais dos participantes, que mostraram que mesmo com muitos anos de formação e experiência profissional os respondentes ainda possuem a percepção que a falta de qualificação dos profissionais são um entrave para uma maior aderência das gestantes aos procedimentos de pré-natal odontológicos.
Na Tabela 3 a seguir, são apresentados os dados quanto à percepção dos profissionais em relação às práticas clínicas e atuação profissional no cotidiano. Neste eixo podemos analisar tanto a interação com outros profissionais responsáveis pelo acompanhamento gestacional (médicos (as), enfermeiros(as) e técnicos (as) de enfermagem), sendo possível também observar as percepções quanto ao ambiente de trabalho, protocolos e ações desenvolvidas.
Tabela 3 — Práticas clínicas e atuação profissional
Afirmativa | DT | DP | N | CP | CT | Disc. | Conc. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
A integração entre dentistas, médicos e enfermeiros no pré-natal é satisfatória | 1 | 4 | 2 | 9 | 6 | 5 | 15 |
Sinto-me seguro(a) ao realizar atendimento odontológico em gestantes | — | 1 | — | 6 | 15 | 1 | 21 |
Atendo gestantes com frequência na minha rotina de trabalho | 1 | — | 1 | 3 | 17 | 1 | 20 |
Costumo realizar orientações preventivas e educativas para gestantes | 1 | — | — | 3 | 18 | 1 | 21 |
Minha unidade possui protocolos claros para atendimento de gestantes | 1 | 6 | 1 | 8 | 6 | 7 | 14 |
Participo regularmente de ações educativas voltadas para gestantes | 5 | 3 | 1 | 10 | 3 | 8 | 13 |
Fonte: Elaborado pelas autoras, 2026. (n=22; questionário aplicado entre abril-maio/2026; escala Likert 1–5; valores apresentados em unidades absolutas.)
Nesse grupo de afirmativas os números revelam um panorama contraditório, dezessete profissionais afirmaram atender gestantes frequentemente, dezoito participantes afirmaram realizar orientações preventivas e educativas durante seus atendimentos, ainda assim nem todos os profissionais concordaram em sentir-se seguros para realizar atendimentos odontológicos em pacientes gestantes, mais uma vez colocando em destaque as percepções quanto a se sentirem capacitados para realizar procedimentos relacionados ao pré-natal odontológico.
Quando observados os aspectos coletivos e institucionais revela-se um quadro preocupante, a participação regular em ações educativas voltadas para gestantes foi a afirmativa com maior número de discordâncias, esse ponto contrastante sugere uma participação mais engajada em atividades individuais em detrimento das ações coletivas, ou seja, a atuação em procedimentos relacionados ao pré-natal odontológicos se restringe ao campo individual, com práticas realizadas de forma pontual. Outras duas afirmativas corroboram para uma percepção de um ambiente de trabalho desafiador e que não está alinhado com os modelos de atenção integral, os modelos mais relevantes sugerem atenção aos quesitos de educação em saúde e promoção coletiva, aspectos como falta de protocolos bem desenhados e claros e a baixa integração entre multiprofissionais se colocam como pontos críticos na percepção dos profissionais, sugerindo que não há uma padronização dos protocolos institucionais de forma padronizada e universal no município. A integração multiprofissional foi a afirmativa mais criticada nesse eixo de afirmativas, cinco profissionais têm discordância quanto uma integração satisfatória, dois profissionais se mantiveram neutros, nove concordaram parcialmente e apenas seis estavam totalmente satisfeitos com a integração multiprofissional. Por fim, a disponibilidade de protocolos institucionais bem desenhados também foi fortemente questionada por uma parcela relevante dos participantes, sete profissionais discordaram dessa premissa e um se manteve neutro, enquanto quatorze profissionais concordaram (8 CP e 6 CT). Neste sentido, a percepção dos cirurgiões dentistas sobre as práticas clínicas e atuação profissional mostram pontos bastante críticos sobre os procedimentos ligados ao pré-natal odontológico na rede pública do município.
Dando prosseguimento em nossa análise, no quarto grupo de afirmativas são debatidos as principais barreiras e desafios percebidos na realização do pré-natal odontológico na rede pública do município. Esses elementos complementam as afirmativas ligadas às práticas clínicas e atuação profissional. Na Tabela 4 os profissionais apontam de forma ampla a existência de barreiras à sua atuação profissional, principalmente aos procedimentos ligados ao atendimento das gestantes.
