O papel da enfermagem no cuidado integral à saúde da mulher na atenção primária
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

Introdução: A atenção primária a saúde é considerada a porta de entrada do Sistema Único de Saúde e tem como princípio a integralidade do cuidado, que envolve a promoção da saúde, a prevenção de doenças e asssitência integral a saúde da mulher. Objetivo: Compreender o papel da enfermagem no cuidado integral a saúde da mulher na atenção primária, visando propor melhorias que fortaleçam este vínculo entre equipe de saúde e a população feminina. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica de natureza descritiva, tendo como suporte de pesquisa as bases de dados como Scielo, Lilacs e Google acadêmico. Resultados e discussões: O enfermeiro é responsável por desenvolver diversas ações de cuidado, como o acompanhamento pré-natal, o planejamento familiar, a coleta de exames preventivos, o rastreamento de agravos e a promoção da educação em saúde. Conclusão: A enfermagem assume papel fundamental no atendimento às necessidades da mulher em todas as fases de sua vida, atuando de forma humanizada, educativa e acolhedora.

Palavras-Chave: Enfermagem; Saúde da mulher; Atenção primária; Cuidado integral; Promoção da saúde.

ABSTRACT

Introduction: Primary health care is considered the gateway to the Brazilian Unified Health System (SUS) and is based on the principle of comprehensive care, which involves health promotion, disease prevention, and comprehensive women's health care. Objective: To understand the role of nursing in comprehensive women's health care in primary care, aiming to propose improvements that strengthen this bond between the health team and the female population. Methodology: This is a descriptive literature review, supported by databases such as Scielo, Lilacs, and Google Scholar. Results and discussion: Nurses are responsible for developing various care actions, such as prenatal care, family planning, collection of preventive exams, screening for health problems, and promotion of health education. Conclusion: Nursing plays a fundamental role in meeting the needs of women in all phases of their lives, acting in a humanized, educational, and welcoming manner.

Keywords: Nursing; Women's health; Primary care; Comprehensive care; Health promotion.

1 INTRODUÇÃO

A saúde da mulher é um componente essencial da saúde pública, uma vez que engloba não apenas aspectos fisiológicos, mas também sociais, emocionais e culturais. A Atenção Primária à Saúde (APS) representa a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e constitui o nível de atenção mais próximo da comunidade, sendo responsável pela promoção da saúde, prevenção de agravos, acompanhamento contínuo e coordenação do cuidado integral (Francelino et al., 2025).

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), instituída pelo Ministério da Saúde, reforça a necessidade de práticas de cuidado que considerem o ciclo de vida feminino em sua integralidade, desde a infância até a terceira idade, essa política enfatiza a importância da prevenção de doenças prevalentes na população feminina, o acompanhamento do ciclo reprodutivo, o estímulo à prática de hábitos saudáveis, o rastreamento de cânceres, a atenção à saúde sexual e reprodutiva, além do cuidado psicológico e social. Tais diretrizes demandam que a enfermagem desenvolva habilidades técnicas e interpessoais, de modo a oferecer um cuidado integral, ético e centrado na usuária (Oliveira et al., 2022).

O enfermeiro, enquanto profissional de cuidado direto, assume responsabilidade central na promoção da saúde da mulher, atuando de forma integrada com médicos, agentes comunitários, nutricionistas e demais profissionais da equipe multiprofissional. Essa atuação vai além da execução de procedimentos técnicos, envolvendo acolhimento, escuta qualificada, orientação educativa, identificação de vulnerabilidades e fortalecimento da autonomia da mulher em relação às decisões sobre seu corpo e sua saúde. A humanização do atendimento, nesse sentido, torna-se um princípio norteador das práticas de enfermagem na APS, garantindo que cada mulher seja compreendida em sua totalidade biopsicossocial e que receba cuidado individualizado e respeitoso (Moreira, 2023).

Outro aspecto relevante na assistência de enfermagem à saúde da mulher é o planejamento familiar e a orientação sobre métodos contraceptivos, considerando o direito da mulher de decidir sobre seu corpo e seu projeto de vida. A educação em saúde, promovida pelo enfermeiro, possibilita que a mulher compreenda os riscos, benefícios e alternativas disponíveis, favorecendo a tomada de decisão consciente. Além disso, o acompanhamento pré-natal, realizado na unidade de saúde, constitui um exemplo claro da importância da enfermagem na prevenção de complicações maternas e neonatais, contribuindo para a redução da mortalidade materna e infantil (Rodrigues, 2022).

