Resumo: Introdução: A depressão pós-parto configura-se como importante problema de saúde pública, com repercussões na saúde física, emocional e social da mulher, além de impactos no vínculo materno-infantil e na dinâmica familiar. Objetivo: Analisar a depressão pós-parto no contexto da saúde da mulher no puerpério, com ênfase nos fatores de risco associados e na assistência de enfermagem voltada à prevenção, identificação precoce e cuidado. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, realizada nas bases SciELO, PubMed e Google Acadêmico, incluindo estudos publicados entre 2016 e 2026, nos idiomas português e inglês. Resultados: Os estudos evidenciaram que fatores emocionais, socioeconômicos, obstétricos e relacionais influenciam diretamente o surgimento da depressão pós-parto. Entre os principais fatores identificados destacam-se histórico prévio de transtornos mentais, ausência de apoio familiar, conflitos conjugais, dificuldades financeiras, parto traumático e dificuldades na amamentação. Observou-se que a enfermagem exerce papel estratégico por meio da escuta qualificada, acolhimento humanizado, consultas puerperais, visitas domiciliares, ações educativas e encaminhamento oportuno aos serviços especializados.
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1Acadêmicos do curso superior de Enfermagem da Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul. E-mail: fransiqueira1610@gmail.com. Artigo apresentado como requisito parcial para a conclusão do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade do Sul de Santa Catarina. 2026.
2Orientador: Prof. Msc. Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL. E-mail: everson.souza1@ulife.com.br
Conclusões: Conclui-se que a assistência de enfermagem, quando integral, contínua e humanizada, contribui significativamente para a prevenção, rastreamento precoce e redução dos impactos da depressão pós-parto, promovendo saúde mental materna e melhor qualidade de vida para mãe, criança e família.
Palavras-chave: Depressão pós-parto; Puerpério; Enfermagem; Saúde mental; Saúde da mulher.
Abstract: Introduction: Postpartum depression is an important public health problem, with repercussions on women's physical, emotional and social health, as well as impacts on mother infant bonding and family dynamics. Objective: To analyze postpartum depression in the context of women’s health during the postpartum period, emphasizing associated risk factors and nursing care focused on prevention, early identification and support. Methods: This is an integrative literature review with a qualitative and descriptive approach, carried out in the SciELO, PubMed and Google Scholar databases, including studies published between 2016 and 2026 in Portuguese and English. Results: The studies showed that emotional, socioeconomic, obstetric and relational factors directly influence the onset of postpartum depression. The main factors identified were previous history of mental disorders, lack of family support, marital conflicts, financial difficulties, traumatic childbirth and breastfeeding difficulties. Nursing was identified as having a strategic role through qualified listening, humanized care, postpartum consultations, home visits, educational actions and timely referral to specialized services. Conclusions: It is concluded that comprehensive, continuous and humanized nursing care significantly contributes to prevention, early screening and reduction of postpartum depression impacts, promoting maternal mental health and better quality of life for mother, child and family.
Keywords: Postpartum depression; Postpartum period; Nursing; Mental health; Women’s health.
1 INTRODUÇÃO
A depressão pós-parto configura-se como um importante problema de saúde pública, impactando significativamente a saúde física, emocional e social da mulher no período puerperal (Moura; Lucietti; Bortoli, 2025). O puerpério corresponde ao período que se inicia após o parto e é marcado por intensas mudanças fisiológicas, hormonais, psicológicas e sociais, exigindo atenção integral dos serviços de saúde. Nesse contexto, a saúde mental materna merece destaque, uma vez que alterações emocionais podem comprometer o bem-estar da mulher e repercutir diretamente no cuidado ao recém-nascido e na dinâmica familiar.
A depressão pós-parto caracteriza-se como um transtorno mental que pode surgir nas primeiras semanas ou meses após o nascimento do bebê, manifestando-se por sintomas como tristeza persistente, irritabilidade, ansiedade, desânimo, alterações no sono, sentimento de culpa e dificuldade de adaptação à maternidade (Leite et al. 2020). Quando não identificada e tratada precocemente, essa condição pode comprometer o vínculo materno-infantil, interferir no desenvolvimento da criança e afetar diretamente as relações familiares (Fernandes, 2025).
