Impactos das vulnerabilidades sociais na EJA: o cenário de uma escola em Saquarema - RJ
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

Este trabalho tem por objetivo analisar as vulnerabilidades na Educação de Jovens e Adultos (EJA) no município de Saquarema–RJ, investigando os entraves socioeconômicos e educacionais que dificultam o acesso e a permanência dos estudantes. A pesquisa se justifica pelo papel da EJA na promoção da inclusão social e na garantia do direito à educação para aqueles que não tiveram oportunidade de estudar na idade adequada. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa exploratória, estruturada por meio de revisão bibliográfica e relato de experiência, permitindo uma articulação entre a fundamentação teórica e a vivência prática no cotidiano escolar. A discussão dos resultados evidencia que fatores como precariedade no transporte, baixa renda, jornada de trabalho extenuante e dificuldades de aprendizagem são os principais vetores da evasão escolar na região. Conclui-se que a superação desse cenário requer o fortalecimento de políticas públicas e práticas pedagógicas sensíveis às especificidades do público da EJA, visando assegurar a permanência e o sucesso desses alunos.

Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos (EJA); Inclusão Educacional; Vulnerabilidade social; Evasão escolar; Saquarema-RJ.

ABSTRACT

This study aims to analyze the vulnerabilities in Youth and Adult Education (EJA) in the municipality of Saquarema-RJ, investigating the socioeconomic and educational obstacles that hinder access and retention of students. The research is justified by the role of EJA in promoting social inclusion and guaranteeing the right to education for those who did not have the opportunity to study at the appropriate age. Methodologically, the study is characterized as exploratory research, structured through a literature review and experience report, allowing an articulation between theoretical foundations and practical experience in daily school life. The discussion of the results shows that factors such as precarious transportation, low income, exhausting work schedules, and learning difficulties are the main drivers of school dropout in the region. It concludes that overcoming this scenario requires strengthening public policies and pedagogical practices sensitive to the specificities of the EJA public, aiming to ensure the retention and success of these students.

Keywords: Youth and Adult Education (EJA); Educational Inclusion; Social Vulnerability; School dropout; Saquarema-RJ.

INTRODUÇÃO

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino que garante o direito à educação para pessoas que não conseguiram estudar na idade adequada. Observa-se que diversos estudantes dessa modalidade de ensino precisaram trabalhar cedo, enfrentaram dificuldades financeiras ou não tiveram oportunidade de frequentar a escola de forma contínua. Por esse motivo, a EJA representa uma oportunidade de inclusão social, permitindo que jovens, adultos e idosos retomem seus estudos e ampliem suas possibilidades de participação na sociedade. Segundo Freire (2020), a educação deve valorizar a realidade dos estudantes e contribuir para o desenvolvimento da autonomia e da consciência crítica.

Mesmo com a importância da EJA, ainda existem dificuldades que prejudicam o acesso e a permanência dos estudantes na escola. Entre os principais desafios, destacam-se a necessidade de trabalhar, a falta de tempo para estudar, as responsabilidades familiares e as dificuldades de aprendizagem após um longo período fora da escola. De acordo com Lacerda, Bierhalz e Stoll (2025), a evasão escolar nessa modalidade está relacionada a fatores sociais e econômicos que dificultam a continuidade dos estudos, evidenciando a necessidade de estratégias que incentivem a permanência dos alunos.

No município de Saquarema/RJ, a EJA é ofertada como uma forma de ampliar o acesso à educação e reduzir desigualdades sociais. No entanto, ainda é possível observar situações que dificultam a continuidade dos estudantes, como o cansaço após o trabalho, dificuldades de aprendizagem, falta de incentivo para continuar os estudos e dificuldade no acesso ao transporte. Diante dessa realidade, surge o seguinte problema de pesquisa: Quais são as principais vulnerabilidades que condicionam o acesso, a permanência e o desempenho escolar dos estudantes da EJA em uma unidade de ensino em Saquarema–RJ?

Sendo assim, a pesquisa possui o objetivo de analisar as vulnerabilidades sociais, econômicas e educacionais que influenciam o acesso, a permanência e o desempenho dos estudantes da EJA. Para tanto, de início busca-se conceituar a Educação de Jovens e Adultos, destacando sua importância social. Logo após, pretende-se identificar as principais vulnerabilidades que dificultam o acesso e a permanência dos estudantes na escola. Por fim, busca-se analisar a realidade da Educação de Jovens e Adultos em uma unidade escolar do município de Saquarema. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa exploratória, estruturada por meio de revisão bibliográfica e relato de experiência.

