O futebol como ferramenta de desenvolvimento cognitivo e motor de crianças com tea: estudo de revisão
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

A exclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em práticas esportivas limita seu desenvolvimento global e demanda evidências que fundamentam estratégias inclusivas. Objetivo: Analisar as contribuições da prática estruturada do futebol no desenvolvimento motor, cognitivo e social dessa população. Metodologia:consistiu em uma revisão integrativa da literatura (2020–2025) nas bases SciELO e Google Acadêmico, selecionando sete artigos analisados por meio da técnica de análise de conteúdo temática. Resultados: identificou-se que o futebol adaptado promove avanços significativos na coordenação motora, funções executivas, habilidades de comunicação e socialização, além de reduzir comportamentos estereotipados. Conclusão: Conclui-se que o futebol, sob mediação profissional qualificada e planejamento individualizado, constitui uma ferramenta pedagógica e terapêutica eficaz para a inclusão e a autonomia de crianças com TEA, embora seja necessária a expansão de estudos longitudinais.

Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista. Crianças. Futebol. Desenvolvimento Motor. Desenvolvimento Cognitivo. Desenvolvimento Social.

ABSTRACT

The exclusion of children with Autism Spectrum Disorder (ASD) from sports practices limits their overall development and demands evidence to support inclusive strategies. Objective: To analyze the contributions of structured soccer practice to the motor, cognitive, and social development of this population. Methodology: This consisted of an integrative literature review (2020–2025) in the SciELO and Google Scholar databases, selecting seven articles analyzed using thematic content analysis. Results: Adapted soccer was found to promote significant advances in motor coordination, executive functions, communication and socialization skills, as well as reducing stereotyped behaviors. Conclusion: Soccer, under qualified professional guidance and individualized planning, constitutes an effective pedagogical and therapeutic tool for the inclusion and autonomy of children with ASD, although the expansion of longitudinal studies is necessary..

Keywords: Autism Spectrum Disorder. Children. Soccer. Motor Development. Cognitive Development. Social Development..

INTRODUÇÃO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), se manifesta como uma condição neurológica que afeta o desenvolvimento, especialmente nas áreas de comunicação social e comportamento. Segundo o CDC (2023), a incidência global chega a uma criança a cada 36, um número que também se reflete no Brasil, onde estima-se que mais de dois milhões de pessoas estejam no espectro. Estudos recentes têm mostrado que a atividade física regular pode fazer diferença significativa nesse contexto. Pesquisas como as de Sampanis et al. (2020) e Tan et al. (2021) indicam que exercícios estruturados melhoram não só a condição física, mas também reduzem comportamentos repetitivos e estimulam a interação social. No entanto, quando se fala em esportes coletivos, o futebol, por exemplo, o cenário ainda é incerto. A dinâmica do jogo oferece estímulos motores e cognitivos que poderiam ser benéficos, mas faltam estudos consistentes que definam como aplicar essa prática de forma eficaz. A maioria das pesquisas atuais não estabelece protocolos claros nem avalia os efeitos em diferentes aspectos do desenvolvimento infantil no TEA. Isso deixa uma lacuna importante: sem bases sólidas, o potencial terapêutico e inclusivo do esporte acaba sendo subaproveitado.

Muitas vezes, esses desafios acabam reforçando barreiras emocionais e sociais no dia a dia. Por isso, incluir esses indivíduos em rotinas de exercícios físicos, especialmente atividades como o futebol, pode ser um caminho promissor. A prática regular não só estimula habilidades motoras e cognitivas, mas também ajuda na autonomia em tarefas cotidianas. No entanto, ainda há um vazio considerável na pesquisa sobre o tema. A maioria dos estudos foca em modalidades individuais ou em intervenções genéricas, sem explorar o potencial específico do futebol. Faltam evidências organizadas que mostrem como essa prática, estruturada de forma adequada, pode contribuir para o desenvolvimento integral de crianças com TEA. Essa lacuna deixa profissionais da área sem um suporte teórico e prático consistente para trabalhar.

Cada criança com TEA apresenta características próprias e pode manifestar combinações específicas de alterações sensoriais, denominadas fenótipos sensoriais (SCHEERER et al., 2021). Por isso, compreender as necessidades individuais de cada criança é fundamental para planejar intervenções adequadas. Nesse contexto, intervenções sensoriais baseadas em evidências têm sido desenvolvidas para auxiliar no manejo dessas alterações, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e a funcionalidade diária, destacando-se a terapia ocupacional pelos resultados positivos observados (Schoen et al., 2019).

