Unidade especializada para saúde e bem estar do idoso
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Resumo

A Unidade de Atendimento Especializada ao Idoso é uma unidade que oferece atendimento Interprofissional (em equipe), em âmbito individual e coletivo, dentro de uma visão integral. A equipe interprofissional desenvolve ações de assistência a doenças e a problemas de saúde específicos da população idosa, deve desenvolver ações preventivas e de proteção à saúde do idoso, são profissionais treinados na área da gerontologia que é a ciência que estuda o envelhecimento, tendo como principal papel a implementação específica para a população idosa. O objetivo da Unidade de Atendimento Especializada ao Idoso, é garantir atenção integral à saúde do idosomais fragilizado. A Unidade de Atendimento Especializada ao Idoso deve prestar atendimento aos problemas específicos do envelhecimento, e às complicações das patologias mais prevalentes. A equipe gerontológica é composta pelos seguintes profissionais: Médico, Fisioterapeutas, Psicólogos, Terapeuta Ocupacional, Fonoaudiólogo, Nutricionista, Enfermeiro, Técnico de Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem, Cuidador. As Unidade de Atendimento Especializada ao Idoso, são inseridas no nível secundário da atenção à saúde, que são unidades de atendimento especializadas ou de média complexidade, nessas unidades podem ser realizados procedimentos de intervenção, tratamento de situações crônicas e de doenças agudas.

Palavras-Chave: Saúde do Idoso; Equipe Interprofissional; Atenção Secundária.

Abstract

The Specialized Elderly Care Unit (SCU) is a specialized unit dedicated to serving the elderly within its coverage area, offering interprofessional (team-based) care, both individually and collectively, within a comprehensive approach. The Interprofessional Team constitutes the Center for Comprehensive Elderly Health Care. In addition to developing care for more complex diseases and health problems specific to the elderly population, it also develops preventive and health protection actions, training and development activities for primary care professionals, and specific research in the field of gerontology, the science that studies aging. Its primary role is the implementation of public health policies, especially those specific to the elderly population. The objective of the Specialized Elderly Care Unit is to ensure comprehensive health care for the most vulnerable elderly. The Specialized Elderly Care Unit (SCU) should provide care for the most complex pathologies, the specific problems of aging, and the complications of the most prevalent pathologies. The Gerontology team consists of the following professionals: physician, physical therapists, psychologists, occupational therapist, speech therapist, nutritionist, nurse, nursing technician, nursing assistant, and caregiver. Specialized Elderly Care Units (SCUs) are part of the secondary healthcare system, providing specialized or medium-complexity care. These units can perform intervention procedures and treat chronic conditions and acute illnesses. Cases received at the secondary level and referred by the primary level are expected to be treated through the work of these professionals and the use of the equipment that comprise this stage. Urgent and emergency services are also available at the secondary level.

Keywords: Elderly Health; Interprofessional Team; Secondary Care.

1. Introdução

O crescimento da população idosa no Brasil tem se intensificado nas últimas décadas, configurando um cenário demográfico marcado pelo aumento da longevidade e pela redução das taxas de natalidade. Esse fenômeno resulta em uma mudança significativa na composição etária nacional, com ampliação expressiva do número de pessoas com 60 anos ou mais. A tendência aponta para um futuro no qual o contingente de idosos será proporcionalmente maior que o de crianças pequenas, criando desafios sociais e estruturais que exigem planejamento e reorganização dos serviços públicos.

A ampliação da expectativa de vida está associada ao avanço dos cuidados em saúde, à melhoria das condições sanitárias e a transformações socioeconômicas. Entretanto, o prolongamento da vida demanda políticas e equipamentos adequados para garantir que essa etapa seja vivenciada com qualidade. O processo de envelhecimento, apesar de natural, é frequentemente negligenciado no planejamento familiar e social, o que evidencia a necessidade de estruturas que assegurem atenção integral, prevenção de doenças, estímulo à autonomia e suporte emocional.

A qualidade de vida na velhice envolve aspectos muito mais amplos do que o atendimento médico. Embora os cuidados clínicos especializados sejam indispensáveis, elementos como alimentação adequada, prática regular de atividades físicas, convivência social, apoio psicológico e participação em atividades coletivas exercem influência direta no bem-estar. A ausência desses estímulos contribui para o aumento de sintomas relacionados à solidão, ansiedade, depressão e declínio funcional, fatores que podem comprometer a saúde física e mental da pessoa idosa.

