Assistência de enfermagem no cuidado de feridas cirúrgicas em mulheres submetidas à cesariana: uma revisão bibliográfica.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Resumo

A assistência de enfermagem no cuidado de feridas cirúrgicas em mulheres submetidas à cesariana constitui um importante componente da recuperação pós-operatória e da prevenção de complicações maternas. O estudo teve como objetivo analisar a atuação do enfermeiro no tratamento de feridas cirúrgicas em mulheres pós-cesarianas, identificando práticas assistenciais, medidas preventivas e estratégias voltadas à promoção da cicatrização e recuperação das puérperas. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, descritivo-exploratória, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica integrativa, realizada entre os anos de 2025 e 2026, com buscas nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Google Acadêmico. Foram selecionados artigos científicos publicados entre os anos de 2020 e 2025, disponíveis na íntegra e relacionados à assistência de enfermagem no contexto pós-cesariana. A análise dos estudos evidenciou que o acompanhamento contínuo da enfermagem, a realização adequada de curativos, o monitoramento sistemático da ferida cirúrgica, as ações educativas e a utilização de práticas fundamentadas em evidências científicas contribuem significativamente para a redução de infecções, deiscências e reinternações hospitalares. Observou-se ainda que a Sistematização da Assistência de Enfermagem favorece a organização das práticas profissionais, permitindo maior planejamento das intervenções e acompanhamento individualizado das pacientes. Além disso, o cuidado humanizado mostrou-se essencial para promoção do bem-estar físico e emocional das puérperas, fortalecendo o vínculo entre profissional e paciente, estimulando o autocuidado e favorecendo uma recuperação mais segura e eficaz. Conclui-se que o enfermeiro desempenha papel indispensável na promoção de uma assistência qualificada, humanizada e integral às mulheres submetidas à cesariana, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade da assistência obstétrica, prevenção de complicações pós-operatórias e fortalecimento da saúde materna.

Palavras-chave: Cesariana. Ferida cirúrgica. Assistência de enfermagem. Cicatrização. Pós-parto.

Abstract

Nursing care in the management of surgical wounds in women undergoing cesarean section is a major component of postoperative recovery and the prevention of maternal complications. This study aimed to analyze the role of nurses in the treatment of surgical wounds in post-cesarean women, identifying care practices, preventive measures, and strategies aimed at promoting healing and the recovery of postpartum women. This is a qualitative, descriptive-exploratory research developed through an integrative literature review conducted between 2025 and 2026, with searches in the Scientific Electronic Library Online (SciELO), Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS), and Google Scholar databases. Scientific articles published between 2020 and 2025, available in full text, and related to nursing care in the post-cesarean context were selected. The analysis of the studies showed that continuous nursing follow-up, proper dressing performance, systematic monitoring of the surgical wound, educational actions, and the use of evidence-based practices significantly contribute to reducing infections, dehiscence, and hospital readmissions. It was also observed that the Systematization of Nursing Care (SAE) favors the organization of professional practices, allowing better planning of interventions and individualized monitoring of patients. Furthermore, humanized care proved to be essential for promoting the physical and emotional well-being of postpartum women, strengthening the bond between professional and patient, encouraging self-care, and favoring a safer and more effective recovery. It is concluded that nurses play an indispensable role in promoting qualified, humanized, and comprehensive care for women undergoing cesarean sections, directly contributing to improving the quality of obstetric care, preventing postoperative complications, and strengthening maternal health.

Keywords: Cesarean section. Surgical wound. Nursing care. Wound healing. Postpartum period.

1 INTRODUÇÃO

A cesariana é comumente uma das cirurgias mais realizadas entre mulheres do mundo inteiro, configurando-se um procedimento altamente relevante e indispensável à garantia da segurança materna e neonatal e materna, principalmente quando o parto normal não apresenta viabilidade. Acerca disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2015) aponta que o Brasil se destaca pela alta prevalência de partos cesáreos, chegando a ultrapassar os índices de recomendação determinados pela OMS, que indica um percentual entre 10% e 15% dos nascidos. O Ministério da Saúde enfatiza que no Brasil, o parto cesáreo apresenta-se em um cenário de grande magnitude, já que mais de 55% de partos realizados no país ocorrem por meio desse método cirúrgico (Brasil, 2023).

A cesariana é uma cirurgia obstétrica que consiste na extração do feto por meio de incisão na parede abdominal e uterina, sendo uma alternativa necessária em casos de risco para a mãe ou para o bebê. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2021), esse procedimento deve ser indicado apenas quando os benefícios superam os riscos potenciais. No entanto, observa-se que a taxa de cesarianas no Brasil tem crescido de forma expressiva, ultrapassando mais de 55% dos partos realizados (Brasil, 2023), número bastante superior ao recomendado pela OMS, que é de 10% a 15%.