Tabela 4 — Barreiras e desafios percebidos
Afirmativa | DT | DP | N | CP | CT | Disc. | Conc. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
A falta de capacitação dificulta o atendimento às gestantes | — | — | 1 | 11 | 10 | — | 21 |
A ausência de protocolos compromete a realização do pré-natal odontológico | 1 | — | 2 | 12 | 7 | 1 | 19 |
As gestantes demonstram medo ou resistência ao atendimento odontológico | 3 | 4 | 1 | 9 | 5 | 7 | 14 |
A equipe médica frequentemente encaminha gestantes para atendimento odontológico | 1 | 2 | — | 10 | 9 | 3 | 19 |
A rotina de trabalho limita o tempo disponível para atender gestantes adequadamente | 4 | 4 | 1 | 10 | 3 | 8 | 13 |
Fonte: Elaborado pelas autoras, 2026. (n=22; questionário aplicado entre abril-maio/2026; escala Likert 1–5; valores apresentados em unidades absolutas.)
Os profissionais apontaram de forma unânime dois elementos como principais barreiras a sua atuação profissional, na percepção dos participantes, a falta de capacitação dificulta o atendimento às gestantes e a falta de protocolos comprometem a realização do pré-natal odontológico, em contrapartida, dezenove participantes (10 CP e 9 CT) concordam que a equipe médica frequentemente encaminha gestantes para atendimento odontológico. Nesta mesma linha, na percepção de sete profissionais eles discordam que às gestantes demonstram medo ou resistência ao atendimento odontológico, enquanto quatorze profissionais concordam que as pacientes tenham algum medo ou resistência, sendo um elemento importante como barreira para atuação dos profissionais. Por fim, uma outra afirmativa analisada é se a rotina de trabalho limita o tempo disponível para atender as pacientes adequadamente, na percepção dos respondentes oito discordaram que esse seja um fator limitante, um respondente se manteve neutro enquanto treze profissionais concordaram com essa afirmativa.
Os elementos levados em consideração nas afirmativas desse grupo, combinadas com as afirmativas observadas no grupo anterior apontam para um cenário em que elementos de caráter individuais como a capacitação insuficiente e elementos institucionais do ponto de vista de falta de protocolos bem definidos são uma barreira para consolidação do pré-natal odontológico como uma prática indispensável para as gestantes atendidas na rede pública, necessitando de um conjunto modificações que conduzam as políticas públicas para um nível de mais eficácia nos serviços disponibilizados.
Por fim, na Tabela 5 apontaremos o grupo de afirmativas que trazem a percepção dos cirurgiões dentistas sobre a causa da baixa adesão das gestantes e sobre as estratégias que poderiam aprimorar as práticas do pré-natal odontológico na rede pública do município.
Tabela 5 — Percepções e sugestões de melhoria
Afirmativa | DT | DP | N | CP | CT | Disc. | Conc. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
A baixa procura das gestantes se deve principalmente à falta de informação | 1 | 3 | — | 7 | 11 | 4 | 18 |
A adesão ao pré-natal odontológico aumentaria com mais ações educativas | 1 | 1 | 1 | 2 | 17 | 2 | 19 |
A capacitação contínua dos profissionais poderia melhorar o atendimento às gestantes | — | — | — | 3 | 19 | — | 22 |
Fonte: Elaborado pelas autoras, 2026. (n=22; questionário aplicado entre abril-maio/2026; escala Likert 1–5; valores apresentados em unidades absolutas.)
As afirmativas desta seção tiveram um caráter mais propositivos dentre todos os elementos do instrumento de pesquisa utilizado. A afirmativa que a capacitação contínua dos profissionais poderia melhorar o atendimento das gestantes foi a que teve maior aderência, com todos os participantes concordando com essa afirmativa. Sem nenhum participante ficando neutro ou discordando. Esse resultado é coerente com a barreira mais reconhecida nas afirmativas da Tabela 4, e reforça a percepção dos profissionais que identificam a formação continuada como caminho para a melhoria dos serviços disponibilizados.
De modo semelhante, dezenove participantes concordaram que ações educativas aumentariam a aderência ao pré-natal odontológico. A convergência entre esses resultados e o baixo índice de participações em ações educativas apontadas na Tabela 3 apontam para uma lacuna entre valorização teórica da educação em saúde e sua efetiva implementação na rotina de trabalho dos profissionais.