No município de Paraguaçu Paulista, localizado no interior do estado de São Paulo, existem atualmente duas unidades destinadas ao atendimento de idosos, uma pública e outra privada. Ambas contam com profissionais de enfermagem, porém não dispõem de estrutura especializada em geriatria nem de serviços adequados para suprir demandas específicas dessa faixa etária. Assim, situações que requerem atendimento médico são encaminhadas ao pronto-socorro municipal, equipamento de uso geral que atende não apenas à população local, mas também a municípios vizinhos. Essa condição compromete

a agilidade no atendimento e pode ocasionar longas esperas, sobrecarga dos serviços de urgência e desgaste físico e emocional dos idosos.

Diante dessa realidade, observa-se a necessidade de implantação de uma unidade de atendimento especializada, com capacidade ampliada e infraestrutura adequada para acolher a população idosa de Paraguaçu Paulista e de sua região. A inexistência de serviços específicos em municípios próximos reforça a importância de um centro estruturado, capaz de evitar superlotação em postos de saúde, oferecer suporte qualificado e promover condições dignas de atendimento.

Considerando a densidade crescente de idosos na população local e o número total de habitantes do município, verifica-se que a atual rede de atendimento é insuficiente para suprir a demanda. A criação de uma Unidade de Atendimento Especializada ao Idoso se apresenta, portanto, como medida necessária para garantir assistência adequada, oferecer acompanhamento contínuo e prevenir agravamentos de saúde decorrentes da falta de suporte especializado.

Além do atendimento clínico, a proposta de implantação dessa unidade contempla ações voltadas à convivência, inclusão e promoção do bem-estar. Atividades como hidroginástica, oficinas de artesanato, aulas de dança, grupos de convivência, caminhadas comunitárias e participação em eventos municipais contribuem para o fortalecimento emocional e social da população idosa. A integração entre cuidado, lazer e interação social favorece um envelhecimento ativo, autônomo e saudável, alinhado às necessidades contemporâneas e às transformações demográficas observadas no município.

2. Revisão da Literatura

2.1 Contextualização do Artigo

Em estudos realizados pelo IBGE, segundo o CENSO 2022, o total de pessoas com 65 anos ou mais de idade no país, chegou a 10,9% da população, com alta de 57,4% frente a 2010. Em relação aos resultados do Censo 2022 divulgados anteriormente, 566 municípios sofreram alteração de população. O gerente técnico Luciano Duarte aponta a redução dos

jovens com o aumento da população na idade adulta e do topo da pirâmide etária até o ano de 2022. Os mesmos estudos apontam que o número de idosos de 60 anos ou mais ultrapassa o de crianças de zero a quatorze anos, caracterizadas como crianças, indicando que há 80 idosos para cada 100 crianças nesta faixa de idade. Estimando que no ano de 2050, no Brasil o número de idosos irá quase tipificar, podendo ser quase a sexta população mais idosa do planeta.

Este aumento significativo da população idosa, se deve as taxas de natalidade baixas, devido a diversos fatores, mas em sua maioria ligados a economia e ao avanço da medicina (OMS, 2019). A expectativa de vida vem oscilando, subindo e diminuindo assim a taxa de mortalidade, principalmente nos países mais desenvolvidos.

A sociedade em um todo, se prepara ao nascimento de uma criança, porém a chegada de um idoso é algo bem menos pensado ou discutido, mostrando uma tentativa de adiar ou fugir do processo de envelhecimento, pois envelhecer não deveria ser mais um problema tão significativo para uma sociedade tão idosa, estudos já mostram que com a expectativa de vida que temos hoje, passamos cerca de pelo menos vinte anos da nossa vida como idosa, um tempo maior do que o tempo que passamos como criança ou jovens segundo a Consultoria Estratégica IN (2017).

Por isso é de extrema importância, que o planejamento para essa fase da vida seja feito de forma muito bem pensada, pois viver esse tempo com qualidade de vida é muito importante. Ao entrar no assunto de Qualidade de Vida do Idoso, sempre teremos como o primeiro pensamento a área da saúde, mas devemos pensar que a área da saúde não é voltada somente em atendimentos médicos e tratamentos, uma alimentação correta e balanceada em conjunto com atividades físicas são imprescindíveis, já que a saúde de qualidade é a base da vida em qualquer idade, muitos outros fatores interferem e muito no quesito qualidade de vida, como por exemplo os cuidados mentais segundo o Estatuto do Idoso (2014), pois nessa fase da vida é comum o sentimento de solidão, abandono pela família, inutilidade, e muitos outros sentimentos que influenciam na má qualidade da saúde mental dessas pessoas segundo um estudo realizado na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos (2010).