A atuação humanizada também se revela fundamental na identificação de situações de violência doméstica, vulnerabilidade social e doenças silenciosas, como hipertensão e diabetes, que afetam significativamente a qualidade de vida da mulher. Nesse sentido, o enfermeiro atua como elo entre a mulher, a família e o sistema de saúde, promovendo a integralidade do cuidado e o acesso a serviços de apoio e proteção (Fonseca, 2024).

Portanto, compreender a importância da assistência de enfermagem na saúde da mulher na Atenção Primária é fundamental para reconhecer que a enfermagem não se limita a procedimentos clínicos, mas envolve um conjunto de ações preventivas, educativas e de cuidado integral. A humanização, a ética, a escuta ativa e a valorização da autonomia feminina são princípios que devem nortear a prática diária do enfermeiro, garantindo que o atendimento seja de qualidade, resolutivo e centrado nas necessidades específicas de cada mulher. A consolidação dessas práticas contribui não apenas para a promoção da saúde, mas também para o fortalecimento do SUS e para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa no cuidado à saúde feminina (Silva et al., 2024).

Diante esse cenário, o presente estudo tem como objetivo compreender o papel da enfermagem no cuidado integral a saúde da mulher na atenção primária, visando propor melhorias que fortaleçam este vínculo entre equipe de saúde e a população feminina.

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Atenção primária a saúde e o sus

A Atenção Primária à Saúde (APS) é o primeiro nível de contato dos indivíduos com o sistema de saúde, constituindo-se como eixo estruturante do Sistema Único de Saúde (SUS). Está fundamentada nos princípios de universalidade, integralidade, equidade, descentralização e participação social, os quais foram estabelecidos pela constituição federal de 1988 e reforçados pela Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990 e Lei nº 8.142/1990). A (APS) é responsável por organizar a porta de entrada do sistema, acolhendo as demandas da população, ofertando cuidado contínuo e coordenando o fluxo dentro da rede de atenção (Santos e Nunes, 2023).

No Brasil, a consolidação da APS ocorre principalmente com a criação do Programa de Saúde da Família em 1994, posteriormente denominado Estratégia Saúde da Família (ESF), que se tornou a principal forma de reorganização da atenção básica. A ESF prioriza ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação, articuladas às necessidades específicas da comunidade, considerando determinantes sociais da saúde, como educação, saneamento, habitação e renda (Mendes; Melo e Carnut, 2022).

As unidades básicas de Saúde (UBS) representam a materialização da APS e funcionam como referência territorial para o acompanhamento longitudinal das famílias. Nesses espaços, o enfermeiro assume papel central, seja na realização de consultas de enfermagem, acompanhamento de grupos prioritários (gestantes, puérperas, crianças, adolescentes e idosos), ações educativas, visitas domiciliares, coordenação do cuidado ou articulação com a rede de serviços (Pereira et al., 2025).

Entre os atributos da APS destacam-se a acessibilidade, a longitudinalidade, a integralidade e a coordenação do cuidado. Esses elementos asseguram que a população tenha acompanhamento contínuo ao longo do ciclo de vida, recebendo atenção que vai além da abordagem curativa, contemplando promoção, prevenção e reabilitação. Além disso, a APS busca atuar de forma humanizada, valorizando o acolhimento, a escuta qualificada e o respeito às singularidades culturais e sociais de cada indivíduo (Mendes; Melo e Carnut, 2022).

A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), atualizada em 2017, reafirma a importância da APS como ordenadora da rede de atenção e destaca a necessidade de garantir um cuidado resolutivo, próximo da realidade local e centrado nas necessidades da população. Dessa forma, a APS se constitui como pilar do SUS, essencial para a redução das desigualdades em saúde, o fortalecimento do cuidado integral e a efetivação do direito constitucional à saúde (Ribeiro e Marcondes, 2021).

2.2 Ações de prevenção e promoção da saúde

As ações de prevenção e promoção da saúde constituem pilares fundamentais da Atenção Primária à Saúde. Tais ações visam não apenas a redução da incidência de doenças, mas também a melhoria da qualidade de vida da população, incentivando práticas de autocuidado, hábitos saudáveis e a busca por serviços de saúde de forma contínua. A promoção da saúde ultrapassa o modelo curativo, ao enfatizar a importância de fatores sociais, culturais e ambientais que influenciam diretamente o processo saúdedoença, enquanto a prevenção busca intervir de maneira precoce para evitar o surgimento ou agravamento no processo saúde-doença (Lourenço, 2024).

