Qualidade do sono em acadêmicos da área da saúde de uma IES de Porto Velho-RO
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

A qualidade do sono é um componente essencial para a manutenção da saúde física, mental e cognitiva, sendo particularmente relevante no contexto universitário. O objetivo desta pesquisa foi avaliar a qualidade do sono e sua relação com a saúde mental dos acadêmicos da área da saúde. Para este levantamento utilizou-se uma amostra composta por 46 pacientes, divididos igualmente em três faixas etárias: 18 a 25 anos, 26 a 35 anos e 36 a 45 anos, pacientes de ambos os gêneros, acadêmicos da Afya Centro Universitário São Lucas/RO. A coleta de dados, foi através da aplicação de um questionário utilizando a versão portuguesa do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI-PT). O questionário constou com 14 perguntas que permitiram investigar a qualidade do sono dos participantes, sendo possível relacionar a saúde mental e os impactos no desempenho acadêmico. Os resultados deste estudo demonstraram que parte significativa dos acadêmicos avaliados apresenta alterações relacionadas à qualidade do sono, especialmente quanto à latência do sono, despertares noturnos e redução do entusiasmo para atividades diárias. Concluiu-se que a qualidade do sono exerce influência direta sobre o bem-estar físico, emocional e acadêmico dos universitários, sendo fundamental o desenvolvimento de estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde mental e melhoria dos hábitos de sono nessa população.

Palavras chaves: Ansiedade. Ansiedade em acadêmicos. Sleep Quality

ABSTRACT

Sleep quality is an essential component for maintaining physical, mental, and cognitive health, and is particularly relevant in the university setting. The objective of this study was to assess sleep quality and its relationship to the mental health of health sciences students. For this study, a sample of 46 students was used, divided equally into three age groups: 18 to 25 years, 26 to 35 years, and 36 to 45 years, including students of both genders from Afya Centro Universitário São Lucas/RO. Data collection was conducted through the administration of a questionnaire using the Portuguese version of the Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI-PT). The questionnaire consisted of 14 questions that allowed for the investigation of participants’ sleep quality, making it possible to relate mental health to its impacts on academic performance. The results of this study demonstrated that a significant proportion of the students evaluated exhibit sleep quality-related changes, particularly regarding sleep latency, nighttime awakenings, and reduced enthusiasm for daily activities. It was concluded that sleep quality has a direct influence on the physical, emotional, and academic well-being of university students, making it essential to develop institutional strategies aimed at promoting mental health and improving sleep habits in this population.

Keywords: Anxiety. Anxiety in Students. Sleep Quality.

1 INTRODUÇÃO

A ansiedade entre acadêmicos universitários tem sido reconhecida como um importante problema de saúde pública, especialmente devido ao impacto negativo sobre o desempenho acadêmico, relações interpessoais, saúde mental e qualidade de vida. O ambiente universitário caracteriza-se por intensa carga horária, pressão por desempenho, adaptação social e expectativas profissionais, fatores que contribuem significativamente para o aumento dos níveis de ansiedade entre estudantes. Estudos recentes demonstram crescimento expressivo da prevalência de sintomas ansiosos em universitários, particularmente entre adultos jovens e indivíduos do sexo feminino, grupos considerados mais vulneráveis ao sofrimento psicológico no contexto acadêmico (Ahmed et al., 2023).

O desempenho do universitário é uma métrica vital que permite aos estudantes avaliarem seu progresso geral e os ajuda a se concentrar em suas metas. Vários estudos foram realizados e analisaram a relação entre ansiedade, estresse e desempenho acadêmico, relatando consistentemente que estudantes com desempenho acadêmico inferior podem apresentar níveis mais elevados de ansiedade e estresse (Serra-Negra et al., 2021). Isso pode ocorrer devido à dificuldade de focar e a fatores comportamentais. Adicionalmente, o desempenho do aluno pode ser influenciado por várias causas, como a cessação do sono, o estresse relacionado ao desempenho e a falta de motivação (Wijekoon et al., 2017).

Nesse contexto, a qualidade do sono tem recebido destaque como importante marcador da saúde mental de universitários. Alterações do sono, como aumento da latência para adormecer, despertares noturnos, sono insuficiente e sonolência diurna, apresentam associação direta com sintomas de ansiedade, estresse e depressão. A literatura atual evidencia que estudantes universitários frequentemente apresentam padrões inadequados de sono, os quais podem comprometer funções cognitivas, memória, concentração e rendimento acadêmico. Além disso, a relação entre ansiedade e sono é considerada bidirecional, uma vez que sintomas ansiosos favorecem alterações do sono, enquanto a privação ou má qualidade do sono intensificam manifestações emocionais e psicológicas (Angelillo et al., 2023; Maciel et al., 2023).