Muitos estudos comprovam que a prática de atividade física melhora na qualidade de vida, para os idosos eles são especialmente de caráter físico, social, fisiológico

e psicológico. Segundo o GOV.br (2022) um idoso mais ativo é também um indivíduo que se sente menos cansado e com menos dores nas articulações e nas costas. E a atividade física não faz bem só para o corpo, ela é ótima para a mente também. Os idosos podem experimentar uma redução dos sintomas de ansiedade e depressão, além de uma melhora da autoestima, da imagem corporal e dos sentimentos relacionados à solidão.

Avaliando este cenário, o município de Paraguaçu Paulista, situado no interior do estado de São Paulo, existem duas unidades de atendimento ao idoso, sendo uma privada e uma pública, ambas com enfermeiras para os cuidados, mas nenhuma delas possui atendimento médicos necessários de geriatria e estrutura para que tais atendimentos fossem adquiridos, sendo assim, caso seja necessário, ambas unidades encaminham o idoso com necessidade de atendimento médico ao pronto-socorro da cidade, para que lá seja feito todo protocolo de atendimento necessário. Porem este é de atendimento geral da cidade e de municípios vizinhos, dificultando a agilidade ao atender um idoso em sua necessidade, pois não há uma equipe destinada a este tipo de atendimento, o que pode causar superlotação ao ter de internar o paciente para que aguarde o médico necessário para seu atendimento, dificultando a resolução de problemas ao idoso.

Por isso é de extrema importância que uma unidade de atendimento maior e com mais capacidade de atendimento seja criado na cidade não só para conseguir atender toda a parcela da população de idosos de Paraguaçu Paulista que não tem acesso a esses centros, mas também a população idosa das regiões vizinhas, que na maioria das vezes não possuem infraestrutura nenhuma para atender esses idosos, os deixando sem acolhimento, mas também para que o centro de atendimento seja conhecido e frequentado de fato, diminuindo a superlotação de idosos em postos de saúde.

Com base nos dados dos municípios, a capacidade de atendimento que ele possui atualmente em relação aos idosos, a densidade de idosos dentro da parcela da população da cidade segunda a Fundação SEADE (2012) pode-se dizer que a criação de um centro que atenda esses idosos é de fato necessário, a população de Paraguaçu Paulista, já ultrapassa a marca de 41.120 pessoas (IBGE, 2022) portanto as unidades de atendimento não suportam atender toda a população da cidade e de municípios vizinhos.

3. Metodologia

A pesquisa que fundamenta este trabalho foi desenvolvida com base em levantamento bibliográfico, documental e empírico, direcionado à compreensão das necessidades da população idosa no Brasil, com ênfase na região e no município de Paraguaçu Paulista, local proposto para a implantação do projeto arquitetônico. Além dos materiais bibliográficos e estatísticos, foram analisadas informações relativas às condições de atendimento em saúde no município e estudos de casos, buscando compreender a qualidade dos serviços existentes e os principais obstáculos enfrentados por idosos em situações de vulnerabilidade.

O conjunto dessas informações — bibliográficas, estatísticas e qualitativas — foi organizado e interpretado com o objetivo de auxiliar a concepção do projeto. Dessa forma, os materiais e métodos empregados buscaram garantir embasamento para a proposta, contribuindo para o desenvolvimento de um espaço que responda de maneira eficaz às demandas da população idosa.

4. Resultados e Discussão

Os resultados reunidos ao longo da pesquisa mostram que Paraguaçu Paulista ainda não possui um espaço adequado para atender os idosos de forma especializada. As informações coletadas em documentos oficiais e nos dados do IBGE indicam que o número de pessoas idosas vem aumentando bastante nos últimos anos, e que a cidade não dispõe de equipamentos suficientes para atender essa demanda de maneira segura e humanizada.

A análise da situação atual confirma que muitos idosos dependem de serviços gerais de urgência, que não foram planejados para oferecer atendimentos prolongados, cuidado por equipes preparadas ou ações de prevenção. Essa realidade vai de encontro às orientações da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (BRASIL, 2006), que reforça a

importância de ambientes adequados e serviços que ofereçam cuidado integral, contínuo e especializado.

