RESUMO
Esta pesquisa aborda as transformações na parentalidade contemporânea, enfocando a relação entre pais e filhos sob uma perspectiva comportamental e consciente. O objetivo geral é analisar como a criação influencia a qualidade da relação parental e o desenvolvimento emocional infantil, fundamentando-se na obra de Philippa Perry e na Análise do Comportamento. A metodologia adotada foi a revisão bibliográfica no método PRISMA, com estudo teórico de autores que discutem princípios comportamentais, parentalidade consciente e suas implicações práticas. As considerações finais destacam que práticas parentais pautadas em reforço positivo, escuta ativa, validação emocional e autorreflexão favorecem vínculos afetivos mais seguros e um ambiente familiar saudável. A pesquisa reforça que a parentalidade é um processo dinâmico, impactado por contingências anteriores, e que intervenções conscientes podem promover mudanças significativas na relação entre pais e filhos, contribuindo para o desenvolvimento integral das crianças.
Palavras-chave: Relações Familiares. Desenvolvimento Emocional. Práticas Parentais. Análise Comportamental. Parentalidade Consciente.
ABSTRACT
This research addresses the transformations in contemporary parenting, focusing on the parent-child relationship from a behavioral and conscious perspective. The main objective is to analyze how upbringing influences the quality of the parental relationship and the emotional development of children, based on the work of Philippa Perry and Behavior Analysis. The methodology adopted was a bibliographic review using the PRISMA method, with a theoretical study of authors discussing behavioral principles, conscious parenting, and their practical implications. The final considerations highlight that parenting practices based on positive reinforcement, active listening, emotional validation, and self-reflection promote stronger emotional bonds and a healthy family environment. The study reinforces that parenting is a dynamic process, influenced by previous contingencies, and that conscious interventions can foster significant changes in the parent-child relationship, contributing to children’s holistic development.
Keywords: Family Relations. Emotional Development. Parenting Practices. Behavior Analysis. Conscious Parenting.
INTRODUÇÃO
Segundo Bernardi (2017), as novas concepções de paternidade e cuidado têm desafiado os modelos tradicionais, promovendo uma maior participação afetiva e responsiva dos pais no desenvolvimento emocional dos filhos. Essas mudanças evidenciam a importância de compreender a parentalidade não apenas como um conjunto de práticas, mas como um processo que envolve interação, aprendizado e adaptação constantes.
No campo da análise do comportamento, Baer, Wolf e Risley (2023) destacam que os princípios comportamentais oferecem um arcabouço teórico sólido para compreender e intervir nas relações parentais, valorizando a observação sistemática, a análise funcional do comportamento e a aplicação de estratégias que reforcem comportamentos desejados. A análise do comportamento aplicada à parentalidade permite, assim, promover um ambiente familiar mais saudável, onde a escuta ativa, a validação emocional e a autorreflexão são incentivadas como ferramentas essenciais para o fortalecimento dos vínculos afetivos, levantando a seguinte problemática: Como a criação, entendida por meio de uma abordagem comportamental e na perspectiva da parentalidade consciente de Philippa Perry, influencia a qualidade da relação parental e o desenvolvimento emocional das crianças?
Philippa Perry, em sua obra “O livro que você gostaria que seus pais tivessem lido”, enfatiza a parentalidade consciente como um caminho para a construção de relações mais empáticas e respeitosas entre pais e filhos. Perry (2020) argumenta que a compreensão das próprias emoções e a capacidade de refletir sobre as experiências passadas são fundamentais para que os cuidadores possam oferecer suporte emocional afetivo, promovendo o desenvolvimento saudável das crianças e o bem-estar emocional de toda a família.
Tendo isso em vista, essa pesquisa tem como objetivo geral analisar a influência da criação na relação parental a partir de uma abordagem comportamental, baseada na obra de Philippa Perry. Para tanto, propõem-se os seguintes objetivos específicos: compreender o conceito de parentalidade e suas transformações históricas; explorar os fundamentos da teoria da análise do comportamento aplicados à parentalidade; e investigar a relação do comportamento com a criação e relação parental.
MATERIAIS E MÉTODOS
A presente pesquisa consiste em uma revisão integrativa da literatura, estruturada com base nas diretrizes do método PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), com o objetivo de garantir transparência e rigor na seleção dos estudos, sendo que a busca foi realizada entre maio e junho de 2025, nas bases SciELO e Google Acadêmico, utilizando os seguintes descritores: “parentalidade”, “saúde emocional infantil” e “análise do comportamento”. Foram aplicados filtros como idioma (português) e período de publicação (últimos dez anos), priorizando estudos com acesso gratuito ao texto completo.