Entre os instrumentos mais utilizados para avaliação subjetiva da qualidade do sono destaca-se o Pittsburgh Sleep Quality Index, traduzido e validado para diferentes idiomas, incluindo a versão em português (PSQI-PT). O instrumento permite avaliar múltiplos componentes relacionados ao sono, como duração, eficiência habitual, latência do sono, distúrbios do sono, uso de medicação e disfunção diurna, possibilitando ampla investigação da percepção individual sobre a qualidade do sono no último mês. Sua utilização em pesquisas com universitários tem demonstrado elevada sensibilidade para identificar alterações do sono associadas a condições emocionais, especialmente ansiedade e estresse acadêmico (Alwhaibi et al., 2023).

Estudos recentes reforçam a associação entre pior qualidade do sono e aumento da ansiedade em estudantes universitários. Pesquisa conduzida por Angelillo et al. (2023) identificou elevada prevalência de má qualidade do sono, principalmente entre mulheres e estudantes com maiores níveis de estresse psicológico. De maneira semelhante, evidenciou-se correlação significativa entre qualidade do sono autorreferida e níveis de ansiedade em universitários jovens, destacando a importância da avaliação subjetiva do sono nesse grupo (Avci; Çinar, 2024).

Adicionalmente, fatores emocionais, sociais e comportamentais influenciam diretamente a qualidade do sono dos acadêmicos. O estresse acadêmico, dificuldades de adaptação universitária e problemas interpessoais apresentam associação significativa com pior qualidade do sono, reforçando a influência dos fatores psicossociais sobre a saúde mental dessa população (Zhao; Zhang, 2024). Nesse sentido, estudantes classificados como “maus dormidores” tendem a apresentar maiores níveis de sofrimento emocional, incluindo sintomas ansiosos mais intensos.

No Brasil e em outros países, observa-se crescente preocupação científica com os impactos da ansiedade e da privação do sono sobre a saúde dos universitários, especialmente após o período pandêmico, quando houve aumento significativo das alterações emocionais e dos distúrbios do sono nessa população. A literatura aponta que universitários submetidos a rotinas acadêmicas intensas frequentemente desenvolvem padrões inadequados de sono, favorecendo o surgimento de fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e pior desempenho acadêmico. (Santos et al, 2023)

Diante desse cenário, tornou-se relevante investigar a autopercepção da ansiedade em acadêmicos associada à qualidade do sono, utilizando instrumentos padronizados e validados como o PSQI-PT. A compreensão dessa relação pôde contribuir para a identificação precoce de fatores de risco psicossociais, além de subsidiar estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde mental e da qualidade de vida no ambiente universitário.

2 METODOLOGIA

Com o objetivo de avaliar a qualidade do sono e sua relação com a saúde mental dos acadêmicos da área da saúde, bem como sua influência no desempenho acadêmico, utilizou-se o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh – versão portuguesa (PSQI-PT) para compreender a autopercepção dos participantes. O estudo foi realizado após a avaliação e aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa - Afya Centro Universitário São Lucas/RO, em 30 de junho de 2025, sob o CAEE 88396325.9.0000.0013 e sob o parecer de nº 7.677.321. Para este levantamento, utilizou-se uma amostra composta por 46 pacientes, que aceitaram participar da pesquisa por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, divididos igualmente em três faixas etárias: 18 a 25 anos, 26 a 35 anos e 36 a 45 anos, pacientes, de ambos os gêneros, em acadêmicos da Afya Centro Universitário São Lucas/RO. A coleta de dados, foi através da aplicação de um questionário utilizando a versão portuguesa do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI-PT). O questionário constou com 14 perguntas que permitiram investigar a qualidade do sono dos participantes, sendo possível relacionar a saúde mental e os impactos no desempenho acadêmico. Ele avalia vários componentes, foi utilizado uma adaptação do índice. Componentes avaliados:

1. Latência do Sono: Refere-se ao tempo que leva para adormecer (pergunta 1- Tabela 2)

2. Distúrbios do Sono: Avalia a frequência e a gravidade dos distúrbios do sono, como acordar no meio da noite ou ter dificuldade para respirar (pergunta 2 – 10 – Tabela 3).