As crianças com TEA precisam de incentivos direcionados segundo as especificidades e o nível de desenvolvimento de cada um. O profissional de Educação Física é peça fundamental e desempenha papel importante no desenvolvimento de pessoas com TEA, assumindo a tarefa de introduzir a criança na cultura corporal de movimento e o transformando por meio de jogos, esportes, atividades rítmicas, dança, ginásticas e práticas de aptidão física, em prol de uma melhoria na qualidade de vida. (Barbosa; Gallina; Nunes, 2022).

No contexto escolar e esportivo, esse entendimento do esquema corporal é fundamental para um crescimento mais amplo. No entanto, conforme Bracht (2000), o esporte precisa ir além da lógica do alto rendimento, ou seja, o esporte não deve priorizar somente competição e performance, mas sim, oferecer experiências que valorizem a cooperação e o rendimento possível de cada aluno. Essa perspectiva é essencial para que a prática esportiva seja verdadeiramente inclusiva. Nessa perspectiva, a prática esportiva vem demonstrando ao longo dos anos seus efeitos benéficos inerentes às capacidades motoras e físicas, como também, às suas contribuições com o desenvolvimento das capacidades cognitivas (Cardeal et al., 2013).

Na perspectiva Neuropsicológica e no estudo do Desenvolvimento Humano, as habilidades cognitivas formam um conjunto complexo de processos mentais. Elas envolvem desde a absorção até a transformação de informações, fundamentais para que o indivíduo se ajuste ao ambiente (Sternberg, 2020). Essas habilidades se organizam em áreas que se influenciam mutuamente: atenção, seja ela mantida, alternada ou focada,memória imediata, de longo prazo e de trabalho, percepção visual e espacial, linguagem e funções executivas. Durante a infância, esses aspectos aparecem de maneira entrelaçada nas brincadeiras e tarefas do dia a dia. É assim que a criança aprende a organizar ações, controlar impulsos, ignorar distrações e resolver desafios na hora (Diamond, 2013). Em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), porém, esse funcionamento muitas vezes mostra desequilíbrios marcantes, sobretudo na capacidade de se adaptar e frear respostas automáticas. Entender como essas habilidades se distribuem e interagem, portanto, é essencial. Só assim dá para avaliar de que forma estímulos do ambiente e atividades motoras estruturadas, como as situações imprevisíveis do futebol, podem estimular mudanças no cérebro e aprimorar essas funções. Entre as modalidades esportivas, o futebol destaca-se por seu caráter lúdico e coletivo, sendo facilmente associado ao conceito de jogo e à dinâmica do brincar, tendo em vista que a prática do futebol, para crianças, representa uma oportunidade significativa de aprendizado e crescimento pessoal (López Díaz, Rodríguez e López Bastías, 2021).

Como destaca Edler Carvalho (1998, p. 170), o trabalho do bacharel em educação fisíca deve ser pensado no bem estar e na qualidade de vida das crianças . Para isso, o aspecto afetivo não pode ser deixado de lado no planejamento das aulas. Winnick (2004, p. 87) reforça que, para alcançar objetivos nessa área, os alunos precisam se sentir bem consigo mesmos, e os professores têm um papel central nisso. As dificuldades típicas do TEA, especialmente na comunicação e na interação social, fazem com que atividades coletivas, se impostas sem cuidado, acabam gerando mais ansiedade do que benefício (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2023).

Mas quando o professor de Educação Física ajusta o jogo, colocando em primeiro lugar o acolhimento, rotinas previsíveis e feedbacks positivos, ele constrói um espaço onde a criança se sente segura o suficiente para arriscar. Isso não só reduz o isolamento, como aponta o documento de diretrizes nacionais (BRASIL, 2024), mas também deixa a criança mais aberta para lidar com as exigências do jogo: tomar decisões rápidas, dividir a atenção, coordenar pés e olhos e manter o equilíbrio. O futebol, então, deixa de ser apenas um treino físico. Passa a funcionar como um ambiente onde o afeto e a sensação de conseguir fazem diferença, não só no corpo, mas na capacidade de planejar, controlar impulsos e, no fim, viver melhor.