Para concluir, sobre a percepção das causas da baixa procura das gestantes pelo pré-natal odontológico, na visão de dezoito profissionais esse fenômeno é atribuído principalmente à falta de informação, enquanto profissionais discordam dessa hipótese. Esse dado indica que na percepção dos profissionais, a desinformação das gestantes é um fator bastante influente para uma maior adesão ao pré-natal odontológico, essa percepção está em aderência com a literatura e incentiva a proposição de ações educativas voltadas ao público-alvo.
Para complementar a visão dos profissionais sobre os procedimentos ligados ao pré-natal odontológico optamos por aplicar uma questão aberta, questionando o que na visão dos cirurgiões dentistas poderia melhorar a qualidade do pré-natal odontológico na rede pública, a questão foi respondida por dezesseis participantes ante os vinte e dois que responderam todo o questionário. As respostas dos profissionais foram submetidas à análise de conteúdo temática, nesse tipo de método observa-se a quantidade de vezes que um tema é citado nas respostas dos participantes. Na Tabela 6 apresentamos as categorias temáticas citadas com maior frequência pelos participantes.
Tabela 6 — Categorias temáticas identificadas nas respostas à questão aberta, por frequência de menção
Categoria temática | Menções (n) | Respondentes (N = 16) |
|---|---|---|
Capacitação profissional (dentistas, médicos, enfermeiros e ACS) | 13 | 13 |
Criação de protocolos claros e padronizados de atendimento | 6 | 6 |
Integração multiprofissional (reuniões de equipe, fluxos compartilhados) | 5 | 5 |
Educação e informação das gestantes (palestras, mitos e verdades) | 4 | 4 |
Obrigatoriedade da consulta odontológica durante o pré-natal no SUS | 2 | 2 |
Aumento do quadro de profissionais na rede pública | 1 | 1 |
Fonte: dados da pesquisa, 2026. Um mesmo respondente pode ter mencionado mais de uma categoria. n = número de respondentes que mencionaram a categoria.
A capacitação profissional mais uma vez aparece como destaque na percepção dos profissionais, sendo a resposta que apareceu com maior frequência nas respostas analisadas. As falas apontam para a necessidade de uma formação continuada que contemplem cirurgiões dentistas, mas também médicos, enfermeiros e Agentes Comunitários de Saúde (ACS), com destaque para a perspectiva multiprofissional presente em diversas respostas. Essa visão foi sintetizada na resposta de um dos participantes, que sugeriu que “uma capacitação multiprofissional sobre pré-natal odontológico, envolvendo outros profissionais, como médicos, enfermeiros e ACS, tornaria mais eficiente o convencimento das gestantes sobre a importância do cuidado com a saúde bucal durante a gestação”.
A criação de protocolos claros e padronizados foi a segunda resposta de maior frequência, com participantes enfatizando a necessidade de normatização que pudesse “nortear e unificar os atendimentos”. A integração multiprofissional foi apontada por meio de sugestões práticas, como realização de reuniões entre médicos, enfermeiros e dentistas para estabelecer fluxos de encaminhamentos e reduzir a evasão das gestantes do acompanhamento odontológico.
Outro elemento citado foi a educação das gestantes, esse tema foi mencionado quatro vezes e propuseram realização de palestras que abordem a diferenciação entre mitos e verdades sobre o tratamento dentário na gestação e a produção de materiais informativos acessíveis. Dois profissionais foram além das ações educativas e sugeriram a adoção de obrigatoriedade formal da consulta odontológica durante o pré-natal no âmbito do Sistema Único de Saúde, de forma que essa prática se torne um mecanismo estrutural de garantia de acesso. Por fim, um participante apontou a necessidade de ampliação do quadro de profissionais como condição para viabilização da demanda assistencial.
Para concluir, a convergência estabelecida entre os dados quantitativos e qualitativos apontados pela questão aberta se estabelece como um ponto de análise importante. A categoria mais citada na questão aberta, que foi a capacitação profissional, corresponde exatamente à barreira mais reconhecida nas afirmativas da Tabela 4, onde vinte e um dos profissionais concordaram que a falta de capacitação profissional impacta o atendimento das gestantes. De modo semelhante, protocolos e integração multiprofissional são os temas que concentram os maiores índices de discordância, nesse sentido, os elementos apontados tanto nas afirmativas das questões da escala de Likert, quanto da questão aberta permitem identificar de forma consistente a percepção dos cirurgiões dentistas da rede pública de Marabá sobre as práticas do pré-natal odontológico.