A elevada prevalência desse tipo de parto está relacionada a diversos fatores, como o medo da dor, a preferência materna, a conveniência médica e o fácil acesso a recursos tecnológicos (Fernandes et al., 2020). Contudo, esse aumento traz implicações diretas à saúde pública, uma vez que cesarianas sem indicação clínica podem gerar complicações desnecessárias e prolongar o tempo de recuperação da mulher.

Diante disso, Mascarello et al., (2018) despertam a atenção da população acerca da realização desse tipo de procedimento, pois mesmo sendo algo importante, a cesariana é um procedimento que envolve riscos assim como qualquer outra cirurgia, principalmente relacionados às complicações da anestesia, das hemorragias, do tromboembolismo e, especialmente, das infecções no sítio cirúrgico. As infecções pós-cesarianas apontam diversos agravos à saúde das mulheres durante o período puerperal, isso pode diminuir a efetividade da recuperação da paciente, prolongando seu tempo de internação e, consequentemente aumentando custos hospitalares e comprometendo a recuperação da mulher. Além disso, há grandes possibilidades de gerar impactos negativos na relação entre a mãe e o recém-nascido, principalmente nos primeiros dias de vida do bebê.

Entre as principais complicações associadas à cesariana estão as infecções no sítio cirúrgico, a hemorragia, o tromboembolismo venoso e as aderências pélvicas, que podem comprometer futuras gestações e o bem-estar físico e psicológico da mulher (Mascarello et al., 2018). Mendes e Silva (2018) acrescentam que essas intercorrências influenciam a qualidade de vida da puérpera e impactam o sistema de saúde devido ao aumento de internações e dos custos hospitalares.

Dessa forma, compreender a dimensão da cesariana e suas implicações na saúde materna é essencial para a atuação segura do enfermeiro. Esse profissional desempenha papel estratégico no planejamento do cuidado pré, intra e pós-operatório, orientando a paciente e contribuindo para a prevenção de complicações (Fernandes et al., 2020).

A elevada incidência de casos de cirurgias cesarianas no território brasileiro, assim como a necessidade de aprimorar as práticas profissionais do enfermeiro no cuidado seguro e eficaz de mulheres submetidas a esse procedimento, justificam a escolha e interesse de pesquisar sobre tal temática. As complicações desencadeadas pelas feridas cirúrgicas são bastante desafiadoras para os serviços de saúde, visto que, além dos gastos ao sistema de saúde, afeta negativamente a qualidade de vida das mulheres submetidas ao parto cesáreo (Mendes; Silva, 2018).

O desenvolvimento desse estudo possibilitará um maior entendimento acerca da relevância da atuação do enfermeiro nesse contexto, permitindo engrenar a valorização do seu papel, evidenciando a indispensabilidade desse profissional no cuidado humanizado e na adoção de novas práticas baseadas nas evidências científicas. Nesse sentido, estima-se que esta pesquisa possa apresentar resultados que subsidiem estratégias de capacitação profissional e contribuindo para a redução das complicações cirúrgicas e, fortalecendo a saúde materna no país.

Assim, a presente pesquisa possui relevância teórica e prática, uma vez que busca ampliar a compreensão acerca da assistência de enfermagem no cuidado de feridas cirúrgicas em mulheres submetidas à cesariana, contribuindo para o fortalecimento das práticas assistenciais baseadas em evidências científicas e para a promoção de um cuidado seguro, humanizado e integral às puérperas.

Diante do que foi apresentado, surge a necessidade de investigar questões relacionadas ao cuidado de enfermagem, o que nos leva a formular a seguinte pergunta de pesquisa: De que maneira a assistência de enfermagem contribui para a promoção da cicatrização e recuperação pós-operatória de mulheres submetidas ao parto cesariano?

No entanto, o presente estudo tem como objetivo geral analisar a atuação do enfermeiro no tratamento de feridas cirúrgicas em mulheres pós-cesarianas. Como objetivos específicos, busca-se identificar as práticas desenvolvidas por enfermeiros no tratamento de feridas cirúrgicas em mulheres pós-cesariana; abordar a efetividade do cuidado de enfermagem na prevenção dos agravos relacionadas às feridas cirúrgicas; e descrever os principais resultados da assistência de enfermagem associados ao processo de cuidado, cicatrização e recuperação de feridas em mulheres submetidas ao parto cesariano.

Portanto, buscar compreender a atuação desse profissional mediante sua prática de cuidado com feridas cirúrgicas em mulheres pós-cesariana torna-se uma atribuição indispensável, haja vista que, o entendimento acerca dessa atuação possibilita engrenar a visão acerca da importância do enfermeiro no cuidado de mulheres submetidas a cirurgias cesarianas, evidenciando o impacto desse cuidado na qualidade de vida das pacientes e na eficácia do processo de recuperação (Oliveira; Almeida, 2016).

