O papel da enfermagem frente ao câncer de mama na gestação: apoio emocional, enfrentamento e impactos do diagnóstico
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.

Palavras-chave

Complicações neoplásicas na gestação
Carcinoma de mama
Cuidados de enfermagem
Impactos sociais e emocionais
Estratégias de enfrentamento

O papel da enfermagem frente ao câncer de mama na gestação: apoio emocional, enfrentamento e impactos do diagnóstico

The role of nursing in breast cancer during pregnancy: emotional support, coping, and impacts of diagnosis

Resumo

Nathana Mendonça Marcon 1

Fernanda Gava Salcher 2

O câncer de mama durante a gestação representa uma condição clínica complexa, caracterizada pela associação entre o enfrentamento do diagnóstico oncológico e as alterações físicas, emocionais e sociais relacionadas ao período gestacional. Nesse contexto, a enfermagem desempenha papel fundamental no cuidado integral à gestante, atuando no acolhimento, na educação em saúde, no suporte emocional e no fortalecimento de estratégias de enfrentamento diante do diagnóstico e do tratamento. O presente estudo teve como objetivo analisar a atuação da enfermagem frente ao câncer de mama na gestação, com foco nos impactos emocionais, no enfrentamento da doença e na assistência prestada à mulher durante o processo terapêutico. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, desenvolvida com base no referencial metodológico proposto por Cooper. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO e LILACS, utilizando descritores em saúde associados a operadores booleanos. Foram selecionados nove artigos publicados entre os anos de 2021 e 2026, nos idiomas português, inglês e espanhol. Os resultados evidenciaram que o diagnóstico do câncer de mama durante a gestação desencadeia sentimentos de medo, ansiedade, insegurança e sofrimento psicológico, além de desafios relacionados ao tratamento oncológico e à preservação da saúde fetal. Observou-se que a atuação da enfermagem contribui significativamente para a humanização da assistência, para a promoção do suporte emocional, para o fortalecimento da autonomia da gestante e para a melhoria do enfrentamento da doença. Conclui-se que a assistência de enfermagem qualificada e humanizada favorece melhores experiências maternas e contribui para o cuidado integral da mulher e de sua família.

Palavras-chave: Complicações neoplásicas na gestação. Carcinoma de mama. Cuidados de enfermagem. Impactos sociais e emocionais. Estratégias de enfrentamento.

1 Discente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto Faculdade da Serra Gaúcha Campus Caxias do Sul e-mail: nathana.marcon4@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-0643-1614

2 Docente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto Faculdade da Serra Gaúcha Campus Caxias do Sul. Mestre em Medicina Pediátrica e Saúde da Criança (PUCRS). e-mail: fernanda.salcher@fsg.edu.br. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7416-8901

Abstract

Breast cancer during pregnancy represents a complex clinical condition characterized by the coexistence of coping with an oncological diagnosis and the physical, emotional, and social changes related to the gestational period. In this context, nursing plays a fundamental role in comprehensive care for pregnant women, providing emotional support, health education, patient-centered care, and the strengthening of coping strategies throughout diagnosis and treatment. This study aimed to analyze the role of nursing care in breast cancer during pregnancy, focusing on emotional impacts, disease coping strategies, and the assistance provided to women throughout the therapeutic process. This is an integrative literature review with a qualitative approach, developed based on the methodological framework proposed by Cooper. The search was conducted in the PubMed, SciELO, and LILACS databases using health descriptors combined with Boolean operators. Nine articles published between 2021 and 2026 in Portuguese, English, and Spanish were selected. The results showed that the diagnosis of breast cancer during pregnancy triggers feelings of fear, anxiety, insecurity, and psychological distress, in addition to challenges related to oncological treatment and the preservation of fetal health. It was observed that nursing care significantly contributes to the humanization of healthcare, the promotion of emotional support, the strengthening of pregnant women’s autonomy, and the improvement of coping with the disease. It is concluded that qualified and humanized nursing care promotes better maternal experiences and contributes to comprehensive care for women and their families.

