Assistência de enfermagem no pré-natal.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.

Palavras-chave

Pré-natal
Enfermagem
Saúde materna
Atenção primária à saúde
PDF

Assistência de enfermagem no pré-natal.

Nursing care in prenatal assistance.

Jordana Ninorruzi Vale do Rosário1
Jéssica Janaira Marques Ramos2

Kamila Monteiro da Silva3

Tayná Costa Araújo4

Yago Silva Monteiro5

Resumo

Este estudo aborda a importância da assistência de enfermagem no pré-natal, considerando os desafios relacionados à baixa adesão das gestantes, ao início tardio do acompanhamento e às limitações estruturais dos serviços de saúde. Parte-se do problema de como essas fragilidades comprometem a qualidade do cuidado e os desfechos materno-infantis. Tem como objetivo analisar o papel do enfermeiro na promoção da saúde da gestante e do recém-nascido. Justifica-se pela relevância social e científica do tema, diante da necessidade de fortalecer a atenção básica e reduzir riscos gestacionais. Trata-se de uma revisão bibliográfica, com abordagem qualitativa e descritiva, baseada em estudos publicados entre 2020 e 2025. Os resultados evidenciam que a atuação do enfermeiro contribui para a prevenção de complicações, promoção do autocuidado e fortalecimento do vínculo com a gestante, sendo essencial para a melhoria da assistência.

Palavras-chave: Pré-natal; Enfermagem; Saúde materna; Atenção primária à saúde.

Abstract

This study addresses the importance of nursing care in prenatal assistance, considering challenges such as low adherence of pregnant women, late initiation of follow-up, and structural limitations in health services. It is based on the problem of how these weaknesses compromise the quality of care and maternal and child health outcomes. The objective is to analyze the role of nurses in promoting the health of pregnant women and newborns. The study is justified by its social and scientific relevance, given the need to strengthen primary health care and reduce gestational risks. This is a bibliographic review with a qualitative and descriptive approach, based on studies published between 2020 and

2025. The results show that nursing care contributes to the prevention of complications, promotion of self-care, and strengthening of the bond with pregnant women, being essential for improving the quality of care.

Keywords: Prenatal care. Nursing. Maternal health. Primary health care.

1 Introdução

Durante a gestação, o corpo feminino experimenta uma série de transformações fisiológicas, hormonais e emocionais em um período relativamente breve, o que requer adaptações significativas para assegurar o desenvolvimento saudável do feto. Embora essas mudanças sejam naturais, podem provocar desconfortos físicos e efeitos psicológicos, como ansiedade e medo, especialmente na ausência de acompanhamento adequado e orientações especializadas (Ferreira et al., 2023). Assim, a gestação deve ser vista como um processo que demanda atenção integral à saúde da mulher.

O cuidado pré-natal é uma estratégia fundamental para a promoção da saúde materno-infantil, pois permite a identificação precoce de riscos, o monitoramento contínuo da gestante e a prevenção de complicações durante a gestação, contribuindo para desfechos mais favoráveis tanto para a mãe quanto para o bebê (Oliveira e Silva, 2020).

Entretanto, apesar dos esforços para melhorar as políticas públicas de saúde, diversas questões relacionadas ao pré-natal ainda persistem, como a baixa adesão das gestantes ao acompanhamento, o início tardio das consultas e a falta de atendimento qualificado. Tais fatores podem resultar em complicações que poderiam ser evitadas durante a gestação, revelando fragilidades na atenção à saúde materno-infantil

Nesse contexto, o papel da enfermagem torna-se crucial, especialmente na Atenção Primária à Saúde, sendo responsável por atividades como consultas de pré-natal, solicitação de exames, orientações e educação em saúde, contribuindo para um acompanhamento adequado da gestante e para a promoção de um cuidado mais humanizado (Costa; Rocha e Lima, 2021)

A escolha deste tema é justificada pela relevância de entender o papel da enfermagem na melhoria da assistência pré-natal, considerando que muitos dos desafios enfrentados durante a gestação poderiam ser prevenidos por meio de um adequado acompanhamento. Além disso, o interesse por este tópico foi intensificado pela sua importância social e pela necessidade dos futuros profissionais refletirem sobre práticas que favoreçam a promoção da saúde e a redução dos riscos maternos e neonatais.

