A atuação do enfermeiro na imunização na atenção primária à saúde: uma revisão integrativa da literatura
The role of nurses in immunization in primary health care: an integrative literature review
La actuación del enfermero en la inmunización en la atención primaria de salud: una revisión integradora de la literatura
Elzenir Costa Sousa[1]
Evanice Sousa Lima[2]
Maria Antônia dos Santos Almeida[3]
Valdicléia Alves Lopes[4]
Keila Bezerra da Silva[5]
RESUMO
A imunização representa uma das principais estratégias de prevenção e controle de doenças imunopreveníveis, contribuindo diretamente para a redução da morbimortalidade e promoção da saúde pública. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde destaca-se como principal nível de organização das ações de vacinação, tendo o enfermeiro como profissional fundamental no gerenciamento dos serviços de imunização. O presente estudo teve como objetivo descrever a atuação do enfermeiro na imunização na Atenção Primária à Saúde. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, realizada por meio de levantamento nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), iincluídos artigos publicados entre os anos de 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 15 estudos compuseram a amostra final da pesquisa. Os resultados evidenciaram que o enfermeiro desempenha funções assistenciais, gerenciais e educativas essenciais para a organização das ações de imunização, destacando-se no controle da cadeia de frio, supervisão da equipe, monitoramento das coberturas vacinais e desenvolvimento de ações educativas voltadas à população. Também foram identificados desafios relacionados à sobrecarga de trabalho, limitações estruturais dos serviços, dificuldades logísticas e hesitação vacinal. Conclui-se que a atuação do enfermeiro é indispensável para o fortalecimento das ações de imunização na Atenção Primária à Saúde, contribuindo para a ampliação da cobertura vacinal e promoção da saúde coletiva.
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde. Enfermagem em Saúde Pública. Vacinação. Supervisão de enfermagem. Equipe de enfermagem.
ABSTRACT
Immunization represents one of the main strategies for the prevention and control of vaccine-preventable diseases, contributing directly to the reduction of morbidity and mortality and to the promotion of public health. In this context, Primary Health Care stands out as the main level of organization of vaccination actions, with nurses playing a fundamental role in the management of immunization services. This study aimed to describe the role of nurses in immunization in Primary Health Care. This is a bibliographic research with a qualitative approach, carried out through a survey in the Scientific Electronic Library Online (SciELO), Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS) and Virtual Health Library (VHL) databases. Articles published between 2015 and 2025, in Portuguese, English and Espanhol, were included. After applying the inclusion and exclusion criteria, 15 studies composed the final sample of the research. The results showed that nurses perform essential care, managerial and educational functions for the organization of immunization actions, especially in cold chain control, team supervision, vaccination coverage monitoring and development of educational actions aimed at the population. Challenges related to work overload, structural limitations of health services, logistical difficulties and vaccine hesitancy were also identified. It is concluded that the role of nurses is indispensable for strengthening immunization actions in Primary Health Care, contributing to increased vaccination coverage and promotion of collective health.
Keywords: Primary Health Care. Public Health Nursing. Vaccination. Nursing Supervision. Nursing Team.
RESUMEN
La inmunización representa una de las principales estrategias de prevención y control de enfermedades inmunoprevenibles, contribuyendo directamente a la reducción de la morbimortalidad y a la promoción de la salud pública. En este contexto, la Atención Primaria de Salud se destaca como el principal nivel de organización de las acciones de vacunación, teniendo al enfermero como profesional fundamental en la gestión de los servicios de inmunización. El presente estudio tuvo como objetivo describir la actuación del enfermero en la inmunización en la Atención Primaria de Salud. Se trata de una investigación bibliográfica, de enfoque cualitativo, realizada mediante búsqueda en las bases de datos Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latinoamericana y del Caribe en Ciencias de la Salud (LILACS) y Biblioteca Virtual en Salud (BVS). Fueron incluidos artículos publicados entre 2015 y 2025, en portugués, inglés e espanhol. Después de la aplicación de los criterios de inclusión y exclusión, 15 estudios compusieron la muestra final de la investigación. Los resultados evidenciaron que el enfermero desempeña funciones asistenciales, gerenciales y educativas esenciales para la organización de las acciones de inmunización, destacándose en el control de la cadena de frío, supervisión del equipo, monitoreo de las coberturas vacunales y desarrollo de acciones educativas dirigidas a la población. También se identificaron desafíos relacionados con la sobrecarga laboral, limitaciones estructurales de los servicios de salud, dificultades logísticas y vacilación vacunal. Se concluye que la actuación del enfermero es indispensable para el fortalecimiento de las acciones de inmunización en la Atención Primaria de Salud, contribuyendo a la ampliación de la cobertura vacunal y promoción de la salud colectiva.
