RESUMO
A polifarmácia e o uso de medicamentos potencialmente inapropriados em idosos representam um importante problema de saúde pública, especialmente devido ao aumento das doenças crônicas e ao envelhecimento populacional. O uso irracional de múltiplos medicamentos pode favorecer interações medicamentosas, reações adversas, intoxicações e maior risco de hospitalizações e mortalidade. Além disso, medicamentos prescritos de forma inadequada podem comprometer a funcionalidade, a cognição e a qualidade de vida dos idosos. O presente estudo teve como objetivo discutir os impactos da polifarmácia e dos medicamentos potencialmente inapropriados em idosos, destacando os riscos para a saúde pública. Para a elaboração deste artigo, os estudos foram pesquisados e selecionados nas bases de dados SciELO, PubMed, Google Scholar e repositórios institucionais. Utilizaram-se como descritores: Polifarmácia em idosos; Medicamentos potencialmente inapropriados; Uso racional de medicamentos. Os resultados demonstraram que a polifarmácia está associada ao aumento de comorbidades, interações medicamentosas e eventos adversos, contribuindo para maior vulnerabilidade clínica e redução da sobrevida. Destaca-se a necessidade de acompanhamento farmacêutico e estratégias de promoção do uso racional de medicamentos, visando maior segurança terapêutica e melhor qualidade de vida para a população idosa.
Palavras-chave: Atenção Farmacêutica. Idosos. Polifarmácia. Uso Racional de Medicamentos.
ABSTRACT
Polypharmacy and the use of potentially inappropriate medications in older adults represent an important public health issue, especially due to the increase in chronic diseases and population aging. The irrational use of multiple medications may contribute to drug interactions, adverse reactions, intoxications, and a higher risk of hospitalization and mortality. In addition, inadequately prescribed medications can impair functionality, cognition, and the quality of life of older adults. The present study aimed to discuss the impacts of polypharmacy and potentially inappropriate medications in older adults, highlighting the risks to public health. For the development of this article, studies were searched and selected through the SciELO, PubMed, Google Scholar databases, and institutional repositories. The following descriptors were used: Polypharmacy in older adults; Potentially inappropriate medications; Rational use of medicines. The results demonstrated that polypharmacy is associated with increased comorbidities, drug interactions, and adverse events, contributing to greater clinical vulnerability and reduced survival. The need for pharmaceutical followup and strategies to promote the rational use of medicines is highlighted, aiming at greater therapeutic safety and better quality of life for the older population.
Keywords: Pharmaceutical Care. Older Adults. Polypharmacy. Rational Use of Medicines.
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional constitui um dos fenômenos demográficos mais relevantes do século XXI, impulsionado pelos avanços da tecnologia em saúde, expansão da cobertura vacinal, melhoria das condições socioeconômicas e ampliação da expectativa de vida. Isso se dá, principalmente, pela melhoria no campo científico dentro da medicina e nas áreas que compõem o ramo da saúde em geral, que ao longo dos últimos dois séculos estabeleceu métodos de pesquisa construídos para tornar as doenças que sempre foram motivos de preocupação, quase algo resolvido. Desenvolveu-se métodos eficientes no combate e na prevenção de enfermidades infecciosas, que eram os problemas mais comuns e que eram a maior causa de letalidades (Andrade et al., 2024).
No entanto, esse cenário impõe novos desafios ao sistema de saúde, especialmente diante da crescente prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, que demandam terapias farmacológicas contínuas e complexas, pois se antes a preocupação eram com patógenos que se espalhavam em um curso período de tempo, atualmente as maiores causas de letalidade são por fatores de debilidades como diabetes, hipertensão e neoplasias, que são disfunções fisiológicas, que se instalam em grande maioria dos casos, em pessoas com idade mais avançadas, e são estados patológicos que ocorrem de maneira progressiva, não são problemas agudos e sim multifatoriais e que em decorrer da vida surgem, estão mais ligados ao estilo de vida e a idade dos indivíduos, visto que o organismo vai se tornando mais vulnerável quanto mais a idade vai avançando (Leite et al., 2024).