Apesar de sua relevância clínica e social, a depressão pós-parto ainda é frequentemente subdiagnosticada e subtratada. Muitas mulheres silenciam o sofrimento emocional por medo de julgamentos, vergonha ou por acreditarem que os sintomas fazem parte do processo natural da maternidade. Além disso, a dificuldade de reconhecimento precoce dos sinais e sintomas e a insuficiente preparação dos profissionais de saúde também contribuem para a invisibilidade dessa condição (Silva et al. 2025).
Diversos fatores estão associados ao desenvolvimento da depressão pós-parto, entre eles histórico prévio de transtornos mentais, baixa autoestima, ausência de rede de apoio, conflitos conjugais, dificuldades socioeconômicas, experiências obstétricas traumáticas e dificuldades relacionadas à amamentação (Leite et al., 2020; Moura, 2025; Eloi; Muner, 2024; Marinho et al., 2022). Tais aspectos demonstram que a saúde mental da puérpera é influenciada por múltiplas dimensões, exigindo abordagem ampliada e humanizada por parte da equipe de saúde.
Nesse cenário, a enfermagem assume papel fundamental, uma vez que está diretamente inserida no cuidado à mulher desde o pré-natal até o puerpério. Por meio das consultas de enfermagem, visitas domiciliares, ações educativas, escuta qualificada e acolhimento humanizado, o enfermeiro possui condições favoráveis para identificar precocemente alterações emocionais, orientar a mulher e sua família, além de realizar encaminhamentos oportunos quando necessário (Oliveira et al., 2025; Tomaz, 2024; Nascimento, 2026).
Diante disso, o presente estudo tem como objetivo analisar a depressão pós-parto no contexto da saúde da mulher no puerpério, com ênfase na identificação dos principais fatores de risco e na discussão do papel da assistência de enfermagem na prevenção, detecção precoce e cuidado. Busca-se, ainda, compreender os impactos dessa condição na vida materna e familiar, bem como destacar estratégias assistenciais que promovam a saúde mental da mulher nesse período.
A escolha do tema justifica-se pela crescente relevância da saúde mental materna e pela necessidade de ampliar as discussões acerca da depressão pós-parto nos serviços de saúde. Apesar de sua frequência e dos impactos gerados na vida da mulher, da criança e da família, essa condição ainda pode ser negligenciada, reforçando a importância de estudos que contribuam para a qualificação da assistência prestada.
Dessa forma, a pesquisa orienta-se pela seguinte questão norteadora: quais são os principais fatores de risco associados à depressão pós-parto e como a assistência de enfermagem pode contribuir para sua prevenção, identificação precoce e cuidado no período puerperal?
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa e caráter descritivo, que tem como objetivo analisar publicações científicas sobre a depressão pós-parto no contexto do puerpério, com ênfase nos fatores associados, nas manifestações clínicas e na atuação da enfermagem na identificação precoce e no cuidado à puérpera. A revisão integrativa foi escolhida por possibilitar a síntese do conhecimento já produzido sobre o tema, contribuindo para a prática baseada em evidências, além de permitir reunir, avaliar e organizar resultados de estudos relevantes, promovendo uma compreensão mais ampla e fundamentada acerca da temática.
Compreender a depressão pós-parto e suas repercussões no período puerperal exige da enfermagem não apenas conhecimento técnico-científico, mas também sensibilidade para reconhecer precocemente sinais de sofrimento psíquico e oferecer um cuidado integral e humanizado às mulheres.
A busca dos estudos foi realizada de forma sistematizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed e Google Acadêmico Para a seleção dos artigos, foram utilizados descritores extraídos dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), sendo eles: depressão pós-parto, puerpério, enfermagem e saúde mental. Os descritores foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, resultando nas seguintes estratégias de busca: depressão pós-parto AND enfermagem, depressão pós-parto AND puerpério, e depressão pós-parto OR saúde mental.