Palabras clave: Atención Primaria de Salud. Enfermería en Salud Pública. Vacunación. Supervisión de Enfermería. Equipo de Enfermería.
1. INTRODUÇÃO
A imunização é reconhecida como uma das estratégias mais eficazes de saúde pública para a prevenção de doenças imunopreveníveis e redução da morbimortalidade em todo o mundo. No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), instituído em 1973, consolidou-se como referência internacional ao contribuir significativamente para o controle, eliminação e erradicação de diversas doenças, como a poliomielite, o sarampo e a varíola. Inserido no Sistema Único de Saúde (SUS), o PNI assegura o acesso universal e gratuito às vacinas, sendo operacionalizado principalmente por meio da Atenção Primária à Saúde (APS), com destaque para a Estratégia Saúde da Família (ESF), considerada o principal modelo de organização dos serviços básicos no país (Domingues et al., 2020; Brasil, 2023).
A imunização ocorre por meio da administração de imunobiológicos capazes de estimular o sistema imunológico a produzir resposta protetora contra agentes infecciosos. As vacinas são responsáveis pela prevenção de doenças que podem causar complicações graves, hospitalizações e óbitos, especialmente em grupos vulneráveis, como crianças, idosos e indivíduos com comorbidades. Além da proteção individual, a vacinação promove a proteção coletiva ao reduzir a circulação de patógenos na comunidade, prevenindo surtos e epidemias (Sato, 2018; Ministério da Saúde, 2024).
Entretanto, nas últimas décadas, observa-se uma redução preocupante nas coberturas vacinais no Brasil. Dados indicam que vacinas essenciais do calendário infantil, como a tríplice viral e a poliomielite, apresentaram coberturas abaixo da meta de 95% em diversos anos recentes, especialmente entre 2019 e 2022. Em 2021, por exemplo, a cobertura da vacina tríplice viral foi de aproximadamente 71%, enquanto a da poliomielite ficou em torno de 67%, evidenciando risco de reemergência de doenças previamente controladas (Domingues; Teixeira, 2021; Barbieri et al., 2017).
Esse declínio está associado a múltiplos fatores, incluindo a disseminação de informações falsas sobre vacinas, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, desigualdades sociais e a sobrecarga das equipes de saúde. Além disso, a hesitação vacinal, influenciada por aspectos culturais e pela desinformação, tem se configurado como um importante obstáculo à adesão da população às campanhas de vacinação (Sato, 2018; Arroyo et al., 2020).
Apesar dos avanços históricos do PNI, esse cenário evidencia fragilidades na organização e execução das ações de imunização na Atenção Primária à Saúde, especialmente no que se refere à garantia de acesso, continuidade do cuidado e adesão da população. Nesse contexto, destaca-se a necessidade de compreender o papel dos profissionais de saúde, em especial do enfermeiro, frente aos desafios contemporâneos da imunização (Domingues et al., 2020).
O enfermeiro, inserido na APS e atuando de forma significativa na Estratégia Saúde da Família, desempenha papel fundamental no planejamento, organização e execução das ações de imunização. Entre suas atribuições destacam-se a gestão da sala de vacina, supervisão da equipe, controle e conservação dos imunobiológicos, monitoramento das coberturas vacinais e desenvolvimento de ações educativas voltadas à população (Silva et al., 2020; Gabriel, 2023).
Além disso, esse profissional atua diretamente no enfrentamento da hesitação vacinal, promovendo educação em saúde e fortalecendo o vínculo com a comunidade. A atuação educativa do enfermeiro contribui significativamente para o aumento da adesão às campanhas de vacinação, especialmente em populações vulneráveis, favorecendo a ampliação das coberturas vacinais (Sato, 2018; Ruela et al., 2025).