Foram incluídos artigos científicos que tratavam de forma direta das relações entre parentalidade e aspectos emocionais da infância ou da análise do comportamento aplicada no contexto familiar, sendo que excluíram-se resumos sem acesso ao texto completo, trabalhos duplicados, publicações fora do período estipulado, materiais que não apresentavam relação direta com o tema central, bem como teses, monografias, capítulos de livros e outras produções que não fossem artigos científicos publicados em periódicos revisados por pares.
Inicialmente, foram identificados 5.060 estudos, sendo 2 oriundos da base SciELO e 5.058 do Google Acadêmico, após a exclusão de duplicatas e leituras preliminares por título, 42 artigos foram selecionados para leitura do resumo. Destes, 17 preencheram todos os critérios estabelecidos e foram incluídos na presente revisão. O processo de seleção seguiu as etapas recomendadas pelo modelo PRISMA, representadas no fluxograma elaborado com base nos resultados da busca.
Fluxograma – Método PRISMA
Fonte: Elaborado pela autora (2025)
DESENVOLVIMENTO
O CONCEITO DE PARENTALIDADE E SUAS TRANSFORMAÇÕES HISTÓRICAS
Inicialmente, a parentalidade era vista de maneira restrita, centrada principalmente na figura materna, associada ao cuidado físico e afetivo da criança. Contudo, com o avanço das pesquisas e das discussões sociais, percebeu-se a necessidade de ampliar essa visão para englobar múltiplas dimensões do cuidado parental, envolvendo aspectos emocionais, educacionais e sociais. Essas transformações indicam um movimento em direção a uma parentalidade mais participativa e igualitária, que reconhece a importância tanto da mãe quanto do pai no desenvolvimento infantil (BERNARDI, 2017).
Historicamente, a parentalidade foi marcada por papéis rigidamente definidos, em que a mãe assumia o papel principal de cuidadora e o pai, o papel
de provedor econômico, no entanto, esse modelo tradicional sofreu questionamentos a partir do século XX, com o avanço dos direitos das mulheres e as transformações nas estruturas familiares. A parentalidade contemporânea busca valorizar a coparentalidade, onde os cuidados e as responsabilidades são compartilhados, reconhecendo as múltiplas configurações familiares existentes na sociedade atual. Essa evolução reflete também a maior valorização do vínculo afetivo e do desenvolvimento emocional dos filhos, indo além das funções biológicas e econômicas (TRALHÃO et al., 2020).
Além disso, o entendimento da parentalidade hoje incorpora aspectos relacionados à saúde mental e ao bem-estar da criança, Oliveira (2023) destaca que ambientes familiares que promovem segurança, afeto e estímulos adequados criam as bases essenciais para que as crianças desenvolvam suas capacidades emocionais, cognitivas e sociais de forma equilibrada. Esse ambiente protetor atua como um escudo contra vulnerabilidades psicológicas, contribuindo para que a criança construa uma autoimagem positiva e relações interpessoais saudáveis ao longo da vida.
Além disso, Oliveira (2023) enfatiza que a parentalidade saudável desempenha um papel preventivo importante, reduzindo a incidência de transtornos emocionais e comportamentais na infância. O cuidado consistente, o suporte emocional e a disponibilidade afetiva dos pais são elementos que promovem a resiliência infantil, permitindo que a criança enfrente adversidades com maior segurança e estabilidade. A presença de vínculos afetivos estáveis facilita a regulação emocional e o desenvolvimento da empatia, competências essenciais para o funcionamento social e psicológico adequado.
Outro aspecto relevante destacado por Oliveira (2023) é a influência direta do contexto social e institucional sobre a qualidade da parentalidade. Para que os pais possam exercer suas funções com eficácia, é imprescindível que haja suporte comunitário, serviços de saúde e políticas públicas que ofereçam orientação, acolhimento e recursos para as famílias. Esse suporte externo amplifica a capacidade parental, promovendo condições que favorecem o desenvolvimento integral das crianças e minimizam os riscos associados a ambientes familiares adversos, como negligência ou abuso.
Também é necessário observar que na compreensão contemporânea da parentalidade são as contribuições da psicanálise, que destacam o papel do
narcisismo e das emoções dos pais na formação do vínculo com os filhos. A partir dessa perspectiva, a parentalidade envolve a capacidade dos pais de reconhecer e lidar com suas próprias questões emocionais para proporcionar um ambiente emocionalmente saudável e propício ao desenvolvimento da criança. Assim, a parentalidade é entendida como um processo complexo que requer autoconhecimento e desenvolvimento emocional dos cuidadores para garantir relações mais equilibradas e afetivas (MAIA; OKAMOTO, 2023).