Assim, o presente estudo tem como objetivo abordar a importância da assistência de enfermagem no pré-natal, evidenciando sua contribuição para a promoção da saúde materno-infantil e para a melhoria da qualidade no acompanhamento gestacional.

2 Revisão da literatura

2.1 A importância do Pré-natal

O pré-natal refere-se a um conjunto de práticas destinadas ao monitoramento regular da gestação, visando promover a saúde tanto da mulher quanto do feto, prevenir complicações e identificar precocemente eventuais riscos que possam afetar o desenvolvimento gestacional. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2022), esse acompanhamento deve ter início, preferencialmente, no primeiro trimestre da gravidez, permitindo uma vigilância contínua e eficiente ao longo de todo o período gestacional.

A implementação do pré-natal é considerada uma das estratégias mais cruciais para a diminuição de complicações que possam ocorrer durante a gestação, no parto e no pós-parto. Nesse contexto, Santos, Lima e Costa (2021) enfatizam que o acompanhamento adequado é fundamental para a redução da morbimortalidade materna e neonatal. Através de consultas regulares, exames laboratoriais e avaliações clínicas, é possível monitorar o progresso da gestação e intervir prontamente em situações de risco.

Além de evitar doenças, o pré-natal desempenha um papel essencial na promoção da saúde, oferecendo à gestante orientações fundamentais sobre hábitos saudáveis, nutrição apropriada e cuidados durante a gravidez. Ferreira, Nascimento e Andrade (2023) destacam que essas orientações ajudam a fortalecer o autocuidado e proporcionam uma experiência gestacional mais segura. Assim, o acompanhamento se expande além da dimensão clínica, incorporando também aspectos educativos e preventivos.

Um aspecto adicional relevante do pré-natal diz respeito à sua capacidade de detectar precocemente condições clínicas que podem levar a complicações severas. De acordo com Rezende (2024), doenças como hipertensão gestacional, diabetes gestacional e infecções podem ser identificadas nos estágios iniciais da gravidez, possibilitando rápidas e eficazes intervenções. Isso reduz significativamente os riscos para a mãe e o bebê, sublinhando a importância do monitoramento contínuo.

O pré-natal também desempenha um papel significativo na preparação da gestante para o parto e o puerpério. De acordo com Sátiro et al., (2024), o acesso a informações sobre o processo gestacional, diferentes tipos de parto e cuidados com o recém-nascido contribui para a diminuição da ansiedade e do medo, promovendo uma sensação de maior segurança para a mulher. Essa preparação é essencial para que a gestante se sinta mais confiante e engajada durante todo o processo.

Adicionalmente, o acompanhamento pré-natal facilita a formação de um vínculo entre a gestante e os serviços de saúde. Para Martins e Santos (2024) ressaltam que tal vínculo é crucial para a adesão ao acompanhamento e para a continuidade dos cuidados. A participação ativa da gestante nas consultas permite esclarecer dúvidas e acessar informações que favorecem decisões mais conscientes sobre sua saúde.

Apesar de sua relevância, ainda persistem desafios quanto à adesão ao pré-natal. O Ministério da Saúde (Brasil, 2023) indica que diversas gestantes iniciam o acompanhamento de forma tardia ou não realizam o número mínimo de consultas recomendado. Fatores como barreiras de acesso, condições socioeconômicas e falta de informação contribuem para essa realidade, prejudicando a eficácia das ações preventivas.

O início tardio do pré-natal está diretamente relacionado a resultados adversos durante a gestação. Tomé de Souza et al., (2025) demonstram que a ausência de um acompanhamento adequado eleva a probabilidade de surgimento de complicações, como o parto prematuro, a baixa de peso ao nascer e a mortalidade tanto materna quanto neonatal. Esses dados ressaltam a importância de promover a adesão ao acompanhamento desde o início da gravidez.

Outro aspecto relevante diz respeito à qualidade do atendimento pré-natal. Rustiguel (2025) enfatiza que assegurar apenas um número adequado de consultas não é suficiente; é crucial garantir a efetividade das intervenções empreendidas. Um pré-natal de qualidade deve incluir elementos clínicos, educacionais e preventivos, assegurando uma abordagem holística da saúde da gestante.