Os desafios enfrentados na imunização envolvem ainda limitações estruturais dos serviços de saúde, dificuldades logísticas relacionadas ao armazenamento e transporte dos imunobiológicos, escassez de recursos humanos e desigualdades no acesso aos serviços. Tais fatores impactam diretamente a qualidade das ações de vacinação e reforçam a necessidade de qualificação profissional (Cunha et al., 2023; Costa; Martins, 2022).
Diante desse cenário, torna-se relevante analisar a atuação do enfermeiro no gerenciamento da imunização, considerando sua contribuição para a organização dos serviços e para a ampliação da cobertura vacinal. Assim, emerge a seguinte questão norteadora: como a atuação do enfermeiro na imunização na Atenção Primária à Saúde contribui para o fortalecimento das ações de vacinação?
A relevância deste estudo está relacionada à necessidade de compreender o papel do enfermeiro frente aos desafios da imunização na Atenção Primária à Saúde, contribuindo para o fortalecimento das ações de vacinação e da saúde coletiva. Diante desse contexto, este estudo tem como objetivo analisar a atuação do enfermeiro na imunização na Atenção Primária à Saúde.
2. METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza bibliográfica, de abordagem qualitativa, cujo objetivo consistiu em descrever a atuação do enfermeiro no gerenciamento da imunização na Atenção Primária à Saúde.
A busca bibliográfica foi realizada em bases de dados de reconhecida relevância na área da saúde, incluindo Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Para a seleção dos estudos, foram utilizados descritores relacionados ao tema, tais como: “Atenção Primária à Saúde”, “Enfermagem em Saúde Pública”, “Vacinação”, “Supervisão de enfermagem” e “Equipe de enfermagem”, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, de acordo com as especificidades de cada base de dados.
A etapa operacional da pesquisa ocorreu por meio dos operadores booleanos AND e OR. Inicialmente, foram identificados aproximadamente 120 estudos. Após a leitura dos títulos e resumos, foram selecionados cerca de 30 artigos que apresentavam maior relação com a temática proposta. Posteriormente, realizou-se a leitura completa dos materiais pré-selecionados, possibilitando a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos e resultando na seleção final de 15 estudos que compuseram a amostra da pesquisa.
Como critérios de inclusão, foram considerados artigos completos disponíveis eletronicamente, publicados entre os anos de 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, e que abordassem diretamente a temática proposta. Foram excluídos estudos duplicados, publicações que não apresentavam relação com o tema, além de capítulos de livros, teses, dissertações e outros materiais que não se adequavam aos objetivos do estudo.
Após a seleção, os estudos foram analisados de forma sistemática, buscando identificar as informações mais relevantes para a compreensão do tema. Esse processo permitiu organizar os achados e realizar uma análise crítica, contribuindo para uma interpretação mais consistente dos dados à luz da literatura científica.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram selecionados 15 estudos publicados entre os anos de 2015 e 2025 que abordam a atuação do enfermeiro na imunização na Atenção Primária à Saúde. Os achados foram organizados de forma sistemática, possibilitando a identificação de aspectos relacionados às práticas assistenciais, gerenciais e educativas, além dos principais desafios enfrentados no contexto da vacinação. O Quadro 1 apresenta a síntese dos estudos incluídos na pesquisa, contendo informações referentes aos autores, objetivos, metodologias, bases de dados, tipos de amostra e principais resultados encontrados, com a finalidade de facilitar a visualização e análise das evidências científicas identificadas.
QUADRO 1 – Síntese dos estudos selecionados sobre a atuação do enfermeiro na imunização na Atenção Primária à Saúde (2015-2025).
Fonte: Elaborado pelos autores, 2026.
3.1 Programa Nacional de Imunizações (PNI) na APS
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) constitui uma das principais estratégias de saúde pública no Brasil, sendo responsável pela organização e execução das ações de vacinação em todo o território nacional. No âmbito da Atenção Primária à Saúde, o programa se operacionaliza principalmente por meio das Unidades Básicas de Saúde, com destaque para a Estratégia Saúde da Família, que atua como principal porta de entrada do sistema e eixo estruturante das ações preventivas (Domingues et al., 2020).
Criado em 1973, o PNI tornou-se referência internacional devido aos resultados alcançados na prevenção, controle e erradicação de doenças imunopreveníveis, como poliomielite, sarampo e varíola. Segundo Brasil (2023), o programa possibilitou a ampliação do acesso gratuito às vacinas em todo o território nacional, contribuindo significativamente para a redução da morbimortalidade infantil e melhoria das condições de saúde da população.