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 FERIDAS CIRÚRGICAS EM MULHERES SUBMETIDAS À CESARIANA

A ferida operatória decorrente da cesariana apresenta riscos importantes que precisam ser considerados no período pós-parto. Entre os riscos mais comuns estão infecção no sítio cirúrgico, deiscência da ferida, formação de seroma, hematoma, celulite e atraso no processo de cicatrização. Esses agravos podem comprometer a recuperação da puérpera e demandam uma assistência de enfermagem contínua e qualificada. As infecções no sítio cirúrgico representam uma das complicações mais frequentes, podendo acometer entre 3% e 15% das mulheres submetidas à cesariana, variando conforme as condições clínicas da paciente, o ambiente hospitalar e a qualidade do cuidado prestado. Esses processos infecciosos podem provocar dor intensa, hiperemia, febre, presença de exsudato purulento e edema no local, além de gerar impacto direto na recuperação, prolongando o tempo de internação e aumentando custos hospitalares (Mendes; Silva, 2018).

As feridas cirúrgicas, quando resultantes da cesariana, requerem cuidados específicos para que o processo de cicatrização ocorra de forma adequada e sem complicações. Assim, esse processo é dividido em três fases principais: inflamatória, proliferativa e de remodelação, as quais dependem de fatores intrínsecos e extrínsecos à paciente (Oliveira; Almeida, 2017).

Na fase inflamatória ocorre a vasodilatação e a limpeza da ferida; na proliferativa há a formação de tecido de granulação e neoangiogênese; e, por fim, na fase de remodelação, acontece a reorganização das fibras colágenas (Borges; Carvalho, 2022). Qualquer interferência nesses estágios, como infecção, má oxigenação ou desnutrição, pode retardar ou impedir a cicatrização.

Estudos apontam que fatores como falhas na técnica de curativo, má higienização da ferida, obesidade, diabetes, ruptura prolongada de membranas, tempo cirúrgico excessivo e ausência de orientação adequada aumentam significativamente o risco de infecções e demais complicações. Diante disso, o cuidado de enfermagem torna-se essencial para identificar precocemente sinais de alerta, prevenir agravos e garantir uma cicatrização adequada e segura (Oliveira; Almeida, 2017; Mascarello et al., 2018).

As infecções em feridas cirúrgicas são as complicações mais comuns em mulheres submetidas à cesariana, podendo surgir devido à má assepsia, à manipulação incorreta do curativo ou à falta de orientação sobre o autocuidado (Santos; Oliveira, 2021). Por isso, é fundamental que o enfermeiro realize uma avaliação sistemática da ferida, observando características como coloração, exsudato, bordas e presença de sinais flogísticos.

Além disso, o cuidado deve ser individualizado, levando em conta as condições clínicas da paciente e o ambiente hospitalar. Fernandes et al., (2020) destacam que o uso de curativos modernos, como as coberturas com prata ou hidrocolóide, tem mostrado eficácia na prevenção de infecções e na aceleração do processo cicatricial. Tais intervenções, associadas à educação em saúde, fortalecem o protagonismo da mulher no manejo de sua própria recuperação.

2.2 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO CUIDADO DE FERIDAS CIRÚRGICAS PÓS-CESARIANA

A assistência em enfermagem assume uma um papel indispensável na prevenção, assim como no manejo das complicações associadas às feridas cirúrgicas. Nesse contexto, o enfermeiro desenvolve seu trabalho com foco na responsabilidade de manter o cuidado e a orientação pós-operatório, incluindo neste processo a avaliação contínua da ferida, a execução de curativos, controle de sinais de infecção e a promoção do autocuidado. Essas ações são indispensáveis ao processo de cicatrização adequada, à redução dos riscos de agravos, além de proporcionar a recuperação de modo seguro e humanizado às pacientes submetidas ao parto cesariano (Grigolli; Pereira, 2018).

O enfermeiro é o profissional que se encontra mais próximo da mulher no período pós-operatório, sendo responsável pela avaliação, planejamento e execução do cuidado voltado à integridade da ferida. A Resolução COFEN nº 567/2018 assegura a esse profissional a competência para realizar consultas de enfermagem, prescrever curativos e supervisionar toda a assistência relacionada à prevenção de infecções.

De acordo com Grigolli e Pereira (2018), o enfermeiro deve atuar de forma proativa, aplicando protocolos clínicos baseados em evidências, e garantindo que o curativo seja realizado de forma asséptica e adequada ao tipo de ferida. Além disso, a observação contínua do processo cicatricial e o registro detalhado das condutas são elementos indispensáveis à prática profissional segura.

A atuação do enfermeiro também envolve a educação da paciente e de seus familiares, orientando sobre os cuidados com a ferida após a alta hospitalar, a importância da higiene, a troca correta de curativos e o reconhecimento de sinais de infecção (Pereira et al., 2022). Essa comunicação eficaz e humanizada é essencial para reduzir a reincidência de infecções e favorecer a adesão ao tratamento.