Foram incluídos artigos publicados no período de 2016 a 2026, disponíveis na íntegra, nos idiomas português e inglês, e que abordassem diretamente a depressão pós-parto e a atuação da enfermagem no puerpério. Foram excluídos artigos duplicados, estudos incompletos, resumos sem acesso ao texto completo, dissertações, teses e publicações que não apresentavam relação direta com o tema proposto.
A coleta de dados foi realizada por meio da leitura dos títulos, resumos e textos completos, com seleção baseada nos critérios previamente estabelecidos. Posteriormente, os artigos selecionados foram analisados de forma crítica, buscando identificar os principais achados relacionados ao tema. Para a análise dos dados, foi utilizada a técnica de categorização temática, baseada na análise de conteúdo proposta por Bardin, permitindo a organização e interpretação dos resultados de forma sistematizada.
As variáveis do estudo foram definidas de acordo com os objetivos propostos, sendo organizadas nas seguintes categorias temáticas: fatores associados à depressão pós-parto, manifestações clínicas no período puerperal e atuação da enfermagem na prevenção, identificação precoce e cuidado à puérpera.
A seleção dos estudos ocorreu em três etapas: inicialmente, foi realizada a leitura dos títulos; em seguida, procedeu-se à leitura dos resumos para verificação da adequação ao tema; e, por fim, realizou-se a leitura completa dos artigos selecionados, a fim de confirmar sua relevância para a pesquisa. Os estudos incluídos foram organizados em um quadro sinóptico, facilitando a análise e apresentação dos resultados.
Figura 1 - Fluxograma PRISMA adaptado para as etapas da revisão integrativa Identificação de estudos através da busca nas Bases de Dados
Fonte: Elaboração própria, 2026.
3 RESULTADOS
Diante da pesquisa aplicada e triagem conforme critérios de inclusão e exclusão, obteve-se 11 estudos na amostra final da revisão. Para analisar esses estudos selecionados, o quadro a seguir apresenta suas principais informações, sendo elas autores, ano, metodologia e principais resultados.
Quadro 1 - Caracterização da produção científica analisada
Fonte: elaborado pelos autores, 2026.
Os estudos analisados evidenciam que a depressão pós-parto constitui uma condição multifatorial e recorrente no período puerperal, estando relacionada a fatores emocionais, sociais, econômicos e obstétricos. De modo geral, observa-se que a ausência de apoio familiar, histórico prévio de transtornos mentais e dificuldades na adaptação à maternidade aumentam a vulnerabilidade da mulher nesse período.
4 DISCUSSÃO
A análise da produção científica selecionada evidenciou que a depressão pós-parto permanece como uma das principais alterações emocionais relacionadas ao puerpério, sendo amplamente descrita na literatura como uma condição frequente e de grande impacto para a saúde materna. Esse transtorno interfere diretamente no equilíbrio emocional da mulher e pode comprometer sua capacidade funcional, sua autoestima e a adaptação à nova rotina imposta pela maternidade. Segundo Moura (2025), os sintomas depressivos tendem a surgir nas primeiras semanas após o parto, manifestando-se por tristeza persistente, desânimo, irritabilidade, alterações no sono, choro frequente e sensação de incapacidade diante dos cuidados com o recém-nascido. Os autores ressaltam que o reconhecimento precoce desses sinais favorece intervenções oportunas, reduz complicações futuras e contribui para melhor prognóstico clínico e emocional.
De acordo com Santos et al. (2025), fatores emocionais e sociais exercem influência significativa no desenvolvimento da depressão pós-parto, especialmente quando associados ao período de intensa vulnerabilidade física e psicológica vivenciado pela puérpera. Em seus achados, mulheres submetidas a situações de instabilidade familiar, ausência de suporte afetivo, dificuldades conjugais, isolamento social e conflitos domésticos apresentaram maior predisposição ao sofrimento psíquico durante o puerpério. Os autores também destacam que o contexto social no qual a mulher está inserida interfere diretamente em sua adaptação à maternidade, podendo favorecer sentimentos de solidão, medo, insegurança e sobrecarga emocional.