Partindo dessa perspectiva, López et al. (2017) consideram que o futebol pode ser utilizado como uma terapia não farmacológica promissora, pois integra aspectos de tratamentos sensório-motores com abordagens focadas no desenvolvimento social. Os autores destacam também que a prática do futebol exige o aprendizado e a assimilação de regras, um ponto de dificuldade para muitas crianças com TEA, mas que, ao ser superado, proporciona um senso de realização e melhora a adaptação em contextos sociais regulados.

Por ser um esporte popular e socialmente relevante, o futebol se torna um espaço interessante para políticas de inclusão e para abordagens pedagógicas que unam diferentes áreas do conhecimento, sempre com base em evidências científicas, (Freire, 2026). A prática do futebol promove o desenvolvimento de capacidades físicas como equilíbrio, coordenação fina, velocidade de reação e força, além do que, influencia significativamente as habilidades motoras fundamentais constituindo-se em alternativa e/ou espaço interessante para políticas de inclusão e abordagens pedagógicas que unam diferentes áreas do conhecimento e que estejam acessíveis por meio de programas esportivos (Araújo et al, 2012).

Para preencher essas lacunas identificadas, este estudo foi proposto. O objetivo principal é analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os benefícios que a prática do futebol pode trazer para o desenvolvimento motor e cognitivo de crianças com TEA. A partir disso, surge a pergunta que orienta a pesquisa: Como o futebol estruturado influencia essas crianças e de que maneira essas evidências podem embasar práticas pedagógicas mais inclusivas, tanto no esporte quanto na educação?

MÉTODOS

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, ou seja, constitui-se em um método que proporciona a síntese de conhecimento e a incorporação da aplicabilidade de resultados de estudos significativos na prática. A revisão integrativa é a mais ampla abordagem metodológica referente às revisões, permitindo a inclusão de estudos experimentais e não-experimentais para uma compreensão completa do fenômeno analisado. Combina também dados da literatura teórica e empírica, além de incorporar um vasto leque de propósitos: definição de conceitos, revisão de teorias e evidências, e análise de problemas metodológicos de um tópico particular, (Sousa, 2010).

A delimitação do problema e a consequente formulação da pergunta norteadora desta revisão — "Como o futebol estruturado influencia essas crianças e de que maneira essas evidências podem embasar práticas pedagógicas mais inclusivas, tanto no esporte quanto na educação?" — foram estruturadas metodologicamente a partir do acrônimo PICO (População, Intervenção, Comparação e Outcome/Resultado), uma estratégia amplamente recomendada por guias internacionais, como o protocolo PRISMA, para garantir o rigor e a reprodutibilidade em revisões sistemáticas e integrativas (PAGE et al., 2021). No desenho do presente estudo, definiu-se a População (P) como crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA); a Intervenção (I) consistiu na prática do futebol estruturado ou adaptado; a Comparação (C) configurou-se opcional, abarcando a ausência de intervenção ou outras práticas motoras convencionais; e o Resultado (O) centrou-se nos desfechos cognitivos, motores e na geração de subsídios para práticas pedagógicas inclusivas. Esse refinamento conceitual permitiu transpor uma inquietação empírica para um problema de pesquisa cientificamente testável, direcionando a construção dos blocos de busca de descritores controlados nas bases de dados selecionadas.

Como estratégia de busca utilizou-se a combinação dos seguintes descritores: “Transtorno do Espectro Autista”, “criança”, “futebol”, “atividade motora”, “desenvolvimento cognitivo”, “inclusão social”, “aprendizagem motora”, em associação com os organizadores booleanos “AND”, “OR”, tanto no idioma português como também no inglês.

A elaboração da presente revisão seguiu seis etapas: (1) elaboração da pergunta norteadora; (2) busca ou amostragem na literatura; (3) coleta de dados; (4) análise crítica dos estudos incluídos; (5) discussão dos resultados; e (6) apresentação da revisão integrativa. Essas etapas baseiam-se nos referenciais metodológicos de Souza, Silva e Carvalho (2010).

A coleta dos dados foi realizada através de buscas em bases de dados eletrônicas relevantes para o tema, tais como: SciELO (Scientific Electronic Library Online) e Google Acadêmico, no período de 2020 a 2025.

O processo de escolha e seleção dos artigos para compor a síntese qualitativa realiza-se com base em critérios rigorosos de inclusão e exclusão, garantindo a relevância e a qualidade das informações analisadas. Os critérios de inclusão consideraram Artigos publicados sem restrições de anos de publicação em português, que tenham como amostra crianças com Transtornos do espectro autista que praticam futebol; Artigos publicados nos idiomas português e inglês; Estudos que abordam as temáticas propostas para esta pesquisa; Estudos do tipo revisão, revisão sistemática, artigos originais, disponibilizados na íntegra; Artigos publicados no recorde temporal de 2020 a 2025.