3. Qualidade Subjetiva do Sono: Baseada na percepção geral do indivíduo sobre a

qualidade do seu sono (pergunta 11 – Tabela 4).

4. Uso de Medicamentos para Dormir: Avalia a frequência do uso de medicamentos para induzir o sono (pergunta 12 – Tabela 5).

4. Disfunção Durante o Dia: Refere-se a problemas durante o dia, como ficar sonolento ou ter dificuldade em manter o entusiasmo para as atividades diárias (pergunta 13 – 14 – Tabela 6).

Antes da realização dos questionários, foi distribuído o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) a todos os acadêmicos maiores de idade, para que assinarem autorizando sua participação.

Na metodologia da análise dos dados, os resultados obtidos por meio do (PSQIPT) foram organizados em planilhas eletrônicas e submetidos a análise estatística descritiva. Os dados relativos as respostas ao questionário foram quantificados e apresentados em tabelas e gráficos, utilizando o programa de computador Microsoft® Excel®, o que permitiu uma análise textual detalhada e uma comparação com outros estudos científicos semelhantes.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para este levantamento, utilizou-se o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI-PT) que é uma ferramenta eficaz utilizada para medir a qualidade e os padrões do sono em adultos. O questionário constou com 14 perguntas que permitiram investigar a qualidade do sono dos participantes, sendo possível relacionar a saúde mental e os impactos no desempenho acadêmico.

Tabela 1. Caracterização dos pacientes (N=46) quanto ao gênero, idade

Fonte: Dados da pesquisa

Os resultados deste estudo mostraram uma predominância do gênero feminino (60,9%) e de estudantes na faixa etária de 18 a 25 anos (65,2%). Esse perfil é consistente com a literatura recente sobre ansiedade e qualidade do sono em universitários, conforme avaliado pelo Pittsburgh Sleep Quality Index. Pesquisas recentes apontam que a proporção de mulheres varia entre 55% e 65%, além de que a concentração de adultos jovens representa cerca de 65% a 70% das amostras (Maciel et al., 2023; Ahmed et al., 2023). Esses mostram que o perfil da amostra examinada espelha o padrão epidemiológico entre estudantes universitários, principalmente em relação à maior proporção de mulheres e à predominância de jovens.

O estudo de Alwhaibi et al. (2023), realizado com estudantes da área da saúde utilizando o PSQI, identificou que cerca de 60% da amostra era composta por mulheres, com média de idade de 20,9 anos, resultado muito semelhante ao encontrado nesta pesquisa.

Tabela 2. Latência do sono - Durante o mês passado, quantas vezes teve problemas para dormir por causa: Demorar mais de 30 minutos para adormecer

Fonte: Dados da pesquisa

Em relação à latência do sono, observou-se que 28,3% dos acadêmicos relataram demorar mais de 30 minutos para adormecer três vezes por semana ou mais, 23,9% menos de 1vez por semana, 19,6% 1 ou 2 vezes por semana enquanto 28,3% afirmaram nunca apresentar essa dificuldade. Esses achados corroboram com estudos recentes envolvendo universitários, os quais demonstram elevada frequência de atraso para iniciar o sono entre estudantes com sintomas ansiosos.

Angelillo et al. (2023) identificaram alta prevalência de alterações na qualidade do sono em universitários, especialmente relacionadas ao aumento da latência do sono e à presença de ansiedade. De forma semelhante, Cai et al. (2023) observaram associação significativa entre pior qualidade do sono e sintomas ansiosos em estudantes universitários, destacando a dificuldade para iniciar o sono como um dos componentes mais comprometidos do PSQI. Além disso, Albrecht-Bisset et al. (2023) demonstraram que estudantes com pior qualidade do sono apresentavam maiores níveis de ansiedade, reforçando a relação bidirecional entre alterações emocionais e aumento da latência do sono.

Assim, os resultados do presente estudo sugerem que a dificuldade para adormecer constitui manifestação frequente entre acadêmicos com autopercepção de ansiedade, possivelmente relacionada à hiperativação cognitiva, preocupações acadêmicas e estresse psicossocial característicos do ambiente universitário.

Tabela 3. Distúrbios do Sono - Avalia a frequência e a gravidade dos distúrbios do sono, como acordar no meio da noite ou ter dificuldade para respirar.