Keywords: Pregnancy-associated neoplastic complications. Breast carcinoma. Nursing care. Social and emotional impacts. Coping strategies.

INTRODUÇÃO

O câncer permanece entre os principais problemas de saúde pública no mundo, sendo responsável por elevada carga de morbimortalidade e impactos expressivos nos sistemas de saúde. Entre as neoplasias que acometem a população feminina, o câncer de mama destaca-se pela alta incidência e relevância epidemiológica, configurando-se como a neoplasia maligna mais frequentemente diagnosticada entre mulheres em nível mundial (SUNG et al., 2021; BRAY et al., 2024). No Brasil, o câncer de mama também ocupa posição de destaque, sendo o tipo de câncer mais incidente na população feminina, excluindo-se os tumores de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 73.610 novos casos de câncer de mama no Brasil em 2025, com maiores taxas de incidência nas regiões Sul e Sudeste do país (INCA, 2025). Além disso, o aumento proporcional de casos em mulheres jovens e em idade reprodutiva amplia a importância da discussão acerca do diagnóstico da doença em fases específicas da vida, como a gestação.

No contexto regional, o estado do Rio Grande do Sul apresenta indicadores expressivos relacionados ao câncer de mama. Em 2023, foram registrados 5.038 novos casos da doença, correspondendo a uma taxa de incidência de 89,53 casos por 100 mil mulheres,

número superior à estimativa inicialmente projetada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Nesse mesmo período, o estado ocupou a terceira posição nacional em número absoluto de casos, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Esses dados evidenciam a magnitude do câncer de mama como importante problema de saúde pública no estado e reforçam a necessidade de fortalecimento das estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e assistência integral às mulheres acometidas pela doença (RIO GRANDE DO SUL, 2024).

O câncer de mama associado à gestação corresponde ao diagnóstico realizado durante a gravidez, até um ano após o parto ou durante o período de lactação. Embora represente condição relativamente rara, observa-se um crescimento gradual de sua incidência, especialmente em virtude do adiamento da maternidade e da elevação da idade materna ao primeiro filho, fatores associados ao maior risco de neoplasias mamárias nessa fase da vida (GALATI et al., 2023; LOIBL et al., 2023).

Trata-se de uma condição clínica complexa, uma vez que o planejamento terapêutico necessita conciliar o tratamento oncológico materno com a segurança fetal. O diagnóstico precoce pode ser dificultado por alterações fisiológicas próprias da gestação, como o aumento do volume mamário, maior densidade glandular, sensibilidade local e modificações estruturais do tecido mamário, fatores que podem mascarar sinais suspeitos e retardar a identificação da doença. Como consequência, parte das pacientes pode receber diagnóstico em estágios mais avançados, repercutindo negativamente nas possibilidades terapêuticas e no prognóstico materno-fetal (GALATI et al., 2023).

Além dos desafios clínicos e terapêuticos, o câncer de mama durante a gestação repercute intensamente na esfera emocional. A mulher passa a vivenciar simultaneamente as expectativas relacionadas à maternidade e o enfrentamento de uma doença potencialmente grave, o que favorece sentimentos de medo, ansiedade, insegurança e sofrimento psicológico. Evidências recentes demonstram, ainda, que tais impactos também alcançam parceiros e familiares, reforçando a necessidade de cuidado ampliado e suporte contínuo (HUIS IN’T VELD et al., 2026).

Nesse contexto, a enfermagem assume papel fundamental no cuidado integral à gestante acometida pela doença, atuando na identificação precoce de alterações suspeitas, no acolhimento, na educação em saúde, no manejo de sintomas e no suporte emocional durante todas as etapas do tratamento. A atuação do enfermeiro, articulada à equipe multiprofissional, favorece maior segurança, adesão terapêutica e assistência humanizada centrada nas necessidades da mulher e de sua família (GOMES et al., 2023; LEOMARO et al., 2024).