Por outro lado, os critérios de exclusão serão aplicados a artigos duplicados, disponibilizados na forma de resumo, relatos de caso, que não abordavam diretamente a proposta estudada e que não atendiam aos demais critérios de inclusão; Artigos que não se adequaram à temática estudada; Artigos que não abordam crianças até 12 anos com TEA praticantes de Futebol; Artigos publicados fora do recorte temporal de 2020 a 2025.

A análise dos dados foi realizada por meio de leitura crítica dos textos completos, com ênfase nos objetivos, metodologia, resultados e conclusões de cada estudo. As informações extraídas serão organizadas em um quadro sinóptico, permitindo a categorização dos achados de acordo com temas recorrentes e evidências científicas relacionadas aos impactos da prática do futebol em crianças com deficiência, especificamente as que apresentam autismo.

O processo de análise seguirá os princípios metodológicos da Análise de Conteúdos, o qual será realizado conforme as seguintes etapas: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados e interpretação, recorrendo-se, em especial à técnica de análise de conteúdo temática por frequência (Bardin, 2016).

RESULTADOS

A busca pelas produções identificou 07 artigos potencialmente relevantes nas bases de periódicos investigadas. De acordo com os critérios de inclusão, após a leitura dos títulos não houve a ocorrência de 10 artigos publicados, 07 artigos foram selecionados para a leitura dos resumos. Em seguida, após a avaliação dos resumos, 10 artigos foram lidos na íntegra, dos quais somente 07 artigos foram selecionados para a síntese final.

O Quadro 1 apresenta de forma resumida as principais informações e resultados observados dos estudos sobre apresenta uma síntese dos artigos incluídos na revisão integrativa, destacando os principais resultados relacionados ao futebol como ferramenta de desenvolvimento cognitivo e motor de crianças com TEA.

Quadro 1 – Síntese dos Artigos incluídos na Revisão Integrativa. PI, 2026

Fonte: O autor, 2026.

DISCUSSÃO

A análise dos estudos revisados mostra que o futebol exerce influência positiva no desenvolvimento motor, cognitivo, social e emocional de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).Segundo, González e Sousa (2008)o futebol é visto como um programa esportivo para crianças com TEA, que contribui significativamente para o desenvolvimento das mesmas, criando estímulos de defesa e interação com o meio em que vive. Ainda sobre o jogo de futebol , os autores esclarecem sobre a necessidade de se adaptar ao contexto, o que inclui a compreensão das regras, o trabalho em equipe, as estratégias contra os adversários, além da capacidade de lidar com estresse e contato físico.

Para Cardeal et al. (2013) o futebol apresenta seus efeitos benéficos inerentes às capacidades motoras e físicas, como também, às suas contribuições com o desenvolvimento das capacidades cognitivas, favorecendo também para a prática lúdica nas atividades das crianças. Vale ressaltar ,que as capacidades cognitivas, atribuem para essas crianças ,uma capacidade no futebol, de concretizar os processos mentais, o que lhes permitem pensar, perceber, decidir e resolver problemas dentro do jogo de futebol.

Isso para as crianças que possuem autismo é uma das maiores dificuldades. Para as mesmas ,realizar algumas atividades ,ainda é algo extremamente complicado por causa das limitações existentes.Para Frisselli e Mantovani(1999) o bacharel em educação física tem esse papel, de ajudar a sanar algumas dessas limitações existentes nessas crianças autistas, principalmente quando falamos do futebol como ferramenta de desenvolvimento, é muito mais amplo do que simplesmente “ensinar um esporte”. Ele atua como mediador, facilitador e agente de inclusão.

Na perspectiva de Vetri e Roccella (2020) a prática do futebol envolve aspectos fundamentais do desenvolvimento humano que podem servir de referência para pensar a iniciação esportiva para crianças com TEA. Os autores mencionam que o ato de jogar futebol envolve múltiplas áreas cerebrais responsáveis envolvendo o planejamento e execução coordenada de movimentos. Essa interação destaca o futebol como uma atividade integrada, que combina funções motoras e cognitivas de forma harmoniosa.