Fonte: Dados da pesquisa

Os resultados referentes aos distúrbios do sono demonstraram que acordar durante a noite ou muito cedo foi relatado por 43,5% dos participantes menos de uma vez por semana, 19,6% uma ou duas vezes por semana e 13,0% três vezes por semana ou mais, enquanto 23,9% afirmaram nunca apresentar esse problema. Esses achados demonstram presença considerável de alterações na manutenção do sono entre os acadêmicos avaliados.

No presente estudo os resultados estão de acordo com Angelillo et al. (2023), que identificaram elevada frequência de despertares noturnos em universitários, associando esse quadro ao aumento do estresse acadêmico e dos sintomas ansiosos. Da mesma forma, Cai et al. (2023) observaram que estudantes com pior qualidade do sono apresentavam maiores dificuldades para manter o sono contínuo, evidenciando relação direta entre ansiedade e fragmentação do sono.

Em relação a levantar-se para ir ao banheiro durante a noite, a maioria dos participantes relatou nunca apresentar esse comportamento (45,7%). Esse resultado difere parcialmente dos achados de Ahmed et al. (2023), que identificaram maior frequência de interrupções fisiológicas do sono em estudantes submetidos a rotinas acadêmicas intensas. Contudo, a baixa prevalência encontrada neste estudo pode estar relacionada à faixa etária predominantemente jovem da amostra.

Quanto à dificuldade para respirar durante o sono, 73,9% dos acadêmicos relataram nunca apresentar esse sintoma. Esse achado é semelhante ao descrito por Maciel et al. (2023), que observaram baixa ocorrência de sintomas respiratórios noturnos em adultos jovens universitários, especialmente na ausência de doenças respiratórias associadas.

Sobre tossir ou roncar alto, a maioria dos participantes afirmou nunca apresentar essa condição (54,3%). Esses resultados corroboram os achados de Alwhaibi et al. (2023), que também identificaram baixa frequência de ronco e sintomas respiratórios em estudantes universitários, embora os autores ressaltem que tais alterações podem interferir negativamente na qualidade do sono quando frequentes.

Em relação às alterações térmicas durante o sono, observou-se que parte significativa dos participantes relatou sentir muito calor menos de uma vez por semana (43,5%). Esses resultados se aproximam dos achados de Angelillo et al. (2023), que destacaram que desconfortos físicos e ambientais durante o sono podem contribuir para despertares noturnos e pior percepção subjetiva do descanso.

Quanto à ocorrência de sonhos ruins ou pesadelos, 52,2% dos participantes relataram episódios menos de uma vez por semana. Esse achado corrobora o estudo de Cai et al. (2023), que demonstrou associação entre ansiedade, tensão emocional e maior frequência de sonhos perturbadores em universitários.

Em relação à presença de dores durante o sono, mais da metade dos participantes relatou ocorrência menos de uma vez por semana (52,2%). Esses resultados são semelhantes aos descritos por Albrecht-Bisset et al. (2023), que identificaram associação entre tensão muscular, estresse emocional e pior qualidade do sono em estudantes universitários.

Por fim, sobre problemas para dormir por outras razões, a maioria relatou nunca apresentar dificuldades ou apresentar sintomas apenas ocasionalmente. Esses achados reforçam a discussão apresentada por Angelillo et al. (2023) e Cai et al. (2023), que destacam que alterações leves e intermitentes do sono são frequentes entre universitários e frequentemente relacionadas ao estresse acadêmico e à ansiedade.

Tabela 4. Qualidade Subjetiva do sono

Fonte: Dados da pesquisa

Em relação à qualidade subjetiva do sono, 52,2% dos participantes classificaram o sono como bom e 17,4% como muito bom. Entretanto, 21,7% relataram qualidade do sono má e 8,7% muito má, demonstrando que parcela considerável dos acadêmicos apresenta percepção negativa em relação ao próprio sono.

Os resultados encontrados são semelhantes aos observados por Alwhaibi et al. (2023), que identificaram elevada prevalência de pior percepção subjetiva do sono em estudantes da área da saúde. Segundo os autores, fatores como ansiedade, pressão acadêmica e sobrecarga emocional influenciam diretamente a percepção da qualidade do sono.

De forma semelhante, Ahmed et al. (2023) observaram associação significativa entre sintomas ansiosos e pior qualidade subjetiva do sono em universitários, destacando que estudantes com maiores níveis de estresse tendem a relatar maior insatisfação com o descanso noturno.

