Resumo
A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória, autoimune e desmielinizante do sistema nervoso central que acomete predominantemente adultos jovens. Caracteriza-se por episódios recorrentes de inflamação e destruição da bainha de mielina, levando a déficits neurológicos progressivos e incapacidade funcional variável. O objetivo deste estudo é revisar os principais aspectos relacionados à fisiopatologia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento da esclerose múltipla. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura científica realizada em bases nacionais e internacionais. Os resultados demonstram que o diagnóstico precoce e o início oportuno do tratamento modificador da doença contribuem significativamente para redução da progressão clínica e melhora da qualidade de vida dos pacientes. Embora não exista cura definitiva, terapias imunomoduladoras e imunossupressoras apresentam impacto relevante no controle das recaídas e progressão da incapacidade. Conclui-se que a abordagem multidisciplinar e individualizada permanece essencial no manejo da esclerose múltipla.
Palavras-chave
Esclerose múltipla; Doença desmielinizante; Sistema nervoso central; Autoimunidade; Tratamento imunomodulador.
Abstract
Multiple sclerosis (MS) is an inflammatory, autoimmune, and demyelinating disease of the central nervous system that predominantly affects young adults. It is characterized by recurrent episodes of inflammation and destruction of the myelin sheath, leading to progressive neurological deficits and varying degrees of functional disability. The aim of this study is to review the main aspects related to the pathophysiology, clinical manifestations, diagnosis, and treatment of multiple sclerosis. This is a narrative review of scientific literature conducted using national and international databases. The results demonstrate that early diagnosis and timely initiation of disease-modifying therapies significantly contribute to reducing clinical progression and improving patients' quality of life. Although there is no definitive cure, immunomodulatory and immunosuppressive therapies have a relevant impact on controlling relapses and disease progression. It is concluded that a multidisciplinary and individualized approach remains essential in the management of multiple sclerosis.
Keywords
Multiple sclerosis; Demyelinating disease; Central nervous system; Autoimmunity; Immunomodulatory treatment.
Introdução
A esclerose múltipla é uma doença crônica, autoimune e inflamatória do sistema nervoso central caracterizada pela destruição da bainha de mielina e degeneração axonal. A doença acomete principalmente adultos jovens entre 20 e 40 anos, sendo mais frequente no sexo feminino.
A etiologia da esclerose múltipla ainda não é completamente esclarecida, porém fatores genéticos, ambientais, infecciosos e imunológicos estão envolvidos no desenvolvimento da doença. A ativação inadequada do sistema imunológico provoca inflamação crônica e lesões desmielinizantes no cérebro e medula espinhal.
Clinicamente, os pacientes podem apresentar manifestações variadas, incluindo neurite óptica, fraqueza muscular, alterações sensitivas, distúrbios visuais, fadiga, alterações urinárias e déficits cognitivos.
Devido ao impacto funcional e psicossocial da doença, o reconhecimento precoce e o tratamento adequado são fundamentais para redução da incapacidade e melhora da qualidade de vida.
Fundamentação teórica e revisão de literatura
A fisiopatologia da esclerose múltipla envolve resposta imunológica anormal contra componentes da mielina do sistema nervoso central. Linfócitos T e B desempenham papel importante no processo inflamatório, promovendo desmielinização e dano axonal progressivo.
A doença pode apresentar diferentes formas clínicas, incluindo remitente-recorrente, secundariamente progressiva e primariamente progressiva. A forma remitente-recorrente é a mais frequente, caracterizada por surtos neurológicos seguidos de recuperação parcial ou completa.
O diagnóstico baseia-se na associação entre quadro clínico, ressonância magnética e critérios de McDonald. A ressonância magnética demonstra lesões desmielinizantes disseminadas no tempo e espaço, sendo exame fundamental para confirmação diagnóstica.
O tratamento inclui manejo das recaídas agudas e terapias modificadoras da doença. Corticosteroides intravenosos são utilizados durante surtos, enquanto medicamentos imunomoduladores, como interferon beta, fingolimode, natalizumabe e ocrelizumabe, atuam na redução da atividade inflamatória e progressão da doença.
Além do tratamento farmacológico, acompanhamento multiprofissional com fisioterapia, terapia ocupacional, apoio psicológico e reabilitação neurológica é essencial para manutenção da funcionalidade e autonomia dos pacientes.
Metodologia
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura científica sobre esclerose múltipla. Foram selecionados artigos científicos publicados entre 2018 e 2025 nas bases de dados PubMed, SciELO, MEDLINE e Google Acadêmico.
Utilizaram-se os descritores: “esclerose múltipla”, “doença desmielinizante”, “tratamento imunomodulador”, “diagnóstico” e “neurologia”. Foram incluídos artigos de revisão, diretrizes clínicas, estudos observacionais e ensaios clínicos relevantes.
A análise concentrou-se nos aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos, clínicos, diagnósticos e terapêuticos da doença.
Resultados e discussões
Os estudos analisados demonstram que a esclerose múltipla apresenta importante impacto funcional e socioeconômico, principalmente em adultos jovens economicamente ativos.
Observou-se que o diagnóstico precoce associado ao início rápido das terapias modificadoras da doença reduz significativamente a frequência de surtos e retarda a progressão da incapacidade neurológica.
Os medicamentos imunomoduladores demonstraram eficácia variável conforme o perfil clínico do paciente e forma da doença. Novas terapias monoclonais vêm apresentando resultados promissores na redução da atividade inflamatória e lesões radiológicas.
A fadiga, dor neuropática, depressão e comprometimento cognitivo permanecem entre os principais fatores relacionados à redução da qualidade de vida dos pacientes. Dessa forma, a abordagem multidisciplinar mostrou-se fundamental para melhora funcional e emocional.
Conclusão
A esclerose múltipla representa importante doença neurológica autoimune e desmielinizante, capaz de gerar incapacidade progressiva e comprometimento significativo da qualidade de vida.
O diagnóstico precoce, associado ao tratamento imunomodulador adequado e acompanhamento multidisciplinar, desempenha papel essencial no controle da progressão da doença e redução das recaídas.
Apesar dos avanços terapêuticos, ainda existem desafios relacionados ao acesso ao tratamento, variabilidade clínica e ausência de cura definitiva.
Considerações finais
A esclerose múltipla continua sendo um importante desafio clínico e científico devido à sua complexidade fisiopatológica e impacto funcional.
O avanço das terapias imunológicas e o desenvolvimento de novas estratégias neuroprotetoras representam perspectivas promissoras para o futuro do tratamento da doença. Investimentos em pesquisa, diagnóstico precoce e assistência multidisciplinar são fundamentais para melhores desfechos clínicos.
Referências
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