Palavras-chave
Letramento de gênero
Literatura negra
Ensino Fundamental
Resumo
Este artigo analisa a obra Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960), de Carolina Maria de Jesus, no contexto do Ensino Fundamental, evidenciando sua relevância para o desenvolvimento do letramento de gênero e da consciência crítica dos estudantes. A narrativa diarística de Carolina, marcada pela intersecção entre raça, gênero e classe, constitui um testemunho social potente sobre a realidade das mulheres negras nas periferias urbanas brasileiras, revelando desigualdades estruturais e práticas de resistência cotidiana. A pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter bibliográfico, fundamenta-se em autoras como Conceição Evaristo (2014), cuja perspectiva da “escrevivência” amplia a compreensão da literatura negra feminina como espaço de memória, identidade e afirmação; e Djamila Ribeiro (2017), cujo conceito de “lugar de fala” permite reconhecer a legitimidade epistêmica das narradoras que produzem conhecimento a partir de suas experiências concretas de subalternização. Ao aproximar Quarto de Despejo de Olhos d’Água, de Evaristo, evidencia-se que essas obras, quando inseridas em práticas pedagógicas, contribuem para a formação de leitores mais sensíveis às questões sociais e atentos à diversidade de vozes femininas presentes na literatura brasileira contemporânea. A articulação desses textos no ambiente escolar favorece reflexões sobre racismo, desigualdade social e direitos humanos, fortalecendo processos de empatia e de valorização de identidades historicamente marginalizadas. Conclui-se que o uso pedagógico dessas obras nos anos iniciais do Ensino Fundamental constitui uma estratégia significativa para promover letramento literário crítico, educação para equidade e práticas educativas mais inclusivas e transformadoras.
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