Além disso, Angelillo et al. (2023) ressaltaram que alterações na percepção subjetiva do sono podem repercutir negativamente no desempenho acadêmico, na concentração e no bem-estar emocional dos estudantes, reforçando a importância da investigação da qualidade do sono nessa população.

Tabela 5. Uso de Medicamentos para Dormir: Avalia a frequência do uso de medicamentos para induzir o sono.

Fonte: Dados da pesquisa

Quanto ao uso de medicamentos para dormir, 82,6% dos participantes relataram nunca utilizar medicamentos para indução do sono, enquanto pequena parcela relatou uso ocasional ou frequente. Esses resultados demonstram baixa prevalência de utilização de hipnóticos entre os acadêmicos avaliados.

Os achados do presente estudo corroboram os resultados encontrados por Maciel et al. (2023), que observaram que a maioria dos universitários não utilizava medicamentos para dormir regularmente. Segundo os autores, embora sintomas relacionados à má qualidade do sono sejam frequentes, muitos estudantes optam por não recorrer ao tratamento medicamentoso.

Entretanto, Cai et al. (2023) destacaram que estudantes com maiores níveis de ansiedade e dificuldade persistente para iniciar o sono apresentam maior tendência ao uso de medicamentos indutores do sono, principalmente em períodos de maior pressão acadêmica.

Além disso, Albrecht-Bisset et al. (2023) ressaltaram que o uso frequente desses medicamentos pode estar relacionado à tentativa de controlar sintomas emocionais e alterações do sono decorrentes do estresse universitário, evidenciando a necessidade de estratégias preventivas e acompanhamento profissional adequado.

Tabela 6. Disfunção Durante o Dia: Refere-se a problemas durante o dia, como ficar sonolento ou ter dificuldade em manter o entusiasmo para as atividades diárias.

Fonte: Dados da pesquisa

Os resultados relacionados à dificuldade para permanecer acordado durante refeições, atividades sociais ou enquanto dirigia demonstraram que 69,6% dos participantes relataram nunca apresentar esse problema. Apesar disso, parte dos acadêmicos relatou episódios ocasionais de sonolência diurna, indicando possível impacto da qualidade do sono no funcionamento diário.

Esses achados são semelhantes aos encontrados por Ahmed et al. (2023), que identificaram baixa frequência de sonolência diurna severa entre universitários, embora sintomas leves fossem comuns em estudantes com pior qualidade do sono. Angelillo et al. (2023) também observaram que alterações no padrão do sono estavam associadas ao aumento da fadiga diurna, dificuldade de concentração e prejuízo no desempenho acadêmico, especialmente em estudantes com sintomas ansiosos.

Em relação à pouca vontade ou falta de entusiasmo para realizar atividades diárias, 39,1% dos participantes relataram ocorrência uma ou duas vezes por semana e 13,0% três vezes por semana ou mais. Esses resultados demonstram presença significativa de sintomas relacionados ao cansaço físico e emocional entre os acadêmicos avaliados.

Os resultados encontrados corroboram os achados de Albrecht-Bisset et al. (2023), que identificaram associação significativa entre pior qualidade do sono, ansiedade e redução da motivação para atividades diárias em estudantes universitários.

4 CONCLUSÃO

Os resultados deste estudo demonstraram que parte significativa dos acadêmicos avaliados apresenta alterações relacionadas à qualidade do sono, especialmente quanto à latência do sono, despertares noturnos e redução do entusiasmo para atividades diárias. Apesar de a maioria dos participantes classificar o sono como bom, os achados evidenciam impacto importante do estresse e da ansiedade no descanso noturno dos estudantes.

Dessa forma, conclui-se que a qualidade do sono exerce influência direta sobre o bem-estar físico, emocional e acadêmico dos universitários, sendo fundamental o desenvolvimento de estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde mental e melhoria dos hábitos de sono nessa população.

REFERÊNCIAS

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  1. Acadêmica do Curso de Odontologia - Afya Centro Universitário São Lucas RO. E-mail: auannyalbert8@gmail.com

  2. Acadêmico do Curso de Odontologia - Afya Centro Universitário São Lucas RO. E-mail: roberttec01@gmail.com

  3. Pofessora Orientadora Ma.Caren Cristine da Silva Batista – Email: carenbatista25@hotmail.com

  4. Professora Mestre do Curso de Odontologia - Afya Centro Universitário São Lucas RO. Email: regina.pinheiro@afya.com.br

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