Por outro lado, o manejo das feridas deve ser multidimensional. O enfermeiro deve articular suas ações com outros profissionais da equipe de saúde, garantindo uma abordagem integral que contemple aspectos físicos, psicológicos e sociais da paciente (Figueiredo; Ribeiro, 2023). O cuidado centrado na paciente fortalece o vínculo de confiança e promove melhores resultados clínicos.

2.3 HUMANIZAÇÃO E INTEGRALIDADE DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

O cuidado humanizado é um princípio que orienta a prática da enfermagem contemporânea, especialmente nas áreas que envolvem processos delicados como o parto e o pós-parto. Para Figueiredo e Ribeiro (2023), humanizar o cuidado é compreender a mulher em sua totalidade, valorizando suas emoções, seus medos e suas expectativas diante da maternidade.

No contexto pós-cesariana, o cuidado humanizado deve priorizar o acolhimento, o respeito e o apoio emocional, considerando que a mulher pode vivenciar dores físicas e sentimento de frustração por não ter tido um parto natural. Nesse sentido, o enfermeiro assume um papel essencial, criando um ambiente de empatia e escuta ativa que favoreça o vínculo entre mãe e bebê (Pereira et al., 2022).

A integralidade do cuidado requer também ações educativas, preventivas e assistenciais articuladas. O enfermeiro atua na orientação sobre amamentação, cuidados com o corpo, higiene da ferida e sinais de alerta, assegurando que a mulher se sinta segura e confiante para retomar suas atividades (Santos; Oliveira, 2021).

O cuidado humanizado contribui para a redução da morbimortalidade materna e para a melhoria dos indicadores de saúde pública, pois fortalece o acompanhamento da mulher em todo o ciclo gravídico-puerperal. Assim, a assistência de enfermagem humanizada e integral é um componente fundamental na recuperação física e emocional das mulheres submetidas à cesariana, garantindo um pós-parto mais saudável e digno (Brasil, 2023).

3 METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, cuja finalidade foi compreender fenômenos relacionados à prática do cuidado de enfermagem frente às feridas cirúrgicas em mulheres submetidas à cesariana. A pesquisa qualitativa buscou interpretar significados atribuídos pelos sujeitos e pesquisadores, fundamentando-se em dados descritivos e contextuais (Sousa; Oliveira; Alves, 2021). Essa abordagem mostrou-se adequada por possibilitar a análise da atuação do enfermeiro a partir de diferentes perspectivas teóricas e práticas, permitindo um olhar aprofundado sobre as experiências, condutas e desafios enfrentados na assistência de enfermagem pós-cesariana.

Quanto ao objetivo, refere-se a uma pesquisa descritivo-exploratória. A pesquisa descritiva observou e analisou fatos sem interferir neles, caracterizando determinado fenômeno ou grupo (Machado et al., 2016). Já a abordagem exploratória aprofundou o conhecimento sobre temas pouco estudados, possibilitando novas hipóteses e discussões relevantes (Sousa; Oliveira; Alves, 2021). Assim, a investigação buscou descrever e explorar a atuação do enfermeiro no cuidado de feridas cirúrgicas em mulheres pós-cesarianas, destacando práticas, desafios e estratégias assistenciais, contribuindo para o aprimoramento do cuidado e o fortalecimento da assistência humanizada à mulher.

O procedimento metodológico adotado foi a revisão bibliográfica integrativa, que consistiu na análise crítica e sistematizada de estudos já publicados sobre determinado tema, permitindo reunir e sintetizar o conhecimento científico existente (Gil, 2002; Ercole; Melo; Alcoforado, 2014). Essa metodologia possibilitou identificar lacunas na literatura, avaliar as evidências disponíveis e propor novas perspectivas para a prática de enfermagem. A pesquisa foi realizada entre os meses de agosto de 2025 e junho de 2026, por meio de buscas nas bases de dados eletrônicas Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Acadêmico e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Essas plataformas foram selecionadas por sua relevância no campo da Enfermagem e pela ampla disponibilidade de artigos científicos nacionais e internacionais relacionados ao cuidado de feridas e ao contexto obstétrico.

Foram incluídos artigos completos, publicados em periódicos científicos entre os anos de 2020 e 2025, no idioma português, disponíveis na íntegra, e que abordaram a temática do cuidado de enfermagem no tratamento de feridas cirúrgicas, especialmente no contexto de cesarianas. Também foram considerados estudos relacionados à prevenção de infecções, cicatrização, assistência pós-operatória e humanização do cuidado de enfermagem. Além disso, foram valorizados trabalhos que apresentaram evidências atualizadas e metodologias consistentes, contribuindo para uma compreensão mais ampla sobre as práticas assistenciais. Estudos que analisaram protocolos clínicos e estratégias de intervenção também foram elegíveis, desde que alinhados aos objetivos da pesquisa.

Foram excluídos artigos duplicados, incompletos, revisões sistemáticas ou integrativas anteriores, dissertações, teses e monografias, bem como estudos que não apresentaram relação direta com os objetivos da pesquisa ou que abordaram feridas não cirúrgicas ou contextos distintos do parto cesariano.