Diante da complexidade clínica, emocional e assistencial relacionada ao câncer de mama durante a gestação, torna-se relevante compreender como a atuação da enfermagem pode contribuir para o suporte emocional, fortalecimento das estratégias de enfrentamento e qualificação da assistência prestada a essas mulheres. Assim, o presente estudo buscou responder à seguinte questão norteadora: como a atuação do enfermeiro no contexto do câncer de mama durante a gestação contribui para a redução da ansiedade, do medo e para o fortalecimento das estratégias de enfrentamento durante o tratamento?

METODOLOGIA

Tratou-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, desenvolvida com base no percurso metodológico proposto por Cooper (1982), amplamente utilizado para a síntese e integração de conhecimentos produzidos acerca de determinada temática. A pesquisa teve como objetivo reunir e analisar evidências científicas relacionadas à atuação da enfermagem frente ao câncer de mama durante a gestação, com ênfase nos impactos emocionais, estratégias de enfrentamento e assistência prestada à mulher durante o processo terapêutico. A coleta de dados foi realizada entre os meses de março e abril de 2026, nas bases de dados LILACS, PubMed e SciELO, por meio da utilização de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), sendo eles: “câncer de mama”, “complicações neoplásicas na gestação”, “gestação”, “cuidados de enfermagem”, “estratégias de enfrentamento”, “ansiedade”, “medo”, “medo do tratamento” e “medo da morte”. Os descritores foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, permitindo o refinamento das estratégias de busca conforme os objetivos do estudo. As estratégias utilizadas incluíram os seguintes cruzamentos: (“câncer de mama” AND “complicações neoplásicas na gestação”) OR “gestação”; (“câncer de mama” AND “cuidados de enfermagem”); e (“câncer de mama” AND “estratégias de enfrentamento” AND “ansiedade”) OR (“câncer de mama” AND “medo”) OR (“câncer de mama” AND “medo do tratamento”) OR (“câncer de mama” AND “medo da morte”). Foram adotados como critérios de inclusão artigos originais, disponíveis na íntegra, publicados nos últimos cinco anos e nos idiomas português, inglês ou espanhol. Foram excluídos artigos duplicados, estudos que não abordavam a temática proposta e aqueles que não respondiam à questão norteadora. Os dados extraídos foram organizados em um quadro sinóptico contendo informações referentes aos autores, ano de publicação, objetivos, metodologia e

principais resultados dos estudos incluídos. A análise dos dados foi conduzida de forma descritiva e interpretativa, permitindo a identificação de categorias temáticas relacionadas à atuação da enfermagem, ao suporte emocional e às estratégias de enfrentamento frente ao câncer de mama durante a gestação. Por se tratar de um estudo baseado em dados secundários disponíveis em domínio público, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, sendo respeitados os princípios éticos de autoria, fidedignidade das informações e integridade científica.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

A busca nas bases de dados, realizada com o uso de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e operadores booleanos, resultou na identificação inicial de 1.956 artigos. Após a aplicação dos filtros - artigos publicados nos últimos cinco anos e nos idiomas inglês, português ou espanhol -, foram selecionados 504 estudos. Em seguida, após a leitura dos títulos e resumos, 9 artigos foram considerados elegíveis para compor a amostra final da revisão, conforme apresentado no Fluxograma de Seleção dos Estudos (Figura 1).

A análise dos estudos permitiu identificar aspectos relevantes relacionados à atuação da enfermagem no cuidado à mulher com câncer de mama durante a gestação, destacando-se o suporte emocional, as estratégias de enfrentamento e os impactos do diagnóstico. Observou-se que a assistência de enfermagem desempenha papel fundamental na promoção do acolhimento, na redução da ansiedade e do medo, bem como no fortalecimento do vínculo profissional e paciente, contribuindo para um cuidado integral e humanizado.

Figura 1. Fluxograma de seleção dos estudos

Fonte: MARCON & SALCHER (2026).