Domingues et al. (2020) destacam que o PNI apresenta resultados expressivos no controle de doenças imunopreveníveis, porém, nos últimos anos, tem enfrentado desafios relacionados à queda das coberturas vacinais. Dados epidemiológicos demonstram que vacinas importantes do calendário infantil passaram a apresentar índices abaixo da meta preconizada pelo Ministério da Saúde, cenário que preocupa gestores e profissionais da saúde devido ao risco de reemergência de doenças previamente controladas.
Arroyo et al. (2020) apontam que a redução das coberturas vacinais ocorre de maneira desigual entre as regiões do país, sendo mais evidente em áreas socialmente vulneráveis. Entre os fatores associados a esse cenário destacam-se dificuldades de acesso aos serviços de saúde, desigualdades socioeconômicas, disseminação de informações falsas sobre vacinas e aumento da hesitação vacinal, fatores que impactam diretamente a adesão da população às campanhas de vacinação.
Além dos aspectos relacionados ao acesso, observa-se que a pandemia da COVID-19 também influenciou negativamente os indicadores de vacinação, ocasionando diminuição na procura pelos serviços de saúde e atraso no calendário vacinal de crianças e adolescentes. Gomes et al. (2025) evidenciam que esse contexto intensificou fragilidades já existentes no sistema de saúde e reforçou a necessidade de fortalecimento das ações de imunização na Atenção Primária à Saúde.
A efetividade do Programa Nacional de Imunizações está diretamente relacionada à organização dos serviços de saúde e à atuação qualificada dos profissionais inseridos na Atenção Primária à Saúde, especialmente do enfermeiro, que exerce papel essencial no planejamento, supervisão e execução das ações de imunização, contribuindo para a manutenção das coberturas vacinais e fortalecimento das políticas públicas de saúde (Domingues et al., 2020; Gabriel, 2023).
3.2 Atuação do enfermeiro na imunização na APS
A atuação do enfermeiro na imunização na Atenção Primária à Saúde caracteriza-se por sua abrangência e complexidade, envolvendo não apenas a administração de vacinas, mas também atividades gerenciais, assistenciais e educativas. Nesse contexto, o profissional assume papel central na organização dos serviços, sendo responsável pelo planejamento das ações, supervisão da equipe e garantia da qualidade do processo vacinal (Silva et al., 2020).
Silva et al. (2020) e Braga et al. (2023) destacam que esse profissional atua diretamente no controle da cadeia de frio, no armazenamento adequado dos imunobiológicos e na organização da sala de vacina, aspectos fundamentais para assegurar a eficácia e a segurança das vacinas. Essas atividades exigem conhecimento técnico, responsabilidade e atualização constante, considerando que falhas nesses processos podem comprometer a efetividade da imunização e colocar em risco a saúde da população.
Também exerce funções administrativas relacionadas ao gerenciamento da equipe de enfermagem, organização dos fluxos de atendimento e planejamento das campanhas de vacinação. Gabriel (2023) ressalta que a atuação gerencial contribui para a melhoria da qualidade dos serviços ofertados, favorecendo maior organização das ações e garantindo assistência mais segura e eficiente aos usuários atendidos na Atenção Primária à Saúde.
Outro aspecto relevante refere-se ao monitoramento das coberturas vacinais e à análise de indicadores epidemiológicos. Cunha et al. (2023) evidenciam que o enfermeiro possui papel estratégico na identificação de áreas com baixa adesão vacinal, permitindo o planejamento de intervenções específicas voltadas às necessidades da população. Essa atuação fortalece as ações de vigilância em saúde e contribui para o controle de doenças imunopreveníveis.
No contexto da Estratégia Saúde da Família, o profissional desenvolve atividades diretamente relacionadas ao acompanhamento das famílias e à criação de vínculo com a comunidade. Nunes (2025) destaca que essa proximidade favorece a identificação precoce de indivíduos com atraso vacinal, possibilitando a realização de busca ativa e acompanhamento contínuo da população adscrita. Dessa forma, o cuidado torna-se mais integral e resolutivo.
A atuação também se mostra essencial na orientação da população quanto à importância da vacinação e no esclarecimento de dúvidas relacionadas aos imunobiológicos. Souza et al. (2025) apontam que o uso de tecnologias em saúde, associado às ações educativas desenvolvidas pelos profissionais, contribui para ampliar o acesso à informação e fortalecer a adesão às campanhas vacinais, especialmente entre grupos mais vulneráveis.