Deste modo, o pré-natal deve ser encarado como uma estratégia indispensável de cuidado à saúde, que transcende o simples acompanhamento clínico, englobando dimensões sociais, educativas e preventivas. Sua realização adequada favorece a diminuição de riscos, a promoção da saúde e a melhoria da qualidade de vida tanto da mulher quanto do recém-nascido.

2.2 O papel da enfermagem no pré-natal

A prática da enfermagem no acompanhamento da gestação é um aspecto crucial para a promoção da saúde das mães e dos bebês, especialmente dentro do contexto da Atenção Primária à Saúde. Neste cenário, o enfermeiro desempenha uma função estratégica ao fornecer cuidados contínuos durante a gravidez, engajando-se na prevenção de complicações, na supervisão das condições de saúde e na orientação das pacientes que utilizam os serviços. Conforme indicado pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2022), o enfermeiro assume a responsabilidade pelo monitoramento de gestações de baixo risco, impactando de maneira direta a qualidade da assistência prestada.

No que diz respeito às intervenções assistenciais, a consulta de enfermagem é uma das principais ferramentas nesse contexto. Durante este atendimento, são realizados passos essenciais, incluindo acolhimento, coleta de dados clínicos, avaliação física e supervisão do progresso da gestação. De acordo com Costa, Rocha e Lima (2021), essa fase possibilita a identificação precoce de eventuais alterações, assim como a definição de condutas apropriadas, além de viabilizar a solicitação de exames e encaminhamentos quando necessário.

Um aspecto adicional de grande relevância refere-se às atividades educativas que ocorrem durante o acompanhamento. A oferta de orientações a respeito de hábitos saudáveis, nutrição, cuidados corporais e a identificação de sinais de alerta favorece o fortalecimento do autocuidado. Nesse contexto, Ferreira, Nascimento e Andrade (2023) ressaltam que a educação em saúde proporciona maior segurança e autonomia nesse período, minimizando riscos e favorecendo condições de bem-estar aprimoradas.

Além dos aspectos técnicos, a humanização do cuidado representa um dos principais pilares da atuação do enfermeiro. A escuta atenta, o acolhimento e a criação de vínculos são elementos que fomentam a confiança nos serviços de saúde. De acordo com Martins e Santos (2024) afirmam que essa relação é fundamental para a adesão ao acompanhamento e para a continuidade dos cuidados, tornando a assistência mais efetiva e sensível às necessidades singulares dos pacientes.

A presença do enfermeiro nos serviços de saúde amplia o acesso da população ao acompanhamento gestacional, especialmente em situações de maior vulnerabilidade social. O Ministério da Saúde (Brasil, 2023) destaca que a atuação desse profissional na Atenção Primária propicia a ampliação da cobertura assistencial, eliminando barreiras e facilitando o monitoramento contínuo das usuárias.

Cabe destacar ainda o impacto da assistência de enfermagem na adesão ao acompanhamento. A proximidade com a comunidade e a construção de relações de confiança incentivam a participação ativa das usuárias nas consultas e na implementação das orientações recebidas. Para Rezende e Neto (2024) demonstram que esse vínculo favorece melhor resultados durante a gestação, diminuindo a incidência de complicações que poderiam ser evitadas.

No que tange às atribuições profissionais, a autonomia do enfermeiro no monitoramento de gestações de baixo risco é destaque, sendo respaldada por diretrizes e protocolos em nível nacional. Conforme estipulado pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2022), esse profissional é habilitado a realizar consultas, solicitar exames e monitorar a evolução da gravidez, atuando de maneira integrada com a equipe multiprofissional.

Embora a atuação em saúde possua uma importância significativa, certos desafios continuam a se manifestar no dia a dia dos serviços de saúde. A carga excessiva de trabalho, a escassez de recursos e as limitações estruturais podem impactar negativamente a qualidade do atendimento prestado. Segundo Sátiro et al. (2024), esses fatores afetam diretamente a eficácia das ações implementadas, dificultando a existência de um cuidado integral e humanizado.