Quadro 1. Caracterização dos estudos incluídos na revisão integrativa

Autor

Ano da publicação

Título

Delineamento

Participantes

Instrumentos

Principais resultados

CARVALHO

2022

Aspectos

Revisão

Não se aplica

Levantamento

Evidenciou-se que o

et al.

clínicos do

narrativa da

bibliográfico e

câncer na gestação

câncer

literatura, de

análise crítica

apresenta desafios

durante o

caráter

de publicações

diagnósticos devido a

período

descritivo

científicas

semelhança entre

gestacional

alterações fisiológicas

: desafios

próprias do período

diagnóstico

gravídico e sinais

s e

sugestivos de

terapêutico

neoplasia. O manejo

s

terapêutico exige

condutas

individualizadas, bem

como atuação

multiprofissional

integrada.

CIETO,

2021

Câncer

Estudo

Gestantes

Dados clínicos,

Verificou-se que o

SANTOS &

durante a

descritivo

diagnosticadas

obstétricos e

câncer gestacional,

GOZZO

gravidez:

retrospectivo,

com câncer

neonatais

embora raro, associa-se

análise dos

abordagem

obtidos em

a repercussões

casos com

quantitativa

registros

maternas e fetais

ênfase nos

assistenciais

relevantes. Houve

resultados

destaque para câncer

obstétricos

de mama, neoplasias

e neonatais

hematológicas,

prematuridade e

necessidade de

intervenções

obstétricas

antecipadas,

SILVA & REIS

2024

Aporte

Revisão

Não se aplica

Busca em bases

Os resultados

espiritual/

integrativa da

científicas e

demonstraram que a

religioso

literatura

análise

assistência espiritual/

pela

temática

religiosa contribui para

enfermage

a redução do medo, da

m no

ansiedade e do

tratamento

sofrimento emocional,

do câncer

além de fortalecer o

de mama:

vínculo terapêutico e a

revisão

qualidade de vida.

integrativa

MAZUZE et

2024

Vivências

Estudo

Pacientes

Entrevistas

Identificaram-se

al.

psicológica

qualitativo

oncológicos

semiestruturada

sentimentos de medo,

s em

exploratório

hospitalizados

s e análise

angústia e incerteza

doentes

temática

diante do diagnóstico.

oncológico

Como enfrentamento,

s e

destacaram-se

mecanismo

espiritualidade, apoio

de

familiar, esperança e

enfrentame

aceitação gradual da

nto

doença.

SOUZA &

2024

Significado

Estudo

Mulheres com

Entrevistas em

O grupo de apoio

SANTOS

s

descritivo-explo

câncer de

profundidade e

mostrou-se relevante

atribuídos

ratório com

mama

teoria

para acolhimento

por

abordagem

integrantes de

fundamentada

emocional, troca de

mulheres

qualitativa

grupo de apoio

nos dados

experiências,

com câncer

fortalecimento da

de mama

autoestima e ampliação

ao grupo

da rede de suporte

de apoio

social.

HUIS IN’T

2026

The

Coorte

Gestantes com

Questionários

Foram identificados

VELD et al.

psychosoci

prospectiva

câncer e

padronizados

elevados níveis de

al impact

multicêntrica,

parceiros

(CPQ e CERQ)

ansiedade e

of cancer

abordagem

preocupação

diagnosis

quantitativa

relacionados ao

in

prognóstico, ao

pregnancy:

tratamento e à saúde

a

fetal. Estratégias

multicenter

adaptativas de

cohort

enfrentamento

study of

estiveram associadas a

psychosoci

um melhor ajuste

al

emocional.

challenges

in pregnant

cancer

patients

and their

partners

ROSA et al.

2025

Significado

Estudo

43 mulheres

Entrevistas em

A quimioterapia foi

s de la

qualitativo

com câncer de

profundidade e

percebida como

quimiotera

fenomenológico

mama

análise

experiência complexa,

pia por

multicêntrico

submetidas à

temática

marcada por

cáncer de

quimioterapia

sofrimento físico e

mama en

emocional, alterações

mujeres de

na autoimagem e

Florianópo

necessidade de apoio

lis,

familiar, profissional e

Medellín y

espiritual.

San Luis

Potosí

LEOMARO et

al.