Também foi possível observar que grande parte dos problemas enfrentados pelos idosos está relacionada ao ambiente físico. A ausência de acessibilidade, circulação limitada, falta de áreas verdes, corredores estreitos e espaços pouco acolhedores tornam o atendimento cansativo e, muitas vezes, inseguro. Esses pontos estão diretamente ligados às recomendações da NBR 9050 (ABNT, 2020), que define parâmetros essenciais para que um espaço seja seguro, confortável e acessível para pessoas com mobilidade reduzida.

Essa carência estrutural tem impactos não apenas físicos, mas também emocionais. Muitos idosos acabam enfrentando solidão, dificuldade de socialização e falta de estímulos diários, fatores que podem intensificar quadros de ansiedade, depressão ou perda de autonomia. Os Cadernos de Atenção Básica do Ministério da Saúde (BRASIL, 2006) reforçam que ambientes bem planejados, com espaços de convivência e atividades coletivas, contribuem diretamente para o bem-estar emocional e para o fortalecimento da autoestima do idoso.

Com base nessas observações, os resultados mostram que a criação de uma Unidade de Atendimento Especializada ao Idoso pode resolver parte importante desses problemas. Um espaço arquitetônico pensado especialmente para essa população — com boa iluminação, ventilação natural, áreas verdes, salas amplas e caminhos acessíveis — tem grande potencial para oferecer um atendimento mais seguro, humano e eficiente. Além disso, ambientes de convivência e salas de atividades ajudam a fortalecer as relações sociais, reduzem o isolamento e estimulam um envelhecimento mais ativo.

Os dados analisados também mostram que, ao contrário dos serviços existentes na cidade, uma unidade especializada permite que o idoso receba atendimento organizado, tranquilo e adaptado às suas necessidades. Isso está em sintonia com o que estabelece o Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003), que garante o direito a ambientes adequados e que promovam qualidade de vida, dignidade e inclusão social.

Em resumo, os resultados e discussões confirmam que a cidade possui uma demanda real por um espaço desse tipo e que a solução arquitetônica proposta no projeto

tem capacidade de transformar o cuidado com a população idosa, unindo saúde, acolhimento, autonomia e bem-estar.

5. Conclusão (ou Considerações Finais)

A realização deste trabalho permitiu compreender de forma mais profunda a realidade da população idosa de Paraguaçu Paulista e a necessidade de um espaço projetado especialmente para atender esse público. Ao longo da pesquisa, ficou evidente que os idosos enfrentam dificuldades que vão desde a falta de acessibilidade até a ausência de ambientes adequados para convivência, atividades e atendimentos especializados. Esses problemas refletem não apenas limitações físicas dos espaços atuais, mas também a falta de estrutura para oferecer um cuidado integral e humanizado.

Os dados do IBGE, as diretrizes do Ministério da Saúde e o que estabelece o Estatuto do Idoso mostram que o país vem passando por um rápido processo de envelhecimento, e que essa parcela da população necessita de atenção contínua, preventiva e adaptada às suas necessidades. Nesse sentido, a proposta de implantação de uma Unidade de Atendimento Especializada ao Idoso surge como uma resposta direta às demandas reais da cidade, oferecendo mais do que um serviço de saúde: oferecendo acolhimento, segurança e qualidade de vida.

A pesquisa demonstrou que a arquitetura tem um papel essencial nesse processo. Ambientes amplos, bem iluminados, ventilados e acessíveis não só facilitam a circulação e evitam acidentes, como também promovem bem-estar emocional e fortalecem a autonomia do idoso. Da mesma forma, áreas verdes, espaços de convivência e salas de atividades ajudam a diminuir sentimentos de solidão e criam oportunidades para socialização, algo fundamental para um envelhecimento saudável.

Os resultados discutidos confirmam a hipótese principal do trabalho: quando o espaço é planejado com sensibilidade e foco no idoso, ele se torna uma ferramenta capaz de transformar o cuidado. Uma unidade especializada, além de melhorar a organização do atendimento, fortalece o vínculo entre profissionais e usuários, reduz

a sobrecarga dos serviços gerais de saúde e oferece um ambiente mais tranquilo e acolhedor para quem já vive uma fase de maior fragilidade.

Por fim, espera-se que este estudo contribua para reflexões futuras sobre a importância de projetos arquitetônicos voltados à população idosa e incentive novas iniciativas que valorizem essa fase da vida. A criação de espaços adequados não é apenas uma necessidade física, mas também um compromisso social com o respeito, a dignidade e o bem-estar daqueles que ajudaram a construir a história da comunidade.

Referências

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  1. Centro Universitário UniGrupoFAEF de Marília - FAIP– Marília – São Paulo – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-9705-9899

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