Nesse contexto, a assistência de enfermagem no acompanhamento da gestação constitui um elemento essencial na organização dos serviços de saúde, abrangendo práticas clínicas, educativas e humanizadas. A atuação do enfermeiro contribui para a qualidade do cuidado, o fortalecimento do vínculo com as gestantes e a redução de riscos durante a gravidez. Além disso, o acompanhamento contínuo possibilita o monitoramento das condições de saúde e a identificação precoce de possíveis complicações, favorecendo intervenções mais efetivas e seguras ao longo do período gestacional (Rezende; Neto, 2024).

Todavia, a atuação desse profissional é relevante para a organização dos cuidados nos serviços de saúde, pois participa do planejamento das ações, do registro das informações e da articulação com outros níveis de atenção. Conforme indicado pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2022), a sistematização da assistência proporciona maior controle e monitoramento das condições de saúde, assegurando continuidade e qualidade no atendimento realizado.

É importante também ressaltar a relevância da escuta ativa no processo de cuidado, considerando que diversas dúvidas, medos e inseguranças podem surgir ao longo desse período. A disposição para ouvir e orientar de forma clara e acessível reforça o vínculo com as usuárias e favorece uma experiência mais tranquila. Martins e Santos (2024) destacam que uma comunicação eficaz é um aspecto fundamental para a construção de confiança e adesão ao acompanhamento.

Outro elemento importante refere-se à identificação de fatores sociais que podem impactar a saúde durante a gestação, como condições socioeconômicas, suporte familiar e acesso aos serviços. Neste âmbito, um olhar ampliado sobre as condições de vida possibilita encaminhamentos e intervenções mais apropriadas. De acordo com Ferreira, Nascimento e Andrade (2023), uma abordagem integral auxilia na diminuição de vulnerabilidades e na promoção de um cuidado mais equitativo.

A participação em ações coletivas, como grupos educativos, também fortalece o acompanhamento, favorecendo a troca de experiências e o compartilhamento de informações entre as participantes. Essas atividades ajudam a consolidar a relação com o serviço de saúde e a ampliar o conhecimento acerca do período gestacional (Sátiro et al., 2024).

Torna-se evidente que a intervenção de enfermagem durante a gestação transcende as modalidades clínicas, englobando aspectos educacionais, sociais e humanísticos. A atuação simultânea e ininterrupta deste profissional é essencial para assegurar um cuidado de qualidade, favorecendo resultados mais positivos e promovendo a saúde das mães e dos recém-nascidos.

2.3 Desafios na assistência de enfermagem no pré-natal

Apesar dos progressos alcançados nas políticas públicas destinadas à saúde materno-infantil, ainda existem desafios relevantes que afetam a qualidade do atendimento durante o acompanhamento gestacional. Entre esses obstáculos, sobressai a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, especialmente em áreas mais vulneráveis, onde a disponibilidade de atendimento permanece restrita. Conforme indicado pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2023), a desigualdade na distribuição dos serviços exerce um impacto direto sobre a eficácia do cuidado, dificultando tanto o início precoce quanto a continuidade do acompanhamento.

Neste cenário, a carga excessiva de trabalho dos profissionais de saúde emerge como um fator significativo que afeta a qualidade da assistência oferecida. Em muitos serviços, o elevado número de atendimentos diários resulta em tempo reduzido disponível para cada usuária, o que compromete tanto a escuta adequada quanto a realização de um cuidado mais minucioso. De acordo com Sátiro (2024), "a alta demanda nos serviços de saúde limita a qualidade do atendimento, dificultando a construção de um cuidado integral e humanizado".

Outro ponto que requer consideração diz respeito às restrições de estrutura que existem em várias unidades de saúde. A falta de materiais, equipamentos adequados e uma infraestrutura adequada pode afetar a execução de procedimentos necessários durante o acompanhamento. Nesse contexto, Oliveira (2020) salienta que essas deficiências estruturais influenciam diretamente a eficácia das ações realizadas, dificultando a prestação de um atendimento eficaz e seguro.

Ademais, a baixa adesão ao acompanhamento gestacional continua a ser um desafio significativo. Muitas usuárias iniciam o seguimento de maneira tardia ou não realizam o número mínimo recomendável de consultas, o que eleva o risco de complicações que poderiam ser evitáveis. Assim, Ferreira (2023) salienta que aspectos como a falta de informação, dificuldades de deslocamento e questões socioeconômicas afetam diretamente a continuidade do cuidado.