2024

O papel do enfermeiro oncologista na otimização da jornada da pessoa com câncer de mama avançado

Estudo descritivo com especialistas

74 enfermeiros

de 10 hospitais

Questionário estruturado (PENSAR)

Evidenciaram necessidades relacionadas ao acesso à informação, ao apoio emocional e à continuidade da assistência. Nesse contexto, o enfermeiro oncologista

destacou-se como articulador do cuidado integral.

GOMES et al.

2023

Assistência em enfermage m no tratamento do câncer de mama: uma revisão literária

Revisão integrativa da literatura

Não se aplica

Busca em bases nacionais e internacionais

Evidenciou-se que o enfermeiro desempenha papel fundamental no cuidado integral, por meio de ações de acolhimento, educação em saúde, manejo de sintomas e suporte psicossocial, favorecendo a adesão terapêutica e humanização da assistência.

Fonte: MARCON & SALCHER (2026).

Os artigos selecionados foram analisados quanto ao ano de publicação, objetivos, delineamento metodológico e principais resultados, conforme apresentado no Quadro 1. Observou-se predominância de estudos voltados aos aspectos clínicos e terapêuticos do câncer de mama durante a gestação, às repercussões emocionais decorrentes do diagnóstico oncológico e às estratégias assistenciais desenvolvidas no contexto multiprofissional, com destaque para a atuação da enfermagem.

Além disso, os artigos evidenciaram desafios importantes relacionados ao diagnóstico precoce, à definição da conduta terapêutica durante a gestação, ao sofrimento psicológico materno e à necessidade de suporte contínuo à gestante e sua rede de apoio familiar.

A análise crítica dos estudos selecionados permitiu compreender as múltiplas dimensões que envolvem o câncer de mama durante a gestação, reunindo evidências importantes para a prática assistencial. Com base na análise da amostra final, foram estabelecidas três categorias temáticas: aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos do câncer de mama durante a gestação; impactos psicossociais e estratégias de enfrentamento frente ao diagnóstico oncológico gestacional; e papel da enfermagem no cuidado integral à gestante com câncer de mama.

Categoria 1 – Aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos do câncer de mama durante a gestação

O câncer de mama diagnosticado no período gestacional configura importante desafio clínico, uma vez que alterações fisiológicas próprias da gravidez podem dificultar a identificação precoce da doença. O aumento do volume mamário, a sensibilidade local e a maior densidade das mamas podem mascarar sinais sugestivos, retardando o diagnóstico e, consequentemente, o início oportuno do tratamento (CARVALHO et al., 2022; CIETO, SANTOS & GOZZO, 2021).

Carvalho et al. (2022) evidenciam que a semelhança entre manifestações fisiológicas da gestação e alterações patológicas mamárias favorece diagnósticos em estágios mais avançados, o que pode comprometer o prognóstico materno. Tal achado reforça a necessidade de investigação criteriosa de nódulos persistentes, dor localizada e modificações suspeitas identificadas durante o pré-natal. Além disso, os autores ressaltam que a valorização das queixas apresentadas pela gestante e a realização de exame clínico minucioso são essenciais para reduzir atrasos no diagnóstico. Nesse sentido, exames de imagem compatíveis com a gestação, quando devidamente indicados, constituem importantes recursos complementares para confirmação diagnóstica e definição da conduta terapêutica. A detecção precoce amplia as possibilidades de intervenção em fases iniciais da doença, contribuindo para melhores desfechos terapêuticos e prognósticos.

Em consenso, Cieto, Santos & Gozzo (2021) demonstram que, apesar da complexidade terapêutica, o tratamento oncológico pode ser conduzido durante a gestação em situações específicas, mediante avaliação individualizada e acompanhamento multiprofissional. As autoras destacam que determinadas modalidades terapêuticas, quando

indicadas de forma segura e no momento oportuno, possibilitam resultados maternos e neonatais satisfatórios.