Giacomini (2025), aponta em seus achados que, existe uma associação entre condições socioeconômicas desfavoráveis e maior incidência de sintomas depressivos no pós-parto. Para Giacomini (2025), fatores como baixa renda familiar, desemprego, moradia precária, dependência financeira e dificuldade de acesso a recursos básicos podem intensificar sentimentos de insegurança e incapacidade diante das novas responsabilidades maternas. Esses elementos foram identificados como fatores que dificultam o acesso aos serviços de saúde, reduzem a continuidade do acompanhamento no puerpério e limitam o suporte necessário à mulher nesse período. Além disso, as preocupações financeiras constantes podem aumentar o estresse e favorecer o adoecimento emocional.
Conforme afirma Leite et al. (2020), mulheres com histórico prévio de ansiedade, depressão ou outros transtornos mentais apresentam maior probabilidade de desenvolver depressão pós-parto quando comparadas àquelas sem antecedentes clínicos. Os autores observaram que episódios anteriores de sofrimento psíquico constituem importante indicador de risco, exigindo monitoramento contínuo durante o pré-natal e após o nascimento do bebê. Tal evidência reforça a necessidade de investigação clínica detalhada nas consultas de rotina, bem como da implementação de estratégias preventivas direcionadas às gestantes com maior vulnerabilidade emocional.
No que se refere às condições obstétricas, Eloi e Muner (2024), identificaram que intercorrências gestacionais, parto traumático, cesariana de urgência, prematuridade, complicações neonatais e internação do recém-nascido estão entre os eventos relacionados ao aumento do sofrimento emocional materno. Segundo as pesquisadoras, experiências negativas durante a gestação ou parto podem repercutir diretamente na saúde mental da mulher, intensificando sentimentos de medo, culpa, impotência e frustração diante da maternidade idealizada. Além disso, situações que envolvem riscos ao bebê tendem a gerar elevado nível de ansiedade e insegurança, contribuindo para o agravamento de sintomas depressivos no período puerperal.
Outro aspecto recorrente na literatura refere-se às dificuldades enfrentadas durante a amamentação, processo que, embora seja amplamente incentivado pelos benefícios nutricionais e afetivos, pode representar fonte significativa de estresse para muitas mulheres no puerpério. Marinho et al. (2022) relatam que dor mamária, fissuras mamilares, pega inadequada do bebê, ingurgitamento mamário, baixa produção de leite e cobranças sociais em torno do aleitamento podem contribuir para o desgaste emocional da puérpera. Em seus resultados, mulheres com dificuldades nesse processo demonstraram maior frequência de sentimentos de frustração, culpa e incompetência materna. Os autores destacam ainda que a idealização da amamentação como experiência exclusivamente positiva pode intensificar o sofrimento psicológico quando a mulher enfrenta obstáculos nesse período.
Em relação aos impactos familiares, Fernandes (2025), afirmam que a depressão pós parto pode comprometer a interação entre mãe e filho, dificultando o estabelecimento do vínculo afetivo nos primeiros meses de vida. A autora observou que mães com sintomas depressivos tendem a apresentar menor responsividade emocional, dificuldade de interação, redução do contato visual e menor disponibilidade afetiva durante os cuidados diários. Tais condições podem repercutir no desenvolvimento cognitivo, emocional e socioafetivo da criança, especialmente quando não há intervenção precoce.
Também foi possível identificar prejuízos na dinâmica conjugal e familiar decorrentes da depressão pós-parto. De acordo com Pedrotti (2016), a presença desse transtorno frequentemente ocasiona conflitos domésticos, distanciamento afetivo entre o casal, dificuldades na comunicação e sobrecarga de outros membros da família, especialmente daqueles que assumem funções de cuidado e apoio. A autora aponta que o adoecimento materno repercute de forma coletiva, interferindo na rotina familiar, no equilíbrio emocional dos envolvidos e na divisão de responsabilidades no ambiente domiciliar. Dessa forma, torna-se necessária a adoção de estratégias de cuidado voltadas não apenas à mulher, mas ao núcleo familiar como um todo.