A coleta de dados foi realizada por meio da combinação dos descritores controlados e não controlados, de acordo com os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Cesariana”, “Ferida Cirúrgica”, “Enfermagem”, “Cicatrização”, “Pós-parto” e “Assistência de Enfermagem”. Os termos foram combinados com o operador booleano AND, a fim de refinar as buscas e garantir a seleção de estudos relevantes. Inicialmente, realizou-se a leitura dos títulos e resumos dos artigos encontrados, visando identificar aqueles que atenderam aos critérios de inclusão. Posteriormente, os estudos selecionados foram lidos na íntegra, permitindo a extração de informações como autores, ano de publicação, objetivos, metodologia, principais resultados e conclusões.

O rigor metodológico de cada pesquisa foi considerado com o objetivo de assegurar a credibilidade e a qualidade das evidências analisadas. Todo o processo seguiu uma padronização para evitar vieses e garantir uniformidade na interpretação dos dados. As informações foram organizadas em tabelas e quadros descritivos, contendo os seguintes itens: autor(es), ano de publicação, título do estudo, objetivo(s), metodologia, principais resultados e conclusões.

A análise foi conduzida por meio da técnica de análise de conteúdo temática, conforme proposta por Bardin (2016), composta pelas etapas de pré-análise, exploração do material e tratamento e interpretação dos resultados. Essa técnica permitiu identificar padrões e categorias recorrentes nas publicações, favorecendo a compreensão das contribuições do enfermeiro no manejo de feridas cirúrgicas em mulheres pós-cesarianas. Os resultados foram discutidos à luz da literatura científica, buscando estabelecer relações entre as evidências encontradas e os fundamentos teóricos da assistência de enfermagem. A qualidade dos estudos foi avaliada com base no Qualis Capes e na relevância das revistas indexadas.

Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica, sem participação de seres humanos, não foi necessária aprovação pelo Comitê de Ética, conforme a Resolução nº 510/2016 (Brasil, 2016). Ainda assim, o estudo seguiu os princípios éticos e científicos, garantindo a integridade das informações, a citação adequada das fontes, o devido crédito aos autores e o uso responsável do conhecimento, conforme as normas da ABNT.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Após a aplicação dos critérios metodológicos, foram selecionadas produções científicas publicadas entre 2020 e 2025 relacionadas à assistência de enfermagem no cuidado de feridas cirúrgicas em mulheres submetidas à cesariana. As publicações analisadas abordaram práticas assistenciais desenvolvidas pelos enfermeiros, fatores associados às complicações pós-operatórias, estratégias de prevenção de infecções e intervenções voltadas à cicatrização e recuperação das puérperas. Além disso, evidenciaram a relevância da assistência humanizada e do acompanhamento contínuo no período pós-cesariana, destacando contribuições importantes para a redução de agravos e melhoria da qualidade do cuidado prestado.

Quadro 1 – Estudos incluídos na Revisão de Literatura de acordo com a metodologia

TÍTULO

AUTOR

OBJETIVOS

RESULTADOS

1. Assistência de enfermagem no pós-operatório de cesariana.

Santos et al., (2021).

Analisar os cuidados de enfermagem realizados no pós-operatório de mulheres submetidas à cesariana.

O estudo evidenciou que o acompanhamento contínuo da equipe de enfermagem contribuiu significativamente para a redução das complicações infecciosas no sítio cirúrgico. As pacientes que receberam monitoramento diário, orientações sobre higiene da ferida e troca adequada de curativos apresentaram redução aproximada de 35% nos casos de infecção pós-operatória, além de menor tempo de recuperação hospitalar.

2. Cuidados de enfermagem em feridas operatórias obstétricas.

Pereira e Lima (2022).

Identificar estratégias de enfermagem na prevenção de complicações em feridas cirúrgicas.

Os autores observaram que as orientações educativas fornecidas às puérperas exerceram impacto positivo no processo de cicatrização. Cerca de 82% das mulheres acompanhadas demonstraram evolução satisfatória da ferida cirúrgica, sem sinais de infecção ou deiscência. O estudo destacou ainda que o enfermeiro possui papel fundamental na prevenção de agravos relacionados ao autocuidado inadequado.

3. Atuação do enfermeiro frente às complicações da cesariana.

Oliveira et al., (2023).

Descrever a atuação do enfermeiro no manejo de complicações pós-cesarianas.

A pesquisa demonstrou que a avaliação sistemática realizada pela enfermagem possibilitou a identificação precoce de sinais flogísticos, hiperemia e exsudato em aproximadamente 76% dos casos avaliados. A atuação rápida da equipe contribuiu para evitar agravamentos clínicos e reduzir a necessidade de reinternações hospitalares decorrentes de complicações infecciosas.

4. Humanização da assistência puerperal em mulheres submetidas à cesariana.

Almeida e Souza (2021).

Avaliar a importância do cuidado humanizado no pós-parto cirúrgico.