Nesse contexto, a polifarmácia definida como o uso concomitante de cinco
ou mais medicamentos tem se tornado prática recorrente entre indivíduos idosos, visto que atualmente graças ao avanço na tecnologia e na pesquisa direcionada à produção de medicamentos e novos fármacos torna possível que mais pessoas, embora debilitadas, possam ter mais acesso ao seu tratamento e amenizar os danos das disfunções fisiológicas. O que por um lado é positivo, mas ao mesmo tempo, pode gerar um novo problema, a questão dos efeitos da polifarmácia, que podem ser diversos, e o mais problemático é que em grande parte dos casos, são imprevisíveis (Pagotto et al., 2023).
Embora, em muitos casos, seja necessária para o manejo de múltiplas condições clínicas, seu uso descontrolado está associado ao aumento significativo de reações adversas, interações medicamentosas, queda da adesão ao tratamento e riscos de hospitalizações evitáveis. A fisiologia alterada pelo envelhecimento, como redução da função renal e hepática, contribui para elevar ainda mais a vulnerabilidade desse grupo (Dias et al., 2023).
O aumento da população idosa e da incidência de doenças crônicas têm contribuído para o uso crescente e, muitas vezes, inadequado de medicamentos, tornando a polifarmácia um importante fator de risco para reações adversas, interações medicamentosas e erros de medicação, comprometendo a segurança e a qualidade de vida dos idosos. Nesse cenário, o incentivo científico e acadêmico se mostra como uma redutor de impactos sociais pelo uso indiscriminado de medicamentos e falta de informação sobre interações medicamentos e efeitos adversos advindos da polifarmácia, então a farmacovigilância destaca-se como uma ferramenta essencial para a identificação e prevenção de eventos adversos e para a promoção do uso racional de medicamentos, embora a subnotificação ainda represente um desafio significativo nos serviços de saúde, limitando a efetividade das ações voltadas à segurança do paciente (Dias et al., 2023).
Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo geral analisar a importância da atuação do farmacêutico na promoção do uso racional de medicamentos por meio da farmacovigilância em pacientes idosos submetidos à polifarmácia. Para isso, busca-se identificar os principais riscos e consequências da polifarmácia na população idosa, descrever as ações de farmacovigilância aplicáveis à detecção e prevenção de reações adversas em idosos e avaliar a contribuição do farmacêutico na promoção do uso racional de medicamentos nesse grupo populacional. Dessa forma, pretende-se evidenciar a relevância da assistência farmacêutica e das estratégias de monitoramento terapêutico para a segurança e a efetividade do tratamento medicamentoso em idosos.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, de natureza qualitativa e descritiva, com o objetivo de analisar a relação entre polifarmácia, farmacovigilância e a atuação do farmacêutico na promoção do uso racional de medicamentos em pacientes idosos. A revisão integrativa possibilitou reunir, analisar e sintetizar resultados de pesquisas já publicadas, contribuindo para uma compreensão ampla acerca da temática investigada.
A coleta de dados foi realizada por meio de buscas nas bases científicas PubMed, SciELO e Google Acadêmico, utilizando os descritores: “polifarmácia”, “farmacovigilância”, “uso irracional de medicamentos” e “atenção farmacêutica”, empregados de forma isolada e combinada com operadores booleanos, visando ampliar a identificação de estudos relevantes que foram publicados em um intervalo de 10 anos, sendo entre 2016 e 2026.
Como critérios de inclusão, foram selecionados artigos científicos, monografias, dissertações e teses publicados em língua portuguesa e inglesa, disponíveis na íntegra, relacionados ao tema da polifarmácia em idosos, farmacovigilância e atuação farmacêutica, publicados entre os anos de 2016 e 2026. Também foram incluídos estudos que apresentavam relevância científica e contribuição direta para a discussão do uso racional de medicamentos na população idosa.
Os critérios de exclusão compreenderam trabalhos duplicados, estudos incompletos, publicações que não abordavam diretamente a temática proposta, artigos sem acesso ao texto completo e materiais com dados desatualizados ou sem fundamentação científica adequada. Após a aplicação dos critérios estabelecidos, os estudos selecionados foram analisados e organizados de forma crítica, permitindo a construção da fundamentação teórica e discussão dos resultados apresentados neste trabalho.
Fonte: Autor, 2026
2.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO
O levantamento possibilitou a identificação de 4550 artigos utilizando palavras-chaves combinadas e isoladas. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram excluídos 4500 artigos. Desses, apenas 50 foram incluídos para leitura de título e resumo. Após essa etapa, os estudos selecionados passaram pela leitura completa, restando, ao final, 17 artigos incluídos para avaliação. Com o objetivo de promover melhor assimilação e demonstrar os resultados abordados neste estudo, foi elaborado um quadro (Quadro 1), a partir da análise dos artigos selecionados, a fim de sintetizar o material estudado.