Sobre a evolução dos gestos motores no jogo de futebol, os autores ressaltam que os movimentos ocorridos não são apenas mecânicos, mas requerem coordenação, para se transformarem em gestos expressivos. Inicialmente esses gestos são elementares, mas podem evoluir com a prática, tornando-se mais precisos e econômicos, incorporando estratégias, criatividade e beleza nos níveis mais avançados. Vetri e Roccella (2020) explicam que num jogo de futebol cada gesto é planejado e modulado de forma estratégica, considerando desde a execução técnica, como chutar a bola com força e direção adequadas. Ainda sobre o jogo de futebol os autores esclarecem sobre a necessidade de se adaptar ao contexto, o que inclui a compreensão das regras, o trabalho em equipe, as estratégias contra os adversários, além da capacidade de lidar com estresse e contato físico.

Em atividades envolvendo o futebol,voltadas para atuação com crianças com TEA, é indispensável considerar e relacionar o contexto físico aos aspectos sensório-motor, linguagem e comunicação, funcionamento cognitivo e interações sociais. É importante estimular a participação nas atividades, planejando os detalhes, visando proporcionar um ambiente que seja capaz de reduzir a ansiedade e inseguranças neles (Barbosa; Gallina; Nunes, 2022).Esses autores retratam positivamente essas atividades com o futebol, sugerindo que sejam planejadas ,proporcionando um ambiente acolhedor capaz de sanar as dificuldades existentes nas crianças com o espectro autismo.

Nesse sentido, Scheerer et al. (2021) ressalta que o reconhecimento das necessidades individuais de cada criança é fundamental para a elaboração de intervenções adequadas, inclusive no contexto da prática do futebol. A partir dessa perspectiva, intervenções sensoriais baseadas em evidências vêm sendo desenvolvidas para auxiliar no manejo das alterações sensoriais em crianças com TEA, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e a funcionalidade nas atividades físicas do cotidiano. Entre essas abordagens, destaca-se a terapia ocupacional, que tem apresentado resultados positivos (Schoen et al., 2019) e pode favorecer a inserção dessas crianças em jogos coletivos, como o futebol.

Os materiais consultados evidenciam que crianças autistas enfrentam dificuldades para participar de atividades físicas e esportivas, o que reduz sua interação social e limita oportunidades de desenvolvimento. No entanto, quando inseridas em práticas estruturadas, como o futebol adaptado, observam-se avanços significativos.Observa-se ao longo da leitura desse trabalho, que todos os autores pesquisados analisam a contribuição do futebol para crianças autistas ,sendo de relevância essa abordagem do assunto.

Além disso, a literatura revisada indica que a prática regular de atividades físicas contribui para a melhora do condicionamento físico, a redução de comportamentos estereotipados, o aumento da concentração, o favorecimento da linguagem e a ampliação da autonomia em crianças com TEA.

Essa discussão reforça também o papel essencial do profissional de Educação Física, que deve adaptar atividades às necessidades individuais, considerando limitações sensoriais, motoras e comunicativas. A literatura destaca que não existe uma abordagem única para todas as crianças com TEA, sendo necessário planejamento cuidadoso, rotinas previsíveis e estratégias inclusivas.

Nessa perspectiva, o futebol destaca-se como uma modalidade especialmente promissora para crianças com TEA, por estimular habilidades sociais, cooperação, noção espacial, coordenação motora e tomada de decisão. Além disso, quando desenvolvido em um ambiente acolhedor e não competitivo, favorece a interação com os pares e o fortalecimento de vínculos afetivos. Nesse sentido, Vetri e Roccella (2020) afirmam que a prática do futebol mobiliza aspectos fundamentais do desenvolvimento humano, constituindo uma referência relevante para pensar a iniciação esportiva de crianças com TEA.

A Educação Física Adaptada também é destacada como ferramenta fundamental para integrar corpo, cognição e emoção, contribuindo para o desenvolvimento global da criança. Os estudos revisados mostram que programas estruturados de futebol podem melhorar habilidades sociais, reduzir comportamentos desafiadores e ampliar a participação em atividades coletivas.

Enfatiza-se aqui, que o futebol quando mediado por profissionais capacitados, pode promover autonomia, autoestima e inclusão social, sendo uma estratégia eficaz para o desenvolvimento integral de crianças com TEA. Contudo, ressalta-se a necessidade de mais pesquisas aprofundadas e de longo prazo para fortalecer as evidências existentes.