Na saúde da mulher, as ações de prevenção e promoção são amplas e diversificadas. Entre elas, destaca-se a realização do exame citopatológico do colo do útero (Papanicolau), essencial para o rastreamento precoce do câncer cervicouterino, uma das principais causas de mortalidade feminina. O rastreamento do câncer de mama, por meio do exame clínico e mamografia, também é uma estratégia relevante para reduzir morbimortalidade. Além disso, a oferta de métodos contraceptivos e as orientações sobre planejamento reprodutivo configuram-se como práticas fundamentais para a autonomia da mulher e prevenção de gestações não planejadas (Santos e Andrade, 2023).

Outro eixo importante é a educação em saúde, desenvolvida em grupos de gestantes, rodas de conversa, palestras e visitas domiciliares. Essas atividades possibilitam maior aproximação entre equipe de saúde e comunidade, fortalecendo o vínculo e permitindo a troca de saberes. O enfermeiro exerce papel central nesse processo, ao orientar sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incentivo ao aleitamento materno, alimentação saudável, práticas corporais e cuidados com a saúde mental (Silva et al., 2023).

As ações de promoção e prevenção também se estendem ao enfrentamento de doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão e diabetes, por meio de campanhas educativas, acompanhamento clínico e incentivo a estilos de vida saudáveis. O cuidado deve ser integral, contínuo e humanizado, considerando o contexto sociocultural da mulher e sua inserção na comunidade (Santos e Andrade, 2023).

Assim, as ações de prevenção e promoção da saúde desenvolvidas na APS contribuem para a redução de agravos, fortalecimento da cidadania e consolidação do SUS enquanto sistema público, universal e equitativo, reafirmando a saúde como direito fundamental (Silva et al., 2023).

2.3 Desafios e limitações da assistência de enfermagem na atenção primária

A assistência de enfermagem voltada à saúde da mulher na APS, embora essencial para a integralidade do cuidado, enfrenta diversos desafios e limitações que comprometem a efetividade das ações e a qualidade do atendimento. Entre os principais obstáculos, destacam-se a insuficiência de recursos materiais, a sobrecarga de trabalho dos profissionais e a carência de infraestrutura adequada nas unidades básicas de saúde. Muitas vezes, a alta demanda de usuários, associada à escassez de equipes multiprofissionais, dificulta a realização de um atendimento individualizado e humanizado, interferindo diretamente na resolutividade da assistência (Santana et al., 2023).

Outro desafio está relacionado às barreiras de acesso enfrentadas pelas mulheres, que incluem desde a localização geográfica das unidades de saúde até dificuldades socioeconômicas e culturais que limitam a adesão aos serviços de saúde. Fatores como baixa escolaridade, desigualdades de gênero, tabus e preconceitos podem dificultar a procura por exames preventivos, o acompanhamento pré-natal e a participação em atividades educativas, reforçando desigualdades históricas (Silva et al., 2024).

Do ponto de vista profissional, há limitações quanto à educação permanente em saúde, o que fragiliza a atualização de conhecimentos e a aplicação de protocolos clínicos e diretrizes nacionais. A falta de capacitação continuada pode gerar insegurança na tomada de decisão e impactar negativamente a qualidade da assistência. Além disso, a burocratização do trabalho, somada à necessidade de cumprir metas administrativas, muitas vezes desvia o enfermeiro de seu papel central no cuidado direto ao usuário (Pereira, 2025).

Destaca-se ainda a necessidade de fortalecer a humanização no atendimento, visto que muitas mulheres relatam experiências de negligência, julgamentos morais ou atendimentos despersonalizados. A superação desse cenário exige práticas de escuta qualificada, acolhimento e construção de vínculo entre profissional e usuária, aspectos que nem sempre são priorizados diante da sobrecarga de serviços (Silva e Andrade, 2023).