Todavia, à qualidade do atendimento prestado, que nem sempre apresenta uma abordagem integral e humanizada. Em diversos contextos, observa-se que os atendimentos são realizados de maneira apressada, centrando-se apenas em aspectos técnicos e negligenciando a escuta e o acolhimento. Nesse sentido, Martins (2024) declara que "a falta de uma abordagem humanizada compromete a confiança das usuárias e reduz a eficácia das ações de cuidado".

A fragilidade na comunicação entre os profissionais de saúde e as usuárias pode dificultar a compreensão das orientações fornecidas durante o acompanhamento. A ausência de clareza nas informações pode ocasionar insegurança, dúvidas e até o abandono do seguimento. Rezende (2024) enfatiza que uma comunicação eficaz é crucial para assegurar a adesão e o sucesso das ações realizadas.

Um outro desafio importante diz respeito à necessidade de integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde. A falta de articulação entre os serviços pode comprometer a continuidade do cuidado, especialmente em circunstâncias que exigem encaminhamentos para atendimentos especializados. De acordo com o Ministério da Saúde (Brasil, 2022), a organização da rede de atenção é fundamental para assegurar um acompanhamento resolutivo e de qualidade.

Diante desta situação, torna-se claro que é imprescindível fortalecer os serviços de assistência, investindo na capacitação dos profissionais, na melhoria das infraestruturas dos serviços e na ampliação do acesso ao acompanhamento. Como salientado por Sátiro (2024), “a superação dos obstáculos existentes depende do comprometimento com a qualidade do cuidado e da adoção de estratégias que promovam a equidade no acesso à saúde.”

Nesse contexto, a análise dos desafios enfrentados na assistência durante o período gestacional possibilita uma compreensão das limitações ainda vigentes no sistema de saúde, ao mesmo tempo em que ressalta a relevância de iniciativas que busquem a melhoria contínua do atendimento. Enfrentar essas dificuldades é crucial para assegurar um cuidado mais eficaz, humanizado e acessível, contribuindo assim para a promoção da saúde materno-infantil.

2.4 Estratégias para a melhoria da assistência no pré-natal

Diante dos desafios observados na assistência ao monitoramento da gestação, é crucial a implementação de estratégias que possam aprimorar a qualidade do cuidado prestado. Nesse contexto, o reforço das práticas voltadas para a promoção da saúde e a prevenção de doenças é fundamental para assegurar um atendimento mais eficaz e resolutivo. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2022), a qualidade da assistência está intrinsecamente ligada à organização dos serviços e ao comprometimento com a integralidade do cuidado.

Uma das abordagens primordiais diz respeito à formação contínua dos profissionais de saúde, levando em consideração a necessidade de constante atualização em relação às demandas que surgem no cotidiano dos serviços. A educação permanente é um fator que, ao aprimorar as práticas assistenciais, facilita a adoção de condutas mais seguras e fundamentadas em evidências científicas. De acordo com Ferreira (2023), a qualificação da força de trabalho é um elemento chave para a elevação da qualidade do atendimento e para a diminuição de falhas na assistência.

Outro aspecto significativo refere-se à humanização do cuidado, a qual deve ser assimilada como um princípio essencial no atendimento. A valorização da escuta ativa, do acolhimento e do respeito às necessidades individuais é vital para a formação de um vínculo mais forte entre os profissionais e as usuárias. Para Martins (2024) enfatiza que a humanização é um fator que propicia maior confiança nos serviços de saúde e estimula uma adesão amplificada ao acompanhamento, resultando em efeitos positivos nos desfechos assistenciais.

O fortalecimento da Atenção Primária à Saúde é fundamental para aumentar o acesso e assegurar a continuidade do cuidado. A organização dos serviços, juntamente com a ampliação da cobertura assistencial, permite que um maior número de pessoas receba o acompanhamento adequado desde o início da gestação. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2023), a Atenção Primária ocupa uma posição central na coordenação do cuidado, atuando como a porta de entrada no sistema de saúde.