É interessante ressaltar, que o futebol moderno demanda uma estrutura maior e mais recursos físicos adaptados às crianças com TEA. López et al (2017) destacam que indivíduos com TEA frequentemente apresentam desafios significativos em habilidades sociais, comunicação e coordenação motora, o que pode levar à exclusão social e menor participação em atividades físicas. É viável mostrar que essas crianças apresentam dificuldades sim, e que meninos e meninas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)nem sempre são estimulados à prática do futebol,ou para realizar exercícios físicos e outras modalidades de esportes. Essa situação acarreta baixa participação em atividades físicas e esportivas com receios e muitas dificuldades na interação com as pessoas.

Essas atividades contribuem para a melhora do condicionamento físico, das interações sociais, da concentração e do repertório comunicativo de crianças com TEA, além de favorecerem a redução de padrões estereotipados. Nessa direção, Vetri e Roccella (2020) apontam benefícios potenciais dos programas de futebol adaptado sobre o comportamento, a competência social, o desenvolvimento global e as habilidades físicas e motoras. Assim, a prática regular de exercícios físicos mostra-se capaz de estimular o cérebro, promover autonomia, ampliar a noção de tempo e espaço, fortalecer a autoestima e aperfeiçoar a execução de comandos simples, com impactos positivos também na expressão corporal e na comunicação.

Embora algumas crianças com TEA apresentem deficiência intelectual, isso não elimina seu potencial de aprendizagem e desenvolvimento. Com estímulos adequados, muitas podem ampliar suas habilidades e superar parte das limitações impostas pelo transtorno. Nesse processo, cabe aos profissionais orientar as famílias sobre esse potencial e selecionar atividades e intervenções compatíveis com as necessidades de cada criança, respeitando seus interesses, sua forma de comunicação, seus limites e seu ritmo de desenvolvimento, a fim de favorecer maior autonomia e melhor desempenho nas atividades da vida diária.

Araújo et al. (2012) corroboram que a prática do futebol exige o desenvolvimento de aptidões físicas, como equilíbrio, coordenação, tempo de reação e força. Nesse sentido, a modalidade influencia significativamente as habilidades motoras fundamentais, configurando-se como uma alternativa relevante para políticas de inclusão e para abordagens pedagógicas interdisciplinares acessíveis por meio de programas esportivos.

O conhecimento acerca dos pressupostos da Educação Física Adaptada é necessária para subsidiar o planejamento, condução e avaliação das práticas pedagógicas do futebol, pois é uma ciência que transforma e adapta as atividades padrão da Educação Física para às aptidões das crianças com TEA, unindo técnicas que trabalham corpo e a aprendizagem através dos movimentos e relacionando as funções cognitivas, emocionais e motoras. É considerável a participação da educação física adaptada no desenvolvimento de crianças com TEA. (Sousa; Cardoso; Rocha, 2023).Para Ricco (2017) a atividade física feita por o indivíduo tem um resultado positivo na coordenação motora, proporciona mudanças no metabolismo.

Cabe salientar que o profissional de Educação Física além de estimular o interesse em realizar as atividades interligadas ao futebol, contribuindo com o desempenho educacional, também necessita exercitar as habilidades destas crianças, iniciando a prática individual e em seguida trabalhando em coletivo, respeitando a subjetividade e os limites dos alunos, possibilitando alguns benefícios relacionados aos comportamentos de estereotipia, autolesão e agressão (Gonçalves, 2020). Uma instrução adequada para alunos com diferentes níveis de diagnóstico, requer diferentes condutas de ensino, atendendo os alunos com base em suas particularidades.

Sendo assim, pode-se levar em consideração como uma estratégia utilizar atividades recreativas visando estabelecer relação com o ambiente, com as pessoas e com os objetos/materiais (Franzoni; Marinho, 2020). A temática se justifica no intuito de mostrar a importância do futebol para crianças com TEA, fazendo com que possam ter uma melhor qualidade de vida, ajudando na sua vida social, individual e motora, podendo proporcionar uma possível autonomia no futuro.Essa pesquisa também pode ajudar em novos trabalhos, quanto à contribuição da prática de atividade física, especificamente através do futebol, para o desenvolvimento de crianças com TEA.Sobretudo, que alguns problemas que apresentam no nível motor dificultam a participação em atividades físicas em grupo, causando também uma diminuição da socialização no próprio contexto esportivo (Kruger, et al., 2019).