Portanto, os desafios e limitações da assistência de enfermagem na saúde da mulher na Atenção Primária estão vinculados tanto a fatores estruturais do sistema de saúde quanto a questões sociais e culturais. Superá-los requer investimentos em políticas públicas, valorização do trabalho da enfermagem, capacitação profissional contínua e fortalecimento de práticas humanizadas que garantam equidade, qualidade e integralidade no cuidado (Santana et al., 2023).

2.4 O papel do enfermeiro na saúde da mulher na atenção primária

O enfermeiro desempenha papel central na assistência à saúde da mulher dentro da Atenção Primária, especialmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que representam a porta de entrada SUS. Sua atuação está pautada nos princípios da universalidade, integralidade e equidade, assegurando que as mulheres tenham acesso a cuidados que contemplem tanto aspectos preventivos quanto curativos (Silva, Martins e Strada, 2024).

Na UBS, o enfermeiro exerce múltiplas funções que incluem a realização de consultas de enfermagem, acompanhamento de gestantes, puérperas, crianças e adolescentes, bem como a oferta de orientações sobre planejamento reprodutivo, prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e incentivo ao aleitamento materno. Também é de sua responsabilidade a coleta de exames preventivos, como o citopatológico de colo do útero (Papanicolau), e o encaminhamento para rastreamento de câncer de mama, ações que impactam diretamente na redução de morbimortalidade feminina (Reis, 2025).

Além do atendimento individual, o enfermeiro atua no desenvolvimento de atividades coletivas e educativas, como grupos de gestantes, rodas de conversa e campanhas de conscientização, promovendo a autonomia das mulheres no cuidado com sua saúde. Nesses espaços, o profissional tem papel de facilitador do diálogo e mediador de saberes, fortalecendo o vínculo entre equipe de saúde e comunidade (Ribeiro, 2021).

Outro aspecto importante é o papel do enfermeiro como coordenador do cuidado e articulador da rede de atenção, assegurando que as mulheres tenham acompanhamento contínuo e resolutivo em todas as fases do ciclo vital. Esse papel exige não apenas competência técnica, mas também habilidades relacionais, como acolhimento, escuta qualificada e construção de vínculo (Silva e Andrade, 2023).

Dessa forma, o enfermeiro da APS não se limita à execução de procedimentos técnicos, mas assume função estratégica na promoção da saúde, prevenção de agravos e

garantia de direitos, sendo peça fundamental para a consolidação da atenção integral à saúde da mulher e para a efetivação dos princípios do SUS (Santos e Nunes, 2021).

3 METODOLOGIA

Esta pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica com base metodológica de natureza descritiva, para fundamentar a análise das teorias e práticas vigentes sobre o tema. O estudo baseia-se na exploração de obras já publicadas, permitindo uma síntese do conhecimento atualizado sobre a assistência a saúde da mulher.

Foi realizado uma busca nas seguintes bases de dados, como Scielo, Lilacs e Google Acadêmico. Para seleção das obras foram utilizados os seguintes descritores controlados (DeCS/MeSH), enfermagem, cuidado integral, saúde da mulher e atenção primária. A partir dessas plataformas, é possível obter uma ampla gama de conhecimentos e informações relevantes para a pesquisa.

Foram incluídos na pesquisa, todos os materiais encontrados relevantes a proposta temática, tais como: artigos, revistas, livros, que são fundamentais para construção do estudo, assim como obras entre os anos de 2021 a 2025.Nesse sentido, é fundamental ter cuidado na escolha das obras ao serem fundamentais para embasar e fortalecer o estudo.

Foram excluídos artigos de revisão anteriores ao período de dez anos como pede as normas da ABNT, artigos com temáticas opositoras foram excluídos como por exemplo: Fisioterapia em geriatria, idosos na enfermagem, Atuação do enfermeiro em acidentes, dentre outras temáticas de artigos que não estavam de acordo com a temática.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os estudos de Silva et al., (2023), demonstram que a enfermagem possui papel essencial na promoção do cuidado integral à saúde da mulher na Atenção Primária à Saúde (APS). O enfermeiro atua como um profissional de referência, responsável por ações que vão desde a prevenção e diagnóstico precoce até o acompanhamento contínuo de mulheres em todas as fases da vida. Essa atuação possibilita o fortalecimento do vínculo entre profissional e usuária, contribuindo para a criação de um ambiente de confiança e acolhimento que favorece a adesão ao cuidado.