Quadro 1- Artigos selecionados.
AUTOR/ANO |
TÍTULO |
TIPO DE ESTUDO |
RESULTADOS |
|---|---|---|---|
Romano-Lieber et al. (2019) | Sobrevida de idosos e exposição à polifarmácia no município de São Paulo: Estudo SABE. |
Estudo de base populacional.. | Os resultados demonstraram maior ocorrência de polifarmácia em idosos acima de 75 anos e em pacientes com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Observou-se também maior frequência de polifarmácia entre idosos que evoluíram para óbito. A sobrevida em cinco anos foi de 77,2% nos indivíduos com polifarmácia, enquanto aqueles que utilizavam até quatro medicamentos apresentaram sobrevida de 85,5%, evidenciando diferença significativa entre os grupos (p < 0,001). |
Castilho et al. (2020) |
Polifarmácia e Utilização de Medicação Potencialmente Inapropriada no Idoso com Idade Igual ou Superior a 75 Anos: O Caso de uma Unidade de Saúde Família |
Estudo observacional. | As análises identificaram polifarmácia em 62,3% dos pacientes, com média de 5,5 medicamentos por indivíduo. Além disso, 40,7% apresentaram pelo menos um medicamento potencialmente inapropriado, destacando-se os benzodiazepínicos e os inibidores da bomba de prótons. |
|---|---|---|---|
Constantino et al. (2020) | Polypharmacy, inappropriate medication use and associated factors among Brazilian older adults. | Estudo Transversal | A polifarmácia esteve presente em 23,9% dos pacientes, enquanto os medicamentos potencialmente inapropriados foram identificados em 24,8%. Houve associação significativa com IMC elevado, diabetes, doença coronariana e maior número de comorbidades. |
Farias et al. (2021). |
Prescrição de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: um estudo na Atenção Primária à Saúde. |
Estudo Transversal | A prescrição de medicamentos potencialmente inapropriados ocorreu em 44,8% dos idosos avaliados, predominando fármacos de ação no sistema nervoso central. O uso de MPIs esteve associado principalmente à depressão e à polifarmácia, enquanto sexo, cor e hipertensão não apresentaram associação significativa. |
Moreira et al. (2020). | Uso de medicamentos potencialmente inapropriados em idosos institucionalizados: | Estudo Transversal | O estudo identificou prevalência de 54,6% de medicamentos potencialmente inapropriados, associados |
prevalência e fatores associados. | principalmente à polifarmácia e à demência. Entre os mais prescritos, destacaram-se antipsicóticos e benzodiazepínicos. | ||
|---|---|---|---|
Rezende et al. (2021). |
Prevalência e fatores associados à polifarmácia em idosos residentes em Rio Branco, Acre, Brasil: estudo transversal de base populacional, 2014. |
Estudo transversal. | A prevalência de polifarmácia foi de 14,9%, associada principalmente ao sexo feminino, dependência funcional, alterações alimentares e presença de comorbidades, como hipertensão, diabetes, osteoporose e doenças cardíacas. |
Oliveira et al. (2021). |
Prevalência e fatores associados à polifarmácia em idosos atendidos na Atenção Primária à Saúde em Belo Horizonte-MG, Brasil. |
Estudo observacional. | A média de medicamentos por idoso foi de 5,2, com prevalência de polifarmácia de 57,7%. A condição esteve associada à idade de até 70 anos e à presença de múltiplas doenças, destacando-se o uso de sinvastatina, hidroclorotiazida e losartana. |
Tiguman et al (2022). |
Prevalência e fatores associados à polifarmácia e potenciais interações medicamentosas em adultos na cidade de Manaus: estudo transversal de base populacional, 2019. |
Estudo Transversal. | A polifarmácia apresentou prevalência de 2,8%, sendo frequentes as interações medicamentosas, muitas de alta gravidade. A condição esteve associada à idade avançada, doenças crônicas, hospitalizações prévias e multimorbidades, com destaque para o uso de |
losartana, dipirona e sinvastatina. | |||
|---|---|---|---|
Pinto et al. (2022). |
O uso de fármacos anticolinérgicos e fatores associados em adultos de meia-idade e idosos.