A TEORIA DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO
A Análise do Comportamento é uma abordagem científica que estuda o comportamento humano e animal a partir dos princípios da aprendizagem e da interação com o ambiente, sendo que fundamentada na experimentação rigorosa, ela busca compreender como os comportamentos são adquiridos, mantidos ou modificados, por meio de relações funcionais entre estímulos e respostas, podendo também ser encontrada na psicologia como behaviorismo (Oliveira, 2022, p. 9). Segundo Baer, Wolf e Risley (2023), essa disciplina se caracteriza pela aplicação prática de seus princípios para promover mudanças comportamentais significativas e duradouras, especialmente em contextos clínicos, educacionais e organizacionais.
O funcionamento da Análise do Comportamento baseia-se no entendimento de que o comportamento é uma resposta operante, influenciada por consequências ambientais que aumentam ou diminuem a probabilidade de sua ocorrência futura. Del Prette e Del Prette (2018) destacam que o reforço, tanto positivo quanto negativo, é o principal mecanismo que fortalece os comportamentos, enquanto punições ou a ausência de reforço tendem a reduzir sua frequência. Dessa forma, a análise se volta para a identificação desses eventos antecedentes e consequentes que regulam o comportamento.
Ressalta-se que essa teoria impacta diretamente a vida das pessoas ao oferecer estratégias para modificar hábitos, desenvolver habilidades e reduzir comportamentos inadequados. Moreira e Medeiros (2018) explicam que a intervenção baseada nos princípios comportamentais pode ser aplicada em diferentes áreas, como a educação, saúde mental e reabilitação, favorecendo a
adaptação social e emocional dos indivíduos. Essa abordagem possibilita um método sistemático para analisar problemas comportamentais e implementar soluções efetivas.
Além disso, ela contribui para a compreensão das relações sociais e emocionais, evidenciando como o ambiente influencia a saúde emocional das pessoas. França, Santos e Moço (2023) apontam que o modo como pais interagem com seus filhos, utilizando reforços adequados, pode impactar significativamente o bem-estar emocional infantil. A teoria enfatiza que mudanças ambientais e comportamentais adequadas promovem vínculos afetivos mais saudáveis e a regulação emocional eficaz.
A teoria do comportamento operante, conforme explicada por Moreira e Medeiros (2019), baseia-se na análise das consequências que seguem um comportamento e como essas consequências influenciam a probabilidade de o comportamento ocorrer novamente. O ponto central é avaliar se a consequência aumenta ou diminui a frequência do comportamento. Esse modelo parte do princípio de que os comportamentos são moldados e mantidos pelas contingências ambientais, ou seja, pelos estímulos que são acrescentados ou retirados do ambiente em resposta à ação do indivíduo.
Conforme evidenciado na imagem 1 abaixo, quando a consequência de um comportamento resulta em seu aumento, deve-se analisar se houve a adição ou a remoção de algum estímulo. Se um estímulo positivo foi acrescentado após o comportamento, essa consequência é chamada de reforçamento positivo, pois incentiva a repetição do comportamento. Por outro lado, se um estímulo aversivo foi retirado a consequência é um reforçamento negativo, que também aumenta a frequência do comportamento, sendo que ambos os processos são fundamentais para o aprendizado adaptativo (Moreira e Medeiros, 2019).
Figura 1 – Estímulo consequente sobre um comportamento
Fonte: Moreira e Medeiros (2019, p. 151)
Além disso, a presença ou ausência do estímulo aversivo no momento da emissão do comportamento diferencia os comportamentos de fuga e esquiva. No comportamento de fuga, o indivíduo realiza uma ação para interromper um estímulo aversivo já presente no ambiente, enquanto na esquiva, o comportamento é emitido para prevenir que o estímulo apareça. Essa distinção é crucial para compreender como as pessoas aprendem a evitar ou cessar situações desagradáveis, moldando suas respostas para buscar maior conforto ou segurança no ambiente. Moreira e Medeiros (2019) enfatizam que, embora eficazes, as punições devem ser usadas com cautela, para evitar efeitos adversos.
Mediante a isso, pode-se compreender que esse modelo teórico evidencia que o comportamento humano é uma resposta dinâmica às contingências ambientais, onde estímulos reforçadores e punitivos moldam a forma como as pessoas agem e se adaptam, para aprofundar a compreensão do controle do comportamento. A Figura 2 abaixo representa esquematicamente os conceitos fundamentais do controle aversivo do comportamento, uma área central da Análise do Comportamento que investiga como estímulos desagradáveis influenciam as respostas dos indivíduos, sendo que o controle aversivo envolve processos como punição, reforçamento negativo, fuga e esquiva, que modulam
a frequência e a intensidade dos comportamentos em resposta a estímulos aversivos (Moreira e Medeiros, 2019).