Do ponto de vista teórico, o estudo fundamenta-se nas contribuições de Paulo Freire (2020), que defende uma educação voltada para a realidade do estudante, e de Dermeval Saviani (2020), que compreende a educação como um instrumento de transformação social. O trabalho também dialoga com as reflexões de Miguel Arroyo (2021), ao destacar a importância de reconhecer as trajetórias e vivências dos estudantes da EJA, além das contribuições de Sérgio Haddad e Maria Clara Di Pierro (2021), que discutem as políticas públicas e os desafios relacionados ao acesso e à permanência escolar. Além disso, Lacerda, Bierhalz e Stoll (2025) ressaltam a necessidade de ações que contribuam para a redução da evasão escolar e fortalecimento da Educação de Jovens e Adultos.

2. Conceito e fundamentos da Educação de Jovens e Adultos (EJA)

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino criada para garantir o direito à escolarização de pessoas que não tiveram acesso ou não conseguiram concluir os estudos na idade considerada adequada. Essa modalidade atende jovens, adultos e idosos que, por diferentes motivos, interromperam sua trajetória escolar. Destaca-se que busca promover inclusão educacional, ampliar oportunidades de aprendizagem e contribuir para o desenvolvimento social dos estudantes. Nesse sentido, a educação deve ser compreendida como um direito fundamental que possibilita a participação ativa na sociedade e melhora das condições de vida (Freire, 2020).

Importa mencionar que a história da EJA no Brasil está relacionada aos processos de desigualdade social que marcaram o acesso à educação ao longo do tempo. Durante muitos anos, grande parte da população não teve oportunidade de frequentar a escola devido à necessidade de trabalhar desde cedo ou pela falta de políticas públicas adequadas. A ampliação do acesso à educação ocorreu de forma gradual, com o surgimento de programas que buscavam reduzir o analfabetismo e promover maior participação social. Dessa forma, a EJA passou a ser reconhecida como uma estratégia importante para reduzir desigualdades educacionais e sociais (Saviani, 2020).

A legislação brasileira reconhece a EJA como parte da educação básica, garantindo sua oferta por meio de políticas públicas voltadas à inclusão educacional. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece que jovens e adultos têm direito à educação gratuita, respeitando suas características e necessidades específicas. Esse reconhecimento reforça a importância de práticas pedagógicas adequadas à realidade dos estudantes, considerando suas experiências de vida e seus conhecimentos prévios (Haddad; Di Pierro, 2021).

A garantia do acesso e da permanência na Educação de Jovens e Adultos exige políticas públicas que superem a mera oferta de vagas, alinhando-se às transformações normativas recentes. Sob essa ótica, a aprovação da Resolução CNE/CEB nº 3/2025 estabeleceu as novas Diretrizes Operacionais Nacionais para a modalidade, revogando marcos anteriores e consolidando a necessidade de flexibilização curricular extrema. Essa atualização legal impõe aos sistemas de ensino o dever de mitigar barreiras logísticas históricas, como a escassez de transporte escolar noturno adequado e a rigidez dos tempos escolares (Brasil, 2025).

Os estudantes da EJA possuem trajetórias marcadas por diferentes experiências sociais, culturais e profissionais. Ressalta-se que diversos desses discentes enfrentam dificuldades econômicas, responsabilidades familiares e necessidade de inserção precoce no mercado de trabalho. Essas situações podem influenciar a relação com o processo de aprendizagem, exigindo uma prática pedagógica que valorize o conhecimento adquirido ao longo da vida. Dessa maneira, o ensino deve respeitar o ritmo de aprendizagem dos estudantes e promover um ambiente acolhedor que favoreça o desenvolvimento do conhecimento (Arroyo, 2021).

O processo de ensino na EJA deve considerar a realidade social dos alunos, utilizando metodologias que favoreçam a participação ativa e o diálogo. A aprendizagem torna-se mais significativa quando o conteúdo está relacionado às vivências do aluno, facilitando a compreensão e o interesse pelos estudos. Entende-se que a educação deve contribuir para o desenvolvimento da autonomia e da consciência crítica, possibilitando que o estudante compreenda melhor sua realidade e busque melhorias em sua vida pessoal e profissional (Gadotti, 2020).