|
Estudo transversal. |
A média de idade foi de 55 anos, com uso de medicamentos anticolinérgicos em 31% dos participantes e elevada carga anticolinérgica em 20,7%. A condição esteve associada à polifarmácia e às internações hospitalares, destacando-se medicamentos de ação central, cardiovasculares e respiratórios, como fluoxetina, orfenadrina e amitriptilina. |
Coelho et al. (2023). |
Uso de medicamentos potencialmente inapropriados em pessoas idosas na Atenção Primária à Saúde: estudo transversal. |
Estudo observacional. | A média de idade foi de 70 anos, com predominância de idosos entre 60 e 75 anos. A prevalência de medicamentos potencialmente inapropriados variou entre 27,6% e 32,9%, associando-se principalmente à diabetes, depressão, polifarmácia e insatisfação com a saúde. Os Critérios de Beers e o CBMPI apresentaram alta concordância na avaliação dos casos. |
Flores et al. (2023) |
Sobrevida de pessoas idosas hospitalizadas com uso prévio de medicamentos |
Estudo prospectivo | O estudo, realizado com pacientes acima de 65 anos, identificou prevalência de 49,7% de medicamentos potencialmente inapropriados e mortalidade de 26,7% em 30 |
potencialmente inapropriados. | dias. O uso de benzodiazepínicos, digoxina e diuréticos de alça esteve associado ao maior risco de morte. O estudo apontou que algumas plantas utilizadas possuem interações associadas a anticoagulantes que pode causar sangramentos, ou que tem potencial hepatotóxico no organismo. | ||
Lucca et al. (2023). |
Edentulism and number of medications are associated with nutritional status in older adults: a population-based cross-sectional study. |
Estudo transversal. | Os resultados mostraram prevalência de risco nutricional de 14,5%, com polifarmácia presente em 73% dos idosos afetados. O risco esteve associado ao edentulismo e ao uso diário de múltiplos medicamentos. |
Sangaleti et al. (2023).. |
Polifarmácia, medicamentos potencialmente inapropriados e fatores associados entre idosos com hipertensão na atenção básica. |
Estudo Transversal. | Os pacientes, com média de idade entre 60 e 79 anos, apresentaram prevalência de 38,1% de polifarmácia e 28,6% de medicamentos potencialmente inapropriados. As condições estiveram associadas principalmente à hipertensão, diabetes, alterações do sono, pior funcionalidade familiar e ausência de cuidado. |
Fonte: Autor, 2026.
O envelhecimento fisiológico promove alterações importantes no organismo, influenciando diretamente a absorção, distribuição, metabolização e eliminação dos medicamentos. O organismo passa por esse processo de forma natural, no entanto, as complicações são variáveis, e tem a ver com hábitos e pré-disposições genéticas muitas vezes, que grande parte das doenças atuais carregam, como o diabetes e a hipertensão (Moreira et al., 2020)
Essas mudanças tornam os idosos mais vulneráveis aos efeitos adversos e às intoxicações medicamentosas, principalmente quando ocorre o uso indiscriminado ou inadequado de fármacos, pois ao ingerir um medicamento, o fármaco, que é o princípio ativo faz o percurso químico dentro do organismo até encontrar o seu sítio para que ocorra a ligação química que ocasiona na resposta biológica, mas esse mecanismo pode sofrer alterações dependendo de alguns fatores, como uso de outro fármacos, que podem atuar no mesmo receptor, cancelando um ao outro em quesito de resposta farmacológica ou até mesmo debilitando um órgão ou o organismo de forma sistêmica caso o paciente esteja passando por alguma disfunção fisiológica ou em estado patológico (Romano-Lieber et al., 2019).
A expectativa de vida aumentou bastante nas últimas décadas, especialmente no século XX, onde houve grandes crises que fizeram a ciência ser alvo de investimentos pesados no campo da biologia, física, química e medicina, o que se reflete no desenvolvimento tecnológico principalmente na indústria farmacêutica, que com seu crescimento, conseguiu se consolidar uma das maiores indústrias existentes, com isso novas descobertas de fármacos e princípios ativos vêm cada vez mais se popularizando, para diversos tratamentos, diminuindo bastante a mortalidade de doenças antes vistas como sentenças de morte (Castilho et al., 2020).