No contexto do controle aversivo, a remoção de estímulo reforçador positivo refere-se à retirada de algo que o indivíduo valoriza como consequência de um comportamento, funcionando como punição negativa. Por exemplo, quando uma resposta inadequada faz com que uma criança perca o direito a um brinquedo, a consequência é a retirada do reforço positivo, diminuindo a probabilidade da repetição do comportamento. Moreira e Medeiros (2018) explicam que esse processo é fundamental para entender como os comportamentos podem ser suprimidos sem o uso de punição direta.
Figura 2 – Representação esquemática dos conceitos de controle aversivo do comportamento
Fonte: Moreira e Medeiros (2019, p. 88)
A adição de estímulo reforçador negativo, ou seja, a introdução de um estímulo aversivo após um comportamento, constitui a punição positiva. Por exemplo, aplicar uma reprimenda após uma ação inadequada visa reduzir a ocorrência dessa ação no futuro. Segundo Del Prette e Del Prette (2018), esses procedimentos podem ser úteis, mas devem ser usados com cautela para evitar efeitos colaterais negativos, como ansiedade ou evasão do ambiente.
Já o reforçamento negativo envolve a remoção ou cancelamento de um estímulo aversivo após a emissão de um comportamento desejado, aumentando
a probabilidade desse comportamento. Por exemplo, uma pessoa que pára de receber um ruído irritante ao pressionar um botão está sendo reforçada negativamente por sua ação. Baer, Wolf e Risley (2023) enfatizam que o reforçamento negativo é um poderoso mecanismo para ensinar comportamentos adaptativos, especialmente em contextos educacionais e clínicos.
Os comportamentos de fuga e esquiva são estratégias que os indivíduos utilizam para evitar ou cessar estímulos aversivos. A fuga ocorre quando o comportamento é emitido para interromper um estímulo aversivo já presente, enquanto a esquiva acontece antes da apresentação do estímulo, prevenindo seu aparecimento. Moreira e Medeiros (2018) destacam que esses comportamentos são exemplos claros de reforçamento negativo, pois resultam na retirada ou prevenção de eventos desagradáveis.
O cancelamento ou adiamento do estímulo reforçador negativo ocorre quando, após um comportamento, o estímulo aversivo esperado é omitido ou retardado, servindo também como reforço para aquele comportamento. Esse processo mostra que não apenas a remoção imediata, mas também a manipulação temporal do estímulo pode influenciar o comportamento. Del Prette e Del Prette (2018) ressaltam que esses conceitos ajudam a compreender como as contingências ambientais moldam as respostas humanas de forma dinâmica. A compreensão desses conceitos permite intervenções mais humanas e eficazes na modificação do comportamento, respeitando as necessidades emocionais dos indivíduos. França, Santos e Moço (2023) apontam que o controle aversivo deve ser aplicado considerando o impacto emocional sobre o sujeito, especialmente em contextos familiares, onde a parentalidade e o suporte social são cruciais para o desenvolvimento saudável.
Outro aspecto importante abordado pela Análise do Comportamento é a relevância do apoio social no desenvolvimento e manutenção de comportamentos saudáveis. Coltro, Paraventi e Vieira (2020) ressaltam que o suporte recebido pode contribuir para a parentalidade positiva e para a promoção de comportamentos adaptativos, reforçando a ideia de que o contexto social é fundamental na modulação do comportamento humano.
Além disso, a Análise Experimental do Comportamento, ramo específico dessa abordagem, foca em compreender os processos básicos que sustentam o comportamento através de experimentos controlados. Oliveira (2022) destaca
que essa vertente permite a elaboração de modelos teóricos robustos, que embasam intervenções práticas com maior precisão. A experimentação sistemática possibilita a verificação de hipóteses sobre as funções do comportamento, favorecendo o desenvolvimento de estratégias personalizadas para a mudança comportamental.
Além disso, o modelo interpretativo proposto por Darwich (2024) enfatiza que as emoções desempenham um papel crucial na regulação do comportamento, funcionando como mediadoras entre os estímulos ambientais e as respostas observáveis. Isso significa que as experiências emocionais podem intensificar ou inibir determinados comportamentos, dependendo da forma como são percebidas e processadas pelo indivíduo. Dessa forma, o estudo das emoções dentro da Análise do Comportamento contribui para uma abordagem mais completa e eficaz na intervenção clínica e educacional.
PHILIPPA PERRY E A PARENTALIDADE CONSCIENTE
Philippa Perry é uma escritora e psicoterapeuta Londrina que atua na área a cerca de vinte anos, em 2020 a escritora publicou o livro “O livro que você gostaria que seus pais tivessem lido (e seus filhos ficarão gratos por você ler)", o qual aborda sobre a parentalidade consciente como um caminho fundamental para transformar as dinâmicas familiares (PERRY, 2020).