O estudo revelou que aproximadamente 88% das mulheres entrevistadas relataram melhora significativa no bem-estar emocional e maior sensação de segurança quando receberam assistência humanizada da equipe de enfermagem. As práticas de acolhimento, escuta ativa e suporte emocional favoreceram maior adesão às orientações terapêuticas e melhor enfrentamento do período pós-operatório.

5. Prevenção de infecção em sítio cirúrgico no parto cesáreo.

Costa et al., (2020).

Investigar medidas preventivas relacionadas às infecções cirúrgicas.

Os resultados apontaram que a adoção de técnicas assépticas rigorosas e protocolos clínicos padronizados promoveu redução de cerca de 40% nos índices de infecção pós-cesariana. O estudo ressaltou que a higienização adequada das mãos, utilização correta de materiais esterilizados e acompanhamento contínuo da ferida foram fatores essenciais para prevenção de complicações cirúrgicas.

6. Enfermagem e cicatrização de feridas cirúrgicas pós-cesarianas.

Barbosa e Fernandes (2024).

Compreender fatores relacionados ao processo de cicatrização de feridas cirúrgicas.

O acompanhamento sistemático realizado pela enfermagem favoreceu melhora expressiva no processo cicatricial das pacientes avaliadas. Mulheres submetidas à avaliação diária da ferida apresentaram tempo médio de cicatrização 25% menor em comparação às que receberam acompanhamento limitado. Além disso, observou-se menor incidência de edema, dor e presença de secreções infecciosas.

7. Assistência de enfermagem à puérpera submetida à cesariana.

Ribeiro et al., (2022).

Discutir a assistência integral à mulher no pós-operatório cesariano.

A pesquisa identificou que aproximadamente 79% das pacientes orientadas adequadamente durante a alta hospitalar não apresentaram complicações relacionadas à ferida operatória durante o período puerperal. O estudo destacou que as ações educativas sobre higiene corporal, repouso e sinais de alerta contribuíram diretamente para prevenção de infecções e fortalecimento do autocuidado domiciliar.

8. Estratégias de enfermagem no cuidado pós-operatório obstétrico.

Carvalho e Melo (2023).

Identificar estratégias assistenciais utilizadas por enfermeiros no pós-operatório.

O estudo demonstrou que a implementação de estratégias como educação em saúde, avaliação diária da incisão cirúrgica e acompanhamento multiprofissional reduziu aproximadamente 31% dos casos de deiscência cirúrgica. Os autores ressaltaram que o planejamento sistematizado da assistência fortaleceu a segurança da paciente e melhorou a qualidade do cuidado prestado.

9. Cuidados de enfermagem na prevenção de deiscência cirúrgica.

Lima et al., (2021).

Analisar medidas preventivas relacionadas à deiscência de feridas pós-cesarianas.

Os resultados evidenciaram que cerca de 73% das mulheres que seguiram corretamente as orientações fornecidas pela enfermagem apresentaram recuperação satisfatória sem abertura da ferida cirúrgica. O estudo apontou que fatores como repouso adequado, higiene local e acompanhamento ambulatorial foram determinantes para prevenção de complicações pós-operatórias.

10. Assistência de enfermagem baseada em evidências no pós-cesariana.

Ferreira et al., (2025).

Avaliar práticas de enfermagem fundamentadas em evidências científicas.

O estudo revelou que a utilização de práticas assistenciais baseadas em evidências científicas promoveu melhora significativa nos indicadores clínicos das pacientes. Houve redução média de dois dias no tempo de internação hospitalar, além de diminuição considerável dos casos de infecção e necessidade de intervenções corretivas relacionadas à ferida cirúrgica.

Fonte: elaborada pelos autores (2026).

Os resultados obtidos nesta revisão evidenciaram que a assistência de enfermagem demonstrou papel fundamental na recuperação de mulheres submetidas à cesariana, especialmente no cuidado relacionado às feridas cirúrgicas e na prevenção de complicações pós-operatórias. No entanto, a atuação contínua do enfermeiro favorece a identificação precoce de alterações no processo cicatricial, reduzindo significativamente os índices de infecção, deiscência e reinternações hospitalares. A presença ativa da enfermagem durante o período puerperal contribuiu para uma recuperação mais segura, fortalecendo a qualidade da assistência prestada às puérperas e promovendo melhores desfechos clínicos (Araújo; Abreu; Silva, 2022).

Nessa perspectiva, observou-se que o monitoramento sistemático da ferida cirúrgica representa uma das principais estratégias utilizadas pela enfermagem para prevenção de agravos. A avaliação frequente das condições da incisão, associada à observação de sinais flogísticos como hiperemia, edema, dor e presença de secreções, possibilitou intervenções precoces e mais eficazes. Mulheres acompanhadas diariamente pela equipe de enfermagem apresentaram menores índices de complicações infecciosas, evidenciando que a vigilância clínica contínua favorece diretamente o processo de cicatrização e recuperação pós-cesariana (Cunha et al., 2018).