A educação em saúde também se configura como uma estratégia vital para a melhoria da assistência, pois facilita o compartilhamento de informações e o fortalecimento do autocuidado. A realização de atividades educativas, tanto de forma individual quanto coletiva, auxilia na conscientização acerca da importância do acompanhamento e na adoção de práticas saudáveis. Sátiro (2024) sublinha que a informação qualificada é crucial para promover segurança e autonomia durante o período gestacional.

Cabe destacar ainda a necessidade de integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde, a fim de garantir a continuidade do cuidado em situações que exigem encaminhamentos. A articulação entre os serviços contribui para um atendimento mais eficaz e evita a fragmentação da assistência. Segundo Rezende (2024), a organização em rede é fundamental para assegurar a efetividade das ações e a qualidade do acompanhamento.

Ademais, o investimento em infraestrutura e recursos materiais se apresenta como uma medida essencial para a melhoria da assistência. A disponibilidade de equipamentos adequados e de ambientes bem estruturados favorece a realização das intervenções de maneira segura e eficiente. Todavia Oliveira (2020) aponta que condições de trabalho adequadas impactam diretamente a qualidade do atendimento prestado.

Torna-se crucial enfatizar que a execução de políticas públicas efetivas e o compromisso com a justiça em saúde são essenciais para assegurar avanços significativos na assistência. O aprimoramento de iniciativas destinadas à saúde materno-infantil favorece a diminuição das disparidades e a ampliação do acesso aos serviços de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde (Brasil, 2022), a efetivação dessas iniciativas requer a participação ativa de profissionais, gestores e da comunidade.

Assim sendo, a implementação de estratégias focadas na qualificação do atendimento, na humanização da assistência e no fortalecimento dos serviços de saúde é fundamental para favorecer melhorias na assistência durante a gestação. A adoção dessas ações contribui para a criação de um cuidado mais integral, acessível e eficaz, impactando positivamente na promoção da saúde materno-infantil.

3 Metodologia

Trata-se de um estudo de revisão da literatura, com abordagem qualitativa e descritiva, criado para investigar a importância do cuidado da enfermagem durante a gestação, assim como os principais obstáculos relacionados à promoção da saúde materna-infantil.

A revisão da literatura envolve a investigação de estudos científicos já publicados, possibilitando a formação de conhecimento através de uma análise crítica de diversas perspectivas dos autores sobre o tema em pauta. Esse tipo de pesquisa é comumente utilizado na área da saúde, pois fornece acesso a evidências científicas atualizadas e relevantes, que contribuem para um aprofundamento teórico.

A coleta de informações foi feita por meio da identificação de artigos acadêmicos, livros e documentos oficiais publicados entre 2020 e 2025. Foram escolhidos conteúdos que abordassem a assistência de enfermagem durante o pré-natal, o papel do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde e a promoção da saúde materno-infantil.

Os critérios de inclusão levaram em conta estudos disponíveis na íntegra, publicados em português e que tiveram uma conexão direta com o assunto em questão. Em contraste, foram excluídos trabalhos que não discutiam especificamente a assistência de enfermagem no pré-natal ou que se concentravam apenas em gestação de alto risco.

Depois da seleção do material, foi realizada uma leitura exploratória e analítica, possibilitando a organização sistemática das informações. Foram examinados aspectos relativos à importância do pré-natal, ao papel dos enfermeiros, aos desafios nos serviços de saúde e às estratégias para melhorar a assistência.

Para analisar os dados, foi utilizada a técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin (2016), que permite a categorização, interpretação e compreensão das informações obtidas, facilitando a identificação de semelhanças e diferenças entre os autores estudados.

Com a metodologia aplicada, foi viável elaborar uma análise crítica da assistência de enfermagem no pré-natal, destacando sua relevância na promoção da saúde da gestante e do recém-nascido, além de identificar fatores que ainda afetam a qualidade do atendimento nos serviços de saúde.

4 Resultados e Discussões

A avaliação dos estudos selecionados através da revisão da literatura demonstrou que a assistência de enfermagem durante o pré-natal é fundamental para a promoção da saúde tanto da mãe quanto do filho, constituindo um dos principais fundamentos para a prevenção de complicações que podem ocorrer ao longo da gestação. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2022), um acompanhamento pré-natal adequado permite a identificação precoce de fatores de risco, o que, por sua vez, colabora na diminuição da morbidade e mortalidade entre mães e recém-nascidos.