Um dos aspectos ressaltados pela autora é que:
A base da criação dos filhos é a relação que você cria com eles. Se as pessoas fossem plantas, a relação seria o solo. A relação sustenta, nutre, permite o crescimento — ou o inibe. Sem uma relação em que se possa apoiar, a criança tem sua segurança comprometida. O ideal é que a relação seja uma fonte de força para seus filhos — e, um dia, para os filhos deles também (PERRY, 2020, p. 13)
Ou seja, Perry (2020) ressalta a importância da relação familiar, ao invés da chamada “manipulação”, a autora ressalta que as crianças não fazem o que é falado e sim reproduzem aquilo que veem, ou seja, o que os pais fazem, tendo isso em vista, é enfatizado a importância do autoconhecimento para a parentalidade consciente, destacando que os pais precisam entender suas próprias emoções, medos e expectativas para se relacionar melhor com seus filhos, ou seja, ao reconhecer e trabalhar suas próprias feridas emocionais, os
adultos conseguem evitar a repetição de padrões prejudiciais e criar um ambiente mais acolhedor e empático para as crianças. Assim, a parentalidade deixa de ser apenas uma função biológica e torna-se um exercício constante de atenção e presença emocional, ela ressalta que os traumas e as dificuldades vividas pelos pais influenciam diretamente a forma como eles educam, ressaltando a importância de acolher essas histórias pessoais para romper ciclos negativos, sendo que “se você tiver o hábito de se cobrar demais e se repreender, é possível que seus filhos adotem esse mesmo comportamento prejudicial (PERRY, 2020, p. 36).
Segundo a autora, a maneira como os pais se posicionam diante das atitudes infantis possui implicações profundas no desenvolvimento emocional e comportamental das crianças, sendo que mediante a isso, o foco não deve estar em controlar a criança a qualquer custo, mas sim em criar uma base relacional de confiança, respeito e acolhimento.
A influência do comportamento dos pais se estende ainda à construção da segurança emocional. Perry (2020) aponta que, ao associar certos ambientes, como o quarto ou a cama, com afeto e segurança, e não com separação ou punição, os filhos passam a internalizar o autocuidado e o acolhimento como partes naturais de seu mundo interno. Isso é essencial, especialmente nos momentos em que os filhos são convidados a se afastar do colo dos pais para explorar o mundo de forma autônoma.
A parentalidade, na visão de Perry (2020), não é uma técnica a ser aplicada mecanicamente, mas um processo vivo que exige presença, escuta e reflexão contínua. O comportamento dos pais, mesmo nas pequenas ações do dia a dia, comunica valores, limites e afetos que os filhos absorvem e internalizam como referência. Assim, a criação baseada no respeito, na empatia e na consistência torna-se uma ferramenta potente para o desenvolvimento de filhos emocionalmente saudáveis e confiantes, desde que esteja integrada ao contexto relacional e não seja usada como única forma de regulação, ou seja, a parentalidade consciente, é compreendida por Perry como uma postura ética e afetiva que envolve auto responsabilidade, disposição para compreender o mundo emocional da criança e compromisso contínuo com o autoconhecimento dos próprios pais, reconhecendo que a maneira como educam impacta
profundamente na forma como os filhos aprenderão a se relacionar consigo mesmos e com os outros.
A RECOMPENSA, ESCUTA ATIVA, VALIDAÇÃO EMOCIONAL E AUTORREFLEXÃO NA PARENTALIDADE
A abordagem de Perry (2020) se distancia de métodos autoritários ou puramente comportamentais, e aproxima-se de uma visão mais emocionalmente inteligente da educação. A autora destaca que os filhos aprendem muito mais com os exemplos do que com ordens, ameaças ou manipulações. O uso de recompensas e punições, segundo ela, deve ser feito com cautela, pois o risco de criar relações baseadas em obediência cega ou medo é real. Nesse contexto, a autonomia e a autoestima da criança podem ser comprometidas quando os adultos agem com imposição constante ou retiram o afeto como forma de controle. A verdadeira motivação, para a autora, vem do incentivo que respeita o ritmo da criança e a valoriza como sujeito, sendo que a autora ressalta que:
Receber incentivos ao fazer alguma coisa é ótimo para uma relação, mas ser enganado, ignorado ou manipulado a certo comportamento não vai enriquecer um laço para a vida toda. Entendo que é difícil adotar uma perspectiva de longo prazo em momentos de grande
cansaço, mas, repito, acredito que vale a pena. Muitas das coisas que queremos que nossos filhos façam podem ser feitas com o mínimo de orientação ou seguindo o nosso exemplo. Incentivá-los a sair um pouco, mas não muito, da zona de conforto costuma ser uma maneira
de avançar caso precisem de um pouco de ajuda. Lembre-se de que, se fizermos algo que eles podem fazer por conta própria, existe o risco de prejudicar-mos sua autonomia (PERRY, 2020, p. 225)
Ou seja, é ressaltado a importância de uma parentalidade que cultive vínculos de longo prazo e respeita os processos individuais de desenvolvimento. A autora não está interessada em soluções imediatistas para o comportamento infantil, mas sim em relações construídas com consciência e respeito mútuo. Para ela, a manipulação emocional, mesmo que bem-intencionada, pode gerar ressentimentos e inseguranças nos filhos. Em contrapartida, incentivar com empatia e reconhecer as pequenas conquistas são atitudes que fortalecem a autoimagem da criança e sua relação com os pais.