Mas, no mesmo ritmo que a medicina avança, a expectativa de vida elevado traz um efeito colateral que tem raízes na própria média de idade da população humana, a questão do desgaste do próprio corpo, o que vai abrindo espaço para problemas como o câncer, que surge através de erros na mitose, que acarretam em células que inibem o mecanismo fisiológico de limitação de divisão celular, que é causado em grande parte pela probabilidade de cópias que o indivíduo tem na vida junto a condições que o indivíduo possui, como condicionantes genéticos ou ambientais como presença de substâncias cancerígenas presentes no tabaco, ou seja, uma soma de fatores Castilho et al., 2020).
Com a maior debilidade do organismo, vai surgindo a necessidade de remediar os sintomas, então a polifarmácia entra em cena, e entre os principais riscos associados à polifarmácia, destacam-se as interações medicamentosas, que podem comprometer a eficácia terapêutica ou potencializar efeitos tóxicos. A incompatibilidade farmacológica pode desencadear complicações clínicas que variam de leves a graves, pois são compostos químicos, são drogas que causam efeitos no organismo, dependendo de onde esse fármaco vai atuar, os riscos aumentam, por exemplo, medicamentos que atuam no sistema nervoso se reagirem de maneira inesperada podem oferecer mais riscos aos pacientes (Tiguman et al., 2022).
As reações adversas a medicamentos constituem uma das consequências mais frequentes da polifarmácia em idosos. Sintomas como tontura, sonolência, confusão mental, hipotensão e distúrbios gastrointestinais são frequentemente relatados na literatura científica e em muitos casos, essas reações levam ao agravamento do quadro clínico do paciente, aumentando a necessidade de atendimentos de urgência e internações hospitalares (Constantino et al., 2020).
Os casos clínicos mais comuns envolvendo interação medicamentosa e reações adversas é aumento do risco de quedas e fraturas em idosos, pois os idosos são naturalmente mais vulneráveis a esse tipo de acontecimento, visto que naturalmente o organismo sofre alterações físicas que debilitam o movimento e uma fratura pode levar a piora de quadros patológicos como osteoporose, condição que é comum em pessoas idosas (Constantino et al., 2020).
Certos medicamentos, especialmente psicotrópicos, sedativos e antihipertensivos, podem comprometer o equilíbrio e a coordenação motora, já que a população idosa apresenta maior fragilidade óssea e muscular, esses eventos podem resultar em limitações funcionais, perda da autonomia e redução da qualidade de vida e isso é um dos principais motivos pela dificuldade de adesão por parte dos pacientes, em alguns casos, já que eles sofrem sintomas provenientes dos efeitos negativos dos medicamentos, o que vale uma análise com atenção por parte do profissional farmacêutico (Moreira et al., 2020).
A ausência de acompanhamento multiprofissional adequado também contribui para o agravamento dos problemas relacionados à polifarmácia. Em muitos casos, o paciente é atendido por diferentes especialistas, recebendo prescrições múltiplas sem uma avaliação integrada da farmacoterapia, dificultando o progresso do paciente ao aderir o tratamento, por isso é importante um diálogo saudável entre os profissionais que devem proporcionar o melhor tratamento ao paciente que já sofre por seu estado patológico (Sangaleti et al., 2023).
Diante desse cenário, torna-se evidente a necessidade de estratégias voltadas ao uso racional de medicamentos na população idosa e de fato, o acompanhamento farmacoterapêutico, a revisão periódica das prescrições e a educação em saúde são medidas fundamentais para minimizar os riscos associados à polifarmácia. Além disso, a atuação integrada dos profissionais de saúde contribui para a promoção da segurança do paciente e para a melhoria da qualidade de vida dos idosos (Sangaleti et al., 2023).
Os estudos selecionados demonstraram que a farmacovigilância é um dos instrumentos mais importantes no combate ao uso irracional de medicamentos e aos efeitos negativos que a polifarmácia pode acarretar, exercendo um papel fundamental na detecção, monitoramento e prevenção de reações adversas a medicamentos em pacientes idosos submetidos à polifarmácia (Lucca et al., 2023).
A farmacovigilância é a ciência responsável pela identificação, avaliação, monitoramento e prevenção de reações adversas e outros problemas relacionados ao uso de medicamentos, tal prática envolve o acompanhamento contínuo dos efeitos que os medicamentos podem causar nos pacientes após sua comercialização e utilização pela população. É uma pratica do meio clínico bastante eficiente, que busca observar o paciente de maneira íntegra, levando em conta a farmacoterapia, seus fatores socioeconômicos e ambientais, monitorando isso, analisando os hábitos, servindo até como ponto de intervenção caso o profissional perceba problemas no ciclo da farmacoterapia, podendo acionar médicos prescritores ou outros profissionais (Farias et al., 2021).