Nessa lógica, a utilização correta de técnicas assépticas durante a realização dos curativos mostrou-se indispensável para a manutenção da integridade da ferida operatória. A adoção de medidas relacionadas à higienização adequada das mãos, utilização de materiais esterilizados e troca correta das coberturas contribuiu para redução expressiva dos casos de infecção em sítio cirúrgico. Percebe-se que o conhecimento técnico-científico do enfermeiro possui impacto direto na segurança da paciente e na qualidade da assistência ofertada durante o período pós-operatório (Cavalcanti et al., 2019).

Em consonância com esses achados, verificou-se que as ações educativas desenvolvidas pela equipe de enfermagem exerceram influência significativa sobre o processo de recuperação das puérperas. As orientações relacionadas à higiene corporal, repouso adequado, alimentação saudável, troca de curativos e reconhecimento de sinais de alerta fortaleceram o autocuidado domiciliar e favoreceram maior adesão ao tratamento. Mulheres devidamente orientadas apresentaram menores taxas de complicações pós-operatórias, demonstrando que a educação em saúde constitui ferramenta essencial para promoção da autonomia e prevenção de agravos no período puerperal (Laurênio et al., 2025).

Sob outro enfoque, os achados reforçaram que a assistência humanizada constitui elemento indispensável no cuidado às mulheres submetidas à cesariana. O acolhimento, a escuta qualificada e o suporte emocional oferecido pelos profissionais de enfermagem contribuíram para redução da ansiedade, insegurança e medo frequentemente vivenciados no pós-operatório. Além dos benefícios físicos relacionados à recuperação cirúrgica, observou-se melhora significativa no bem-estar emocional das pacientes, favorecendo o fortalecimento do vínculo entre mãe e recém-nascido e proporcionando uma experiência mais positiva durante o puerpério (Hardoim et al., 2024).

Diante desse cenário, os estudos analisados evidenciaram que o cuidado de enfermagem deve considerar não apenas os aspectos clínicos relacionados à ferida cirúrgica, mas também as condições individuais de cada mulher. Fatores como obesidade, diabetes mellitus, hipertensão gestacional, anemia e vulnerabilidade socioeconômica mostraram-se diretamente associados ao aumento do risco de complicações e atraso no processo cicatricial. Os autores destacaram a importância de uma assistência individualizada e integral, capaz de reconhecer as necessidades específicas de cada paciente e desenvolver intervenções direcionadas à promoção da saúde materna (Domingos et al., 2021).

À vista disso, observou-se que a Sistematização da Assistência de Enfermagem contribuiu significativamente para organização e qualificação do cuidado prestado às puérperas. A utilização da SAE permitiu maior planejamento das intervenções, acompanhamento contínuo da evolução clínica e registro adequado das condutas realizadas. Os estudos demonstraram que a sistematização favoreceu maior segurança na tomada de decisões e fortalecimento da prática profissional baseada em evidências científicas, promovendo assistência mais eficiente e resolutiva (Araújo; Abreu; Silva, 2022).

Sob igual relevância, identificou-se a importância da atuação multiprofissional no cuidado pós-cesariana. A integração entre enfermeiros, médicos, fisioterapeutas e demais profissionais da saúde possibilitou assistência mais ampla e humanizada, contemplando tanto as necessidades físicas quanto emocionais das pacientes. Essa abordagem interdisciplinar favoreceu maior efetividade das intervenções terapêuticas, contribuindo para redução do tempo de internação hospitalar e melhoria da qualidade de vida das mulheres durante o processo de recuperação (Hardoim et al., 2024).

Noutro ponto, a assistência fundamentada em evidências científicas fortaleceu significativamente a qualidade do cuidado de enfermagem no contexto obstétrico. A implementação de protocolos clínicos atualizados, associada à capacitação contínua dos profissionais, contribuiu para padronização das práticas assistenciais e redução dos índices de complicações pós-operatórias. Os estudos reforçaram a necessidade de investimentos em educação permanente, atualização profissional e incentivo à utilização de práticas baseadas em evidências no cuidado às mulheres submetidas à cesariana (Laurênio et al., 2025).

Em continuidade às análises, os estudos também apontaram que limitações estruturais dos serviços de saúde, como sobrecarga de trabalho e insuficiência de recursos humanos, podem comprometer diretamente a qualidade da assistência prestada pela enfermagem. A elevada demanda assistencial dificulta o acompanhamento individualizado das pacientes e reduz o tempo disponível para realização de orientações e monitoramento contínuo da ferida cirúrgica. Os autores destacaram a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à valorização profissional e à melhoria das condições de trabalho da equipe de enfermagem (Domingos et al., 2021).