Pode-se destacar que a EJA ainda enfrenta desafios relacionados à permanência dos estudantes, principalmente em razão das dificuldades sociais e econômicas. Nota-se que muitos alunos precisam conciliar trabalho e estudo, o que pode gerar cansaço e desmotivação. Além disso, a falta de incentivo e as dificuldades de aprendizagem podem contribuir para o abandono escolar. Pesquisas atuais apontam a necessidade de políticas educacionais que incentivem a continuidade dos estudos e promovam melhores condições de aprendizagem (Lacerda, Bierhalz; Stoll, 2025).

A formação dos professores que atuam nessa modalidade também representa um elemento fundamental para a qualidade do ensino. Isso ocorre porque o educador precisa compreender as características específicas e desenvolver estratégias pedagógicas que favoreçam a aprendizagem dos estudantes. Nesse aspecto, cabe realçar que a formação continuada contribui para que o professor esteja preparado para lidar com diferentes realidades sociais e educacionais, promovendo um ensino mais inclusivo e significativo (Silva; Diniz, 2022).

A EJA exerce uma importante função na promoção da cidadania e na redução das desigualdades sociais, uma vez que o acesso à educação contribui para ampliar oportunidades de trabalho, melhorar a qualidade de vida e fortalecer a participação social. Dessa forma, a EJA não deve ser compreendida somente como uma forma de concluir estudos, mas como um processo que possibilita transformação social e desenvolvimento humano.

Ademais, segundo Haddad e Di Pierro (2021), a EJA precisa ser constantemente avaliada para que possa atender às necessidades dos estudantes de forma mais eficiente. Essa necessidade se justifica uma vez que a análise de dados educacionais permite identificar dificuldades existentes e propor melhorias nas políticas públicas voltadas à educação. A busca por estratégias que incentivem a permanência dos estudantes contribui para fortalecer essa modalidade de ensino e ampliar o acesso ao conhecimento.

Diante dessas perspectivas, percebe-se que a Educação de Jovens e Adultos apresenta fundamentos baseados no direito à educação, na valorização das experiências de vida dos estudantes e na busca pela inclusão social. Observa-se que essa modalidade de ensino contribui para a construção do conhecimento e para o desenvolvimento da autonomia, possibilitando novas oportunidades de aprendizagem e participação social. Assim, representa um importante instrumento de transformação social e redução das desigualdades educacionais, fortalecendo o direito à educação ao longo da vida.

2.1 Vulnerabilidades sociais, econômicas e educacionais que impactam o acesso, o desempenho e a permanência escolar

A permanência dos estudantes na EJA é influenciada por diferentes fatores sociais, econômicos e educacionais, visto que diversos alunos retornam à escola após longos períodos afastados, trazendo consigo experiências de vida marcadas por dificuldades financeiras, responsabilidades familiares e desafios no acesso ao conhecimento. Essas condições podem dificultar a continuidade dos estudos e contribuir para a evasão escolar. Nesse aspecto, a educação precisa considerar essas realidades para promover maior inclusão e garantir o direito de aprender ao longo da vida (Freire, 2020).

Observa-se que as vulnerabilidades sociais representam um dos principais desafios enfrentados por esses estudantes, haja visto que grande parte desse público vive em contextos de desigualdade social, com acesso limitado a serviços básicos, como saúde, transporte e oportunidades de trabalho. Essas condições podem interferir diretamente na frequência escolar, pois muitas vezes o aluno precisa priorizar necessidades imediatas de sobrevivência. Dessa forma, a desigualdade social ajuda na interrupção do percurso educacional e dificulta a continuidade dos estudos (Arroyo, 2021).

As dificuldades econômicas também impactam a permanência escolar, pois é notório que estudantes da EJA possuem baixa renda e precisam trabalhar para garantir o sustento próprio e de suas famílias. Entende-se que a necessidade de conciliar estudo e trabalho pode gerar cansaço físico e falta de tempo para realizar atividades escolares. Essa situação pode provocar desmotivação e aumentar as chances de abandono dos estudos. Nesse sentido, Lacerda, Bierhalz e Stoll (2025) apontam que a evasão escolar está frequentemente associada à necessidade de inserção no mercado de trabalho

Outro fator que chama a atenção refere-se às responsabilidades familiares assumidas pelos estudantes, uma vez que muitos são responsáveis pelo cuidado dos filhos, familiares idosos ou pela organização do ambiente doméstico. Essas responsabilidades podem dificultar a frequência regular às aulas, especialmente no período noturno. Destaca-se que a sobrecarga de tarefas contribui para o desgaste físico e emocional, reduzindo o tempo disponível para dedicação aos estudos e prejudicando o processo de aprendizagem (Carvalho; Santos, 2023).