Ao perceber problemas relacionados com algum fármaco ou interação de tal substância com alimentos ou com outras condições relacionadas ao paciente, como reações adversas e efeitos negativos, pode haver uma notificação e análise de eventos adversos, é possível desenvolver estratégias preventivas, reduzir complicações clínicas e melhorar a qualidade da assistência em saúde (Rezende et al., 2021).
Entretanto, observou-se que a subnotificação ainda representa um dos principais desafios para a efetividade da farmacovigilância nos serviços de saúde. Entre os fatores relacionados a esse problema, destacam-se a falta de capacitação profissional, o desconhecimento sobre os protocolos de notificação e a sobrecarga de trabalho das equipes de saúde (Flores et al., 2023).
Além disso, o acompanhamento farmacoterapêutico não é totalmente técnico com aplicação de instrumentos como farmacovigilância que foca mais no processo em si, como um todo, diante de qualquer evento adverso, o profissional farmacêutico tem total liberdade para educar o paciente, sobre riscos de determinados medicamentos e alertar tais pessoas sobre riscos do uso irracional de tais medicamentos (Coelho et al., 2023).
A base do processo de cuidados ao paciente por parte dos profissionais farmacêuticos é a Atenção Farmacêutica, que visa uma forma de lidar de forma direta com os pacientes, tendo o profissional como mediador e educador, promovendo uma mudança de percepção em grande parte dos casos, do paciente sobre o tratamento, isso ajuda bastante, visto que o último contato do paciente antes de administrar medicamentos, no caso de grande parte dos idosos, para tratamento de doenças crônicas é justamente na dispensação com o farmacêutico (Pinto et al., 2022).
Portanto as orientações fornecidas pelo farmacêutico sobre horários, doses, armazenamento e possíveis efeitos adversos contribuem para maior compreensão do tratamento pelos pacientes. Os resultados demonstraram ainda que idosos acompanhados por ações educativas apresentam maior segurança no uso dos medicamentos e menor ocorrência de complicações relacionadas à polifarmácia, e isso é um fator determinante para que as adesões sejam mais eficientes, pois o profissional farmacêutico não é apenas um vendedor, e sim um profissional de saúde qualificado para promover orientações clínicas sobre o uso racional de medicamentos que podem interagir e causar danos muitas vezes graves na população idosa (Oliveira et al., 2021).
O farmacêutico, ao realizar o acompanhamento farmacoterapêutico individualizado, pode ter uma percepção integral do paciente, tendo mais eficiência frente a hábitos que possam atrapalhar o tratamento, e isso abre espaço para um tratamento mais personalizado, contribuindo diretamente para a prevenção de problemas relacionados aos medicamentos e para a melhoria da efetividade terapêutica (Mascarelo et al., 2021).
3 CONCLUSÃO
A polifarmácia representa um importante desafio para a saúde pública, especialmente no contexto do envelhecimento populacional e do aumento da incidência de doenças crônicas entre idosos, pois observa-se que o uso simultâneo de múltiplos medicamentos favorece a ocorrência de interações medicamentosas, reações adversas, intoxicações e dificuldades na adesão terapêutica, comprometendo a segurança e a qualidade de vida dessa população. Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de estratégias voltadas ao monitoramento e à promoção do uso racional de medicamentos em pacientes idosos.
Nesse cenário, a farmacovigilância destaca-se como uma ferramenta essencial para a identificação, prevenção e redução de problemas relacionados ao uso de medicamentos. Pois como se viu, é um instrumento de identificação de padrões relacionados a tais efeitos nocivos da polifarmácia na população idosa, que é mais vulnerável, portanto rastrear tais padrões de efeitos populacionais ajuda no desenvolvimento de estratégias de combate e de melhoria da vida das pessoas que dependem do uso dos fármacos.
A atuação do farmacêutico mostrou-se fundamental na promoção da saúde e na garantia do uso racional de medicamentos em idosos, visto que é um profissional conhecedor dos efeitos farmacológicos e nocivos dos medicamentos e quem pode atuar de forma direta na orientação, aplicando ferramentas como atenção farmacêutica, que lida com os cuidados do paciente frente ao uso racional de medicamentos, tornando uma população mais consciente sobre o uso correto dos fármacos, um verdadeiro papel educacional e social.
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