Segundo Da Costa (2015), a escuta ativa envolve não apenas ouvir as palavras do outro, mas também compreender suas intenções, emoções e necessidades subjetivas. Essa escuta qualificada, quando aplicada à parentalidade, permite que a criança se sinta reconhecida como sujeito de direitos, emoções e ideias. Trata-se de uma prática que favorece a construção de vínculos afetivos seguros e o desenvolvimento de uma comunicação respeitosa e empática, essencial para o amadurecimento emocional e social da criança.
Sendo que Perry (2020) enfatiza o valor da escuta ativa e da validação emocional no processo de educar. Para ela, os pais conscientes reconhecem que as crianças são seres humanos com sentimentos complexos que merecem ser respeitados e compreendidos. Essa postura permite que o vínculo entre pais e filhos se fortaleça, promovendo a segurança emocional essencial para o desenvolvimento saudável. Perry sugere que, ao invés de buscar controlar ou corrigir, os pais devem se empenhar em entender as necessidades reais das crianças, sendo que a autora ressalta que:
[...] é importante saber que, mesmo quando nossas ações não têm a intenção de chatear ou irritar um membro da família, podemos provocar justamente essa reação. Quando alguém se sente mal por causa de alguma coisa que dissemos e fizemos, ainda que de forma não intencional, é importante escutar e validar os sentimentos do outro, em vez de ficar na defensiva. Precisamos lembrar que cada um de nós sente as coisas de maneira diferente. Ninguém está errado por ter uma reação distinta daquela que seria a nossa. Essas diferenças precisam ser respeitadas, e não provocar discussões sobre quem está tendo o sentimento “certo” (PERRY, 2020, p. 67)
Entender o ponto de vista das crianças não significa concordar com tudo ou ceder em todos os aspectos, mas reconhecer que elas sentem, interpretam e reagem ao mundo à sua maneira, com base em suas vivências e capacidades cognitivas em desenvolvimento, ao destacar a importância dessa escuta validante, é destacado a importância de abandonar a lógica da hierarquia emocional, na qual o sentimento do adulto é sempre mais correto ou aceitável, sendo que ao reforçar uma conexão segura por meio da empatia e da validação emocional, pais ajudam a integrar o cérebro das crianças e a promover autorregulação. Isso significa que, ao invés de gerar ressentimento ou repressão, o cuidado empático permite que a criança nomeie e compreenda suas emoções, construindo um senso de identidade emocional saudável (PERRY, 2020).
Segundo Da Costa (2015), a escuta ativa envolve não apenas ouvir as palavras do outro, mas também compreender suas intenções, emoções e
necessidades subjetivas. Essa escuta qualificada, quando aplicada à parentalidade, permite que a criança se sinta reconhecida como sujeito de direitos, emoções e ideias. Trata-se de uma prática que favorece a construção de vínculos afetivos seguros e o desenvolvimento de uma comunicação respeitosa e empática, essencial para o amadurecimento emocional e social da criança.
Sendo que crianças que se sentem escutadas tendem a desenvolver maior autoestima, confiança e empatia pelo outro, pois tiveram suas experiências reconhecidas como válidas. Perry (2020) enfatiza que esse tipo de conexão emocional não significa ausência de limites, mas uma firmeza com respeito, onde a criança aprende a lidar com frustrações dentro de um espaço seguro. A escuta ativa, nesse sentido, é também uma forma de ensino emocional que prepara o filho para a vida adulta e para relações saudáveis e maduras.
Além disso, em complemento à escuta ativa, a validação emocional ocupa lugar de destaque na criação de um ambiente familiar acolhedor. De acordo com De Souza, Ferreira e De Souza (2021), validar emoções não significa concordar com comportamentos inadequados, mas sim reconhecer o sentimento que os motiva, oferecendo à criança a oportunidade de se sentir compreendida e segura. Essa atitude fortalece a autoestima infantil e contribui para a autorregulação emocional, reduzindo comportamentos disfuncionais e favorecendo a cooperação. Quando os pais nomeiam e aceitam as emoções dos filhos, estão ensinando habilidades emocionais cruciais para toda a vida, sendo que conforme observado Perry (2020), os adultos precisam considerar que mesmo comportamentos desafiadores têm uma razão de ser, sendo que são raras as vezes em que negar o sentimento de uma criança é o caminho mais rápido (PERRY, 2020, p. 78).