As vulnerabilidades educacionais também exercem extrema influência na permanência dos estudantes da EJA, pois apresentam dificuldades de leitura, escrita e interpretação de texto devido ao tempo em que permaneceram afastados da escola. Essas barreiras podem gerar insegurança e baixa autoestima em relação à capacidade de aprender. O estudante pode sentir medo de não acompanhar o ritmo das aulas, o que pode levar ao desinteresse ou ao abandono escolar (Gadotti, 2020).

Outro aspecto importante é a necessidade de metodologias de ensino que considerem a realidade dos estudantes da EJA. O processo de aprendizagem torna-se mais significativo quando o conteúdo está relacionado ao cotidiano do aluno, facilitando a compreensão dos temas estudados. Percebe-se que a ausência de práticas pedagógicas adequadas pode dificultar o desenvolvimento do conhecimento e reduzir o interesse pela escola. Por esse motivo, o ensino deve ser planejado de forma que respeite o ritmo de aprendizagem e valorize as experiências de vida dos estudantes (Saviani, 2020).

Nessa perspectiva, Pereira (2024) alerta que a falta de incentivo e apoio pode contribuir para a evasão escolar na EJA, visto que muitos estudantes não recebem estímulo familiar ou social para continuar os estudos, o que pode gerar desmotivação. O reconhecimento da importância da educação é um fator fundamental para que o aluno permaneça na escola e busque alcançar seus objetivos pessoais e profissionais. Destaca-se que a valorização da aprendizagem contribui para fortalecer a confiança do estudante em sua capacidade de aprender.

A dificuldade de acesso a recursos tecnológicos também pode representar uma barreira para os estudantes da EJA. Em alguns casos, o aluno não possui computador, celular adequado ou acesso à internet, o que dificulta a realização de atividades escolares. O uso de tecnologias tornou-se mais presente no processo educativo, sendo necessário que os estudantes tenham acesso a esses recursos para acompanhar as atividades propostas. A exclusão digital pode ampliar desigualdades educacionais e dificultar o desenvolvimento da aprendizagem (Bär; Strieder, 2024).

Outro fator que influencia a permanência escolar refere-se às políticas públicas voltadas à EJA. Embora existam programas que incentivam o acesso à educação, ainda é necessário ampliar investimentos que garantam melhores condições de aprendizagem. A oferta de transporte, alimentação escolar e materiais didáticos pode contribuir para reduzir as dificuldades enfrentadas pelos estudantes. Percebe-se que o fortalecimento de políticas públicas educacionais favorece a inclusão e amplia oportunidades de aprendizagem (Haddad; Di Pierro, 2021).

Segundo Dias Neto (2025), a permanência dos estudantes da EJA depende da criação de estratégias que considerem suas necessidades específicas. A escola precisa promover um ambiente acolhedor, que valorize o respeito, o diálogo e a construção do conhecimento. A educação deve contribuir para o desenvolvimento da autonomia e da cidadania, possibilitando que o estudante reconheça sua importância na sociedade. Dessa forma, a EJA pode favorecer a transformação social e ampliar oportunidades de melhoria da qualidade de vida.

Portanto, as vulnerabilidades sociais, econômicas e educacionais influenciam na permanência dos estudantes na EJA. Nesse contexto, a compreensão dessas dificuldades permite identificar caminhos que contribuam para o fortalecimento da educação e para a redução da evasão escolar. Sendo assim, importa reforçar que o desenvolvimento de políticas públicas e práticas pedagógicas adequadas pode favorecer a continuidade dos estudos e promover maior inclusão educacional, garantindo o direito à educação para todos (Pacheco; Oliveira, 2024).