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo possibilitou compreender a percepção dos cirurgiões-dentistas da rede pública do município de Marabá-PA acerca do pré-natal odontológico, evidenciando aspectos relacionados ao conhecimento profissional, às práticas clínicas desenvolvidas, às dificuldades enfrentadas e às estratégias consideradas relevantes para o fortalecimento da assistência odontológica às gestantes.
A investigação partiu da compreensão de que o pré-natal odontológico constitui uma importante ferramenta de promoção da saúde materno-infantil, especialmente no contexto da Atenção Primária à Saúde, em que o cuidado integral e multiprofissional deve ser fortalecido. A partir da questão central proposta, buscou-se analisar como os profissionais percebem sua atuação no acompanhamento odontológico durante a gestação e quais fatores interferem diretamente na efetividade desse cuidado.
Os resultados demonstraram que os cirurgiões-dentistas reconhecem amplamente a importância do pré-natal odontológico e compreendem sua relevância para a prevenção de agravos bucais e para a promoção da saúde da gestante e do bebê. Além disso, os participantes demonstraram reconhecer a necessidade de atuação ativa do cirurgião-dentista no acompanhamento pré-natal e consideram seguros os procedimentos odontológicos durante a gestação quando realizados adequadamente.
Apesar desse reconhecimento, a pesquisa revelou fragilidades importantes relacionadas à capacitação profissional, à ausência de protocolos padronizados, à baixa integração multiprofissional e à limitação das ações educativas voltadas às gestantes. Tais aspectos foram identificados tanto nas respostas objetivas quanto nas contribuições discursivas dos participantes, evidenciando que ainda existem obstáculos institucionais e organizacionais que dificultam a consolidação do pré-natal odontológico como prática efetiva na rede pública de saúde.
Outro ponto relevante identificado refere-se à percepção dos profissionais quanto à necessidade de formação continuada. A maioria dos participantes apontou a capacitação profissional como elemento essencial para aprimorar a assistência prestada às gestantes, reforçando a importância de investimentos em educação permanente e em atualização técnico-científica. Além disso, a integração entre médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas e demais profissionais da equipe de saúde foi destacada como fundamental para garantir um cuidado mais integral, humanizado e eficiente.
A fundamentação teórica utilizada ao longo da pesquisa permitiu compreender que o pré-natal odontológico vai além da realização de procedimentos clínicos, envolvendo também ações educativas, preventivas e de promoção da saúde. Nesse sentido, os achados do estudo dialogam diretamente com a literatura científica, que aponta a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde bucal da gestante, bem como da construção de práticas multiprofissionais mais integradas no âmbito do Sistema Único de Saúde.
Do ponto de vista metodológico, a utilização de abordagens quantitativa e qualitativa possibilitou uma análise mais ampla da percepção dos profissionais, permitindo não apenas a descrição dos dados objetivos, mas também a compreensão das experiências, dificuldades e sugestões apresentadas pelos participantes. Essa combinação metodológica contribuiu para uma análise mais aprofundada da realidade investigada.
Dessa forma, conclui-se que, embora o pré-natal odontológico seja reconhecido pelos profissionais como uma prática essencial para a saúde materno-infantil, ainda persistem desafios significativos à sua efetivação na rede pública de saúde do município de Marabá-PA. A ausência de capacitações contínuas, a fragilidade dos protocolos institucionais e as dificuldades de integração multiprofissional evidenciam a necessidade de fortalecer as ações voltadas ao cuidado odontológico durante a gestação.
Por fim, espera-se que esta pesquisa contribua para o aprimoramento das práticas em saúde bucal no contexto do pré-natal, subsidiando futuras ações de capacitação profissional, organização dos serviços e elaboração de estratégias que fortaleçam o acesso e a qualidade da assistência odontológica às gestantes. Além disso, o estudo poderá servir de base para novas pesquisas sobre a temática, ampliando as discussões acerca da atuação do cirurgião-dentista na promoção da saúde materno-infantil e no fortalecimento da atenção integral à gestante no Sistema Único de Saúde.
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10 APÊNDICES
10.1 APÊNDICE A – Questionário aplicado aos cirurgiões-dentistas
11 ANEXOS
11.1 ANEXO A – Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa

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