Nessa perspectiva, observa-se que a atuação do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde se destaca pela sua proximidade com a comunidade e pela sua capacidade de promover ações de cuidado continuado. De acordo com Costa, Rocha e Lima (2021), o enfermeiro é incumbido de realizar consultas de pré-natal, requisitar exames, orientar as gestantes e implementar atividades educativas, fatores que são decisivos para a adesão ao acompanhamento durante a gestação. Nesse sentido, Ferreira, Nascimento e Andrade (2023) sustentam que a educação em saúde fortalece o autocuidado e propicia uma gestação mais segura.

Além disso, as investigações revisadas revelam que a humanização do atendimento é um componente crucial para a qualidade da assistência prestada. Martins e Santos (2024) indicam que a escuta ativa, a acolhida e o desenvolvimento de uma relação de confiança entre o profissional de saúde e a gestante têm um impacto direto na continuidade do pré-natal. Desta maneira, percebe-se que tanto os aspectos técnicos quanto os relacionais são fundamentais para a eficácia do cuidado.

No entanto, mesmo com os avanços nas políticas de saúde pública, permanecem desafios que afetam a qualidade da assistência. Conforme observado pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2023), muitas mulheres grávidas iniciam o pré-natal tardiamente ou não realizam o número adequado de consultas que são recomendadas. Nesse contexto, Ferreira (2023) destaca que fatores como dificuldades de acesso aos serviços de saúde, condições socioeconômicas desfavoráveis e falta de informações contribuem para a baixa adesão ao acompanhamento.

Outro ponto significativo identificado diz respeito às condições de trabalho dos profissionais de enfermagem. Sátiro et al., (2024) notam que a carga excessiva de trabalho, a escassez de recursos e as limitações estruturais nos serviços de saúde impactam diretamente na qualidade do atendimento oferecido. Essa realidade pode dificultar a implementação de um cuidado mais integral e humanizado, prejudicando a eficácia das ações realizadas.

Além disso, Rezende (2024) ressalta a importância da organização da rede de atenção à saúde, destacando que a integração entre os distintos níveis de atendimento é vital para assegurar a continuidade do cuidado. A falta dessa articulação pode resultar em falhas no acompanhamento das gestantes, especialmente aquelas que necessitam de encaminhamentos para serviços especializados.

Diante os resultados apresentados, fica claro que a função do enfermeiro vai além das práticas clínicas, abrangendo também as dimensões educativas, sociais e humanísticas. Como apontam os autores analisados, o fortalecimento do vínculo com a gestante, em conjunto com a promoção da educação em saúde, contribui de maneira significativa para a melhoria dos indicadores relacionados à saúde materno-infantil.

Dessa forma, a avaliação dos dados demonstra que, mesmo sendo vital a assistência de enfermagem durante o pré-natal para a promoção da saúde, persiste a urgência de investimentos na formação profissional, aprimoramento das condições laborais e fortalecimento das políticas públicas. Assim sendo, é viável assegurar um cuidado que seja mais eficaz, humanizado e acessível, o que colaboraria para a diminuição de riscos e para a elevação da qualidade de vida tanto das gestantes quanto dos recém-nascidos.

5 Conclusão

A assistência de enfermagem durante o pré-natal desempenha um papel crucial na promoção da saúde materna e infantil, além de melhorar a qualidade do atendimento durante a gravidez. A revisão da literatura revela que a ação dos enfermeiros é vital para prevenir complicações, acompanhar a gestação e desenvolver práticas de educação que são centradas na saúde da mãe e do bebê.

Os resultados evidenciaram que o pré-natal, quando realizado de forma adequada, contínua e humanizada, favorece a redução de riscos durante a gestação e contribui para melhores desfechos maternos e neonatais. Dentro desse cenário, a enfermagem se destaca ao oferecer orientações, promover acolhimento, educar sobre saúde e reforçar o vínculo com as pacientes, o que resulta em maior adesão ao acompanhamento durante a gestação.

Desafios que afetam a qualidade do atendimento também foram identificados, como a baixa adesão das gestantes ao pré-natal, o início tardio da assistência, dificuldades para acessar os serviços de saúde e limitações nas estruturas de diversas unidades de atendimento. Esses aspectos ressaltam a necessidade de investimentos na capacitação dos profissionais, na melhoria das condições de trabalho e no fortalecimento das políticas públicas que atendem à saúde materno-infantil.