3. A Educação de Jovens e Adultos em uma unidade escolar do município de Saquarema/RJ

O presente relato de experiência decorre da vivência profissional e da observação participante da pesquisadora enquanto docente na rede pública municipal de Saquarema–RJ. As ações e reflexões aqui descritas foram desenvolvidas em uma unidade escolar localizada na região central do município, instituição que se destaca pelo atendimento à Educação de Jovens e Adultos (EJA). No período analisado, a escola contava com cerca de 11 turmas dedicadas a essa modalidade, abrangendo um corpo discente de aproximadamente 248 estudantes e uma equipe de 16 professores integrados ao segmento. Essa caracterização do espaço e dos sujeitos pedagógicos fundamenta a análise crítica das práticas de acolhimento e dos desafios de permanência vivenciados no cotidiano escolar.

Nesse cenário, a EJA exerce um papel crucial na inclusão educacional local, ao atender estudantes com trajetórias marcadas pela interrupção dos estudos, vulnerabilidade financeira e inserção precoce no mercado de trabalho. Diante disso, a modalidade surge como uma oportunidade de retomada da escolarização, que possibilita jovens, adultos e idosos a terem acesso ao conhecimento e ampliarem suas perspectivas pessoais e profissionais. Conforme destaca Paulo Freire (2020), a educação deve considerar a realidade dos estudantes e promover autonomia e participação social.

Na unidade escolar analisada, pode-se observar que diversos estudantes procuram a EJA motivados pela necessidade de concluir os estudos para melhorar as condições de trabalho ou alcançar novos objetivos profissionais. Alguns alunos relatam que interromperam a vida escolar ainda na infância ou adolescência devido às dificuldades econômicas enfrentadas por suas famílias. Outros afirmam que precisaram priorizar o trabalho para contribuir com a renda familiar, deixando a escola em segundo plano. Essa realidade demonstra como as desigualdades sociais podem interferir na trajetória educacional dos indivíduos (Arroyo, 2021).

Outro aspecto observado na unidade escolar refere-se à faixa etária diversificada presente nas turmas da EJA, uma vez que jovens, adultos e idosos compartilham o mesmo espaço de aprendizagem, trazendo diferentes experiências e conhecimentos. Essa diversidade pode colaborar para a troca de saberes e fortalecimento das relações sociais dentro da escola. Entretanto, também exige do professor estratégias pedagógicas capazes de atender diferentes ritmos de aprendizagem e necessidades educacionais. Nesse contexto, a metodologia de ensino precisa ser flexível e acolhedora, valorizando as experiências de vida dos estudantes (Gadotti, 2020).

Destaca-se que as vulnerabilidades sociais representam um dos principais desafios enfrentados pelos estudantes da EJA na unidade escolar observada. Muitos alunos vivem em bairros periféricos e enfrentam dificuldades relacionadas ao transporte, acesso a serviços públicos e condições financeiras limitadas. Alguns estudantes chegam às aulas cansados após longas jornadas de trabalho, o que pode prejudicar a concentração e o rendimento escolar. Além disso, parte dos discentes precisa conciliar os estudos com responsabilidades familiares, como cuidado dos filhos e organização do ambiente doméstico. Essas situações contribuem para faltas frequentes e, em alguns casos, para a evasão escolar (Lacerda, 2021).

No aspecto educacional, percebe-se que inúmeros estudantes apresentam dificuldades de leitura, escrita e interpretação de texto. Alguns relatam insegurança em participar das atividades por receio de errar ou não conseguir acompanhar os conteúdos trabalhados em sala de aula. Essa situação pode afetar a autoestima acadêmica e reduzir a motivação para continuar os estudos. Diante disso, os professores buscam desenvolver práticas pedagógicas mais acessíveis, utilizando exemplos do cotidiano e atividades contextualizadas que facilitem a aprendizagem. Segundo Saviani (2020), a educação deve promover acesso ao conhecimento de forma crítica e significativa para os estudantes.

Outro fator importante observado na unidade escolar refere-se à relação entre escola e acolhimento, visto que diversos alunos afirmam se sentir mais motivados quando percebem apoio dos professores e da equipe escolar. O diálogo, o respeito e a valorização das experiências dos alunos ajudam a fortalecer o vínculo com a escola e favorecer a permanência na EJA. Dessa forma, o ambiente escolar exerce papel fundamental na construção da confiança e do interesse pela aprendizagem. Assim, a valorização das vivências dos estudantes torna o processo educativo mais significativo e participativo (Haddad, 2021).