Outro ponto evidenciado pelos estudos refere-se à necessidade de qualificação contínua dos profissionais que atuam nas salas de vacina. Braga et al. (2023) afirmam que a capacitação permanente favorece a atualização dos conhecimentos técnicos e fortalece a segurança no processo de imunização, permitindo que o enfermeiro desempenhe suas funções de maneira mais eficiente e alinhada às diretrizes do Programa Nacional de Imunizações.
3.3 Educação em saúde e adesão vacinal
A educação em saúde é reconhecida como uma das principais estratégias para promover a adesão da população às campanhas de vacinação, especialmente no contexto da Atenção Primária à Saúde. Sato (2018) destaca que a hesitação vacinal está diretamente relacionada à disseminação de informações falsas, à insegurança da população e à desconfiança em relação aos imunobiológicos.
Além da transmissão de informações, a educação em saúde envolve a construção de vínculo entre os profissionais da saúde e a comunidade. Ruela et al. (2025) evidenciam que a proximidade do enfermeiro com os usuários favorece o diálogo, a escuta qualificada e a identificação de fatores socioculturais que interferem na adesão vacinal, permitindo o desenvolvimento de estratégias educativas mais adequadas à realidade local.
Vasconcelos et al. (2024) ressaltam que ações educativas contínuas e realizadas de forma acessível contribuem significativamente para o aumento das coberturas vacinais, principalmente em populações socialmente vulneráveis. Atividades como palestras, orientações individuais, visitas domiciliares e campanhas informativas fortalecem o conhecimento da população e estimulam maior participação nas campanhas de vacinação.
Outro aspecto relevante refere-se ao papel do enfermeiro no combate à desinformação disseminada, principalmente pelas redes sociais e meios digitais. Souza et al. (2025) apontam que o uso de tecnologias em saúde e ferramentas de comunicação digital pode auxiliar os profissionais na divulgação de informações seguras e baseadas em evidências científicas, favorecendo o enfrentamento das fake news relacionadas às vacinas.
No âmbito da Estratégia Saúde da Família, a atuação educativa do enfermeiro assume ainda maior relevância devido à proximidade com o território e ao acompanhamento contínuo das famílias. Nunes (2025) destaca que essa relação favorece a criação de vínculos de confiança, permitindo maior adesão às orientações fornecidas pelos profissionais de saúde e fortalecendo as ações preventivas desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde.
Além disso, Domingues et al. (2020) ressaltam que a educação em saúde contribui não apenas para o aumento da cobertura vacinal, mas também para a consolidação das políticas públicas de imunização. A população bem informada tende a participar mais ativamente das campanhas de vacinação, reduzindo os riscos de reemergência de doenças previamente controladas pelo Programa Nacional de Imunizações.
3.4 Desafios na imunização na APS
Apesar dos avanços proporcionados pelas políticas públicas de imunização, ainda existem desafios significativos que comprometem a efetividade das ações desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde. Entre os principais obstáculos identificados na literatura destacam-se a sobrecarga de trabalho das equipes, a escassez de profissionais, as limitações estruturais das unidades de saúde e as dificuldades relacionadas à organização dos serviços de imunização (Costa; Martins, 2022).
Costa e Martins (2022) apontam que a elevada demanda de atendimentos na Atenção Primária à Saúde interfere diretamente na qualidade das ações executadas pelos profissionais, especialmente no acompanhamento contínuo da população e na organização das campanhas vacinais. A sobrecarga de trabalho pode comprometer o planejamento das ações, dificultando a realização de atividades educativas, busca ativa e monitoramento das coberturas vacinais.
Além da questão relacionada aos recursos humanos, as limitações estruturais também representam importante desafio para a efetivação das ações de imunização. Cunha et al. (2023) destacam que muitas unidades de saúde apresentam dificuldades relacionadas à disponibilidade de equipamentos adequados, insumos e condições físicas apropriadas para o funcionamento da sala de vacina, comprometendo a qualidade da assistência prestada.