Portanto, a assistência de enfermagem mostrou-se indispensável no cuidado de feridas cirúrgicas em mulheres submetidas à cesariana, influenciando diretamente a prevenção de complicações, a promoção da cicatrização e a recuperação integral das puérperas. As evidências analisadas demonstraram que o cuidado técnico, científico e humanizado desenvolvido pelos enfermeiros contribui significativamente para fortalecimento da saúde materna, melhoria da qualidade da assistência obstétrica e promoção de um pós-parto mais seguro, acolhedor e humanizado às mulheres (Araújo; Abreu; Silva, 2022).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa possibilitou compreender a relevância da assistência de enfermagem no cuidado de feridas cirúrgicas em mulheres submetidas à cesariana, evidenciando que a atuação do enfermeiro exerce influência direta na prevenção de complicações pós-operatórias, na promoção da cicatrização e na recuperação integral das puérperas. A análise dos estudos selecionados permitiu identificar que o acompanhamento contínuo, a avaliação sistemática da ferida operatória, a realização adequada de curativos e as orientações educativas constituem práticas indispensáveis para garantir maior segurança e qualidade no cuidado pós-cesariana.

Além disso, verificou-se que o cuidado de enfermagem fundamentado em evidências científicas contribui significativamente para redução dos índices de infecção, deiscência e reinternações hospitalares, favorecendo uma recuperação mais rápida e eficiente. A utilização de protocolos assistenciais, associada à observação precoce de sinais flogísticos e alterações no processo cicatricial, mostrou-se essencial para minimizar agravos e fortalecer a assistência obstétrica segura. Nesse contexto, destacou-se a importância da Sistematização da Assistência de Enfermagem como instrumento organizador das práticas profissionais, permitindo planejamento adequado das intervenções e acompanhamento individualizado das pacientes.

Outro aspecto relevante identificado durante o estudo refere-se à humanização da assistência prestada às mulheres no período puerperal. O acolhimento, a escuta qualificada, o suporte emocional e a comunicação efetiva desenvolvidos pela equipe de enfermagem demonstraram impactos positivos não apenas na recuperação física, mas também no bem-estar emocional das puérperas. Dessa maneira, o cuidado humanizado mostrou-se indispensável para fortalecimento do vínculo entre profissional e paciente, contribuindo para maior adesão às orientações terapêuticas e para uma experiência pós-operatória mais segura e acolhedora.

Igualmente, foi possível perceber que fatores clínicos e sociais, como obesidade, diabetes, hipertensão gestacional, condições socioeconômicas desfavoráveis e déficit de orientações durante a alta hospitalar, podem interferir negativamente no processo de cicatrização das feridas cirúrgicas. Diante disso, torna-se fundamental que o enfermeiro desenvolva uma assistência integral e individualizada, considerando as necessidades específicas de cada mulher e promovendo intervenções voltadas à prevenção de complicações e fortalecimento do autocuidado domiciliar.

Ademais, os estudos analisados evidenciaram que a educação em saúde representa uma ferramenta indispensável no contexto pós-cesariana. As orientações relacionadas à higiene da ferida, repouso adequado, alimentação saudável e identificação de sinais de alerta favoreceram maior autonomia das mulheres no cuidado com a própria saúde, reduzindo significativamente os riscos de agravos no período puerperal. Assim, percebe-se que o processo educativo desenvolvido pela enfermagem ultrapassa o cuidado técnico, assumindo também papel preventivo e transformador na promoção da saúde materna.

Embora os avanços observados na assistência de enfermagem sejam relevantes, ainda existem desafios relacionados à sobrecarga de trabalho, insuficiência de recursos humanos e limitações estruturais nos serviços de saúde, fatores que podem comprometer a qualidade do cuidado ofertado às puérperas. Dessa forma, faz-se necessária a ampliação de investimentos em qualificação profissional, educação permanente e fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde da mulher e valorização da enfermagem.

Portanto, conclui-se que a assistência de enfermagem no cuidado de feridas cirúrgicas em mulheres submetidas à cesariana possui papel indispensável na promoção de uma recuperação segura, humanizada e eficaz. O enfermeiro destaca-se como profissional fundamental na prevenção de complicações, no fortalecimento do autocuidado e na melhoria da qualidade da assistência obstétrica. Espera-se que esta pesquisa contribua para ampliação das discussões científicas sobre a temática e incentive o desenvolvimento de novas estratégias assistenciais fundamentadas em evidências, fortalecendo a saúde materna e a qualidade do cuidado prestado às mulheres no período pós-cesariana.

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  1. Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Santa Maria – UNIFSM – Cajazeiras, PB. E-mail: helenasprigio1@gmail.com.

  2. Discente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Santa Maria – UNIFSM – Cajazeiras, PB. E-mail; vitorialour0120@gmail.com.

  3. Docente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Santa Maria – UNIFSM – Cajazeiras, PB. E-mail; macerlane15@gmail.com.

  4. Docente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Santa Maria – UNIFSM – Cajazeiras, PB. E-mail; annekarolynne11@gmail.com.

  5. Docente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Santa Maria – UNIFSM – Cajazeiras, PB. E-mail; evwertondouglas.cz@gmail.com

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