Nesse processo, a autorreflexão por parte dos pais torna-se uma ferramenta indispensável para a educação consciente. Savoldi e Roazzi (2021) defendem que a autorreflexão é uma via metacognitiva que permite ao sujeito compreender seus próprios padrões de pensamento, emoção e comportamento. No contexto parental, essa prática é fundamental para que os cuidadores possam identificar reações automáticas, crenças herdadas e práticas que podem prejudicar o vínculo com os filhos. Refletir sobre suas próprias experiências de
infância e sobre como elas influenciam o presente é uma forma de romper ciclos disfuncionais e construir relações mais saudáveis.
É necessário destacar que Perry (2020) reforça que os pais não precisam ser perfeitos, mas sim conscientes de suas limitações e dispostos a aprender com os próprios erros. A autora sugere que o verdadeiro impacto da parentalidade reside na qualidade das interações cotidianas e na capacidade dos adultos de reparar falhas relacionais por meio do diálogo e da escuta. Isso implica admitir quando se erra, pedir desculpas e mostrar à criança que relacionamentos são construídos com base na confiança e na responsabilidade emocional. Assim, os pais ensinam pelo exemplo e não apenas pelas palavras.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A relação entre pais e filhos exerce uma influência profunda no desenvolvimento emocional, social e comportamental das crianças. A Análise do Comportamento compreende o comportamento humano como uma resposta operante, ou seja, influenciada pelas consequências ambientais. Segundo Del Prette e Del Prette (2018), reforçadores positivos e negativos são mecanismos centrais na aquisição e manutenção de comportamentos. Assim, quando os pais utilizam reforços adequados há maior probabilidade de que tais comportamentos se repitam. Em contraposição, a ausência de reforço ou a aplicação de punições pode reduzir a frequência de determinados comportamentos, embora essas estratégias devam ser utilizadas com cautela para evitar efeitos adversos, como a evasão ou o medo (Moreira & Medeiros, 2019).
Nesse contexto, a criação dos filhos está diretamente ligada às práticas parentais e às contingências impostas pelos pais no ambiente doméstico. A maneira como pais reagem ao comportamento dos filhos atua como uma poderosa ferramenta de aprendizagem, sendo que França, Santos e Moço (2023) apontam que o uso consciente dessas estratégias pode promover maior regulação emocional e vínculos mais seguros, impactando positivamente o bem
estar infantil.
A proposta de parentalidade consciente de Philippa Perry dialoga diretamente com esses princípios, ao enfatizar que os filhos aprendem muito mais pelo exemplo do que por comandos verbais. A autora afirma que as
crianças reproduzem o que veem, não o que escutam, e que, por isso, os pais devem estar atentos ao seu próprio comportamento. Isso está alinhado com o conceito de modelagem da Análise do Comportamento, segundo o qual os indivíduos aprendem por observação e imitação de modelos, especialmente figuras de autoridade como os pais.
Outro aspecto abordado por Perry (2020) é a importância de acolher as emoções da criança, reconhecendo seus sentimentos como válidos e promovendo um ambiente seguro para sua expressão. Tal proposta encontra eco nas contribuições de Darwich (2024), que destaca a relevância das emoções como mediadoras no processo de aprendizagem. Na Análise do Comportamento, entende-se que emoções estão atreladas às contingências ambientais e que respostas emocionais, como frustração, medo ou alegria, são moldadas pelas experiências e consequências vividas. Portanto, validar os sentimentos infantis significa não apenas reconhecer sua humanidade, mas também ensinar modos socialmente aceitáveis e funcionais de lidar com essas emoções.
O comportamento parental é moldado por contingências anteriores, ou seja, pela forma como os próprios pais foram criados. Muitas vezes, comportamentos disfuncionais na parentalidade são perpetuados transgeracionalmente, sendo mantidos por contingências reforçadoras inconscientes. A intervenção clínica baseada na Análise do Comportamento propõe, nesse caso, uma reavaliação dos padrões parentais, buscando substituir comportamentos disfuncionais por estratégias mais adaptativas e empáticas (Moreira & Medeiros, 2018).
Sendo que recompensar com afeto, escutar com atenção, validar com empatia e refletir com humildade são pilares que sustentam uma parentalidade baseada no respeito mútuo e na construção de vínculos significativos. A literatura contemporânea, representada por autores como Perry (2020), oferece importantes contribuições teóricas e práticas para que os cuidadores possam atuar com mais consciência e sensibilidade. Ao adotar tais princípios, os pais promovem não apenas o bem-estar imediato de seus filhos, mas também sua formação como indivíduos íntegros, capazes de amar, conviver e transformar o mundo à sua volta, sendo que a parentalidade é um ciclo, e a criação impacta diretamente as relações parentais futuras.