Outro aspecto refere-se às dificuldades logísticas relacionadas à manutenção da cadeia de frio e ao armazenamento adequado dos imunobiológicos. Silva et al. (2020) e Brun et al. (2025) evidenciam que falhas nesses processos podem comprometer a eficácia das vacinas e colocar em risco a segurança dos usuários. Nesse sentido, torna-se indispensável a atuação qualificada do enfermeiro no monitoramento contínuo da temperatura, conservação e transporte dos imunobiológicos.
A redução das coberturas vacinais também tem sido apontada como um dos principais desafios enfrentados pelos serviços de saúde nos últimos anos. Arroyo et al. (2020) ressaltam que a queda da adesão vacinal está associada a fatores sociais, econômicos e culturais, além de dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Esse cenário contribui para o aumento da vulnerabilidade da população e para o risco de reemergência de doenças imunopreveníveis previamente controladas.
A hesitação vacinal, intensificada pela disseminação de informações falsas e pela desconfiança da população em relação às vacinas. Sato (2018) destaca que a circulação de fake news interfere negativamente na percepção da segurança e eficácia dos imunobiológicos, dificultando a adesão às campanhas de vacinação e exigindo maior atuação educativa dos profissionais de saúde.
No contexto da Atenção Primária à Saúde, o enfermeiro enfrenta ainda desafios relacionados à necessidade constante de atualização profissional e capacitação técnica. Braga et al. (2023) apontam que a complexidade das ações de imunização exige preparo contínuo dos profissionais, principalmente diante das constantes mudanças nos calendários vacinais, protocolos assistenciais e estratégias de vacinação.
Além disso, Gomes et al. (2025) evidenciam que as desigualdades sociais e regionais presentes no país influenciam diretamente o acesso da população aos serviços de imunização. Regiões com maior vulnerabilidade social tendem a apresentar menores coberturas vacinais, demonstrando a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à ampliação do acesso e redução das desigualdades em saúde.
Diante desse cenário, observa-se que o enfrentamento dos desafios relacionados à imunização na Atenção Primária à Saúde exige estratégias integradas que envolvam qualificação profissional, melhoria da infraestrutura dos serviços, fortalecimento das ações educativas e ampliação do acesso da população às vacinas. A atuação do enfermeiro torna-se fundamental nesse processo, contribuindo para a organização das ações, promoção da saúde e fortalecimento das políticas públicas de imunização (Domingues et al., 2020).
4 CONCLUSÃO
A partir da análise dos estudos, foi possível compreender que a atuação do enfermeiro na imunização na Atenção Primária à Saúde é fundamental para o fortalecimento das ações de vacinação. Esse profissional exerce papel central na organização dos serviços, garantindo a qualidade, a segurança e a efetividade do processo de imunização, além de contribuir diretamente para a ampliação das coberturas vacinais.
Observa-se que a atuação do enfermeiro vai além da execução técnica, envolvendo também o gerenciamento das atividades, o monitoramento dos indicadores de saúde e o desenvolvimento de ações educativas voltadas à população. Essa atuação integrada favorece a melhoria dos serviços e contribui para a prevenção de doenças imunopreveníveis, promovendo impactos positivos na saúde coletiva.
Entretanto, ainda existem desafios que interferem na efetividade das ações de imunização, como a sobrecarga de trabalho das equipes, limitações estruturais dos serviços e dificuldades relacionadas ao acesso da população. Além disso, a hesitação vacinal se apresenta como um obstáculo importante, exigindo estratégias contínuas de educação em saúde e fortalecimento do vínculo com a comunidade.
Dessa forma, conclui-se que o enfermeiro desempenha papel essencial no fortalecimento das ações de imunização na Atenção Primária à Saúde, sendo necessário investir na qualificação profissional, na melhoria das condições de trabalho e na ampliação do acesso aos serviços. Tais medidas são fundamentais para garantir maior adesão às campanhas de vacinação e contribuir para a proteção da saúde da população
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Discentes do curso de enfermagem da Universidade Paulista – UNIP (Polo Marabá – PA) ↑
Discentes do curso de enfermagem da Universidade Paulista – UNIP (Polo Marabá – PA) ↑
Discentes do curso de enfermagem da Universidade Paulista – UNIP (Polo Marabá – PA) ↑
Discentes do curso de enfermagem da Universidade Paulista – UNIP (Polo Marabá – PA) ↑
Especialista em Enfermagem do Trabalho e Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Paulista – UNIP (Polo Marabá – PA) ↑

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