Verifica-se que o trabalho da enfermagem tem proporcionado melhorias significativas nos indicadores de saúde feminina, como a redução da mortalidade materna, o aumento da adesão ao pré-natal e a ampliação da cobertura de exames preventivos, como o Papanicolau e a mamografia. O acompanhamento sistemático realizado pelo enfermeiro possibilita a identificação precoce de riscos e o encaminhamento adequado aos demais níveis de atenção, garantindo continuidade e integralidade no cuidado (Santos e Nunes, 2023).

Além dos aspectos clínicos, a enfermagem tem se destacado na educação em saúde, realizando palestras, grupos de gestantes e rodas de conversa sobre planejamento familiar, sexualidade, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e autocuidado. Essas ações educativas têm contribuído para o empoderamento feminino, pois permitem que as mulheres adquiram maior autonomia e conhecimento sobre seu corpo, seus direitos e suas escolhas reprodutivas (Francelino et al., 2025).

Segundo Fonseca et al., (2024), apontam que a atuação do enfermeiro se estende ao acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade social ou vítimas de violência doméstica, oferecendo escuta qualificada, apoio emocional e encaminhamentos adequados à rede de proteção. Essa abordagem sensível e humanizada reforça o compromisso ético da enfermagem com a defesa dos direitos humanos e da equidade de gênero.

De acordo com Oliveira et al., (2022), observa-se desafios estruturais e organizacionais que interferem na efetividade dessas ações, como a falta de recursos materiais, a sobrecarga de trabalho e a carência de capacitações continuadas. Em algumas unidades, a demanda excessiva e a escassez de profissionais limitam o tempo destinado ao atendimento individualizado, o que compromete a integralidade da assistência. Por isso, é fundamental que haja investimento em políticas públicas de valorização da enfermagem, além de estratégias que promovam condições adequadas de trabalho e qualificação permanente.

De modo geral, Santana et al., (2023), reforçam que o papel da enfer- magem na APS é fundamental para o fortalecimento do cuidado integral à saúde da mulher, promovendo práticas baseadas na humanização, na escuta ativa e na educação em saúde. A discussão evidencia que, quando o enfermeiro é valorizado e dispõe de condições adequadas para exercer sua função, há avanços significativos na qualidade da atenção, no empoderamento feminino e na promoção da saúde de forma equitativa e contínua.

5 CONCLUSÃO

Diante o exposto, nota-se que a enfermagem desempenha um papel essencial no cuidado integral à saúde da mulher na Atenção Primária à Saúde (APS), atuando de forma abrangente e humanizada em todas as etapas do ciclo vital feminino. O enfermeiro se destaca como um profissional comprometido com a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo, garantindo a integralidade e a equidade no atendimento.

As ações de enfermagem, especialmente nas consultas pré-natal, no planejamento familiar, na realização de exames preventivos e nas atividades educativas, têm contribuído de forma significativa para a melhoria dos indicadores de saúde da mulher. Além disso, o papel educativo e acolhedor do enfermeiro favorece o empoderamento feminino, fortalecendo a autonomia das mulheres em relação às suas escolhas reprodutivas e ao autocuidado.

O cuidado integral proposto pela enfermagem ultrapassa o aspecto biológico e incorpora dimensões psicológicas, sociais e culturais, reconhecendo a mulher como um ser integral. Essa abordagem amplia a qualidade da assistência e promove uma relação de confiança entre profissional e usuária, essencial para o sucesso das ações em saúde.

Contudo, ainda persistem desafios importantes, como a sobrecarga de trabalho, a falta de recursos materiais e humanos e a necessidade de capacitação contínua. Tais obstáculos evidenciam a importância de políticas públicas que valorizem a enfermagem e fortaleçam as equipes de Atenção Primária.

Portanto, é imprescindível reconhecer que o enfermeiro é agente transformador no cuidado à mulher, contribuindo não apenas para a prevenção e tratamento de doenças, mas também para a promoção da dignidade, da cidadania e da equidade de gênero. Investir na valorização e qualificação desse profissional é investir em um modelo de atenção à saúde mais humano, inclusivo e comprometido com o bem-estar integral da mulher e da comunidade.

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  1. Uniplan – Bragança – Pará – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-4680-4932

  2. Uniplan – Bragança – Pará – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-4927-2656

  3. Uniplan – Bragança – Pará – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-1733-9301

  4. Uniplan – Bragança – Pará – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-2386-758X

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