Os estudos analisados demonstram que o câncer de mama associado à gestação permanece como importante desafio para os serviços de saúde, especialmente em razão das dificuldades relacionadas ao diagnóstico precoce e à definição terapêutica segura durante o período gestacional. Carvalho et al. (2022) destacam que alterações fisiológicas próprias da gravidez podem retardar a identificação de sinais suspeitos, favorecendo diagnósticos em estágios mais avançados da doença. De forma semelhante, Cieto, Santos & Gozzo (2021) evidenciam que a complexidade do manejo clínico exige avaliação individualizada e atuação multiprofissional integrada, considerando simultaneamente prognóstico materno, riscos fetais e idade gestacional. Nesse contexto, observa-se que a assistência à gestante com câncer de mama demanda não apenas condutas terapêuticas adequadas, mas também qualificação profissional para reconhecimento precoce das alterações mamárias e encaminhamento oportuno dessas pacientes. Assim, o diagnóstico precoce e a assistência multiprofissional mostram-se fundamentais para redução de complicações materno-fetais e melhoria dos desfechos clínicos.

Categoria 2 – Impactos psicossociais e estratégias de enfrentamento frente ao diagnóstico oncológico gestacional

O diagnóstico de câncer de mama durante a gestação repercute de forma significativa na saúde emocional da mulher, uma vez que o enfrentamento do adoecimento ocorre simultaneamente às expectativas relacionadas à maternidade. Os estudos analisados evidenciaram sentimentos frequentes de medo, ansiedade, insegurança e sofrimento psicológico, relacionados tanto ao prognóstico da doença quanto às possíveis repercussões do tratamento sobre o desenvolvimento fetal (HUIS IN’T VELD et al., 2026; MAZUZE et al., 2024). Além dos impactos individuais, Huis in’t Veld et al. (2026) identificaram que o sofrimento emocional também afeta parceiros e familiares, demonstrando que o câncer gestacional produz repercussões importantes na dinâmica familiar e social da gestante. Nesse contexto, estratégias de enfrentamento como espiritualidade, apoio familiar, grupos de apoio e acolhimento profissional mostraram-se relevantes para fortalecimento emocional e redução do sofrimento psíquico, conforme observado nos estudos de Mazuze et al. (2024) e Souza & Santos (2024).

De modo semelhante, Mazuze et al. (2024) ressaltam que pacientes oncológicos recorrem a diferentes mecanismos de enfrentamento, como espiritualidade, apoio familiar,

esperança e ressignificação da experiência vivida. Souza & Santos (2024) complementam essa perspectiva ao evidenciar que grupos de apoio favorecem acolhimento, troca de experiências e redução do sentimento de isolamento social.

Rosa et al. (2025), ao analisarem os significados atribuídos à quimioterapia por mulheres com câncer de mama, observaram percepções ambivalentes, nas quais o tratamento é associado tanto ao sofrimento quanto à possibilidade de cura e continuidade da vida. Dessa forma, compreende-se que o suporte emocional, familiar e social constitui elemento essencial para o enfrentamento do câncer de mama, inclusive no contexto gestacional. Assim, estratégias de cuidado voltadas à saúde mental devem integrar a assistência prestada a essas mulheres.

Diante desse cenário, evidencia-se que o cuidado à gestante com câncer de mama não deve restringir-se exclusivamente ao tratamento clínico da doença. Os achados analisados reforçam a necessidade de assistência integral e humanizada, capaz de contemplar também as demandas emocionais, sociais e psicológicas decorrentes do adoecimento oncológico gestacional. Dessa forma, o acolhimento qualificado, a escuta sensível e o fortalecimento da rede de apoio tornam-se estratégias essenciais para promoção de maior segurança emocional, adaptação ao tratamento e melhoria da qualidade de vida dessas mulheres.

Categoria 3 – Papel da enfermagem no cuidado integral à gestante com câncer de mama

A enfermagem desempenha papel fundamental no cuidado à gestante diagnosticada com câncer de mama, especialmente por acompanhar a mulher de forma contínua durante todas as etapas do processo terapêutico. Os estudos analisados evidenciaram que a atuação do enfermeiro ultrapassa a realização de procedimentos técnicos, envolvendo também acolhimento, educação em saúde, manejo de sintomas e suporte emocional à paciente e sua família (GOMES et al., 2023; LEOMARO et al., 2024). Gomes et al. (2023) destacam que as ações de enfermagem contribuem para fortalecimento da adesão terapêutica e promoção de assistência humanizada, enquanto Leomaro et al. (2024) ressaltam a relevância do enfermeiro oncologista na articulação do cuidado multiprofissional e na continuidade da assistência. Além disso, Silva & Reis (2024) evidenciam que o suporte espiritual e religioso, quando respeitadas as crenças da paciente, pode contribuir para redução do sofrimento emocional e fortalecimento das estratégias de enfrentamento.