Além das vulnerabilidades sociais e educacionais, a unidade escolar também enfrenta desafios relacionados aos recursos disponíveis para a EJA, haja visto que em alguns momentos, observa-se limitação de materiais pedagógicos e dificuldades no acesso a recursos tecnológicos. Embora a escola busque desenvolver atividades diversificadas, a ausência de equipamentos adequados pode dificultar a realização de práticas pedagógicas mais dinâmicas. Nesse sentido, entende-se que o acesso à tecnologia se tornou importante para ampliar oportunidades de aprendizagem e fortalecer o desenvolvimento educacional dos estudantes da EJA (Nascimento; Fernandes, 2024).

A permanência escolar constitui outro ponto crítico nesse cenário. Enquanto parte dos estudantes conclui as etapas da EJA e expressa satisfação pela retomada dos estudos, outros interrompem novamente sua trajetória devido a fatores como jornadas de trabalho, conflitos familiares ou desmotivação. Estima-se que, no período analisado, entre 20% e 30% dos matriculados tenham deixado de frequentar regularmente as aulas ou abandonado a escola antes do término da etapa. Esse índice expressivo de evasão evidencia a vulnerabilidade do segmento e reforça a urgência de políticas públicas e ações pedagógicas integradas, voltadas tanto ao apoio socioeconômico quanto ao fortalecimento do vínculo do educando com a instituição.

A formação dos professores também aparece como elemento importante no fortalecimento da EJA, uma vez que os educadores precisam compreender as características específicas dos estudantes e desenvolver metodologias que favoreçam a participação e o interesse pelas aulas. Embora o município de Saquarema promova ações de formação continuada para os profissionais da educação, a oferta direcionada especificamente à EJA ainda é incipiente.

Essa realidade pode limitar o aprofundamento de conhecimentos sobre as particularidades da modalidade, reforçando a importância de investimentos em formações que atendam às demandas específicas dos estudantes da EJA e contribuam para o aprimoramento das práticas pedagógicas (Pereira, 2024). A utilização de conteúdos relacionados ao cotidiano dos alunos pode facilitar a aprendizagem e tornar o ensino mais significativo. Dessa forma, a formação continuada dos docentes auxilia na melhora da qualidade do ensino e fortalece o trabalho pedagógico na modalidade (Silva; Diniz, 2022).

Diante desse cenário, percebe-se que a Educação de Jovens e Adultos na unidade escolar observada, do município de Saquarema/RJ enfrenta desafios relacionados às vulnerabilidades sociais, econômicas e educacionais dos estudantes. Apesar das dificuldades observadas, a EJA continua representando uma importante oportunidade de inclusão e transformação social. Entende-se que o fortalecimento das políticas públicas, aliado ao desenvolvimento de práticas pedagógicas acolhedoras e inclusivas, pode contribuir para ampliar a permanência escolar e garantir melhores condições de aprendizagem aos estudantes dessa modalidade de ensino.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, pode-se notar que a presente pesquisa permitiu compreender as principais vulnerabilidades que influenciam o acesso, a permanência e o desempenho escolar dos estudantes da EJA em uma unidade de ensino do município de Saquarema/RJ. Observou-se que fatores sociais, econômicos e educacionais, como baixa renda, necessidade de trabalhar, responsabilidades familiares e dificuldades de aprendizagem, interferem diretamente na continuidade dos estudos e podem contribuir para a evasão escolar.

Dessa forma, considera-se que a questão norteadora foi respondida, pois o estudo identificou as principais vulnerabilidades enfrentadas pelos estudantes da EJA. Além disso, os objetivos propostos foram alcançados, uma vez que foi possível conceituar a modalidade, identificar os desafios relacionados à permanência escolar e analisar a realidade da EJA em uma unidade escolar do município de Saquarema/RJ.

Sendo assim, conclui-se que a EJA possui extrema importância social por garantir oportunidades educacionais a jovens, adultos e idosos que não concluíram os estudos na idade adequada. Entretanto, ainda existem desafios que dificultam a permanência dos estudantes, evidenciando a necessidade de práticas pedagógicas mais inclusivas e acolhedoras.

Como sugestões, recomenda-se o fortalecimento de políticas públicas voltadas à permanência escolar, o incentivo à formação continuada dos professores e o desenvolvimento de estratégias que favoreçam o acolhimento e a motivação dos estudantes, contribuindo para a redução da evasão escolar na EJA. Contudo, este trabalho não pretende encerrar as discussões sobre o tema, mas contribuir como base para futuras pesquisas relacionadas à Educação de Jovens e Adultos e às vulnerabilidades que impactam o acesso e a permanência escolar.

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