A finalidade desse tipo de esporte nas escolas deve ser a promoção e o incentivo à atividade física e esportiva do grupo de pessoas com TEA, além de preparar todas as crianças para que possam praticar qualquer tipo de esporte. Às vezes, a falta de informação sobre a deficiência pode causar uma rejeição por parte dos responsáveis pelo direcionamento da prática esportiva, às pessoas com deficiência, buscando a intenção equivocada de protegê-los (González e Sousa, 2008).

Crianças com TEA tendem a progredir quando lhes são oferecidas oportunidades de praticar habilidades sociais, interagir com pares, seguir regras e instruções, e organizar atividades dentro de uma estrutura ajustada às suas necessidades. Embora os resultados não possam ser extrapolados sem cautela, este estudo bibliográfico, acrescenta evidência de que o futebol é um recurso promissor para a promoção de competências socioemocionais em crianças com TEA , desde que as intervenções sejam intencionalmente estruturadas, mediadas por profissionais capacitados e avaliadas por múltiplas fontes de evidência.Essa pesquisa esclarece,contudo,que maneira a prática do futebol favorece o progresso dessas crianças, destacando-se como uma ferramenta eficaz para estimular capacidades cognitivas e motoras.

CONCLUSÃO

A iniciação esportiva, especialmente por meio do futebol, tem se mostrado uma ferramenta promissora para o desenvolvimento integral de crianças com TEA. Os estudos analisados indicam que, quando adaptada às necessidades individuais, essa prática estimula funções neuropsicológicas importantes, como autorregulação, concentração, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. Além disso, favorece o desempenho psicomotor, com melhorias em coordenação, equilíbrio e execução de movimentos, ao mesmo tempo em que fortalece competências sociais, como respeito, solidariedade, comunicação e convivência em grupo.

Os achados também mostram que o futebol pode contribuir para a redução do estresse, a melhora do comportamento, o aumento da autoestima e a ampliação da inclusão social. Nesse sentido, é fundamental estimular crianças com TEA à prática de exercícios físicos, especialmente do futebol, pois essa vivência favorece a aquisição de habilidades motoras, cognitivas e sociais. Para que esses benefícios se consolidem, é indispensável que as atividades respeitem as fases do desenvolvimento, as particularidades de cada criança e a necessidade de diversificação progressiva dos movimentos.

Outro aspecto relevante é o papel da inclusão nas práticas esportivas e educacionais. A participação em atividades físicas, sobretudo no futebol, pode favorecer a redução de comportamentos agressivos e ampliar a interação social, a disposição para participar das atividades e a comunicação verbal. Observou-se, ainda, que crianças com maior tempo de inserção em contextos inclusivos tendem a apresentar melhor envolvimento nas práticas corporais e nas relações interpessoais, o que reforça a importância de ambientes escolares acolhedores e comprometidos com a inclusão.

Diante disso, torna-se necessário ampliar as pesquisas sobre o tema, a fim de produzir conhecimento mais consistente sobre os efeitos do futebol no desenvolvimento de crianças com TEA. Investigações futuras poderão fortalecer as evidências disponíveis e oferecer subsídios mais sólidos para a atuação de profissionais da Educação Física, da escola e de outras áreas envolvidas no cuidado e na inclusão dessas crianças.

Em síntese, a participação em atividades relacionadas ao futebol pode contribuir de forma significativa para o bem-estar físico, emocional e social de crianças com TEA. Por isso, é importante ampliar a divulgação de estudos nessa área, especialmente em contextos educacionais, nos quais a inclusão deve ser assegurada como direito. Nesse cenário, destaca-se a relevância da Lei Federal nº 12.764, que reconhece a pessoa com transtorno do espectro autista como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, garantindo-lhe os mesmos direitos e reforçando a necessidade de práticas pedagógicas e esportivas verdadeiramente inclusivas.

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  1. Mestre em Educação pela Universidade Federal do Piauí – UFPI, Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade Federal do Piauí – UFPI, Docente do Centro Universitário Santo Agostinho – UNIFSA, E mail: robpi202@gmail.com

  2. Acadêmico do Bacharelado em Educação Física pelo Centro Universitário Santo Agostinho - UNIFSA, E mail: Isaacvenancio2009@hotmail.com

  3. Acadêmico do Bacharelado em Educação Física pelo Centro Universitário Santo Agostinho - UNIFSA, Email: juliosantosoficial390@gmail.com

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