REFERÊNCIAS
BAER, Donald M.; WOLF, Montrose M.; RISLEY, Todd R. Algumas dimensões atuais da análise do comportamento aplicada. Revista Brasileira de Análise do Comportamento, v. 19, n. 1, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufpa.br/index.php/rebac/article/view/14944
BERNARDI, Denise. Paternidade e cuidado:“novos conceitos”, velhos discursos. Psicologia Revista, v. 26, n. 1, p. 59-80, 2017. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/psicorevista/article/view/28743
COLTRO, Beatriz Pires; PARAVENTI, Larissa; VIEIRA, Mauro Luís. Relações entre parentalidade e apoio Social: revisão integrativa de literatura. Contextos Clínicos, v. 13, n. 1, p. 244-269, 2020. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1983-
34822020000100013&script=sci_arttext
DA COSTA, Deborah Regina Lambach Ferreira. A importância de diferentes olhares (escuta ativa) na mediação familiar: a interdisciplinaridade. Revista Veras, v. 5, n. 1, p. 37-44, 2015. Disponível em: https://site.veracruz.edu.br/instituto/revistaveras/index.php/veras/article/view/20
1
DARWICH, Rosângela Araújo. Emoções na análise do comportamento: um modelo interpretativo. Curitiba, PR: Appris, 2024
DE SOUZA, Joana Barbosa; FERREIRA, Juliana Castro; DE SOUZA, Julio Cesar Pinto. A importância da validação das emoções das crianças. Research, Society and Development, v. 10, n. 10, p. e479101018940-e479101018940, 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/18940
DEL PRETTE, Almir; DEL PRETTE, Zilda AP. A relação entre habilidades sociais e análise do comportamento: história e atualidades. Análise do comportamento: conceitos e aplicações a processos educativos clínicos e organizacionais, p. 39-53, 2018. Disponível em: https://www.uel.br/pos/pgac/wp
content/uploads/2019/01/UELlivro5dez18press.pdf#page=39
FRANÇA, Vittórya Bazeth; DOS SANTOS, Mariana Fernandes Ramos; MOÇO, Camila Medina Nogueira. Parentalidade e bem-estar emocional: Como o modo de ser pai/mãe pode impactar a saúde emocional do filho. Revista Ibero Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 9, n. 9, p. 250-262, 2023. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/10988
MAIA, Bruna Bortolozzi; OKAMOTO, Mary Yoko. Considerações psicanalíticas sobre narcisismo e parentalidade no contemporâneo: uma revisão de literatura. Gerais: Revista Interinstitucional de Psicologia, v. 16, n. 2, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/gerais/article/view/51909
MOREIRA, Márcio Borges; DE MEDEIROS, Carlos Augusto. Princípios básicos de análise do comportamento. Artmed, 2018.
OLIVEIRA, Elisa Smile Teixeira de. Análise experimental do comportamento. Curitiba, PR: Contentus, 2022.
OLIVEIRA, Yvana Coutinho de. Parentalidade e saúde mental infantil: revisão narrativa. 2023. Disponível em: https://repositorio.unichristus.edu.br/jspui/handle/123456789/1522
PERRY, Philippa. O livro que você gostaria que seus pais tivessem lido (e seus filhos ficarão gratos por você ler). 1ªEd. São Paulo: Editora Fontanar. 2020.
SANTOS, Ana Isabel Pratas Martins dos et al. Impacto de um programa de competências parentais no stress e competências de atenção plena. Acta Paulista de Enfermagem, v. 33, p. eAPE20190282, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/DbPdrTMdG7SfddM8pHcFCvd/?lang=pt&format=h
tml
SAVOLDI, Robson; ROAZZI, Antonio. Autoconsciência privada, autorreflexão e insight: caminhos metacognitivos para aprendizagem autorregulada. Ensino, cidadania e inclusão: ecos do século XXI. São Paulo: Alexa Cultural e EDUA, 2021. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Antonio
Roazzi
2/publication/359603360_Autoconsciencia_privada_autorreflexao_e_insight_ca minhos_metacognitivos_para_aprendizagem_autorregulada/links/6244d5bb210 77329f2e29c61/Autoconsciencia-privada-autorreflexao-e-insight-caminhos metacognitivos-para-aprendizagem-autorregulada.pdf
SOUZA, Fernanda Hermínia Oliveira; FONTELLA, Cristina. Diga, Gérard, o que é a parentalidade?. Clínica & Cultura, v. 5, n. 1, p. 107-120, 2016. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/clinicaecultura/article/download/5375/4902
TRALHÃO, Filipa et al. A família como promotora da transição para a parentalidade. Revista da UI_IPSantarém, v. 8, n. 1, p. 17-30, 2020. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/uiips/article/view/19874

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Giulia Boechat Ridolfi (Autor)