Assim, a análise feita ressaltou a importância da assistência de enfermagem no pré-natal, destacando sua contribuição para a saúde tanto da gestante quanto do recém-nascido, além de enfatizar a necessidade de práticas humanizadas e de um acompanhamento mais qualificado na Atenção Primária à Saúde.

Referências bibliográficas

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edição 70, 2016. Disponível em: https://www.edicoes70.pt/produto/analise-de-conteudo/. Acesso em:07/11/2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em:

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_pre_natal_baixo_risco.pdf. Acesso em:10/09/2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta da gestante. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_gestante.pdf. Acesso em: 10/09/2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em:

https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/atencao-básica-a-saude. Acesso em:12/10/2025.

CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Atuação do enfermeiro na atenção básica. Brasília, DF: COFEN, 2022. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/. Acesso: 23/09/2025.

COSTA, M. S; ROCHA, P. F; LIMA, D. A. Atuação da enfermagem no pré-natal na atenção primária. Revista de Enfermagem Atual, v. 95, n. 33, p. 1-9, 2021. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br/. Acesso em:23/09/2025.

FERREIRA, A. L. S. A importância da educação em saúde no acompanhamento gestacional. Revista de Saúde Coletiva, v. 13, n. 2, p. 45-58, 2023. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/rsc. Acesso em:12/10/2025.

FERREIRA, J. R; NASCIMENTO, L. F; ANDRADE, M. C. Educação em saúde e pré-natal: contribuições para o cuidado gestacional. Revista Científica Multidisciplinar, v. 14, n. 1, p. 22-35, 2023. Disponível em: https://recima21.com.br/. Acesso em: 09/09/2025.

MARTINS, R. S; SANTOS, T. R. Humanização na assistência à saúde da mulher no período gestacional. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 77, n. 1, p. 1-10, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/. Acesso em:11/04/2026.

OLIVEIRA, M. A; SILVA, P. R. Desafios estruturais na atenção à saúde materna. Revista de Políticas Públicas em Saúde, v. 10, n. 1, p. 22-35, 2020. Disponível em:

https://periodicos.ufpe.br/. Acesso:05/09/2025.

REZENDE, F. C. Organização da rede de atenção à saúde materno-infantil. Revista de Gestão em Saúde, v. 15, n. 2, p. 60-72, 2024. Disponivel em:

https://periodicos.unb.br/index.php/rgs. Acesso em:04/03/2026.

REZENDE, F. C; SANTOS NETO, J. A. Assistência de enfermagem e adesão ao pré-natal. Revista de Enfermagem Contemporânea, v. 13, n. 1, p. 15-28, 2024. Disponível em: https://www5.bahiana.edu.br/index.php/enfermagem. Acesso em:04/03/2026.

SÁTIRO, L. M. Educação em saúde e promoção do cuidado no período gestacional. Revista Científica Multidisciplinar, v. 9, n. 3, p. 88-102, 2024. Disponível em:

https://recima21.com.br/. Acesso em:17/11/2025.

SANTOS, D. R; LIMA, P. F; COSTA, M. S. A importância do pré-natal na prevenção de complicações gestacionais. Revista de Enfermagem Atual, v. 95, n. 33, p. 1-9, 2021. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br/. Acesso em:22/03/2026.

SOUZA, J. P. T. Impactos da ausência do pré-natal na saúde materno-infantil. Revista de Saúde Pública, v. 59, n. 1, p. 1-12, 2025. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsp/. Acesso em:22/03/2026.

SOUZA, L. M; OLIVEIRA, R. F; NASCIMENTO, A. P. Humanização no cuidado pré-natal e seus impactos na adesão das gestantes. Revista de Enfermagem em Foco, v. 14, n. 2, p. 55-68, 2023. Disponível em: https://revista.cofen.gov.br/index.php/enfermagem. Acesso em:16/03/2026.

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2026 Jordana Ninorruzi Vale do Rosário, Jéssica Janaira Marques Ramos, Kamila Monteiro da Silva, Tayná Costa Araújo, Yago Silva Monteiro (Autor)

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.