Quanto ao papel da enfermagem, Oliveira et al. (2025) destacam que o enfermeiro ocupa posição estratégica na identificação precoce dos sintomas depressivos, devido ao contato contínuo com a gestante e a puérpera nos diferentes níveis de atenção à saúde. Em seus estudos, consultas de enfermagem humanizadas, escuta qualificada, observação clínica e criação de vínculo terapêutico mostraram-se eficazes para reconhecer alterações emocionais ainda nas fases iniciais. Os autores ainda ressaltam que o profissional de enfermagem, por acompanhar a mulher desde o pré-natal até o pós-parto, possui condições favoráveis para rastrear fatores de risco e encaminhar precocemente os casos suspeitos aos serviços especializados.
Tomaz (2024) observa que ações educativas desenvolvidas pela enfermagem contribuem significativamente para reduzir inseguranças maternas e fortalecer o autocuidado no puerpério. Entre as principais estratégias relatadas encontram-se orientações sobre mudanças emocionais esperadas no pós-parto, cuidados com o recém-nascido, manejo da amamentação, importância da rede de apoio e sinais de alerta para busca de atendimento especializado.
No tocante ao acompanhamento domiciliar, Nascimento (2026) evidenciou que visitas puerperais realizadas pela equipe de enfermagem favoreceram maior adesão ao cuidado, fortalecimento do vínculo entre profissional e usuária e identificação precoce de situações de risco psicossocial. A autora destaca que o ambiente domiciliar permite avaliação ampliada da realidade vivenciada pela mulher, contemplando aspectos familiares, emocionais, sociais e estruturais que nem sempre são percebidos nas consultas institucionais. Durante essas visitas, torna-se possível observar a rede de apoio disponível, as condições de moradia, a interação entre mãe e recém-nascido, além de sinais de sobrecarga física e emocional. Dessa forma, o acompanhamento no domicílio possibilita intervenções mais condizentes com as necessidades individuais da puérpera, favorecendo o cuidado integral e resolutivo.
Como limitações do estudo, destaca-se a escassez de artigos de revisão especificamente voltados à depressão pós-parto associada à assistência de enfermagem no período puerperal. Observou-se também predominância de estudos descritivos e produções acadêmicas, como dissertações e trabalhos de conclusão de curso, o que pode restringir a generalização dos achados. Além disso, a heterogeneidade metodológica entre os estudos incluídos dificultou a comparação mais aprofundada dos resultados. Entretanto, tais limitações não comprometem a relevância das evidências apresentadas, que contribuem para ampliar a compreensão sobre a temática.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que a depressão pós-parto representa um importante problema de saúde pública, com repercussões significativas na saúde física, emocional e social da mulher durante o puerpério. Além do sofrimento materno, essa condição pode comprometer o vínculo entre mãe e filho, interferir no desenvolvimento infantil e impactar a dinâmica familiar, evidenciando a necessidade de maior atenção dos serviços de saúde à saúde mental materna.
A análise dos estudos permitiu identificar que a depressão pós-parto possui origem multifatorial, estando relacionada a aspectos emocionais, sociais, econômicos e obstétricos. Entre os principais fatores de risco destacam-se histórico prévio de transtornos mentais, ausência de rede de apoio, conflitos conjugais, dificuldades financeiras, parto traumático e dificuldades na amamentação. Esses achados demonstram a importância de uma assistência integral e individualizada à mulher no período puerperal.
Nesse contexto, a enfermagem exerce papel fundamental na prevenção, identificação precoce e cuidado frente à depressão pós-parto. Por meio de consultas puerperais, visitas domiciliares, escuta qualificada, acolhimento humanizado e ações educativas, o enfermeiro pode reconhecer sinais iniciais de sofrimento psíquico, oferecer suporte à puérpera e realizar encaminhamento oportuno aos serviços especializados quando necessário.
Dessa forma, investir na qualificação dos profissionais de enfermagem e no
fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde da mulher contribui para a detecção precoce e redução dos impactos da depressão pós-parto. Assim, promover cuidado integral à puérpera significa favorecer uma maternidade mais segura, saudável e humanizada, beneficiando também a criança, a família e a sociedade.
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