Leomaro et al. (2024) reforçam a relevância do enfermeiro oncologista na organização da jornada assistencial, articulando diferentes setores e favorecendo a continuidade do cuidado. No contexto gestacional, essa atuação torna-se ainda mais importante diante da

necessidade de integração entre assistência obstétrica e oncológica, garantindo acompanhamento sistematizado e resolutivo. Silva & Reis (2024) destacam, ainda, a contribuição da enfermagem no suporte espiritual e religioso, quando desejado pela paciente, como estratégia complementar de acolhimento e conforto emocional. Assim, observa-se que a atuação do enfermeiro ultrapassa procedimentos técnicos, abrangendo dimensões físicas, emocionais, sociais e educativas.

Embora parte da literatura aborde o câncer de mama em contexto geral, os achados apresentados contribuem para a compreensão do cuidado à gestante acometida pela doença. Dessa forma, observa-se que a atuação da enfermagem constitui elemento indispensável para promoção de cuidado integral à gestante com câncer de mama, favorecendo assistência mais humanizada, acolhedora e centrada nas necessidades físicas e emocionais da mulher. Os achados evidenciam que o suporte oferecido pela equipe de enfermagem contribui significativamente para fortalecimento do vínculo terapêutico, redução da ansiedade e melhor enfrentamento do tratamento oncológico. Nesse sentido, torna-se essencial investir na qualificação profissional e no desenvolvimento de estratégias assistenciais voltadas às especificidades do câncer de mama durante a gestação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O câncer de mama durante a gestação representa uma condição complexa e desafiadora, marcada pela coexistência entre o processo de adoecimento oncológico e as expectativas relacionadas à maternidade. A presente revisão integrativa evidenciou que o diagnóstico nesse período desencadeia repercussões clínicas, emocionais e sociais significativas, exigindo acompanhamento especializado e assistência qualificada. Os estudos analisados demonstraram que o diagnóstico precoce e a definição terapêutica individualizada são fatores essenciais para melhores desfechos materno-fetais. Além disso, sentimentos como medo, ansiedade, insegurança e sofrimento psicológico mostraram-se frequentes, tornando indispensável o suporte emocional, familiar e multiprofissional ao longo de todo o processo de cuidado.

Como limitações deste estudo, destaca-se a escassez de pesquisas específicas voltadas ao câncer de mama associado à gestação, bem como a predominância de estudos qualitativos e revisões integrativas na literatura disponível. Além disso, observou-se número reduzido de

publicações nacionais abordando especificamente a atuação da enfermagem nesse contexto, o que evidencia a necessidade de novas investigações sobre a temática.

Nesse contexto, a enfermagem destacou-se como elemento fundamental na assistência à gestante com câncer de mama, atuando por meio do acolhimento, educação em saúde, manejo de sintomas, fortalecimento da autonomia da mulher e promoção de cuidado humanizado. A atuação do enfermeiro, articulada aos demais profissionais da equipe, contribui para maior segurança, adesão terapêutica e enfrentamento da doença. Assim, torna-se fundamental que instituições de ensino e serviços de saúde reconheçam a relevância dessa temática, investindo na capacitação profissional e no desenvolvimento de estratégias assistenciais voltadas às necessidades específicas dessa população. Tais medidas podem contribuir para qualificar o cuidado prestado, reduzir impactos emocionais e favorecer melhores experiências e resultados para a mulher, o bebê e sua família.

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Copyright (c) 2026 Nathana Mendonça Marcon, Fernanda Gava Salcher (Autor)

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